ALVENARIA ESTRUTURAL EM BLOCOS DE ? Alvenaria estrutural em blocos de concreto: ... Tabela 3 - Dimenses

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    28-Jul-2018

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  • ALVENARIA ESTRUTURAL EM BLOCOS DE

    CONCRETO: ASPECTOS CONSTRUTIVOS E PR-

    DIMENSIONAMENTO

    Gabriel Stelling Pinheiro

    Projeto de Graduao apresentado ao curso de

    Engenharia Civil da Escola Politcnica,

    Universidade Federal do Rio de Janeiro, como

    parte dos requisitos necessrios obteno do

    ttulo de Engenheiro.

    Orientador: Mrcio Santos Faria

    Rio de Janeiro

    Maro de 2018

  • ii

    ALVENARIA ESTRUTURAL EM BLOCOS DE

    CONCRETO: ASPECTOS CONSTRUTIVOS E PR-

    DIMENSIONAMENTO

    Gabriel Stelling Pinheiro

    Projeto de Graduao apresentado ao curso de

    Engenharia Civil da Escola Politcnica,

    Universidade Federal do Rio de Janeiro, como

    parte dos requisitos necessrios obteno do

    ttulo de Engenheiro.

    Orientador: Mrcio Santos Faria

    Rio de Janeiro

    Maro de 2018

  • iii

    ALVENARIA ESTRUTURAL EM BLOCOS DE CONCRETO: ASPECTOS

    CONSTRUTIVOS E PR-DIMENSIONAMENTO

    Gabriel Stelling Pinheiro

    PROJETO DE GRADUAO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE

    ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO

    RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSRIOS PARA A

    OBTENO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL.

    Examinado por:

    _________________________________

    Eng. Mrcio Santos Faria

    Orientador

    _________________________________

    Prof. Luis Otavio Cocito de Araujo, D.Sc.

    Co-orientador

    _________________________________

    Prof. Leandro Torres di Gregorio, D.Sc.

    RIO DE JANEIRO, RJ BRASIL

    MARO de 2018

  • iv

    Pinheiro, Gabriel Stelling

    Alvenaria estrutural em blocos de concreto: aspectos construtivos

    e pr-dimensionamento / Gabriel Stelling Pinheiro. Rio de Janeiro:

    UFRJ/Escola Politcnica, 2018.

    xiii, 76 p.: 29,7 cm.

    Orientador: Mrcio Santos Faria

    Projeto de Graduao UFRJ / Escola Politcnica /

    Curso de Engenharia Civil, 2018.

    Referncias Bibliogrficas: p. 73-76

    1. Introduo 2. Reviso bibliogrfica 3. Processo de

    produo da alvenaria estrutural 4. Projeto 5. Concluses

    I. Santos Faria, Mrcio; II. Universidade Federal do Rio

    de Janeiro, Escola Politcnica, Curso de Engenharia Civil. III.

    Ttulo

  • v

    AGRADECIMENTOS

    Agradeo a todos aqueles que fizeram parte dessa jornada e a fizeram se tornar especial

    em minha vida.

    minha famlia, que sempre esteve presente e me apoiando em todas as situaes, e

    que sem eles esse sonho no seria possvel.

    Aos meus amigos que levo junto comigo desde a infncia, que sempre estiveram do meu

    lado dando sempre os melhores conselhos.

    Aos amigos que fiz na UFRJ, obrigado pelas noites viradas, pelos ensinamentos e pela

    motivao, e tambm desejo muito sucesso a todos.

    Aos meus orientadores pela dedicao e pelos ensinamentos.

  • vi

    Resumo de Projeto de Graduao apresentado Escola Politcnica / UFRJ como parte dos

    requisitos necessrios para a obteno do grau de Engenheiro Civil.

    ALVENARIA ESTRUTURAL EM BLOCOS DE CONCRETO: ASPECTOS

    CONSTRUTIVOS E PR-DIMENSIONAMENTO

    Gabriel Stelling Pinheiro

    Maro/2018

    Orientador: Mrcio Santos Faria

    Curso: Engenharia Civil

    A busca cada vez maior por novos sistemas construtivos no Brasil trouxe a alvenaria estrutural

    como uma alternativa aos mtodos convencionais. Devido sua facilidade construtiva,

    flexibilidade, rapidez, qualidade e principalmente economia que pode chegar at 30% do custo

    total da obra, esse sistema vem se firmando como um dos principais no pas, quando

    consideradas tipologias de projeto que se enquadrem nas premissas de aplicao desse sistema

    construtivo. O presente projeto pretende apresentar os principais conceitos sobre alvenaria

    estrutural por meio de pesquisa bibliogrfica e o desenvolvimento de um pr-dimensionamento

    estrutural de um edifcio de 4 pavimentos sem pilotis. Sero reunidas definies de

    componentes, erros executivos, informaes teis sobre a execuo de alvenaria estrutural e a

    memria relativa ao pr-dimensionamento considerando apenas aes verticais.

    Palavras-Chave: Alvenaria Estrutural, Sistema Estrutural, Economia, Racionalizao.

  • vii

    Abstract of Undergraduate Project presented to POLI / UFRJ as a partial fulfillment of the

    requirements for the degree of Engineer.

    STRUCTURAL MASONRY IN CONCRETE BLOCKS: CONSTRUCTIVE ASPECTS

    AND PRE-DIMENSIONING

    Gabriel Stelling Pinheiro

    March/2018

    Advisor: Mrcio Santos Faria

    Course: Civil Engineering

    The increasing search for new constructive systems in Brazil has brought structural masonry as

    an alternative to conventional methods. Due to its constructive ease, flexibility, speed, quality

    and mainly economy that can reach up to 30% of the total cost of the construction, this system

    has been established as one of the main in the country, when considering project typologies that

    fit the premisses of the application of this constructive system. The presente project intends to

    present the main concepts on structural masonry through bibliographical research and the

    development of a structural pre-dimensioning of a 4 story building without pilotis. Component

    definitions, executive errors, useful information about the execution of structural masonry and

    the memory relative to the pre-dimensioning considering only vertical actions.

    Keywords: Structural Masonry, Structural System, Economy, Rationalization.

  • viii

    Sumrio

    LISTA DE TABELAS ................................................................................................... xi

    LISTA DE FIGURAS ................................................................................................... xii

    1 INTRODUO ....................................................................................................... 1

    1.1 Importncia do Tema ........................................................................................ 1

    1.2 Objetivo ............................................................................................................ 2

    1.3 Metodologia ...................................................................................................... 2

    1.4 Estrutura da Monografia ................................................................................... 3

    2 REVISO BIBLIOGRFICA ................................................................................. 5

    2.1 Um Breve Histrico .......................................................................................... 5

    2.2 Informaes Elementares Acerca da Alvenaria Estrutural ............................. 10

    2.2.1 Definies ................................................................................................. 11

    2.3 Componentes de Alvenaria Estrutural ............................................................ 13

    2.3.1 Blocos ........................................................................................................ 14

    2.3.2 Argamassa de Assentamento .................................................................... 19

    2.3.3 Graute ........................................................................................................ 20

    2.3.4 Armadura .................................................................................................. 21

    2.4 Vantagens e Limitaes do Sistema ............................................................... 21

    3 PROCESSO DE PRODUO DA ALVENARIA ESTRUTURAL .................... 25

    3.1 O Valor de Um Projeto ................................................................................... 25

  • ix

    3.2 A compatibilizao de projetos ....................................................................... 27

    3.3 Coordenao Modular ..................................................................................... 28

    3.4 Racionalizao Construtiva ............................................................................ 30

    3.5 Erros Executivos ............................................................................................. 31

    3.5.1 Desaprumo ................................................................................................ 32

    3.5.2 Espessura e Preenchimento das Juntas ...................................................... 33

    3.5.3 Deficincia no Grauteamento .................................................................... 34

    3.6 Propriedades Mecnicas ................................................................................. 35

    3.7 Norma de Desempenho NBR 15575 ........................................................... 37

    3.7.1 Segurana Estrutural ................................................................................. 38

    3.7.2 Segurana Contra Incndio ....................................................................... 39

    3.7.3 Segurana no Uso e na Operao .............................................................. 40

    3.7.4 Estanqueidade ........................................................................................... 41

    3.7.5 Desempenho Trmico ............................................................................... 41

    3.7.6 Desempenho Acstico ............................................................................... 42

    3.7.7 Durabilidade e Manutenibilidade .............................................................. 43

    3.7.8 Impacto Ambiental .................................................................................... 44

    4 PROJETO ............................................................................................................... 45

    4.1 Dados do Projeto ............................................................................................. 47

    4.2 Anlise Para Modelagem da Estrutura do Edifcio ......................................... 48

  • x

    4.2.1 Definio das Parede Estruturais .............................................................. 48

    4.2.2 Pr Moldados ............................................................................................ 49

    4.3 Memria de Clculo ........................................................................................ 50

    4.3.1 Carregamentos .......................................................................................... 50

    4.3.2 reas de Influncia ................................................................................... 52

    4.3.3 Determinao das Resistncias dos Blocos .............................................. 53

    4.3.4 Concluses Sobre o Projeto ...................................................................... 64

    4.4 A Tecnologia BIM .......................................................................................... 66

    4.4.1 Quantitativo ............................................................................................... 68

    5 CONCLUSES ...................................................................................................... 71

    6 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ................................................................... 73

  • xi

    LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 Dimenses reais .......................................................................................... 17

    Tabela 2 Requisitos para resistncia caracterstica compresso ............................. 18

    Tabela 3 - Dimenses dos blocos cermicos estruturais .............................................. 19

    Tabela 4- Comparao de economia entre alvenaria estrutural e concreto armado ..... 23

    Tabela 5 Vida til de Projeto de uma alvenaria ........................................................ 43

    Tabela 6 - Peso especfico aparente dos componentes e materiais ............................... 51

    Tabela 7 - Cargas Verticais Variveis .......................................................................... 52

    Tabela 8 - Reao da Laje............................................................................................. 54

    Tabela 9 - Peso prrio de cada parede .......................................................................... 55

    Tabela 10 - Peso prprio da abertura ............................................................................ 56

    Tabela 11 - Peso total na laje ........................................................................................ 57

    Tabela 12 - Grupo de paredes ....................................................................................... 58

    Tabela 13 Quantidade de blocos utilizado na obra .................................................... 69

  • xii

    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - Coliseu de Roma, em Roma, Itlia ............................................................................ 6

    Figura 2 - Pirmides de Giz, no Cairo, Egito ........................................................................... 6

    Figura 3 - Esquema estrutural das construes em alvenarias de pedra ..................................... 7

    Figura 4 - Edifcio Monadnock, em Chicago, EUA ................................................................... 7

    Figura 5 - Conjunto Habitacional Central Parque da Lapa, 1966 ........................................... 9

    Figura 6 Conjunto Habitacional Central Parque da Lapa, 1972 ........................................ 10

    Figura 7 - Alvenaria armada ..................................................................................................... 12

    Figura 8 - Diferena entre rea bruta e rea lquida. ................................................................ 12

    Figura 9 - Famlia de blocos 14x39 .......................................................................................... 15

    Figura 10 - Famlia de blocos 14x29 ........................................................................................ 15

    Figura 11 - Bloco de concreto .................................................................................................. 16

    Figura 12- Classificao dos blocos cermicos ........................................................................ 18

    Figura 13 - Diferena do tamanho dos furos dos blocos cermico e de concreto .................... 20

    Figura 14 - Capacidade de influenciar os custos do empreendimento ..................................... 26

    Figura 15 - Quadrcula modular - 1M / 2M / 3M ..................................................................... 29

    Figura 16 - Limite mximo para o desaprumo ......................................................................... 32

    Figura 17 - Variaes mximas da espessura das juntas de argamassa.................................... 33

    Figura 18 - Detalhe de recortes para conferncia do grauteamento. ........................................ 34

  • xiii

    Figura 19 Tenses no bloco e na junta de argamassa devido aplicao de carga de

    compresso axial....................................................................................................................... 36

    Figura 21 - Planta baixa do pavimento tipo .............................................................................. 45

    Figura 22 - Corte Longitudinal ................................................................................................. 46

    Figura 23 - Corte Transversal ................................................................................................... 47

    Figura 24 - Eliminao do shaft e definio das paredes estruturais ....................................... 49

    Figura 25 - Numerao das paredes ......................................................................................... 53

    Figura 26 - Famlia 39 em 3D .................................................................................................. 67

    Figura 27 Primeira e segunda fiadas...................................................................................... 67

    Figura 28 Elevao do pavimento tipo .................................................................................. 69

    Figura 29 - Torre completa ....................................................................................................... 70

  • 1

    1 INTRODUO

    1.1 Importncia do Tema

    A crise econmica instaurada no Brasil somada aos escndalos da operao Lava Jato,

    grande queda dos investimentos pblicos e ao esfriamento do mercado imobilirio se

    refletiram no fraco desempenho do setor da construo civil no pas. Segundo o IBGE, do

    segundo trimestre de 2013 at o segundo semestre do ano de 2017 o PIB do setor somava uma

    queda de 14,3% enquanto o PIB total do pas diminuiu 5,5% no mesmo perodo.

    Frente a uma forte crise enfrentada pelos brasileiros, sempre se buscam alternativas para

    que essas dificuldades sejam superadas por parte das construtoras. Com uma disputa por

    mercado e necessidade de diminuio de custos, a alvenaria estrutural se apresenta como um

    sistema estrutural bastante interessante e econmico, com agilidade em sua execuo e sem

    necessidade de mo de obra especializada. Isso no significa que esse sistema construtivo s

    seja interessante em momentos de crise, muito pelo contrrio, uma alternativa excelente e tem

    um enorme potencial para determinadas tipologias de edificaes, como por exemplo edifcios

    de moradia popular, que possuem vos com pequenas dimenses, e tambm at determinadas

    alturas, sendo mais utilizada para construes de baixa altura.

    A utilizao deste sistema em larga escala no Brasil tem sido possibilitada pelos avanos

    tecnolgicos e pelo seu custo competitivo, tornando o pas uma referncia mundial no assunto.

    Isso projeta um excelente futuro para o pas em questes de qualidade da alvenaria estrutural

    como sistema construtivo, tornando-se um diferencial para os engenheiros que tem profundo

    conhecimento sobre ela.

  • 2

    Alm disso, tocante ao contexto acadmico, a disseminao do conhecimento sobre o

    assunto nas faculdades de Engenharia Civil pelo pas fica facilitado ao passo que mais pessoas

    conhecem e se interessam pelo assunto. O foco desse trabalho, alm de aprofundar a cincia do

    autor, que mais alunos possam tratar de questes mais especficas como o dimensionamento

    estrutural e escolha assertiva do projeto, atingindo principalmente os alunos da Universidade

    Federal do Rio de Janeiro, que tem o privilgio de poder cursar a cadeira de Alvenaria

    Estrutural, um curso relativamente novo que est ganhando foras no departamento.

    1.2 Objetivo

    O objetivo desta monografia consiste em fornecer noes bsicas para que o estudante

    de engenharia civil, o engenheiro de construes e os gestores de obra possam realizar um pr-

    dimensionamento de construes em alvenaria estrutural, alm de mostrar a importncia dele

    no planejamento e execuo da obra, apresentando noes bsicas de clculo e de conceitos

    sobre o sistema estrutural para um melhor entendimento do projeto.

    1.3 Metodologia

    A metodologia abordada nessa monografia consiste em uma fundamentao terica e

    apresentao de um pr-dimensionamento estrutural.

    A fundamentao terica se baseou em um estudo de reviso bibliogrfica, com

    pesquisa em fontes de grande notoriedade e respeito no tema, como autores renomados,

    monografias de TCC, dissertaes de mestrado, teses de doutorado alm de notas de aula do

    professor responsvel pela disciplina de Alvenaria Estrutural da Escola Politcnica da UFRJ

    e tambm orientador deste trabalho, Mrcio Faria.

  • 3

    O pr-dimensionamento estrutural de alvenaria modulada desenvolvida neste trabalho

    baseado em um trabalho de aula proposto pelo professor Mrcio Faria aos seus alunos da

    disciplina Alvenaria Estrutural, oferecida pelo Departamento de Construo Civil da UFRJ,

    no perodo letivo de 2017.2. O desenvolvimento do trabalho em sala de aula se deu at o peso

    total da laje, ficando a cargo do autor deste trabalho uma reviso do que havia sido feito e o

    pr-dimensionamento compresso.

    1.4 Estrutura da Monografia

    O trabalho ser estruturado em cinco captulos:

    O primeiro captulo um captulo introdutrio, apresentando a importncia do tema, os

    objetivos, a justificativa da escolha do tema, a metodologia utilizada e a estrutura descrevendo

    brevemente o que se encontra em cada captulo.

    O segundo captulo uma reviso bibliogrfica dos principais conceitos e definies

    que constaro no trabalho. apresentado um breve histrico da alvenaria estrutural no mundo

    e no Brasil, alm dos componentes da alvenaria estrutural e das vantagens e desvantagens do

    sistema.

    O terceiro captulo aborda questes relativas projeto. O valor que tem um projeto na

    construo civil, a compatibilizao entre os diversos projetos que existem em uma obra, a

    coordenao modular, o conceito de racionalizao construtiva, apresentao dos principais

    erros executivos, exposio das propriedades mecnicas da alvenaria e exposio da norma de

    desempenho relacionado alvenaria.

  • 4

    No quarto captulo inicia-se o pr-dimensionamento da estrutura. So apresentados os

    dados de projeto e desenvolvido um memorial de clculo, onde todos os clculos esto

    justificados e ao final do captulo temos uma pequena introduo tecnologia BIM, levantando

    aspectos quantitativos sobre a obra.

    Finalmente, no quinto e ltimo captulo so feitas as consideraes finais e concluses

    do trabalho, seguidas das referncias bibliogrficas.

  • 5

    2 REVISO BIBLIOGRFICA

    2.1 Um Breve Histrico

    O uso da alvenaria estrutural data de milhares de anos atrs, remontando poca dos

    egpcios, gregos e romanos. A sua execuo essa poca era sem nenhuma base terica e

    nenhum conhecimento cientfico sequer, lanando-se mo apenas do conhecimento emprico

    que se obtivera e da prpria intuio, o que levava a um pequeno progresso aps as tentativas

    e erros e todo o conhecimento era passado de gerao em gerao. Eram montadas pedras sobre

    pedras alcanando um resultado parecido com uma parede de grande espessura. Esse paredo

    que se formava trazia conforto e proteo para as famlias.

    Devido ao seu mtodo construtivo, a alvenaria estrutural na poca s admitia vos que

    fossem executados com peas auxiliares (vigas de madeira por exemplo). Por isso, era

    necessrio que as suas dimenses fossem relativamente pequenas, alm de que esses materiais

    utilizados tinham uma vida til menor do que a alvenaria propriamente dita, causando um

    problema de durabilidade.

    Ao passar dos tempos, uma alternativa para a execuo dos vos foi desenvolvida: os

    arcos. Essa forma era permitida atravs do arranjo das unidades, possibilitando assim a

    construo de vos maiores, alm de se obter uma maior qualidade alvenaria estrutural.

    Apesar disso, obras grandiosas existentes at os dias atuais utilizavam esse sistema

    construtivo, e seus excelentes estados de conservao revelam o grande potencial e qualidade

    que a alvenaria pode trazer para as construes. MOHAMAD (2015) explica que essas obras

    grandiosas, que marcaram a humanidade pelos aspectos estrutural e arquitetnico, eram

    construdas com unidades de blocos cermicos ou de pedra intertravados, com ou sem material

  • 6

    ligante. Como exemplo dessas construes podemos citar o Coliseu de Roma, localizado em

    Roma, na Itlia, com incio da sua construo datado de 68 d.C. e finalizado em 79 d.C. (Figura

    1). Um outro excelente exemplo so as Pirmides de Giz, situada nos arredores de Cairo, no

    Egito. Sua construo data de aproximadamente 4.500 anos (Figura 2).

    Figura 1 - Coliseu de Roma, em Roma, Itlia. Fonte:

    http://melhorespontosturisticos.com.br/ponto-turistico-em-roma-coliseu-de-roma-colosseum/

    (Acessado em 02/02/2018)

    Figura 2 - Pirmides de Giz, no Cairo, Egito. Fonte:

    http://mundodeviagens.com/grande-piramide/ (Acessado em 02/02/2018)

    MOHAMAD (2015) afirma ainda que a arquitetura dessas construes fazia com que a

    estrutura trabalhasse basicamente compresso, na qual os esforos horizontais provenientes

    dos ventos eram absorvidos por meio de contrafortes e arcobotantes. Esse esquema estrutural

    mostrado na figura 3.

    http://melhorespontosturisticos.com.br/ponto-turistico-em-roma-coliseu-de-roma-colosseum/http://mundodeviagens.com/grande-piramide/

  • 7

    Figura 3 - Esquema estrutural das construes em alvenarias de pedra. Fonte: Gihad

    (2015)

    Entre 1889 e 1891, foi construdo o Edifcio Monadnock em Chicago. Ele possua 16

    pavimentos totalizando 65 metros de altura e na poca foi considerado uma obra ousada e

    marcante. Suas paredes tinham aproximadamente 1,80 metros de espessura, o que tornava a

    racionalizao do processo executivo uma tcnica praticamente impossvel de ser aplicada,

    fazendo com que o sistema se tornasse lento e de custo muito elevado. RAMALHO E CORRA

    (2003) acreditam que, caso edifcio fosse dimensionado nos dias atuais, com os mesmos

    materiais utilizados poca, a espessura das suas paredes seria inferior a 30 cm. A figura 4

    mostra a fachada do edifcio.

    Figura 4 - Edifcio Monadnock, em Chicago, EUA. Fonte: https://bohatala.com/case-

    study-of-the-monadnock-building-in-chicago/ (Acessado em 21/02/2018)

    https://bohatala.com/case-study-of-the-monadnock-building-in-chicago/https://bohatala.com/case-study-of-the-monadnock-building-in-chicago/

  • 8

    essa poca, portanto, o conhecimento e as pesquisas na rea eram praticamente

    inexistentes, alm da total falta de conhecimento da racionalizao. Assim, no se conseguia

    garantir a segurana estrutural apenas com o conhecimento de teorias empricas, forando a se

    projetar de forma superdimensionada.

    A falta de conhecimento perdurou por muitos anos, at o momento em que as

    necessidades foram se multiplicando e as pessoas passaram a tratar a alvenaria como um

    verdadeiro sistema de engenharia, passando ento a criar teorias cientficas e sair do campo do

    empirismo. Houve aperfeioamento e atualizao dos centros de pesquisa podendo assim levar

    o que se tem de melhor para os canteiros de obra.

    ACCETTI (1998) diz que apenas no incio do sculo que estamos, por volta do ano de

    1920, que a alvenaria estrutural passou a ser estudada com base em princpios cientficos e

    experimentao laboratorial.

    Conforme CAMACHO (2006), a primeira norma para clculo de alvenaria de tijolos foi

    publicada em 1948 na Inglaterra. Ele diz tambm que na dcada de 50 foram construdos vrios

    edifcios relativamente altos e que no ano de 1951, na Sua, o primeiro prdio em alvenaria

    no estrutural foi erguido com 13 pavimentos e 41 metros de altura. Esse edifcio possua

    paredes internas de 15 cm de espessura e as paredes externas possuam 37,5 cm (ACCETTI,

    1998). Para GIHAD (2015), o projeto dessa construo foi baseado em dados experimentais

    coletados por Paul Haller, que deu incio Moderna Alvenaria Estrutural, com testes

    realizados em mais de 1600 paredes de tijolos. Segundo o autor, esses testes foram realizados

    devido escassez de concreto e ao proporcionada pela Segunda Guerra Mundial.

    A histria continuou sendo feita durante as duas dcadas seguintes. CAMACHO (2006)

    ainda cita que em 1966 foi editado o primeiro cdigo americano de Alvenaria Estrutural

  • 9

    (Recommended Building Code Requirements for Engineered Brick Masonry). J em 1978, uma

    nova normal inglesa (BS-5628) que trabalha com mtodo semiprobabilstico editada e o

    critrio das tenses admissveis abandonado, passando a utilizar o critrio de

    dimensionamento no estado limite ltimo.

    Com o passar dos anos at os dias atuais, o avano do conhecimento tcnico-cientfico

    a respeito do comportamento das estruturas das construes e do elemento de parede

    propriamente dito, proporcionou um aprimoramento na tecnologia de construo dos materiais

    fazendo surgir unidades que tornam o sistema de alvenaria estrutural eficiente tanto na rapidez

    da sua produo quanto na capacidade de suporte de cargas (MOHAMAD, 2015).

    No Brasil, o marco inicial do uso de blocos de concreto em alvenaria estrutural armada

    (aquela que leva vergalhes de ao e grauteamento em sua constituio) foi em So Paulo, no

    Conjunto Habitacional Central Parque da Lapa, no ano de 1966. Segundo MOHAMAD

    (2015), foram construdos inicialmente prdios com 4 pavimentos com paredes de espessura de

    19 cm. Esse edifcio mostrado na figura 5. Mais tarde, em 1972, no mesmo empreendimento,

    quatro edifcios de 12 andares foram construdos tambm em alvenaria armada.

    Figura 5 - Conjunto Habitacional Central Parque da Lapa, 1966. Fonte:

    http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/banco-obras/1/alvenaria-estrutural. (Acessado

    em 21/02/2018)

    http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/banco-obras/1/alvenaria-estrutural

  • 10

    Figura 6 Conjunto Habitacional Central Parque da Lapa, 1972. Fonte:

    http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/banco-obras/1/alvenaria-estrutural (Acessado

    em 02/02/2018)

    A partir da dcada de 90 que sua utilizao foi difundida pelo pas, num momento em

    que vrias construtoras passaram a adotar esse sistema estrutural.

    COSTA (2010) afirma que a consolidao do sistema no Brasil se deu quando as dvidas

    em relao segurana estrutural dos blocos foram diminudas de forma drstica, a partir do

    momento que a Associao Brasileira de Cimento Portland (ABPC) passou a qualificar e

    certificar os produtores de blocos estruturais de concreto com seu selo de qualidade.

    2.2 Informaes Elementares Acerca da Alvenaria Estrutural

    Segundo FARIA (2017) alvenaria estrutural um processo construtivo que emprega

    blocos vazados na construo de paredes que em sua maioria desempenham funo estrutural,

    substituindo as funes das vigas e pilares de uma estrutura convencional reticulada, alm da

    funo de vedao.

    A estruturas convencionais em concreto armado so compostas por pilares, vigas e lajes

    e modeladas a partir de barras verticais e horizontais. J o modelo estrutural da alvenaria

    http://www.comunidadedaconstrucao.com.br/banco-obras/1/alvenaria-estrutural

  • 11

    estrutural composto por chapas carregadas linearmente e RAMALHO E CORRA (2003)

    definem que a transmisso de aes atravs de tenses de compresso o principal conceito

    estrutural vinculado ao uso da alvenaria estrutural.

    extremamente recomendvel que nesse caso haja a execuo de um projeto bem

    detalhado e compatibilizado com os outros tipos de projeto para que futuramente no existam

    mudanas que possam abalar a segurana estrutural da edificao.

    2.2.1 Definies

    Algumas definies so essenciais para o bom entendimento do desenvolvimento do

    trabalho. Para PARSEKIAN (2013), alvenaria estrutural no armada o elemento de alvenaria

    no qual a armadura desconsiderada para resistir aos esforos solicitantes. Normalmente

    utilizada em edificaes de pequeno porte, tais como edifcios de at oito pavimentos com

    tipologia adequada. Nesse caso, o ao tem apenas funo construtiva, no sendo considerado

    nos clculos e os esforos de trao gerados na estrutura so resistidos pela alvenaria. O ao se

    encontra nas vergas e contravergas de janelas e tambm reforando outras aberturas, alm de

    evitar que futuras patologias ocorram, tais como fissuras e trincas.

    De acordo com a NBR 15961-1 (Alvenaria Estrutural Blocos de Concreto. Parte 1

    Projeto), elemento de alvenaria armada so aqueles no qual so usadas armaduras passivas que

    so consideradas para resistir aos esforos solicitantes de trao. Os esforos de trao na

    estrutura so gerados por cargas horizontais como as resultantes da ao do vento e desaprumo.

    Quando esses esforos so superiores aos resistidos pela alvenaria, se faz necessrio o uso de

    armaduras verticais (geralmente uma barra por furo). A figura 7 traz uma ilustrao de alvenaria

    armada.

  • 12

    Figura 7 - Alvenaria armada. Fonte: http://www.tectonica-

    online.com/products/1726/block_concrete_brick_hidro/ (Acessado em 02/02/2018)

    A mesma norma citada acima define rea bruta sendo a rea de um componente ou

    elemento considerando-se as suas dimenses externas, desprezando-se a existncia dos

    vazados.

    Ainda citando essa norma, ela afirma que rea lquida a rea de um componente ou

    elemento, com desconto das reas dos vazados. A figura 8 explica a diferena entre rea bruta

    e rea lquida.

    Figura 8 - Diferena entre rea bruta e rea lquida.

    http://www.tectonica-online.com/products/1726/block_concrete_brick_hidro/http://www.tectonica-online.com/products/1726/block_concrete_brick_hidro/

  • 13

    Fonte: TAUIL E NESE (2010)

    Essa norma ainda cita rea efetiva sendo a parte lquida de um componente ou elemento,

    sobre a qual efetivamente disposta a argamassa.

    O prisma definido como o corpo de prova obtido pela superposio de blocos unidos

    por junta de argamassa, grauteados ou no. Esse prisma destinado ao ensaio de compresso

    axial e um elemento que representa a parede.

    Um importante conceito a se destacar a parede hidrulica. Na alvenaria estrutural nem

    todas as paredes so necessariamente parte da estrutura. Algumas delas, alm da funo de

    vedao, tem tambm o papel de parede hidrulica (ser exemplificado no projeto), ou seja,

    toda a instalao hidrulica embutida na parede, inclusive o esgoto, tornando a execuo

    simples, rpida e prtica. Num sistema de alvenaria estrutural isso importante ao passo de

    que, caso as instalaes fossem embutidas nos furos do bloco estrutural e mais tarde

    necessitassem de reparo, o bloco deveria ser quebrado, condenando a segurana estrutural.

    2.3 Componentes de Alvenaria Estrutural

    Nesse assunto se faz necessrio destacar dois importantes conceitos: componente e

    elemento de uma alvenaria estrutural. Entende-se por um componente de alvenaria uma

    entidade bsica, ou seja, algo que compe os elementos que, por sua vez, comporo a estrutura

    (RAMALHO E CORRA, 2003).

    Os principais componentes empregados na execuo de um edifcio em alvenaria

    estrutural so: blocos, argamassa, graute e armadura, sendo estas construtivas ou de clculo.

    Quando pelo menos dois componentes se unem, chamamos de elementos. Os elementos so

    uma parte suficientemente elaborada da estrutura. So eles: paredes, pilares, cintas, vergas, etc.

  • 14

    Os componentes bsicos, que so formados pelos principais componentes, devem

    possuir caratersticas mnimas de desempenho e seguirem especificaes de norma para que

    possam exercer os requisitos requeridos

    2.3.1 Blocos

    So os componentes mais importantes da alvenaria estrutural, j que os blocos, como

    componentes bsicos da alvenaria estrutural, so os principais responsveis pela definio das

    caractersticas resistentes da estrutura (RAMALHO E CORRA, 2003). Segundo

    CAMACHO (2006), eles comandam a resistncia compresso e determinam os

    procedimentos para aplicao da tcnica da coordenao modular nos projetos. O conceito de

    coordenao modular ser discutido posteriormente.

    Segundo a norma brasileira NBR 6136 2016 Blocos Vazados de Concreto Simples

    para Alvenaria Requisitos, famlia de blocos o conjunto de componentes de alvenaria que

    interagem modularmente entre si e com outros elementos construtivos. Os blocos que compe

    a famlia, segundo suas dimenses, so designados como bloco inteiro (bloco predominante),

    meio bloco, blocos de amarrao L e T (blocos para encontro de paredes) e blocos

    compensadores e blocos tipo canaleta.

  • 15

    Figura 9 - Famlia de blocos 14x39

    Fonte: TAUIL E NESE (2010)

    Figura 10 - Famlia de blocos 14x29

    Fonte: TAUIL E NESE (2010)

    No Brasil, os blocos mais utilizados so os de concreto e cermicos.

  • 16

    2.3.1.1 Blocos de Concreto

    Ainda segundo a norma brasileira NBR 6136 2016, bloco vazado de concreto simples

    o componente para execuo de alvenaria, com ou sem funo estrutural, vazado nas faces

    superior e inferior, cuja rea lquida (rea mdia da seo perpendicular aos eixos dos furos,

    descontadas as reas mdias dos vazios) igual ou inferior a 75% da rea bruta (rea da seo

    perpendicular aos eixos dos furos, sem desconto das reas dos vazios). So em concreto

    simples, confeccionados com cimento Portland, gua e agregados minerais, com ou sem

    incluso de outros materiais. Um exemplo de bloco de concreto mostrado na figura 11.

    Figura 11 - Bloco de concreto. Fonte: https://www.leroymerlin.com.br/bloco-de-

    concreto-estrutural-vazado-19x14x39cm-blojaf_87707571 (Acessado em 23/02/2018)

    Essa norma estabelece uma classificao dos blocos de concreto quanto ao seu uso. So

    elas:

    Classe A: blocos com funo estrutural, para uso em elementos de alvenaria

    acima ou abaixo do nvel do solo;

    Classe B: com funo estrutural, para uso em elementos de alvenaria acima do

    solo;

    Classe C: com funo estrutural, para uso em elementos de alvenaria acima do

    solo (recomenda-se o uso de blocos com funo estrutural Classe C, designados

    M10, para edificaes de, no mximo, um pavimento; os designados M12,5 para

    https://www.leroymerlin.com.br/bloco-de-concreto-estrutural-vazado-19x14x39cm-blojaf_87707571https://www.leroymerlin.com.br/bloco-de-concreto-estrutural-vazado-19x14x39cm-blojaf_87707571

  • 17

    edificaes de, no mximo, dois pavimentos; os designados M15 e M20 para

    edificaes maiores);

    A tabela 1 mostra as dimenses reais dos blocos vazados de concreto, modulares e sub-

    modulares.

    Tabela 1 Dimenses reais

    Fonte: TAUIL E NESE (2010)

    Nessa norma prev-se que as tolerncias permitidas nas dimenses dos blocos indicados

    na tabela 1 so de 2,0 mm para largura e 3,0 mm para a altura e comprimento.

    Podemos citar ainda que a norma NBR 6136 2016 define os limites de resistncia

    mnima compresso por classe, mostradas na tabela 2.

  • 18

    Tabela 2 Requisitos para resistncia caracterstica compresso

    Fonte: NBR 6136 (2016)

    2.3.1.2 Blocos Cermicos

    J segundo a norma NBR 15961-2 2011 Alvenaria Estrutural Blocos de Concreto

    Parte 2: Execuo, bloco cermico estrutural o componente da alvenaria estrutural que

    possui furos prismticos perpendiculares s faces que os contm. Esses blocos cermicos se

    classificam em quatro grupos, exibidos na figura 12.

    Figura 12- Classificao dos blocos cermicos

    Fonte: NBR 15270-2 (ABNT, 2005)

  • 19

    A tabela 3 traz as dimenses de fabricao do bloco de cermica.

    Tabela 3 - Dimenses dos blocos cermicos estruturais

    Fonte: NBR 15270-2 (ABNT, 2005)

    Uma grande vantagem de se adotar blocos cermicos que seu peso quase 40% menor

    do que os blocos de concreto, representando um alvio de carga na fundao e um menor

    desgaste da mo de obra, aumentando a produtividade e, portanto, deixando a obra mais barata.

    2.3.2 Argamassa de Assentamento

    Conforme CAMPOS (1993), argamassa o componente utilizado na unio dos blocos,

    sendo responsvel pela monoliticidade da alvenaria, pois transmite esforos entre os blocos.

    Ela solidariza, transmite e uniformiza as tenses entre as unidades de alvenaria, alm de

  • 20

    absorver pequenas deformaes, evitando pontos de concentrao de tenses. Alm disso

    tambm tem a funo de garantir a vedao das juntas contra a entrada de umidade nas

    edificaes.

    2.3.3 Graute

    O graute um micro-concreto (concreto com agregados de pequena dimenso) de alta

    fluidez, empregado na produo de elementos que trabalham flexo com as vergas,

    contravergas e vigas, nas cintas (cuja funo uniformizar o carregamento oriundo das reaes

    das lajes transmitindo-os para as paredes) e aumentar a resistncia a compresso de uma parede.

    Tem a funo tambm de proteger as armaduras empregadas nas paredes, envolvendo-as

    completamente, de modo a formar um conjunto nico entre bloco, armadura e graute. A

    resistncia do graute deve ser no mnimo a mesma do bloco em relao rea lquida.

    FARIA (2017) afirma que para blocos de absoro moderada e espaos a serem

    grauteados relativamente maiores, um slump de 20 cm adequado e para blocos de alta

    absoro e quando a rea da seo a ser grauteado muito pequena, um slump de 25 cm mais

    adequado. A figura 13 mostra a diferena entre os furos.

    Figura 13 - Diferena do tamanho dos furos dos blocos cermico e de concreto. Fonte:

    https://ceramicasantaclara.files.wordpress.com/2014/07/ceramico-e-concreto.jpg (Acessado

    em 23/02/2018)

    https://ceramicasantaclara.files.wordpress.com/2014/07/ceramico-e-concreto.jpg

  • 21

    Fica evidente pela figura que o espao a ser grauteado do bloco de concreto maior do

    que o do bloco cermico. Portanto, necessrio um slump maior do graute que utilizado em

    blocos cermicos.

    2.3.4 Armadura

    So as mesmas utilizadas em construes de concreto armado e sero sempre envoltas

    por graute, com a funo de combater os esforos de trao. Alm disso, so tambm utilizadas

    em vergas e contra-vergas, elementos onde sempre haver a necessidade de armadura

    longitudinal.

    2.4 Vantagens e Limitaes do Sistema

    O uso cada vez mais contnuo da alvenaria estrutural em substituio ao sistema

    tradicional de concreto armado no Brasil se d pelas inmeras vantagens que esse sistema traz.

    MOHAMAD (2015) cita que uma das principais vantagens do uso da alvenaria

    estrutural a economia que ela traz. Esse fato se deu em consequncia do aprimoramento das

    atividades na obra por meio de tcnicas executivas simplificadas e o fcil controle das etapas

    de produo. ARAJO (1995) afirma que a economia gerada por uma obra executada em

    alvenaria estrutural pode chegar at 30% em edifcios sem pilotis. J os que possuem pilotis,

    essa reduo da ordem de 10%, j que existe uma estrutura em concreto armado (pilares e

    vigas de transio).

    O que acontece em certas obras que o projeto executivo de alvenaria no

    compatibilizado com os outros projetos, acarretando em muitas alteraes no decorrer da obra,

    alm da quebra de blocos para novas adaptaes. Isso, alm de abalar a estrutura, trazendo

    insegurana para os usurios, tambm gera uma quantidade grande de entulho, o que vai contra

  • 22

    os princpios da alvenaria estrutural: uma obra limpa, sem quebras e baixssima gerao de

    resduos.

    Nas estruturas de concreto armado existe um alto gasto de madeira para formas e

    escoramento das peas estruturais alm da grande quantidade de ao utilizada. A escolha da

    alvenaria estrutural traz otimizao da mo de obra: a reduo de formas implica na reduo da

    mo de obra de profissionais carpinteiros. Alm disso, os armadores tambm no se fazem

    necessrios considerando que a maioria das barras de ao so retas e colocadas pelo prprio

    pedreiro. ROMAN et al. (1999) afirmam que a economia se d ... tambm devido economia

    no uso de madeiras para formas, reduo no uso de concreto e ferragem, menores espessuras

    de revestimentos, maior rapidez na execuo..

    A competncia que a alvenaria tem de suportar cargas e resistir s suas tenses, alm de

    servir como um divisor de ambientes representa uma vantagem bsica dela, segundo RIZZATTI

    (2003). Entretanto, para RAMALHO E CORREA (2003), a segurana da edificao deve ser

    garantida com o perfeito controle da resistncia dos blocos, levando ao uso de materiais mais

    caros e uma execuo bem-feita, tornando o custo de produo mais alto que da alvenaria de

    vedao.

    CAMPOS (1993) cita uma lista de vantagens que resultam no encurtamento do prazo

    da obra, e a seguir so apresentadas algumas delas:

    Devido regularidade dos blocos, a espessura de revestimento bem fina,

    necessitando apenas de duas camadas, o chapisco e o reboco, resultando tambm

    numa economia financeira;

    Ao mesmo tempo que a alvenaria sobe, as instalaes vo sendo executadas, ou seja,

    estrutura e instalaes trabalham simultaneamente;

  • 23

    A coordenao modular proporciona uma padronizao, facilitando a mo de obra

    e fazendo com que ela assimile a tarefa numa velocidade maior, aumentando a

    produtividade.

    A Tabela 4 apresenta uma comparao entre o sistema de alvenaria estrutural e de

    concreto armado, mostrando a economia trazida com a utilizao do primeiro sistema

    construtivo.

    Tabela 4- Comparao de economia entre alvenaria estrutural e concreto armado

    Fonte: GIHAD, 2015.

    FRANCO (1992) apud ARAJO (1995) diz que a facilidade com que se implanta a

    coordenao modular nos edifcios em alvenaria estrutural um dos principais motivos que

    tornam o processo favorvel implantao de medidas de racionalizao.

    O que se pode notar ao analisar as vantagens que seu principal motivo a racionalidade

    que pode ser incrementada no sistema construtivo em alvenaria estrutural.

    Alm disso, ARAJO (1995) cita como vantagem a organizao do canteiro de obra

    devido pouca variedade de materiais e do sistema permitir que se trabalhe num ambiente de

    trabalho limpo. O prprio autor destaca tambm que melhores condies de treinamento e

    acompanhamento dos servios so possibilitados pela pouca diversidade da mo de obra.

  • 24

    Foi visto que a alvenaria pode trazer diversos benefcios para o projeto e ser um fator

    decisivo de viabilidade do empreendimento. Mas deve-se ter em mente tambm que ela tem

    desvantagens em relao s estruturas convencionais de concreto armado, podendo muitas

    vezes no atender ao projeto estrutural e ter que ser descartada.

    As limitaes comeam quando falamos de futuras reformas. RAMALHO E CORRA

    (2003) ressaltam a impossibilidade de se executar alteraes na disposio arquitetnica

    original devido ao fato de que as paredes fazem parte da estrutura, e caso retiradas,

    comprometeriam a segurana estrutural da construo. Com essa impossibilidade, muitos

    empreendimentos teriam suas vendas afetadas (normalmente empreendimentos de alto padro),

    tornando o negcio invivel. ROMAN et al.(199) dizem que uma alternativa dificuldade de

    remoo das paredes seria j no projeto estrutural definir algumas paredes que no futuro

    poderiam ser removidas. Eles afirmam tambm que projetos mais arrojados, com muitos

    detalhes e grandes vos acabam encarecendo a obra, no tornando a obra vivel.

    O projeto, se pouco ou mal detalhado, gerar problemas futuros na obra, pois decises tero

    que ser tomadas no canteiro de obra, aumentando as improvisaes e o custo da obra.

    ARAJO (1995) apresenta outras desvantagens desse sistema estrutural, como por exemplo

    o nmero de pavimentos a serem alcanados, sendo o seu limite mximo bem menor do que

    estruturas em concreto armado (ou protendido) e a necessidade de transio para estruturas em

    pilotis.

    CAMACHO (2006) e RAMALHO E CORRA (2003) destacam a dificuldade de se adaptar

    a arquitetura para um novo uso j que ao longo da vida til dos edifcios, h uma tendncia da

    arquitetura mudar para atender s novas necessidades dos usurios. Mas devido

    impossibilidade da retirada das paredes, essas adaptaes tambm no podem ocorrer.

  • 25

    3 PROCESSO DE PRODUO DA ALVENARIA ESTRUTURAL

    3.1 O Valor de Um Projeto

    Segundo a PMBOK, um projeto um esforo temporrio empreendido para criar um

    produto, servio ou resultado exclusivo. Os projetos e as operaes diferem, principalmente, no

    fato de que os projetos so temporrios e exclusivos, enquanto as operaes so contnuas e

    repetitivas.

    TAUIL E NESE (2010) adaptaram a definio de projeto acima para um projeto em

    alvenaria estrutural como:

    Projeto um esforo temporrio empreendido a partir da coleta de informaes

    provenientes do cliente, que sero interpretadas, analisadas, discutidas, conceituadas

    e enquadradas legal e tecnicamente por uma equipe de profissionais, por uma equipe

    tcnica, gerando um resultado exclusivo para a criao de uma edificao em

    alvenaria estrutural.

    A ideia de exclusividade e singularidade em projetos uma importante caracterstica j

    que cada empreendimento nico e mpar, apesar de muitas similaridades existentes entre eles.

    Em todos os tipos de sistema construtivos, aps a anlise de viabilidade inicial do

    negcio, inicia-se a fase de projetos. Essa etapa essencial para que o empreendimento tenha

    qualidade, trabalhando com rapidez e economia, podendo prever a maioria dos imprevistos que

    poderiam ocorrer no meio da construo, tendo em sua concepo todos os detalhes e

    especificaes dos itens trabalhados.

    Embora a sua importncia seja unanimidade entre os que fazem parte do meio da

    construo civil, na maioria das vezes a qualidade dos projetos uma grande barreira para o

  • 26

    sucesso do empreendimento no Brasil pois essa etapa bastante depreciada. Obras se iniciam

    sem todos os projetos concludos ou sem que todos eles tenham sido compatibilizados, ficando

    evidente sua importncia quando imprevistos que poderiam ser antevistos comeam a surgir na

    hora da execuo, onde o recurso utilizado a improvisao das solues formuladas em

    projeto.

    Pode-se verificar no Brasil que os projetos so, em grande, confeccionados apenas por

    exigncias legais para que a obra possa ser iniciada e sem que os detalhes construtivos sejam

    realmente discutidos.

    Na figura 14 podemos constatar quo importante a fase de projeto em relao ao custo

    do empreendimento. A qualidade da concepo do projeto influencia diretamente na economia,

    portanto um bom projeto requer um bom planejamento oramentrio.

    Figura 14 - Capacidade de influenciar os custos do empreendimento

    Fonte: Construction Industry Institute (1987)

  • 27

    GREGRIO (2010) afirma ento que a qualidade do produto final fica comprometida

    j que muitas das decises so tomadas num momento em que a obra j foi iniciada. O que era

    para ser, portanto, uma das fases mais longas e mais importantes do processo, acaba sendo algo

    feito s pressas e sem o cuidado e preocupao que realmente deveria se ter.

    O projeto estrutural da alvenaria estrutural, como todos os outros tipos de estrutura,

    necessita atender todas as normas de segurana ao usurio e precisa tambm que seja

    compatvel com a arquitetura em questo. Alm disso, os estados limites de utilizao devem

    estar de acordo com as normas para que o usurio no tenha nenhum tipo de desconforto com

    a utilizao da estrutura.

    3.2 A compatibilizao de projetos

    O primeiro projeto de uma edificao o de arquitetura, servindo como base para os

    projetos complementares, que podem ser divididos em dois grupos principais: instalao predial

    (eltrica, hidrulica, esgoto, entre outros) e o projeto estrutural.

    Para KALIL E LEGGERINI (s.d.) um dos fatores mais importantes que afetam

    diretamente a qualidade de um projeto concebido em alvenaria estrutural a necessidade de

    haver compatibilizao entre todos os projetos da edificao.

    O conceito de compatibilizar projetos surge no momento em que um comea a

    influenciar na construo e funcionalidade de outro. Pode-se avaliar a interveno de dois

    sistemas ao sobrepor o projeto arquitetnico aos projetos complementares. Faz-se necessrio

    ento um estudo para que um no interfira na existncia do outro, e sim que coexistam

    harmonicamente na edificao e para que essas interferncias no sejam detectadas na fase de

  • 28

    construo, o que geraria uma srie de improvisos, solues no muito boas e gastos ainda

    maiores.

    importante que os projetistas dos diferentes projetos conversem entre si e evitem um

    retrabalho ou at mesmo um projeto que no funcionar no futuro. Uma condio necessria

    para que haja melhoria do desempenho dos projetos uma maior integrao entre membros que

    participam desses projetos. Para FRANCO E AGOPYAN (1993), no se consegue garantir a

    qualidade do projeto como um todo quando os projetos, apesar de um alto nvel, so tomados

    isoladamente.

    MELO (2006) acredita que aliando a atuao em conjunto dos responsveis pelo

    processo projetual com a execuo concomitante das diversas etapas de um projeto, por meio

    de um grupo multidisciplinar, muitos desses problemas de interferncia podem ser

    minimizados.

    No caso da alvenaria estrutural, compatibilizar se torna ainda mais necessrio devido

    sua dupla funo (vedao e estrutura). Como no so admitidos rasgos na parede (ou so

    permitidos pequenos rasgos) e a remoo de paredes tambm no permitida, os sistemas e

    subsistemas de uma edificao devem estar totalmente integrados para que no haja nenhuma

    necessidade de quebra da parede, o que ocasionaria numa condenao da estrutura, afetando a

    segurana.

    3.3 Coordenao Modular

    De acordo com a NBR 5706 (ABNT, 1977), coordenao modular a tcnica que

    permite relacionar as medidas de projeto por meio de um reticulado espacial modular de

  • 29

    referncia e que o conceito de mdulo a distncia entre dois planos consecutivos do sistema

    que origina o reticulado espacial modular de referncia.

    A princpio pode parecer que a ideia de utilizar esse reticulado pode tornar o projeto

    bem inflexvel. Mas TAUIL E NESSE (2010) afirmam que, muito pelo contrrio disso, projetar

    dessa maneira permite que haja uma perfeita organizao e compatibilizao dos elementos

    construtivos e medida que diminumos o mdulo do reticulado, essa flexibilidade aumenta.

    Figura 15 - Quadrcula modular - 1M / 2M / 3M

    Fonte: TAUIL E NESSE (2010)

    Deve-se atentar para no confundir a coordenao modular com a coordenao

    dimensional (ou modulao da alvenaria). A coordenao dimensional utiliza como base as

    dimenses das unidades de alvenaria, ou seja, as famlias de blocos so utilizadas para

    completar os mdulos do reticulado de referncia. ANDRADE (2000) apud ZECHMEISTER

    (2005) explica que a coordenao dimensional pode ser entendida como o emprego de padres

    de dimenso com o objetivo de criar boas relaes de escala e proporo entre partes da

    edificao. ROMAN et al. (1999) afirmam ento que a coordenao modular s pode ser

    alcanada se as unidades de alvenaria forem padronizadas. Alm disso, para este mesmo autor,

    o trabalho do arquiteto desde o incio deve ser pautado sobre uma malha modular.

  • 30

    A racionalidade inversamente proporcional qualidade da modulao da alvenaria, ou

    seja, quanto melhor esse trabalho for feito, menor vai ser o desperdcio e menor o custo da obra

    em questo. Conforme RAMALHO E CORRA (2003), as unidades escolhidas pela equipe do

    projeto sero determinantes para acertar as extenses em planta e assim chegar a uma

    modulao para um arranjo arquitetnico, de maneira a no precisar realizar cortes ou quebras

    na execuo da alvenaria. Os mesmos autores tambm constatam que a produtividade

    aumentada em 10% quando utilizada a coordenao modular.

    GREGRIO (2010) confirma a ideia acima exposta dizendo que a diminuio das

    perdas materiais advindas da quebra e corte de blocos e o aumento da produtividade so as

    principais vantagens da adoo da coordenao modular

    Pode-se afirmar ento que a modulao proporciona uma sucesso de vantagens,

    permitindo a racionalizao de vrios procedimentos, ou seja, o conceito de sistema

    racionalizado s se aplicar caso as alvenarias sejam moduladas de acordo com as medidas

    disponveis de blocos.

    3.4 Racionalizao Construtiva

    O conceito de racionalizao construtiva consiste em projetar, pensar e executar com

    economia, funcionalidade e qualidade.

    Na alvenaria estrutural, esse conceito comea a ser colocado em prtica no momento

    em que a alvenaria realiza a funo tanto de vedao quanto de estrutura. No sistema estrutural

    convencional, estrutura e vedao andam separados, o que torna a alvenaria estrutural bem

    racional nesse sentido.

  • 31

    A racionalidade da mo de obra um fator importante nesse sistema estrutural, j que

    os profissionais de armao podem ser muito reduzidos, a partir do momento que o prprio

    pedreiro que assenta os blocos coloca a ferragem dos blocos. No caso, a mo de obra dos

    armadores seria para as lajes e peas estruturais como caixa dgua e cisterna, por exemplo.

    A utilizao de blocos modulados, sem a necessidade de quebras, garante uma obra

    limpa e mais segura para os usurios. Nesse sentido tambm se aplica a racionalizao, pois

    quanto menos desperdcio e entulho na obra, menos gasto com a sua retirada, e maior eficincia

    da estrutura.

    Percebe-se, portanto, que esse conceito imprescindvel para que a alvenaria estrutural

    se torne uma alternativa vivel. Caso no haja uma etapa de projeto bem planejada, com o

    tempo realmente necessrio para que se pense em todos os problemas futuros, gastos surgiro

    no meio da execuo da obra, onerando a obra, atrasando cronograma, causando prejuzos

    irreversveis e causando uma pssima relao com o cliente.

    3.5 Erros Executivos

    O desempenho e resistncia da alvenaria so decididos na etapa de projeto. Mas para

    assegurar que esses itens sejam realmente colocados em prtica, vrios cuidados devem ser

    tomados na obra.

    imprescindvel que as especificaes e tolerncias nos processos executivos sejam

    respeitados para que o comportamento das alvenarias atenda ao modelo considerado na

    elaborao do projeto.

  • 32

    Apesar de todos os cuidados tomados, um nmero considervel de falhas pode ser

    notado em uma obra de alvenaria estrutural, colocando em risco toda a qualidade do processo,

    alm de colocarem em cheque toda a economia que esse sistema traz.

    A seguir sero expostas algumas das principais falhas encontradas nas obras.

    3.5.1 Desaprumo

    Parede desaprumada aquela que cresce com um pequeno ngulo de desvio em relao

    vertical. Para evitar esse problema, o pedreiro deve estar munido de ferramentas bsicas e

    essenciais para a construo, como linha, nvel, prumo e esquadro.

    Conforme a norma NBR 15812-2 (2010), o desaprumo das paredes no pavimento, alm

    do desalinhamento em pavimentos consecutivos, no podem superar 13 mm e tambm devem

    atender os limites de 5 mm a cada 3 m e 10 mm a cada 6 m. A figura 16 mostra bem essa

    situao.

    Figura 16 - Limite mximo para o desaprumo

    Fonte: NBR 15812-2 (2010)

  • 33

    CAMACHO (2006) afirma que as paredes construdas de maneira errada, desaprumadas

    ou desalinhadas, produzem cargas excntricas no previstas em projetos, acabando numa

    reduo da resistncia da mesma. Segundo ROMAN et al. (1999), h um enfraquecimento entre

    13 e 15% da parede se ela tiver um defeito de 12 a 20 mm.

    3.5.2 Espessura e Preenchimento das Juntas

    A norma NBR 15812-2 (2010) especifica os valores de espessura mnima e mxima

    tanto para juntas verticais como horizontais.

    Para a junta horizontal da primeira fiada, o valor mnimo de 5 mm e o mximo no

    deve ultrapassar 20 mm, podendo chegar a 30 mm em trechos de paredes com comprimentos

    inferiores a 50 cm. Caso esses valores mximos tenham que ser ultrapassados, o procedimento

    fazer um nivelamento com concreto de mesma resistncia da laje.

    Para as demais juntas, tanto verticais quanto horizontais, a espessura deve ser de 10 mm,

    com variao mxima de 3 mm.

    Figura 17 - Variaes mximas da espessura das juntas de argamassa.

    Fonte: NBR 15812-2 (2010)

  • 34

    ROMAN et al. (1999) diz que, caso as juntas no sejam completamente preenchidas, a

    resistncia da alvenaria pode ser reduzida em at 33% e que o no preenchimento das juntas

    verticais, apesar de causar pouco efeito na resistncia compresso, afeta a resistncia flexo

    e ao cisalhamento da parede.

    3.5.3 Deficincia no Grauteamento

    Como dito anteriormente, o grauteamento de certos furos dos blocos tem a finalidade

    de aumentar a resistncia da parede naquele ponto. Esses pontos so definidos em projeto e sua

    execuo deve ser fiscalizada para que no comprometa a segurana estrutural da edificao.

    Normalmente o que realizado em campo so recortes no bloco da primeira fiada

    referente posio que receber o graute, que funcionar como uma janela de inspeo. Os

    profissionais devem lavar e limpar o furo para posteriormente fazer o seu preenchimento com

    o graute. Um outro procedimento (que nesse caso seria extra) um profissional fazer furos com

    uma furadeira em diversas alturas para que se verifique a qualidade do preenchimento.

    Figura 18 - Detalhe de recortes para conferncia do grauteamento.

    Fonte: http://construcaomercado17.pini.com.br/negocios-incorporacao-

    construcao/158/execucao-de-alvenaria-estrutural-blocos-devem-chegar-paletizados-e-326581-

    1.aspx. Autor: Daniel Beneventi. (Acessado em 25/02/2018)

    http://construcaomercado17.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/158/execucao-de-alvenaria-estrutural-blocos-devem-chegar-paletizados-e-326581-1.aspxhttp://construcaomercado17.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/158/execucao-de-alvenaria-estrutural-blocos-devem-chegar-paletizados-e-326581-1.aspxhttp://construcaomercado17.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/158/execucao-de-alvenaria-estrutural-blocos-devem-chegar-paletizados-e-326581-1.aspx

  • 35

    O grauteamento incorreto ou a sua ausncia causar, portanto, uma deficincia na

    estrutura, pois aquele ponto, considerado com resistncia reforada em projeto, encontra-se

    com resistncia normal, podendo a alvenaria trincar e em casos mais extremos a probabilidade

    de colapso dessa parede. Cabe ao projetista estrutural decidir quais medidas devem ser

    adotadas para solucionar o problema.

    3.6 Propriedades Mecnicas

    A resistncia de uma alvenaria depende de uma srie de fatores, j que sua composio

    a unio de vrios componentes. Dentre esses fatores, pode-se destacar principalmente as

    caractersticas mecnicas dos materiais utilizados para a produo dessa alvenaria.

    A resistncia compresso da alvenaria definida, dentre vrias condies,

    especialmente pela resistncia compresso dos blocos, pela resistncia compresso da

    argamassa, pela espessura da argamassa e qualidade da mo de obra. FARIA (2017) afirma que

    a resistncia compresso do componente bloco predominantemente responsvel pela

    resistncia compresso da parede, mas a resistncia compresso da parede no igual

    resistncia compresso do bloco. Portanto h uma relao.

    O ideal seria ensaiar uma parede em escala real, porm no um procedimento de fcil

    realizao e tem um custo elevado. O ensaio de prisma , ento, o melhor custo benefcio para

    o clculo da resistncia compresso da parede. Segundo KALIL E LEGGERINI (s.d.), os

    resultados dos ensaios mostram que a resistncia compresso dos prismas menor do que a

    resistncia compresso dos blocos, porm maior que a resistncia compresso da

    argamassa. O ensaio de prismas regulamentado pela norma NBR 8215 Prismas de blocos

    vazados de concreto simples para a alvenaria estrutural preparo e ensaio compresso.

  • 36

    FARIA (2017) assegura tambm que a resistncia compresso do componente

    argamassa tem uma baixa influncia na resistncia compresso da parede.

    Predominantemente o papel da argamassa na junta manter os blocos unidos e absorver

    deformaes e tenses, garantindo a integridade da parede frente a essas solicitaes.

    Na interao da argamassa com o bloco as tenses que se desenvolvem nas interfaces

    entre esses dois componentes so sempre contrrias (ao e reao). As restries aos

    deslocamentos nas duas direes ortogonais, no plano de assentamento que o componente

    argamassa fica submetida, sob aes normais e tangenciais, geram no componente bloco

    tenses de trao nessas mesmas direes. KALIL E LEGGERINI (s.d.) explicam essas reaes

    devido ao fato de que a argamassa mais deformvel que o elemento bloco, portanto a tendncia

    que ela se deforme transversalmente mais que a unidade de alvenaria e j que esses elementos

    esto unidos solidariamente, so forados a se deformarem juntos e igualmente nas interfaces,

    causando esforos de compresso transversal na base e no topo das juntas e esforos de trao

    transversal de valores iguais, nas faces inferior e superior da alvenaria.

    Figura 19 Tenses no bloco e na junta de argamassa devido aplicao de carga de

    compresso axial

    Fonte: SABBATINI (1984)

  • 37

    KALIL E LEGGERINI (s.d.) concluem, portanto, que a resistncia da alvenaria diminui

    se a espessura da junta aumentar, j que h o aumento do esforo de trao transversal da

    unidade de bloco. Alm disso, concluem tambm que a resistncia da alvenaria aumenta de

    acordo com o aumento da altura da unidade de bloco pois quanto maior a altura da unidade,

    mais ela se deforma transversalmente, gerando um menor valor de tenso transversal na

    interface unidade/argamassa e tambm pelo fato de que a seo transversal resistente ao esforo

    maior. As mesmas autoras finalizam ainda dizendo que a resistncia compresso da

    alvenaria aumenta de acordo com o aumento da resistncia compresso da unidade de bloco,

    j que o valor da resistncia trao transversal tambm aumentou.

    FARIA (2017) limita a resistncia compresso da argamassa a uma faixa entre 0,7 da

    resistncia caracterstica compresso do bloco referido a rea bruta. A NBR 15961-1 (2011)

    preconiza que o valor mximo da resistncia compresso deve ser limitada a 0,7 da resistncia

    caracterstica compresso do bloco, referido rea lquida.

    Ao se especificar uma argamassa com resistncia compresso muito baixa em relao

    do bloco, teremos uma queda na resistncia compresso da parede. E o contrrio, caso se

    especifique uma argamassa com resistncia compresso muito alta em relao do bloco, se

    obter uma alvenaria com baixa capacidade de acomodar deformaes e tenses, e com

    probabilidade de aparecimento de fissuras. Nesse ltimo caso, a ruptura da alvenaria se d por

    esmagamento do componente bloco.

    3.7 Norma de Desempenho NBR 15575

    Para VITTORINO (2017), as normas de desempenho representam os requisitos

    qualitativos dos usurios em critrios objetivos e elas no substituem as normas prescritivas,

  • 38

    que so aquelas que fixam tipo e qualidade de materiais, espessuras mnimas, etc., mas sim so

    complementares a elas.

    Essa norma dividida em 6 partes, sendo elas: requisitos gerais, sistemas estruturais,

    sistemas de pisos, sistemas de vedaes internas e externas, sistemas de coberturas e sistemas

    hidrossanitrios. O presente trabalho tratar da Parte 4 da norma: Sistemas de Vedaes

    Verticais Internas e Externas (SVVIE).

    A alvenaria desempenha funes tais como vedao, separao de ambientes,

    proporcionam estanqueidade, isolamento trmico entre outros. Alm disso, no caso de alvenaria

    estrutural, ela tambm assume a funo de estrutura da edificao.

    Na parte 1 da NBR 15575, so apresentadas as exigncias que necessitam ser atendidas

    pela edificao. No nvel de segurana, exige-se a segurana estrutural, contra incndio e no

    uso e na operao. No nvel de habitabilidade, os fatores exigidos so de estanqueidade,

    desempenho trmico, acstico e lumnico, sade, higiene e qualidade do ar, funcionalidade e

    acessibilidade e conforto ttil e antropodinmico. Finalmente, a nvel de sustentabilidade, so

    exigidos durabilidade, manutenibilidade e impacto ambiental.

    3.7.1 Segurana Estrutural

    Os requisitos especificados de segurana estrutural exigem que a estrutura no ruina ou

    perca estabilidade, alm de fornecer segurana aos usurios em momentos que a estrutura esteja

    sob ao de choques, impactos e vibraes. Todos os componentes estruturais da edificao,

    incluindo-se obras geotcnicas, devem ser estveis e apresentar segurana estrutural.

    Fissuraes de vedao e acabamentos devem estar em nveis aceitveis, e instalaes devem

    funcionar normalmente com as deformaes de elementos estruturais.

  • 39

    Como as paredes so elementos da estrutura e previamente planejadas e calculadas, os

    requisitos estruturais, tenses e deformaes e uma vida til mnima de 50 anos so garantidos

    pelas normas de clculo estrutural referente alvenaria estrutural.

    3.7.2 Segurana Contra Incndio

    As edificaes devem facilitar e possibilitar a sada de ocupantes da edificao e

    segurana em situaes de incndio, assegurando que o socorro ao pblico tambm seja

    acessvel, com a entrada de equipamentos e recursos humanos.

    Os revestimentos das paredes e os blocos so elementos fundamentais na estabilidade e

    isolao trmica (para-chamas), pois as paredes e seus componentes devem impedir ou

    dificultar que o fogo se alastre, alm de no gerar fumaa em excesso, garantindo que as pessoas

    possam escapar em casos de incndio.

    Como as alvenarias com blocos de concreto (revestidas com gesso ou argamassa base

    de cimento, ou sem revestimento) so materiais incombustveis, elas ficam isentas de

    comprovao de alguns requisitos tais como: dificultar a ocorrncia da inflamao generalizada

    e dificultar a propagao do incndio. Para o requisito dificultar a propagao do incndio e

    preservar a estabilidade estrutural da edificao, devem ser seguidas as normas NBR 5628

    Componentes construtivos estruturais Determinao da resistncia ao fogo e a norma NBR

    10636 Paredes divisrias sem funo estrutural Determinao da resistncia ao fogo.

    O Laboratrio de Ensaios e Modelos Estruturais (LEME), da Universidade Federal do

    Rio Grande do Sul (UFRGS) realizou ensaios baseados nas normas citadas acima em segmentos

    de paredes de blocos de concreto com dimenses de 800x800x190 mm), compostos por blocos

    inteiros e amarrao de meio bloco, argamassa industrializada com juntas de 10 mm tanto na

  • 40

    horizontal quanto na vertical, sem revestimento, 28 dias aps o assentamento. Os blocos

    ensaiados foram de variadas dimenses e resistncia, a saber: 190x190x390 mm, com

    resistncia de 4 MPa; 140x190x390 mm, com resistncia de 4 MPa; 140x190x390 mm, com

    resistncia de 9 MPa. Todos eles foram expostos a 900C durante um perodo de 4 horas. A

    concluso dos ensaios foi que o tempo de resistncia do bloco, nas condies de ensaio

    adotadas, era superior a 4 horas e que a sua estanqueidade a gases quentes foi satisfatria, pois

    resistiu ao tempo total de ensaio sem permitir o vazamento de gases quentes.

    3.7.3 Segurana no Uso e na Operao

    Como j sabido, a alvenaria estrutural traz consigo uma grande desvantagem que a

    impossibilidade ou grandes restries no que se diz respeito a remoo de paredes, o que

    acarreta em dificuldade de mudana de layout dos ambientes internos.

    Este item aborda a segurana no uso e na operao, ou seja, possveis alteraes no

    layout por parte dos usurios devem ser previstas. Dentre essas alteraes podemos destacar

    mudanas nas instalaes, cargas suspensas nas alvenarias e outras mudanas que possam

    acarretar em um comprometimento da estrutura. Porm, o usurio nesse caso fica restrito

    alteraes de remoo de paredes, j que comprometeria totalmente a segurana estrutural.

    Essas informaes pertinentes segurana da alvenaria so passadas nos termos de recebimento

    da edificao.

    Para as instalaes, fornecido ao usurio um manual do usurio, no qual so

    especificadas cotas de instalaes hidrossanitrias, ficando por responsabilidade do usurio o

    mal uso.

  • 41

    3.7.4 Estanqueidade

    A estrutura deve ser totalmente estanque, no permitindo, portanto, entrada de gua de

    chuva e entrada de umidade vinda do solo. O conjunto alvenaria-esquadria deve ser o mais

    observado para esse requisito. As melhores tcnicas e materiais devem ser utilizados para que

    no infiltre gua na interseo dos dois e para que no permita a ocorrncia de manchas de

    umidade nas paredes. Para isso, deve-se cumprir os requisitos da norma NBR 13749

    Revestimento de paredes e tetos de argamassa inorgnicas e a NBR 7200 Execuo de

    revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgnicas.

    Em relao estanqueidade gua de chuva considerando-se a ao dos ventos, SILVA

    (2014) afirma que as alvenarias de bloco de concreto que seguem a norma NBR 6136 tem

    potencial para atender esse requisito. Alm disso, deve cumprir tambm os requisitos das

    normas citadas acima. As paredes sem revestimento devem ser protegidas atravs da aplicao

    de resina impermeabilizante na face externa.

    Deve-se atentar tambm para ambientes de rea molhveis. A alvenaria no deve

    permitir que a gua do cho em contato com ela penetre em nveis estabelecidos por norma.

    3.7.5 Desempenho Trmico

    O desempenho trmico envolve diversas variveis como a insolao, ventilao,

    dimenso dos ambientes, conduo de calor pelos materiais e da interao destas variveis com

    o ambiente construdo, alm de topografia e orientao da fachada.

    O territrio brasileiro dividido em 8 zonas bioclimticas e o conforto trmico deve ser

    atendido dentro dessas zonas, que so relativamente homogneas quanto aos elementos

    climticos que interferem nas relaes entre ambiente construdo e conforto humano.

  • 42

    Por norma, so utilizados dois mtodos para a avaliao do desempenho trmico das

    alvenarias externas: o procedimento simplificado e a simulao computacional. A avaliao

    completa efetuada por simulao computacional. No vero e no inverno, as condies internas

    devem ser melhores ou iguais s do ambiente externo, num dia tpico de vero e inverno.

    O Manual de Desempenho de Alvenaria de Blocos de Concreto (2014) afirma que as

    construes com SVVIE de blocos de concreto obtm uma classificao de desempenho

    trmico Superior.

    3.7.6 Desempenho Acstico

    Envolve o comportamento do som no ambiente construdo. A acstica torna-se vital,

    porm, em edificaes de uso especfico, tais como salas de aula, auditrios, teatros, cinemas,

    estdios de gravao, etc.

    Em edificaes habitacionais, deve-se apresentar isolamento acstico adequado das

    vedaes externas referentes a rudos advindos do exterior da edificao, alm de isolamento

    acstico entre as reas comuns do edifcio e das unidades privativas. Quanto mais barulhento o

    exterior, maior ser o requisito para as paredes.

    Devem ser feitas avaliaes nos dormitrios das unidades habitacionais com portas e

    janelas fechadas, atendendo a um desempenho mnimo fixado na norma de desempenho, sendo

    este o ambiente mais rigoroso. Alm do dormitrio, as alvenarias entre ambientes tambm

    devem ser avaliadas com portas e janelas fechadas, tambm seguindo desempenho mnimo pela

    mesma norma.

  • 43

    3.7.7 Durabilidade e Manutenibilidade

    A ISO 13823 apud. POSSAN e DEMOLINER (2013) define a durabilidade como a

    capacidade de uma estrutura ou de seus componentes de satisfazer, com dada manuteno

    planejada, os requisitos de desempenho do projeto, por um perodo especfico de tempo sob

    influncia das aes ambientais, ou como resultado do processo de envelhecimento natural.

    Devem ser atendidos, portanto, requisitos de durabilidade dos sistemas do edifcio,

    durabilidade dos elementos e componentes dos sistemas, ou seja, devem cumprir as funes

    que lhes foram atribudas. O perodo de tempo entre o sistema comeara funcionar e deixar de

    desempenhar o seu papel se chama vida til de projeto (VUP).

    A tabela 5 apresenta a vida til das paredes, o tempo que ela deve manter a capacidade

    funcional e as caractersticas estticas.

    Tabela 5 Vida til de Projeto de uma alvenaria

    Fonte: Manual de desempenho Alvenaria de blocos de concreto (ABCP, 2014)

    A manuteno deve ser realizada preventivamente alm de manutenes corretivas

    sempre que necessrias, quando um problema se manifestar a fim de evitar que falhas (mesmo

    que pequenas) progridam rapidamente.

  • 44

    Para as paredes de blocos de concreto, os pontos mais vulnerveis para o cumprimento

    da vida til de projeto so os revestimentos e as pinturas.

    3.7.8 Impacto Ambiental

    Este item tem a inteno de orientar os projetos de modo a minimizar as alteraes e

    impactos no ambiente, dado que a construo civil um dos setores que mais produzem resduo

    e geram impacto ambiental no mundo.

    Nos projetos, usa-se uma Anlise de Ciclo de Vida para mensurar e comparar os

    impactos ambientais que os materiais de construo causam no ambiente a longo prazo, o que

    acaba esbarrando na complexidade e nos custos de implementao dos produtos e servios.

    Para os projetos em alvenaria estrutural, a racionalizao um dos princpios bsicos

    de projeto. A modulao faz com que a necessidade de cortes seja reduzida praticamente a zero,

    os furos nos blocos permitem passagem de instalao eltrica sem necessidade de rasgos e a

    qualidade do bloco admitem uma pequena espessura de revestimento. Apesar disso, a

    construtora deve ter um plano de gesto de resduos na obra para facilitar o reuso, a reciclagem

    ou a disposio final dos resduos em locais apropriados.

  • 45

    4 PROJETO

    O objetivo desse trabalho elaborar um pr-dimensionamento estrutural de alvenaria

    modulada de blocos vazados de concreto, segundo o projeto arquitetnico mostrado na figura

    21.

    Figura 20 - Planta baixa do pavimento tipo

    Fonte: Autor

  • 46

    A seguir, nas figuras 22 e 23, so apresentados os cortes longitudinal e transversal da

    edificao.

    Figura 21 - Corte Longitudinal

  • 47

    Figura 22 - Corte Transversal

    4.1 Dados do Projeto

    Dimenses em planta: Lx = 15,67m; Ly = 16,53m.

    Nmero de pavimentos: 4;

    P direito piso piso: h = 2,72 m;

    P direito adotado para projeto (descontando laje e revestimento do piso): h =

    2,60 metros;

    Vos: as portas possuem altura de 2,10 metros e largura variando de acordo com

    o cmodo e as janelas tem peitoril igual a 1,00 m e 1,20 m. As dimenses a

  • 48

    serem consideradas no projeto modulado das alvenarias so medidas de bloco a

    bloco, portanto sem revestimentos);

    Altura total: 10,88 m;

    Largura dos blocos de concreto igual a 14 cm;

    Espessura do revestimento interno: 1 centmetro

    Espessura do revestimento externo: 2,5 centmetros

    Utilizao de laje pr-moldada de 12 centmetros de espessura;

    As dimenses dos blocos foram definidas em fase inicial de projeto. Pela

    Tabela 1 Dimenses padronizadas da NBR 6136 (ABNT, 2016), foi

    escolhida a famlia 15 x 40.

    4.2 Anlise Para Modelagem da Estrutura do Edifcio

    4.2.1 Definio das Parede Estruturais

    Ao receber o projeto arquitetnico do cliente, identificou-se que o shaft externo proposto

    que serviria para abrigar as instalaes do banheiro seria mais oneroso, e como havia outras

    alternativas mais racionais foi recomendada a alterao. A alternativa dada, ento, foi que a

    parede estrutural que divide os dois banheiros virasse uma parede de vedao na qual

    poderamos embutir todas as instalaes necessrias. Alm disso, a parede que contm as portas

    dos dois banheiros e a parede que contm a porta da sute tambm foram transformadas em

    alvenaria de vedao. A seguir, na figura 24, essas paredes esto destacadas.

  • 49

    Figura 23 - Eliminao do shaft e definio das paredes estruturais

    Todas as outras paredes, com exceo das destacadas acima, sero consideradas como

    estrutural para efeitos de clculo.

    4.2.2 Pr Moldados

    Os materiais pr-moldados utilizados no projeto sero, alm dos prprios blocos de

    concreto, a escada que d acesso aos pavimentos, que ser do tipo escada-jacar e as lajes.

  • 50

    Sero necessrias 3 escadas por bloco, portanto 36 escadas no total. Para a sua colocao

    ser necessria a colocao de consoles nas paredes laterais da escada que serviro de apoio

    para as peas.

    Para o projeto em questo, foi feita a escolha de laje pr-moldada treliada, macia de

    12 centmetros de espessura, com trelia de 8 cm de altura, TR8 mais 4 cm de capa.

    4.3 Memria de Clculo

    Aqui sero apresentados os passos de clculos para o desenvolvimento do projeto

    estrutural.

    4.3.1 Carregamentos

    As cargas que atuam no edifcio e devem ser consideradas para o clculo so

    classificadas em verticais e horizontais. Para as cargas verticais, teremos dois tipos: as

    permanentes, que atuam com valores praticamente constantes (ou com pequena variao)

    durante a vida til da construo (peso prprio, revestimento e todas as instalaes

    permanentes, por exemplo) e as cargas verticais variveis, que como o prprio nome diz, variam

    de intensidade durante toda a vida til e atuam na edificao em funo do seu uso (sobrecarga

    acidental, por exemplo)

    4.3.1.1 Cargas Permanentes

    Para o clculo das cargas permanentes, se faz necessrio o uso dos pesos especficos dos

    materiais utilizados. A tabela 6 a seguir nos traz esses valores.

  • 51

    Tabela 6 - Peso especfico aparente dos componentes e materiais

    4.3.1.1.1 Peso das Paredes

    Para se chegar ao peso prprio das paredes, considera-se um p direito de 2,60 metros,

    a largura do bloco de 14 centmetros e o peso especfico deste de 14 kN/m. Alm disso, deve-

    se tambm considerar o peso especfico do revestimento neste clculo.

    O peso prprio das paredes ento dado por:

    = ( ) +

    = (14/ 0,14 2,6) + 1,48/ = , /

    Obtem-se ento que o peso prprio da parede dado por metro. Para saber o peso total

    de uma parede basta, portanto, multiplicar pela extenso total da mesma.

    4.3.1.1.2 Peso da Laje

    Como dito anteriormente, a laje escolhida pr-moldada treliada, macia de 12

    centmetros de espessura, com trelia de 8 cm de altura, TR8 mais 4 cm de capa. Portanto, o

    peso da laje dado por:

    = 25

    0,12 = , /

    Bloco de Concreto 14 kN/m

    Argamassa de Assentameto 19 kN/m

    Concreto Armado 25 kN/m

    Revestimento + Piso 1 kN/m

  • 52

    4.3.1.1.3 Peso do Revestimento e do Piso

    O peso do conjunto revestimento e piso ser adotado como igual a 1,0 kN/m.

    4.3.1.2 Cargas Variveis

    A tabela 7 traz os valores de sobrecargas em cada compartimento do edifcio.

    Tabela 7 - Cargas Verticais Variveis

    Fonte: NBR 6120

    4.3.2 reas de Influncia

    A partir da planta baixa e utilizando a ferramenta AutoCAD, pode-se aferir a rea de

    influncia de cada laje, descarregando nas respectivas paredes.

    Elas sero modeladas rotuladas em funo das reduzidas dimenses dos vos. Portanto,

    pode-se considerar um ngulo de distribuio de 45 a partir das intersees das paredes para

    encontrar a rea de influncia das lajes para cada parede. Em paredes que contm aberturas,

    ser traado uma perpendicular essa abertura at interceptar a linha mais prxima. No

    dimensionamento das lajes, que no ser desenvolvido neste trabalho, recomenda-se o emprego

    de armaduras negativas construtivas, mesmo na considerao de clculo adotada neste trabalho.

    Ao se analisar a planta do edifcio, percebe-se que os apartamentos so totalmente

    simtricos, se fazendo necessrio ento o clculo de apenas um apartamento e o hall do

    pavimento.

    A figura 25 mostra a identificao das paredes e seus respectivos comprimentos.

    1,5 kN/m (dormitrio, sala, copa, cozinha e banheiro)

    2 kN/m (despensa, rea de servio e lavanderia)

    2,5 kN/m (escada)

    Sobrecarga

  • 53

    Figura 24 - Numerao das paredes

    4.3.3 Determinao das Resistncias dos Blocos

    Para chegar resistncia mnima dos blocos em cada pavimento, deve-se primeiramente

    calcular a tenso que cada parede recebe.

  • 54

    4.3.3.1 Carregamento Permanente e Varivel da Reao da Laje

    Calcula-se o peso prprio da laje (Rglaje) como sendo o seu peso encontrado nos item

    3.3.1.1.2 (3,00 kN/m) acrescidos do peso do revestimento (1,00 kN/m) multiplicado pela rea

    de influncia da respectiva laje (m).

    Para as cargas variveis, tem-se as sobrecargas que variam de acordo com a utilizao

    do ambiente, como citado em 3.3.1.2. Assim como na carga permanente, para chegar

    sobrecarga (Rqlaje), multiplica-se o peso da carga varivel pela rea de influncia da respectiva

    laje.

    Tabela 8 - Reao da Laje

    Px1 5,05 3,47 0,12 3,00 1,00 13,88 1,50 5,21

    Py9 0,74 1,02 0,12 3,00 1,00 4,08 1,50 1,53

    Py12 4,08 6,88 0,12 3,00 1,00 27,52 1,50 10,32

    Py16 0,37 0,36 0,12 3,00 1,00 1,44 2,00 0,72

    Px2 2,3 5,09 0,12 3,00 1,00 20,36 1,5 7,64

    Py8 0,97 1,03 0,12 3,00 1,00 4,12 1,5 1,55

    Px4 0,96 1,67 0,12 3,00 1,00 6,68 1,5 2,51

    Py15 2,64 2,52 0,12 3,00 1,00 10,08 1,5 3,78

    Py7 1,22 1,65 0,12 3,00 1,00 6,60 1,5 2,48

    Px5 2,69 1,39 0,12 3,00 1,00 5,56 2,5 3,48

    Py19 2,95 6,75 0,12 3,00 1,00 27,00 1,5 10,13

    Py22 2,95 6,75 0,12 3,00 1,00 27,00 2,5 16,88

    Px7 2,34 4,92 0,12 3,00 1,00 19,68 1,5 7,38

    Py6 0,75 0,77 0,12 3,00 1,00 3,08 1,5 1,16

    Py20 1,61 3,85 0,12 3,00 1,00 15,40 2,5 9,63

    Px9 6,24 10,36 0,12 3,00 1,00 41,44 1,5 15,54

    Py5 1,65 2,02 0,12 3,00 1,00 8,08 1,5 3,03

    Py11 3,64 14,98 0,12 3,00 1,00 59,92 1,5 22,47

    Py18 0,4 2,19 0,12 3,00 1,00 8,76 1,5 3,29

    Px11 0,69 2,19 0,12 3,00 1,00 8,76 1,5 3,29

    Py17 2,95 2,19 0,12 3,00 1,00 8,76 1,5 3,29

    L (m)Parede Alaje(m) hlaje(m) PPlaje(kN/m)Sobrecarga

    laje(kN/m)Rqlaje(kN)Rglaje(kN)PPrev(kN/m)

  • 55

    4.3.3.2 Peso Prprio das Paredes

    Definidas as nomenclaturas e extenso das paredes anteriormente, o clculo do peso

    destas pode ser realizado.

    O peso de cada parede dado pelo peso prprio dela por unidade linear, encontrado em

    3.3.1.1.1, multiplicado pela extenso dela.

    A tabela 9 traz o valor do peso prprio de cada parede.

    Tabela 9 - Peso prrio de cada parede

    Px1 5,05 6,58 33,23

    Py9 0,74 6,58 4,87

    Py12 4,08 6,58 26,85

    Py16 0,37 6,58 2,43

    Px2 2,3 6,58 15,13

    Py8 0,97 6,58 6,36

    Px4 0,96 6,58 6,32

    Py15 2,64 6,58 17,37

    Py7 1,22 6,58 8,03

    Px5 2,69 6,58 17,70

    Py19 2,95 6,58 19,41

    Py22 2,95 6,58 19,41

    Px7 2,34 6,58 15,40

    Py6 0,75 6,58 4,94

    Py20 1,61 6,58 10,59

    Px9 6,24 6,58 41,06

    Py5 1,65 6,58 10,86

    Py11 3,64 6,58 23,95

    Py18 0,4 6,58 2,63

    Px11 0,69 6,58 4,54

    Py17 2,95 6,58 19,41

    L (m)Parede PP (kN)PP (kN/m)

  • 56

    As parcelas das aberturas para esquadrias foram contabilizadas nas paredes adjacentes,

    metade para cada uma delas, j que a linha de influncia parte de sua metade. A partir das

    dimenses das aberturas (h e L), foram descontados os pesos dos blocos e argamassa ali

    existentes.

    Tabela 10 - Peso prprio da abertura

    O peso total permanente em cada laje (RTglaje) a soma do peso da parede, com o peso

    da abertura e o da laje. J o peso total varivel (RTqlaje) a prpria sobrecarga.

    Px1

    Py9 1,21 3,52 1,21 2,13

    Py12

    Py16 1,01 4,02 0,96 1,93

    Px2

    Py8 1,82 8,55 1,82 7,78

    Px4 1,21 3,52 1,16 2,04

    Py15 1,01 4,02 0,96 1,93

    Py7 1,22 10,07 1,22 6,14

    Px5 1,21 3,52 1,16 2,04

    Py19

    Py22

    Px7

    Py6 1,82 8,55 1,82 7,78

    Py20

    Px9

    Py5 2,42 7,03 2,42 8,51

    Py11

    Py18

    Px11

    Py17

    Parede PPabertura(kN)L abertura(m)PPabertura(kN)h abertura(m)

  • 57

    Tabela 11 - Peso total na laje

    Os valores de RTg e RTq dizem respeito a apenas 1 pavimento. Posteriormente ser

    feita a anlise da resistncia em cada um dos pavimentos.

    4.3.3.3 Agrupamento das Paredes

    A partir deste ponto agrupam-se as paredes, limitando-as pelas aberturas de esquadrias,

    adotando as cargas e os comprimentos por grupo.

    O agrupamento de paredes um processo no qual todas as cargas verticais da parede

    que compe cada grupo so uniformizadas. Isso necessrio pois h uma interao entre as

    paredes, e caso fossem consideradas isoladamente, haveria uma minorao de carga em

    RTglaje(kN) RTqlaje(kN)

    Px1 47,11 5,21

    Py9 11,08 1,53

    Py12 54,37 10,32

    Py16 5,81 0,72

    Px2 35,49 7,64

    Py8 18,26 1,55

    Px4 15,04 2,51

    Py15 29,38 3,78

    Py7 20,77 2,48

    Px5 25,30 3,48

    Py19 46,41 10,13

    Py22 46,41 16,88

    Px7 35,08 7,38

    Py6 15,80 1,16

    Py20 25,99 9,63

    Px9 82,50 15,54

    Py5 27,45 3,03

    Py11 83,87 22,47

    Py18 11,39 3,29

    Px11 13,30 3,29

    Py17 28,17 3,29

    Parede

    1o Pavimento

  • 58

    algumas paredes e uma majorao em outras, tornando o projeto deficiente e desfavorvel

    economia. Com a utilizao desse processo de agrupamento, o projeto fica seguro, econmico

    e resulta em cargas adequadas para estruturas de apoio.

    Portanto, tem-se 9 grupos de paredes. Estes sero organizados por sua extenso e cargas

    permanentes e variveis totais.

    Tabela 12 - Grupo de paredes

    Grupo Paredes por Grupo1 PX1, PY9, PY12, PY16 10,24 118,36 17,782 PX2, PY8 3,267 53,76 9,183 PX4, PY15 3,6 44,42 6,294 PY7 1,22 20,77 2,485 PX5, PY19, PY22 8,59 118,12 30,486 PX7, PY6 3,09 50,87 8,547 PY20 1,61 25,99 9,638 PX9, PY5, PY11, PY18 11,93 205,21 44,339 PX11, PY17 3,64 41,47 6,57

    Tipo

    GRUPO DE PAREDES - CARREGAMENTO Gtotal (kN)L(m)

    Qtotal (kN)

  • 59

    4.3.3.4 Dimensionamento Compresso

    O dimensionamento da alvenaria compresso simples dado pela seguinte frmula:

    =

    No qual:

    NRD a fora normal resistente de clculo;

    fd a resistncia compresso de clculo da alvenaria;

    A a rea da seo resistente;

    R um fator de reduo devido esbeltez da parede, dado por:

    = [1 (

    40) ]

    e

    =

    Sendo:

    hef a altura efetiva, que compreende o p direito e a laje, portanto: 2,6 + 0,12 =

    2,72m;

    tef a espessura efetiva, neste caso 0,14m que a espessura do bloco.

    Portanto,

    = [1 (2,72

    40 0,14) ] 0,89

  • 60

    NRD pode ser escrito como: = = 1,4 ;

    Assim como pode ser reescrito como:

    =

    =

    2,0.

    A rea da seo a espessura do bloco multiplicada pela extenso (L) da parede.

    Substituindo todos os valores na equao, temos:

    1,4 =

    2,0 (0,14 ) 0,89

    = 1,4 2,0

    0,14 0,89

    Logo,

    = 22,6

    Onde fk a fora resistente da parede em kN/m e Fk a resistncia caracterstica total

    somando a carga permanente com a varivel, em kN.

    Para relacionar a resistncia da parede com a resistncia nominal do bloco, devemos

    usar a relao com a resistncia caracterstica do prisma fpk:

    = 0,7

    Portanto:

    = 33,3

  • 61

    Fk ser a carga total atuante (permanente + varivel), enquanto que L o comprimento

    do grupo de paredes. Lembrando que a carga foi obtida para apenas 1 pavimento. Multiplicando

    esta razo para todos os pavimentos temos a seguinte configurao:

  • 62

    Gru

    po

    Par

    ed

    es

    po

    r G

    rup

    oG

    (kN

    /m)

    Q (

    kN/m

    )G

    (kN

    /m)

    Q (

    kN/m

    )G

    (kN

    /m)

    Q (

    kN/m

    )G

    (kN

    /m)

    Q (

    kN/m

    )1

    PX

    1, P

    Y9, P

    Y12

    , PY1

    61

    0,2

    41

    18

    ,36

    17

    ,78

    11

    ,61

    ,72

    3,1

    3,5

    34

    ,75

    ,24

    6,2

    6,9

    2P

    X2

    , PY8

    3,2

    67

    53

    ,76

    9,1

    81

    6,5

    2,8

    32

    ,95

    ,64

    9,4

    8,4

    65

    ,81

    1,2

    3P

    X4

    , PY1

    53

    ,64

    4,4

    26

    ,29

    12

    ,31

    ,72

    4,7

    3,5

    37

    ,05

    ,24

    9,4

    7,0

    4P

    Y71

    ,22

    20

    ,77

    2,4

    81

    7,0

    2,0

    34

    ,04

    ,15

    1,1

    6,1

    68

    ,18

    ,15

    PX

    5, P

    Y19

    , PY2

    28

    ,59

    11

    8,1

    23

    0,4

    81

    3,8

    3,5

    27

    ,57

    ,14

    1,3

    10

    ,65

    5,0

    14

    ,26

    PX

    7, P

    Y63

    ,09

    50

    ,87

    8,5

    41

    6,5

    2,8

    32

    ,95

    ,54

    9,4

    8,3

    65

    ,91

    1,0

    7P

    Y20

    1,6

    12

    5,9

    99

    ,63

    16

    ,16

    ,03

    2,3

    12

    ,04

    8,4

    17

    ,96

    4,6

    23

    ,98

    PX

    9, P

    Y5, P

    Y11

    , PY1

    81

    0,8

    61

    98

    ,17

    44

    ,33

    18

    ,24

    ,13

    6,5

    8,2

    54

    ,71

    2,2

    73

    ,01

    6,3

    9P

    X1

    1, P

    Y17

    3,6

    44

    1,4

    76

    ,57

    11

    ,41

    ,82

    2,8

    3,6

    34

    ,25

    ,44

    5,6

    7,2

    Tip

    o3

    p

    avG

    RU

    PO

    DE

    PA

    RED

    ES -

    CA

    RR

    EGA

    MEN

    TO2

    p

    av1

    p

    avG

    tota

    l (kN

    )L(

    m)

    4

    pav

    Qto

    tal (

    kN)

    Fk/L

  • 63

    Utilizando a frmula acima que relaciona Fk/L com a resistncia do prisma, e dividindo

    o valor resultante por 1000, temos as seguintes resistncias de prisma em MPa:

    A partir da determinao da resistncia do prisma, consulta-se a tabela a seguir.

    Tabela 13 - Relaes de resistncias por fbk

    Fonte: FARIA (2017)

    Analisando todos os pavimentos, nenhum grupo de paredes exigiu fpk acima de 3,2MPa,

    portanto usa-se fbk = 4MPa em todos os pavimentos do projeto.

    4 pav 3 pav 2 pav 1 pavGrupo Paredes por Grupo Fpk (MPa) Fpk (MPa) Fpk (MPa) Fpk (MPa)

    1 PX1, PY9, PY12, PY16 0,44 0,89 1,33 1,772 PX2, PY8 0,64 1,28 1,92 2,573 PX4, PY15 0,47 0,94 1,41 1,884 PY7 0,63 1,27 1,90 2,545 PX5, PY19, PY22 0,58 1,15 1,73 2,306 PX7, PY6 0,64 1,28 1,92 2,567 PY20 0,74 1,47 2,21 2,958 PX9, PY5, PY11, PY18 0,74 1,49 2,23 2,979 PX11, PY17 0,44 0,88 1,32 1,76

    Resistncia do PrismaGRUPO DE PAREDES - CARREGAMENTO

    fbk FEprisma fpk FEgraute fpkgrauteado fa fgk ftk o fk

    4,0 0,80 3,20 0,80 5,80 4,00 8,00 0,20 0,15 2,24

    6,0 0,77 4,62 0,80 8,30 4,00 12,00 0,20 0,15 3,23

    8,0 0,74 5,90 0,80 10,70 5,00 16,00 0,20 0,15 4,14

    10,0 0,72 7,20 0,80 13,00 7,00 20,00 0,20 0,15 5,04

    12,0 0,69 8,28 0,80 14,90 8,00 24,00 0,20 0,35 5,80

    14,0 0,66 9,24 0,80 16,60 9,00 28,00 0,20 0,35 6,47

    16,0 0,64 10,24 0,80 18,40 11,00 32,00 0,20 0,35 7,17

    18,0 0,60 10,80 0,80 19,40 12,00 36,00 0,20 0,35 7,56

    20,0 0,60 12,00 0,80 21,60 14,00 40,00 0,20 0,35 8,40

    22,0 0,60 13,20 0,80 23,80 15,00 44,00 0,20 0,35 9,24

  • 64

    4.3.4 Concluses Sobre o Projeto

    Comparando os resultados das tenses verticais e verticais incluindo o vento com os

    resultados obtidos neste trabalho, sem a considerao das aes horizontais, concluiu-se que

    para edifcios com a tipologia adotada e baixa altura, o clculo simplificado elaborado

    manualmente no compromete a segurana nem a economia.

    Como as tenses verticais atuantes so muito reduzidas em relao a resistncia mnima

    compresso a ser obedecida para prismas de dois blocos de concreto, fica como sugesto para

    os prximos trabalhos a investigao dos limites de altura econmicos e seguros considerando

    as tenses devidas ao vento e desaprumo empregando-se modelos simplificados como cantiliver

    e mais elaborado como por associao de prticos planos e comparando-os com os resultados

    de modelos que empregam prtico espacial.

    Foi utilizado o software de clculo estrutural TQS para realizar essa comparao, que

    apresentada na tabela a seguir.

  • 65

    A seguir so apresentados os diagramas de tenses de compresso devidas ao

    carregamento de vento e desaprumo modeladas atravs do software CadAlvest TQS que

    considera o modelo em prtico espacial, para os grupos de parede G1 e G8, valores em tf/m2.

    .

    Grupo vertical(MPa) verticais+vento(MPa)

    1 1,76 2,16

    2 1,93 2,04

    3 1,6 1,81

    4

    5 2,1 2,3

    6 1,9 2,02

    7

    8 2,2 2,7

    9 1,9 1,9

    TQS

  • 66

    4.4 A Tecnologia BIM

    MENEGOTTO (2015) define que a metodologia BIM (Building Information Modeling,

    ou Building Information Management, de acordo com alguns autores) uma metodologia de

    projeto que utiliza como o elemento central de trabalho o modelo tridimensional virtual do

    objeto projetado. Para esse mesmo autor, a metodologia est presente na totalidade dos

    aspectos envolvidos na indstria da construo civil, como por exemplo a construo, o

    gerenciamento e a fabricao de componentes construtivos.

  • 67

    No presente trabalho, utilizou-se o software de modelagem 3D Revit (que utiliza essa

    tecnologia), no qual a famlia dos blocos utilizados foi modelada no prprio software (figura

    29) e os blocos foram utilizados para o desenho da primeira e segunda fiadas, mostrados na

    figura 30.

    Figura 25 - Famlia 39 em 3D. Fonte: AUTOR (2018).

    Figura 26 Primeira e segunda fiadas. Fonte: AUTOR (2018).

  • 68

    A locao dos blocos foi feita respeitando a distncia entre eles de 1cm para a colocao

    da argamassa. Nos encontros de paredes foram respeitadas as amarraes em T, com o bloco

    de 54cm ou em L, com o bloco de 34cm.

    Nem sempre foi possvel respeitar risca as medidas estipuladas pelo projeto

    arquitetnico: foram feitas pequenas alteraes da ordem de centmetros na planta, de modo em

    que se respeitasse as regras de locao de blocos e a distncia para preenchimento da argamassa,

    que em algumas vezes ultrapassou a distncia de 1cm. Quando no se pde preencher as paredes

    com blocos inteiros de 39cm, foram colocados os blocos compensadores de 4cm ou 9cm para

    completar a locao da parede. Esta compensao foi feita por vezes no meio da parede, para

    que os cantos ficassem com os blocos L ou T, como indicado pela Norma.

    Nos vos das portas, foram adotadas as seguintes distncias:

    a) Porta de 80cm - Vo de 91cm

    b) Porta de 70cm - Vo de 86cm

    c) Porta de 60cm - Vo de 71cm

    Como as portas tem altura livre de 2,10m, na 11 fiada ser empregada uma verga pr-

    moldada de concreto.

    Sendo assim, foram definidas as 1 e 2 fiadas. Estas esto nas plantas baixas em anexo.

    4.4.1 Quantitativo

    Para quantificar os blocos necessrios, faz-se a elevao das paredes, excluindo os vos

    das janelas conforme a figura abaixo.

  • 69

    Figura 27 Elevao do pavimento tipo. Fonte: AUTOR (2018)

    O software Revit gera automaticamente o quantitativo de blocos usados. A partir deles,

    possvel definir o total de blocos necessrios para a obra.

    Tabela 14 Quantidade de blocos utilizado na obra

    Portanto, sero necessrios 21.848 blocos de concreto para realizar este

    empreendimento.

    Componentes Pavimento Torre

    B19 509 2036

    B34 422 1688

    B39 3905 15620

    B54 215 860

    Compensador A 320 1280

    Compensador B 91 364

    Total 5462 21848

  • 70

    Figura 28 - Torre completa

    Uma sugesto para futuros trabalhos que seja realizado um oramento utilizando o

    software Revit, chegando a um valor final de estrutura, que pode ser dividido entre alvenaria e

    laje. Alm disso, com esse software possvel que se faa um oramento detalhado das mais

    diversas etapas da obra, ficando a cargo do autor o que ser inserido nesse oramento.

  • 71

    5 CONCLUSES

    O presente trabalho mostra que com um simples clculo feito mo, e utilizando

    ferramentas bsicas de informtica, possvel que se faa um pr-dimensionamento de uma

    estrutura em alvenaria estrutural, podendo assim ter noo de resistncia bsica dos blocos que

    sero utilizados na obra, alm da quantidade total dos blocos. Com um conhecimento especfico

    em Revit, pode ser gerado um oramento preliminar da estrutura, se traduzindo em uma

    vantagem para o engenheiro que detm esses conhecimentos. Para aproveitar todos os

    benefcios a vantagens que o sistema oferece, necessrio alm de tudo que os projetistas

    conheam bastante do sistema, conhecendo todas as suas particularidades.

    Esse trabalho expe tambm premissas bsicas do sistema e erros construtivos que

    devem ser detectados no decorrer da obra para que esses erros no se propaguem para o resto

    da estrutura. As propriedades mecnicas se mostram muito importantes tanto para o engenheiro

    de estruturas tanto para o engenheiro de obra, pois forneceu informaes importantes acerca do

    comportamento do conjunto de parede.

    Alm disso, aps diversas exposies, conclumos tambm que a alvenaria estrutural se

    apresenta como uma maneira rpida, econmica e eficaz de construo, o que, na situao

    econmica atual do pas, torna-se um diferencial enorme frente aos outros sistemas. Para

    determinadas tipologias de edificao e determinadas alturas de construo, a alvenaria

    estrutural uma alternativa bastante econmica.

    Para um empreendimento obter sucesso, necessrio que os projetos estejam bem

    definidos antes que a obra comece, com todos os ajustes e compatibilizao feitos. Alm disso,

    a execuo torna-se um quesito essencial no desempenho estrutural do sistema, portanto

  • 72

    fundamental que se garanta que essa etapa seja colocada em prtica seguindo todos os

    procedimentos para que a obra saia como o planejado.

    Seu sistema altamente racionalizado e com alto nvel de industrializao permite que

    haja pouca perda de materiais e mo de obra, e consequentemente menor custo. Na busca pela

    racionalizao, a alvenaria estrutural se mostra como uma das melhores opes do mercado.

    Tudo isso, claro, se houver uma boa concepo, compatibilizao e execuo de projeto, alm

    de um planejamento bem feito com um cronograma de obra adequado.

    Deve-se ter em mente das limitaes do sistema. Quando discutido a sua vantagem em

    relao a outros sistemas, toda uma anlise deve ser feita para comprovar essa vantagem,

    obedecendo os limites da alvenaria estrutural, estudando todas as variveis envolvidas e todas

    as condies em que se insere o sistema, para comprovar que atende aos requisitos necessrios

    ao empreendimento. Quando comprovada a viabilidade de um projeto em alvenaria estrutural,

    a estrutura deve ser executada com qualidade, j que um s produto exerce vrias funes:

    vedao, estrutura, proteo trmica e acstica, etc., e a qualidade s vem com a capacitao de

    todos os envolvidos no processo, e o presente trabalho teve o objetivo de proporcionar a alguns

    desses atores um melhor entendimento do sistema.

    Enfim, necessrio que se projete com racionalidade e de forma consciente, com solues

    eficientes e objetivo num produto final de alta qualidade e menor custo, e foi mostrado aqui que

    a alvenaria estrutural pode ser um perfeito aliado para todas essas finalidades.

  • 73

    6 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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