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  • A IMPORTNCIA DA DEMONSTRAO DE FLUXO DE CAIXA NAS COOPERATIVAS AGROINDUSTRIAIS

    OLIVEIRA, I. A. T de1; SANTOS, J. D. F dos2; GONDEK. N. do R.3

    RESUMO - Em virtude da complexidade da economia, da expanso e competitividade dos mercados, verifica-se uma busca das empresas por instrumentos de auxlio para planejamento e controle de recursos financeiros. Tal fato resulta da necessidade de adequao no uso dos recursos disponveis, a fim de salvaguardar a atividade empresarial e alcanar com maior facilidade os objetivos traados pela empresa. O sucesso empresarial demanda cada vez mais do uso de prticas financeiras apropriadas. A realidade aponta para gestores sedentos por informaes que iro auxiliar em seu processo decisrio. Neste trabalho, destaca-se a importncia da Demonstrao do Fluxo de Caixa nas cooperativas agroindustriais. O trabalho baseado em um levantamento bibliogrfico dos principais aspectos da anlise financeira das cooperativas.

    Palavras-chave: Anlise. Demonstrao de Fluxo de Caixa.

    The importance of cash flow statement in agribusiness cooperatives

    ABSTRACT - Considering the economys complexity, the expansion and competitive markets, there is a increasing global need for tools that assist in the planning and control of resources of the enterprises. This is occurs because the enterprises needs use better its reseurces, in order to safeguard the business activity and the company achieve the desired goal. The business success increasingly demand the use of appropriate financial practices. The reality points to starved managers of relevant information that will assist your decision making process. The objective of this work is to show the importance of the Statement of Cash Flows in agribusiness cooperatives, which are distinguished from public corporations to have shape and legal nature. This is a literature search on the key aspects of financial analysis.

    Keywords: Analysis. Statement of Cash Flow.

    1 Acadmica em Cincias Contbeis pelas Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba - FARESC c-eletrnico: angelita.isinha@gmail.com.2 Acadmica em Cincias Contbeis pelas Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba - FARESC c-eletrnico: joanadarcsfarias@yahoo.com.br.3 Acadmica em Cincias Contbeis pelas Faculdades Integradas Santa Cruz de Curitiba - FARESC c-eletrnico: nathaly.gondek@gmail.com.

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    1 INTRODUO

    Empresas que visam manter-se no mercado devem possuir excelentes planejamento estratgico e oramentrio, relacionamento com seus cooperados, bem como flexibilidade e inovao para transformar suas empresas em modelos de sucesso. Alm disso, pensar em questes ambientais e proporcionar uma boa remunerao para seus cooperados, tambm, pode ser de muita valia. Porm, como isso demanda tempo e dinheiro, no fcil reunir todos esses quesitos, por isto necessrio uma anlise diria da situao da empresa.

    A anlise da situao econmico-financeira nas empresas necessria para o apoio tomada de decises. Tal anlise feita com o uso dos demonstrativos financeiros da empresa, nos quais podem ser identificados pontos fortes e fracos dentro da organizao, bem como apresentar as prioridades para solucionar problemas.

    Uma das demonstraes financeiras mais importantes para uma empresa a Demonstrao de Fluxo de Caixa (DFC). Ela apresenta de forma organizada, todas as fontes de recursos e suas aplicaes, o que permite um planejamento financeiro de fluxo de caixa adequado s necessidades da empresa.

    Com grande espao no mercado brasileiro, as cooperativas agroindustriais, responsveis pela alavancagem comercial e financeira no agribusiness, so o foco deste trabalho no qual ser feito uma explanao sobre a atividade e a importncia da DFC neste segmento.

    Este estudo apresenta o tema fluxo de caixa nas cooperativas agroindustriais em trs seces, no qual a primeira seco introduz o assunto da histria do cooperativismo, seu conceito e principio do mesmo. A segunda seco explica a estrutura, conceito, objetivos e os mtodos do fluxo de caixa. A terceira discorre sobre a importncia do fluxo nas cooperativas e a quarta discute a administrao desta ferramenta.

    2 COOPERATIVISMO

    2.1 HISTRIA DO COOPERATIVISMO

    O Cooperativismo agroindustrial um movimento, um modelo socioeconmico, uma histria de vida a qual tem a capacidade de unir e desenvolver o bem-estar social da humanidade. Suas referncias fundamentais so: participao democrtica, independncia, solidariedade e autonomia. uma

    organizao de pessoas baseada em valores e responsabilidades mtuas, sempre associadas s lutas pela sobrevivncia, s crises econmicas, polticas e sociais, bem como s mudanas. O sistema fundamentado na reunio de pessoas, no visa lucros, independente de qual etnia pertena. O cooperativismo visa alternativa do equilbrio econmico entre seus participantes (COAMO, 2014).

    Teve incio no sculo 18, com a grande Revoluo Industrial na Inglaterra, onde a mo de obra foi desvalorizada, a jornada de trabalho aumentou e as dificuldades econmicas surgiram para toda a populao principalmente trabalhadora. Em conjunto, classe operria e liderana, resolveram sair em busca de novas atitudes, e foi a que surgiu uma organizao formal, chamada de cooperativa.

    O site do Sistema Ocepar destaca como surgiu o cooperativismo, e como se dava o apoio mtuo.

    O cooperativismo nasceu entre trabalhadores ingleses que buscaram na cooperao solidria a soluo para os problemas econmicos causados pela concentrao do capital. Apoiados em teorias de pensadores e filsofos estabeleceram princpios norteadores, baseados nos valores de auto ajuda, que significa que cada indivduo pode e deve tentar controlar sua prpria vida e, atravs de ao conjunta com outras pessoas alcanar seus objetivos; autor-responsabilidade, no sentido de todos os cooperados assumirem a responsabilidade pela cooperativa; igualdade, que se manifesta no processo decisrio da cooperativa, no qual cada cooperado tem o mesmo direito a voto; equidade, isto , os cooperados que participam da cooperativa de modo idntico devem ter retorno econmico equivalente e solidariedade, que a ao coletiva para satisfazer as necessidades individuais de cada cooperado desde que coincidente com as necessidades de todos os cooperados. (SISTEMA OCEPAR, 2014)

    Segundo o site do Brasil Cooperativo, pode-se observar o nascimento de uma grande ideia.

    Ento, 28 operrios, em sua maioria teceles, se reuniram para avaliar suas ideias. Respeitaram seus costumes, tradies e estabeleceram normas e metas para a organizao de uma cooperativa. Aps um ano de trabalho acumularam um capital de 28 libras e conseguiram abrir as portas de um pequeno armazm cooperativo, em 21-12-1844, no bairro de Rochdale-Manchester (Inglaterra).(BRASIL COOPERATIVO, 2014).

    O cooperativismo a colaborao e associao de um grupo de pessoas que visam satisfazer as suas necessidades econmicas pessoais, sociais e culturais. Uma economia solidria que se prope a obteno de um desempenho econmico eficiente, por meio da qualidade e da confiabilidade dos servios que

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    presta aos prprios associados e aos usurios. Seus associados acreditam nos valores de honestidade, transparncia, responsabilidade social e para com seus semelhantes.

    2.2 PRINCPIOS DO COOPERATIVISMO

    Os Princpios do Cooperativismo, aperfeioados pelos Probos Pioneiros de Rochdale foram aprovados e incorporados ao Estatuto Social da Cooperativa criada no ano de 1844 e reformulado nos Congressos de 1937, 1966 e 1995 da Aliana Cooperativa Internacional (ACI). Os congressistas agroindustriais dividiram em sete os princpios bsicos que norteiam os valores e os colocam em prtica. So eles:

    Adeso voluntria e livre - As cooperativas so organizaes voluntrias abertas e aptas para a utilizao de seus servios.

    Gesto democrtica e livre - Seus membros podem participar das tomadas de decises e na criao de novas polticas, homens e mulheres so escolhidos atravs de seus votos para que os representem.

    Participao econmica dos membros - Os membros contribuem com um valor estipulado pela cooperativa na qual ele deseja se associar, fazendo assim com que este valor seja de uso exclusivo do rgo. A pessoa passa ento a ser associada, recebendo ao final de cada exerccio um valor que ser divido do capital social.

    Autonomia e independncia - So companhias

    autnomas, que possuem ajuda mtua de seus associados.

    Educao, formao e informao - As cooperativas ajudam na formao de seus membros, podendo ser estes representantes, associados e trabalhadores, para que possam contribuir para o desenvolvimento do grupo.

    Intercooperao - Trabalham em conjunto para fortalecer o cooperativismo e atender de forma eficaz seus membros;

    Interesse pela comunidade - Trabalham para o crescimento com desenvolvimento sustentvel, atravs da ajuda dos cooperados.

    2.3 CONCEITO DE SOCIEDADE COOPERATIVA

    Segundo artigo 1.094 do Cdigo Civil e nos incisos do art. 4.

    Art. 4 - As cooperativas so sociedades de pessoas, com forma e natureza jurdica prprias, de natureza civil, no sujeitas falncia, constitudas para prestar servios aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes caractersticas:

    Sociedade de pessoas;

    Forma e natureza jurdica e forma jurdica prpria;

    De natureza civil;

    No sujeitas falncia;

    Objetivo fundamental (prestao de servios).

    Cooperativa composta e constituda por membros de determinado grupo econmico ou social que objetiva desempenhar algo em benefcio comum, de uma determinada atividade. sem fins lucrativos, formado por uma sociedade de pessoas, regulada por uma lei especial e a qual nica e exclusiva para a prestao direta de servios, sendo que o associado cooperado dono e usurio desta organizao.

    3 DEMONSTRAO DO FLUXO DE CAIXA

    3.1 CONCEITO DA DFC

    Conforme Antnio Borges e Azevedo Rodrigues (2008, p. 44) a demonstrao de fluxo de caixa um quadro de informao histrica detalhada que evidencia os recebimentos e os pagamentos de uma empresa, durante um determinado perodo de tempo.

    Cooperativa composta e constituda por membros de determinado grupo econmico ou social que objetiva desempenhar algo em benefcio comum, de uma determinada atividade. sem fins lucrativos, formado por uma sociedade de pessoas, regulada por uma lei especial e a qual nica e exclusiva para a prestao direta de servios, sendo que o associado cooperado dono e usurio desta organizao.

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    Trata-se de um quadro que tem por objetivo responder a uma questo simples, mas que preocupa muitos empresrios que saber de onde veio o dinheiro e onde foi aplicado.

    A Demonstrao de Fluxo de Caixa (DFC) apresenta informaes sobre os fluxos das transaes e eventos que afetam o caixa da empresa ao longo de um determinado perodo, de forma organizada e estruturada por atividades, a fim de proporcionar melhor compreenso e articulao entre os diversos componentes das demonstraes financeiras, ou seja, possvel avaliar as alternativas de investimentos e as razes que provocaram as mudanas da situao financeira da empresa. (CAMPOS FILHO, 1999, p. 34)

    A demonstrao permite que os empresrios junto com seus administradores tenham um controle sobre as entradas e as sadas de dinheiro que a empresa j efetuou. Assim, a DFC um importante mapa para a anlise e o planejamento financeiro, pois juntamente com os demais demonstrativos, d suporte para completar e consolidar o processo de anlise da situao das entidades nas tomada de decises.

    As atividades empresariais tm como objetivo obter resultados satisfatrios, mas para alcanarem estes resultados fundamental monitorar o fluxo de caixa atravs da Demonstrao de Fluxo de Caixa, ou seja, controlar as entradas e sadas de recursos e um planejamento adequado para os perodos futuros. Para alcanar a eficcia, deve-se ter um acompanhamento peridico com atualizaes constantes da DFC.

    3.2 OBJETIVO DA DFC

    O fluxo de caixa tem como objetivo principal ser um instrumento aparentemente simples de ser definido, mas pode tornar-se difcil demonstr-lo dentro de determinado padro, pois alguns administradores tm dificuldades em analisar, entender e at mesmo elaborar um fluxo de caixa.

    Por isso, com a utilizao da Demonstrao do Fluxo de Caixa, os usurios da mesma tem uma viso de toda movimentao do caixa nos perodos anteriores, o que lhes d uma tima ferramenta de planejamento, de tomada de deciso atravs da qual podero embasar as decises tomadas no planejamento do fluxo de caixa. Essa demonstrao permite que investidores, credores e outros usurios

    avaliem:

    A capacidade da empresa em gerar fluxos lquidos positivos ao caixa, ou seja, conseguir gerar fluxos com saldos positivos.

    A capacidade da empresa em honrar os seus compromissos, pagar dividendos e retornar os emprstimos obtidos na data do seu vencimento;

    A liquidez, solvncia e flexibilidade financeira da empresa, atravs da boa gesto do fluxo de caixa;

    O grau de preciso das estimativas passadas de fluxos futuros de caixa;

    Os efeitos, sobre a posio financeira da empresa, das transaes de investimentos e de financiamentos (CAMPOS FILHO, 1999, p. 48).

    O objetivo principal da DFC, segundo Iudcibus, Martins e Gelbcke (2000, p. 351), prover informaes relevantes sobre os pagamentos e recebimentos, em dinheiro de uma empresa, ocorridos durante um determinado perodo, facilitando o processo de administrao dos recursos disponveis na empresa.

    Para Thiesen (2000, p. 10), a DFC permite mostrar, de forma direta ou mesmo indireta, as mudanas que tiveram reflexo no caixa, identificando suas origens e aplicaes.

    Segundo Marion (1998, p. 380), a DFC indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa, bem como a aplicao de todo o dinheiro que saiu do caixa em determinado perodo, o autor lembra tambm que deve constar na DFC o Resultado do Fluxo Financeiro.

    Outro objetivo importante da Demonstrao do fluxo de caixa proporcionar aos usurios uma anlise criteriosa do desempenho do fluxo financeiro da empresa, pois s assim o gestor poder medir, compreender os resultados, visualizar as deficincias e evitar eventuais desajustes, observaes estas que conduzem a uma melhor tomada de deciso. Conhecer o desempenho e as necessidades do fluxo financeiro de grande utilidade para o seu gestor, pois esse conhecimento pea indispensvel para apreciar a situao financeira da empresa e fazer as previses futuras.

    Segundo Gitman, (1997, p. 46) por meio de uma gesto de caixa adequada chegar-se- a maiores

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    lucros em funo, sobretudo, da diminuio das despesas financeiras.

    Sendo esta demonstrao um importante instrumento de gesto, possibilita que os administradores financeiros conheam o volume de capital necessrio, para programar os compromissos futuros, bem como sistematizar e sincronizar a alocao de recursos para suprimento de caixa e/ou investimentos.

    3.3. MTODOS DA DEMONSTRAO DO FLUXO DE CAIXA

    A DFC pode ser elaborada, segundo Neves e Viceconti (1998), de duas formas: o mtodo direto e o mtodo indireto.

    3.3.1 MTODO DIRETO

    O mtodo direto, conforme descrito por Iudcibus, Martins e Gelbcke (2000, p. 355), explicita as entradas e sadas brutas de dinheiro dos principais componentes das atividades operacionais, como recebimentos pelas vendas de produtos e servios e os pagamentos a fornecedores e empregados, resultando ao final no volume lquido de caixa provido ou consumido pelas operaes da empresa.

    A elaborao da DFC pelo mtodo direto encontra-se representada a seguir:

    FLUXO DE CAIXA - MTODO DIRETO

    Entradas e sadas de caixa e equivalentes de caixa

    Fluxo de caixa das atividades operacionais:

    Venda de mercadorias e servios (+)

    Pagamento de fornecedores (-)

    Salrios e encargos sociais dos empregados (-)

    Dividendos recebidos (+)

    Impostos e outras despesas legais (-)

    Recebimento de seguros (+)

    Caixa lquido das atividades operacionais (+/-)

    Fluxo de caixa das atividades de investimento:Venda de imobilizado (+)

    Aquisio de imobilizado (-)

    Aquisio de outras empresas (-)

    Caixa lquido das atividades de investimento (+/-)

    Fluxo de caixa das atividades de financiamento:Emprstimos lquidos tomados (+)

    Pagamento de leasing (-)

    Emisso de aes (+)

    Caixa lquido das atividades de financiamento (+/-)

    Aumento/diminuio lquido de caixa e equivalente de caixaCaixa e equivalentes de caixa - incio do anoCaixa a equivalentes de caixa - final do ano

    Figura 1 - DFC pelo mtodo direto

    Fonte: TELES, 1997, p. 69.

    Para Campos Filho (1999), existem vantagens e desvantagens da utilizao do mtodo direto. As vantagens so condies favorveis para que a classificao dos recebimentos e pagamentos seja feita por critrios tcnicos e no fiscais; introduz com mais rapidez a cultura de administrar pelo caixa; e facilita a disponibilidade das informaes sobre o caixa diariamente. J como desvantagens surge o custo adicional e a dificuldade para classificar recebimentos e pagamentos.

    O mtodo direto demonstra todos os pagamentos e recebimentos relativos atividade operacional das empresas, considerando assim: as compras a vista; o pagamento das duplicatas; o pagamento das despesas com salrios e encargos; as demais despesas administrativas, gerais e comerciais; as vendas a vista; o recebimento das duplicatas por vendas a prazo; e outros recebimentos decorrentes das atividades sociais da empresa.

    O International Accounting Standards Board (IASB) acredita que o mtodo direto fornece mais informaes teis e estimula as empresas para esse mtodo, mas aproximadamente 2% a 3% das

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    empresas utiliza o mtodo direto. Esse percentual pode ser menor em alguns pases como, por exemplo, uma pesquisa realizada pelo (1995) revelou que, entre 300 empresas que responderam apenas uma indicou o mtodo direto.

    3.3.2 MTODO INDIRETO

    De acordo com Iudcibus, Martins e Gelbcke (2000, p. 355), o mtodo indireto faz a conciliao entre o lucro lquido e o caixa gerado pelas operaes, permitindo que o usurio avalie quanto do lucro est sendo transformado em caixa a cada perodo.

    A Figura descrita a seguir apresenta a demonstrao da estrutura da DFC, quando elaborada pelo mtodo indireto.

    FLUXO DE CAIXA - MTODO INDIRETO

    Entradas e sadas de caixa e equivalentes de caixa

    Fluxo de caixa das atividades operacionais:Lucro lquido

    Depreciao e amortizao (+)

    Proviso para devedores duvidosos (+)

    Aumento/diminuio em fornecedores (+/-)

    Aumento/diminuio em contas a pagar (+/-)

    Aumento/diminuio em contas a receber (+/-)

    Aumento/diminuio em estoques (+/-)

    Caixa lquido das atividades operacionais (+/-)

    Fluxo de caixa das atividades de investimento:Venda de imobilizado (+)

    Aquisio de imobilizado (-)

    Aquisio de outras empresas (-)

    Caixa lquido das atividades de investimento (+/-)

    Fluxo de caixa das atividades de financiamento:Emprstimos lquidos tomados (+)

    Pagamento de leasing (-)

    Emisso de aes (+)

    Caixa lquido das atividades de financiamento (+/-)

    Aumento / diminuio lquido de caixa e equivalente de caixa

    Caixa e equivalentes de caixa - incio do ano

    Caixa a equivalentes de caixa - final do ano

    Figura 2 - DFC pelo mtodo indireto

    Fonte: TELES, 1997, p. 69.

    A diferena efetiva existente entre o mtodo direto e o indireto a estruturao do fluxo de caixa das atividades operacionais, pois conforme afirmam Perez Jr. e Begalli (1999, p. 179) o mtodo indireto parte do resultado das operaes sociais, isto , o lucro lquido do perodo, ajustado pelas despesas e receitas que no interferem diretamente no caixa ou disponibilidades da entidade, tais como depreciaes, amortizaes, exaustes.

    Existem tambm vantagens e desvantagens no uso do mtodo indireto. Segundo Campos Filho (1999), as vantagens so: o baixo custo, pois utiliza apenas o balano dos dois ltimos perodos, a DRE e algumas informaes complementares, e concilia lucro contbil com fluxo de caixa operacional lquido, mostrando como se apresenta a diferena entre eles.

    Como desvantagem, surge o tempo necessrio para gerar as informaes pelo regime de competncia e s depois convert-las para o regime de caixa.

    4 A IMPORTNCIA DA DFC NAS COOPERATIVAS AGROINDUSTRIAIS

    Fica evidente a relevncia da Demonstrao de Fluxo de Caixa quando analisadas as informaes nela contida e a quantidade de decises que so afetadas com uma anlise correta destas informaes. Quando combinada com outras demonstraes como o Balano Patrimonial e a Demonstrao do Resultado dos Exerccios, a DFC oferece uma disposio financeira organizada por atividades das empresas e proporciona uma anlise bastante abrangente, pois refere-se a capacidade da empresa em honrar seus compromissos, pagar dividendos e emprstimos obtidos; liquidez, solvncia e flexibilidade financeira; aplicao dos excessos de caixa da empresa, que permite a escolha das melhores alternativas de investimento; ao grau de preciso das estimativas passadas de fluxos de caixa, por meio do qual o administrador poder visualizar a adequao ou no das decises tomadas com reflexos monetrios; ao desempenho operacional; ao efeito das transaes de investimento e financiamento sobre a posio financeira; capacidade de gerar futuros fluxos lquidos positivos de caixa; entre outras contribuies.

    A recente crise mundial causou alguns reflexos no Brasil, onde as cooperativas se veem obrigadas a

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    cobrar uma nova postura de seus gestores, mediante controle e planejamento econmico-financeiro para permanncia no mercado. Por se tratar de instituies sem fins lucrativos, as mesmas necessitam de equilbrio financeiro para permanecer vivas, estar em constante crescimento, oferecer cada vez mais qualidade nos servios prestados com preos acessveis ao bolso da populao e proporcionar boa remunerao para seus funcionrios com salrios justos e maior rentabilidade e suporte para seus cooperados. As cooperativas agroindustriais trabalham com exportao de produtos in natura, mais conhecidos como commodities e industrializao desses produtos, alm de investir em pesquisas para o desenvolvimento de sementes cada vez mais frteis e produtivas. Tambm costumam lidar com volatilidade de mercados, quando mercanciam commodities, tendo como principal ferramenta de gesto a DFC, que garante um caixa adequado, de forma no apenas a evitar problemas, mas tambm para aproveitar oportunidades de maximizao de ganhos.

    A qualidade do solo, das sementes e as condies climticas afetam diretamente as safras e consequentemente, a cooperativa. Com uma boa gesto financeira pode-se decidir investir mais em sementes produtivas, nutrio do solo, ou at mesmo aumentar a quantidade a industrializar, para permanecer no mercado interno ou priorizar a exportao. Um fluxo de caixa bem ajustado s necessidades da cooperativa garante os investimentos necessrios para fortalecer a cooperativa, agregando cada vez mais cooperados.

    De acordo com a Lei Federal N 5.764/71, a forma e a natureza da sociedade cooperativa prpria. No se confundindo com nenhum outro tipo de pessoa jurdica. Neste sentido, alguns estudiosos chegam a dizer que a cooperativa um misto de associao, com a sua estrutura societria simples, e de sociedade empresria, onde h possibilidade de crescimento econmico e complexidade de operaes. Mas a principal diferenciao o papel do proprietrio da sociedade, isto o cooperado, que difere de todos os cotistas ou acionistas. Na cooperativa o scio cooperado ao mesmo tempo dono da sociedade, possuidor de cotas-partes, usurio e fornecedor. A distribuio de resultados no com base no capital e o prprio conceito de sobras em diferenciao ao lucro das sociedades empresrias.

    O quorum de instalao e deliberao nas

    assembleias baseado no nmero de associados e no no capital. Cada associado tem direito de levantar questes, fazer sugestes e votar nos assuntos em pauta. A cooperativa s pratica atos pelo e para o cooperado, sociedade auxiliar, ligando o cooperado ao mercado. A demonstrao de Fluxo de Caixa a ferramenta financeira mais importante para o cooperado que, ao analisar as origens e aplicaes de seus recursos, tem embasamento para elaborar sugestes de investimentos e levantar questes sobre as aplicaes feitas alm de planejar e conciliar os eventos financeiros futuros mediante fluxo de caixa.

    5 ADMINISTRAO DO FLUXO DE CAIXA NAS COOPERATIVAS AGROINDUSTRIAIS

    Segundo Gitman (2002, p. 586) O planejamento de caixa a espinha dorsal da empresa. Sem ele no se tem certeza quando haver caixa suficiente para sustentar as suas obrigaes, ou dar-lhes crdito quando se necessitar de financiamentos. A DFC, como uma ferramenta objetivamente financeira, auxilia no planejamento de investimentos e toda estrutura de giro nos estoques afim de maximizar os lucros e possuir um caixa adequado. Nem sempre um caixa alto significa situao confortvel para a empresa pois esse recurso que encontra-se parado poderia ser investido em outros setores mais rentveis. De acordo com Assaf Neto e Silva (2002, p. 39): neste contexto que se destaca o fluxo de caixa como um instrumento que possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa. Gerencialmente, indispensvel ainda em todo o processo de tomada de decises financeira. Desse modo um bom planejamento de fluxo de caixa permite que as decises certas sejam tomadas nos momentos certos, o que garante uma melhor captao e aplicao de recursos.

    Para Campos Filho, (1993, p. 109) O fluxo de caixa projetado a ferramenta de que dispe o administrador financeiro para visualizar com antecedncia a situao descritiva e evitar que ela ocorra. Ao visualizar a projeo do fluxo de caixa o administrador tem tempo hbil de tomar atitudes que adaptem o fluxo de caixa de acordo com suas expectativas.

    Como ferramenta de gesto, de extrema importncia, devendo-se sempre levar em conta as suas variaes dirias. Uma conciliao bancria

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    diria vai garantir um rigoroso controle das operaes financeiras, uma vez que o saldo do caixa no coincide com o banco por existirem recebimentos e emisses de cheques. O nvel de detalhamento das estimativas do fluxo de caixa depender do tipo de atividades ou servios cogitados pela empresa, as quais podem ser simples, detalhadas ou at mesmo as mais criteriosas possveis (NEVES, 1998, p. 63).

    Para um bom planejamento de fluxo de caixa importante que o administrador desenvolva um modelo que satisfaa as caractersticas da cooperativa. Todas as informaes de entrada e sada de dinheiro devem estar nesse fluxo que pode ser feito como uma planilha. imprescindvel que as informaes estejam corretas pois um simples centavo pode interferir na deciso quando se tratam de grandes quantidades, como o caso da agroindstria.

    Um dos fatores que requer mais ateno nas cooperativas agroindustriais o clima. As condies climticas afetam diretamente as safras, o que reflete diretamente em aumento ou reduo de lucros por perodos. Alguns desses fatores climticos podem ser previstos, como grandes chuvas na primavera e possveis geadas no inverno, porm quando um deles se torna muito intenso, pode prejudicar uma safra inteira. As pragas tambm exigem ateno especial, pois esto cada vez mais resistentes aos agrotxicos, e nocivas s plantaes.

    V isando minimizar os danos causados por fatores naturais que fogem ao controle do ser humano, as cooperativas investem em pesquisas de ponta para desenvolver sementes cada vez mais resistentes a pragas e geadas ou estiagens. Fazem tambm parcerias com empresas de maquinrios para que estes estejam de acordo com as necessidades atuais das cooperativas, para que as colheitas possam ser realizadas com mxima eficincia. Alm de investir em desenvolvimento de novas tecnologias para auxiliar em todos os processos da cooperativa.

    Desde a armazenagem dos gros, passando pela industrializao at a distribuio, tudo deve estar previsto para que o fluxo de caixa no fique apertado demais, no permitindo reparos emergenciais decorrentes de fatores externos naturais. Para isso desenvolvida uma poltica de riscos com base na DFC, onde estaro previstos os limites de crdito e a qualidade dos hedges (investimentos com caractersticas de seguro para compensar perdas). Nos termos dessa poltica, os riscos de mercado so

    protegidos quando considerado necessrio suportar a estratgia corporativa ou quando necessrio manter o nvel de flexibilidade financeira (BORGES , 208, p. 76).

    Em uma breve anlise da DFC de duas das principais cooperativas do Brasil, a C. Vale e a Coamo, podemos identificar algumas peculiaridades: A Coamo conseguiu em 2012 e 2013, gerar caixa com as atividades operacionais. J a C. Vale, demonstrou que no foi gerado caixa com as atividades operacionais, permanecendo este negativo desde 2012, onde era significativamente maior o dficit. Nas cooperativas agroindustriais as atividades operacionais dizem respeito comercializao de commodities e industrializao destes insumos. Uma reduo dos fornecedores pode ser ocasionada por reduo de cooperados ou por perdas na produo, o que reduz as origens de recursos. Como os cooperados so tambm os donos das cooperativas, levamos o raciocnio no sentido de que o Capital Social constitudo por quotas iguais de cada cooperado, mas no lhes garante privilgio por quantidade de quotas, pois se trata de requisito para ingresso na cooperativa. Esse Capital Social o instrumento que d direito ao uso da estrutura e ao mesmo tempo possibilita a feitura desta estrutura que ser disponibilizada ao cooperado (usurio e fornecedor). No investimento no mercado de aes.

    Em uma empresa de capital, quando um scio se retira da sociedade, sua quota absorvida pelos demais scios. J nas cooperativas, ele varivel de acordo com a entrada ou sada de cooperados. Um ponto importante que observamos na DFC da Coamo o Pagamento de Capital Social, que justamente a devoluo ao cooperado que se retira, da sua quota integralizada anteriormente. Em diversos momentos da lei das cooperativas nota-se que a vontade do legislador instituir a noo de que os cooperados passam, mas a cooperativa permanece. Assim, se um dia a cooperativa liquidar-se todo o patrimnio deve ser encaminhado ao governo, art 68. prova que a cooperativa lastro e no empreendimento, e diante do exposto entendemos que:

    Capital mnimo de ingresso na cooperativa um s valor uniforme para todos os cooperados independente da poca em que se ingresse na

    sociedade, pois baseada em cotas partes e no em reais; (exceo para capital proporcional).

    A legislao veda qualquer benefcio ao

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    A Importncia da Demonstrao de Fluxo de Caixa nas Cooperativas Agroindustriais......................................................................................................................................................

    capital exceto juros art. 24, 3;

    Capital mnimo condio de permanncia ou ingresso na sociedade art. 35, V[10];

    A cooperativa que no possuir capital social mnimo pode ser dissolvida, art. 63, VII[11];

    O capital social fator de ingresso na sociedade, pois configura propriedade de parte da cooperativa pelo cooperado e lastro para a prestao de servios;

    No h forma de reajustar ou manter o valor do capital, se comparado com o mercado a no ser juros de 12% previstos no art. 24, 3;

    A correo de capital dos associados que deixaram a cooperativa custo para a sociedade e repartida

    entre todos os scios;

    Capital social no cooperativismo possibilidade de uso da sociedade e no investimento financeiro, como o nas sociedades empresrias;

    A vedao de correo de capital de associados se estende, por estrutura a ex-cooperados, pois assim teramos vantagem no rompimento do vnculo.

    Portanto, capital social na sociedade cooperativa lastro para prestao de servios desta para o cooperado e no se pode, por determinao legal, haver distribuio de qualquer espcie de benefcio s quotas-partes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilgios, financeiros ou no, em favor de quaisquer associados ou terceiros.

    CONCLUSO

    Opresente trabalho permite a constatao da importncia da DFC em cooperativas agroindustriais como uma ferramenta de gesto financeira, atendendo de maneira eficiente e eficaz a necessidade dos cooperados em analisar informaes financeiras pertinentes ao seu investimento uma vez que so proprietrios e ao mesmo tempo usurios da cooperativa. Pode-se observar que independente de ser feita pelo mtodo direto ou indireto, a DFC fornece informaes relevantes para a elaborao de um fluxo de caixa ajustado e adequado s necessidades particulares de cada tipo de empresa. Com a utilizao correta desta demonstrao tanto os gestores como os clientes conseguem visualizar de maneira clara e objetiva os recursos e aplicaes efetuadas em perodos anteriores, e consequentemente projetar novos investimentos.

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