A IMPORTNCIA DA GESTO DO FLUXO DE CAIXA ? 3 TIPOS DE FLUXOS DE CAIXA DA EMPRESA 22 3.1 FLUXO DE

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  • UFRGS UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

    GFNBB ESPECIALIZAO EM GESTO DE NEGCIOS

    FINANCEIROS

    RODOLFO AUGUSTO HORCIO MACRIO

    A IMPORTNCIA DA GESTO DO FLUXO DE CAIXA NO CONTROLE DA INADIMPLNCIA

    RIO GRANDE DO SUL

    2009

  • 1

    RODOLFO AUGUSTO HORCIO MACRIO

    A IMPORTNCIA DA GESTO DO FLUXO DE CAIXA NO CONTROLE DA INADIMPLNCIA

    Monografia apresentada para concluso do curso de Especializao em gesto de negcios financeiros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Orientador: Professor Paulo C. D. Motta

    RIO GRANDE DO SUL

    2009

  • 2

    RODOLFO AUGUSTO HORCIO MACRIO

    A IMPORTNCIA DA GESTO DO FLUXO DE CAIXA NO CONTROLE DA INADIMPLNCIA

    Monografia apresentada para concluso do curso de Especializao em gesto de negcios financeiros, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Orientador: Professor Paulo C. D. Motta

    BANCA EXAMINADORA

    ____________________________________ Orientador

    ____________________________________ Professor

    ____________________________________ Professor

    Aprovada em____/____/2009.

  • 3

    Dedico este estudo aos meus mestres, familiares e amigos...

  • 4

    AGRADECIMENTOS

    A Deus por tudo em minha vida;

    Aos colegas pela amizade;

    Aos mestres, pela excelncia no ensino;

    Aos familiares, pelo apoio e incentivo de sempre...

  • 5

    RESUMO

    Este estudo tem como premissa geral estudar a influncia da inadimplncia no fluxo

    de caixa de uma Empresa, sendo que tem-se como objetivo demonstrar sua

    importncia para a sobrevivncia do negcio, estimulando a formao de um senso

    crtico, por meio de bases concretas e subsdios tericos, para que se possa obter

    uma anlise mais prxima da realidade e auxlio na melhoria dos clculos e

    projees futuras quanto inadimplncia. Sendo assim, entende-se que o fluxo de

    caixa dos ativos envolve trs componentes: fluxo de caixa operacional, gastos de

    capital e aumentos de capital de giro lquido. O fluxo de caixa operacional diz

    respeito ao fluxo de caixa que resulta das atividades dirias de produo e venda da

    empresa. As despesas associadas ao financiamento dos ativos da empresa no so

    includas, pois no so despesas operacionais.

    Palavras- Chave: Inadimplncia, fluxo de caixa, despesas, receitas.

  • 6

    ABSTRACT

    This study has the general premise to study the influence of defaults in the cash flow

    of a Company, which has to be to show its importance for the survival of the

    business, encouraging the formation of a sense through concrete bases theoretical

    and subsidies in order to obtain an analysis closer to reality and help in improving the

    estimates and projections as to future defaults. Therefore, it is understood that the

    cash flow of assets involves three components: operating cash flow, capital

    expenditures and increases in net working capital. The operational cash flow relates

    to the cash flow that results from the daily activities of production and sale of the

    company. The costs associated with financing the company's assets are not included

    as they are not operating expenses.

    Key-words: Default, cash flow, expenses, revenues.

  • 7

    LISTA DE FIGURAS

    FIGURA 01: Fluxo de Caixa 17

    FIGURA 02: Fluxograma informaes preliminares do fluxo de caixa 19

    FIGURA 03: Modelo Ciclo Econmico e Ciclo Financeiro 21

  • 8

    SUMRIO 1 INTRODUO 10 2 REFERENCIAL TERICO 12 2.1 FLUXO DE CAIXA: CONCEITOS E DEFINIES 12

    2.2 OBJETIVOS DO FLUXO DE CAIXA 17

    2.3 PLANEJAMENTO DE CAIXA 19

    3 TIPOS DE FLUXOS DE CAIXA DA EMPRESA 22 3.1 FLUXO DE CAIXA DOS ATIVOS 22

    3.1.1 Fluxo de caixa operacional 23 3.1.2 Gastos de capital 23 3.1.3 Acrscimos de capital de giro lquido 23 3.1.4 Fluxo de caixa dos ativos 23 3.2 FLUXO DE CAIXA AOS CREDORES E AOS ACIONISTAS 23

    3.3 ABRANGNCIA DO FLUXO DE CAIXA 24

    3.4 FLUXOS RELEVANTES DE CAIXA 27

    3.5 CLCULO DO FLUXO DE CAIXA RESIDUAL 28

    3.6 A DEMONSTRAO DE ORIGENS E APLICAES DE RECURSOS

    (DOAR) E O FLUXO DE CAIXA 28

    3.7 FATOS QUE DIMINUEM O SALDO DE CAIXA 29

    3.8 FATOS QUE NO ALTERAM O SALDO DE CAIXA 30

    3.9 MODELO E FLUXO DE CAIXA 31

    4 O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO NO FLUXO DE CAIXA 32 4.1 VANTAGENS DO FLUXO DE CAIXA E PLANEJAMENTO FINANCEIRO 33

    4.2 FLUXO DE CAIXA NO ESTUDO DE ALTERNATIVAS DE INVESTIMENTO 34

    4.2.1 Valor Presente Lquido (VPL) 34 4.2.2 Taxa Interna de Retorno (TIR) 35 4.2.3 Payback 35 4.3 FLUXO DE CAIXA INCREMENTAL 35

    4.4 FLUXO DE CAIXA DESCONTADO 35

    5 FLUXO DE CAIXA ATRAVS DA ANLISE DE INDICADORES ECONMICOS E FINANCEIROS 36 5.1 ANLISE DE INDICADORES ECONMICOS E FINANCEIROS 36

  • 9

    5.2 ANLISE DE INDICADORES ECONMICOS FINANCEIROS

    MAIS UTILIZADOS

    37

    5.2.1 Anlise de Indicadores Financeiros 38 5.2.2 ndice de Liquidez Imediata (LI) 39 5.2.3 ndice de Liquidez Seca (Ls) 39 5.2.4 ndice de Liquidez Corrente (Lc) 39 5.2.5 ndice de Liquidez Total (Lt) 40 5.2.6 Solvncia Geral (SG) 40 5.2.7 Endividamento (E) 40 5.2.8 Garantia de Capital de Terceiros (GT) 41 5.2.9 Imobilizao do Capital Prprio (ICP) 41 5.2.10 Capital Circulante (CC) 42 6 ESTUDO DE CASO- FORMAS DE APRESENTAO DO FLUXO DE CAIXA 43 6.1 QUIMITEC 43

    CONCLUSO 47 REFERNCIAS 49

  • 10

    1 INTRODUO

    O presente estudo tem como objetivo geral analisar a influncia da

    inadimplncia no fluxo de caixa de uma Empresa. Sendo que tem-se como

    premissa demonstrar sua importncia para a sobrevivncia da empresa,

    estimulando a formao de um senso crtico, por meio de bases concretas e

    subsdios tericos, para que se possa obter uma anlise mais prxima da realidade

    e auxlio na melhoria dos clculos e projees futuras quanto inadimplncia.

    O principal problema enfrentado pelas Empresas, principalmente as de

    constituio recente fazer com que os capitais trabalhem a seu favor. Utilizar o

    Fluxo de Caixa de maneira a otimizar a gesto de seus recursos financeiros

    minimizando seus custos e maximizando suas receitas. Este estudo tem este

    objetivo, o de desmistificar o conceito de Gesto de Empresas, controlando um de

    seus maiores riscos e temores que a inadimplncia.E exatamente esta a

    principal utilidade do Fluxo de Caixa.

    As empresas brasileiras, independentemente do tamanho ou estrutura, esto

    enfrentando desafios jamais vistos, tais como a globalizao da economia e

    ambientes externos e internos cada vez mais dinmicos. Todas essas mudanas

    contribuem para aumentar o risco e a incerteza, tornando o gerenciamento das

    empresas uma atividade bastante complexa e desafiante, por isso elas precisam

    desenvolver ferramentas gerenciais que possibilitem agilizar e aperfeioar o

    processo decisrio.

    Uma importante ferramenta o fluxo de caixa, pois por meio do controle do

    fluxo de caixa, o gestor pode programar e acompanhar as entradas e sadas de

    recursos financeiros, tanto a curto como a longo prazo. Pois a partir do momento em

    que a empresa controla tais recursos, ter capacidade de descobrir escassez de

    caixa ou um possvel excesso de recurso financeiro que poderiam ser aplicados no

    mercado financeiro, rendendo recursos a mais para a empresa.

  • 11

    O fluxo de caixa ajuda o gestor financeiro nas decises para manter sua

    empresa no mercado, pois atravs dele planeja as necessidades ou no de recursos

    financeiros a serem captados para a sobrevivncia da empresa. A insuficincia de

    caixa pode determinar cortes no crdito, pois muitas das vezes ele objeto de

    apresentao na hora de conseguir crdito no mercado, junto a que instituio,

    bancos e fornecedores, alm de suspenso na entrega de materiais.

    Atenta-se ao fato de justificar-se que a principal causa de inadimplncia a

    m administrao, a qual responsvel por mais de 50% de todos os casos.

    Numerosos erros administrativos especficos podem levar uma empresa ao fracasso.

    A tesouraria o eixo central de uma empresa por onde filtrado todo o

    dinheiro, tanto o que entra, quanto o que sai. Se a empresa tem sua rea de vendas

    como a mais importante, precisa ter um setor de tesouraria competente para poder

    administrar bem tanto o dinheiro que conseguido com as vendas, como para

    acompanhar e aferir as metas de vendas, pois os compromissos no aguardam a

    realizao das vendas. Neste momento pode ser avaliada a habilidade do

    Tesoureiro para captao e gesto de recursos no Mercado Financeiro.

    Desta forma, a demonstrao do Fluxo de Caixa pea imprescindvel na

    mais elementar atividade empresarial e mesmo para pessoas fsicas que se dedicam

    a algum negcio.

    Para a elaborao do estudo utilizado o mtodo cientfico e dentro dele o

    modelo dedutivo, no qual, conforme Lakatos e Marconi (2008, p.72), [...] a

    necessidade de explicao no reside nas premissas, mas ao contrrio, na relao

    entre as premissas e a concluso.

    No argumento dedutivo, para que a concluso seja verdadeira todas as

    informaes tambm devero s-lo. Portanto, seu propsito explicar o contedo

    das informaes levantadas sem a ampliao do seu contedo para se atingir a

    certeza.

  • 12

    Sendo assim o trabalho de monografia baseado na tcnica de

    documentao indireta abrangendo a pesquisa documental e bibliogrfica em livros,

    artigos de revistas, jornais e web sites que tratam do assunto em questo de modo a

    comprovar todas as premissas apontadas no seu transcorrer.

    2 REFERENCIAL TERICO

    2.1 FLUXO DE CAIXA: CONCEITOS E DEFINIES

    Fluxo de caixa a previso de entradas e sadas de recursos monetrios, por

    um determinado perodo no caixa. Essa previso deve ser feita com base nos dados

    levantados nas projees econmico-financeiras atuais da empresa, levando, porm

    em considerao a memria de dados que respaldar essa mesma previso. O

    principal objetivo dessa previso fornecer informaes para a tomada de decises,

    tais como: prognosticar as necessidades de captao de recursos bem como prever

    os perodos em que haver sobras ou necessidades de recursos; aplicar os

    excedentes de caixa nas alternativas mais rentveis para a empresa sem

    comprometer a liquidez.

    Segundo Zdanowicz ( 2001: 23), fluxo de caixa a demonstrao visual das

    receitas e despesas distribudas pela linha do tempo futuro.

    Para Silva ( 2002: 109):

    O fluxo de caixa considerado um dos principais instrumentos de anlise e avaliao de uma empresa, proporcionando ao administrador uma viso futura dos recursos financeiros da empresa, integrando o caixa central, as contas correntes em bancos, contas de aplicaes, receitas, despesas e as previses. As decises relacionadas compra, venda, investimentos, aportes de capital pelos scios captao ou pagamento de emprstimos e desinvestimentos, constituem um fluxo contnuo entre as fontes geradoras e as utilizadoras de recursos. Deve e pode ser utilizado por empresas de qualquer porte dada a sua importncia e simplicidade. Entre os Micro e Pequenos Empresrios se a sua necessidade ainda no foi sentida, com certeza foi intuda.

  • 13

    A projeo do fluxo de caixa permite a avaliao da capacidade de uma

    empresa gerar recursos para suprir o aumento das necessidades de capital de giro

    geradas pelo nvel de atividades, remunerar os proprietrios da empresa, efetuar

    pagamento de impostos e reembolsar fundos oriundos de terceiros.

    Na projeo do fluxo de caixa, indica-se no apenas o valor dos

    financiamentos que a empresa necessitar para desenvolver as suas atividades,

    mas tambm quando ele ser utilizado. Percebe-se at agora que o fluxo de caixa

    olha para o futuro retratando a situao real do caixa na empresa, no podendo ser

    confundido com os registros contbeis que se ocupam do passado e incorporam

    categorias relacionadas ao patrimnio fsico da empresa, como por exemplo, o Ativo

    Imobilizado.

    A projeo pode ser realizada ms a ms, trimestre a trimestre ano a ano ou

    at mesmo em bases dirias.

    Alm de permitir analisar a forma como uma empresa desenvolve sua poltica

    de captao e aplicao de recursos, o acompanhamento entre o fluxo projetado e o

    efetivamente realizado, permite identificar as variaes ocorridas e as causas

    dessas variaes.

    O fluxo de caixa construdo a partir das informaes relativas a todos os

    dispndios e entradas de caixa j conhecidos e dos projetados.

    Para a elaborao do fluxo de caixa, a empresa precisa dispor internamente

    de informaes organizadas que permitam a visualizao das contas a receber,

    contas a pagar e de todos os desembolsos geradores dos custos fixos. A forma de

    obteno e organizao dessas informaes auxiliares passam pela utilizao de

    ferramentas de gesto, cuja forma depender do tipo da empresa, do seu porte e

    disponibilidade financeira. O fluxo de caixa um grande sistema de informaes

    para o qual convergem os dados financeiros gerados em diversas reas da

    empresa. A maior dificuldade para se ter um fluxo de caixa realmente eficaz

    gerenciar adequadamente este sistema de informaes. Na grande maioria das

  • 14

    Micro e Pequenas Empresas tudo pode ser resolvido com a utilizao de simples

    planilhas. (IUDCIBUS, 1999: 23)

    Do exposto, infere-se que o fluxo de caixa uma simples, mas extremamente

    til e poderosa ferramenta de planejamento financeiro. Com a observao de alguns

    princpios, ele poder trazer benefcios significativos para a sua empresa. Tambm

    dispensa grandes investimentos em informtica para poder operar satisfatoriamente.

    De fato, a principal condio para o sucesso do fluxo de caixa a existncia de uma

    cultura de planejamento.

    Yoshitake et al (1997: 92) diz que:

    Em toda operao financeira existe entrada e sada de dinheiro. E essas operaes podem ser representadas pelo fluxo de caixa. "O fluxo de caixa o instrumento que permite demonstrar as operaes financeiras que so realizadas pela empresa o que possibilita melhores anlises e decises quanto aplicao dos recursos financeiros que a empresa dispe.

    Assaf Neto et al (1997: 38) explica que o fluxo de caixa de maneira ampla

    um processo pelo qual a empresa gera e aplica seus recursos de caixa

    determinados pelas vrias atividades desenvolvidas, no qual as atividades da

    empresa dividem-se em operacionais, de investimentos e de financiamento. Em

    sentido mais restrito, o fluxo de caixa pode ser proveniente de operaes, que quer

    dizer que os recursos so gerados diretamente das suas prprias operaes.

    Gitman (1997: 71) tambm divide os fluxos de caixa das empresas em fluxos

    operacionais, fluxos de investimento e fluxos de financiamento.

    Os fluxos operacionais so as entradas e sadas que se relacionam

    diretamente com os produtos e servios das empresas. Este grupo permite visualizar

    a atividade que gera maior caixa operacional, quando comparados diversos

    perodos.

    Zdanowicz (2000: 76) diz que as principais modalidades de entradas

    operacionais so as vendas vista, recebimentos, descontos, caues e cobranas

  • 15

    das duplicatas de venda a prazo. Quanto s sadas podem ser relacionados com as

    compras de matrias-primas, salrios e ordenados com os encargos sociais

    pertinentes, custos indiretos de fabricao, despesas administrativas, despesas com

    vendas, despesas financeiras e despesas tributrias;

    Os fluxos de investimento so os fluxos associados compra e venda do

    imobilizado das empresas e tambm das participaes societrias. Dizem respeito

    aquisio ou venda de ativos no circulantes, que representam a destinao que a

    empresa d aos seus recursos na compra de novos equipamentos ou na ampliao

    de suas instalaes;

    Os fluxos de financiamento so as entradas ou sadas resultantes de

    operaes de emprstimo e capital prprio. Esto relacionadas obteno de

    emprstimos a curto e longo prazo, bem como emisso de aes representativas

    do capital ao pagamento de dividendos aos acionistas.

    O saldo de caixa aumentar, diminuir ou permanecer inalterado decorrente

    das aes combinadas desses fluxos mencionados acima.

    Ento, "o fluxo de caixa tem como objetivo bsico, a projeo das entradas e

    sadas de recursos financeiros para determinado perodo" (ZDANOWICZ, 2000, :23),

    com o qual ser possvel perceber a necessidade de captar emprstimos ou de

    aplicar em operaes rentveis, dos quais pode ser aplicaes no mercado

    financeiro ou mesmo investimento em itens do ativo permanente. Por isso, ele de

    grande importncia, j que assim o administrador financeiro poder determinar as

    metas e objetivos de forma racional e consistente. Assim, ele deve ter um alto grau

    de acerto, diminuindo assim, seus custos financeiros. Outro papel importante a

    possibilidade de evitar grandes desembolsos no perodo que a empresa no ter

    disponvel esse valor, gerando assim, a falta de recurso para pagamento do

    compromisso.

  • 16

    Gitman (1997: 77), afirma que: A demonstrao dos fluxos de caixa uma das quatro demonstraes financeiras obrigatrias - resume os fluxos de caixa de dado perodo fornecendo, assim, uma viso para anlise daquele perodo no que se refere a investimento, operacionalizao e financiamento. A partir da, possvel reconcili-los com as variaes do seu caixa e de ttulos negociveis, durante aquele perodo.

    Iudcibus et al (1999: 34) afirmam que a DFC (Demonstrao do Fluxo de

    Caixa) "demonstra a origem e a aplicao de todo o dinheiro que transitou pelo caixa

    em um determinado perodo e o resultado desse fluxo" (IUDCIBUS et al, 1999,

    p.218), sendo que o caixa engloba as contas Caixa e Bancos, evidenciando as

    entradas e sadas de valores monetrios no decorrer das operaes que ocorrem ao

    longo do tempo nas organizaes.

    No Brasil, de acordo com Iudcibus et al (1999: 39), esta demonstrao ainda

    utilizada para fins de controle interno. Contudo, encontra-se em discusso o

    anteprojeto de alterao da Lei 6.404/76 (Lei das S.A.) o qual prev a substituio

    da DOAR pelo DFC.

    Frezatti (1997: 51) menciona que o fluxo de caixa apresenta-se como um

    instrumento ttico e estratgico no processo de gesto empresarial. A abordagem

    estratgica est relacionada com o nvel de negcios da empresa no s em curto

    prazo, mas principalmente em longo prazo. Enquanto a abordagem ttica, a qual o

    autor se refere, corresponde a viso do fluxo de caixa como instrumento de utilidade

    restrita e acompanhamento, isto , concentra-se em questes de menor alcance e

    mesmo impacto.

  • 17

    FIGURA 01: Fluxo de Caixa

    FONTE: ZDANOWICZ, 2000, p.52

    2.2 OBJETIVOS DO FLUXO DE CAIXA

    O Fluxo de Caixa tem como foco principal, a projeo das entradas e das

    sadas de recursos financeiros para determinado perodo, com o objetivo de facilitar

    a administrao da Empresa com relao aos pagamentos e recebimentos, podendo

    tomar atitudes em tempo hbil tanto no sentido de cobrana de possveis devedores,

    quanto na busca de recursos para suprir eventuais necessidades de capital para a

    honra de seus compromissos. Este controle permite que a Empresa possa

    administrar seus capitais e se no zerar, ao menos manter em nveis aceitveis o

    ndice de inadimplncia.

    Para a elaborao de um bom e eficiente Fluxo de Caixa, devemos considerar

    como objetivos principais os seguintes aspectos:

    Proporcionar o levantamento de recursos financeiros necessrios

    para a execuo do plano geral de operaes e, tambm, da

    realizao das transaes econmico-financeiras pela empresa;

  • 18

    Empregar, da melhor forma possvel, os recursos financeiros

    disponveis na empresa, evitando que fiquem ociosos e estudando

    antecipadamente a melhor aplicao, o tempo e a segurana dos

    mesmos;

    Planejar e controlar os recursos financeiros da empresa, em

    termos de ingressos e de desembolsos de caixa, atravs das

    informaes constantes nas projees de vendas, produo e

    despesas operacionais, assim como de dados relativos aos ndices

    de atividades: prazos mdios de rotao de estoques, de valores a

    receber e de valores a pagar;

    Saldar as obrigaes da empresa na data do vencimento;

    Buscar o perfeito equilbrio entre ingressos e desembolsos de

    caixa da empresa;

    Analisar as fontes de crdito que oferecem emprstimos menos

    onerosos, em caso de necessidade de recursos pela empresa;

    Evitar desembolsos vultuosos pela empresa, em poca de baixo

    encaixe;

    Desenvolver o controle dos saldos de caixa e dos crditos a

    receber pela empresa;

    Permitir a coordenao entre recursos que sero alocados em

    ativo circulante, vendas, investimentos e dbitos.

  • 19

    FIGURA 02: Fluxograma informaes preliminares do fluxo de caixa

    FONTE: ZDANOWICZ, 2000, p. 130

    2.3 PLANEJAMENTO DE CAIXA

    Segundo Campos (1999), importante planejar corretamente o Fluxo de

    Caixa de seu negcio. Em outras palavras, preciso saber exatamente quanto

    dinheiro voc poder ter disponvel e se esses recursos sero suficientes para

    cumprir suas obrigaes (pagar contas diversas, considerando os custos fixos, como

    Vendas Vista

    Vendas Prazo

    Vendas de Ativo

    Aumento de Capital

    Outros ingressos

    Fornecedores

    Folha de Pagamento

    Despesas com vendas

    Compras de Ativos

    Outros desembolsos

  • 20

    aluguel de imvel e salrios de empregados, e os custos variveis, como impostos,

    taxas e contas de luz, gua, aquecimento, etc).

    O Fluxo de Caixa opera em ciclos, desde a compra de estoques at o

    recebimento das suas vendas prazo. A anlise do Fluxo de Caixa basicamente

    mostrar a relao entre a despesa decorrente do cumprimento das obrigaes e a

    receita obtida pela venda de seus produtos. A combinao da entrada e sada de

    dinheiro pode resultar em saldo positivo ou negativo.

    A projeo mensal do Fluxo de Caixa ajuda a identificar e eliminar dficits ou

    supervits. Se o Fluxo de Caixa for deficitrio, voc precisar alterar seus planos

    financeiros para conseguir mais dinheiro. Por outro lado, um Fluxo de Caixa

    superavitrio pode indicar que voc pediu dinheiro emprestado em excesso ou que

    os recursos que esto sobrando poderiam ser investidos. O objetivo desenvolver

    um plano que proporcione um Fluxo de Caixa equilibrado.

    Caso o Fluxo de Caixa esteja deficitrio, existem vrias formas pelas quais

    voc poder buscar aumentar suas reservas. A mais conhecida o aumento de

    vendas. Porm, caso grande parte de suas vendas seja feita a crdito, o aumento de

    vendas no resultar necessariamente em incremento imediato dos recursos sua

    disposio. Alm disso, seu estoque ficar desfalcado e precisar ser reposto, o que

    aumentar suas despesas. (CAMPOS, 1999)

    Os ciclos econmico e financeiro (Fig 3) relacionam-se, atravs da seguinte

    expresso: ciclo financeiro (CF) = ciclo econmico (CE) + prazo mdio de

    recebimento (PMR) - prazo mdio de pagamentos (PMP). ZDANOWICZ, (2000, p.

    144).

  • 21

    FIGURA 03: Modelo Ciclo Econmico e Ciclo Financeiro

    ESTOQUES:

    Compras Matrias-primas Produtos em

    Processamento

    Produtos

    Prontos Vendas

    CICLO DE PRODUO

    Desembolsos

    de caixa

    Crdito de

    Fornecedores

    Crdito de

    Clientes

    Ingressos

    de caixa

    CICLO ECONMICO

    Valores

    Pagar

    Valores

    Receber

    CICLO FINANCEIRO

    FONTE: ZDANOWICZ, (2000, p. 143).

    Para que uma Empresa possa trabalhar financeiramente estvel,

    fundamental que seja dada a devida importncia aos Ciclos, tanto ao

    Econmico quanto ao Financeiro, pois eles so primordiais ao Fluxo de Caixa

    da Empresa, controlando o risco de inadimplncia prprio e o de seus

    Clientes. O Banco do Brasil, assim como outras Instituies que operam com

    a concesso de Crdito a Empresas, utiliza os dados referentes aos Ciclos

    Econmico e Financeiro e do Fluxo de Caixa para a anlise da capacidade de

    pagamento em operaes de capital de giro ou de investimentos, pois estes

    dados refletem a realidade financeira da Empresa e pondera o risco de uma

    futura inadimplncia.

  • 22

    3 TIPOS DE FLUXOS DE CAIXA DA EMPRESA

    Os fluxos de caixa da empresa foram divididos em: fluxos operacionais, fluxos

    de investimento e fluxos de financiamento. ( CAMPOS, 1999)

    Os fluxos operacionais so os fluxos de caixa, entradas e sadas diretamente relacionados produo e venda dos produtos e servios da empresa.

    Estes fluxos se baseiam na demonstrao do resultado e nas transaes das contas

    circulantes (excluindo os ttulos a pagar) ocorridas durante o perodo.

    Os fluxos de investimento so fluxos de caixa associados com a compra e venda de ativos imobilizados, e participaes societrias.

    Os fluxos de financiamento resultam de operaes de emprstimo e capital prprio. Tomando ou quitando emprstimos tanto de curto prazo (ttulos a pagar)

    quanto de longo prazo resultando numa correspondente entrada ou sada de caixa.

    Do mesmo modo, a venda de aes pode resultar numa entrada de caixa,

    enquanto que a recompra de aes ou o pagamento de dividendos pode resultar em

    uma sada financeira.

    3.1 FLUXO DE CAIXA DOS ATIVOS

    O fluxo de caixa dos ativos envolve trs componentes: fluxo de caixa

    operacional, gastos de capital e aumentos de capital de giro lquido. O fluxo de caixa

    operacional diz respeito ao fluxo de caixa que resulta das atividades dirias de

    produo e venda da empresa. As despesas associadas ao financiamento dos

    ativos da empresa no so includas, pois no so despesas operacionais.

    Os gastos de capital so representados pelos gastos com o ativo permanente

    (compras menos vendas de ativo permanente). Os aumentos de capital de giro

    lquido se apresentam pelos montantes gastos com capital de giro lquido, medidos

    pela variao do capital de giro lquido no perodo examinado, calculado pelo

  • 23

    aumento lquido de ativo circulante, deduzida a variao do passivo circulante. Os

    trs componentes do fluxo de caixa so examinados a seguir.

    3.1.1 Fluxo de caixa operacional Para o clculo do Fluxo de Caixa Operacional, calculamos a diferena entre

    as receitas e as despesas, porm no consideramos a depreciao e o pagamento

    de juros. O fluxo de caixa operacional um dado importante pois demonstra se os

    ingressos no caixa so suficientes para cobrir os gastos, dando informaes com

    relao sade da Empresa.

    3.1.2 Gastos de capital O gasto lquido de capital simplesmente a diferena entre o dinheiro

    despendido com ativo permanente menos o dinheiro recebido com vendas desse

    tipo de ativo.

    3.1.3 Acrscimos de capital de giro lquido Alm de aplicar recursos em ativo permanente, uma empresa tambm investe

    em ativo circulante. medida que a empresa altera seu investimento em ativo

    circulante, normalmente seu passivo circulante tambm se modifica. Para determinar

    os acrscimos ao capital de giro lquido, o enfoque mais simples tomar a diferena

    entre os saldos inicial e final de capital de giro lquido.

    3.1.4 Fluxo de caixa dos ativos

    O resultado da diferena entre o fluxo de caixa operacional e os montantes

    investidos em ativo permanente e capital de giro lquido nos d o fluxo de caixa dos

    ativos.

    3.2 FLUXO DE CAIXA AOS CREDORES E AOS ACIONISTAS

    O fluxo de caixa aos credores e acionistas representa os pagamentos lquidos

    aos mesmos durante o ano. O fluxo de caixa dos credores calculado pelo valor do

  • 24

    pagamento de juros menos novos financiamentos; o fluxo de caixa aos acionistas

    dado pelos dividendos pagos menos novos recursos prprios obtidos.

    3.3 ABRANGNCIA DO FLUXO DE CAIXA

    O fluxo de caixa descreve as diversas movimentaes financeiras da empresa

    em determinado perodo de tempo, e sua administrao tem por objetivo preservar

    uma liquidez imediata essencial manuteno das atividades da empresa.

    (CAMPOS FILHO, 1999)

    Por no incorporar explicitamente um retorno operacional, seu saldo deve ser

    o mais baixo possvel, o suficiente para cobrir as vrias necessidades associadas

    aos fluxos de recebimentos e pagamentos.

    Deve-se ter em conta que saldos mais reduzidos de caixa podem provocar,

    entre outras conseqncias, perdas de descontos financeiros vantajosos pela

    incapacidade de efetuar compras a vista junto aos fornecedores.

    Por outro lado, posies de mais elevada liquidez imediata, ao mesmo tempo

    em que promovem a segurana financeira da empresa, apuram maior custo de

    oportunidade.

    Este o dilema risco e rentabilidade sempre presente nas tomadas de

    decises do setor de finanas das empresas.

    Ao apurar o saldo lquido destes fluxos monetrios, o instrumento do fluxo de

    caixa permite que se estabeleam prognsticos com relao a eventuais sobras ou

    faltas de recursos, em funo do nvel de caixa desejado pela empresa.

    O fluxo de caixa no deve ser uma preocupao exclusiva da rea financeira.

    Deve haver comprometimento de todos os setores com os resultados lquidos de

    caixa, destacando-se:

  • 25

    A rea de produo, ao promover alteraes nos prazos de

    fabricao dos produtos, determina novas alteraes nas

    necessidades de caixa. Da mesma forma, os custos de produo

    tm importante reflexo sobre o caixa; as decises de compras devem

    ser tomadas de maneira ajustada com a existncia de saldos

    disponveis de caixa. de fundamental importncia o ajuste dos

    prazos entre o pagamento dos fornecedores e o recebimento das

    vendas;

    Polticas de cobrana mais geis e eficientes, ao permitirem

    colocar recursos financeiros mais rapidamente disposio da

    empresa, se tornam importantes reforos de caixa;

    A rea de vendas, em conjunto com a meta de crescimento da

    atividade comercial, deve manter um controle mais prximo sobre os

    prazos concedidos e hbitos de pagamentos dos clientes, de

    maneira a no pressionar negativamente o fluxo de caixa.

    recomendado que toda deciso envolvendo vendas seja tomada

    somente aps uma prvia avaliao de suas implicaes sobre os

    resultados de caixa (exemplos: prazo de cobrana, despesas com

    publicidade e propaganda etc...);

    A melhor capacidade de gerao de recursos de caixa promove, entre outros

    benefcios empresa, menor necessidade de financiamento dos investimentos em

    giro, reduzindo seus custos financeiros.

    O objetivo fundamental para o gerenciamento dos fluxos de caixa atribuir

    maior rapidez s entradas de caixa em relao aos desembolsos ou, da mesma

    forma, otimizar a compatibilizao entre a posio financeira da empresa e suas

    obrigaes correntes.

    A extenso do ciclo operacional o fator determinante das necessidades de

    recursos do ativo circulante; ele administrado atravs de:

    Negociaes com fornecedores e outros credores visando alongar

    os prazos de pagamento;

  • 26

    Medidas mais eficientes de valores a receber, sem prejuzo de

    vendas futuras, objetivando reduzir o volume de clientes em atraso e

    inadimplentes;

    Decises tomadas na rea com intuito de diminuir os estoques e

    incrementar seu giro;

    Concesso de descontos financeiros, sempre que

    economicamente justificados, na expectativa de reduo dos prazos

    de recebimentos das vendas etc...

    Os sistemas de cobrana devem ser avaliados com base em sua facilidade de

    pagamento e rapidez de emisso e entrega das duplicatas aos clientes.

    De maneira ampla, o fluxo de caixa um processo pelo qual uma empresa

    gera e aplica seus recursos de caixa determinados pelas vrias atividades

    desenvolvidas.

    Em outras palavras, so os recursos gerados por suas prprias operaes em

    determinado perodo, tambm denominados por gerao interna de caixa.

    O fluxo de caixa proveniente das operaes apurado, pela soma do lucro

    lquido (aps o Imposto de Renda) com os custos e despesas caracteristicamente

    no desembolsveis, ou seja, aqueles que afetaram o resultado do perodo, mas

    no consumiram efetivamente recursos (depreciao, apropriao de encargos

    financeiros por competncia etc.) nesse mesmo perodo.

    Deste resultado, ainda, devem ser subtradas as receitas consideradas na

    apurao do lucro, mas que no envolveram efetivamente ingressos de recursos,

    tais como receita de equivalncia patrimonial, juros ativos apropriados contabilmente

    etc.

    Em certas condies, a forma mais rpida de se apurar o fluxo de caixa

    proveniente das operaes a partir do demonstrativo de resultados de um perodo

    somar ao lucro lquido aquelas despesas classificadas como no desembolsveis e

    subtrair as receitas tidas como no realizadas financeiramente.

  • 27

    3.4 FLUXOS RELEVANTES DE CAIXA

    Os fluxos de caixa relevantes, utilizados para tomar decises de oramento

    de capital incluem o investimento inicial, as entradas de caixa operacionais e um

    fluxo de caixa residual.

    Para se avaliar alternativas de consumo de capital, os fluxos de caixa

    relevantes, que correspondem sada incremental de caixa aps os impostos

    (investimento) e s entradas subseqentes resultantes, devem ser determinados.

    Os fluxos de caixa incrementais representam os fluxos adicionais entradas

    ou sadas esperados como resultado de um dispndio de capital proposto.

    O fluxo de caixa de qualquer projeto, que possua padro convencional, pode

    incluir trs componentes bsicos:

    Investimento inicial;

    Entradas de caixa operacionais;

    Fluxo de caixa residual.

    Todos os projetos, quer sejam para expanso, substituio, modernizao ou

    algum outro motivo, tm os dois primeiros componentes.

    O desenvolvimento de fluxos de caixa relevantes mais direto no caso de

    decises de expanso. Nesse caso, o investimento inicial, as entradas de caixa

    operacionais e o fluxo de caixa residual so simplesmente as entradas e sadas de

    caixa, aps o imposto de renda, resultantes da proposta de investimento. O

    desenvolvimento de fluxos de caixa relevantes para decises de substituies de

    ativos mais complicado; a empresa deve determinar as entradas e sadas de caixa

    incrementais que resultaro da proposta de substituio.

    O investimento inicial, nesse caso, determinado pela subtrao do valor

    necessrio para a aquisio do novo ativo da entrada de caixa lquida (aps o

    imposto de renda) prevista com a venda do ativo a ser substitudo.

  • 28

    As entradas de caixa operacionais so determinadas pela diferena entre as

    entradas de caixa operacionais geradas pelo novo ativo e as que so geradas pelo

    ativo a ser substitudo.

    O fluxo de caixa residual dado pela diferena entre os fluxos de caixa, aps

    o imposto de renda, esperados na liquidao do novo ativo e do ativo atualmente em

    uso.

    3.5 CLCULO DO FLUXO DE CAIXA RESIDUAL

    O fluxo de caixa resultante do trmino e liquidao de um projeto no final de

    sua vida econmica o fluxo de caixa residual. Representa o fluxo de caixa aps o

    imposto de renda, excludo as entradas de caixa operacionais, que ocorrem no ano

    final do projeto.

    A considerao desses fluxos tambm permite completar a anlise, fazendo

    com que a empresa retorne sua posio inicial, em termos dos dispndios que

    esto sendo considerados.

    3.6 A DEMONSTRAO DE ORIGENS E APLICAES DE RECURSOS (DOAR) E

    O FLUXO DE CAIXA

    H um movimento mundial pela troca da DOAR, com base na variao do

    capital circulante lquido como a conhecemos no Brasil, pelo Fluxo de Caixa.

    Para as Empresas industriais e comerciais, justifica-se plenamente essa

    substituio apenas pelo fator de ser muito mais fcil o entendimento do Fluxo de

    Caixa que o da DOAR. E talvez isso realmente j seja o suficiente para a mudana,

    logicamente sem alterar a Demonstrao do Resultado.

  • 29

    3.7 FATOS QUE DIMINUEM O SALDO DE CAIXA

    Pagamento de compras vista O pagamento vista impacta diretamente

    no fluxo de caixa da Empresa medida que aumenta o perodo entre o desembolso

    de capital e a entrada de valores provenientes do recebimento de vendas.

    Reduzindo as disponibilidades da Empresa.

    Pagamento a fornecedores Afeta da mesma forma que o item anterior.

    Proviso para devedores duvidosos - uma conta redutora do ativo e a

    princpio no afeta o caixa, porm a constatao de uma perda afetar o caixa,

    principalmente a perda com proviso para devedores duvidosos, a qual ter como

    contrapartidas, resultado e caixa. Deve-se observar que a conta provises quando

    realizada no afeta o caixa, diretamente, como j foi dito, porm fica no capital de

    giro um valor no contabilizado. No Banco do Brasil, a PCLD (Proviso para crditos

    de liquidao duvidosa) est diretamente atrelada ao risco das operaes de

    emprstimo, ou seja, quanto maior for o risco do Cliente, maior a reserva de capital

    destinada a esta proviso, cabe ressaltar que este um valor que sai do Fluxo de

    caixa, pois no pode ser utilizado em novos emprstimos, e sendo este o produto do

    Banco, deixa de produzir receita.

    Dividendos - A retirada de valores para pagamento de dividendos, diminui o

    saldo de caixa.

    Ativo Permanente A compra de itens do ativo permanente, que compreende

    os investimentos e o imobilizado, gera uma sada de caixa evidente na DFC,

    correspondente remunerao necessria ao pagamento dos investimentos ou do

    imobilizado. No entanto, quanto ao investimento devemos separar o que diminui o

    saldo de caixa (pagamento) do que no altera o saldo, como a reavaliao, correo

    monetria e equivalncia patrimonial, sendo que a reavaliao do imobilizado e sua

    correo monetria tambm no alteram o saldo de caixa.

    Despesas - Outro fato que diminui o saldo de caixa o pagamento de

    despesas, onde h a sada de caixa mediante a retirada de dinheiro ou emisso de

  • 30

    cheques para pagamento. importante lembrar que para a DFC importa a despesa

    paga e no a incorrida, devemos observar o regime de competncia dos exerccios

    no manuseio da DRE, para que no se reconhea na DFC uma despesa que foi

    incorrida, mas no foi paga, sendo que este pagamento que caracteriza a sada de

    caixa.

    3.8 FATOS QUE NO ALTERAM O SALDO DE CAIXA

    Compras a prazo - Caracterizam-se por crdito em mercadorias, e dbito na

    conta de fornecedores. Como no afeta as disponibilidades da empresa, tambm

    no entra na DFC.

    Vendas a prazo - Semelhante ao anterior na interpretao. Atinge as contas

    de resultado (vendas) e o ativo realizvel a longo ou em curto prazo. Ambos os

    casos no envolvem as contas caixa nem bancos, portanto no entra a DFC.

    Correo monetria - Incide, basicamente, sobre o Patrimnio Lquido e ativo

    Permanente. Outras contas tambm so envolvidas, no entanto, nenhuma envolve o

    disponvel da empresa.

    Resultado com Equivalncia Patrimonial - No afeta o caixa, j que se refere

    a variaes patrimoniais das coligadas e controladas, sendo sua contabilizao feita

    no momento, mesmo que no tenham sido distribudos os dividendos.

    Reavaliao dos bens do ativo - Tambm no altera o caixa, uma vez que

    esta tem a funo de dar novo valor aos bens, aproximar seus valores realidade,

    tendo sua contabilizao apenas nas contas do ativo permanente e na reserva de

    reavaliao.

    Constituio de reserva de capital - No altera o saldo de caixa, pois os recursos

    envolvidos nessas operaes tm origem no lucro acumulado e aplicao em contas que no

    so o caixa.

  • 31

    3.9 MODELO E FLUXO DE CAIXA

    Tabela 1: Modelo de Fluxo de Caixa:

    Fonte: ZDANOWICZ , 2001

  • 32

    4 O PAPEL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO NO FLUXO DE CAIXA

    De acordo com Gitman (1997), a administrao Financeira tambm dividida

    em trs reas de decises:

    Anlise, planejamento e controle financeiro: consiste em coordenar, monitorar

    e avaliar todas as atividades da empresa por meio de dados financeiros, alm de

    determinar o volume de capital necessrio;

    Tomadas de decises de investimento: consistem em determinar qual o

    destino dos recursos financeiros para aplicao em ativos circulantes, realizveis a

    longo prazo e permanente, levando em considerao os riscos e retornos existentes

    nas operaes. "Essas decises so importantes porque afetam o sucesso da

    empresa na consecuo de seus objetivos".(GITMAN, 1997, p.14)

    Braga (1989) tambm considera decises de investimento como uma rea de

    decises financeiras, porm vai alm de Gitman (1997) quanto a sua definio.

    Braga no s considera a administrao da estrutura de ativo, mas tambm a

    implementao de novos projetos como deciso de investimento que tambm

    apresentam elevados riscos de empreendimento;

    Tomadas de decises de financiamentos: so responsveis pela captao de

    recursos financeiros para o financiamento. Deve-se fazer uma anlise profunda das

    alternativas, levando em conta os custos e as implicaes a longo prazo, apesar de

    na maioria das vezes, o financiamento ser buscado para suprir uma necessidade.

    Essas decises limitam-se exclusivamente ao Administrador Financeiro.

    A boa administrao financeira envolve tambm uma boa administrao do

    capital de giro, pois "o princpio da administrao financeira, fundamentalmente,

    dispor o numerrio necessrio para saldar em tempo hbil os compromissos

    assumidos com terceiros e maximizar os lucros". O capital de giro dever estar

    disponvel para assumir os compromissos de curto prazo. A administrao de capital

    de giro est inserido nas decises financeiras das empresas que esto voltadas,

  • 33

    principalmente, para a preservao da liquidez. Essa liquidez normalmente medida

    pelo capital de giro e considera tambm que esse "valor no muito til para

    comparar o desempenho de empresas diferentes, mas bastante til para controle

    interno" (GITMAN, 1997, p.109). Solues inadequadas do capital de giro podem

    ocasionar at mesmo a falncia de Empresas, quando os recursos que deveriam

    financiar o capital de giro so utilizados para outras finalidades.

    4.1 VANTAGENS DO FLUXO DE CAIXA E PLANEJAMENTO FINANCEIRO

    Sem um eficiente controle do Fluxo de Caixa, uma Empresa no tem

    condies para avaliar quando seu caixa poder custear operaes ou financiar

    investimentos. Segundo Gitman (1997), o planejamento financeiro conduz as

    empresas para escolher o caminho a seguir e assim, alcanar seus objetivos. As

    vantagens do planejamento financeiro so os roteiros que ele fornece para dirigir,

    coordenar e controlar suas aes para execuo de seus objetivos. Sendo assim, o

    fluxo de caixa propicia as seguintes vantagens:

    Demonstra o momento certo de fazer as retiradas de caixa sem

    proporcionar problemas financeiros para a empresa;

    Permite o uso racional dos recursos disponveis sem comprometer

    a liquidez da empresa;

    Pode-se elaborar financiamentos futuros;

    possvel verificar quando a empresa ter excedentes de caixa;

    Com a devida PCLD, a Empresa pode evitar possveis crises

    ocasionadas pela inadimplncia de seus clientes.

    Possibilita a escolha dos investimentos bem como os

    financiamentos necessrios para cobrir desfalques do caixa;

    Possibilita o planejamento integrado das atividades da empresa;

    Facilita o processo decisrio, j que o administrador financeiro

    poder verificar como a empresa se encontra e como,

    provavelmente, em um determinado perodo;

  • 34

    possvel visualizar os pontos fortes e fracos da empresa e

    assim, aplicar medidas corretivas;

    Possibilita o estabelecimento de objetivos e metas a serem

    alcanados.

    A implantao, os objetivos e metas do fluxo de caixa possibilitam avaliar a

    situao financeira da empresa e buscar as razes dos problemas para que sejam

    evitados no futuro. "O dimensionamento do capital de giro a ser mantido fica

    bastante facilitado com a utilizao do fluxo de caixa" (SILVA, 2002, p. 26), j que

    ele possibilita que mantenha os recursos mnimos para o funcionamento da empresa

    ou que seja aplicado os excedentes em operaes mais rentveis.

    4.2 FLUXO DE CAIXA NO ESTUDO DE ALTERNATIVAS DE INVESTIMENTO

    A avaliao de investimentos possui uma metodologia de anlise que envolve

    critrios que possuem diferenas significativas em sua concepo e,

    conseqentemente, em sua utilizao no processo de tomada de decises. Podem

    ser citados como os mais utilizados o Valor Presente Lquido (VPL), Taxa Interna de

    Retorno (TIR) e o Payback, citados nos tpicos a seguir:

    4.2.1 Valor Presente Lquido (VPL) O valor presente lquido, mtodo mais utilizado, representa a confrontao

    entre as entradas e sadas trazidas para a data que se inicia a anlise do

    investimento de um determinado Fluxo de Caixa, descontada a uma taxa que

    representa o custo de oportunidade do investimento.

    Para identificar a viabilidade do projeto necessrio observar se o VPL

    positivo, ou seja, se as entradas do Fluxo de Caixa do Investimento so superiores

    s sadas. ( SILVA, 2002)

  • 35

    4.2.2 Taxa Interna de Retorno (TIR) De fundamental importncia em qualquer anlise de investimento, a TIR

    determina a taxa que far com que o retorno do investimento seja igual a zero, ou

    seja, traa a linha que divide um investimento entre a viabilidade ou no.

    4.2.3 Payback O mtodo tem como objetivo determinar qual o tempo necessrio para que se

    recupere o investimento de um determinado projeto, explicitando qual ser a

    capacidade de pagamento do projeto, ou seja, em quanto tempo ele ser pago.

    Este mtodo apresenta limitaes, como por exemplo, no considerar o valor

    do dinheiro no tempo, forar a adoo de uma viso artificial de curto prazo e no

    existir um perodo padro para fins de comparao.

    Em contrapartida, como vantagem do mtodo, pode se destacar que ele o

    nico a contemplar o aspecto de liquidez na anlise de alternativa de investimento.

    4.3 FLUXO DE CAIXA INCREMENTAL

    Esse Fluxo de Caixa utilizado para visualizar quando um investimento

    vivel. Procura se identificar se o custo para a aquisio de um investimento ir

    resultar em um retorno positivo desejado pelos gestores.

    No momento da tomada de deciso, ou seja, escolher entre um e outro

    investimento ou simplesmente no investir, a controladoria tenta diminuir o grau de

    risco na deciso a ser tomada pelos gestores, atravs exatamente da anlise do

    Fluxo de Caixa gerado por cada investimento.

    4.4 FLUXO DE CAIXA DESCONTADO

    Este fluxo, consiste em trazer a valor presente (Valor Presente Lquido) os

    fluxos futuros (em geral 6 anos), a uma taxa de desconto tecnicamente definida.

  • 36

    A somatria destes fluxos, adicionando-se ainda a perpetuidade e subtraindo-

    se o endividamento lquido, indica o valor econmico da companhia.

    Dividindo-se esse valor pelo nmero total de aes da empresa, encontra-se

    o Preo Justo da ao, que determinar a recomendao de COMPRA ou VENDA

    do ativo em referncia (determinao do potencial de valorizao ou

    desvalorizao). Pode-se tambm, atravs desse mtodo, determinar valores-base

    para operaes de fuses e aquisies de empresas.

    Perpetuidade: o valor dos fluxos de caixa futuros, desde o ltimo projetado

    at o "infinito". O mtodo prope que o valor da companhia seja determinado pelos

    seus fluxos de caixa projetados descontados (seis anos), mais os fluxos do sexto

    ano at o "infinito", para que assim possa ser considerada a capacidade da

    companhia obter sucesso em suas atividades por tempo indeterminado.

    5 FLUXO DE CAIXA ATRAVS DA ANLISE DE INDICADORES ECONMICOS E FINANCEIROS

    5.1 ANLISE DE INDICADORES ECONMICOS E FINANCEIROS

    Em uma empresa o objetivo principal maximizar os lucros e minimizar os

    custos, em funo de sua atividade operacional.

    A anlise de indicadores econmico-financeiros atravs do Fluxo de Caixa

    proporciona uma relao entre os dados econmico-financeiros da empresa,

    verificando os pontos crticos que possam causar desequilbrio a curto ou longo

    prazo, utilizando-se de dados internos e externos a empresa.

    O dados internos so provenientes dos registros contbeis, em especial, do

    Balano Patrimonial e do Demonstrativo de Resultado do Exerccio.

  • 37

    Os dados externos se referem s informaes obtidas de empresas do

    mesmo ramo da atividade, concorrentes e entidades de classe.

    Comparando os resultados internos com os externos possvel uma

    visualizao do progresso ou retrocesso ocorrido no perodo.

    A anlise de indicadores econmico-financeiros se prope:

    Determinar os pontos de estrangulamento e de desequilbrio da

    empresa;

    Comparar os dados obtidos com os padres pr-fixados pela

    empresa;

    Constatar o progresso ou o retrocesso da empresa.

    5.2 ANLISE DE INDICADORES ECONMICOS FINANCEIROS MAIS

    UTILIZADOS

    Por ndice;

    Por tendncia;

    Por ponto de equilbrio

    Dentre as trs possibilidades acima citadas trabalharemos com a anlise de

    indicadores econmico financeiros por ndice, porque mais til na projeo do

    Fluxo de Caixa.

    Para o clculo e anlise destes ndices utilizamos informaes do Balano

    Patrimonial, do Demonstrativo de Resultado do Exerccio e do Inventrio. A

    associao destes ndices ao Fluxo de Caixa demonstra a realidade econmico-

    financeira da Empresa, em termos de liquidez e rentabilidade.

  • 38

    Os ndices econmico-financeiros so subdivididos em:

    ndices no operacionais: representam a posio da empresa

    em determinado perodo.

    ndices financeiros operacionais: refletem o dinamismo da

    empresa, decorrente de sua atividade econmica, durante

    determinado perodo.

    O DRE a fonte de dados essenciais para o clculo dos

    principais indicadores econmicos.

    Sob o ponto de vista da administrao financeira a anlise realizada sob

    dois aspectos:

    Financeiro;

    Econmico.

    A anlise de indicadores financeiros tem por objetivo principal a liquidez,

    enquanto que a anlise de indicadores econmicos feita em relao aplicao e

    ao rendimento do capital investido na empresa.

    5.2.1 Anlise de Indicadores Financeiros Principais indicadores utilizados para realizar a anlise de liquidez da

    empresa:

    Liquidez Imediata (absoluta);

    Liquidez Seca;

    Liquidez Corrente (normal);

    Liquidez Total (geral);

    Solvncia Geral;

    Endividamento;

    Garantia de Capitais de terceiros;

    Imobilizao de Capitais Prprios;

    Capital Circulante.

  • 39

    5.2.2 ndice de Liquidez Imediata (LI)

    Este indicador mostra quanto de dvida a curto prazo da empresa pode ser

    saldada de imediato, utilizando-se das disponibilidades do perodo.

    5.2.3 ndice de Liquidez Seca (Ls)

    Apresenta a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo

    desconsiderando os estoques, que so os recursos menos lquidos do ativo. Com

    isso a Empresa independe das vendas para o pagamento de suas contas de curto

    prazo.

    Para que a rotao dos valores a receber seja boa, esse indicador deve

    situar-se entre 07 e 0,8 para cada unidade monetria de obrigaes, pois caso esse

    ndice aproxime-se de 0,5 sinal de que os problemas de liquidez da empresa esto

    aumentando.

    5.2.4 ndice de Liquidez Corrente (Lc)

    Este indicador bastante utilizado na anlise, pois estabelece a relao entre

    os bens e direitos realizveis lquidos a curto prazo e as obrigaes de curto prazo

    da empresa.

    Os estoques devem ser corrigidos sob dois aspectos:

    Deduzir os estoques obsoletos ou aqueles itens de baixa ou nula

    rotao;

    Analisar o crdito utilizado para valorizao dos estoques,

    evitando a super valorizao ou a subavaliao.

  • 40

    Para a realizao das anlises os estoques so valorizados pelo

    preo de reposio, enquanto que para fins contbeis a

    valorizao feita atravs do custo mdio de aquisio.

    considerado normal um ndice de liquidez corrente prximo a 1,5; pois se

    este ndice for muito prximo da unidade torna-se perigoso porque a capacidade

    financeira fica muito vulnervel a qualquer que seja o acontecimento ocorrido na

    empresa.

    5.2.5 ndice de Liquidez Total (Lt)

    Este ndice demonstra a situao financeira a longo prazo, ou seja, a relao

    entre os capitais circulantes prprios da empresa e os capitais de terceiros.

    Neste ndice se no houver investimento de expanso aceitvel um ndice

    de no mnimo, igual unidade, considerando-se este caso, o ativo permanente

    todo financiado por capitais prprios.

    5.2.6 Solvncia Geral (SG) uma medida de avaliao da capacidade financeira da empresa a longo

    prazo para saldar os compromissos com terceiros, que so exigveis a qualquer

    prazo.

    A anlise da solvncia geral realizada pelo total dos bens e direitos divididos

    pelo total das obrigaes com terceiros.

    Grau de SG < unidade passivo a descoberto;

    Grau de SG = unidade ativo comprometido com recursos de terceiros;

    Grau de SG = um estado de pr-insolvncia;

    Grau de SG > unidade capacidade para saldar suas obrigaes a curto e

    longo prazo.

    5.2.7 Endividamento (E)

    Mede o grau de proteo que os credores de uma Empresa tem no caso de

    falncia da mesma.

  • 41

    O grau de endividamento uma relao inversa do grau de solvncia geral.

    Para uma empresa operar com autonomia financeira, o grau de

    endividamento deve estar prximo de zero. Quanto menor o grau de endividamento,

    maior ser a capacidade financeira da empresa a longo prazo.

    5.2.8 Garantia de Capital de Terceiros (GT)

    Indica o quanto a Empresa dispe de capital prprio para garantir a devoluo do capital de terceiros.

    Grau de GT < unidade capitais de terceiros no esto cobertos;

    Grau de GT = unidade ativo financiado em igual proporo pelos capitais

    prprios e de terceiros;

    Grau de GT > unidade ativo financiado em maior proporo pelos capitais

    prprios em relao aos capitais de terceiros.

    Por isso quanto mais alto o grau de garantia de capital de terceiros, maior

    segurana haver para os credores que emprestarem recursos empresa.

    5.2.9 Imobilizao do Capital Prprio (ICP) Para uma boa administrao financeira, os bens e direitos do Ativo

    Permanente devem ser financiados pelos recursos prprios, e quando insuficientes,

    complementados por recursos derivados de terceiros, com amortizao a longo

    prazo.

    ICP > a unidade: Ativo Permanente financiado por Capital Prprio;

    ICP = a unidade: Ativo Permanente construdo com base nas aplicaes

    exclusivas de capitais prprios.

    ICP < a unidade: empresa opera com capitais de terceiros que foram

    aplicados no Ativo Permanente.

  • 42

    5.2.10 Capital Circulante (CC) Esta anlise tambm denominada capital de giro.

    Capital Circulante, de giro o valor necessrio para uma Empresa fazer seus negcios girarem. dado pela diferena entre o Passivo e o Ativo Permanente da Empresa.

    um item extremamente voltil e instvel, exigindo um controle rigoroso, pois quando mal dimensionado pode levar a Empresa a uma situao de inadimplncia ou at mesmo sua insolvncia.

    Ativo Circulante > Passivo Circulante o capital circulante ou capital de giro

    prprio;

    Ativo Circulante < Passivo Circulante existe um Passivo Circulante a

    descoberto.

    O clculo dos ndices de liquidez tem como objetivo demonstrar a

    probabilidade da empresa em saldar seus compromissos no vencimento.

    A anlise da liquidez tanto de interesse dos credores, que podero saber a

    poca em que seus crditos sero pagos, quanto da empresa que dimensiona as

    necessidades de caixa para cumprir seus compromissos no prazo estabelecido.

    O ndice de liquidez corrente o mais utilizado, por abranger a totalidade dos

    capitais circulantes prprios e de terceiros, a curto prazo, mas no se pode

    consider-lo como o mais significativo, porque no deve considerar os estoques

    como garantia de liquidez, pois trata-se de uma garantia de solvncia.

    Os estoques s podem ser considerados como parte da liquidez quando da

    falncia da empresa e no quando a mesma estiver em funcionamento.

  • 43

    6 ESTUDO DE CASO - FORMAS DE APRESENTAO DO FLUXO DE CAIXA 6.1 QUIMITEC

    A Quimitec Qumica Industrial Ltda, tem sede na Rua Porecat, 335, em

    Pinhais Paran. Atua no segmento de tratamento de guas industriais, e do ar de

    dutos, oferecendo um grande leque de produtos e equipamentos de alta tecnologia.

    O desemprego, a queda da renda, os juros elevados e o aumento das tarifas

    pblicas e impostos so apontados pela empresa como as principais razes para as

    dificuldades do consumidor para pagar suas dvidas.

    Alm da inadimplncia de seus Clientes a prpria Empresa tambm

    enfrentava esta dificuldade internamente. Seu Fluxo de Caixa estava desajustado,

    alis, este controle no era feito de maneira responsvel, Suas vendas eram

    recebidas em prazos de 30, 60, 90 e 120 dias e todas as suas compras eram feitas

    vista, pois seus proprietrios entendiam compromissos futuros como dvidas e

    acabavam operando sem capital de giro e investindo recursos prprios na Empresa,

    o que constatei em pesquisa efetuada com alguns clientes que estavam

    inadimplentes com o Banco. Outro fato constatado foi a dificuldade de alguns

    empresrios em separar entre os valores recebidos o que da Empresa e o que

    pode ser utilizado para contas pessoais. A soluo e reestruturao da Empresa

    somente ocorreram com a contratao de um Administrador com experincia em

    Gesto Empresarial. O primeiro passo efetuado foi reestruturar os ciclos econmico

    e financeiro, ajustando os prazos de pagamentos e de recebimentos de suas

    compras e vendas. Foi feito um estudo do ndice de inadimplncia da outras

    Empresas do mesmo ramo de atividade, obtendo os seguintes dados:

    INADIMPLNCIA MDIA Empresa Quimitec

    CONTRATOS SEGMENTO GUA 2000 4,86% 2001 5,87% 2002 4,80% 2003 5,67% 2004 5,42% 2005 6,28%

  • 44

    CONTRATOS SEGMENTO AR

    2000 1,43% 2001 1,61% 2002 2,18% 2003 1,99% 2004 1,78% 2005 2,01%

    INADIMPLNCIA MDIA Empresa A

    CONTRATOS SEGMENTO GUA

    2000 3,90% 2001 4,00% 2002 3,80% 2003 4,80% 2004 5,20% 2005 7,30%

    CONTRATOS SEGMENTO AR

    2000 1,37% 2001 0,90% 2002 1,19% 2003 1,87% 2004 1,89% 2005 2,10%

    INADIMPLNCIA MDIA Empresa B

    CONTRATOS SEGMENTO GUA 2000 4,80% 2001 4,90% 2002 5,90% 2003 6,12% 2004 7,12% 2005 8,10%

    CONTRATOS SEGMENTO AR

    2000 1,49% 2001 1,52% 2002 1,58% 2003 1,60% 2004 1,64% 2005 2,40%

  • 45

    Resumindo a pesquisa, conforme se pode constatar as empresas trabalham

    com ndices semelhantes, por trabalharem provavelmente na mesma regio

    Brasileira. Mas enfrentam srios problemas de inadimplncia conforme apresentado

    em reportagem com base nos dados da Serasa.

    GRFICO 1 SEGMENTO GUA

    Segmento - gua

    0,00%

    2,00%

    4,00%

    6,00%

    8,00%

    10,00%

    2000 2001 2002 2003 2004 2005

    Quimitec Empresa A Empresa B

    GRFICO 2 SEGMENTO AR

    Segmento - Ar

    0,00%

    0,50%

    1,00%

    1,50%

    2,00%

    2,50%

    3,00%

    2000 2001 2002 2003 2004 2005

    Quimitec Empresa A Empresa B

    A anlise dos quadros permite verificar que o ndice de Inadimplncia nas

    empresas pesquisadas so relativamente similares. As diferenas encontradas nos

    ndices so fruto de algumas variveis supostas, como:

    A poltica de crdito;

  • 46

    As polticas adotadas pela Administrao;

    O cadastro dos clientes;

    Os Programas de Fidelizao;

    As linhas de crditos concedidas para vendas.

    Diante deste quadro representativo da situao refletida no momento da

    pesquisa, sugere-se que as Empresas desenvolvam alguns pontos, como:

    A poltica de crdito desenvolvendo de forma mais centrada a Poltica de

    Crdito e as formas de cobrana, buscando minimizar os problemas,

    aumentando assim a eficincia de cobrana.

    As polticas adotadas pela Administrao as Polticas da Administrao

    refletem-se diretamente em todas as reas de uma Empresa, pois, condies

    de falta de controle administrativo dificultam de forma clara, o controle sobre

    os processos internos e operacionais.

    O cadastro dos clientes umas das formas eficientes e baratas de controlar

    a Inadimplncia a melhoria do cadastro dos clientes, dados significativos

    como endereo, situao scio-econmica, melhoram o controle e

    possibilitam efetuar possveis cobranas e negociaes futuras.

    As linhas de crditos concedidas para vendas as linhas de crdito devem

    estar baseadas em anlises scio-econmicos para cada cliente.

    Avaliar previamente a condio de pontualidade do cliente empresarial,

    mediante pesquisa a rgos como Serasa e SPC, estabelecendo com a rea

    comercial a conduta a ser seguida em casos de grandes restries.

    Avaliar sempre que possvel a capacidade de pagamento das pessoas

    fsicas referente aos contratos individuais e estabelecer com a rea comercial

    a conduta a ser seguida em casos de restries.

    Dispor de um bom sistema de controle de contas a receber, fazendo o

    acompanhamento dirio e tomar as devidas providncias quando necessrio.

  • 47

    CONCLUSO

    As mudanas scio-econmicas, pelas quais as organizaes tm passado,

    levam o profissional financeiro a buscar uma evoluo contnua quanto ao

    desempenho de seu papel de provedor de informaes teis ao processo de tomada

    de decises pelos gestores. Neste sentido, surge a necessidade de uma avaliao

    sobre se as demonstraes geradas pela Contabilidade, suprem a necessidade

    informacional dos usurios, tanto internos quanto externos. Seria de grande utilidade

    para o Banco do Brasil incluir na formao de seus Funcionrios o estudo do Fluxo

    de Caixa de seus Clientes, podendo desta forma melhorar a Anlise de Crdito e

    antecipar a situao financeira da Empresa em um futuro prximo, podendo atuar

    pro ativamente nos casos em que se vislumbre uma possvel inadimplncia de seus

    Clientes, evitando um possvel prejuzo ao Banco ou ento at mesmo auxiliando as

    Empresas na soluo de seu Fluxo de Caixa.

    O objetivo da Administrao Financeira maximizar o patrimnio dos

    acionistas. A funo do administrador financeiro orientar as decises de

    investimentos e financiamentos a serem tomadas pelos dirigentes da empresa.

    O papel do contador fornecer as demonstraes financeiras para os

    acionistas, administradores financeiros e dirigentes.

    As receitas da empresa no representam fluxo de caixa disponvel aos

    acionistas. Os proprietrios recebem retornos tanto atravs do pagamento de

    dividendos quanto pela venda de suas aes, a um valor superior ao preo de

    compra inicial. Somente quando um aumento dos lucros acompanhado por uma

    elevao do fluxo de caixa atual e/ou esperado, provvel que ocorra uma alta no

    preo da ao.

    A anlise do fluxo de caixa um instrumento poderoso disposio das

    pessoas fsicas e jurdicas relacionadas empresa, como acionistas, dirigentes,

    bancos, fornecedores, clientes e outros.

  • 48

    Ao que tange o estudo de caso, conclui-se com o presente estudo que a

    principal causa de inadimplncia a falta de um eficaz modelo de controle

    administrativo. Assim sendo, necessrio que os responsveis pela administrao

    financeira desenvolvam habilidades para lidar com este problema. A administrao

    do caixa representa fator decisivo para as empresas, pois caixa dinheiro

    disposio da empresa. A gesto do fluxo de caixa no se constitui em preocupao

    exclusiva das grandes empresas, pois como verificado a inadimplncia afeta tanto

    grandes empresas quanto pequenas, em graus diferentes conforme suas polticas

    financeiras.

    Procurou-se a critrio de exemplificao descrever os modelos disponveis na

    literatura para desenvolvimento do Fluxo de Caixa, procurando uma fundamentao

    terica que resumisse de forma objetiva a importncia e as formas simples de

    desenvolver esta ferramenta. A administrao de caixa mudou muito nos ltimos 20

    anos em decorrncia de dois fatores, as taxas de juros e as novas tecnologias,

    particularmente os mecanismos computadorizados de transferncia eletrnica de

    recursos. A maior parte das atividades de administrao desempenhada

    conjuntamente pela empresa e seu Banco principal.

    Outro fator importante para qualquer anlise do ndice de inadimplncia a

    questo importante da Poltica de Cobrana, pois evidente que a concesso de

    crdito pode incentivar ou limitar o fluxo de recursos em uma empresa. Uma boa

    poltica de concesso de crdito envolve um equilbrio entre os lucros nas vendas a

    prazo e o custo de manuteno dos valores a receber, adicionando aos possveis

    prejuzos decorrentes de dvidas incobrveis; outro ponto a ser considerado a

    poltica de crdito adotada pelos concorrentes.

    Com base na fundamentao terica possvel afirmar, com clareza, que

    uma boa poltica juntamente com anlise das concesses de crdito e risco,

    diminuem de forma efetiva os altos ndices de inadimplncia, que dificultam a

    administrao dos numerrios.

  • 49

    REFERNCIAS ASSAF NETO, Alexandre; TIBRCIO SILVA, Csar Augusto. Administrao do capital de giro. 2. ed. So Paulo: Ed. Atlas, 1997. BRAGA, Roberto. Fundamentos e tcnica de Administrao Financeira. So Paulo: Atlas, 1989. BREALEY, R. A. MYERS, S. C. Traduo: FIGUEIRA, M. do C. Princpios de finanas empresariais. 5. ed. Lisboa: McGraw-Hill, 1999. CAMPOS FILHO, Ademar. Demonstrao dos Fluxos de Caixa. So Paulo: Atlas, 1999. FAVERO, Hamilton; LONARDONI, Mrio; SOUZA, Clvis de; TAKAKURA, Massakasu. Contabilidade Teoria e Prtica. So Paulo: Atlas, 1997. FREZATTI, Fbio. Gesto do Fluxo de Caixa Dirio. Atlas, 1997. GITMAN, Lawrence J. Princpios de Administrao Financeira. 7. ed. So Paulo, 1997. HOJI MASAKAZU, Mariano Yoshitake. Gesto de Tesouraria Controle e Anlise de transaes financeiras em moeda forte. So Paulo: Atlas, 1997.Paulo: Ed. Harbra, 1997. IUDCIBUS, Srgio de; MARION, Jos Carlos. Introduo teoria da contabilidade: para o nvel de graduao. So Paulo: Atlas, 1999. JOHNSON, R. W. Administrao financeira. So Paulo: Livraria Pioneira, 1973. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. 5. ed. So Paulo: Atlas, 1993. MATARAZZO, Dante C. Anlise Financeira de Balanos: Abordagem bsica e gerencial. 4 ed. So Paulo: Atlas, 1997. ROSS, S. A.; WESTERFIELDE, R. W.; JAFFE, J. F. Administrao Financeira. 2. ed. So Paulo: Atlas, 2002. SANTOS, do Ariovaldo e LUSTOSA, Paulo Roberto B. "Demonstrao de Fluxos de Caixa: Uma reflexo sobre a objetividade (ou a falta de) do Fluxo de caixa" IN IOB. Boletim 14/99 Temtica Contbil e Balanos Pg. 1 SILVA, Edson Fernandes. Apostila Administrao Financeira. Belo Horizonte: Pontifcia Catlica de Minas Gerais, 2002. Mimeo. TUNG, N. H. Controladoria financeira das empresas: Uma abordagem prtica. 7 ed. So Paulo: Universidade de So Paulo, 1985.

  • 50

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