Alvenaria Estrutural Bloco Concreto

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UNIVERSIDADE DA AMAZNIA - UNAMA CENTRO DE CINCIAS EXATAS E TECNOLOGIA CCET

Breno Lemos de Oliveira Ferreira Luiz Gonzaga Chaves Pompeu Junior

TRABALHO DE CONCLUSO DE CURSOALVENARIA ESTRUTURAL DE BLOCO DE CONCRETO METODO EXECUTIVO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DE SEU USO

Belm/PA 2010

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UNIVERSIDADE DA AMAZNIA - UNAMA CENTRO DE CINCIAS EXATAS E TECNOLOGIA CCET

Breno Lemos de Oliveira Ferreira Luiz Gonzaga Chaves Pompeu Junior

ALVENARIA ESTRUTURAL DE BLOCO DE CONCRETO METODO EXECUTIVO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DE SEU USO

Trabalho de concluso de curso apresentado como exigncia parcial para obteno de titulo de graduao do curso de engenharia civil da UNAMA Universidade da Amaznia Orientado pelo(a) Prof.(a) Jos Zacarias Rodrigues da Silva Junior.

Belm/PA 2010

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UNIVERSIDADE DA AMAZNIA - UNAMA CENTRO DE CINCIAS EXATAS E TECNOLOGIA CCET

Elaborado por Breno Lemos de Oliveira Ferreira Luiz Gonzaga Chaves Pompeu Junior ALVENARIA ESTRUTURAL DE BLOCO DE CONCRETO METODO EXECUTIVO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DE SEU USO

Como requisito parcial para obteno de grau de Engenheiro Civil.

Data da defesa: __ /__ /___ Conceito: ___________

Banca Examinadora: _________________________________Jos Zacarias Rodrigues da Silva Junior (Presidente/Orientador) __________________________________________ Jos Maria Tuma Haber Junior (Engenheiro civil) __________________________________________ Evaristo Clementino Rezende dos Santos Junior (Professor/Engenheiro Civil)

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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar, gostaramos de agradecer Deus, pela sua fidelidade nos dando essa vitria.

Universidade da Amaznia - UNAMA, por tornar possvel nossa formao.

Ao Professor Jos Zacarias Rodrigues da Silva Junior, orientador deste trabalho, pela dedicao e pacincia no exerccio da orientao.

Aos excelentes professores do curso, por toda dedicao, apoio e conhecimentos repartidos.

Aos colaboradores da empresa Zappi Construes Ltda, pela ajuda indispensvel ao desenvolvimento deste trabalho.

Aos nossos pais e maiores incentivadores, por todo amor e experincia compartilhados, sendo grandes exemplos de tica, profissionalismo e talento.

nossas famlias, por tudo o que sempre fizeram por ns, pelo exemplo, amizade, e carinho, fundamentais na construo do nosso carter.

Aos colegas e amigos que conquistamos durante o curso, pelos momentos de dificuldade e de alegria que passamos juntos, nossos sinceros agradecimentos.

Aos nossos grandes amigos, por tornarem cada momento ao longo destes anos inesquecvel.

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RESUMO

Trabalho de Concluso de Curso Curso de Graduao de Engenharia Civil UNAMA Universidade da Amaznia

ALVENARIA ESTRUTURAL DE BLOCO DE CONCRETO METODO EXECUTIVO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DE SEU USO Autores: Breno Lemos de Oliveira Ferreira Luiz Gonzaga Chaves Pompeu Junior Orientador: Jos Zacarias

O presente trabalho tem como objetivo mostrar o processo de execuo do sistema construtivo em alvenaria estrutural de blocos de concretos, mostrando os cuidados que devemos ter desde o recebimento dos blocos no canteiro, at a execuo da alvenaria para que se obtenha o maximo de qualidade na entrega do empreendimento, alm de expor as principais vantagens e limitaes deste mtodo. Este sistema gera mais rapidez, economia e reduo de resduos, Fazendo com que fique mais atraente quando comparado com outros mtodos. A elaborao deste trabalho foi feita em cinco partes, envolvendo levantamento de informaes sobre o tema, a exposio da tcnica construtiva, coleta e analise dos ensaios dos elementos estruturais, evidenciar as principais vantagens e desvantagens e as consideraes finais sobre o assunto. Este trabalho mostra que alm dos aspectos tcnicos, a questo econmica e prazo de entrega influenciam bastante durante a escolha do mtodo que ira ser usado num empreendimento.

Palavras - chave: Alvenaria estrutural; blocos de concreto; vantagens e desvantagens da alvenaria estrutural.

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ABSTRACT

Paper for the conclusion of the course Undergraduate degree in civil engineering UNAMA Universidade da Amaznia

MANSONRY STRUCTURAL CONCRETE BLOCK EXECUTIVE METHODS, ADVANTAGES AND DISADVANTAGES OF THE USE Authors: Breno Lemos de Oliveira Ferreira Luiz Gonzaga Chaves Pompeu Junior Adivisor: Jos Zacarias

This paper aims to show the process of implementation of structural masonry construction system of concrete blocks, showing the care we should take from receiving the blocks to the quarry until the execution of the masonry in order to obtain the maximum quality in delivery of the unit, besides exposing the main advantages and limitations of this method. This system is done faster, less expensive and produce less waste. Making it becomes more attractive when compared with other methods. The preparation of this work was done in five parts, involved information gathering about the theme, the exhibition of construction techniques, collection and analysis of tests of structural elements, highlighting the main advantages and disadvantages and final thoughts on the subject. This study shows that beyond the technical aspects, the economic issue and delivery greatly influence when choosing the method that will be used in an enterprise.

KEYWORDS: structural masonry, concrete blocks, advantages and disadvantages of structural masonry.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 01 Cimento recebido em sacos..........................................................................................22 Figura 02 Cimento recebido em carretas......................................................................................22 Figura 03 Caminho com agregado sendo cubado.......................................................................22 Figuras 04 e 05 agregados e cimento sendo levados at o misturador atravs de esteiras............26 Figuras 06 e 07 Mistura j pronta sendo levada at a vibroprensa...............................................27 Figuras 08 e 09 Prensagem, vibrao e deforma dos blocos.........................................................27 Figuras 10 e 11 Confirmao de dimenso dos blocos.................................................................28 Figuras 12 e 13 Organizao dos blocos nas gaiolas e estocagem para processo de cura............28 Figura 14 Cura dos blocos em cmera a vapor............................................................................29 Figuras 15 e 16 Paletizao dos blocos.........................................................................................29 Figura 17 Plastificao do palete com filme de polipropileno......................................................30 Figura 18 Bloco paletizado, plastificado, com etiqueta de identificao......................................30 Figura 19 Paletes sendo carregados para entrega at a obra.........................................................31 Figura 20 Armazenamento correto dos paletes.............................................................................32 Figura 21 Armazenamento incorreto dos paletes..........................................................................32 Figura 22 Armazenamento correto dos paletes.............................................................................32 Figura 23 Armazenamento incorreto dos paletes..........................................................................32 Figura 24 Junta seca..................................................................................................................35 Figura 25 Armao e Groute.........................................................................................................36 Figura 26 Vista eltrica e hidrulica.............................................................................................36 Figura 27 Vista superior da borracha no apoio da laje na alvenaria.............................................37 Figuras 28 e 29 Vistas inferiores da borracha no apoio da laje na alvenaria................................37 Figura 30 Confirmao do eixo.....................................................................................................41 Figura 31 Conferncia de esquadro...............................................................................................41 Figura 32 Janela de groute.........................................................................................................42 Figura 33 Tela eletrosoldada no encontro de alvenaria estrutural e vedao................................43 Figura 34 Furos para instalao de caixas eltricas......................................................................44 Figura 35 Caixas eltricas instaladas............................................................................................44

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Figura 36 Alinhamento da canaleta...............................................................................................44 Figura 37 Prumo da parede...........................................................................................................44 Figura 38 Nivelamento interno das canaletas...............................................................................45 Figura 39 Nivelamento das canaletas............................................................................................45 Figura 40 Grouteamento das canaletas.........................................................................................45 Figura 41 Canaletas 100% grouteadas..........................................................................................45 Figuras 42 e 43 Peitoril de janela com rebaixo de 2 cm de groute...............................................46 Figura 44 Gabarito de vo de janela.............................................................................................47 Figura 45 Esquadria de alumnio instalada...................................................................................47 Figura 46 Passantes deixados na alvenaria...................................................................................47 Figura 47 Alvenaria sem passantes...............................................................................................47 Figura 48 Janela de groute com deformao.................................................................................48 Figura 49 Janela de groute corrigida.............................................................................................49 Figura 50 2 elevao concluda....................................................................................................49 Figura 51 Limpeza aps concluso da alvenaria...........................................................................49 Figura 52 Planta baixa de marcao da 1 fiada da alvenaria.......................................................50 Figura 53 Planta de modulao de parede, armao e embutidos na alvenaria............................50 Figuras 54 e 55 Escoramento e madeiramento da laje..................................................................51 Figuras 56 e 57 execuo da forma da laje...................................................................................52 Figuras 58 - Segregao de nata de concreto...................................................................................52 Figura 59 Execuo de armao, instalao eltrica e hidrulica.................................................53 Figura 60 Concretagem da laje.....................................................................................................53 Figura 61 Cura da laje com manta geotextil.................................................................................54 Figura 62 Prensa para ensaio a compresso..................................................................................56 Figura 63 a 66 Processo de capeamento dos blocos.....................................................................58 Figura 67 Passo a passo do preparo do prisma oco.......................................................................65 Figura 68 Passo a passo do preparo do prisma cheio....................................................................66 Figuras 69 e 70 Aplicao de revestimento cermico direto no bloco..........................................74 Figura 71 e 72 Gesso e Reboco aplicado direto sobre blocos.......................................................75

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LISTA DE TABELAS

Tabela 01 Demonstrativo de reduo de custo devido a reduo do trao de groute...................18 Tabela 02 Demonstrativo de reduo de ao................................................................................19 Tabela 03 Resistncia mnima dos elementos da alvenaria..........................................................20 Tabela 04 Massa mnima por amostra de ensaio..........................................................................23 Tabela 05 Certificado de ensaio....................................................................................................25 Tabela 06 Dimenses Padronizadas..............................................................................................33 Tabela 07 Tipos de blocos.............................................................................................................34 Tabela 08 Amostragem aps fase de qualificao do fornecedor Quantidades mnimas..........44 Tabela 09 - resultados dos blocos com resistncia de 16 Mpa........................................................60 Tabela 10 - resultados dos blocos com resistncia de 14 Mpa.......................................................61 Tabela 11 - resultados dos blocos com resistncia de 12 Mpa.......................................................62 Tabela 12 - resultados dos prismas..................................................................................................67 Tabela 13 - resultados dos Groutes .................................................................................................69 Tabela 14 - resultados das Argamassas............................................................................................71 Tabela 15 - resultados do concreto...................................................................................................73

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LISTA DE GRFICOS/ANEXOS

Grfico 01 Evoluo da resistncia dos blocos 16 Mpa...........................................................61 Grfico 02 Evoluo da resistncia dos blocos 14 Mpa..........................................................62 Grfico 03 Evoluo da resistncia dos blocos 12 Mpa..........................................................63 Grfico 04 Evoluo da resistncia dos Groutes....................................................................70 Grfico 05 Evoluo da resistncia da argamassa...................................................................72 Anexo 01 Manual do Proprietrio...........................................................................................80

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SUMARIO TEMA: ALVENARIA ESTRUTURAL DE BLOCO DE CONCRETO METODO EXECUTIVO, VANTAGENS E DESVANTAGENS DE SEU USO.

1 1.1 1.2

INTRODUO.................................................................................................................14 Objetivo..............................................................................................................................15 Justificativa.........................................................................................................................15

2 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5

REVISO BIBLIOGRAFICA........................................................................................15 Histrico.............................................................................................................................15 Conceitos bsicos sobre alvenaria estrutural.....................................................................16 Aspectos tcnicos...............................................................................................................17 Aspectos econmicos.........................................................................................................17 Situao atual da tcnica em nossa regio.........................................................................21

3 3.1

ELEMENTOS DA ALVENARIA..................................................................................21 Bloco de concreto..............................................................................................................21

3.1.1 Fabricao........................................................................................................................21 3.1.1.1 Recebimento da matria prima..........................................................................................21 3.1.1.2 Controle dos agregados......................................................................................................23 3.1.1.3 Preparao do trao e prensagem dos blocos.....................................................................26 3.1.1.4 Cura, paletizao e transporte dos locos at a obra...........................................................28 3.1.1.5 Recebimento e estocagem dos blocos dentro do canteiro..................................................31 3.1.2 Tipologia.............................................................................................................................33 3.1.3 Patologia...........................................................................................................................35 3.1.3.1 Juntas secas.....................................................................................................................35 3.1.3.2 Pontos eltricos x Pontos de Groute..................................................................................36 3.1.3.3 Laje de cobertura x Alvenaria estrutural............................................................................36

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3.2 3.3

GROUTE............................................................................................................................38 ARGAMASSA...................................................................................................................38

4 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5

METODO DE EXECUO............................................................................................39 Marcao.............................................................................................................................41 Primeira elevao................................................................................................................43 Segunda elevao................................................................................................................46 Escoramento e forma da laje...............................................................................................51 Armao, instalaes e concretagem..................................................................................53

5 5.1

EXPERIMENTOS............................................................................................................55 Resistncia a Compresso Dos Blocos............................................................................55

5.1.1 Corpo-de-prova...................................................................................................................56 5.1.2 Dimenses...........................................................................................................................59 5.1.3 Posio do corpo-de-prova.................................................................................................59 5.1.4 Resultados...........................................................................................................................59 5.1.5 Apresentao de resultados.................................................................................................60 5.1.6 Analise de resultados dos blocos........................................................................................63 5.2 Resistncia a compresso do prisma...............................................................................64

5.2.1 Apresentao de resultados.................................................................................................67 5.2.2 Analise de resultados..........................................................................................................68 5.3 Resistncia a compresso do groute................................................................................68

5.3.1 Dimenses dos corpos de prova..........................................................................................68 5.3.2 Apresentao de resultados.................................................................................................69 5.4 Resistncia a compresso da argamassa.........................................................................71

5.4.1 Apresentao de resultados.................................................................................................71 5.4.2 Analise de resultados..........................................................................................................72 5.5 Resistncia a compresso do concreto................................................................................72

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6 6.1

VANTAGENS E LIMITAES DA TECNOLOGIA.................................................73 Vantagens..........................................................................................................................73

6.1.1 Diminuio do custo da obra..............................................................................................73 6.1.2 Diminuio de argamassa nos revestimentos.....................................................................74 6.1.3 Maior rapidez na execuo.................................................................................................75 6.2 Desvantagem......................................................................................................................75

6.2.1 Limitao do projeto arquitetnico.....................................................................................75 6.2.2 Mo-de-obra no qualificada..............................................................................................76 6.2.3 Falta de fornecedor para fabricao de blocos com resistncia elevada.............................76

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CONSIDERAES FINAIS...........................................................................................77

8

BIBLIOGRAFIA..............................................................................................................78

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1

INTRODUO

A indstria da construo civil vem crescendo de forma notvel no Brasil, e com esse crescimento novos sistemas construtivos crescem juntos e evoluem seus processos e suas tcnicas de execuo com o intuito de racionalizar ao Mximo os desperdcios com material, mo-de-obra, dentre outros, diminuindo assim custo e tempo de execuo sem perder claro a qualidade.Um desses sistemas a alvenaria estrutural, que vem sendo usada em quase todas as regies de nosso pas, com o seu baixo custo e as varias vantagens que veremos nesse trabalho, esse mtodo tem conquistado seu espao na industria da construo e vem sendo usada no combate ao dficit habitacional, que segundo o ministrio das cidades gira em torno de 8.000.000 (oito milhes de moradias) sendo que cerca de 80% desse numero, ou seja 6.400.000(seis milhes e quatrocentas mil moradias), devem atender os cidados com renda de at 3 salrios mnimos. Para atender a esta demanda e proporcionar qualidade, com menor custo, a alvenaria estrutural a alternativa mais indicada, pois, alm de sua sustentabilidade, principalmente em relao aos sistemas construtivos convencionais que utilizam muito mais materiais e geram muito resduos, a alvenaria estrutural no possui pilares nem vigas reduzindo o gasto com forma e ao e agredindo muito menos o meio ambiente. Segundo a ABNT NBR 10837 (1989), define- se alvenaria estrutural armada de blocos de concreto vazado como sendo AQUELA CONSTRUIDAS COM BLOCOS VAZADOS DE CONCRETO, ASSENTADO COM ARGAMASSA NA QUAL, CERTAS CAVIDADES SO PREENCHIDAS COM GROUTE, CONTENDO ARMADURAS ENVOLVIDAS O SUFICIENTE PARA ABSORVER OS ESFOROS CALCULADOS, ALM DAQUELAS ARMADURAS COM FINALIDADE CONSTRUTIVA OU DE AMARRAO,

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1.1

Objetivo

Este trabalho tem como objetivo mostrar as fases de execuo, as vantagens e limitaes da aplicao da alvenaria estrutural, para isso o empreendimento TOTAL LIFE CLUB HOME, localizado na Rodovia Augusto Montenegro, Km 7, Icoaraci, Belm, PA, Ser usado como estudo de caso para comprovar o que foi dito anteriormente.

1.2

Justificativa

O grande crescimento do uso desta tcnica em nossa regio aliado a pouca informao a ns repassada durante o perodo de faculdade e o pouco material referente ao mtodo executivo nos levaram a optar por este tema, assim como mostrar as principais vantagens. como reduo de custo e prazo de execuo, Simplicidade na execuo do processo, diminuio do desperdcio de materiais dentre outros, e as principais desvantagens, como, a falta de empresas para fornecer blocos com resistncia elevada, limitao no comprimento dos vos dentre outros. 2 2.1 REVISO BIBLIOGRAFICA Histrico

O uso de alvenaria como sistema estrutural j vem sendo usada a centenas de anos, desde as grandes civilizaes, elas utilizavam essa tcnica na construo de suas habitaes, como exemplos podemos citar: O Coliseu, a Muralha da China, o Farol de Alexandria e at mesmo as pirmides egpcias foram construdas utilizando esse mtodo; porm somente no ano de 1889 com a construo do edifcio Monadnock, em Chicago nos Estados Unidos, que possu 16 andares, 65 m de altura e parede de 1,80 m de espessura, foi utilizada a alvenaria como conhecemos hoje, embora de forma no racionalizada devido a falta de mtodos de dimensionamento que conhecemos hoje, Segundo RAMALHO CORREA (2003) se fossem dimensionadas pelos mtodos atuais essas paredes teriam espessura inferior a 30 cm trazendo uma grande economia. No Brasil, somente na dcada de 80 a alvenaria estrutural atingiu seu auge, quando varias empresas, interessadas em tornar esse mtodo mais vantajoso, comearam a investir em pesquisas para torn-lo mais vivel, nos dias atuais com a comprovao das grandes vantagens do uso desta

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tcnica, houve um aumento enorme do seu uso principalmente em nossa regio onde at pouco tempo atrs no se utilizava com tanta freqncia.

2.2

Conceitos bsicos de alvenaria estrutural

Segundo Prudncio Jr. (2002), alvenaria estrutural um tipo de estrutura em que as paredes so elementos portantes compostos por unidade de alvenaria, unidos por juntas de argamassa capazes de resistirem a outras cargas alm do seu peso prprio e devem apresentar basicamente as seguintes funes: Resistncia s foras do vento; Resistncia a cargas verticais; Apresentar bom desempenho contra a ao do fogo Isolar acstica e termicamente o ambiente; Proporcionar estanqueidade a gua da chuva e ao ar.

Porm, a alvenaria estrutural no deve ser considerada unicamente pelo seu comportamento, segundo a engenheira calculista Heloisa Martins Maringoni, a modulao e a racionalizao do projeto so as essncias de uma obra feita em alvenaria estrutural, e exatamente a presena da integrao entre os projetos arquitetnico, estrutural, eltrico e hidrulico das edificaes que gera uma economia em torno de 25% a 30% no custo total da obra segundo o arquiteto Carlos Alberto Tauil, membro do conselho da ABCI Associao Brasileira da Construo Industrializada (revista Tchne n 24).

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2.3

Aspectos Tcnicos

De acordo com a norma brasileira NBR 10837 (ABNT, 1989) a alvenaria estrutural de blocos de concreto classificada em trs categorias: Alvenaria Estrutural no armada de blocos vazados de concreto, Alvenaria Estrutural armada de blocos vazados de concreto e Estrutura de Alvenaria parcialmente armada com blocos de concreto, nesse trabalho iremos enfatizar a alvenaria estrutural armada de blocos vazados de concreto que aquela constituda com blocos vazados de concreto, assentados com argamassa, na qual certas cavidades so preenchidas continuamente com groute, contendo armaduras envolvidas o suficiente para absorver os esforos calculados, alm daquelas armaduras com finalidade construtivas ou de amarrao.

2.4

Aspectos econmicos Segundo Ramalho Corra (2003), nos custos usuais, o acrscimo de custo para produo da

alvenaria estrutural compensa com folga a economia que se obtm com a retirada dos pilares e vigas. Entretanto, necessria que se atente para alguns detalhes importantes para que a situao no se inverta, passando a ser a alvenaria um processo mais oneroso para a produo da estrutura, Porm para a execuo de alvenaria estrutural gera a necessidade de profissionais qualificados coisa que em nossa regio a quantidade desses profissionais ainda baixa, o que pode onerar economicamente o empreendimento. Outro modo para reduo de custo a utilizao de blocos de concreto de varias resistncias a compresso, que foi o caso estudado nesse trabalho, a resistncia dos blocos diminui medida que sobem os andares, iniciando com resistncia de 16MPa e terminando com resistncia de 4,5MPa, o mesmo acontece com o groute, a medida de sobem os andares sua resistncia tambm diminui, variando entre 32MPa no inicio e terminando com 9,0MPa. A tabela abaixo demonstra essa economia, com a alterao da resistncia, o trao altera e o consumo de cimento diminui, trazendo a economia espera para este processo construtivo.

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Tabela 01 Demonstrativo de reduo de custo devido reduo do trao de groute.

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O mesmo acontece com a armao das paredes medida que sobem os andares a quantidade e bitola diminuem trazendo uma grande economia, em nosso estudo de caso essa reduo foi de 21% comparando os primeiros 5 pavimentos com os 5 pavimentos intermedirios, e uma reduo de 30% quando comparados os 5 pavimentos intermedirios com os 5 ltimos pavimentos, como mostra a tabela abaixo.

Tabela 02 Demonstrativo de reduo de ao.

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A tabela 03 mostra as resistncias dos componentes estruturais deste empreendimento.

Tabela 03 Resistncia mnima dos elementos da alvenaria (OBRA TOTAL LIFE) Fonte: acervo da obra Total Life.

fp Resistncia mnima especificada do prisma; fbk Resistncia mnima especificada dos blocos; fgk Resistncia mnima especificada do groute; fak Resistncia mnima especificada da argamassa; fck Resistncia mnima especificada do concreto.

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2.5

Situao atual da tcnica em nossa Regio Nos dias de hoje com o grande crescimento do uso de alvenaria estrutural em nossa regio,

a busca por novos conhecimentos, e profissionais habilitados para trabalhar com essa tcnica, tem aumentado significativamente, e essa falta de mo de obra qualificada um dos problemas que faz com que esse mtodo construtivo no se desenvolva ainda mais, porm so notveis as vantagens principalmente com relao diminuio de custo e prazo, que como em qualquer regio de grande importncia para definio de projetos; outra situao que muito comum em nossa regio com relao a alvenaria estrutural a falta de empresas para fabricao e fornecimento de blocos com resistncias elevadas, pois hoje em dia j se constri prdios de at 18 pavimentos e a resistncias desses blocos devem suportar a essas grandes cargas, porm mesmo com tantas dificuldades, a alvenaria estrutural vem conquistando cada vez mais adeptos, pelas vantagens que ela traz, e que veremos nesse trabalho.

3

ELEMENTOS DA ALVENARIA

3.1 Blocos de concreto

3.1.1 Fabricao 3.1.1.1 Recebimento da matria prima A fabricao dos blocos se inicia com o recebimento da matria prima, neste caso cimento, areia, pedrisco ou p de pedra. O cimento, se recebido em sacos deve ser estocados em local livre de intempries, no caso do cimento recebido em carretas, deve ser guardados em silos metlicos e liberado imediatamente para o uso.

As figuras 01 e 02 mostram a recepo do cimento em sacos e em carreta.

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Figura 01 Cimento recebido em sacos Fonte: acervo da obra Total Life

Figura 02 Cimento recebido em carretas Fonte: acervo da obra Total Life

Os agregados (areia, pedrisco ou p de pedra) chegam por caminho, deve ser feita a cubagem dos materiais onde se obtm o volume total em metros cbicos que est sendo recebido e tambm devem ser estocados em locais cobertos ou cobrir com lonas para evitar o contato direto com a chuva para evitar que os agregados absorvam muita umidade causando problema na hora de rodar o trao, como mostra a figura 03.

Figura 03 Caminho com agregado sendo cubado Fonte: acervo da obra Total Life

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Depois de estocados seguimos ao prximo passo para fabricao dos blocos que o ensaio granulomtrico dos agregados.

3.1.1.2 Controle de agregados

Para este ensaio, devemos fazer a coleta dos agregados, a quantidade mnima da amostra definida com base na dimenso mxima caracterstica dos agregados, como mostra a tabela 04, para nossos ensaios, por exemplo, a dimenso mxima da areia de 4,8mm e do pedrisco entre 9,5mm e 25mm, necessrio no mnimo 1 Kg de areia e 5Kg de pedrisco para o ensaio de cada um, todos esses dados esto especificado na norma NBR 7217 Agregados Determinao da composio granulomtrica, feita a pesagem dos mesmos, para ai sim serem submetidos ao peneiramento, onde sero vibrados.

Tabela 04 Massa mnima por amostra de ensaio Fonte NBR 7217 Agregados Determinao da composio granulomtrica

Dimenso mxima Massa mnima da caracterstica do amostra de ensaio agregado (mm) 9,5 e