A Parmetros de produtividade de um - um sinalizador que dirige a ateno para assuntos especficos de resultados em uma organizao de sade, de-vendo periodicamente ser ...

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  • PPPPParmetros de produtividade de umarmetros de produtividade de umarmetros de produtividade de umarmetros de produtividade de umarmetros de produtividade de umcentro de material e esterilizaocentro de material e esterilizaocentro de material e esterilizaocentro de material e esterilizaocentro de material e esterilizao*

    Tnia Regina Sancinetti1, Maria Alice Fortes Gatto2

    * Extrado dadissertaoIdentificao deparmetros deprodutividade de umCentro de Material eEsterilizao. Escolade Enfermagem daUSP, 2002.

    1 Enfermeira. Mestreem Enfermagem pelaEscola deEnfermagem da USP.Diretora da Divisode Enfermagem dePacientes Externosdo Departamento deEnfermagem doHospital Universitrioda USP.trsanci@yahoo.com.br

    2 ProfessoraAssistente doDepartamento deEnfermagem Mdico-Cirrgica da Escolade Enfermagem daUSP.

    PRODUCTIVITY INDICATORS IN A STERILIZATION CENTRAL SUPPLY

    LOS PARAMETROS DE PRODUCTIVIDAD DEL CENTRO DE MATERIAL Y ESTERILIZACIN

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    TIG

    O OR

    IGIN

    AL

    RESUMOO estudo identifica parmetros deprodutividade no Centro deMaterial e Esterilizao, com baseem documentos, observao ecronometragem do processa-mento de duas amostras: caixade herniorrafia e pacote decurativo. A produo mdiamensal foi de 30.466,42 artigos,a capacidade de produo, porhora, foi de 10,3 artigos porfuncionrio. O tempo de proces-samento do curativo do expurgoao armazenamento foi, em mdia,de 295 minutos; o processomanual utilizou 46 minutos e oautomatizado, 88 minutos. Otempo da caixa de herniorrafia foide 329 minutos; o processomanual utilizou 60 minutos e oautomatizado, 98 minutos. O pro-cessamento manual do curativoutilizou 59,23% horas produ-tivas no expurgo; 26,31% guardae distribuio; 10,94% esteri-lizao e 3,28% preparo. Quanto caixa de herniorrafia: no preparo16,20%; no expurgo 11,84%; naguarda e distribuio 7,47% e naesterilizao 1,89%. Este estudopossibilitou aferir resultados eanalisar o processo de trabalhono CME.

    ABSTRACTThis study identifies productivityindicators at a Sterilization CentralSupply (CME) through documents,observation and time counting of theprocess for two items selected fromthe sample: a bandage pack and aherniorrhaphy box. The monthlyaverage production was 30,466.42items, and the production capacityper hour was 10.3 items peremployee. The bandage packaveraged 295 minutes from theexpurgation area to storage; themanual process lasted 46 minutesand the automated 88 minutes. Forthe herniorrhaphy box the averagewas 329 minutes; the manualprocess lasted 60 minutes andautomated 98 minutes. In thebandage kit, the manual processused up 59.23% of the productivityhours in the expurgation area,3.28% in the preparation, 10.94%in the sterilization process, and26.31% in storage and distri-bution. Figures for the manualprocess of herniorrhaphy boxwere: expurgation, 11.84%;preparation, 16.20%; storage anddistribution, 7.47%; and steri-lization, 1.89%. The study madepossible to assess the results andto analyze the working process atthe CME.

    RESUMENEl estudio identifica parmetrosde productividad del Centro deMaterial y Esterilizacin, basadosen documentos, observacin ycronometraje procesadas en dosmuestras: caja de herniorafia yfardo de curativo. El promedio deproduccin mensual fue de30.466,42 artculos y el promediode la capacidad de produccin porhora fue 10,3 artculos porempleado. El tiempo de procesa-miento del curativo del expurgoal almacenamiento fue en unpromedio de 295 minutos; suproceso manual utiliz 46minutos y lo automatiz en 88minutos. El tiempo de la caja deherniorafia fue 329 minutos; suproceso manual utiliz 60minutos y lo automatiz en 98minutos. El procesamientomanual del curativo fue: 59,23%horas productivas encima delexpurgo; 26,31% guarda ydistribucin; 10,94% esterili-zacin y 3,28% preparo. Cuantoa la caja de herniorafia: en supreparo 16,20%; en el expurgo11,84%; en la custodia yasignacin 7,47% y en la esterili-zacin 1,89%. El estudio posi-bilit contrastar resultados y analizarel proceso de trabajo del CME.

    DESCRITORESEficincia.Administrao de materiais nohospital.Esterilizao.Enfermagem.

    KEY WORDSEfficiency.Materials management, hospital.Sterilization.Nursing.

    DESCRIPTORESEficiencia.Administracin de materiales dehospital.Esterilizacin. Enfermera.

    264264264264264Rev Esc Enferm USP

    2007; 41(2):264-70. www.ee.usp.br/reeusp/

    Recebido: 21/10/2004Aprovado: 14/03/2006

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  • INTRODUO

    A falta de instrumentos inviabiliza a anlise dos recur-sos quantitativos e qualitativos das atividades desenvolvi-das no Centro de Material e Esterilizao (CME). A partirdesta contastao, iniciou-se um processo de construode mecanismos de controle e de anlise de dados estatsti-cos desse setor e da adequao dos instrumentos a fim deque permitissem o entendimento e a mensurao do proces-so de trabalho do CME.

    O CME tem finalidades e objetivos nitidamente defini-dos, tais como: concentrar os artigos odonto-mdico-hos-pitalares, esterilizados ou no, facilitando seu controle, con-servao e manuteno; padronizar e realizar tcnicas delimpeza, preparo, empacotamento e esterilizao, asseguran-do economia de pessoal, material e tempo; distribuir materialesterilizado ou no aos diversos setores de atendimento apacientes; treinar pessoal para atividades especficas dosetor, conferindo-lhe maior produtividade; facilitar o con-trole de consumo, qualidade dos materiais e das tcnicas deesterilizao, aumentando a segurana do uso; favorecer oensino e o desenvolvimento de pesquisas; manter estoquede material, a fim de atender prontamente necessidade dequalquer unidade do hospital(1-2).

    As caractersticas de trabalho do CME so bastante dis-tintas de outras Unidades do hospital gerenciadas pela en-fermagem. Essa diferenciao ocorre, pela necessidade deaprofundar e aplicar os conhecimentos da rea demicrobiologia, da infeco hospitalar, dos processos de lim-peza, desinfeco e esterilizao de material. A segunda ca-racterstica marcante do trabalho, visa manter umentrosamento mais efetivo com os setores usurios de seuservio, tendo incorporado tambm conceitos relacionados produtividade, qualidade e adequao s necessidadesdos diversos setores do hospital(3-5).

    Nos ltimos anos, verifica-se que a palavra produti-vidade tem aparecido com freqncia cada vez maior nos em revistas especializadas, mas na mdia em geral.Empresas preparam programas de melhoria da produti-vidade, simpsios e encontros so realizados, consul-tores especialistas so contratados. Produtividade tor-nou-se a palavra de ordem, uma espcie de Abre-teSzamo para um sem-nmero de problemas da empresaparticularmente lucro e sobrevivncia(6).

    Na avaliao da produtividade fundamental analisar otempo despendido pelos trabalhadores na execuo de suastarefas. A medida do tempo recebeu destaque a partir de1881, com os trabalhos do Engenheiro Frederich Taylor, embusca de uma produtividade justa e adequada de seus tra-balhadores. O tempo foi medido com cronmetro e o traba-lho dividido em fases, que medidas separadamente indicamo tempo mnimo de uma atividade(7-8).

    Na poca o enfoque era o aumento da produo e do lucroindependente do desgaste do material e prejuzo que traria aotrabalhador.

    So raras as instituies de sade no pas que desenvol-vem na prtica a avaliao e o controle sistemtico de suasatividades, passos fundamentais para a verificao e acom-panhamento da produtividade e qualidade do servio desen-volvido. Na rea hospitalar, h necessidade do aumento daprodutividade como forma de equilibrar os custos, em decor-rncia dos insuportveis nveis elevados(9-11)

    .

    As medidas de tempo ganham outro significado a partirdos anos 80 com os estudos na rea de avaliao da qualida-de dos sistemas de sade, desenvolvidos por Donabedian, oprimeiro a propor mtodos de avaliao de servios de sadee estratgias direcionadas mensurao do alcance dos pa-dres estabelecidos para as reas de estrutura, processo eresultado(12).

    Mais recentemente, com a implantao do Sistema Brasilei-ro de Acreditao, procedimento de avaliao dos recursosinstitucionais, voluntrio, peridico e reservado que tende apromover a qualidade da assistncia por meio de padres pre-viamente aceitos e posteriormente mensurados e avaliadosquanto ao alcance dos resultados e desempenho institucional,as instituies de sade adquirem reconhecimento pblico egarantem a qualidade dos servios prestados(13).

    No manual das organizaes prestadoras de servioshospitalares, o CME referido como Servios Assistenciaise de Abastecimento, responsvel pelo processamento e es-terilizao de materiais e estabelece padres de avaliao,classificados em trs nveis. Entre as exigncias para a inser-o no nvel 3, recomenda que ... participa ativamente doprograma institucional de qualidade e produtividade, omevidncias de ciclos de melhoria; est integrado ao sistemade informao da organizao, utilizao de dados e indica-dores para avaliao... (14).

    No se pode deixar de considerar que o indicador devecontribuir para a administrao do setor, e no servir comomais um dado complicado de se obter ou um trabalho desne-cessrio e repetitivo, tendo em vista apenas o preenchimentodos impressos existentes para avaliar a produo e distribui-o de material destinado s diversas reas do hospital(2). OIndicador um sinalizador que dirige a ateno para assuntosespecficos de resultados em uma organizao de sade, de-vendo periodicamente ser revisto(15).

    O acompanhamento sistemtico dos dados obtidos nosinstrumentos de controle utilizados no CME e a anlise peri-dica do tempo dos processos de trabalho podem se tornarparmetros indicativos de produtividade.

    O controle embora possa parecer o ltimo passo de umprocesso, constitui apenas o elo de uma cadeia que alimenta-da continuadamente impulsiona as organizaes para o

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  • desenvolvimento, pela melhoria de seus processos e resul-tados(16).

    Dada escassez de literatura sobre o assunto e na ten-tativa de evitar um mero exerccio numrico(6), este estudoprope alguns parmetros de mensurao dos processosde produo visando a melhoria dos resultados quanto produtividade e qualidade no CME. Visa tambm contri-buir com subsdios para o trabalho do enfermeiro nogerenciamento da unidade.

    OBJETIVOS

    Identificar parmetros de produtividade em um cen-tro de material e esterilizao de um hospital universitrio dacidade de So Paulo;

    Identificar a freqncia mensal de processamento edistribuio dos artigos odonto-mdico-hospitalares;

    Identificar o tempo de processo e o tempo de esperados artigos odonto-mdico-hospitalares submetidos aoprocessamento de limpeza, preparo, esterilizao e estocagemrealizados no CME;

    Associar as medidas de tempo aos recursos materi-ais e de pessoal disponveis nos setores do CME.

    MTODO

    Tipo de pesquisa e campo de estudo

    O estudo caracterizou-se como no experimental, des-critivo, exploratrio e com abordagem quantitativa. Foirealizado no CME do Hospital Universitrio da Universi-dade de So Paulo (HU-USP), que tem como objetivos:receber, conferir, selecionar, lavar, secar, preparar, identi-ficar, esterilizar, armazenar, controlar e distribuir artigosodonto-mdico-hospitalares que so utilizados pelas di-versas unidades do hospital.

    A escolha do campo de estudo foi motivada pelos vncu-los existentes entre a Instituio e a pesquisadora, que napoca atuava como enfermeira chefe do setor e, tambm,porque este CME um setor estruturado, possui parte dosregistros informatizados, de forma que os controles e roti-nas existentes permitiram a verificao da produo das re-as e possibilitaram a realizao do presente estudo.

    Objeto do estudo e tcnica de amostragem

    O objeto deste estudo foi constitudo pelos artigosodonto-mdico-hospitalares processados no CME que so

    compostos por um ou mais itens (ou peas) e so embala-dos de modo unitrio (pacote unitrio) ou em conjunto (pa-cotes, conjuntos ou caixa de instrumental).

    Para selecionar uma amostra, que representasse o tra-balho executado em todos os setores do CME, foi estabe-lecido como critrio a escolha de um artigo odonto-mdi-co-hospitalar que tivesse a maior freqncia mensal deprocessamento e o maior esforo de trabalho, quer pelonmero de itens que o compe e, ou ainda, pelo maiornmero de tarefas realizadas nas etapas de limpeza, prepa-ro, esterilizao e guarda.

    Foram selecionados dois artigos como amostras paraeste estudo: o pacote de curativo cirrgico e a caixa deherniorrafia.

    Coleta de dados

    Fontes

    Documentos de controle da instituio: relatriomensal, quadro de pessoal, escala mensal, escala de dis-tribuio diria de trabalho, manuais do CME e impressosde previso e produo dos meses de agosto de 2000 ajulho de 2001;

    Descrio de observao das tarefas e da trajetriado processamento das amostras.

    Procedimentos

    O projeto foi submetido e aprovado pelo Comit de Ensi-no e Pesquisa (CEP) da Instituio.

    Aps a autorizao formal da instituio para a realiza-o da pesquisa foi agendada uma reunio com os funcio-nrios do CME, para explicar os objetivos do presente estu-do, esclarecer que os procedimentos da coleta de dados nointerfeririam nos processos de trabalho, nem na dinmica dosetor e que os resultados seriam apresentados ao grupo nofinal do estudo.

    Foi explicitada a participao voluntria e solicitada assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclareci-do. A coleta de dados ocorreu em trs etapas:

    1 etapa: seleo e levantamento dos dados documentais;

    2 etapa: classificao dos artigos;

    3 etapa: acompanhamento das amostras.

    Todas as atividades, realizadas com cada um dos artigosselecionados como amostras, foram observadas durante dezprocessamentos, desde o momento da recepo no expurgoat a estocagem na rea de guarda e distribuio.

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    APRESENTAO EDISCUSSO DOS RESULTADOS

    Produo e distribuio dos artigos

    A freqncia do processamento (dados de produo) foiobtida do registro da produo das reas de preparo doCME. O total de artigos produzidos no perodo estudado(agosto de 2000 a julho de 2001) foi 365.597 artigos, com umamdia mensal de 30.466,42 artigos.

    Os dados de distribuio corresponderam aos artigosencaminhados pelo CME s unidades usurias, estes dadosesto expressos no impresso Troca de Material.

    O total dos artigos distribudos s unidades consumido-ras, no perodo estudado, foi 361.232 artigos sendo a mdiade distribuio: 30103 artigos/ms.

    Os dados apresentados na Figura 1, demonstram que osmeses de dezembro de 2000, fevereiro e julho de 2001, aproduo do CME foi menor (27.815, 25.831, 27.269 respecti-vamente); os meses de agosto, abril e maio so os de maiorproduo (35.065, 34.477, 33.856 respectivamente). Nota-seque a diferena entre as maiores e menores produes ocor-reu em torno de 22,2%.

    Figura 1Figura 1Figura 1Figura 1Figura 1 - Apresentao do total da produo e distribuio dos artigos do CME / ms, HU-USP - So Paulo - 2001

    Pode-se verificar que, no ms de setembro, a distribui-o foi maior que a produo e nesse ms, encontrou-se amaior ausncia de funcionrios, que justificou a queda naproduo.

    Tambm nos meses de outubro/00 e maro/01 notou-sediferena entre distribuio e produo, que foram compen-sadas com estoques de material na rea de guarda.

    No ms de fevereiro, a queda tanto da produo quantoda distribuio, que pde ser relacionada ao menor nmerode dias trabalhados.

    Verificou-se uniformidade entre produo e distribuio;as variaes encontradas demonstram que a produo estadequada e no restam estoques desnecessrios.

    Relacionando os dados de produo (Figura 1) com afreqncia de funcionrios (Tabela 1), verificou-se que

    nas frias de vero a capacidade de horas de pessoal,tambm estava reduzida, porm no ms de julho, a produ-o diminuiu, no entanto a capacidade de pessoal estavaaumentada. Dessa forma, possvel propor que paraotimizar o tempo do funcionrio, essa poca seja utiliza-da, por exemplo, para visitas tcnicas e treinamentos.

    Produo por hora/funcionrio

    Biseng apresenta nveis de produtividade entre 60% a85% e os avalia como: insatisfatrio at 60%; satisfatrio,entre 60% e 75%; excelente quando maior de 75% a 85% esuspeito se for maior que 85%(17).

    Para estabelecer uma relao entre produo dos arti-gos e a capacidade de horas de trabalho, no perodo deagosto de 2000 a julho de 2001, utilizamos no estudo,75% do tempo do trabalho, como nvel de produtividadeaceitvel.

    Parmetros de produtividade de umcentro de material e esterilizaoSancinetti TR, Gatto MAF. 267267267267267

    n

    de a

    rtig

    os

    40000

    35000

    30000

    25000

    20000

    15000

    10000

    5000

    ago/000

    set/00 dez/00 fev/01 abr/01 jun/01

    produo distribuio

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    APRESENTAO EDISCUSSO DOS RESULTADOS

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  • Tabela 1 - Tabela 1 - Tabela 1 - Tabela 1 - Tabela 1 - Demonstrativo da produo por horas/funcionrio de enfermagem por ms, HU-USP - So Paulo - 2001

    No perodo (agosto 00/julho 01), a produo total foi de365.597 artigos (30.466,4 mdia mensal) e a freqncia total dosfuncionrios foi 47.298 horas (mdia 3.941,5). Considerando75% do tempo da freqncia, a mdia mensal das horas produ-tivas foi de 2.956,5 horas. Encontrou-se que cada funcionriopoderia participar do processamento de, em mdia, 10,3 artigospor hora (no mnimo 8,9 artigos e mximo 11,6 artigos).

    Tempo de processamento dos artigos selecionados comoamostras

    Nesta fase do estudo, procurou-se conhecer os tempospercorridos pelas amostras em seu processamento.

    O pacote de curativo e a caixa de herniorrafia foram acom-panhados desde sua entrada no CME pelo setor de expur-go, at sua estocagem no setor de guarda e distribuio.

    O tempo mdio que o pacote de curativo cirrgico per-correu no CME, desde a sua entrada no expurgo at oarmazenamento na rea de guarda de distribuio foi no to-tal 295 minutos (4:55 horas), o tempo mnimo foi 217 minutose o mximo 394 minutos (Figura 2).

    Quanto caixa de herniorrafia, o tempo mdio foi 329minutos no total, sendo o tempo mnimo de 221 minutos e omximo de 454 minutos (Figura 2).

    Figura 2 - Figura 2 - Figura 2 - Figura 2 - Figura 2 - Tempo mdio em minutos do processo de trabalho das amostras, em procedimento e em espera, HU-USP So Paulo - 2001

    Parmetros de produtividade de umcentro de material e esterilizaoSancinetti TR, Gatto MAF.268268268268268

    MESESMESESMESESMESESMESES TOTALTOTALTOTALTOTALTOTAL

    PRODUOPRODUOPRODUOPRODUOPRODUO

    TOTALTOTALTOTALTOTALTOTAL

    HORAS/FUNCHORAS/FUNCHORAS/FUNCHORAS/FUNCHORAS/FUNC

    TOTALTOTALTOTALTOTALTOTAL

    PRODUTIVAS 75%PRODUTIVAS 75%PRODUTIVAS 75%PRODUTIVAS 75%PRODUTIVAS 75%PRODUOPRODUOPRODUOPRODUOPRODUO

    HORAHORAHORAHORAHORA

    ago/00

    set/00

    out/00

    nov/00

    dez/00

    jan/01

    fev/01

    mar/01

    abr/01

    mai/01

    jun/01

    jul/01

    TotalTotalTotalTotalTotal

    Mdia

    DP

    35.065

    29.818

    32.017

    29.072

    27.815

    30.485

    25.831

    31.608

    34.474

    32.859

    29.284

    27.269

    365.597

    30466,4

    2.846,7

    4.074

    3.750

    3.696

    3.750

    3.954

    3.864

    3.690

    3.828

    3.966

    4.452

    4.206

    4.074

    47.298

    3.941,5

    230,1

    3.055,5

    2.812,5

    2.772

    2.812,5

    2.965,5

    2.898

    2.767,5

    2.871

    2.974,5

    3.339

    3.154,5

    3.055,5

    35.478

    2.956,5

    172,5

    11,5

    10,6

    11,6

    10,3

    9,4

    10,5

    9,3

    11,0

    11,6

    9,8

    9,3

    8,9

    123,8

    10,3

    1,0

    curativocirrgico

    caixaherniorrafia

    0 50 100 150 200 250 300 350

    processo espera

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  • Verificou-se que dos 295 minutos da trajetria do cura-tivo cirrgico, 45,42% do tempo aconteceu em procedi-mento e 54,67% do tempo, em espera.

    Em relao caixa de herniorrafia, dos 329 minutos datrajetria, 48,0% do tempo o artigo permaneceu em proce-

    dimento e 52,0% do tempo, em espera.

    Estes tempos indicam que as amostras esto ficandoparadas por um tempo superior metade doprocessamento, indicando necessidade de observao doprocesso de trabalho.

    Tabela 2Tabela 2Tabela 2Tabela 2Tabela 2 - Tempo mdio em minutos das amostras em processo de trabalho (procedimento e espera), CME HU-USP -So Paulo - 2001

    Os curativos so parte de um grupo de artigos recebido peloCME dos diversos setores usurios, como troca de material.Dessa forma, contou-se o tempo de recebimento e de ordenaoe guarda, do grupo como um todo. O tempo de processo dasduas amostras, conforme tabela 2, so semelhantes.

    Os motivos encontrados nos tempos maiores de es-pera foram: funcionrio novo na rea de preparo; dia de

    Tabela 3 - Tabela 3 - Tabela 3 - Tabela 3 - Tabela 3 - Tempo mdio de trabalho em minutos das amostras em procedimento automatizado e manual nos diversossetores do CME HU-USP So Paulo - 2001

    limpeza na rea de guarda; prioridade para outras cai-xas; comemoraes; passagem de planto; montagemde carros cirrgicos e caixas misturadas.

    Observou-se grande variao nos tempos de esperae considerando-se que este um processo produtivo, otempo de espera deveria apresentar valores mais prxi-mos e ficar restrito a um tempo mnimo.

    O preparo da caixa intensamente manual e, por serartigo composto por vrios itens, o processo tornou-semais longo que o da amostra curativo cirrgico. No ex-purgo, mesmo tendo sido utilizado processos manuais eautomatizados, os tempos das duas amostras so seme-lhantes, devido manipulao de cada um dos itens dacaixa e dos diversos itens da troca de materiais a qualpertence o curativo cirrgico. O setor de esterilizao automatizado, sendo o tempo de processo pr-estabele-cido, assim como no processo automatizado do expur-go, existindo portanto pouca variao entre os tempos

    das duas amostras no que se refere a parte automatizadados processos.

    Tempo de processamento de artigos e disponibilidadede pessoal

    Considerando a mdia mensal da produo de arti-gos do grupo curativo (3.891 artigos) o tempo em pro-cesso manual e a disponibilidade de funcionrio em ho-ras produtivas (2.956h) encontrou-se que o processodesse artigo em um ms utilizou:

    EXPURGO: 1.751 horas/ms (59,23%);

    Parmetros de produtividade de umcentro de material e esterilizaoSancinetti TR, Gatto MAF. 269269269269269

    AMOSTRAAMOSTRAAMOSTRAAMOSTRAAMOSTRA TOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSO

    CURATIVO CIRRGICOCURATIVO CIRRGICOCURATIVO CIRRGICOCURATIVO CIRRGICOCURATIVO CIRRGICO

    TOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSOTOTAL DO PROCESSO

    CAIXA DE HERNIORRAFIACAIXA DE HERNIORRAFIACAIXA DE HERNIORRAFIACAIXA DE HERNIORRAFIACAIXA DE HERNIORRAFIA

    TOTALTOTALTOTALTOTALTOTAL PROCEDPROCEDPROCEDPROCEDPROCED ESPERAESPERAESPERAESPERAESPERA TOTALTOTALTOTALTOTALTOTAL PROCEDPROCEDPROCEDPROCEDPROCED ESPERAESPERAESPERAESPERAESPERA

    MdiaMdiaMdiaMdiaMdia

    D PD PD PD PD P

    295

    57

    134

    13

    161

    52

    329

    81

    158

    27

    172

    67

    EXPURGOEXPURGOEXPURGOEXPURGOEXPURGO PREPAROPREPAROPREPAROPREPAROPREPARO ESTERILIZAOESTERILIZAOESTERILIZAOESTERILIZAOESTERILIZAO GUARDA EGUARDA EGUARDA EGUARDA EGUARDA EDIST.DIST.DIST.DIST.DIST.

    Manual AutomatizadoManual AutomatizadoManual AutomatizadoManual AutomatizadoManual Automatizado Manual AutomatizadoManual AutomatizadoManual AutomatizadoManual AutomatizadoManual AutomatizadoManualManualManualManualManual ManualManualManualManualManual

    CurativoCurativoCurativoCurativoCurativoCirrgicoCirrgicoCirrgicoCirrgicoCirrgico

    CaixaCaixaCaixaCaixaCaixaHerniorrafiaHerniorrafiaHerniorrafiaHerniorrafiaHerniorrafia

    27

    19

    45

    52

    2

    26

    5

    3

    43

    46

    12

    12

    Rev Esc Enferm USP2007; 41(2):264-70.

    www.ee.usp.br/reeusp/

    pags 264 a 270.P65 27/6/2007, 11:167

  • PREPARO: 130 horas/ms (3,28%);

    ESTERILIZAO: 324 horas/ms (10,94%);

    GUARDA E DISTRIBUIO: 778 horas/ms (26,31%).

    O expurgo e a guarda e distribuio so reas reconhecidaspelos funcionrios como desgastante, que necessita de investi-mentos para melhoria das condies de trabalho.

    Associando os dados do grupo de caixas, sendo a mdia deproduo de 1.106 caixas, verificou-se:

    EXPURGO: 350 horas/ms (11,84%);

    PREPARO: 479 horas/ms (16,20%);

    ESTERILIZAO: 56 horas/ms (1,89%);

    GUARDA E DISTRIBUIO: 221 horas/ms (7,47%).

    Alm da caracterstica citada sobre o expurgo e a guarda edistribuio, tambm a rea de preparo de caixas, por ser a maisutilizada nesta amostra em carga horria, deve ter condies fa-vorveis de trabalho.

    A rea de esterilizao, apesar de ser mais automatizada, ne-cessita de atuao e vigilncia constantes, a fim de garantir aqualidade dos procedimentos realizados na Instituio.

    CONCLUSES

    A partir da anlise e adequao dos instrumentos de traba-lho, foi possvel aferir os resultados da produo e distribuiodos artigos odonto-mdico-hospitalares. A mdia mensal deproduo (30.466,4 artigos) tem uma seqncia deprocessamento e distribuio uniformes, demonstrando ade-quao da previso; a mdia de artigos produzidos por horafuncionrio foi de 10,3; o tempo mdio de processamento daamostra curativo cirrgico foi de 295 minutos sendo 45,42% emprocedimento e 54,67% em espera e da caixa de herniorrafia foide 329 minutos, sendo 48% em procedimento e 52% em espera.

    O processo de trabalho precisa ser melhor investigado, de-vido ao tempo de espera, que precisa ser restrito a um tempomnimo. A espera observada tambm sugere necessidade deautomao do processo, principalmente na rea de expurgo.

    As medidas de tempo foram, neste primeiro estudo, apenassomadas e no foram vinculadas qualidade.

    Considera-se necessrio uma reflexo sobre At que pon-to a medida fsica da produo representativa do servio! Atque ponto uma nica medida consegue refletir a complexidadedo conjunto de tarefas que se deve cumprir para realizar o ser-vio?(13). Este o desafio que espera-se seja ultrapassado comestudos complementares sobre a qualidade e produtividadeem CME.

    REFERNCIAS

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    Correspondncia: Tnia Regina SancinettiAv. Professor Lineu Prestes, 2565 - ButantCEP 05508-900 - So Paulo - SP270270270270270

    Rev Esc Enferm USP2007; 41(2):264-70.

    www.ee.usp.br/reeusp/

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