Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao.pdf

  • Published on
    25-Nov-2015

  • View
    44

  • Download
    23

Transcript

72ResumoEste artigo apresenta a Anlise de Redes Sociais (ARS)como um mtodo a ser aplicado em estudos na cincia dainformao (CI), inclusive para a compreenso daestruturao da pesquisa nessa rea do conhecimento.Esta , normalmente, apresentada como uma rea doconhecimento interdisciplinar, e as diferentes linhas depesquisa existentes nos Programas de Ps-Graduao, noBrasil, recebem influncias de diferentes reas doconhecimento. A aplicao da ARS no estudo da rede deco-autoria dos professores do PPGCI/UFMG permite tanto aapresentao do mtodo, quanto a obteno de resultadosempricos para alimentar a discusso sobre a CI. As redesde colaborao entre os professores refletem, em tese,a participao em programas de pesquisa da rea.A colaborao entre professores das diferentes linhas serelaciona com a integrao das diferentesinterdisciplinaridades que elas apresentam. O artigo expe,inicialmente, uma discusso sobre a interdisciplinaridade naCI; em seguida d uma viso geral da ARS e apresentaestudos da rea, destacando-se a anlise de redes deco-autoria. Finalmente, descreve-se a metodologia dapesquisa e os principais resultados obtidos da ARS.A concluso destaca os resultados e refora a importncia daARS como mtodo para a CI, o qual pode ser explorado comsucesso, inclusive em pesquisas sobre redes de co-autoria einterdisciplinaridade.Palavras-chaveRedes sociais. Cincia da informao. Metodologia.Interdisciplinaridade. Redes de co-autoria.Anlise de redes sociais como metodologia deapoio para a discusso da interdisciplinaridadena cincia da informaoAntonio Braz de Oliveira e Silva*Analista do IBGE, doutorando em cincia da informao, Escola deCincia da Informao da Universidade Federal de Minas Gerais(ECI/UFMG), e membro do Ncleo de Estudos em Tecnologias paraInformao e Conhecimento (Netic) (www.netic.com.br)E-mail: abraz@netic.com.brRenato Fabiano Matheus*Analista do Banco Central, doutorando em cincia da informao(ECI/UFMG), mestre em cincia da informao (ECI/UFMG) emembro do Netic (www.netic.com.br)E-mail: renato.fabiano@bcb.gov.brFernando Silva ParreirasDoutorando em cincia da computao pela Universitt Koblenz,Alemanha, mestre em cincia da informao (ECI/UFMG) e membrodo Netic (www.netic.com.br).E-mail: fparreiras@netic.com.br.Tatiane A. Silva ParreirasBacharela em cincia da informao PUC-MG, assistente depesquisa do Netic (www.netic.com.br)E-mail: tatianeparreiras@netic.com.brSocial network analysis as a method to supportthe debates about the information science andits interdisciplinary natureAbstractThis paper discusses the Social Network Analysis (SNA) as amethod to be broadly applied in Information Science (IS)research. Information science is normally considered as aninterdisciplinary field. In this regard, research lines thatcomprise the research work in post-graduate programs inBrazil are influenced by different fields of knowledge.The co-authorship analysis of professors networks in thepost-graduate program in information science at theUniversity of Minas Gerais (PPGCI/UFMG) carried out byusing SNA had a twofold output. The first one was to presentthe method itself. The second, to obtain empirical results thatcan be used to implement the discussion about thediscipline. Collaborative networks between professors fromdifferent research lines is related to the integration ofinterdisciplinary characteristics found in the disciplinesthemselves. The article briefly presents the interdisciplinarynature of IS and gives an overview of the theoretical basis ofSNA. Moreover, it presents studies about subject-mattersrelated to IS, particularly the co-authorship network analysis.Finally, the methodological approach of this research and themain results are presented. In conclusion, the authors stressthe benefits brought about by the use of SNA as amethodological tool. It can actually be fruitfully explored tosupport researches in both co-authorship networks anddebates about Information Science and its interdisciplinarynature.KeywordsSocial networks. Information science. Methodology.Interdisciplinarity. Co-authorship networks.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006* Antonio Braz e Renato Matheus realizaram o presente trabalho como apoio dos Programas de Ps-graduao do IBGE e Bacen,respectivamente.73INTRODUOA cincia da informao apresentada, de uma maneirageral, como uma rea do conhecimento relativamenterecente e interdisciplinar, o que impede, em muitassituaes, que se delimite, claramente, o seu campo deatuao. As discusses sobre seu programa de pesquisa emetodologia so colocadas em termos do seurelacionamento com outras disciplinas, e a simplesidentificao dos assuntos de interesse da CI oferecedificuldades decorrentes dessa caracterstica.Os programas de ps-graduao (stricto sensu) da rea,que, no Brasil, representam as instituies de pesquisa,so estruturados em linhas de pesquisa, a maioria comumao conjunto das instituies. Elas organizam suas linhasde pesquisa em trs vertentes bsicas: i) tratamento euso da informao; ii) informao, cultura e sociedade;iii) gesto da informao e do conhecimento. As exceesso o Instituto Brasileiro de Informao em Cincia eTecnologia (Ibict)/ Universidade Federal Fluminense(UFF), que tm uma linha de pesquisa em teoria,epistemologia, interdisciplinaridade em CI, e a UniversidadeFederal de Santa Catarina (UFSC), com uma linha narea de ensino e formao dos profissionais da informao.Essas linhas contemplam os aspectos prticos e tericosdesejveis nos programas de pesquisa. No entanto, asdiferenas encontradas nos termos que descrevem ocontedo de cada uma delas so significativas, podendo-se inferir que cada uma tem uma caractersticainterdisciplinar distinta, em termos de influncia deoutras reas de conhecimento.Em termos da convivncia das linhas de pesquisa em ummesmo programa, seria possvel esperar que as diferentesinterdisciplinaridades permitissem diferentesabordagens para o mesmo problema de pesquisa e que asdiferentes abordagens tericas fossem se aproximando,na construo do campo da cincia da informao. Essaconjectura pode ser abordada, do ponto de vista de suaverificao, de vrios ngulos e com diferentesinstrumentais. Na verdade, no se pode analisar umcampo de conhecimento tomando-se apenas um deles.O objetivo do artigo propor a metodologia de anlisede redes sociais (ARS ou SNA, da expresso em inglsSocial Network Analysis) como uma ferramenta para aanlise da produo cientfica. Ela permite, por exemplo,a identificao de colgios invisveis e a observao dealguns aspectos da interdisciplinaridade decorrentes dacolaborao de pesquisadores de reas distintas.A metodologia de ARS aplicada s redes de colaboraopermite que a interdisciplinaridade das reas deconhecimento possa ter um dos seus mltiplos aspectoscapturados e analisados. Entender a formao destas redes,por exemplo, com relao produo de pesquisas ouartigos em parceria, uma das formas de se analisar aestruturao de um campo do conhecimento, conformea literatura da rea (CRANE, 1972). Sua importncia ,ainda, maior para a cincia da informao, pois ametodologia adquire duas grandes funes: serve para aanlise da sua prpria produo cientfica, da mesmaforma que para qualquer rea do conhecimento e, aomesmo tempo, constitui uma ferramenta complementarquelas j empregadas nas anlises bibliomtricas. Parajustificar a proposio, foi feito um estudo de caso, tendocomo alvo o PPGCI/UFMG. O uso desse programa comoreferncia para a aplicao da metodologia escolhida deve-se sua importncia para a CI no Brasil. Dessa forma, oestudo descrito nesse artigo se prope a analisar a rede deco-autoria entre os professores do PPGCI/UFMG,procurando identificar: i) se ela densa, como muitosartigos publicados nessa condio, envolvendo a maiorparte dos professores; ii) se existe colaborao entre osprofessores das diferentes linhas de pesquisa. Essesresultados servem de base para se analisarem as relaesde colaborao entre estas linhas que, conforme sedepreende da descrio de seu contedo, possuemdiferentes interdisciplinaridades.Em outras palavras, utiliza-se a metodologia de anlisede redes sociais para estudar a rede de co-autoria dosprofessores de um programa representativo na rea oPPGCI/UFMG , tentando-se associar a colaboraoentre os professores da mesma rea ao vigor do programade pesquisa e, entre aqueles de diferentes reas, intenointerdisciplinar das mesmas. Os resultados estariammanifestados nas publicaes totais e, especialmente, nasconjuntas. Essa abordagem uma das possveis, uma vezque os pesquisadores podem ter (e, normalmente, tm)variadas formas de relaes com membros de suacomunidade de pesquisa (outros professores do programa,alunos, pesquisadores de outras instituies ou de outrasreas e outros) e a compreenso final da organizao socialde uma rea s poderia ser compreendida com a adiodessas outras formas de relacionamento (CRANE, 1972).No entanto, cada abordagem fornece pistas para asdemais e permite que se testem algumas suposies sobreo comportamento social dos pesquisadores.Este artigo est organizado em mais quatro sees, almdessa Introduo. Na seo 2, A Cincia da Informao(CI) e a Interdisciplinaridade, analisam-se acaracterstica interdisciplinar da rea, amplamenteCi. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao74Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreirasmencionada na literatura, e as conseqentes dificuldadesde se organizar a pesquisa dentro da CI. Associa, tambm,as diferentes influncias estruturao das linhas depesquisa que moldam os programas no Brasil, paraapresentar a conjectura de que a colaborao entre asdiferentes linhas seria um esforo para se delimitar ocampo da CI. A seo 3, ARS e as redes de co-autoria,discute a metodologia de ARS e sua aplicao em estudosde co-autoria em diferentes pases e comunidades depesquisa. Apresenta, ainda, a notao matemtica bsicapara se compreender a ARS. A seo 4, Estudo da redede co-autoria entre os professores do PPGCI/UFMG,apresenta o Programa e a justificativa de sua escolha paraa presente pesquisa, assim como a metodologia empregadano levantamento, crtica e tratamento dos dados, a anlisede dados, as principais estatsticas descritivas, umaavaliao da distribuio da produo entre osprofessores, com base na distribuio de Lotka e no ndicede Gini, e a ARS propriamente dita, apoiada em tabelase grafos. Finalmente, na seo 5, Concluso, avaliam-seas suposies e conjecturas ante os resultados e avana-se a proposio de estudos futuros.A CINCIA DA INFORMAO E AINTERDISCIPLINARIDADEA cincia da informao , de uma maneira geral,apresentada como uma rea do conhecimentorelativamente recente e interdisciplinar, o que impede,em muitas situaes, que se delimite o seu campo deatuao. As discusses do seu programa de pesquisa emetodologia so colocadas em termos do seurelacionamento com outras disciplinas, e a simplesidentificao dos assuntos de interesse da CI oferecedificuldades decorrentes dessa caracterstica (TARGINO,1995; CARDOSO, 1996; GMEZ, 2001; GOMES, 2001;LE COADIC, 1997; MACHLUP; MANSFIELD, 1983),uma vez que a rea traz a influncia de vrios campos doconhecimento, tais como a biblioteconomia, a sociologia,a administrao, a cincia da computao e acomunicao.A discusso sobre a natureza da CI parece ser to antigaquanto a histria desse campo de conhecimento. Deacordo com Vakkari (1991), durante os anos 70 a discussotinha um vis terico e conceitual, mas, nos anos 90,parece ter retornado e se ampliado, incluindo a relaoentre biblioteconomia e cincia da informao e,sobretudo, a identificao e a definio dos conceitoscentrais da disciplina, tais como conhecimento,informao e necessidade de informao.A institucionalizao social da CI pode ser entendidatomando-se emprestado o conceito de campodesenvolvido pelo socilogo Pierre Bourdieu. Segundoele, a atuao dos indivduos se processa em contextossociais especficos, que tocam em determinados aspectosda vida social. O campo definido como o locus das lutasno qual os agentes buscam manter ou alterar adistribuio do capital (especfico ao campo, isto ,relevante para o processo em questo), assim como a suaposio dentro dele. Portanto, os campos podem seranalisados independentemente das caractersticas queapresentam os atores individuais que dele fazem parte(BOURDIEU, 2000).A partir de determinado ponto, qualquer rea comea ase definir como um espao relativamente autnomo, comsuas prprias leis de funcionamento, seus tericos, suasrevistas etc., chegando-se a ponto em que j no se podecompreender o que produzido em um campo sem seconhecer a sua histria. Dessa forma, os campos secomportam como os demais organismos sociais,nascendo, desenvolvendo-se e, em algum momento,desaparecendo. Em termos de sistemas biolgicos, osindivduos com interesse no campo no lutaminternamente s para alterar sua situao de poder, mastambm para conservar e ampliar os espaos do campovis--vis os demais.Compreender a sua institucionalizao cognitiva, isto ,o consenso e a clareza na formulao de teorias, oscritrios para a relevncia dos problemas e a definio ea aceitao das solues encontradas, assim como dosmtodos usados, significaria delimitar os objetos depesquisa do campo, ou seja, especificar quais so osprincipais objetivos e as reas promissoras para pesquisa.Dessa forma, esse aspecto da institucionalizao estintimamente relacionado com a definio do statuscientfico do campo estudado. A compreenso dessestatus passa por diferentes e complexas discusses eabordagens, indo da discusso bsica do que cincia,passando pelas origens histricas do campo, sem esquecera discusso filosfica que analisa as diferenas entre ascincias naturais e as cincias sociais.Para se chegar compreenso desse status, no caso dacincia da informao, seria interessante observar aabordagem, do ponto de vista da histria das cincias,feita por Thomas Kuhn. Em palestra intituladaO Problema com a Filosofia Histrica da Cincia,proferida no Departamento de Histria da Cincia daUniversidade de Harvard, na srie de confernciasdenominada Rothschild Lectures, ele faz uma anlise doCi. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 200675papel dos filsofos da cincia na mudana da imagemque se tem da cincia, destacando a necessidade de, doponto de vista histrico, entender-se o processo peloqual as diferenas entre as crenas dos diversos grupos depesquisadores vo convergir para um consenso. Do pontode vista histrico, observou-se o surgimento de novasespecialidades ao longo da histria, uma analogia com aespecializao observada, nos seres vivos, pela biologia.Ao longo dos ltimos sculos, especialmente na rea dascincias naturais, as especializaes se transformaram emcincia, criando um campo prprio, com revistas etc. um processo que adquire a forma de uma rvore (umarvore genealgica, por assim dizer) (KUHN, 1992).Uma vez que se cria um ramo novo nessa rvore, ele deveconter sua prpria delimitao e o seu prprio objeto deinteresse. A cincia da informao parece estar nocaminho inverso, ou seja, com o enxerto de dois outrosramos (biblioteconomia e ciberntica), pretende-se criarum novo, mais robusto, que se aproveite dos paradigmasdos anteriores e abra, ainda, novos espaos deinvestigao. Assim, aparentemente, a CI encontra-sediante de um paradoxo: se o caminho da transformaode especializaes em cincias a necessidade de seanalisarem os novos problemas surgidos nas disciplinasj existentes, a partir de uma nova viso e de perspectivasde novas direes de desenvolvimento, criando, assim,um novo campo de conhecimento e uma nova cincia,por que se valer permanentemente dos mtodos de outrasdisciplinas? Para discutir essa questo, Gmez (2000)utiliza, como ponto de partida, o conceito de programade pesquisa, introduzido por Imre Lakatos, historiadorda cincia, na dcada de 60. Um programa de pesquisacientfica um aglomerado de teorias conectadas quederivam de um ncleo central, composto pelas crenascomuns que unem os seguidores do programa. Segundoela:[...] a pesquisa em cincia da informao apresentariaum problema particular que podemos identificar demodo quase imediato: Se existe grande diversidadena definio das heursticas afirmativas, as quedefinem as estratgias metodolgicas de construodo objeto e que permitem a estabilizao acumulativado domnio, maior a dificuldade para estabelecer asheursticas negativas, as que definem o que nopoderia ser considerado objeto do conhecimento dacincia da informao, condio diferencial quefacilita e propicia as relaes de reconhecimento ecomplementaridade com outras disciplinas. E istoacontece na cincia da informao por um lado, pelareferncia intrnseca de seu objeto a todos os outrosmodos de produo de saberes, gerandoconstantemente novas trelias interdiscursivas e, poroutro lado, pela natureza estratificada e poli-epistemolgica dos fenmenos ou processos deinformao. Desde suas primeiras manifestaes,apresentava-se, assim, a cincia da informao, comoconjunto de saberes agregados por questes antes que porteorias (GMEZ, 2000). (Grifo dos autores).A classificao da produo cientfica desta rea deconhecimento um tema capaz de gerar diferentestaxonomias (ODDONE; GOMES, 2003). Apesar de taldificuldade, Gomes (2003), a partir de uma sntese dediversos estudos produzidos no Brasil, dentre os quaisOliveira (1998; 1999) e Mueller e Pecegueiro (2001),concluiu que os assuntos mais pesquisados pela CI, noBrasil, estudam os seguintes temas: i) usurios,transferncia e uso da informao e da biblioteca; ii)processamento e recuperao da informao (entrada,tratamento, armazenamento, recuperao e disseminaoda informao) (GOMES, 2003, p. 17). Parasimplificao, neste texto o primeiro tema referenciadopor meio da expresso usos da informao ou USOS eo segundo tema por meio da expresso recuperao dainformao ou RI. Nas pesquisas em CI, o primeirotema USOS est ligado mais fortemente aosindivduos, e o segundo RI est tradicionalmenteligado recuperao da informao registrada, maisespecificamente aos sistemas de informao.Ao analisar a pesquisa em CI, Dias (2002) a apresentacomo uma rea do conhecimento que abarca uma sriede especialidades ou subreas, algumas consensualmenteaceitas (biblioteconomia, por exemplo) e atribui a origemda utilizao da expresso CI, nesse sentido genrico, aofato de assim ser utilizada na tabela de reas doconhecimento do Conselho Nacional doDesenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq).Nela, a CI se subdividiria em trs grandes subreas: teoriada informao, biblioteconomia e arquivologia. Segundoo autor, a teoria da informao se caracterizaria como aespecialidade do campo que lida com a informaoespecializada. Ele tenta delimitar o campo a partir dadefinio das disciplinas bsicas, a saber: 1) organizaoda informao visa organizao das informaes /documentos que vo dar sustentao a sistemas deinformao e de recuperao da informao (SIRIs); 2)Busca em Sistemas de Informao estudo das funes debusca e da formulao das estratgias de busca. No casoda informao especializada, trata-se da interao entreo conhecimento do usurio das complexas fontes deinformao e de seus respectivos instrumentos de acesso.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao76Dessa forma, ele tenta definir a heurstica negativa doprograma de ensino em CI, afirmando que os contedosque estejam fora das disciplinas bsicas no podem jamaisconstituir o principal em um programa [de ensino], master apenas um carter complementar (DIAS, 2002).Pode-se, ento, aceitar que as reas de pesquisa e asdisciplinas obrigatrias possam ser, de fato, agrupadasem duas grandes reas: USOS e RI. Resta o problema deassoci-las s linhas de pesquisa existentes nos programasde ps-graduao da rea. Em discusso acerca dosdesafios da CI, um dos autores deste artigo (MATHEUS,2005) argumenta que os programas de pesquisa para area deveriam agregar, simultaneamente, trs abordagenscomplementares: i) pesquisas prticas e empricas; ii)pesquisas tericas, que devem interagir com as pesquisasempricas por meio de temas definidos pelos programasde pesquisa; iii) pesquisas associadas filosofia dainformao, que tm maior liberdade em relao a temaspara debater filosfica e epistemologicamente a CI.Com base no referencial exposto, pode-se tentar associaras linhas de pesquisa com essa proposta e com as duasgrandes reas. Os cursos de ps-graduao (stricto sensu)organizam suas linhas de pesquisa em trs vertentesbsicas: i) tratamento e uso da informao; ii)informao, cultura e sociedade; iii) gesto da informaoe do conhecimento. As excees so o Ibict/UFF, quetm uma linha de pesquisa em teoria, epistemologia,interdisciplinaridade em CI, e a UFSC, com uma linha narea de ensino e formao dos profissionais da informao.Tomando-se as trs linhas comuns, pode-se dizer queelas contemplam os aspectos prticos e tericos desejveisnos programas de pesquisa e que podem ser analisadassegundo as duas grandes reas que estruturam a produona CI, conforme pode ser observado no quadro 1.QUADRO 1Linhas de pesquisa da cincia da informao e sua relao com as reas e as caractersticas dos programas depesquisaProgramade pesquisaPesquisasprticas eempricas;pesquisastericasPesquisasprticas eempricas;pesquisastericasPesquisasprticas eempricas;pesquisastericasNomeTratamento euso dainformaoInformao,cultura esociedadeGesto dainformao e doconhecimentoContedoOrganizao do conhecimento,representao da informao, indexao,ndice, classificao do conhecimento,comunicao cientfica, colgios invisveis,anlise de citaes.Informao, sociedade contempornea,redes sociais, informao, estado esociedade civil; informao, espao eprticas sociais; informao, cultura etecnologia; informao e educaoprticas informacionais e odesenvolvimento da cidadania; anlise dosimpactos das tecnologias da informao eda comunicao na sociedade em geral.Acesso, disseminao e uso da informaoem organizaes, fontes e servios deinformao para negcios, gesto dainformao e do conhecimentotecnolgicos, aprendizagemorganizacional, empreendedorismo, gestoestratgica, inteligncia empresarial,monitorao ambiental, tecnologias dainformao para a gesto, a informao noprocesso decisrio das organizaes.Usurios, transferncia euso da informao e dabiblioteca (USOS)Usurios de sistema deinformao e especialistasem informao, comnfase em bibliotecas econhecimento cientfico.Cidados em geral egrupos sociais especficos.Usurios de sistema deinformao e especialistasem informao, comnfase em organizaes.Processamento erecuperao dainformao (RI)Classificao,indexao erecuperao deinformao;automao.Sistemas pblicos deinformao, emqualquer meio;governo eletrnico;redes de informaoem comunidades ougrupos.Classificao,indexao erecuperao deinformao;automao. Sistemasde gesto e apoio tomada de deciso.Fonte: Ancib.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras77Conforme a tabela, pode-se dizer que as linhas depesquisa oferecem as caractersticas bsicas de subreasde produo do conhecimento para serem tomadas comounidades de anlise sobre a cincia da informao. Almdisso, pelas diferenas encontradas nos termos quedescrevem o contedo, pode-se entender que cada umadelas tem uma caracterstica interdisciplinar distinta,em termos de influncia de outras reas deconhecimento. No caso de Tratamento e uso dainformao, as influncias seriam, principalmente, dasreas de biblioteconomia, arquivologia, lingstica ecincia da computao. Na linha Informao, cultura esociedade, as maiores influncias seriam das cinciashumanas, em especial a sociologia e a cincia poltica(no esquecendo que essa influncia se estende, inclusive,aos mtodos de pesquisa). Finalmente, na linha deGesto da informao e do conhecimento, estariamrelacionadas as cincias sociais aplicadas, especialmenteadministrao e economia, alm da cincia dacomputao.Em termos da convivncia das linhas de pesquisa em ummesmo programa, seria esperado que as diferentesinterdisciplinaridades permitissem diferentesabordagens para o mesmo problema de pesquisa e que asdiferentes abordagens tericas fossem se aproximandona construo do campo da cincia da informao. Essaconjectura pode ser abordada, do ponto de vista de suaverificao, de vrios ngulos e com diferentesinstrumentais. Na verdade, no se pode analisar umcampo de conhecimento tomando-se apenas um dessesngulos, conforme j havia sido mencionado (ver, a esserespeito, Crane, 1972).ARS E AS REDES DE CO-AUTORIAA anlise de redes sociais (ARS ou SNA, da expressoem ingls Social Network Analysis*) uma abordagemoriunda da sociologia, da psicologia social e daantropologia (FREEMAN, 1996; WASSERMAN;FAUST, 1999). A anlise de redes sociais interessa apesquisadores de vrios campos do conhecimento que,na tentativa de compreender o seu impacto sobre a vidasocial, deram origem a diversas metodologias de anliseque tm como base as relaes entre os indivduos, emuma estrutura em forma de redes. As redes so sistemascompostos por ns e conexes entre eles, que, nascincias sociais, so representados por sujeitos sociais(indivduos, grupos, organizaes etc.) conectados poralgum tipo de relao. De forma genrica, pode-se estudaro sistema visando apenas a entender como ele se comportae como as conexes influenciam esse comportamento,com aplicaes na rea de sade pblica (e.g., estudosepidemiolgicos), de tecnologia da informao (e.g., amesma idia para os vrus de computador), da sociologia(e.g., os movimentos sociais), da economia (e.g., mercadose economias de rede) e da matemtica aplicada (e.g.,otimizao de algoritmos) (WATTS, 1999).O uso da ARS vem crescendo significativamente nosltimos 20 anos, conforme demonstrado porpesquisadores na rea, a partir de pesquisas em base dedados de artigos cientficos e em programas de pesquisa(OTTE; ROUSSEAU, 2002; BORGATTI; FOSTER,2003). Tal crescimento vem ocorrendo em funo doaumento da quantidade de dados disponveis para anlise,do desenvolvimento nas reas de informtica eprocessamento de dados com o conseqente aumentodo poder computacional disposio dos pesquisadores e da ampliao dos assuntos de interesse e das reas deconhecimento que utilizam a ARS e a publicao deinmeros manuais sobre o tema.A ARS no uma proposta nova para a CI, embora nose possa afirmar que seja, como metodologia, umaferramenta amplamente utilizada na rea. A experinciainternacional, muito mais ampla que a brasileira, mostraque alguns dos principais autores da rea de ARSpublicaram em revistas cientficas da CI. Em sua pesquisa,Otte e Rousseau (2002) fazem uma rpida reviso deestudos na rea, tomando como referncia o incio dosanos 70 e relacionando-os, principalmente, com redesde informao, redes de co-autoria, de pesquisadores ede citaes. Depois, combinando a base de dados Libraryand Information Science Abstracts (Lisa) e da lista dosprincipais autores sobre o tema de ARS, pesquisaramsua relevncia na rea de CI. Dos 47 autores maisprolficos (com seis ou mais artigos), 12 haviam escritoartigos presentes nessa base de dados(independentemente de serem os primeiros autores),mas no so pesquisadores da CI. J no Brasil, ainda sopoucos os estudos que utilizam essa metodologia, e asreferncias na rea de CI so reduzidas, sendo que otrabalho de Regina Marteleto parece ser pioneiro(MARTELETO, 2001). Pesquisando-se a base deperidicos PERI da ECI/UFMG, com cerca de 7 milartigos indexados nas reas de biblioteconomia e cinciada informao, obtiveram-se 16 artigos para a pesquisaredes sociais e quatro para anlise de redes sociais.* Os termos originais em ingls so utilizados para que se evitemambigidades, uma vez que existem tradues diferentes para o mesmotermo em portugus.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao78Mesmo para uma pesquisa rpida, os resultados indicamo baixo uso dessa ferramenta na CI*.Em contrapartida, muitas pesquisas que utilizam a ARSe que poderiam ser apontadas como tendo uma interseocom os programas na rea de CI podem ser encontradasem publicaes de outras reas. Por exemplo, as ligaesestudadas atravs da ARS dentro das organizaes e dasempresas, para identificar e analisar os fluxos deinformao entre os atores e seus impactos na gerao deconhecimento, ou as relaes de autoridade e seu papelno fluxo de informaes podem ser encontradas emrevistas da rea de administrao e sociologia. Outrosexemplos de estudos utilizando a ARS que podem,tambm, ser considerados como pertinentes CI so acomunicaes entre atores (ns) para a obteno deinformaes vantajosas (GRANOVETTER, 1973;BURT, 2000; BURT, 1995; BORGATTI; CROOS, 2003);o envio de mensagens eletrnicas entre pessoas, comofeito no trabalho sobre troca de mensagens eletrnicas(FREEMANs EIES Electronic Information ExchangeSystem study apud WASSERMAN; FAUST, 1999, p.62) e as relaes de autoridade formal ou deaconselhamento tcnico em uma organizao(KRACKHARDT; HANSON, 1993, MOLINA, 2000;KRACKHARDT, 1987); a anlise de redes de empresasem clusters ou sistemas produtivos locais (SAXENIAN,1996; MCIAS, 2002); o estudo de redes de pequenas emdias empresas (ROCHA, 2003), empreendedorismoe redes familiares (LIN et al., 2001); e as redes entregrandes empresas e seus fornecedores e os fluxos deconhecimento embutidos nessas relaes (CARLEIAL,2001).H, entretanto, uma rea na qual a ferramenta de ARS mais utilizada, combinando seus resultados com outrosmtodos quantitativos j empregados na CI.Beneficiando-se da flexibilidade do conceito de ator, aanlise de rede tem sido empregada como uma ferramentaadicional para os estudos nas reas de bibliometria einfometria. Como at mesmo artigos cientficos podemser tratados como atores, neste caso as citaes fazendo aligao entre os atores (WASSERMAN; FAUST, 1999,p. 51), os conceitos de redes permitem a identificao degrupos de pesquisadores e comunidades de prtica,lideranas e autores principais, assim como ainterpretao social das redes de citaes bibliomtricas(MAHLCK; PERSSON, 2000).Uma rede de co-autoria uma rede na qual os ns so osprofessores / pesquisadores, e h conexo entre elessempre que par t i lham a autor ia de um ar t igo .A visualizao da rede, na forma de grafos, considerada,pelos autores da rea, mais intuitiva do que a visualizaona forma de matrizes, embora os dados coletados sejam,normalmente, apresentados dessa forma.Na nomenclatura de grafos usada na ARS, trata-se deuma rede no-direcional, isto , as ligaes entre nsindependem de sua origem. Assim:A rede de co-autoria vai ser representada pelo grafoG(N,L);O conjunto N de pesquisadores sero os ns,N = {n1,n2,...,ng}; sendo g o nmero de ns;As relaes de co-autoria pelas linhas, L = {l1,l2,...,lL}, ouseja, as relaes de co-autoria so dadas por pares depesquisadores conectados por uma linha;* A base de peridicos PERI contm artigos de peridicos e trabalhospublicados em anais de eventos tcnico-cientficos, refletindo aliteratura nacional nas reas de biblioteconomia, cincia dainformao, arquivstica e outras interdisciplinares. A pesquisa,realizada em 10/03/2005 e com o uso do Microisis, obteve 16 artigospara a pesquisa redes*sociais e quatro artigos paraanlise*redes*sociais (pesquisa booleana com o operador *, queequivale interseo ou and) para cerca de 7 mil artigos indexados.),( jik nnl = se os pesquisadores ni e nj possuem umarelao de co-autoria, para i # j;),( jik nnl = , para i = j;lk = lq = (n1,nj) = (nj ,n1), uma vez que as relaes so dotipo no-direcionais.Em termos matriciais, a matriz X, denominada matriz deadjacncia, a matriz social ou sociomatriz (do inglssociomatrix), na qual, nas linhas (i) e nas colunas (j), estodispostos os autores da rede de co-autoria estudada.Trata-se de uma matriz quadrada, uma vez que os mesmosautores aparecem nas linhas e nas colunas sociais (osvalores i e j so iguais), e simtrica em relao diagonalprincipal, isto , os laos aqui estudados so recprocos.No existem os autolaos, isto , os autores no tm laosconsigo mesmos*. Assim:Seja X a matriz de co-autoria, tal que:xi,j = 1, se existe uma relao de co-autoria; para i # j;* Nesse caso, seria um loop, isto um autolao ou autoligao. Elesno so possveis em muitas modelagens (por exemplo, no possvelestabelecer um lao de amizade consigo prprio).Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras79xi,j = 0, se no existe uma relao de co-autoria; para i # j;xi,j = 0, para i = j, ou seja, xi,j = 0*;xi,j = xj,i, uma vez que as relaes so do tipo nodirecionais.Uma segunda matriz pode, tambm, informar o nmerode artigos publicados em co-autoria, em vez apenas daexistncia de sua relao. Dessa forma:xi,j = xj,i = q, sendo q o nmero de artigos publicados emco-autoria;xi,j = xj,i = 0, se no existe uma relao de co-autoria.A primeira matriz denominada matriz binria, poisindica apenas a existncia de laos (no caso, de co-autorias) e a segunda denominada matriz valorada, poisinforma a quantidade de relacionamentos de umdeterminado tipo. As redes de co-autoria (A co-autorde um artigo com B) tm sido estudadas, da mesma formaque as redes de citaes (B cita o autor C) e co-citaes(B e C so co-citados por D), para se entender comofuncionam as comunidades cientficas, de forma a seanalisar a construo dos colgios invisveis e dascomunidades de prtica. A metodologia de anlise redespermite analisar e representar graficamente essascomunidades e testar algumas hipteses sobre ocomportamento de colaborao dos pesquisadores,agregando, ainda, informaes sobre os seus atributos,tais como rea de pesquisa e de formao, tempo deformao, departamento, instituio a que pertencem,sexo etc. As pesquisas fornecem aos formuladores depolticas informaes sobre a topografia e a morfologiadas diferentes reas de conhecimento, sobre a existnciaou no de subgrupos fechados de pesquisa, sobre asrelaes entre pesquisadores de vrias universidades e,mesmo, pases. Entender como as conexes sedesenvolvem, o que facilita e o que emperra os fluxos deinformaes e conhecimentos so problemas de pesquisada CI. Os autores estudados tomam o cuidado de salientarque o uso da ARS e de mtodos estatsticos no eliminama necessidade de uma anlise qualitativa aprofundada.Nessa linha, tomando por base as redes de co-autoria degrande porte (inclusive internacional, em uma base de385 autores), Kretschmer (2004) usa a ARS e as demaisinformaes bibliomtricas (produo e produtividade),para definir os atributos dos autores e analisar a posiona rede daqueles com os mesmos atributos.Primeiramente, ele analisa a estratificao social doscientistas, a partir da hiptese de que cientistas com osmesmos atributos tm maior freqncia de citaes entresi (birds of a feather flock together*), isto , de que a redeno seria uniforme, mas formada por agrupamentos(clusters). Usando-se o conceito de distncia geodsica**,o autor testa, basicamente, trs hipteses: i) se existeuma conexo entre a estrutura dos clusters e aprodutividade dos cientistas; ii) se existe uma relaoentre a distncia geodsica e a produtividade; iii) se aestratificao social maior quando so menores asdistncias geodsicas. O autor chama a ateno para aimportncia dos resultados desse tipo de pesquisa comoinsumo para a poltica cientfica. Suas preocupaesapontam para novas linhas de pesquisa, sobre acomparao das redes ao longo do tempo e sobre apossibilidade de se identificarem novas reas doconhecimento quando elas ainda so embrionrias, assimcomo as redes de colaboradores e pesquisadores existentesna Web. Tambm na linha de anlise de redes e estruturasocial dos colaboradores, White et al. (2004) apontampara a necessidade de mais pesquisas na rea, j que aresposta pergunta do ttulo do artigo, se as citaesrefletem a estrutura social (Does citation reflect socialstructure?), no pde ser respondida de forma categrica.Eles reforam a necessidade de se compreenderem osaspectos sociolgicos e de poder subjacentes s redes depesquisadores.Sobre a dinmica dos grupos de pesquisadores, Yoshikanee Kageura (2004) usam a ARS para estudar a estrutura decooperao entre pesquisadores japoneses de quatro reas:duas de engenharia (eltrica e processamento de dados)e duas na rea de qumica (bioqumica e polmeros). Elesconstatam o crescimento relativo do nmero de artigosproduzidos em co-autoria, assim como no nmero deautores por artigo, fruto da crescenteinterdisciplinaridade das reas, com impactossignificativos sobre as redes de cooperao. Concluramque, embora seja um fenmeno geral, as caractersticasda pesquisa em cada rea (questes operacionais, tradio* Os valores da diagonal principal so nulos. Se os valores numricosnas clulas da diagonal principal forem no nulos, eles indicam apresena de um autolao. Como foi visto, os autolaos so denominadosloops na nomenclatura de grafos.* Literalmente, pssaros da mesma plumagem voam juntos. Ditadoingls para mostrar que pessoas com as mesmas caractersticas ouinteresses tendem a passar muito tempo juntas. Originalmente, erausado de forma negativa, para tratar de caractersticas no aprovadaspor quem usa o ditado.** A distncia geodsica, d(ni, nj), entre um par de ns, o nmero delaos ou ligaes que existe no caminho mais curto entre eles, sendoque, caso no exista tal caminho, a distncia pode ser consideradaindefinida ou infinita.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao80de trabalho em grandes ou pequenos grupos etc.) aindadeterminam a estrutura de rede. Recomendam, comoresultado adicional, que a dinmica das redes deve seracompanhada pelos responsveis pela poltica cientfica.Ainda no que diz respeito s redes de colaborao entrecientistas, Newman (2001) constri redes de co-autoriapara o perodo de 1995 a 1999, a partir de grandes basesde dados americanas, tais como MEDLINE (pesquisabiomdica, com, aproximadamente, 2,2 milhes deartigos e 1,5 milhes de autores), Los Alamos e e-PrintArchive (fsica terica, com cerca de 98 mil artigos e 53mil autores), SPIRES (fsica experimental de altasenergias, 67 e 57 mil, autores e artigos, respectivamente)e NCSTRL (cincia da computao, 13 mil e 12 mil,respectivamente). Os resultados evidenciam as redes dotipo mundo pequeno (small-world); ou seja, dois cientistasescolhidos aleatoriamente esto separados por umpequeno nmero de passos (a distncia geodsica curta,cerca de cinco ou seis passos), a presena de clusters (emtodas as bases existe um componente ou subconjuntocom cerca de 50% a 80% dos autores, dependendo darea, ou seja, a maioria se conecta entre si por meio deautores intermedirios e dois cientistas tm 30% ou maisde probabilidade de colaborarem entre si, se ambos jcolaboraram como um terceiro cientista, isto , formamuma trade). Constatam-se, ainda, diferenas nas diversasreas pesquisadas, como as que existem entre o tamanhodas redes de colaborao: so muito maiores na rea defsica experimental de altas energias; como o fato de area biomdica mostrar menor tendncia formao detrades e, portanto, de clusters (NEWMAN, 2001). Umaconcluso importante, especialmente para informar aosformuladores de poltica cientfica, que a cinciafunciona bem quando a comunidade de pesquisadores densamente conectada.Aplicando a metodologia de redes para estudar aformao de comunidades em torno de cientistas epesquisadores, Molina, Muoz e Domenech (2002)estudaram a estrutura de co-autorias a partir de trspesquisadores selecionados: um matemtico, um mdicooncologista e um bilogo molecular. Os autores assinalamque as redes de co-autoria representam uma abordagempara estudar as comunidades cientficas e seus colgiosinvisveis e devem ser acopladas a outras (por exemplo, onmero de teses orientadas, participao em congressos,participao em grupos de pesquisa etc.), mas possuemgrandes vantagens, tanto no acesso s bases de dados,quanto pela facilidade no seu manuseio e na visualizaodos resultados. Foi usada a metodologia de amostragemdo tipo bola de neve*, isto , a partir dos trs autoresiniciais (estgio zero), foram selecionados outrospesquisadores com os quais eles possuem uma relao deco-autoria (primeiro estgio), em seguida repete-se oprocesso para esses pesquisadores (segundo estgio) eassim sucessivamente at que no haja novas indicaes.As redes resultantes, denominadas na literatura redesdo tipo egocntrica (cada um dos trs pesquisadoresoriginais o ego de sua rede, e os demais so os seus alteres(WASSERMAN; FAUST, 1999, p. 35), permitem umaaproximao da rede de influncias de cada pesquisador,alm de se identificarem caractersticas prprias de cadarea de pesquisa. Foram usadas vrias medidas decentralidade e medidas de poder, conforme a metodologiade ARS**. A justificativa para a utilizao de artigos (eno livros ou outras referncias) que, nas reaspesquisadas, os estudos de cientometria mostram queas referncias a artigos representam 80% do total dasreferncias (MOLINA; MUOZ; DOMENECH,2002, p.8).O conceito de mapas sociobibliomtricos (MAHLCK;PERSSON, 2000) refora a complementaridade dasmetodologias de ARS e bibliometria. Aplicando a ARSem dois departamentos da mesma rea (biologia), mas deduas diferentes universidades suecas, eles analisam asredes de co-autoria e de citaes. Os autores testambasicamente duas hipteses: a primeira sobre a posiodos pesquisadores mais produtivos na rede e na hierarquiados departamentos; a segunda sobre a integrao dediferentes grupos de pesquisa. A base de dados sobre asco-autorias foi obtida eletronicamente*** e continhatodos os artigos produzidos pelos pesquisadores. Os dadossobre os atributos dos pesquisadores (sexo, ano deformao, sua posio no departamento, trocas dedepartamento etc.) foram coletados em pesquisas diretas,* A amostragem via bola de neve (do ingls snowball sampling) umatcnica realista e adaptativa, na qual os atores que iro fazer parte dapesquisa so indicados diretamente pelos prprios pesquisados. Deacordo com tal tcnica, pergunta-se a um predeterminado grupo deatores (zona de primeira ordem (Goodman, 1961, apud WASSERMAN;FAUST, 1999, p. 34) ou primeiro estgio (ROTHENBERG, 1995, p.105)) com quem ele tem laos, resposta que serve como indicao doprximo grupo de atores na rede a ser pesquisado (segundo estgio,ou zona de segunda ordem). A pesquisa prossegue at que no sejamindicados novos atores. Tal tcnica de amostragem parece ter suasorigens no trabalho de Goodman (1961), citada por Rothenberg,(1995, p. 104). No estudo citado, em vez de se consultarem diretamenteos autores, utiliza-se uma base de dados com as informaes deco-autoria.** Para mais detalhes sobre essas medidas, ver Wasserman e Faust.*** CD-ROM da Science Citation Index, para o perodo 1986-1996.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras81assim como os dados sobre a estrutura dos grupos depesquisa. Sobre a produtividade dos autores, elessalientam que muitos artigos apresentam vrios autorese que h uma tendncia de aumento no nmero deautores, especialmente nas reas de cincias da vida ecincias naturais (life and natural science). No entanto,observa-se a presena de poucos autores com a grandeproduo respondendo pela maior parte da produo dodepartamento*. Finalmente, ele observa que diferentesgrupos de pesquisa tendem a se organizar em clusters, isto, com a maior parte da produo tendo origem entrepesquisadores do mesmo cluster, com pouca colaboraoentre os diferentes grupos de pesquisa. Nesse caso, emborano explicado de forma explcita no texto, os grupos depesquisa seriam concorrentes, mas no interdisciplinares.Resumidamente, podem ser destacadas as seguintescontribuies: i) observa-se o crescimento no nmerode autores por artigo; ii) essa tendncia mais estudadanas cincias naturais e da vida; iii) mesmo em reas comcaractersticas muito distintas entre si, em termos defuncionamento de seus programas de pesquisa, das redesde colaborao e da organizao operacional de seuslaboratrios, essa tendncia se verifica, representando acrescente necessidade de colaborao de pesquisadorescom diferentes especializaes; iv) esse fato estariarelacionado com a crescente interdisciplinaridade daspesquisas; v) observa-se uma lei de potncia nas redes,isto , poucos pesquisadores muito produtivos em meioao conjunto geral de muitos autores com poucaspublicaes; vi) h uma tendncia de organizao dasredes em torno desses pesquisadores / professores maisprodutivos; vii) as organizaes internas das instituiesde pesquisa (no caso aqui mencionado, os departamentos)podem criar grupos de pesquisa que funcionam comoclusters, isolados entre si, embora possam ser, todos eles,interdisciplinares.ESTUDO DA REDE DE CO-AUTORIA ENTRE OSPROFESSORES DO PPGCI/UFMGConforme mencionado, a cincia da informao umcampo do conhecimento relativamente jovem, ecaracterizado, pela maior parte dos autores da rea, comointerdisciplinar. Essas caractersticas se manifestam,tambm, na estruturao dos cursos de ps-graduao eem suas linhas de pesquisa. As influncias de outras reasdo conhecimento (biblioteconomia e arquivologia,cincia da computao, administrao, sociologia,comunicao, para relacionar apenas as mais citadas), naestruturao de tais cursos, devem tambm manifestar-se na alocao dos professores. Assim, o pressuposto ode que estes tentem se alocar nas linhas de pesquisa paraas quais possuem vantagem em termos de capital humanoe intelectual.O objetivo desta seo analisar a rede de co-autoriaentre os professores do PPGCI/UFMG, com o objetivode identificar: i) se ela densa, com muitos artigospublicados nessa condio, envolvendo a maior partedos professores; ii) se existe colaborao entre osprofessores das diferentes linhas de pesquisa. Essesresultados permitiro embasar, conforme apresentadopela literatura analisada, as discusses sobre ainterdisciplinaridade do programa estudado.O primeiro objetivo est associado ao pressuposto de queuma rede densa de artigos em co-autoria indica a execuode um programa de pesquisa vigoroso, com resultadosobtidos a partir da colaborao dos professores.O segundo objetivo, por sua vez, relaciona-se com opressuposto de que a colaborao entre os professores dediferentes linhas indicaria uma relao prxima entre asdiversas disciplinas que influenciam a rea, portanto, aconsolidao de pesquisas interdisciplinares.Dessa forma, a consolidao de um programa de pesquisada CI a partir das suas caractersticas interdisciplinarespoderia ser observada na crescente colaborao entre osprofessores das diversas linhas de pesquisa a busca deum conhecimento comum, conceitos, definies emetodologias. No se deve perder de vista que h umatendncia contraditria entre a colaborao entre osprofessores das diferentes linhas (formao de redes) e aformao de clusters fechados em cada uma delas. Dequalquer forma, se for verificada a mesma distribuio jobservada em outras reas e pases, de que h umatendncia de organizao das redes em torno de poucosprofessores mais produtivos, ela pode ser observadaapenas para o conjunto das redes, se a colaborao forampla e entre as linhas, ou dentro de cada linha, se houvertendncia para a formao de clusters.Justificativa da escolha do PPGCI/UFMGO PPCGI/UFMG existe desde 1976 (mestrado), com onvel de doutorado implantado em 1997. Desde ento,* Essa estrutura pode ser representada por uma lei de potncia. Adistribuio de Lotka , muito usada em estudos bibliomtricos,evidencia, justamente, a existncia de poucos autores com muitaspublicaes e de vrios autores com poucas.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao82at dezembro de 2004, foram defendidas 189 dissertaesde mestrado e 17 teses de doutorado. Sua avaliao naCapes 5, maior entre os programas, posio divididacom a Universidade de Braslia (UnB). Atualmente contacom 19 professores, todos com titulao de doutor, maiorcontingente de docentes entre os programas existentesno Brasil*. Dessa forma, pode ser consideradorepresentativo na rea da CI, no Brasil. O objetivo de seestudar o perodo de 1997 at o final de 2004 leva emconta a implantao do doutorado, que deve serconsiderado um marco para os professores da casa.Atualmente, o PPGCI/UFMG se divide em trs linhasde pesquisa que sero usadas como referncia neste estudo:informao, cultura e sociedade (ICS); organizao e usoda informao (OUI); gesto da informao e doconhecimento (GIC).Metodologia de coleta e tratamento dos dadosA anlise da rede de co-autoria entre os professores doPPGCI/UFMG, com artigos em publicaes e emcongressos, apresentados a partir de 1997, tem como basede dados o CNPq Lattes. Foram seguidos os seguintesprocedimentos:1. inicialmente, obteve-se a lista de professores doPrograma a partir do seu stio na Internet;2. a lista foi confirmada com a Secretaria do Programa,acrescentando-se novo professor, chegando-se, com isso,a 19 pesquisadores;3. para atender ao perodo de estudo desejado, foramacrescentados os professores que se aposentaram noperodo considerado, mas que estavam em atividadedurante pelo menos um dos anos em estudo. Essainformao foi obtida na rea de recursos humanos daECI/UFMG, e chegou-se a uma lista de 23 professores;4. com a lista completa de professores, foram feitasconsultas ao CNPq Lattes, para a obteno dasinformaes sobre as publicaes (referncia, co-autores,palavras-chave, grande rea, rea e subrea e asdenominadas informaes adicionais);5. para os quatro professores que no tinham informaono CNPq Lattes, apenas um apresentava as relaes deco-autoria que se desejava estudar*. Dessa forma, aquelesque no possuem informaes e sobre os quais no sedescobriu a publicao de artigos ou a participao emcongressos foram eliminados da lista**. As consultasforam feitas nos meses de maro e abril de 2005;6. alm das informaes mencionadas, foramacrescentadas aquelas referentes formao dosprofessores (graduao, mestrado e doutorado), rea dasua tese e da sua dissertao, ao ano de entrada noPrograma e a sua linha de pesquisa;7. foram adotados alguns procedimentos de crtica: emprimeiro lugar, houve a correo da grafia dos nomes esua unificao para permitir a construo das relaes deco-autoria; em segundo lugar, como as relaes de co-autoria so do tipo no-direcionais, o mesmo artigodeveria estar mencionado por todos os seus autores. Casoisso no ocorresse, seria feita a incluso na base de dadosmontada para a pesquisa, em termos da notao matricialadotada:* No stio da ECI/UFMG (http://www.eci.ufmg.br, acesso em 10/05/2005), esto listados 18 professores, assim como no stio da Ancib Associao Nacional de Pesquisa e Ps-Graduao em Cincia daInformao (http://www.ancib.org.br/). No entanto, a lista fornecidapela Secretaria do Programa informa 19 professores, com a incluso daprofessora Gercina ngela Borm de Oliveira Lima. O InstitutoBrasileiro de Informao em Cincia e Tecnologia (Ibict) / UniversidadeFederal Fluminense (UFF) conta com 18 pesquisadores (http://www. ib ic t .br / secao .php?cat=Ps - Graduao%20em%20CI/Pesquisadores, acesso em 10/05/2005). O PPGCI/UFMG representapouco mais de 16% dos pesquisadores alocados aos programas de ps-graduao.* Foi includa a professora Isis Paim.** Essa deciso tem implicaes para algumas medidas que podem serrealizadas com base na ARS, como, por exemplo, a densidade dasredes. No entanto, a anlise qualitativa do objeto de estudo indicou,como mais razovel, a opo adotada. Houve, de fato, uma mudanano comportamento dos professores em funo das necessidades depublicao, e aqueles que se aposentaram no perodo e no possuem oregistro no CNPq Lattes no conviveram com essa alterao.Seja X a matriz de co-autoria original, a matriz de co-autoria final foi construda como , no qual osmbolo representa a transposio da matriz. Dessaforma, garante-se que xi,j = xj,i8. os artigos de cada professor / autor foram classificadosda seguinte forma:a. individuais;b. em co-autoria com outros professores do PPGCI/UFMG;c. em co-autoria com outros professores da ECI/UFMGno listados acima (listagem obtida no stio da ECI/UFMG);Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras'XX 83d. com alunos que foramorientados em suas pesquisas demestrado e doutorado (com base nalista de dissertaes e tesesdefendidas, obtida junto Secretariado Programa);e. com outros colaboradores.Em funo do reduzido nmero deartigos classificados em (c), naanlise os valores foram agregadosao total de outros colaboradores,categoria (e).A escolha dessa base de dados estrelacionada com a crescentepreocupao dos professores demanter atualizadas suas produescientficas, uma vez que soavaliados por isso, tanto em sua vidaacadmica, quanto na concesso definanciamentos de pesquisa. Aindaassim, no se eliminam, totalmente,os riscos de omisso (por exemplo,todos os autores de um artigo noatualizarem suas informaes) ou oserros de informao (referncia aoco-autor por outro sobrenome ou aexistncia de homnimos).Anlise dos resultadosInicialmente, foram feitas as anlises estatsticas maistradicionais, para, em seguida, efetuar-se a anlise da redede co-autorias. A anlise vai obedecer seguinteestrutura: comparao do nmero de publicaes nosperodos, antes e aps 1997; produo por autor e suadistribuio, segundo a classificao adotada;participao de cada autor no total da produo doPrograma; nmero mdio de autores por artigo, nmerototal de colaboradores.Sero analisadas, para complementar as informaesanteriores, a ligao entre a formao dos professores e asua linha de pesquisa, assim como a classificao dosartigos publicados segundo as reas e sua ligao com aslinhas de pesquisa do programa.Embora deva ser tomada com cautela a comparao entreo perodo que vai at 1996, inclusive, e o perodo de 1997a 2004, uma vez que muitos professores no faziam aindaparte do Programa, o que se observa um crescimento* O total apresentado na tabela supera o total de artigos, uma vez queo seu objetivo destacar a cooperao na forma de co-autoria. Dessaforma, se um artigo foi escrito por dois professores do programa e umaluno (trs autores), ele vai aparecer tanto na lista de artigos comoutros professores, quanto na lista de alunos do programa. Dessaforma, o total de artigos para o perodo aps 1997 379 e, considerando-se as duplas contagens, de 418. A diferena de 39 distribudauniformemente, e as duas distribuies tm uma correlao (Pearson)de 0,9939. Com isso, as anlises sobre as distribuies dos artigosentre as reas no so significativamente afetadas.significativo no nmero de artigos publicados. At 1997,haviam sido publicados 137 artigos, sendo que 57,6%(79 artigos) deles eram individuais e apenas 11,1% (18)em co-autoria com outros professores do Programa.No perodo seguinte, o total saltou para 379 artigos, sendoaproximadamente 33,5% individuais (127) e 19,8% (75)em co-autoria com outros professores do Programa.A maior mudana, entretanto, foi no nmero depublicaes em colaborao com alunos do programa(orientandos): o total saltou de 4 para 116,representando, respectivamente, 2,7 e 28% do total depublicaes em cada perodo* (tabela 1).TABELA 1Nmero de artigos, em revistas cientficas e congressos, dos professores doPPGCI, por perodoLinha de Pesquisa IndividuaisComprofessoresdo PPGCICom alunos/orientandosComoutrosTotalAt 1996Informao, Cultura eSociedade (ICS)29 8 2 27 66Organizao e Uso daInformao (OUI)26 2 1 7 36Gesto da Informao edo Conhecimento (GIC)24 8 1 16 49Total 79 18 4 50 151De 1997 at 2004Informao, Cultura eSociedade (ICS)53 18 21 35 127Organizao e Uso daInformao (OUI)51 15 14 27 107Gesto da Informao edo Conhecimento (GIC)23 42 84 34 183Total 127 75 119 96 417Fonte: CNPq Lattes.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao84O aumento na produo se deveu contribuio damaioria dos professores, pois somente para quatro delesse observou queda ou manuteno do nmero de artigos.O nmero de colaboradores tambm aumentousignificativamente, em taxa maior que a do total deartigos. O nmero total de artigos cresceu 2,5 vezes, onmero de artigos com professores do programa cresceupouco mais de quatro vezes, enquanto aqueles com alunosorientandos foi multiplicado por 30. Embora haja outrosfatores que impulsionaram o aumento na produoindividual, h forte correlao entre o nmero decolaboradores e o nmero de artigos, de 0,8268 para operodo at 1996 e de 0,7942 para o perodo de 1997 at2004. O grfico 1 mostra esses resultados de forma bastanteclara (O grfico foi ordenado a partir da produoobservada no segundo perodo, enquanto as letrasapresentadas no eixo das abscissas (horizontal)representam os professores).A-Alcenir Soares dos Reis; B-Ana Maria de Rezende Cabral; C-Ana Maria Pereira Cardoso; D-Bernadete Santos Campello; E-Helena MariaTarchi Crivellari; F-Ligia Maria Moreira Dumont; G-Maria Eugenia Albino Andrade; H-Regina Maria Marteleto; I-Beatriz Valadares Cendn;J-Eduardo Jos Wense Dias; K-Gercina ngela Borm de Oliveira Lima; L-Lidia Alvarenga; M-Madalena Martins Lopes Naves; N-MariaAparecida Moura; O-Marlene de Oliveira; P-Vilma Moreira dos Santos; Q-Isis Paim; R-Jorge Tadeu de Ramos Neves; S-Marcello Peixoto Bax;T-Marta Araujo Tavares Ferreira; U-Marta Pinheiro Aun; V-Monica Erichsen Nassif Borges; W-Ricardo Rodrigues Barbosa.Fonte: CNPq Lattes.GRFICO 1Produo por professor e por perodoEnquanto no perodo inicial, a maior parte da produopor professor se apresentasse na forma de artigosindividuais, no perodo final considerado, h umadistribuio diferenciada entre as diferentes modalidades.At 1996, 17 dos 23 professores tinham 50% ou mais desua produo representada por artigos individuais,somente oito apresentavam artigos em co-autoria comoutros professores do Programa e apenas trs com alunos/orientandos (quatro no haviam escrito artigosindividuais). Aps 1997, 13 docentes apresentavam amaior parte de sua produo na forma de artigosindividuais. Em compensao, somente seis noapresentavam artigos em co-autoria com os colegasdocentes do Programa, sete no produziram emcolaborao com os seus orinetandos do PPGCI e apenasum no produziu nenhum artigo individual.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras85Analisando-se mais detidamente a produo do segundoperodo, aquele definido como central para o objetivo dotexto, podem-se obter mais informaes sobre a produodos professores.Em termos da produo e da produtividade dos autores, aliteratura consultada evidencia a grande possibilidadede existncia de um grupo de professores / pesquisadoresmuito produtivos em torno do qual se organizam as redes.No caso estudado, o universo bastante reduzido, e oprofessor chamado a publicar artigos e a participar decongressos por conta da avaliao ao qual submetido epara concorrer ao financiamento de projetos de pesquisa,dentre outras coisas. Seria de se esperar uma produomais bem distribuda entre os seus membros.Para avaliar essa distribuio, foram realizadas duasanlises. A primeira com base na distribuio de Lotka*,a segunda, utilizando-se ndice de Gini**.A distribuio de Lotka pode ser descrita como uma leide potncia do tipo:,...2,1,/)( == kkCkf Os parmetros C e EEEEE no so independentes e serelacionam (ROUSSEAU; ROUSSEAU, 2000)***.Reescrevendo-se a equao como uma distribuioestatstica (de forma que a soma de todos os n seja igual a1), de tal forma que:* Alfred Lotka (1880 1949), qumico, ecologista, demgrafo ematemtico, focou conhecido na rea de bibliometria em um artigopouco representativo de sua obra. Ele mostrou que o nmero deautores com n publicaes em uma bibliografia pode ser descrito comouma lei de potncia da forma C / kE. Ele demonstrou que EEEEE tende para2 e, nesse caso, C seria igual a 6/(S)2, ou seja, aproximadamente 0,61.Assim, se uma bibliografia pode ser descrita por essa lei de potncia,61% dos autores teriam contribudo com apenas uma publicao. Verhttp://users.pandora.be/ronald.rousseau/html/lotka.html.** Corrado Gini (1884 1965), estatstico, demgrafo e socilogoitaliano, desenvolveu o coeficiente, que recebeu o seu nome, paramensurar a desigualdade de renda em uma sociedade. No entanto,pode ser utilizado para medir qualquer tipo de distribuio desigual.Ver http://en.wikipedia.org/wiki/Gini_coefficient.*** H autores que criticam essa formulao, pois se trataria de umcaso particular das leis de potncia, nas quais, em geral, os parmetrosso independentes. Um dos comentaristas do artigo mencionado e dosoftware de clculo da distribuio de Lotka que ele apresenta, EricArchambault (http://cybermetrics.cindoc.csic.es/pruebas/v4i1c1.htm),considera til o seu desenvolvimento, mas mostra outras maneiras dese calcularem regresses de distribuies hiperblicas (lei de potncia),utilizando-se a planilha Excel. Os resultados para o trabalho aquiapresentado so os mesmos, isto , as curvas estimadas para asdistribuies estudadas so, praticamente, idnticas. Dessa forma,como o aplicativo desenvolvido de fcil aceso e utilizao e calculao teste Kolmogorov-Smirnov, seus resultados foram aqueles utilizadosnessa pesquisa.==11/kkC pode-se estimar mais facilmente os seus parmetros. Parase testar a adequao das estimativas dos parmetros emuma dada distribuio, utiliza-se o teste de Kolmogorov-Smirnov, calculado com base nos desvios absolutos entreos valores das funes de distribuio observados e asdistribuies tericas (ROUSSEAU, B.; ROUSSEAU, R.LOTKA, 2000).O coeficiente de Gini um nmero entre 0 (perfeitaigualdade) e 1 (perfeita desigualdade), enquanto o ndicede Gini o coeficiente expresso em percentagem, sendoigual ao coeficiente multiplicado por 100. No presentetrabalho, se todos os professores contribussem com amesma quantidade de artigos, o coeficiente calculadoseria igual a 0. Se todos os professores no publicassem,exceto um deles, o coeficiente calculado seria igual a 1.O coeficiente pode ser estimado a partir da seguintefrmula de clculo (Frmula de Brown): -==++ + =1011 )((1nkkkkkk YYXXGNa qual:G = coeficiente de Gini;X = proporo acumulada da populao;Y = proporo acumulada da varivel estudada (no caso,publicaes);k = faixas da populao e da varivel estudada,k = 1, 2, ... .Os resultados estimados encontram-se na tabela 2.O que se pode observar que as duas informaes soconsistentes. O teste aplicado distribuio indica que,para o total de publicaes* e para as publicaesindividuais, no h evidncias de que a distribuio dosartigos siga a lei de potncia. Para esses itens, ocoeficiente de Gini apresentou valores abaixo de 0,40.No entanto, para o que se pretende analisar as redes deco-autoria , os resultados confirmam uma concentraodos trabalhos em torno de poucos pesquisadores mais* Foi usado o total de artigos, exclusive a dupla contagem. No entanto,os resultados da distribuio seriam os mesmo se fossem usados osresultados com a dupla contagem. Ver nota 14.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao86produtivos, para os trs tipos decolaborao analisados (comoutros professores do Programa,com alunos / orientandos doPrograma e os demais). Deve-se,entretanto, levar em conta que hforte concentrao da produoconjunta em torno de poucosprofessores e que as redes decolaborao entre professores relativamente esparsa. Apenasdois professores elaboraram 14artigos em conjunto, ou seja,respondem por 37% do total deartigos. Para uma anlise maisaprofundada das relaes de co-autoria entre os professores doPrograma e sua representaovisual, utiliza-se a metodologia deanlise de redes sociais (ARS).Antes de se passar ARS, necessrio associar a localizaodo professor do programa nas linhas de pesquisa, assimcomo sua produo. A alocao do professor emdeterminada linha pode levar em conta critrios noacadmicos, como, por exemplo, a existncia de vagas.Pode, ainda, no ser dinmico o suficiente paraacompanhar as novas preocupaes de certo pesquisador.Para se determinar a relao entre a alocao do professore sua produo, foi feita uma associao entre as palavras-chave de cada artigo com as linhas de pesquisa. Foramcriadas, ainda, duas novas reas adicionais para acomodara produo: a relacionada com a epistemologia, ensino epesquisa em cincia da informao, estudos e anlisessobre o profissional da informao e o agrupamentodenominado outros. Conforme se observa na tabela 3, aseguir, h forte associao entre a localizao do professore sua produo. A parte A da tabela mostra que a maiorparte dos artigos est classificada na mesma rea do seuautor. Se forem desconsiderados os artigos classificadosnas linhas D e E, os resultados subiriam para 70%, 79%e 85% para as linhas ICS, OUI e GIC, respectivamente.Mudando-se o enfoque da anlise para os artigosproduzidos, observa-se, na parte B da tabela 3, que amaior parte deles produzida nas prprias linhas. Assim,88,5% dos artigos da linha ICS so produzidos porprofessores que pertencem a esta mesma linha, valoresque chegam a 61,7% , na linha OUI, e 86,2%, na linhaGIC. O restante representaria a contribuio interlinhasde pesquisa. Deve-se levar em conta que oito professoresTABELA 2Parmetros da distribuio de Lotka e coeficiente de Gini, por tipo decolaborao nas publicaes, perodo 1997-2004Tipos de publicaoDescrio TotalCo-autoriacom outrosprofessoresdo PPGCIArtigosIndividuaisColaboraocom alunos /orientandosColaboraocom outrospesquisadoresTodos,exceto osartigosindividuaisDistribuio de LotkaC 0,2680 0,4936 0,3775 0,4038 0,4031 0,3129Beta 1,3192 1,6041 1,4909 1,5371 1,5359 1,3860Valor Crtico 1% (testeKolmogorov-Smirnov)0,3475 0,3953 0,3475 0,4075 0,3953 0,3475max D (Valor estimadopelo teste)0,5133 0,3808 0,3755 0,2163 0,2854 0,2963Resultado do teste Falhou OK Falhou OK OK OKCoeficiente de GiniG 0,3976 0,5728 0,3696 0,7103 0,5879 0,5334produzem majoritariamente fora de suas linhas. Se foremdesconsiderados os artigos classificados nas linhas D eE, restariam quatro professores produzindo nessascondies. A anlise da produo em co-autoria com ametodologia de ARS traz mais elementos para acompreenso da organizao do Programa.A anlise da rede de co-autoria com base na ARSA ARS feita a partir dos dados das duas matrizesmencionadas na seo 3: a Matriz binria, cominformaes que indicam apenas a existncia de laos deco-autorias e a Matriz valorada com as informaes sobreo nmero de colaboraes para o perodo de 1997 a 2004.A rede de co-autoria estudada contm artigos com doisou mais autores. Assim, as informaes analisadasreferem-se ao nmero de colaboraes, e no de artigos(um artigo com a participao dos professores A, B e Cvai ser representado na forma de trs colaboraes: A eB; A e C; B e C).Primeiramente, ser analisada a estrutura da rede obtidae, em seguida, sero feitas anlises a partir de algumasmedidas de centralidade.A representao da colaborao entre os professores pelaMatriz Binria mostra reduzido nmero de colaboradores.O total de 23 professores (oito nas linhas de pesquisaICS e OUI e sete na linha de pesquisa GIC)Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras87TABELA 3Distribuio da produo dos professores, segundo as linhas de pesquisa e a classificao dos artigos, perodo1997-2004 (em percentual)Classificao dos ArtigosICS OUI GIC D ELinhas de pesquisa dos professores Informao,Cultura eSociedadeOrganizaoe Uso daInformaoGesto daInformao edoConhecimentoEpistemologia,Ensino ePesquisa emCI etcOutras TotalParte A - Distribuio dos artigos segundo as linhas de pesquisa dos professoresICS Informao, Cultura e Sociedade 48,2 13,4 7,1 10,7 20,5 100,0OUIOrganizao e Uso daInformao1,0 50,0 12,0 22,0 15,0 100,0GICGesto da Informao e doConhecimento3,6 9,6 74,9 9,0 3,0 100,0Parte B - Distribuio dos artigos segundo a classificao dos artigosICS Informao, Cultura e Sociedade 88,5 18,5 5,5 24,5 53,5 29,6OUIOrganizao e Uso daInformao1,6 61,7 8,3 44,9 34,9 26,4GICGesto da Informao e doConhecimento9,8 19,8 86,2 30,6 11,6 44,1Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0proporcionaria um potencial de 253 pares de co-autoria,mas apenas 28 esto presentes (densidade de 11%).A baixa densidade interna s trs linhas de pesquisa, noentanto, maior que aquela observada entre as linhas,indicando que a colaborao interna maior que aexterna (tabela 4).A tabela 5 mostra a comparao da distribuio dos laoscom a produo de artigos, isto , entre os laos existentese sua produtividade. Observa-se que, exceto para a linhade pesquisa ICS, a produo interna (intra) maisrelevante que a encontrada em colaborao com outrasreas (inter). Os resultados se apresentam da mesmaforma, tanto para os laos de colaborao, quanto para aquantidade de artigos produzidos.Para o conjunto da rede de co-autoria, observa-se, ento,baixo nvel de cooperao, tanto dentro quanto fora daslinhas de pesquisa. H maior interao interna linha,quando se observam a produo absoluta e os resultadosrelativos, mas o nmero total de laos externos indicaque as barreiras colaborao entre as linhas no sosignificativamente diferentes das existentes dentro deuma mesma linha. Ou seja, as diferenas entre os laosinternos e externos no seriam significativamenteTABELA 4Densidade da matriz de co-autoria, perodo 1997-2004 (em percentual em relao ao mximo)Linhas de Pesquisa (ICS) (OUI) (GIC)Informao, Cultura e 14,3 6,3 8,9Sociedade (ICS)Organizao e Uso da 6,3 17,9 10,7Informao (OUI)Gesto da Informao 8,9 10,7 19,1e do Conhecimento (GIC)TABELA 5Distribuio dos laos e da produo de artigos, perodo1997-2004 (em percentual em relao ao total)Linhas de Pesquisa Laos ProduoInternos Externos Interna ExternaInformao, Cultura e 47,1 52,9 43,8 56,3Sociedade (ICS)Organizao e Uso 50,0 50,0 52,9 47,1da Informao (OUI)Gesto da Informao 42,1 57,9 71,2 28,8e do Conhecimento (GIC)Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao.88diferentes para indicar a existncia decomportamentos de colaboraodistintos intra e interlinhas de pesquisa.O elemento-chave desse ponto da anlise a baixa densidade das redes decolaborao.Analisar-se-o, agora, as relaes entreos professores, buscando-se identificaraqueles com maior participao na rede.A representao da rede em forma degrafos facilita a visualizao dos mltiploslaos entre os professores e a compreensodas medidas usadas na ARS. A figura 1representa o grafo da rede de co-autoriasentre os professores do PPGCI/UFMG,construdo com as seguintes caracters-ticas: as letras so os professores, aespessura das linhas representa aquantidade de artigos produzidos emcolaborao; as formas dos nsrepresentam as linhas de pesquisa (ocrculo, a linha ICS; o quadrado, a linhaOUI; o tringulo, a linha GIC). TABELA 6Grau nodal e mdia e desvio padro das distnciasgeodsicas, perodo 1997-2004Distncia GeodsicaLinha depesquisaProfessorMdia Desvio PadroGrau nodalGIC V 1,5 0,8 8OUI M 1,8 1,0 6ICS B 1,9 1,0 5OUI K 1,8 0,8 5ICS F 1,9 0,9 4ICS C 2,2 1,1 3OUI I 2,5 1,2 3GIC R 2,1 0,9 3GIC S 2,8 1,4 3GIC T 2,0 0,8 3ICS A 2,6 1,2 2ICS D 2,3 1,0 2OUI J 2,6 1,2 2OUI L 2,3 1,0 2OUI N 2,6 1,2 2GIC W 3,2 1,5 2ICS G 3,2 1,2 1ICS E 0,0 0,0 0ICS H 0,0 0,0 0OUI O 0,0 0,0 0OUI P 0,0 0,0 0GIC Q 0,0 0,0 0GIC U 0,0 0,0 0Fonte: Ucinet.FIGURA 1Redes de co-autoria entre os professores do PPGCI/UFMG, perodo1997-2004Fonte: Ucinet.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva ParreirasObserva-se que os professores E, H, O, P, Q e U no estoconectados aos demais (isolados). Dos restantes, algunsesto conectados apenas com um, outros com doisprofessores. Denomina-se grau nodal (nodal degree),denotado por d(ni), o nmero de linhas incidentes emum n, ou, ainda, de forma equivalente, o nmero de nsadjacentes a ele (WASSERMAN; FAUST, 1999, p. 100).O grau de um n pode variar de 0, caso em que o n isolado, at g 1, caso no qual o n est em contato comtodos os demais ns do grafo; ou seja, 0 < d(ni) < g . J adistncia geodsica, d(ni,nj) entre um par de ns o nmerode laos que existe no caminho mais curto entre eles,sendo que, caso no exista tal caminho, a distncia podeser considerada indefinida ou infinita. O grau representaa quantidade de colaboradores, e a distncia geodsicaindica as distncias entre eles, de forma que se podeidentificar a importncia das ligaes indiretas entre osprofessores. A tabela 6 mostra essas medidas para oconjunto de professores.89Os professores B, F, K, M e V, individualmente, ocupam amesma posio na rede, de acordo com os seus grausnodais (maior ou igual a trs e conectados entre si). Osdemais professores conectados aos demais tm a mesmaposio, se tomados os graus nodais superiores a dois econectados entre si, exceo dos professores D e G,sendo este ltimo isolado dos demais, a menos de umanica ligao.Em uma anlise centro-periferia*, levando-se em contaapenas a matriz binria, os resultados mostram aconstituio de um grupo central com os professores B, F,K, M e V, ficando os demais na periferia. A densidade docentro 100%, ou seja, todos esto conectados entre si.A densidade das demais parties centro-periferia eperiferia-periferia so de 8,9% e 6,5%, respectivamente,de modo significativo mais baixas, indicando poucosrelacionamentos. Quando se utiliza a matriz valorada, osresultados se modificam, com o centro representado pelosprofessores R, T e V, em funo da quantidade de artigosproduzidos entre eles. Observa-se que o professor Vaparece em ambas as anlises.Prosseguindo-se na anlise, foram estimadas outrasmedidas sobre a posio dos professores na rede. Acentralidade de grau para um ator dada por CD(ni) = d(ni),ou seja, simplesmente o grau do n. Tal medida pode sernormalizada, a fim de ter um valor entre 0 e 1 (ou 0 e100%, se os resultados forem multiplicados por 100) epara permitir a comparao entre atores de redesdiferentes, dividindo-se o grau do n pelo grau mximoque qualquer n daquela rede pode ter, ou seja, o nmerode ns no grafo menos 1 (o prprio n), chegando-se a1)()('gndnC iiD , sendo 0 < CD(ni) < 1. No caso da matrizvalorada, o grau corresponde soma dos valores dos laos.A centralidade de intermediao, por seu turno, analisa oquanto um n est no caminho geodsico entre outrosns. Existe, portanto, uma assuno implcita de que oscaminhos mais curtos so os nicos a serem avaliadospor tal ndice de centralidade e, adicionalmente, de quequalquer caminho mais curto tem a mesma probabilidadede ser escolhido em relao a outros de mesmo valor.Considerando tais premissas, Freeman (1977), porWasserman e Faust (1999, p. 190), define gjkcomo onmero de caminhos geodsicos (mais curtos e de mesmotamanho) que ligam os ns j e k, e gjk(ni) como o nmerode tais caminhos, no total de gjk, que passa pelo n ni,propondo, assim, um ndice de centralidade de intermediao, que mede, para um n , a soma deprobabilidades de o mesmo estar no caminho geodsicoentre todos os demais ns do grafo.Utilizando-se as medidas mencionadas, pode-sedeterminar a centralidade de cada professor na rede deco-autoria, com as maiores medidas indicando aimportncia do ator na rede, seja em funo de suasligaes, seja em funo de sua produo (tabela 7).* Utilizou-se o algoritmo de correlao j definido do Ucinet.TABELA 7Medidas de centralidade, ordenada pela coluna (a),perodo 1997-2004Grau de centralidade de FreemanLinha depesquisaProfessor Grau NodalNormalizado( a )Grau Nodal valorado( b )Intermediao( c )Centralidade( d )GIC V 0,3636 21 60,00 0,542OUI M 0,2727 12 28,00 0,410ICS B 0,2273 9 9,67 0,387OUI K 0,2273 9 22,08 0,381ICS F 0,1818 8 0,00 0,363ICS C 0,1364 6 4,33 0,150OUI I 0,1364 3 13,92 0,031GIC R 0,1364 18 2,75 0,156GIC S 0,1364 3 6,75 0,021GIC T 0,1364 16 22,92 0,136ICS A 0,0909 2 0,50 0,099ICS D 0,0909 4 15,00 0,104OUI J 0,0909 4 0,00 0,093OUI L 0,0909 2 13,08 0,074OUI N 0,0909 4 0,00 0,093GIC W 0,0909 2 0,00 0,009ICS G 0,0455 3 0,00 0,019ICS E 0,0000 0 0,00 0,000ICS H 0,0000 0 0,00 0,000OUI O 0,0000 0 0,00 0,000OUI P 0,0000 0 0,00 0,000GIC Q 0,0000 0 0,00 0,000GIC U 0,0000 0 0,00 0,000Mdia 0,111 5,478 8,652 0,133desvio padro 0,095 5,985 13,879 0,160Fonte: Ucinet.Obs.: os maiores valores significam posio mais destacada.Observa-se que os professores em posio de destaque B,F, K, M e V j haviam sido mencionados nas anlisesanteriores. Para se testar a manuteno da ordenao emcada medida, isto , se a posio de cada professor se alteraem funo da medida calculada, foram calculados oscoeficientes de ordem de Spearman. Ele definido comoCi. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao90ix, a primeira ordenao;iy a segunda ordenao;n o nmero de elementos.)1(61212)(nnRniii yx, onde:Esse coeficiente varia entre -1 (total inverso da ordem)a 1 (manuteno exata da mesma ordenao) e dizrespeito apenas ordem que cada professor ocupa emcada indicador calculado, e o objetivo ver se eles soconsistentes com relao posio de cada professor. Osresultados, na tabela 8, indicam que a ordem se mantmem todas as medidas de centralidade estimadas, ou seja,no alteram a interpretao da posio relativa de cadaprofessor no conjunto.Concluindo essa seo, pode-se dizer que a importnciado professor, conforme mensurada pela rede de co-autoria,deve-se tanto sua produo, quanto ao nmero decolaboradores. Destacam-se, assim, os professores B, F,K, M e V, por sua posio na rede, distribudos pelas trslinhas de pesquisa (duas da linha de informao, culturae sociedade; segunda da linha organizao e uso dainformao; e uma da gesto da informao e doconhecimento) e os professores R e T, pela sua imensaproduo conjunta e seu relacionamento comum com oprofessor V. Este professor, por reunir as duas condiesmencionadas, a figura mais central da rede. Parafinalizar a ARS no PPGCI/ UFMG, em termos doconjunto, observa-se a criao de 3 clusters: o cluster 1,com os professores denominados centrais na rede de co-autoria; o cluster 2, com os professores mais perifricos; ocluster trs, com os isolados.CONCLUSOO objetivo do artigo foi justificar a proposio de se utilizara metodologia de anlise de redes sociais (ARS) comoferramenta para subsidiar as discusses de interesse dacincia da informao (CI). Ela permite tanto que se olhepara dentro a anlise da sua prpria produo , quantopara fora a anlise da produo cientfica nas demaisrea de conhecimento, constituindo-se, neste caso, emuma metodologia complementar para os estudosbibliomtricos. Como ferramenta para indicar as redesde colaborao de pesquisadores, ela permite um olharsobre a interdisciplinaridade de um campo deTABELA 8Coeficientes de ordem de SpearmanGrau nodalnormalizadoGraunodalvaloradoInterme-diaoCentra-lidadeGrau NodalNormalizado1Grau Nodal valorado0,8962 1Intermediao 0,8686 0,8360 1Centralidade 0,9407 0,9476 0,8409 1conhecimento, ao facilitar a visualizao e anlise dessasredes, destacando a colaborao de professores dediferentes reas. Para tal, foi feita a sua aplicao em umprograma de ps-graduao da cincia da informao.Como pano de fundo da abordagem escolhida, foi feitauma discusso sobre a interdisciplinaridade da CI e sobrecomo a organizao dos programas de pesquisa da reareflete as distintas influncias de outras disciplinas.Dessa forma, foi exposto que a organizao dos diferentesprogramas apresenta, em comum, trs linhas de pesquisa,que, por sua vez, apresentam ligaes com outras reasdo conhecimento de forma distinta entre si. Ou seja, se acincia da informao , normalmente, apresentada comouma rea de conhecimento das cincias sociais comcaractersticas marcadamente interdisciplinares, cadauma das linhas possui interdisciplinaridade distinta.Assim, dentro dos programas, essa organizao deveriacontribuir para atrair professores com diferentesformaes que, mediante a realizao de pesquisas ecolaborao entre eles, pudessem avanar na construodo campo da cincia da informao.Essa colaborao se d de vrias formas, e no existe apossibilidade de um nico ngulo de observao abarcartoda a complexidade de uma rea de conhecimento. Umaaproximao possvel a anlise de co-autorias entre osprofessores de um mesmo programa. A publicao emco-autoria deveria representar a preocupao dosprofessores com os resultados das suas pesquisas e comdiscusses envolvendo a delimitao e ampliao docampo da cincia da informao. Tomando-se comoreferncia o PPGCI da UFMG, foi feita a anlise daproduo acadmica dos professores, na forma de artigospara revistas e congressos. Mesmo sendo um ambientefechado e com caractersticas bastante particulares,como, por exemplo, a necessidade de publicao de formaCi. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras91permanente, observaram-se os resultados apontados nabibliografia consultada.De fato, existe um grupo reduzido de professores querespondem pela maior parte da produo; a colaboraose d, mais intensamente, entre professores de umamesma linha de pesquisa, embora haja colaborao entreuma parte deles situados em diferentes linhas. Noentanto, para a preocupao sobre o desenvolvimentodo campo, os resultados so pouco animadores. A redede colaborao bastante esparsa e muito da produo sed entre colaboradores preferenciais. O crescimentoobservado da produo nos ltimos anos est, em grandemedida, associado ampliao da ps-graduao, comodemonstra o crescimento da produo em conjunto comalunos do prprio Programa.Por fim, deve-se destacar que o uso da ARS permitiuuma anlise mais aprofundada da colaborao entre osprofessores, destacando fatos que no seriam detectveiscom o uso de mtodos estatsticos tradicionais, tambmusados nesse trabalho. Assim uma metodologiapoderosa, em especial se usada em conjunto com outrasferramentas da rea de bibliometria.Os resultados mostraram que, se a colaborao entreautores de diferentes reas de pesquisa significa umesforo para a construo da identidade cognitiva docampo da CI, um longo caminho ainda precisa serpercorrido. Estes resultados, por si s, no permitem umaconcluso definitiva, mas lanam algumas idias sobreesse ponto, sugerindo novos trabalhos empricos. Elesrepresentam apenas uma parte da explorao possvel dabase de dados construda, na qual se buscou destacar acolaborao dos professores materializada nas co-autoriasem artigos. Trabalhos futuros utilizando a mesma base dedados permitiro, por exemplo, analisar as publicaesmais utilizadas como veculo de divulgao e a associaoda formao de cada professor (graduao, mestrado,doutorado e linhas de pesquisa) com sua linha de atuao,dentre outras possibilidades. J o uso da ARS pode serampliado para, por exemplo, anlise de citaes nosartigos pesquisados.Como resultado acessrio, a pesquisa mostrou asdificuldades de se obterem informaes necessrias paraestudos quantitativos na rea de CI, no Brasil. No seencontram disponveis, em uma s base de dados,informaes como as utilizadas neste trabalho,dificultando a aplicao dessa metodologia ou de outrasnormalmente empregadas em estudos bibliomtricos.Aqui, no pas, no existe uma base ampla e completa osuficiente para estudos sobre co-autoria, anlise decitaes e co-citaes, para ficar somente nos maisrelevantes*.Finalmente, fica o alerta: entre descrever um aspecto deuma rea de produo de conhecimento, mesmo querelevante para a anlise de um fenmeno, e a compreensodas suas caractersticas fundamentais, h um longocaminho de pesquisa. As redes de co-autoria existentesentre os professores de um programa informam que acolaborao interdisciplinar no est muito aprofundada,mas essa afirmao, para ser conclusiva, precisaria sercomplementada por outras pesquisas quantitativas, nosmoldes da proposta, mas com outras variveis, equalitativas. Como uma das vantagens da metodologiade pesquisa proposta, destaca-se a possibilidade de serreplicada em outros temas complementares, em outrosprogramas e para o conjunto da cincia da informao.AGRADECIMENTOSOs autores agradecem aos avaliadores annimos pelassugestes que permitiram que esse artigo fossesubstancialmente melhorado. As falhas remanescentesso de nossa inteira responsabilidade.REFERNCIASBORGATTI, S. P.; CROOS, R. A relational view of informationseeking and learning in social networks. Management Science, Evanston,v. 49, n. 4, p. 432-445, Apr. 2003.__________.; FOSTER, P. C. The network paradigm in organizationalresearch: a review and typology. Journal of Management, Athens, v. 29,n. 6, p. 991-1013, 2003.__________.; EVERETT, M. G.; FREEMAN, Linton C. UCINET 6for Windows: software for social network analysis: users guide. [S.l.]:Analytic Technologies, [200-?].BOURDIEU, Pierre. O campo econmico. Campinas: Editora Papirus,2000.__________. Introduo a uma sociologia reflexiva. In: ________.O poder simblico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.* Com o presente artigo, as dificuldades encontradas com relao sbases de dados estimularam a montagem de um projeto mais amplo deanlise da produo cientfica na rea da cincia da informao noBrasil, denominado RedeCI (http://redeci.netic.com.br/).Artigo submetido em 20/10/2005 e aceito em 10/07/2006.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao92BURT, Ronald S. Structural holes: the social structure of competition.London: Harvard University Press, 1995.__________.; HOGARTH, Robin M.; MICHAUD Claude. The socialcapital of french and american managers. Forthcoming in OrganizationScience, v. 11, n. 2, p. 123-147, Mar./April, 2000.CARDOSO, Ana Maria Pereira. Ps modernidade e informao:conceitos complementares?. Perspectivas em Cincia da Informao, BeloHorizonte, v. 1, n. 1, p. 63-79, jan./jun. 1996.CARLEIAL, Liana. Redes industriais de subcontratao: um enfoque desistema nacional de inovao, um estudo das industrias eletrnica,metalmecnica e de confeces da Regio Metropolitana de Curitiba.So Paulo: Hucitec, 2001.CASANUEVA ROCHA, Cristbal. Relaciones estratgicas entrepymes: contraste de hiptesis empresariales mediante ARS. RevistaHispana para el anlisis de redes sociais, v. 4, n. 4, jun. 2003. Disponvelem: . Acesso em: 15 jul. 2004.CRANE, Diana. Invisible Colleges: diffusion ok knowledge in scientificcommunities. London: University of Chicago Press, 1972.DIAS, Eduardo Wense. Ensino e pesquisa em cincia da informao.DataGramaZero: Revista de Cincia da Informao, v. 3, n. 5, out.2002. Disponvel em: . Acesso em: 10 out.2003.FREEMAN, Linton C. Some antecedents of social network analysis.CONNECTIONS, v. 19, n. 1, p. 39-42, 1996.GARCA MACAS, Alejandro. Redes sociales y clustersempresariales. Revista Hispana para el anlisis de redes sociais, v. 1, n. 6,enero 2002. Disponvel em: . Acesso em: 15 jul. 2004.GOMES, Henriette Ferreira. Interdisciplinaridade e Cincia daInformao: de caracterstica a critrio delineador de seu ncleoprincipal. DataGramaZero: Revista de Cincia da Informao, v. 2, n.4, ago. 2001. Disponvel em: . Acesso em: 10out. 2003.GOMES, Maria Yda Falco Soares de Filgueiras. A produo cientficaem biblioteconomia e cincia da informao no Brasil: tendnciastemticas e metodolgicas. In: ENCONTRO NACIONAL DEPESQUISA EM CINCIA DA INFORMAO, 5., 2003. Anais...Belo Horizonte: UFMG, 2003. CD-ROM.GONZALEZ DE GOMEZ, Maria Nlida. Para uma reflexoepistemolgica acerca da cincia da informao. Perspectivas em Cinciada Informao, Belo Horizonte, v. 6, n. 1, p.5-18, jan./jun. 2001.__________. Metodologia de pesquisa no campo da cincia dainformao. DataGramaZero: Revista de Cincia da Informao, v. 1,n. 6, dez. 2000. Disponvel em: . Acesso em: 10 out. 2003.GRANOVETTER, Mark S. The strength of weak ties. American Journalof Sociology, Chicago, v. 78, n. 6, May. 1973.KRACKHARDT, David. Cognitive social structures. Social Networks,v. 9, p. 109-134, 1987.___________; HANSON, Jeffrey R. Informal networks: the companybehind the chart. Harvard Business Review, v. 71, n. 4, p.104-111, July/Aug., 1993.KRETSCHMER, Hildrun. Author productivity and geodesic distancein bibliographic co-authorship networks, and visibility on the Web.Scientometrics, v. 60, n. 3, p. 409-420, Jan. 2004. Disponvel em: . Acesso em: 01 abr. 2005.KUHN, Thomas S. O problema com a filosofia histrica da cincia= Thetrouble with the historical philosophy of science. Cambridge Mass: HarvardUniversity Press. Disponvel em: . Acesso em: 15 jan. 2004.LE COADIC, Yves-Franois. A cincia da informao. Braslia: Briquetde Lemos/Livros, 1996. 119 p.LIN, Nan; FU, Yang-Chih; HSUNG, Ray-May. The position generator:measurement techniques for investigations of social capital. In: LIN,Nan; COOK, Karen; BURT, Ronald (Ed.). Social capital: theory andresearch. New York: Aldine de Gruyter, 2001.MACHLUP, Fritz; MANSFIELD, Una (Ed.). The study of information:interdisciplinary messages. [S.l.]: John Wiley & Sons, 1983.MAHLCK, Paula; PERSSON, Olle. Socio-bibliometric mapping ofintra-departamental networks. Scientometrics, v. 49, n. 1, p. 81-91,2000. Disponvel em: . Acesso em: 01 abr. 2005.MARTELETO, Regina Maria. Anlise de redes sociais: aplicao nosestudos de transferncia da informao. Cincia da Informao, Braslia,v. 30, n. 1, p. 71-81, 2001.MATHEUS, Renato Fabiano. Desafios para a cincia da informao:enfrentando dificuldades paradigmticas, dilemas e paradoxos atravsde programas de pesquisa interdisciplinares. 2005. Disponvel em. Acesso em: 11 ago. 2005.MOLINA, Jos Luis. El organigrama informal en las organizaciones:una aproximacin desde el anlisis de redes sociales. Revista Catalanade Sociologia, p. 65-86, nov. 2000.___________. The informal organizational chart in organizations:an approach from the social network analysis. Connections, v. 24, n. 1,p. 78-91.___________; MUOZ, Juan Manuel; DOMENECH, Miquel. Redesde publicaciones cientficas: un anlisis de la estructura de coautoras.Revista Hispana para el anlisis de redes sociais, v. 1, n. 3, enero 2002.Disponvel em: . Acesso em: 10 jan.2005.MUELLER, Suzana Pinheiro Machado; PECEGUEIRO, Cludia MariaPinho de Abreu. O peridico Cincia da Informao na dcada de 90:um retrato da rea refletido em seus artigos. Cincia da Informao,Braslia, v. 30, n. 2, p. 47-63, maio/ago. 2001.NEWMAN, M. E. J. From the cover: the structure of scientificcollaboration networks. Proceedings of the National Academy of Sciencesof USA, v. 98, p. 404-409, Jan. 2001.Disponvel em: . Acessoem: 01 mar. 2005.ODDONE, Nanci; GOMES, Maria Yda Falco Soares de Filgueiras.Uma nova taxonomia para a cincia da informao. In: ENCONTRONACIONAL DE PESQUISA EM CINCIA DA INFORMAO,5., 2003, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2003.OLIVEIRA, Marlene de. A investigao cientfica na cincia da informao:anlise da pesquisa financiada pelo CNPq. 1998. 221 p. Tese (Doutoradoem Cincia da Informao) Faculdade de Estudos Sociais Aplicados,Universidade de Braslia, Braslia, 1998.__________. Caractersticas das dissertaes produzidas no cursode mestrado em Cincia da Informao da UFPB. Informao &Sociedade: Estudos, Joo Pessoa, v. 9, n. 2, p. 465-488, 1999.OTTE, Evelien; ROUSSEAU, Ronald. Social network analysis: apowerful strategy, also for information sciences. Journal of InformationScience, Thousand Oaks, v. 28, n. 6, p. 441-453, 2002.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Antonio Braz de Oliveira e Silva / Renato Fabiano Matheus / Fernando Silva Parreiras / Tatiane A. Silva Parreiras93ROUSSEAU, B.; ROUSSEAU, R. Lotka: a program to fit a power lawdistribution to observed frequency data. Cybermetrics, Madrid, v. 4,n. 4, 2000. Disponvel em: . Acesso em: 15 mar. 2005.SAXENIAN, Annalee. Regional Advantage: culture and competitionin Silicon Valley and route 128. Massachusetts: Harvard UniversityPress, 1996.TARGINO, Maria das Graas. A interdisciplinaridade da cincia dainformao como rea de pesquisa. Revista Informao & Sociedade, v.5, n. 1, 1995. Disponvel em: . Acesso em: 28 jun. 2004.VAKKARI, Pertti. Open the horizon of expectations. In: THEINTERNATIONAL CONFERENCE HELD FOR THECELEBRATION OF 20TH ANNIVERSARY OF THE DEPARTMENTOF INFORMATION STUDIES, 20., 1991, Tampere. ProceedingsTampere: Taylor Graham, 1991. p. 26-28.YOSHIKANE, Fuyuki; KAGEURA, Kyo. Comparative analysis ofcoauthorship networks of different domains: The growth and changeof networks. Scientometrics, v. 60, n. 3, p. 435-446, Jan. 2004. Disponvelem: .Acesso em: 01 abr. 2005.WASSERMAN, Stanley; FAUST, Katherine. Social network analysis:methods and applications. In: STRUCTURAL analysis in social thesocial sciences series. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.857 p. v. 8.WATTS, Duncan J. Small worlds: the dynamics of networks betweenorder and randonmness. New Jersey: Princeton University Press,1999.Ci. Inf., Braslia, v. 35, n. 1, p. 72-93, jan./abr. 2006Anlise de redes sociais como metodologia de apoio para a discusso da interdisciplinaridade na cincia da informao

Recommended

View more >