A importncia das Demonstraes do Fluxo de Caixa (DFC)

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    11-Jun-2015

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A importncia das Demonstraes do Fluxo de Caixa (DFC)

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9.1

IMPORTNCIA DA DEMONSTRAO DO FLUXO DE CAIXA (DFC)

De forma condensada, a Demonstrao do Fluxo de Caixa (DFC) indica a origem de todo o dinheiro que entrou no Caixa, bem como a aplicao de todo o dinheiro que saiu do Caixa em determinado perodo, e, ainda, o Resultado do Fluxo Financeiro. A DFC propicia ao gerente financeiro a elaborao de melhor planejamento financeiro. Por meio do planejamento financeiro, o gerente saber o momento certo em que contrair emprstimos para cobrir a falta (insuficincia) de fundos, bem como quando aplicar no mercado financeiro o excesso de dinheiro. Somente por meio do conhecimento do passado, porm, ser possvel fazer boa projeo do Fluxo de Caixa para o futuro (prxima semana, prximo ms, prximo trimestre etc.). A comparao do Fluxo Projetado com o real vem indicar as variaes que, quase sempre, demonstram as deficincias nas projees. Estas variaes so excelentes subsdios para aperfeioamento de novas projees de Fluxos de Caixa.

9.1.1

Principais transaes que afetam o Caixa

A seguir relacionam-se, em dois grupos, as principais transaes que afetam o Caixa. A - TRANSAES QUE AUMENTAM O CAIXA (DISPONVEL) Integralizao do Capital pelos Scios ou Acionistas So os investimentos realizados pelos proprietrios. Se a integralizao no for em dinheiro, mas em bens permanentes, estoques, ttulos etc., no afetar o Caixa. Emprstimos Bancrios e Financeiros So os recursos financeiros oriundos das Instituies Financeiras. Normalmente, os Emprstimos Bancrios so utilizados como Capital de Giro (Circulante) e os Financiamentos, para aquisio de Ativo Permanente (Fixo). Venda de Itens do Ativo Permanente Embora no seja comum, a empresa pode vender itens do Ativo Fixo. Neste caso, tem-se uma entrada de recursos financeiros. Vendas a Vista e Recebimento de Duplicatas a Receber A principal fonte de recursos do Caixa, sem dvida, aquela resultante de vendas.

Outras Entradas Juros recebidos, dividendos recebidos de outras empresas, indenizaes de seguros recebidas etc. B - TRANSAES QUE DIMINUEM O CAIXA (DISPONVEL) Pagamentos de Dividendos aos Acionistas Se os investimentos dos proprietrios da empresa representam entrada em Caixa, os dividendos pagos, em cada exerccio, significam diminuio do Caixa. Pagamento de Juros, Correo Monetria da Dvida e Amortizao da Dvida O resgate das obrigaes junto s Instituies Financeiras, bem como os encargos financeiros (juros, comisso, correo monetria etc.) significam sada de dinheiro do Caixa. Aquisio de Item do Ativo Permanente So as aquisies a vista de Imobilizado e de itens do subgrupo Investimentos (aes etc.) Compras a Vista e Pagamentos de Fornecedores So aquelas sadas de numerrio referentes a matria-prima e material secundrio. Pagamentos de Despesa/Custo, Contas a Pagar e Outros So os desembolsos com despesas administrativas de vendas, com itens do custo e outros. C - TRANSAES QUE NO AFETAM O CAIXA Atravs dos itens relacionados no grupo A observam-se os principais encaixes (entrada de dinheiro no Caixa). Por meio dos itens relacionados no grupo B observam-se os principais desembolsos (sada de dinheiro do Caixa). Agora, sero observadas algumas transaes que no afetam o Caixa, isto , no h encaixe nem desembolso: Depreciao, Amortizao e Exausto. So meras redues de Ativo, sem afetar o caixa. Proviso para Devedores Duvidosos. Estimativa de provveis perdas com

clientes que no representa desembolso para a empresa. Acrscimos (ou Diminuies) de itens de investimentos pelo mtodo de equivalncia patrimonial.

Para melhor apreciao do Fluxo de Caixa, veja-se o Captulo 18 do livro Contabilidade Empresarial, de Jos Carlos Marion, tambm publicado pela Editora Atlas S.A. 9.2 APLICAES FINANCEIRAS

Em perodos em que h ociosidade no caixa da empresa (mais entrada de dinheiro do que sada), saudvel a aplicao desses recursos, evitando-se a corroso inflacionria. Tais aplicaes so realizadas de acordo com o nmero de dias em que o dinheiro fica disponvel. As aplicaes mais comuns so: Mercado aberto: Fundos de investimento: aplicaes por um dia; Aplicaes na BMF: aplicaes por sete dias ou mais; Letras de Cmbio; Depsitos a Prazo Fixo; Certificado de Depsito Bancrio CDB. Normalmente essas aplicaes tm seus valores nominais atualizados pela perda do poder aquisitivo da moeda (vulgarmente, apesar de incorreto, se diz que elas rendem correo monetria) e sobre tais valores atualizados rendem (a sim, correto!) juros. Esses rendimentos so, via de regra, tributados pelo imposto de renda, ocorrendo essa tributao j na fonte pagadora. Se isso ocorrer, duas hipteses ainda podem se abrir. Numa delas, o rendimento no precisa mais ser considerado tributvel quando da elaborao da declarao do imposto de renda (anual). Na outra, o imposto de renda retido na fonte considerado uma antecipao do imposto de renda a ser calculado na declarao. 9.2.1 Aplicao na BMFConta Dbito Crdito Aplicaes na BMF 1.1.3 10.000.000 Bancos c/ Movimento Histrico: pela aplicao a preo de custo na 1.1.2 10.000.000 BMF Bancos c/ Movimento 1.1.2 10.000.000 Aplicaes na BMF 1.1.3 10.000.000 Histrico: pelo resgate Bancos c/ Movimento 1.1.2 500.000 Receitas Financeiras 4.4.1 500.000 Histrico: pelo rendimento auferido IR na Fonte a Compensar 1.1.8 50.000 Bancos c/ Movimento Histrico: 10% x $ 500.000 1.1.2 50.000

Data Junho/x4

02

17 17 17

Bancos c/ Movimento xxxx 10.000.000 10.000.000 50.000 500.000

Aplicaes BMF 10.000.000 10.000.000

IR Fonte a Compensar 50.000

Receitas Financeiras 50.000

Ativo Circulante (BP) .

Tal contabilizao deve obedecer rigidamente ao Regime de Competncia. Se a aplicao passar de um ano para outro, os juros proporcionais (bem como o IR na fonte) aos dias corridos no exerccio em encerramento devem ser computados, abrindo-se uma conta para Receitas Financeiras a Receber, como contrapartida de Receitas Financeiras. 9.2.2 Aplicaes em depsitos a prazo fixo Admita-se que determinada empresa faa aplicao a prazo fixo (o raciocnio seria o mesmo para a Letra de Cmbio) em 1-11-x4 para seis meses, com data de resgate marcada para 30-4-x5. O valor aplicado de $ 50.000.000 e o total resgatado ser de $ 80.000.000, havendo uma Receita Financeira igual a $ 30.000.000. O lanamento nesta oportunidade ser:Data Nov/ x4 01 Aplicaes, ttulos e valores mobilirios Bancos c/ Movimento Histrico: pela nossa aplicao em depsito a prazo fixo conforme documento... 01 Aplicaes, ttulos e valores mobilirios Receita financeira a apropriar Histrico: pelo rendimento bruto da aplicao em depsito a prazo fixo conforme documento... Plano de Contas 1.1.12 1.1.2 1.1.12 Ver observao Dbito 50.000.000 30.000.000 Crdito 50.000.000 30.000.000

Desp./ Rec. Operacionais (DRE)

Oberve-se que o rendimento indicado compete para ao perodo de 19x4 (2/6) e parte ao perodo de 19x5 (4/6). Pelo Regime de Competncia h necessidade de distribuir os juros proporcionalmente; por isso, utiliza-se a conta Receita Financeira a Apropriar. Se a empresa no apropriar a Receita mensalmente, em 31-12-x4, faz-se a apropriao que compete a 19x4. Dez./x4 3 1 Receita Financ. a Apropriar Receita Financeira Histrico: apropriao do rendimento proporcional at esta data da aplicao a prazo... 1.1.12.1 10.000.000 4.4.1 10.000.000

Na data do resgate, em 30-4-x5, apropria-se o restante da Receita Financeira: Abr./x5 30 Receita Financeira a Apropriar Receita Financeira Histrico: apropriao do rendimento proporcional... 1.1.12.1 4.4.1 20.000.000 20.000.000

Observaes: 1. A Conta Receita Financeira a Apropriar classificada no grupo Resultado do Exerccio Futuro ou no prprio Ativo Circulante, reduzindo a conta Aplicaes, Ttulos e Valores Mobilirios (Cdigo 1.1.12.1). Somos favorveis segunda corrente. Dessa forma, em 31-12-x4 a situao seria a seguinte: Ativo Circulante Em $ mil DRE Desp. Operacionais Desp. Financeira ( - ) Rec. Financeira 10.000 Em $ mil

Aplic., Ttulos Val.Mob. ( - ) Receita Fin. Apropriar

80.000 (20.000) 60.000

2. Em alguns casos o Imposto de Renda na Fonte pode ser retido na data da aplicao; em outros casos, na data do resgate (suponha-se Imposto de Renda na Fonte igual a 10%). Tanto na data da aplicao, como na do resgate, o lanamento seria: Data Imposto de Renda na Fonte Bancos c/ Movimento Histrico: Valor retido do IR conf. Documento (10% x 30.000.000) FINANCIAMENTOS Plano de Contas 1.1.8 1.1.2 Dbito Crdito

3.000.000 3.000.000

9.3

9.3.1 Emprstimos com juros - preflxados So emprstimos em que os encargos financeiros no variam proporcionalmente inflao do perodo, mas j so conhecidos no momento da concesso do emprstimo. Suponha-se que uma empresa solicite 50.000.000, devendo pagar, em 90 dias tanto, um encargo financeiro total de $ por ms (Regime de Competncia). A contabilizao recomendada em 1-12-xl :

Data Dez./ x1

3 1

3 1

Bancos c/ Movimento (Disponvel) Emprestimos a Pagar Hist: (pela contabilizao do principal) Despesa Juros a Apropriar Emprestimo a pagar Hist: (pela contabilizao dos juros)

Conta Dbito 1.1.2 50.000.000 2.1.6 2.1.10 2.1.6 15.000 -

Crdito 50.000.000 15.000

Ativo Circulante Disponvel ______________ ______________ ______________

BALANO PATRIMONIAL Passivo Circulante 50.000 Emprstimo a Pagar ______________ ( - ) Desp. Juros ______________ Apropriar ______________

65.000 (15.000) 50.000

Dessa forma, medida que for passando o tempo, a Despesa de Juros a Apropriar ser baixada como despesa financeira. Em 31-12-x1 ter-se-: Passivo Circulante Emprst. Pagar 65.000 ( - ) Desp. Juros (10.000) Apropriar 55.000 Despesa Juros a Apropriar 15.000.000 5.000.000 10.000.000 Despesa Juros 5.000.000

Por ocasio do pagamento, a conta Emprstimos a Pagar ser baixa&i. Muitas vezes, a empresa no tem recursos suficientes para cobrir suas obrigaes geradas no processo operacional. Ento recorre a Emprstimos Bancrios e utiliza parte de suas duplicatas, oferecendo-se como garantia ao banco. Como remunerao ao capital de terceiros, a empresa pagar juros instituio financeira que estiver concedendo o emprstimo. 9.3.2 Desconto de duplicatas

Outra maneira de obter recursos financeiros com duplicatas o Desconto de Duplicatas. A empresa transfere (atravs de um endosso no verso do ttulo) a propriedade das duplicatas ao banco (ou outro financiador). Como contrapartida, a empresa recebe do banco o valor constante nas duplicatas menos os juros (da o ttulo Desconto de Duplicatas) contados at seus vencimentos (das duplicatas). O banco, por sua vez, receber o valor total da duplicata do cliente da empresa. Todavia, se, no vencimento da duplicata, no houver a sua liquidao (o banco no receber), a empresa dever reembolsar ao banco (ela co-responsvel) o valor total da duplicata descontada.

A Cia. Socialista, aps sua primeira venda a prazo, de posse de uma duplicata emitida contra seu cliente, Cia. Prestes, no valor de $ 80.000, encontra reais dificuldades para liquidar suas dvidas. Uma sada propor ao Banco General o desconto de sua duplicata, que vencer daqui a 30 dias. O gerente do banco concorda com o desconto, base de uma taxa de juros de 4% ao ms. Dessa forma, a Cia. Socialista endossa a duplicata, transferindo a propriedade da mesma para o Banco General. O Banco General, por sua vez, libera $ 76.800 para a Cia. Socialista ($ 80.000 4% = 76.800). A Cia. Prestes recebe um aviso de que deve liquidar a duplicata, na data do seu vencimento, em favor do Banco General. Observe-se que se a Cia. Prestes no liquidar junto ao banco a referida duplicata, estar a Cia. Socialista obrigada a repor os $ 80.000 ao Banco General.

Contabilizao Pelo fato de a empresa que desconta duplicatas ser responsvel pelo pagamento das duplicatas ao banco, na hiptese de o seu cliente no liquidar no vencimento, no se pode dar baixa nas duplicatas negociadas ao banco por ocasio do desconto, devendo, portanto, ser evidenciadas no balano. Assim, o total de duplicatas descontadas evidenciado com a deduo de Duplicatas a Receber no Ativo Circulante. Informa-se aos leitores que a empresa negociou aqueles ttulos, mas que poder readquiri-los caso seu cliente no os liquide. Observe-se que o desconto no aparecer no passivo circulante, pois ainda no se configurou como uma dvida. Quando a Cia. Socialista desconta o ttulo: x xxx Data xx Bancos c/ Movimento Duplicatas Descontadas Histrico... xx Encargos Financeiros a Apropriar Duplicatas Descontadas Histrico... Conta 1.1.1 1.1.5 1.1.16 1.1.5 Dbito 76.800 3.200 80.000 Crdito 76.800 3.200 80.000

Observe-se que os encargos financeiros no so contabilizados imediatamente como despesas, pois s o sero medida que transcorrer tempo entre o desconto e o vencimento. Assim, a conta Encargos Financeiros a Apropriar fica classificada no Ativo Circulante Despesas do Exerccio Seguinte pagas antecipadamente at a sua baixa pro rata tempore (proporcional ao tempo decorrido).

Admita-se que o final do ms seja 15 dias aps o desconto. Para apurar o resultado mensal, metade dos encargos seria baixada como despesa: Encargos Financeiros a Apropriar Despesas Financeiras 3.200 1.600 1.600

Por ocasio do aviso bancrio pela liquidao do ttulo, faz-se o seguinte lanamento: Duplicatas a Receber xxxx 80.000 Duplicatas Descontadas 80.000 80.000

Na hiptese de o ttulo no ser liquidado pelo cliente, o banco deve debit-lo automaticamente na conta da Cia. Socialista. O lanamento na empresa seria o seguinte: Bancos c/ Movimento xxxx 80.000 Despesas Financeiras 80.000 80.000

9.3.3

Emprstimos com juros ps-fixados (variaes monetrias)

Em virtude da inflao do perodo, os ndices para clculo dos encargos financeiros so conhecidos aps a data do emprstimo. Data xxxx xx Neste tpico, a rigor, pode-se tratar de forma individualizada da variao monetria e dos juros. A - VARIAO MONETARIA Entende-se como variao monetria a atualizao de uma dvida (ou de um direito) em virtude da taxa de cmbio. Essa variao denominada variao cambial. Conforme exigncia da Lei das Sociedades por Aes, as obrigaes em moeda estrangeira, com clusula de paridade cambial, classificadas no passivo, sero convertidas em moeda nacional taxa de cmbio em vigor na data do balano. Emprstimo Data do balano Por exemplo, $10.000.000 > atualizados >$14.800.000 a diferena a variao monetria $4.800.000

classificvel como despesa no grupo Despesa Financeira PASSIVO 31-12-x1 Emprstimo a 10.000 Pagar Em R$ mil 31-12-x2 14.800 DRE 19x2 Desp. Financeira Variao Monetria Em R$ mil (xxxx) (4.800)

B JUROS Alm da variao monetria, h os juros que efetivamente remuneram o financiador. Normalmente, os juros, no caso de correo monetria da dvida, incidem sobre o valor atualizado. No caso de emprstimos em moeda estrangeira, normalmente so calculados sobre o valor da dvida original e multiplicados pela taxa de cmbio do dia para a converso em reais. Os juros so calculados considerando-se o Regime de Competncia. Ento, periodicamente sero apropriados, mesmo que no liquidados (no houve ainda a remessa). As variaes monetrias devem ser segregadas dos juros. Dessa forma, embora compondo o grupo Despesas/Receitas Financeiras, as variaes monetrias sero classificadas em conta distinta da dos juros. Fique bem claro que a Correo Monetria Prefixada classificada como juros no grupo Despesas Financeiras. Somente a Correo Monetria Ps-fixada tem tratamento segregado. Exemplo: Se uma empresa contrai emprstimo, em moeda estrangeira, por exempio, de 10.000 dlares, no incio do ano, com o dlar cotado a $ 1,60, sua dvida corresponde a $ 16.000 mil (10.000 dlares x 1,60). Todavia, com a desvalorizao do real, um dlar pode estar cotado a $ 1,90 no final do perodo. Dessa forma, a dvida corresponde a $ 19.000 mil (10.000 dlares x $ 1,90) no fim do exerccio, havendo uma variao cambial de $ 3.000 mil (estes $ 3.000 mii so despesa para a empresa). Contabilizao CIA. SIDERBRS No momento do financiamento: Bancos c/ Movimento 2.800 milhes Contabilizao de Juros (ainda no pagos): Juros Incorridos (despesa) Juros a Pagar (Passivo) ou Financiamento Financiamento 2.800 milhes

xxxx 9.4 DESCONTOS FINANCEIROS (CONDICIONAIS)

xxxx

Os descontos financeiros so os prmios oferecidos pelo vendedor ao comprador, por um pagamento antecipado de dvidas assumidas com transao de mercadorias. Normalmente, o vendedor indica, na nota fiscal, ou na duplicata, que o valor da dvida X,, e que ser cobrada, dentro de 90 dias, pelo seu prprio valor; se for paga dentro de 60 dias, o comprador gozar de um desconto de 3%, e, se dentro de 30 dias, de 5%. Essas porcentagens variam segundo as condies; h, inclusive, os que concedem desconto a favor dos que fazem o pagamento no prprio dia do vencimento. Se o valor da venda for de $ 20.000.000 para pagamento em 60 dias, com 5% de desconto se o pagamento for feito em 30 dias, e o cliente aproveitar o tal prmio, a contabilizao ficar assim: No Comprador: Dbito Crdito D Fornecedores 20.000.000 C Caixa 19.000.000 C Desc. Financ. Obtido 1.000.000 No Vendedor: D Caixa D Desc. Financ. Obtido C Clientes

Dbito 19.000.000 1.000.000 -

Crdito 20.000.000

Devem ser abertas contas especiais para os descontos financeiros obtidos e concedidos. Quanto ao tratamento para elas, h grandes divergncias. Para muitos autores tais descontos devem ser deduzidos dos valores de Vendas e de Compras, exatamente como foi feito com Devolues, Abatimentos e Descontos Comerciais. Muitas crticas, entretanto, podem ser levantadas com relao a esse procedimento: tais descontos so fornecidos no em funo direta da transao da mercadoria, como no caso dos descontos comerciais; tampouco decorrem de variaes com as prprias mercadorias, como danos, avarias etc., que provocam devolues ou abatimentos; antes, dependem do pagamento da dvida assumida. So em funo, pois, do interesse e da possibilidade de a empresa efetuar o pagamento adiantadamente ou no, e no da transao efetivamente realizada. Alm disso, h sempre o problema da apropriao: se a empresa efetua o encerramento do resultado em 31/12 de cada ano, por exemplo, as compras efetuadas no dia 10/12, cujo desconto seja para pagamento at 10/1 do ano seguinte, sero pagas com o aproveitamente do prmio? Nem sempre a empresa tem conhecimento de tal fato, e essa informao de grande importncia para a apropriao ao ano dos descontos financeiros de tais compras. O mesmo sucede com as vendas. A empresa no sabe se seus clientes faro o pagamento antecipadamente, e tais descontos no podero ser deduzidos das vendas do ano seguinte. Considerando os argumentos quanto ligao do desconto financeiro com a

prpria venda, e quanto dificuldade e at impossibilidade de sua apropriao ao perodo, conclui-se que devem ser omitidos na apurao do Resultado com Mercadorias. Como melhor procedimento para o caso, conclui-se que este a apropriao de todos os Descontos Financeiros Obtidos e Concedidos como receitas e despesas que alteram o resultado, porm considerados depois da apurao do Resultado Bruto. Seus saldos sero transferidos diretamente para a conta de Resultado, e a demonstrao dedutiva ficar: Vendas ( - ) CMV Resultado com Mercadorias (Lucro Bruto) ( + ) Descontos Financeiros Obtidos Menos: Descontos Financeiros Concedidos Despesas Diversas 20.000.000 (14.000.000) 6.000.000 680.000 Soma 6.680.000 (100.000) (380.000) Lucro Lquido (480.000) 6.200.000

Esse tratamento o mais utilizado no Brasil e est de acordo com a Lei das Sociedades por Aes.