a inFLUNCIA DA ERGONOMIA NO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

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AD1 COLGIO E FACULDADE CURSO SUPERIOR EM PRODUTOS DA MODA

GILMAR PEREIRA VALADARES

A INFLUNCIA DA ERGONOMIA NO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Braslia-DF 2005

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AD1 COLGIO E FACULDADE CURSO SUPERIOR EM PRODUTOS DA MODA

GILMAR PEREIRA VALADARES

A INFLUNCIA DA ERGONOMIA NO AUMENTO DA PRODUTIVIDADE

Trabalho de Concluso de Curso, apresentado a Faculdade D1, como requisito para a obteno do ttulo de ................ no Curso de Produtos da Moda, solicitado pelo professor/orientador: ...........................

Braslia/DF 2005

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AGRADECIMENTOS Agradeo aos meus familiares, pela compreenso e tolerncia pelo tempo que estive ausente de casa, aos colegas pelo companheirismo e por ter me ajudado em meu aprendizado no decorrer deste curso, aos colegas de servio pelo apoio e compreenso pelo incentivo para a realizao de mais um de meus sonhos; quero agradecer tambm a todos aqueles que me acolheram em nosso estgio, a todos que de uma maneira ou de outra, ou seja, que direto ou indiretamente estiveram apoiando para a finalizao de mais um curso. Agradeo especialmente aos professores: ........................................................ que tiveram a pacincia e tolerncia, compreenso, pois muito me ensinaram e com certeza levarei suas lembranas para sempre, lembrarei de todos vocs com carinho e muitas saudades.

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DEDICATRIA

Dedico este trabalho especialmente ao meu bom Deus por ter me fortalecido na sade e na inteligncia e aos professores: ............................................. por no terem medido esforos para transmitir seus conhecimentos com tanta clareza.

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I. RESUMOEste trabalho tem como finalidade estudar as forma de aumentar a produtividade e a satisfao dos trabalhadores do setor de costura, porque at hoje no existe conhecimento de uma organizao vencedora sem trabalhadores vencedores, e nem organizao motivada sem pessoas motivadas. Ela se constri ou se destroem de acordo com o desempenho de todos que nela trabalham. Atravs de pesquisas e estudos pode-se notar que tanto a produtividade quanto a satisfao do trabalhador de uma organizao esta ligada diretamente com a Ergonomia. Foram aplicados trs questionrios dois para as costureiras e um para seu dono ou representante legal. Os resultados obtidos foram o suficiente para fechar um diagnstico. Neste sentido, ser abordado neste TCC - Trabalho de Concluso de Curso um pouco sobre Ergonomia, observando sempre que ela exerce de certa forma grande influncia para o aumento da produtividade dentro de uma fbrica. Teremos como foco principal o setor da costura. E quem sabe possa contribuir para os diversos locais onde realizou-se vrios estgios supervisionados.

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II. ABSTRACTThis work has as purpose to study the form to increase the productivity and the satisfaction of the workers of the sewing sector, because until today knowledge of a winning organization without winning workers does not exist, and nor organization motivated without motivated people. It if constroe or if destroe in accordance with the performance of that in they work. Through research and studies as much can be noticed that the productivity how much the satisfaction of the worker of an organization this on one directly with the Ergonomics.Three questionnaires two for the dressmakers and one for its owner or legal representative had been applied. The gotten results had been the sufficient to close a diagnosis. In this direction, Work of Conclusion of Course will be boarded in this TCC - a little on Ergonomics, observing always that it inside exerts of certain form great influence for the increase of the productivity of a plant. We will have as main focus the sector of the sewing. E who knows can contribute for the diverse places where it became fullfilled some supervised periods of training.

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SUMRIOI. RESUMO II. SUMRIO 1. INTRODUO...........................................................................6 2. DEFINIO DO PROBLEMA....................................................8 3. OBJETIVOS...............................................................................9 3.1 Justificativa do Trabalho...............................................9 4. METODOLOGIA........................................................................11 4.1. Tipos de Pesquisa.......................................................11 4.2. Coleta de Dados..........................................................11 5. ERGONOMIA............................................................................12 5.1. Histrico da Ergonomia................................................12 6. DEFINIO...............................................................................15 7. APLICAO DA ERGONOMIA.................................................19 7.1. Aplicao Ergonmica no Posto de Trabalho.............20 7.2. Princpios Gerais Sobre os Assentos..........................23 7.3 Resumos das medidas antropomtricas .....................25 8. BIOMECNICA OCUPACIONAL..............................................28 9. CONTEXTO SCIO TCNICO.................................................29 9.1 Histrico da Empresa....................................................29 9.2. Panorama da Empresa................................................31 9.3 Descrio do Trabalho na Fbrica................................33 9.4 Anlise de Distribuio do Trabalho.............................33 10. DESCRIO DO TRABALHO NO SETOR DA COSTURA....35 11. CONCLUSO..........................................................................39 12. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS........................................42

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1. INTRODUO

A ergonomia bem mais antiga do que imaginamos, apareceu junto com o homem primitivo. Com a necessidade de se proteger e sobreviver, o homem primitivo, sem querer comeou a aplicar os princpios de ergonomia, ao fazer seus utenslios de barro para tirar gua de cacimbas e cozinhar alimentos. Mas, foi na revoluo industrial que a ergonomia comeou realmente a difundir. Nas grandes guerras ela teve uma importncia fundamental no desenvolvimento de armas e equipamentos blicos. Hoje, ela tem sido fator de aumento de produtividade e da qualidade do produto bem como da qualidade de vida dos trabalhadores, na medida em que a mesma aplicada tambm com a finalidade de melhorar as condies ambientais, visando a interao com o ser humano.

Desta maneira, a ergonomia busca no apenas evitar aos trabalhadores os postos de trabalhos fatigantes e/ou perigosos, mas procura coloc-los nas melhores condies de trabalho possveis de forma a melhorar o rendimento e evitar o acidente ou fadiga excessiva. A ergonomia est preocupada com os aspectos humanos do trabalho em qualquer situao onde este realizado, e assim sendo, no podemos esquecer aqui das suas duas finalidades bsicas: o melhoramento e a conservao da sade dos trabalhadores, e a concepo e o funcionamento satisfatrio do sistema tcnico do ponto de vista da produo e segurana.

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Assim, a qualidade de vida no trabalho respeitando os princpios da Ergonomia se torna um dos fatores principais, para que os funcionrios passem pelas situaes estressantes sem ter que dar entrada em um hospital.

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2. DEFINIO DO PROBLEMA Nos ltimos anos, podemos observar que os avanos tecnolgicos esto sendo apresentados s indstrias do vesturio. A maior evoluo aconteceu com a oferta de Sistemas Informatizados CAD (Computer Aided Design) e CAM (Computer Aided Manufacturing) especficos para o vesturio. Estes programas so os responsveis, a princpio, pela diminuio do tempo de operao nas fases de criao, modelagem, corte, reduzindo o tempo de operao e do desperdcio de matria-prima, alm de aumentar a flexibilidade produtiva nessas fases. Tambm, no se pode negar a existncia de mquinas de costura mais sofisticadas (eletrnicas) que proporcionam empresa maior produtividade. Mas, nem todos conseguem acompanhar o mercado, na maioria das vezes, utilizam-se os equipamentos bsicos para o desenvolvimento de suas atividades, ou seja, a mquina de costura de primeira e segunda gerao que so facilmente encontradas no mercado a preos acessveis. Isto tem facilitado o crescente aumento do nmero de empresas e atrado cada vez mais pessoas despreparadas para esse segmento. No entanto, mesmo sendo to importante, nota-se que a organizao do trabalho em vrias fbricas feita de forma emprica, entre erros e acertos e isto tem provocado vrios problemas de qualidade, produtividade, atrasos nos prazos de entrega, comprometendo a imagem da empresa perante o mercado. E, em casos extremos, proporcionando at o fechamento da empresa. Assim, este trabalho ser feito dentro de uma fbrica de confeco, procurando encontrar um mtodo condizente de organizao de trabalho bem como a estruturao do posto de trabalho para que proporcione uma maior produtividade.

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3. OBJETIVOS Este trabalho tem como objetivo propor um mtodo de organizao do posto de trabalho para o setor da costura, de forma a estabelecer alguns procedimentos que permitam s costureiras o acesso ao conhecimento e utilizao de posturas correta, em benefcio de sua sade e conseqentemente o aumento da produtividade. 3.1 Justificativa do Trabalho No de hoje, que a cadeia txtil produtiva vem tendo uma grande importncia na economia e no comrcio mundial. Ela tambm responsvel por um enorme nmero de gerao de empregos. No Brasil, sua importncia no diferente, principalmente a partir da abertura do comercio brasileiro ao mundo no governo Collor e com a globalizao, tem se exigido dessas empresas um novo padro de gesto. Quando se trata da indstria do vesturio que compreende a ltima etapa da cadeia txtil produtiva, as exigncias so bem maiores. A razo simples, esse tipo de indstria se caracteriza pela grande variedade de matria prima utilizada, proporcionando alta heterogeneidade de produtos ofertados que, normalmente, esto ligados ao fenmeno efmero, que a moda. Hoje, fcil encontrar essas indstrias na maioria das cidades, sendo que o porte e a estrutura organizacional pode variar de acordo com a estratgia competitiva que se utiliza. No entanto, a tecnologia utilizada nesse setor em termos de maquinrio muito parecida na grande maioria das empresas.

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A Indstria local do vesturio constituda basicamente por micro e pequenas empresas. So aproximadamente trezentas fabricando uniformes, roupa ntima, moda praia, modinha, camisas, camisetas e roupas em geral. O setor enfrenta obstculos, natural. Sendo mais visveis, aqueles relacionados com a qualificao da mo de obra e a insuficincia de capital de giro. Nessa linha de argumentao, iniciamos ento, o TCC Trabalho de Concluso de Curso, organizado em quatro partes: na primeira parte ser discorrido sobre Ergonomia, na segunda parte teremos o Contexto Scio Tcnico contendo histrico da empresa, panorama da empresa e descrio do trabalho na fbrica, em seguida apresentaremos os resultados da observao geral juntamente com as anlises das entrevistas realizadas na empresa e na ltima etapa, a concluso.

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4. METODOLOGIA 4.1 Tipos de Pesquisa Segundo Cervo e Bervian (1976, p. 69) qualquer tipo de pesquisa em qualquer rea do conhecimento, supe e exige pesquisa bibliogrfica prvia, quer para o levantamento da situao em questo, quer para a fundamentao terica ou ainda para justificar os limites e contribuies da prpria pesquisa. Por isso foi utilizados a pesquisa bibliogrfica para levantamento, seleo e documentao de bibliografia j publicada sobre o assunto que est sendo pesquisado, em livros, revistas especializadas, jornais, e boletins, com o objetivo de ter contato direto com todo material j escrito sobre o mesmo. 4.2 Coleta de Dados Os dados foram coletados por meio de: a) Pesquisa bibliogrfica em livros, revistas especializadas, jornais e dissertaes com dados pertinentes ao assunto. b) Pesquisa documental em formulrios distribudos aos funcionrios do setor costura da fbrica.

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5. ERGONOMIA 5.1 Histrico da Ergonomia Muitos autores, dizem que o perodo de gesto da ergonomia, provavelmente date ainda da Pr-Histria quando o homem preocupa-se em adaptar os objetivos e o ambiente as suas necessidade. Porm, estudos mais sistematizados ocorrem a partir da Revoluo Industrial devido s condies precrias de trabalho. Ao chegar a Revoluo Industrial automatiza o trabalho, aumenta a produtividade, traz tona as doenas causadas pelas ms condies do trabalho e provoca os estudiosos pesquisa da Ergonomia. A data oficial de nascimento da ergonomia dia 12 de junho de 1949. Quando um grupo de cientistas e pesquisadores se reuniram, interessados em formalizar a existncia desse novo ramo de aplicao interdisciplinar da cincia. No dia 16 de fevereiro de 1950, durante a segunda reunio deste grupo, foi proposto o neologismo "ERGONOMIA", formado pelos termos gregos ergon (trabalho) e nomos (regras), leis naturais. O termo ergonomia foi adotado nos principais pases europeus, onde se fundou a associao Internacional de Ergonomia, que realizou o seu primeiro congresso em Estocolmo, em 1961. Durante a dcada de 50, ela foi aplicada de forma restrita, basicamente ao estudo de botes (knobs), melhorando o contato do homem com a mquina. Com a introduo do conceito de sistema homem-mquina, nos anos 60, o campo de atuao da ergonomia ampliou-se. Passando a atuar de forma mais integrada nos

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estudos dos postos de trabalho e nas anlises de posturas e ambientes de trabalho. Nos anos 70 a ergonomia expandiu-se para fora da indstria conquistando outros ares. Ao longo da histria humana, segundo Rio e Pires (2001, p. 25), os princpios fundamentais da ergonomia foram aplicados: na substituio ou transferncia de trabalhos mais pesados para animais; na inveno de artifcios que facilitam o trabalho; na adaptao de postos de trabalho, tornando-os mais apropriados s propores do corpo humano e facilitando posturas mais equilibradas; e na utilizao de adaptaes que facilitam o melhor posicionamento do corpo humano em atividades que apresentam dificuldades excntricas. J no Brasil a ergonomia comeou a ser evocada na USP, nos anos 60 pelo Prof. Srgio Penna Khel, que encorajou Itiro Lida a desenvolver a primeira tese brasileira em Ergonomia, a Ergonomia do Manejo. Tambm na USP, Ribeiro Preto, Paul Stephaneek introduzia o tema na Psicologia. Nesta poca, no Rio de Janeiro, o Prof. Alberto Mibielli de Carvalho apresentava Ergonomia aos estudantes de Medicina das duas faculdades mais importantes do Rio, a Nacional (UFRJ) e a cincias Mdicas (UEG, depois UERJ); O Prof. Franco Seminrio falava desta disciplina, com seu refinado estilo, aos estudantes de Psicologia da UFRJ. O maior impulso se deu na COPPE Coordenao dos Programas de Ps-graduao de Engenharia, no incio dos anos 70, com a vinda do Prof. Itiro Lida para o Programa de Engenharia de Produo, com escala na ESDI/RJ Escola Superior do Desenho Industrial ESDI/RJ. Alm dos

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cursos de mestrado e graduao, Itiro organizou com Collin Palmer um curso que deu origem ao primeiro livro editado em portugus. Hoje, a ergonomia difundiu-se em praticamente todos os pases do mundo. Existem muitas instituies de ensino e pesquisa atuando na rea e anualmente se realizam muitos eventos para apresentao e discusso dos resultados das pesquisas. Contudo, com o acervo e conhecimentos ora disponveis se fossem aplicados, com certeza reduziria o sofrimento de muitos trabalhadores melhorando assim a produtividade e condies de vida em geral. bom salientar que os produtos ergonmicos costumam ser mais caro que a mdia dos produtos convencionais.

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6. DEFINIO So vrias as definies de Ergonomia, mas em Lida (1990, p. 01) que encontramos um referencial ergonmico amplo, a comear pela prpria definio de Ergonomia: o estudo da adaptao do trabalho ao homem. Esse trabalho abrange no apenas as mquinas e equipamentos utilizados para transformar os materiais, mas tambm toda a situao em que ocorre o relacionamento entre o homem e o seu trabalho. Isso envolve o seu ambiente fsico, os aspectos organizacionais, de como seu trabalho programado e controlado para produzir os resultados desejados. O autor define Ergonomia como o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamento e ambiente, e particularmente a aplicao dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na soluo dos problemas surgidos desse relacionamento. A Ergonomia estuda diversos aspectos do comportamento humano no trabalho e outros fatores importantes para o projeto de sistemas de trabalho, que so: o homem caractersticas fsicas, fisiolgicas, psicolgicas e sociais do trabalhador (influncia do sexo, idade, treinamento e motivao); mquina entende-se por mquina todas as ajudas materiais que o homem utiliza no seu trabalho, englobando os equipamentos, ferramentas, mobilirio e instalaes; ambiente estuda as caractersticas do ambiente fsico que envolve o homem durante o trabalho, como a temperatura, rudos, vibraes, luz, cores, gases e outras; informao refere-se s comunicaes existentes entre os elementos de um sistema, a transmisso de informaes, o processamento e a tomada de decises; organizao a conjugao dos elementos acima citados no sistema produtivo, estudando aspectos como horrios, turnos de trabalho e formao de equipes; conseqncias do trabalho priorizando-se as questes de controle como

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tarefas de inspees, estudos dos erros e acidentes, alm dos estudos sobre gastos energticos, fadiga e estresse. Os objetivos prticos da Ergonomia so a segurana, a satisfao e o bem estar dos trabalhadores no seu relacionamento com o sistema produtivo. A eficincia vir como resultado porque ela, isoladamente, poderia significar sacrifcio e sofrimento aos trabalhadores. Esses objetivos constituem-se numa preocupao normal dos projetistas, engenheiros e desenhistas industriais, dos gerentes e administradores de empresas, mas na Ergonomia que ser dado um tratamento cientfico a tais objetivos, pela acumulao de conhecimentos e metodologias para interferir no sistema produtivo, com razovel certeza dos resultados satisfatrios. Ela contribui para garantir a integridade da sade dos trabalhadores, assim como para a segurana e a produtividade. A ergonomia possui mtodos para descrever e avaliar as atividades realizadas pelos trabalhadores, de modo a gerar recomendaes para a sua transformao.

A ergonomia pode ser mais eficiente na indstria, isto porque geralmente um trabalho estruturado onde cada trabalhador tem uma funo definida, utilizandose de mquinas e equipamentos. Mesmo no mbito interno de uma fbrica, h uma expanso crescente das atividades de ergonomia. O produto passou a ser um meio de satisfao de uma necessidade. Ento ele s consegue preencher bem essa funo se for acompanhado de diversas outras atividades, que complementam o seu projeto fsico, tanto antes como aps a produo.

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Na indstria pode ser desenvolvidas uma atividade organizada e programada para melhorar as habilidades de uma pessoa, chamada de treinamento industrial, que tem como funo aumentar a velocidade e qualidade psicomotora dos movimentos necessrios para realizar uma tarefa. Mais especificamente, o treinamento considerado um meio de aumentar a confiabilidade humana no sistema homem-mquina. Na elaborao do sistema de treinamento existem duas decises fundamentais: a escolha das tarefas a serem treinadas e a durao do treinamento. Se partir de algumas premissas bsicas, uma empresa industrial consegue diminuir bastante os erros e acidentes atravs da introduo de um programa de treinamento. Isto pode ser iniciado em grupos de sesses com especialistas fazendo apresentaes dos objetivos e aspectos operacionais. Nessas sesses, deve ficar bem claro que no ser coibido os trabalhadores envolvidos em erros, mas que o relato dos mesmos seja passado de forma clara, para que a empresa melhore o desempenho. Dessas sesses os grupos escolhem seu coordenador que tomar as medidas necessrias para que esses relatos sejam encaminhados comisso de especialistas para anlise. Este mesmo coordenador supervisionar a

implementao das medidas recomendadas e corrigi-las, em caso de necessidade. Esse procedimento adotado no programa de reduo de erros so semelhantes aos do Crculo de Controle de qualidade, que consistia em reunies do supervisor com os respectivos operrios, que se juntavam voluntariamente, fora do expediente, para discutir problemas de qualidade, sem uma formalizao por parte da administrao da empresa.

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Dentro do controle de qualidade podemos destacar o trabalho de inspeo na indstria, que nada mais do que o teste de produtos, componentes e materiais, para garantir que eles fiquem dentro de certas especificaes. O trabalho de inspeo exige melhor grau de julgamento e discriminao. Desde que haja uma definio precisa dos padres exigidos, ou seja, quando a fronteira entre o que se considera um produto defeituoso ou aceitvel claramente definida.

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7. APLICAES DA ERGONOMIA Segundo Rio e Pires (2001) j citado, as aplicaes da Ergonomia podem ser subdivididas com relao a: Abordagem: que segundo Wisner (1987, p. 18) subdividida em Ergonomia de Produto (voltada para a concepo de produtos) ou de Produo (aplicada em processos produtivos podendo ser subdividida em Atividade na Agricultura, Atividade Industrial, Atividade Artesanal e Ergonomia Militar e Cosmonutica). Perspectiva: Ergonomia de Interveno e de Concepo

Finalidade: Ergonomia de Correo, Enquadramento, Remanejamento e Modernizao. Segundo Wisner (1987), na Ergonomia de Concepo, apesar da ao ser muito eficaz e de baixo custo ela exige do ergonomista grande experincia para evitar criar ou no perceber um inconveniente grave; enquanto a Ergonomia de Correo responde diretamente a anomalias s vezes difceis de trabalhar (sistemas complexos, carga mental, etc...) e cujo custo para serem modificadas geralmente alto. Assim, a ergonomia pode contribuir para solucionar um grande nmero de

problemas sociais relacionados com a sade, segurana, conforto e eficincia (DUL e WEERDMEESTER, 1995, p. 15), tais como: . Reduo de acidentes pela considerao das capacidades e limitaes humanas durante o projeto do trabalho e do seu ambiente;

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. Reduo do absentesmo e incapacitao ao trabalho pela adequao de equipamentos, sistemas e tarefas e melhoria de projetos;

. Reduo da ocorrncia de erros e melhoria de desempenho; e

. A elaborao de normas: Segundo Wisner (1987), at a Segunda Guerra Mundial, as cincias do homem estavam preocupadas com a observao dos efeitos, principalmente os perigosos, do trabalho sobre o homem e para o estabelecimento de regras de proteo sade. Tendo em vista o aumento da complexidade das situaes de trabalho e o avano da epidemiologia para acompanh-las, estas pesquisas, que culminam em legislaes ou

normatizaes, continuam sendo fundamentais, pois, conforme descreve Montmollin (1990), a Ergonomia no preocupa-se apenas em evitar que os trabalhadores venham a trabalhar em postos de trabalho fatigantes e perigosos, mas tambm coloc-los nas melhores condies de trabalho possveis. Alguns dos conhecimentos difundidos pela Ergonomia encontramse convertidos em Normatizaes Internacionais como a ISO (International Standardization Organization) e as Normas Europias do CEN (Comit Europen de Normalisation); em Normatizaes Nacionais como a ANSI (EUA), BSI (Inglaterra) e NR-17 (Brasil). 7.1 Concepo Ergonmica Posto de Trabalho Nos dias atuais o que estamos percebendo que a maioria dos problemas ergonmicos esto exatamente onde sempre estiveram, ou seja, no projeto das mquinas, dos equipamentos, das ferramentas, do mobilirio e do posto de trabalho

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e, evidentemente, agravados pelas inadequaes relativas a organizao do trabalho. Desta forma, se no houver a adaptao ergonmica do projeto do posto de trabalho os problemas ergonmicos continuaro a existir. Estes problemas podem ser minimizados com aes paliativas (ginstica laborativa, pausas durante a jornada de trabalho, reduo da jornada de trabalho, rotatividade de tarefas e etc.), mas, jamais eliminados em sua totalidade, pois com estas aes, no se combate a causa, e sim o efeito. Por este motivo, que se deve aplicar os conhecimentos ergonmicos na concepo do projeto dos postos de trabalho, das mquinas, das ferramentas, do mobilirio e, at mesmo no planejamento da organizao do trabalho. O Posto de Trabalho definido como a menor unidade produtiva em um sistema de produo. Ele envolve o homem, seu local de trabalho, e toda ajuda material que o indivduo necessita para realizar suas tarefas, abrangendo: mquinas, ferramentas, equipamentos, mobilirio, softwares, sistemas de proteo e

segurana, EPIs e o prprio sistema de produo. O projeto do posto de trabalho tem basicamente dois enfoques historicamente conhecidos; o enfoque taylorista e o enfoque ergonmico tradicional. A seguir apresentamos a definio e a abrangncia dos enfoques ergonmicos dos postos de trabalho: Enfoque Taylorista: baseado no estudo dos movimentos corporais para realizar uma tarefa e no tempo gasto em cada um desses movimentos. O melhor mtodo de trabalho escolhido pelo menor tempo consumido na realizao das tarefas. O enfoque taylorista no leva em considerao as caractersticas fsicas e

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psicolgicas dos usurios / operadores, muito menos, as necessidades individuais dos mesmos. Enfoque Ergonmico Tradicional: baseado no princpio da reduo das exigncias biomecnicas no intuito de minimizar a fadiga fsica, ou seja, leva em considerao os limites e capacidades do indivduo do ponto de vista da biomecnica ocupacional e, as caractersticas antropomtricas dos

usurios/operadores. No enfoque ergonmico tradicional, o posto de trabalho considerado um prolongamento do corpo humano, visto que este trata apenas dos fatores fsicos do posto de trabalho. O enfoque ergonmico tradicional aplicado na concepo e/ou adaptao de postos de trabalhos tradicionais. Enfoque Ergonmico Global: segue os mesmos princpios do enfoque ergonmico tradicional, abrangendo ainda os aspectos psicolgicos e cognitivos do indivduo, bem como, os sistemas de produo (incluindo os hardwares e softwares). No enfoque ergonmico global, o posto de trabalho considerado um prolongamento do corpo e da mente humana, pois trata alm dos fatores fsicos do posto de trabalho, os aspectos cognitivos (na interface homem x mquina e processo de produo), bem como, as relaes pessoais e motivacionais no ambiente de trabalho. O enfoque ergonmico global aplicado na concepo e / ou adaptao de postos de trabalho e/ou ambientes de trabalho informatizados e automatizados em ambientes industriais e administrativos.

Enfim, qualquer que seja a abrangncia e enfoque do projeto ergonmico do posto de trabalho, estes devem atingir os seguintes objetivos:

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Adequar o posto de trabalho aos limites e capacidades do indivduo (fsica, psicolgica e cognitivamente).

Otimizar as condies de trabalho para conquistar eficcia, eficincia, produtividade e qualidade.

Proporcionar

condies

para

desenvolvimento

da

criatividade

e

participatividade dos funcionrios/colaboradores. Evitar o erro humano, prevenir acidentes e doenas ocupacionais. Proporcionar conforto, segurana, qualidade de vida, bem-estar e satisfao no trabalho. 7.2 Princpios gerais sobre os assentos Os princpios gerais sobre os assentos so derivados de diversos estudos anatmicos, fisiolgicos e clnicos dos movimentos de postura sentada, e estabelecem os principais pontos a serem verificados no projeto e seleo de assentos: Existe um assento mais adequado para cada tipo de funo isso quer dizer que no existe um tipo ideal de assento para todas as ocasies, mas aquele mais adequado para cada tipo de tarefa. Assem sendo, um assento de automvel pode ser confortvel para dirigir, mas provavelmente seria desconfortvel para uso em escritrio, e vice-versa. As dimenses do assento devem ser adequadas s dimenses

antropomtricas do usurio No caso, a dimenso antropomtrica crtica a altura popltea (da parte inferior da coxa sola do p), que determina a altura do assento. Os assentos cujas alturas sejam superiores ou inferiores altura

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popltea no permitem um assentamento firme das tuberosidades isquiticas, para transmitir o peso do corpo sobre o assento. Podem tambm provocar presses sobre as coxas, que so anatmica e fisiologicamente inadequadas para suportar o peso do corpo. A largura do assento deve ser adequada largura torcica do usurio e o comprimento deve ser tal que a borda do assento fique menos 2cm afastada da parte interna da perna. O assento deve permitir variaes de postura As freqentes variaes de postura servem para aliviar as presses sobre os discos vertebrais e as tenses dos msculos dorsais de sustentao, reduzindo-se a fadiga. Portanto, os assentos de formas "anatmicas" em que as ndegas se "encaixam" neles, permitindo poucos movimentos relativos, no so recomendados. Para os postos de trabalho operacional, recomendado colocar apoio para os ps, com duas ou trs alturas diferentes, para facilitar as mudanas de posturas. Outra possibilidade fazer o encosto mvel, para que a pessoa possa reclinar-se para trs, periodicamente, a fim de aliviar a fadiga. O encosto deve ajustar no relaxamento Em muitos postos de trabalho, a pessoa no usa continuamente o encosto, mas apenas de tempos em tempos, para relaxar. O perfil do encosto importante, porque uma pessoa sentada apresenta uma protuberncia para trs na altura das ndegas e a curvatura da coluna vertebral varia bastante de uma pessoa para outra. Devido a isso, podese deixar um espao vazio de 15 a 20 cm entre o assento e o encosto. Um suporte situado entre as 2 e 5 vrtebras lombares permite maior liberdade de movimento ao tronco.

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Assento e mesa formam um conjunto integrado A altura do assento deve ser estudada tambm em funo da altura da mesa, de modo que a superfcie da mesa fique aproximadamente na altura do cotovelo da pessoa sentada. Os braos da cadeira devem ficar aproximadamente mesma altura ou um pouco abaixo da superfcie de trabalho para dar apoio aos cotovelos. Entre o assento e a mesa deve haver um espao de pelo menos 20 cem para acomodar as coxas, permitindo certa movimentao das mesmas. 7.3 Resumo das medidas antropomtricas Na escolha dos dados antropomtricos, o projetista deve verificar a definio exata das medidas (especialmente os pontos iniciais e terminais) e as caractersticas da populao em que a amostra foi baseada. As dimenses antropomtricas podem variar de acordo com as etnias e com a poca, tanto pela evoluo da populao, como pela mudana das pessoas que exercem certas funes na sociedade. H influncias econmicas nas medidas antropomtricas. Trabalhadores de baixa classificao podem ser at 10cm mais baixos em relao aos de melhor renda. Projetos feitos no exterior nem sempre se adaptam aos brasileiros, e essa diferena tende a ser maior no caso de projetos baseados em medidas antropomtricas de mulheres. No uso de dados antropomtricos, o projetista deve verificar qual a tolerncia aceitvel para acomodar as diferentes dimenses encontradas na

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populao de usurios, e providenciar os ajustes estticos, dinmicos e funcionais. Os objetos e espaos podem ser dimensionados para a mdia da populao (50%) ou um de seus extremos (5% ou 95%). Os objetos e os espaos de trabalho devem permitir uma acomodao de pelo menos 90% da populao de usurios. A acomodao dos extremos, acima desse percentil, pode no ser economicamente justificvel. O dimensionamento do posto de trabalho est intimamente relacionado com a postura e nenhum deles pode ser considerado separadamente um do outro. Na deciso sobre o trabalho sentado ou em p, devem ser considerados: a localizao dos controles, componentes e atividades; a intensidade e as direes das foras a serem exercidas; a freqncia do trabalho de p ou sentado; e, o espao para acomodar as pernas, quando sentado. A altura da superfcie de trabalho em p depende do tipo de trabalho executado. Para a posio sentada, a altura da mesa deve ser dimensionada de forma integrada com o assento. O projeto do assento deve considerar: a relao entre a altura do assento e do trabalho; facilidade de sentar-se e levantar-se; estabilidade do assento; pequenos acolchoamentos do assento e do encosto. O assento confortvel permite variaes de postura. Dificuldades de movimentar-se contribuem para aumentar a fadiga. Muitas vezes possvel

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projetar o posto de trabalho para permitir o trabalho sentado e de p, alternadamente.

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8. BIOMECNICA OCUPACIONAL A biomecnica ocupacional estuda as interaes entre o trabalho e o homem sob o ponto de vista dos movimentos msculo-esquelticos envolvidos no trabalho (Lida, 1990). Analisa basicamente a questo das posturas no trabalho e a aplicao das foras. Em biomecnica, as leis fsicas da mecnica so aplicadas ao corpo humano. possvel estimar o stress nos msculos e articulaes quando numa dada postura ou movimento. Segundo (GERTZ, 1998) em biomecnica as foras aplicadas ao corpo podem ser divididas em dois tipos, as foras externas e as foras internas. As foras externas so aquelas exercidas na superfcie do corpo. As foras internas so geradas pelos msculos e tendes e so reaes s externas. Se o corpo est parado, o somatrio das foras internas e externas deve ser zero. 8.1 Trabalhos Esttico e Dinmico O trabalho esttico - Conduz mais rapidamente ao estado de fadiga. O esforo muscular deve assim ser combinado entre esttico e dinmico. O trabalho dinmico - Este trabalho, como o de atuar uma manivela, caracteriza-se por uma alternncia entre a contrao e a distenso dos msculos.

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9. CONTEXTO SCIO TCNICO A pesquisa foi realizada em uma fbrica de confeco situada no Setor de Abastecimento Norte SAAN. Para o bom andamento e entendimento do trabalho segue o histrico da empresa antes do panorama geral. 9.1 Histrico da Empresa Dona Adlia sempre trabalhou como autnoma, costumava viajar, comprar roupas infantis e femininas para depois vend-las sua clientela que, aos poucos, ia crescendo mais e mais. Alm disso, tambm costurava roupas em seu ateli que fora improvisado em sua prpria casa. Senhor Geraldo, seu marido, trabalhou durante anos em um escritrio de contabilidade de uma grande empresa de tintas, mas, de forma corajosa e empreendedora, veio a inaugurar, em 1980, seu prprio negcio, uma farmcia, cujo nome era Drogo 202. Em meados de 1986, a farmcia j no estava to bem como antes e os lucros haviam diminudo de forma assustadora. Em contrapartida, as vendas das roupas fabricadas por sua esposa estavam crescendo dia-a-dia. Dona Adlia j havia conseguido pagar um carro que comprara num consrcio. No entanto, ao invs de usufruir seu carro novo, ela preferiu vend-lo para comprar algumas mquinas de costura e contratar costureiras para ajud-la. Com o grande apoio de sua famlia e da amiga Amrica, que tambm era costureira, iniciou-se, em 1989, a marca Crisdlia, confeco especializada em malhas (moletom e malha fria). Nesse mesmo momento, Cristiane, filha do casal empreendedor, recm formada no curso de Educao Fsica, abandonou sua carreira e passou a integrar a Confeco Crisdlia.

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Em um passeio de carro, no qual toda a famlia RODRIGUES MOURA estava presente, cogitou-se de que era necessrio um novo nome para a confeco. Aps vrias sugestes, foi escolhido o nome 2 TEMPOS, criado por Cristiane que, na poca, era bastante ligada ao esporte. No mesmo ano (1989), com a queda da rentabilidade da farmcia do Senhor Geraldo, o corajoso casal decidiu investir no que, no momento, estava dando mais certo, ou seja, a confeco. Ento, a farmcia foi desmontada, a pequena fbrica transferida para o subsolo da 202 e o trreo usado para a venda dos produtos. Novas mquinas foram adquiridas e novas costureiras foram contratadas. Enquanto Dona Adlia, no subsolo da loja, supervisionava a produo; Cristiane ficava no balco da loja para vender as roupas.. O Senhor Geraldo, j bastante experiente, passou a cuidar da administrao do novo empreendimento. Logo em seguida, o filho de Dona Adlia e do Senhor Geraldo, Carlos Augusto, que na poca cursava o 2 grau, passou a integrar a equipe e, tambm, a vender roupas femininas juntamente com sua irm. Em 1992, foi inaugurada, na CLN 406, a segunda loja 2 TEMPOS. Em 1994 surgiu uma grande oportunidade, a compra de um lote no SAAN para a construo da fbrica. Com surpresa, surgiu tambm a possibilidade de se adquirir uma loja no Shopping Conjunto Nacional. Mas no havia tanto capital para tais investimentos, ento, novamente a famlia se mobilizou, vendeu tudo o que tinha, passou a morar de aluguel e, assim, conseguiu adquirir o terreno para a construo da fbrica e a loja no Shopping. Nesse mesmo momento, houve a agregao de mais um membro da famlia, Carlos Henrique, tambm filho do casal.

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Em 1995, fechou-se a loja da CLS 406, pois o investimento no estava trazendo o lucro esperado e a loja do Conjunto Nacional necessitava de maior ateno. Em 1996 Carlos Henrique sai da empresa e monta seu prprio negcio. Em 1997, foi inaugurada, no Shopping Ptio Brasil, a terceira loja 2 TEMPOS. A empresa ressurgiu com um novo conceito e com mais maturidade, passando a investir no aperfeioamento humano e operacional de sua equipe. Cristiane e Dona Adlia, agora, so responsveis pela parte de moda da loja. Dona Adlia fez cursos para aperfeioar a costura e conhecer as novas tecnologias na rea de produo. Cristiane viajou para a Europa e fez vrios cursos de moda trazendo, assim, grandes novidades e experincia para lidar com o mercado competitivo da moda. Carlos Augusto e o Senhor Geraldo passaram a ser responsvel pela administrao e informatizao da loja Senhor Geraldo fez cursos de informtica. Carlos Augusto entrou na faculdade de Administrao com o intuito de aperfeioar a administrao da loja e, ainda, aliar seu estudo a grande experincia adquirida por seu pai. Alm disso, so oferecidos cursos para as vendedoras e para as costureiras. 9.2 Panorama da Empresa A fbrica ocupa uma rea de 500 m, sendo que desses tem

aproximadamente 300 m de rea construda, produz exclusivamente roupa feminina. Empresa de pequeno porte emprega 16 pessoas distribudas por setores de escritrio, desenho, modelagem, corte, costura passadoria.

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O ambiente interno iluminado artificialmente, com lmpadas frias fluorescentes, as paredes so pintadas na cor branca, o piso em cermica, ventilao natural proveniente das janelas. A passadoria est instalada logo na entrada da fbrica. O acesso ao interior da fbrica se da por duas portas nas laterais uma de aproximadamente 90 cm e uma mais ao fundo com aproximadamente 1,20 mt, existe tambm uma porta maior de enrolar medindo aproximadamente 2,50 mt. Os postos de trabalho das costureiras so projetados para a postura sentada. As cadeiras so ergonmicas. As mquinas de costuras esto dispostas em clulas em grupo de 04 mquinas uma de frente para outra Tudo funciona no trreo, exceto o escritrio. O ambiente limpo, e servido por dois banheiros. Dentre os equipamentos de produo foram identificados mquinas de costura reta, overloque, interloque, tbua e ferro a vapor de passar industrial, mesas de modelagem e de cortes. Os equipamentos apresentam bom estado de conservao, as mesas de corte e modelagem tem altura aproximada de 90 cm, o que considerada boa para as pessoas que atualmente as usam.

Dentre os equipamentos de segurana foram identificados dois extintores de incndio nas paredes e um sistema interno de vigilncia que monitora toda a fbrica. 9.3 Descrio do Trabalho na Fbrica O trabalho manual, a projetista faz o desenho, outro empregado risca o molde, corta e com o auxilio de um outro operrio distribu para as clulas de produo. A comunicao verbal e sem nenhum processo documentado.

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A equipe de costura composta por doze profissionais divididos em clulas. As peas so revisadas por seqncia de linha, costura, etiquetas e acabamentos. Prontas, as peas seguem dispostas em araras para a passadoria. Passadas so divididas embaladas e encaminhas para os pontos de venda. A organizao do trabalho na empresa segue semana de 05 dias com carga horria de 08 horas e 45 minutos/dia perfazendo 44 horas semanais. Das 08 s 08:15 da manh antes de comear o trabalho os empregados fazem 15 minutos de ginstica. O intervalo para o almoo de 01 hora e s 16 horas h um intervalo de 30 minutos para o lanche. O horrio de entrada s 08 horas e a sadas ocorre s 17:45 horas. 9.4 Anlise da Distribuio do Trabalho Muitas vezes um funcionrio tem mal desempenho por no ser distribudo eqitativamente o trabalho, ficando sobrecarregados, tendo que fazer horas extras, outros que no esto capacitados para sua funo, executando tarefas inferiores ou superiores sua capacidade profissional, outros desqualificados e improdutivos. Analisando a distribuio do trabalho, onde um passo uma parcela de trabalho executada por uma pessoa, uma tarefa um conjunto seqencial de passos realizados por uma pessoa e uma atividade o grupamento de tarefas homogneas que define a misso do rgo, temos que o passo e a tarefa so o que a pessoa faz, e a atividade o que o rgo faz. Anlise do quadro de distribuio do trabalho: requer um senso crtico e acurado do analista para perceber, diagnosticar e corrigir as falhas existentes na unidade em estudo, questionando o tempo das atividades e tarefas, verificando se para cada tarefa compatveis o tempo com sua importncia para atingir os

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objetivos, quais tarefas esto consumindo mais tempo para se realizarem e, ainda, funcionrios que cumprem horrios e outros que no cumprem ou faz horas extras desnecessrias.

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10. DESCRIO DO TRABALHO NO SETOR DA COSTURA O setor da costura composto por doze costureiras, uma distribuidora e uma encarregada (pessoa responsvel pelo setor). A encarregada recebe ordens da diretora de produo. A comunicao verbal e sem nenhum processo documentado. As mquinas utilizadas so de primeira e possuem em mdia trs anos de uso. O layout de certa forma celular, no obedecendo o critrio em forma de U, sendo as mquinas posicionadas em grupos de quatro, uma de frente para outra, formando um grupo de quatro mquinas. Esse layout nico, e utilizado para se fabricar todos os produtos que a empresa produz. Cada costureira possui uma mquina sob sua responsabilidade e desenvolve somente as operaes relativas a essa mquina. Observa-se que poucas so as costureiras que mudam de mquina e de operao. Nota-se que h uma grande variedade de produtos em processo. As clulas costuram uma pea toda, ou seja, a costureira recebe da distribuio uma pea completa funciona da seguinte forma: No caso de um vestido ou uma blusa a pea divida entre pequeno mdio e grande, cabendo a cada costureira entregar a pea completa no tendo diviso no processo produtivo como: primeira clula costura lateral, segunda mangas, terceira fechamento etc.

Percebe-se que a nfase dada para a produo individual, na super especializao da operao, lembrando a linha de montagem do modelo taylorista.

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Nota-se, que a encarregada define a melhor costureira para os trabalhos que exige maior demanda, aquela que trabalha de forma constante, sem muitas paradas, e que apresenta o maior nmero de peas produzidas de uma operao, sem levar em considerao o grau de complexidade dessa operao. Outro fator observado que as costureiras no se preocupam com manuteno de posturas corretas. Nota-se que as costas no chegam a tocar o encosto da cadeira trabalham praticamente com uma certa curvatura para frente e s vezes utilizando-se de uma espcie de travesseiro para se sentar. Segundo Lida (1990), em muitas situaes de trabalho necessrio inclinar a cabea para frente para se ter melhor viso, como nos casos de inspeo de peas com pequenos defeitos ou o ato de costurar que envolve uma certa carga muscular. Essas necessidades geralmente ocorrem quando: o assento muito alto; a mesa muito baixa; a cadeira est longe do trabalho que deve ser fixado visualmente ou h necessidade especfica, como no caso do microscpio. Essa postura provoca fadiga rpida nos msculos do pescoo e do ombro, devido a cabea, que tem um peso relativamente elevado variando em mdia entre 4 e 5 Kg. O enfoque ergonmico dos postos de trabalho importante, porque tendem como resultado final, reduzir as exigncias biomecnicas, conforme cita Lida (2000 p.148):O posto de trabalho deve adaptar o trabalhador corretamente ao seu local de trabalho, para que o primeiro execute suas tarefas com conforto, eficincia e segurana, sem que haja problemas quanto a postura, o esforo fsico e posterior concentrao de tenses e outras perturbaes que venham a acarretar dores, possivelmente ausncias no trabalho. Desde que bem adequados para a execuo das atividades, os ambientes de trabalho no trazem grandes prejuzos aos trabalhadores.

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Nahas (2001) complementa, dizendo que quando no houver o cumprimento de cinco condies bsicas: a incidncia de perturbaes ao corpo humano desencadeadas pela realizao de atividades no trabalho pode ser mais significativa nas diversas profisses: cada grupo muscular deve ter suficiente nvel de fora para executar suas funes dirias; cada msculo deve ter suficiente relaxamento para executar suas funes com facilidade; as partes corporais devem apresentar uma flexibilidade que possibilitem amplos movimentos; a percepo sinestsica deve ser bem desenvolvida; uma boa postura deve ser buscada continuamente durante todo o dia. Em questionrio aplicado s costureiras, setenta e cinco por cento reclamaram de algum tipo de dor. Aps o trabalho da costura, a pea mandada para as passadeiras. As peas so na sua maioria retiradas pela encarregada ou at mesmo por qualquer pessoa que estiver passando no local. Assim, se pode constatar que a organizao do trabalho emprica e mesmo com todo apoio como, por exemplo: ginstica antes de comear o trabalho, no suficiente e dificilmente, serviro de base para a organizao do setor ou mesmo para medir a eficincia da costureira. Com certeza, este procedimento de organizar o setor est comprometendo em muito a produtividade e a sade das costureiras.

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A postura em alto grau um hbito, e por treinamento e repetio pode tornarse um hbito subconsciente, manifestada no apenas na postura esttica, mas muito tambm nos padres cinticos. A repetio de uma ao imperfeita pode resultar em uma funo cintica imperfeita, e padres posturais imperfeitos e repetidos podem tornar-se arraigados. (Calliet, 1988, p. 87)

Para o pblico leigo, ginstica remdio para tudo, mas no caso da preveno das Dort/LER, h controvrsias. Os especialistas deixam claro que o conceito o da existncia de pausas compensatrias planejadas num processo de atividade. Nessas pausas pode-se at realizar exerccios, mas no

necessariamente. Quando os exerccios se verificam pertinentes, eles produzem um bom resultado, eu posso testemunhar a favor disso. Na verdade muito do sucesso da chamada ginstica laboral deve-se mais ao efeito de dinmica de grupo do que a validade tcnica de atividades musculares compensatrias. Antes de buscar um profissional que possa aplicar exerccios fsicos adequados, preciso estudar a situao e organizar trabalho, pausas e equipamentos, para ento analisar a pertinncia de algumas atividades compensatrias. Neste sentido um fisioterapeuta com especializao em Ergonomia pode ajudar. Mas especializao em Ergonomia representa um a dois anos de atividade em ps-graduao, no se trata de gente apenas com conhecimentos rudimentares como a maioria do existe hoje no mercado! Sem uma formao slida em Ergonomia trata-se de charlatanismo.

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11. RESULTADO DOS QUESTIONRIOS Quanto percepo das costureiras em relao ao que conforto, verificouse que uma afirmou ter um ambiente bom com boas condies de trabalho, nove fizeram referencia a um bom salrio, duas afirmaram que ficar em casa.

Nove costureiras informaram que no possuem jornada dupla de trabalho. Onze costureira informaram no realizar esportes, sendo que um pratica 1 hora por dia, numa freqncia de 2 vezes por semana.

Das 12 costureiras entrevistadas, apenas uma respondeu que no permitido pausas durante o trabalho.

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12. CONCLUSO

Atravs da anlise dos resultados obtidos na pesquisa e conforme os objetivos proposto pelo estudo, pode-se concluir que o perfil da costureira tem suas particularidades, a maioria apresenta flexibilidade abaixo do considerado ideal, praticam pouca atividade fsica isso acaba transformando-se em um dos desencadeadores de constrangimentos e desconfortos. Alguns estudos demonstram que existe muita dificuldade em se mudar hbitos de trabalho j instalados. Porm, bons hbitos posturais conduzem boa aparncia, eficincia mecnica nos movimentos e menor risco de leses, necessitando para isso treinamento especfico funo realizada, utilizando tcnicas e orientaes bsicas para serem aplicadas diariamente de forma prtica. O cuidado com o uso adequado do posto atravs de posturas autocorretivas somado aos exerccios compensatrios realizados durante a jornada, principalmente nos intervalos, facilitam as costureiras suportar sua intensa atividade de trabalho a qual exige permanncia prolongada na posio sentada. O desconforto um dos principais indicadores de alteraes fsicas do corpo relacionadas ao trabalho, pois tendem a ser de natureza cumulativa e so precedidos freqentemente por constrangimentos posturais. Desta forma, a prevalncia de desconforto para as diferentes partes do corpo apontou a coluna vertebral como a de maior percentual, sendo a coluna lombar a mais comprometida seguida dos membros inferiores e membros superiores. As queixas mais relatadas foram cibras, formigamento, dormncia e dores localizadas.

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Analisando os valores obtidos quanto localizao do desconforto e sua intensidade, podemos perceber que a tarefa diria da costureira provoca diferentes nveis de constrangimentos msculos-esquelticos, a ponto de produzir desconfortos corporais significativos que influenciam a sua qualidade de vida no trabalho. Esta prevalncia de constrangimento e desconforto tem forte relao com os anos de profisso, com a realizao de horas extras. Portanto orientaes sobre posturas adequadas a serem adotadas no posto de trabalho so fundamentais, talvez algumas no possam ser totalmente prevenidas ou resolvidas, mas existem meios eficazes para amenizar os desconfortos gerados no trabalho. Um ambiente de trabalho de qualidade um local tranqilo, saudvel, seguro, limpo, agradvel, disciplinado, organizado e arrumado, com remunerao adequada segundo o grau de complexidade e responsabilidade, combatendo stress e fadiga, com chefias competentes que estimulem um feedback positivo, trabalhos e atividades bem distribudas. Todos devem se preocupar com o ambiente de trabalho porque alm de outras coisas, o local onde o ser humano passa a maior parte de seu tempo em convvio direto com outras pessoas. O melhor sistema de segurana que existe as seguranas preventivas, estabelecendo a melhor maneira de evitar acidentes. O trabalhador deve usar os equipamentos de proteo individual e coletivo, denunciar falhas do ambiente que podero colocar em risco sua sade e a dos outros.

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A empresa cabe oferecer meios e condies para a realizao das atividades com absoluta segurana e o mnimo de risco possvel, alm de equipamentos de proteo individual e coletiva. Ao governo cabe elaborar e fiscalizar o cumprimento da legislao pertinente aos riscos ambientais de acordo com a Norma Regulamentadora (NR-9), do Ministrio do Trabalho, a qual classifica em cinco grupos, de acordo com os danos que podem causar sade (qumicos, fsicos, biolgicos, ergonmicos e acidentes).

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12. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS Assuno AA, Rocha LE. Agora ... at namorar fica difcil: uma histria de leses por esforos repetitivos. In: Buschinelli JTP, Rocha LE, Rigotto RM, organizadores. Isto trabalho de gente? vida, doena e trabalho no Brasil. Petrpolis: Vozes; 1994. p. 461-93. __________. Sistema msculo-esqueltico: leses por esforos repetitivos (LER). In: Mendes R, organizador. Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro: Atheneu; 1995. p. 173-212. Bammer G, Martin B. Repetition strain injury in Australia: medical knowledge, social movement, and de facto partisanship. Social Problems 1992; 39(3): 219-37. CALLIET, R. Lombalgias, Sndromes dolorosas. 3. ed. So Paulo : Manole, 1988. CERVO, A.L. e BERVIAN, P.A. Metodologia Cientfica: para uso de estudantes universitrios. 3a.ed. So Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983. Congresso Latino-Americano de Ergonomia, II Seminrio de Ergonomia da Bahia e I Encontro frica-Brasil de Ergonomia). Salvador. COUTO, H.A. (1996). Ergonomia aplicada ao trabalho: manual tcnico da mquina humana - vol.2 . Belo Horizonte: Ergo Editora _________, Nicoletti SJ, Lech O, organizadores. Como gerenciar a questo das L.E.R./D.O.R.T.: leses por esforos repetitivos, distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho. Belo Horizonte: Ergo; 1998. DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho. So Paulo, Cortez/Obor, 1988. 163 p. ___________.; Abdoucheli, E. & Christian J. (1996). Psicodinmica do trabalho: contribuies da escola dejouriana a anlise da relao prazer, sofrimento e trabalho. So Paulo: Atlas DUL, Jan; WEERDMEESTER, Bernard. Ergonomia prtica.Traduo: Itiro Lida. So Paulo: Edgard Blcher, 1995. 147p. FIALHO, Francisco, SANTOS, Neri dos. Anlise ergonmica do trabalho. 2. ed. Curitiba: Gnesis, 1997. GERTZ, Luiz Carlos. Anlise da Atividade de Digitao. LMM - Laboratrio de Medies Mecnicas UFRGS. GRANDJEAN, Etienne, Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Porto Alegre: Editora Artes Mdicas Sul Ltda, 1998. GRIGGIO, Juliana Melchior Monlogo de intervenes preventivas teraputicas com bases ergonmicas, Feevale, 2000. 21p.

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