A INFLUNCIA DA ERGONOMIA NO COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL ... ? A INFLUNCIA DA ERGONOMIA NO COMPORTAMENTO

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  • A INFLUNCIA DA ERGONOMIA NO COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL E PRODUTIVIDADE DO TRABALHADOR

    Emerson da Silva Moreira1, Rogrio Alberto Machado2, Vilma da Silva Santos3, Paulo Csar Ribeiro Quintairos4, Edson Aparecida de Arajo

    Querido Oliveira5

    1 MBA Gerncia de Produo e Tecnologia - Programa de Ps-graduao em Administrao - PPGA - Universidade de Taubat Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 -

    Taubat - SP - Brasil emoreira2002@hotmail.com

    2 MBA Gerncia de Produo e Tecnologia - Programa de Ps-graduao em Administrao - PPGA - Universidade de Taubat Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 -

    Taubat - SP - Brasil rogeriomachado2004@yahoo.com.br

    3 Professora do Programa de Ps Graduao em Administrao - PPGA - Universidade de Taubat Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubat - SP - Brasil

    vilma70@gmail.com

    4 Professor do Programa de Ps Graduao em Administrao - PPGA - Universidade de Taubat Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubat - SP - Brasil

    quintairos@gmail.com

    5 Orientador - Professor do Programa de Ps Graduao em Administrao - Universidade de Taubat - Rua Visconde do Rio Branco, 210 Centro - 12020-040 - Taubat - SP - Brasil -

    edson@unitau.br Resumo O artigo tem por finalidade descrever e analisar a influncia da ergonomia no comportamento organizacional do trabalhador, bem como, por conseqncia, no aumento ou queda da produtividade do mesmo. A ergonomia um conjunto de cincia e tecnologia que procura dar solues aos grandes dilemas de como conseguir com que o trabalhador execute sua atividade associando conforto produtividade. Alm disso, a ergonomia analisa os padres de comportamento como gestos, posturas, verbalizaes, comunicaes e dos processos mentais que governam os mecanismos psicolgicos que os afetam, as emoes que influenciam, ou seja, todos os processos a que ocorrem durante a execuo do trabalho, o conhecimento de todo o processo de trabalho propicia a busca pela preveno da doena atravs de programas de promoo a sade e melhora da qualidade de vida do trabalhador e do clima organizacional da empresa atravs do conforto, segurana, usabilidade e do aumento da produtividade e competitividade. Palavras-chave: Conforto. Ergonomia. Sade. Segurana. Trabalhador. rea do Conhecimento: VI Cincias Sociais Aplicadas. Introduo

    A Ergonomia, a cincia aplicada para facilitar o trabalho executado pelo homem. O nome deriva-se de duas palavras gregas: ERGOS (trabalho) e NOMOS (leis, normas e regras).

    , portanto uma cincia que pesquisa, estuda, desenvolve e aplica regras e normas a fim de organizar o trabalho, tornando este ltimo compatvel com as caractersticas fsicas e psquicas do ser humano. Oficialmente, a Ergonomia nasceu em 1949, derivada da 2

    Guerra Mundial, onde centenas de avies, tanques, submarinos e armas foram rapidamente desenvolvidos, bem como sistemas de comunicao mais avanados e radares.

    Muitos destes equipamentos no estavam adaptados s caracterstica, provocando erros, acidentes e mortes.

    Cada soldado ou piloto morto representava problemas grave para as Foras Armadas, estudos e pesquisas foram iniciados, para que projetos fossem desenvolvidos para modificar comandos (alavancas, botes, pedais, entre

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    mailto:vilma70@gmail.com

  • outros) e painis, alm do campo visual das mquinas de guerra. Iniciava-se, assim, a adaptao de tais equipamentos aos soldados em combate.

    Com o Programa de Corrida Espacial e a Guerra Fria entre URSS e os EUA, a Ergonomia ganha impressionante avano.. Com o enorme desenvolvimento tecnolgico divulgado, a Ergonomia rapidamente se disseminou pelas indstrias de toda a Amrica do Norte e Europa (Lida, 2001). Principais Leses que Afetam o Trabalhador

    A Revoluo Industrial, trouxe ao mundo contemporneas transformaes profundas que alteram o estilo de vida das pessoas. Atualmente, impossvel viver sem o apoio de inmeros produtos e facilidades introduzidas pela fabricao de bens industrializados e pelas matrias-primas que os constituem.

    A produo acelerada de bens de consumo, vem impondo um ritmo de produo nem sempre compatvel com as caractersticas psico-fisiolgicas do ser humano. Acrescentam-se as condies ambientais e dimensionais do local de trabalho, que agridem nosso organismo.

    As chamadas Leses por Esforos Repetitivos (LERs) ou Leses por Traumas Cumulativos (LTCs) so injrias impostas ao organismo humano, principalmente manifestadas ao nvel da cintura escapular, coluna cervical e membros superiores.

    A indstria, o comrcio e as empresas prestadoras de servios orientam a produo de seus bens para um conceito de produtividade alta com o mnimo de custos possveis. Tal conceito vem diminuindo cada vez mais o nmero de trabalhadores.

    Com respectivo aumento da carga de trabalho que recai sobre cada um. Dividindo os trabalhadores em setores distintos de produo, nos quais sempre fazem a mesma coisa, ou seja, no h enriquecimento e variedade das tarefas. Geralmente com ciclos de trabalhos curtos, h o uso de aplicao de fora isolada a determinados segmentos corporais ou articulaes, sobrecarregando tais partes do corpo. Como ciclo de trabalho curto, devemos compreender que a atividade rpida, mas que se repete milhares de vezes ao longo da jornada de trabalho e por longo tempo.

    Geralmente no segmento corporal onde ocorre uma sobrecarga, h uma adoo de postura em ngulo-limite, potencializando os problemas relacionados, atravs de ligamentos

    e tecidos que so esticados excessivamente. Estes fatores agravam ainda mais a situao, conforme descritos a seguir:

    Horas extras e dobras de turno: na jornada de trabalho normal j se verificam casos de leses, o que no dizer a uma sobrejornada?;

    Vibrao: a vibrao acentua outros fatores, principalmente considerado que tal caracterstica implica em maior fora aplicada pela mo mesma, sem falar na dificuldade de fluxo sangneo naquela regio localizada do corpo;

    Frio: ambientes com baixa temperatura aceleram o aparecimento das leses em funo da pouca irrigao sangunea dos tecidos e msculos e tendem a um estado de dor e tenso, pressionando tendes e estrangulando a passagem destes entre ossos;

    Tenso provocada por fatores organizacionais: presso psicologicamente aos funcionrios, aumentando o ritmo de trabalho, eliminando pausas, diminuindo o nmero de funcionrios, etc. Tais fatores aumentam o aparecimento de dor no corpo das pessoas, por insatisfao. A ausncia de pausas pode acelerar o processo de lesionamento de tais tecidos;

    Iluminao: m iluminao causa fadiga visual, traz risco segurana e torna o ambiente de trabalho desagradvel;

    Temperatura: as temperaturas confortveis oscilam entre 20 e 22 graus centgrados no inverno e 25 e 26 graus centgrados no vero (umidade de 40 a 60%). Com temperatura elevada, h aumento da fadiga dos trabalhadores, posturas depressivas e prostraes. Temperatura baixa h maior propenso a inflamaes e espasmos musculares;

    Acstica: o rudo elevado causa perda da audio, irritao, distrao e aumento do nmero de acidentes entre trabalhadores (Couto, 1995).

    O Uso da Ergonomia como Preveno das LERs ou LTCs

    A organizao do trabalho esta diretamente ligado a configurao dos postos de trabalho, um poderoso agente de preveno s LERs e LTCs. Quando aplica-se conceitos ergonmicos

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  • na empresa, desde o estudo de pausas e repouso, at as condies posturais do trabalhador, esta-se adequando o trabalho ao trabalhador, que o princpio fundamental da ergonomia. Para tanto, deve-se combater fatores crticos que desencadeiam as leses:

    Reduzir a fora aplicada nos segmentos corporais: inmeras situaes de trabalho implicam na concentrao de foras em determinados grupos musculares e em reas localizadas do corpo. Algumas solues: - usar equipamentos de guindar, ao invs

    de usar a fora braal; - diminuir o peso de embalagens; - revestir as manoplas de ferramentas com

    superfcie emborrachada e rugosa; - fixar peas em bancadas com elementos

    mecnicos, ao invs de usar as mos; - regular molas presentes em alavancas e

    tambm embreagem de empilhadeiras e outros veculos usados em depsitos;

    - reestudar e alterar peas que implique em grande esforo fsico por parte do trabalhador.

    Reduzir a repetitividade dos movimentos: Geralmente com ciclo muito curto, implica em uma POSTURA VICIOSA e numa alta quantidade do mesmo movimento. Percebe-se, que a soluo est em promovendo um rodzio entre os trabalhadores de um setor, de modo que desenvolvam trabalhos diversificados e variados. H outras solues que reduzem a repetio, a saber: - mecanizar processos; - adotar pausas entre os trabalhos; - aproveitar as pausas para o

    desenvolvimento de exerccios de alongamento muscular (Koga, 2006).

    O Redesing do Posto de Trabalho

    Reprojetar um posto de trabalho implica em levantar os problemas no prprio local de trabalho, verificar a abrangncia do posto, as posturas adotadas pelo trabalhador, entre outros tantos. Reprojetar o posto apenas na prancheta correr o risco de dimensionar partes, sem testar se os alcances, as posturas, a visibilidade, possibilitaro realmente um trabalho mais confortvel e seguro ao usurio.

    muito comum que antes de entregar o projeto final, faa testes num simulador. Dependendo da riqueza de detalhes, servir at mesmo como treinamento prvio para os

    trabalhadores do posto que est sofrendo a interveno ergonmica (Kletz, 2003).

    Toda empresa possui uma populao muito diversificada, deve fornecer aos trabalhadores a devida flexibilidade. Mltiplas regulagens devem fazer parte dos acessrios do posto.

    Estudo da Fadiga

    A fadiga pode ser definida, de modo bastante simples, como o CANSAO. Ocorre em decorrncia de uma sobrecarga que se manifesta em pontos isolados do organismo, ou neste ltimo, como um todo. Ao manifestar-se a fadiga, h uma natural reduo da capacidade funcional das partes afetadas.

    A manifestao da fadiga , na verdade, um sistema de defesa do organismo que nos avisa que no recomendvel for-lo. Assim, observa-se que todos os dias sentimos diferentes graus de intensidade de fadiga, nas mais diversas situaes (Ba, 2002).

    O homem um ser complexo. Sua complexidade no est limitada ao modo como raciocina. Sabe-se no ter no crebro toda a sua capacidade ainda aproveitada. Mas o homem, alm de um ser pensante, um ser que possui sentimentos. Seu lado emocional influi diretamente em sua vida e a vida do homem passada em confronto direto com realidade do dia-a-dia.

    As realidades vivenciadas pelo ser humano nem sempre vo de encontro s suas expectativas e, em tais situaes, o lado emocional manifesta-se em desequilbrio.

    A incapacidade de tolerar e superar situaes que ultrapassam o nvel de exigncias psquicas do ser humano se traduz pela Fadiga Psquica. Tal estado de diminuio da capacidade funcional do homem reversvel, ou seja, se a situao vivenciada for alterada e no houver mais a necessidade de suportar uma condio adversa, o indivduo estar superando este tipo de fadiga.

    Os indivduos que se sujeitam a jornadas de trabalho intensas, trabalhando em dois ou trs empregos diferentes, ou trabalhando de dia e estudando a noite, sofrem sobrecarga.

    Observa-se em tais situaes que, medida que vai se manifestando o esgotamento mental, o indivduo no consegue nem se concentrar nos afazeres de seu trabalho diurno e nem aproveitar as aulas e lies da escola noturna.

    Geralmente se manifesta pelo sub-aproveitamento da capacidade profissional do indivduo, que j atingiu um determinado nvel

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  • de conhecimento e experincia, mas se v na condio de trabalhar em atividades bsicas e at mesmo braais.

    uma manifestao psquica muito observada em linhas de montagem, nas quais o trabalho no possui qualquer espcie de criatividade, pois se faz sempre a mesma coisa, repetida milhares de vezes. uma situao na qual aparece uma evidente insatisfao e revolta por parte do trabalhador. A fadiga psquica deriva-se de dois fatores, contexto e ocupacionais:

    O stress relacionado ao trabalho pode exercer grande impacto sobre a sade e o bem-estar dos trabalhadores. Conseqentemente gera despesas com custos diretos em assistncia medica do empregado. Alm disso, funcionrios insatisfeitos esto mais propensos a exigir indenizaes. H tambm os custos indiretos com a insatisfao do trabalhador expressa na forma de absentesmo e rotatividade, que um problema organizacional.

    A insatisfao o causa maior de declnio do compromisso organizacional que implica na vontade de investir uma grande dose de esforo em favor da organizao (Wagner & Hollenbeck, 1999).

    Fatores de Contexto Extra-profissionais: o meio no qual o indivduo vive:

    - salrio baixo; - condies sub-humanas de vida

    (alimentao, vesturio, moradia, entre outros);

    Concluso

    A aplicao da ergonomia tem como objetivo o aumento da produtividade e preveno no desenvolvimento das doenas e incapacidades adquiridas no ambiente de trabalho.

    - ausncia de assistncia mdico-hospitalar;

    - mercado de trabalho restrito; - desajustes familiares.

    Fatores ocupacionais: o meio no qual o indivduo trabalho: Atravs do conforto fsico e uma adequao

    do posto de trabalho resulta em melhorias das caractersticas fsicas do trabalhador; melhoria no relacionamento interpessoal e da diminuio considervel do absentesmo e outras formas de afastamentos na empresa.

    - chefia insegura e incompetente; - perseguio e bloqueio de carreira; - humilhaes, baixarias, brigas entre a

    chefia e o subordinado; - agentes agressivos ambientais (rudo,

    vibrao, calor, gases e vapores txicos, entre outros).

    Alm dos fatores de contexto e dos ocupacionais, tambm deve-se levar em considerao que h uma predisposio do indivduo fadiga psquica, segundo o grau de vulnerabilidade.

    O resultado final contribui para a melhor qualidade de vida do colaborador e do clima organizacional na empresa aumentando o conforto, a segurana, a usabilidade e a produtividade. Referncias:

    Fatores Organizacionais que Causam a Insatisfao do Trabalhador

    BA, L.M.S. Fisioterapia do trabalho. 20. ed. Curitiba: Cl do Silva, 2002.

    A maioria das organizaes no esta

    preocupado com a satisfao no trabalho. Por isso, s vezes difcil fazer com que o gerentes percebam a importncia de compreender e melhorar as atitudes e os sentimentos de seus funcionrios para com o trabalho.

    COUTO, H.A. Ergonomia aplicada ao trabalho. 1. ed. Belo Horizonte: Ergo, 1995.

    KLETZ, T. A. - O QUE HOUVE DE ERRADO?, So Paulo: Makron Books, 2003.

    KOGA A. C. Comparao da Eficcia da Cinesioterapia Laboral em tempos diferentes de Aplicao, So Paulo Monografia CBES. 2006.

    A insatisfao e o stress do empregado produzem na empresa importantes efeitos que no podem ser negligenciados, entre os quais se incluem a elevao dos custos de assistncia medica, rotatividade, absentesmo e violncia no local de trabalho.

    LIDA, I. Ergonomia -Projeto e Produo, So Paulo: Edgard Blucher Ltda, 2001.

    WAGNER III, J.A, & HOLLENBECK, J.R Comportamento organizacional criando vantagem competitivas. 1ed. So Paulo: Saraiva. 1999.

    As empresas devem dar importncia a seus equipamentos e recursos fsicos tanto quanto seus recursos humanos para se manterem no mercado competitivo.

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