A FALTA DE LUZ NA ESCOLA RURAL - ? A FALTA DE LUZ NA ESCOLA RURAL Oswaldo Tadami ... 2 Professor Titular

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  • A FALTA DE LUZ NA ESCOLA RURAL

    Oswaldo Tadami Arimura1; Fernando Selles Ribeiro2;Luiz Cludio Ribeiro Galvo3; Luiz Henrique Alves Pazzini4

    Escola Politcnica da Universidade de So PauloGrupo de Energia do Departamento de Engenharia de Energia e Automao Eltricas

    Av. Prof. Luciano Gualberto, Trav., 3, 158 Bloco A Sala A2-35 Cidade Universitria05508-900 So Paulo SP Brasil - Telefone: 11-3091-5277 Fax: 11-3032-3595

    oswaldo.arimura@poli.usp.br; fribeiro@pea.usp.br; lgalvo@pea.usp.br;

    1 Pesquisador do GEPEA-USP. Professor da Universidade So Judas Tadeu, do Instituto Mau de Tecnologia e do Centro Universitrio deSanto Andr (UNI-A).2 Professor Titular da Escola Politcnica da USP e da Faculdade de Engenharia de Guaratinguet UNESP. Pesuisador do EPEA-USP.3 Professor Titular da Escola Politcnica da Universidade de So Paulo. Chefe do Departamento de Engenharia de Energia e AutomaoEltricas da EPUSP. Pesquisador do GEPEA-USP.4 Pesquisador do GEPEA-USP. Professor das Faculdades Integradas de So Paulo (FISP) e do Centro Universitrio de Santo Andr (UNI-A).

    RESUMO

    A realidade vivida pela gente pobre do meiorural tem sempre surpresas a revelar. Este artigoexamina uma parte da realidade vivida pelo homemdo campo que virou o sculo sem luz em casa ou nosservios sociais que lhe so garantidos pelo Estado,na forma da Constituio Federal. Ele examina ocotidiano das escolas pblicas do estado de SoPaulo ainda no atingidas pelos programas deeletrificao rural, pretendendo contribuir com adiscusso do papel social da energia eltrica. Osprincipais problemas que a falta de luz acarreta so:iluminao ruim, impossibilidade de usar recursosaudiovisuais, baixa qualidade da merenda,desperdcios por falta de geladeira, falta decomunicao e de gua, excluso do ensino noturnoe dificuldade de moradia do professor. Metadedessas escolas sem luz esto a menos de umquilmetro da rede eltrica. H escolas embaixo darede. Ficaram constatadas as dificuldades depenetrao dos programas de eletrificao rural etambm os maus resultados alcanados pelosprogramas de disseminao de sistemas fotovoltaicosnas escolas por polticas que no tomam cuidadosefetivos com sua prpria sustentabilidade.

    ABSTRACT

    Real life of poor country people always hasmany surprises to disclose to dwellers of the bigcities. The present work analyses du aspect of the

    life poor country people, who have entered 21 stcentury without electric light in their homes andwithout access to social services, which are theirright according to the Federal Constitution. Itexamines the daily life of So Paulos rural publicschools without electric illumination, intending tocontribute to the discussion of the social role ofelectric supply. The main problems associated withthe lack of the electric supply are: bad illumination,impossibility to use didactic equipments, poorquality of students meals, loss of food due to thelack of refrigerators, lack of communication and lackof water sources, exclusion of school at night anddifficulties with teachers housing. Half of theschools without electric light are near to thedistribution lines, at less than one kilometer ofdistance. There are some schools without lightsunder the electric net. It has also been evidenced thedifficulty of engaging on rural electrificationprograms and, that, the poor results associated withphotovoltaic solar systems dissemination programswithout policies for maintenance and furtherdevelopment.

    INTRODUO

    A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) exigeque se assegurem instalaes com o mnimosuficiente quanto a espao interno das salas,iluminao, insolao, ventilao, viso para oespao interno, rede eltrica e segurana, guapotvel, esgotamento e rede sanitria. Ou seja, a rede

  • eltrica condio sine qua non para que uma escolaexista.

    Os dados de carter nacional, conformeBERNARDES (2001), em seu artigo publicado naFolha de So Paulo, em 01/05/2000, chegam a sersurpreendentes: cerca de 63 mil escolas de EnsinoFundamental do pas (34,5% do total) no tmenergia eltrica; 99,5% desse total esto localizadasna rea rural e s 3 de cada 100 estabelecimentos deensino fundamental contam com acesso redemundial de computadores.

    O que se debate hoje a necessidade de atecnologia estar dentro da escola. Muitos dizem quea escola que no dispe de Internet est excluindoseus alunos da educao contempornea plena. importante reconhecer que nem todos os educadoresentendem que a criana deva viver a abstrao docomputador. Todavia, a discusso mais ampla dadoque os recursos tecnolgicos so instrumentosimportantes de atualizao do professor. No ensinorural, normalmente mais isolado, s pelo professor jse justifica a informtica sem entrar no mrito do usodo computador pelos alunos. No se questiona aqui aimportncia da escola: (...) se o conhecimento opassaporte para o novo milnio, a escola continuasendo a instituio que destinada pelas sociedadesda maioria dos pases do planeta para levar suascrianas e jovens ao conhecimento sistematizadopela humanidade(SE/CEPN, 2000).

    O Programa Nacional de Informtica naEducao ProInfo - do Ministrio da Educao eCultura (MEC), desenvolvido pela Secretaria daEducao Distncia SEED, tem por objetivointroduzir as Novas Tecnologias de Informao eComunicao (NTIC) na escola pblica, que deveus-las como ferramenta de apoio ao processo deensino-aprendizagem. Para que o Projeto sejaimplantado, preciso que a escola disponha de umambiente adequado para instalao dosequipamentos, ou seja, que tenha segurana, fonteeltrica de qualidade e um mnimo conforto paraalunos e professores, entre outros fatores (MEC,2000).

    Esta realidade diferente quando seidentifica que, enquanto nos grandes centros sediscutem as benesses da tecnologia, h escolas emSo Paulo, estado mais rico da unio, sem energiaeltrica.

    No ter acesso tecnologia, fecha portas,dificulta os objetivos educacionais atuais, que,dentre outros itens, quer capacitar o cidado para otrabalho; mas no ter acesso energia eltricainviabiliza o prprio ensino (no caso das classesnoturnas ou de dias muito escuros, chuvosos), amerenda escolar, o uso de recursos pedaggicos(TV, vdeo, retroprojetor, aparelho de som), ou seja,tudo que proposto pelas novas pedagogias.

    De acordo com os dados do IBGE e doIPEA, 40% da desigualdade social no pas resulta da

    diferena de nvel educacional. Segundo a PUC-RJ,a diferena entre o salrio de um analfabeto e dequem faz um Curso superior pode chegar a 636%.Ainda, segundo Ricardo Paes de Barros, diretor deEstudos Sociais do IPEA, o impacto da diminuiodo analfabetismo e da eqidade seria sentido at noPIB, com um incremento de 2%.

    O PAPEL DA UNIVERSIDADE

    Preocupado com o fato de que aspopulaes mais carentes da zona rural noconseguiam ser efetivamente includas no pblico-alvo das polticas de eletrificao, promovidas pelasconcessionrias de energia brasileiras, salvoexcees, e convencido que o alto preo das obrasde extenso de rede eram o principal motivo paraessa excluso, o BNDES instigou a EscolaPolitcnica da Universidade de So Paulo adebruar-se sobre o problema. O Banco j fizerauma experincia de financiar um programa deeletrificao rural no Rio Grande do Sul em parceriacom a prefeitura de Palmares do Sul. Tentandoprovar que era possvel atender um nmero maior deinteressados pela reduo do custo das instalaes, oprograma utilizava redes eltricas simplificadas - ochamado Sistema Monofilar com Retorno por Terra,ou sistema MRT -, postes de madeira, condutores deao-zincado, ferragens e equipamentosdesenvolvidos experimentalmente na Escola TcnicaFederal de Pelotas, transformadores monobucha depequeno porte, e trabalho comunitrio nas obras deconstruo, na forma de mutiro.

    Para RIBEIRO (1993), as avaliaes scio-econmicas e tcnicas feitas tiveram resultadopositivo.

    No entanto, as concessionrias serecusavam repetir a experincia em outros locais.Alegavam no s motivos tcnicos para a recusa;alegavam tambm que a energia eltrica no eraimportante para as populaes rurais pobres, que noera do seu interesse ter luz em casa, que no tinhamo que fazer com a energia e, por causa disso, noeram bons consumidores. So to pobres que nointeressam empresa, dizia o engenheiroresponsvel pela rea rural de uma empresa de SoPaulo, para justificar por que a concessionria notinha interesse em programas de eletrificao rural,quando foi consultado por um professor daPolitcnica se lhe interessava o financiamento que oBNDES oferecia.

    Segundo PAZZINI (98), as concessionriassempre trataram a eletrificao rural com um assuntointerno, ou seja , os tcnicos pensam neste temacomo sendo um problema da distribuio da energiaeltrica que s entra em pauta quando aparece alguminvestimento de alguma agncia externa.

  • FOLEY (92) mostra a resistncia por partedos funcionrios em relao a esse mercado pobre,as dificuldades de manuteno em funo dascondies das estradas e das distncias, os objetivosvisando a lucros imediatos, que fazem daeletrificao um negcio nunca prioritrio.

    A falta de atrativo no mercado rural, aliada despreocupao em reduzir custos para garantir umalto ndice de atendimento, levam a existncia dogrande nmero de pessoas sem energia eltrica(JUC, 1998).

    Havia uma demanda para pesquisas,visando avaliao global e multidisciplinar depolticas pblicas e a Escola Politcnica deveria teresse objetivo, ao invs de restringir-se a aspectostcnicos isolados. Para tanto, deveria buscarparcerias. Assim, desde 1989, vm sendo feitasinvestigaes sobre eletrificao rural na Poli,atualmente dentro do GEPEA - Grupo de Energia doDepartamento de Engenharia de Energia eAutomao Eltricas. H um significativo nmero depublicaes emanadas desses estudos.

    Todavia, acontece que o principal ator queh no campo de interesse dos estudos, pesquisas etrabalhos de extenso universitria sobre como levarluz zona rural que o homem do campo aindasem luz ainda no foi devidamente investigado.Engenheiros que so os investigadores, em suamaioria, sofrem da inquietude natural do engenheirode reverter rapidamente a situao, viabilizando aobra necessria para tanto, e pouco sobra de atenopara a realidade que se quer alterar.

    A falta de fontes adequadas de energia temimplicaes consideradas muito severas spopulaes rurais carentes de recursos e serviospblicos. RAMANI (1992), em pesquisa para aComunidade Europia, constata que ela provoca oabandono da regio de origem em busca de serviossociais essenciais como os de sade, gua, sanitriose educao.

    Em 1994, pesquisadores da EscolaPolitcnica levaram ao governo do Estado de SoPaulo, em nome do BNDES, uma proposta deparceria para se planejar uma poltica deeletrificao com objetivo de levar energia totalidade das propriedades rurais do estado. A idiaera adaptar para o cenrio paulista um modelo jexperimentado no Rio Grande do Sul. Resultou oPrograma Luz da Terra, lanado em l996, quevisava atender 150.000 consumidores rurais, comfinanciamento de 80% dos recursos pelo BNDES,reservando vrias responsabilidades Universidadede So Paulo. RIBEIRO et allii (1998), PAZZINI etallii (1999), PELEGRINI et allii (1999).

    Dentre as responsabilidades assumidas como parceiro BNDES, estava a de promover estudospara o desenvolvimento da eletrificao rural em SoPaulo, buscando mtodos de divulgar o uso racionalda energia, levando em conta o perfil scio-

    econmico das populaes que ainda no dispunhamde luz em casa e nas atividades cotidianas.

    Havia uma demanda por conhecer oshbitos da sociedade que se constituiria no mercadoprevisto para o Programa Luz da Terra.

    As equipes de trabalho tiveram a idia deidentificar escolas rurais sem luz. razovelimaginar que a escola sem luz est imersa em umaregio com vizinhos sem luz eltrica.

    A primeira investigao levou a umsurpreendente nmero de 250 escolas rurais semenergia eltrica.

    Mauro Arce, ao assumir a Secretaria deEstado Energia (SEE) em 1998, na presidncia desua primeira reunio com a Comisso deEletrificao Rural do Estado de So Paulo CERESP foi confrontado com esse resultado erevoltou-se. Exigiu providncias para sanar o queconsiderava uma grande vergonha institucional.

    Algumas escolas foram eletrificadas nosmeses seguintes, tanto pelas concessionrias quantopor programas de distribuio de mdulos solaresfotovoltaicos com dinheiro federal atravs Programade Desenvolvimento de Estados e Municpios PRODEEM/SP. Para BARBOSA (1998), esseprograma foi motivado por dois programasanteriores: o NREL com parceria americana e oEldorado, com parceria alem.

    Por outro lado, foi verificado que algumasdas escolas que as concessionrias diziam tereletrificado em atendimento solicitao do governopermaneciam no escuro.

    Havia, pois, mais incertezas quanto extenso do problema das escolas pblicas de SoPaulo. Era um desafio pesquisa.

    O SIGNIFICADO DA ENERGIAELTRICA NAS ESCOLAS

    Os impactos sociais e econmicos dosprogramas de eletrificao rural so importantes parao planejamento das polticas saneadoras da falta deenergia. Tais polticas devem ter mltiplos objetivos,incluindo, alm da eletrificao das moradias, oaprimoramento da qualidade de vida, satisfao denecessidades bsicas, busca da equidade,fortalecimento da atividade agrcola e agro-industrial, acesso a servios de sade e educao eoutras metas CECELSKI (1992). A pesquisaacadmica de apoio ao Programa Luz da Terratinha entre seus objetivos explcitos o conhecimentoe a melhor compreenso desses impactos.

    Esses condicionantes, somados aosconstantes esforos de encontrar onde pudessemestar as populaes rurais ainda no atingidas pelosprogramas de energizao , fizeram o interesse pelotema da escola rural sem luz tornar-se objeto depesquisa.

  • O interesse inicial foi verificar a quantidadede escolas realmente nessa situao, dado que asinformaes vindas de diferentes fontes oficiais eramconflitantes.

    Quantas escolas sem luz h? Por que aindaexistem? Como a situao escolar nessascondies? Qual o impacto no processo de ensino-aprendizagem? Que dizer das vizinhanas da escolasem luz? Quanto custa resolver essa vergonhainstitucional? Qual a importncia da luz artificial?Qual a importncia das polticas de eletrificaorural? H vrias perguntas a responder. Tambm, oque tem a dizer o professor da escola que no temenergia eltrica?

    Assim, este artigo apresenta os resultadosde uma pesquisa sobre energia eltrica no meio ruralque examina o cotidiano de escolas pblicas aindano atingidas pelos programas de eletrificao doestado de So Paulo. O melhor conhecimento dascondies scio-econmicas das populaes queainda no tm satisfeitas as suas necessidadesenergticas tem importncia para se podercompreender os desejos de consumir energia dessegrupo social, de forma a identificar o perfil deconsumo do mercado por atender.

    Cuidado muito especial foi tomado com aanlise das conseqncias para o processoeducacional e para o processo de desenvolvimentosocial impostas pela falta de luz, em uma poca emque comum ver divulgao de que, mesmo escolaspobres esto incorporando tecnologia decomunicao e informao, que computadores esistemas audiovisuais chegam at zona rural dealgumas regies.

    H um papel da escola que se amplia narea rural: ela , ou pode vir a ser, um centrocomunitrio por excelncia. nela que pode havercentros de informtica ligados Internet,possibilitando a integrao da populao isolada aoresto do mundo atravs do acesso a novasinformaes.

    O planejamento inicial da pesquisa previu anecessidade de haver flexibilidade nos prpriosplanos para suportar alguns condicionantes dotrabalho:1. desconhecimento do universo do estudo,

    principalmente pelo desencontro dasinformaes institucionais;

    2. incerteza quanto s possibilidades de havercolaborao por parte das instituies oficiais eno-governamentais envolvidas com oproblema;

    3. previso de que os detentores das melhoresinformaes, as distribuidoras de energiaeltrica, no teriam interesse em deixar conhecersuas mazelas;

    4. boa expectativa de colaborao por parte dosprofessores rurais e de atores do sistema deeducao;

    5. experincia anterior da Escola Politcnica daUniversidade de So Paulo com oacompanhamento do programa Luz da Terra,quando foram visitados mais de 200 municpiospaulistas, sendo que em boa parte deles foi feitocontato com a respectiva municipalidade, equando foram implantados os SMERS Servios Municipais de Eletrificao Rural,propostos pela USP e pela Secretaria de Energiapara reerguer o programa de distribuio rural.Essa experincia toda demonstra a grandediversidade de atuao das diferentes prefeiturase rgos locais, PELEGRINI (1998); PAZZINI(1998).

    Desta forma, os dados iniciais da pesquisade campo, baseada nas 240 escolas sem energiaeltrica encontradas nas relaes da Secretaria doEstado da Educao (SE) e da Secretaria do Estadode Energia (SEE), constataram que apenas 66escolas no possuiam energia eltrica. Somadas aelas, existiam mais 20 escolas que no constam emnenhuma relao das secretarias. Essas escolasencontram-se espalhadas por 38 municpios.Somente no municpio de Cunha existem 21 escolassem energia eltrica, ou seja, 24,42% do total.Baseando-se na mdia de 19,5 alunos por escola daSE, conclui-se que existe um total de 1.677 alunosafetados pela falta de energia eltrica. Nessesclculos poderiam ser includas as 31 escolas comsistemas fotovoltaicos que no esto funcionandonormalmente (23 do PRODEEM/SP e 8 doprograma Eldorado/CESP), o que aumentaria osvalores anteriores em 36,05%. Na verdade, naprtica, justamente isso que est ocorrendo.

    A reduo do nmero de escolas semenergia eltrica j era previsvel em virtude dosprogramas de eletrificao, da atuao dasprefeituras e, infelizmente, da poltica do governoestadual de desativar escolas com menos de 30alunos. O estranho foi a quantidade de escolas semenergia que no constavam nas relaes dassecretarias. Dessas escolas atendidas, 67,7 % forameletricificadas pelo programa Luz da Terra, 18,5%atravs das prefeituras.

    O IMPACTO DA FALTA DE LUZ

    A dimenso do problema de no ter luzeltrica muito mais intensa quando se conhece avivncia das pessoas nessa situao do que quandomeramente um engenheiro pe-se a pensar sobre afalta de fontes de energia adequadas. Ospesquisadores sentiram claramente, nas visitas acampo que muito maior o dano que o perigo- nodizer do navegador portugus ao aproximar-se deAdamastor, o obscuro gigante das tormentas.

    Os depoimentos de professores, diretores,moradores, autoridades e funcionrios so bastantesignificativos. Percebeu-se uma espcie desofrimento guardado h muito tempo. Com certeza,

  • reflexos dos problemas, das dificuldades e dosdistanciamento causados pela falta de energiaeltrica nas escolas. Alguns entrevistados nemesperavam o trmino das explicaes dos objetivosdo trabalho e se manifestavam com expressivasfrases: At que enfim tem gente se preocupando com

    isso... (...) s agora ? J faz seis meses que colocaram

    a luz. Agora no precisa mais... Solicitavam informaes (principalmente em

    relao ao programa Luz da Terra) e pediaminterferncias nas discusses.

    O senhor sabe quando eles vo vir dar otreinamento ? ... inclusive l no morro poderiafazer fiao subterrnea. Isto pode, no ?

    O negcio t parado...j assinamos ocontrato....at os pauzinhos esto prodecendo.

    Muita gente l em baixo j entraram najustia....no d pro senhor falar com algum ?... sei l , com qualquer um que pode ajudar agente.

    O senhor no pode falar com seu diretor ?Como mesmo ?

    Isso mesmo. Ele no poderia ajudar a diminuiro valor ? Tem uma escola no meio...parece quetem uma lei que a energia para a escola tem queser de graa, no verdade ?

    DIFICULDADES PEDAGGICAS ETRABALHO COMUNITRIO

    Todos os entrevistados da rea pedaggica,quando indagados sobre as dificuldades e osproblemas na sala de aula em funo da falta deenergia eltrica, foram unnimes em comentar que afalta de iluminao nas escolas ocasiona aimpossibilidade de exposio das aulas em quadro-negro, a dificuldade de leitura e cpias e ocomprometimento da viso das crianas.Principalmente, em dias nublados e chuvosos. O tomnas declaraes deixa claro o descontentamento e arevolta em ter que conviver diariamente com essasdificuldades, alm de ter que as dividir com ascrianas: ... a gente se cansa. Eu j pensei em largar

    tudo. Ir embora para uma cidade maior.... Muitas vezes me recusava a dar qualquer

    atividade. A gente esperava o sol ficar maisforte para comear alguma coisa ...era umahumilhao tanto para mim quanto para ascrianas.

    Em dias normais, at que d, mas quando notem sol ou em dia chuvoso , tenho que inventaralguma atividade. So impossveis as atividadesnormais de lousa e, as de leituras, a gente tembastante dificuldades.

    ...aqui a mata muito fechada. Como o senhorpode ver, mesmo com o tempo bom eu tinhadificuldades de dar as atividades... Quando notinha sol ou chovia, ficava impossvel asatividades no quadro-negro.

    ... muito difcil, atrapalha muito a exposiona lousa ... os alunos ficam debruados nacarteira, com o rosto perto do caderno. Issoprejudica muito a viso...

    ...olha vou apagar a luz. O senhor v aescurido que fica? Isso porque hoje ainda estfazendo sol. Nos dias nublados, eu colocava ascriana l fora nas mesas do lanche para dar asatividades. O problema quando chovia oufazia frio, a gente tinha mais dificuldades ainda.As crianas sofriam muito.

    Algumas escolas permaneciamdesconectadas da rede eltrica, em funo da falta deinstalaes internas. Apesar da boa vontade dacomunidade em realizar as instalaes, verificaram-se fios pendurados, emendas mal feitas,falta deisolao e proteo. Infelizmente, as instalaesesto precrias, sendo visvel a falta de segurana: A companhia ligou a energia no poste. A

    Secretaria no mandava ningum para fazer ainstalao de dentro. Fomos at a prefeitura,mas eles no deram a menor importncia. Sprometiam ... Cansamos de esperar. Ento acomunidade se reuniu. Tinha um pessoal quecomentou que sabia fazer ... e instalaram astomadas, as lmpadas, fios e tudo. Est tudofuncionando direitinho, mas eu acho que estprecria, pois ningum era especializado.Espero que no d problemas...

    A dona do stio mandou os empregados instalaras tomadas as lmpadas e ligar os fios l na casadela. Ela empresta a energia para a escola. Sque a energia no muito boa porque ageladeira no funciona direito. O bom quepelo menos temos iluminao. A diretora j fezo pedido para a Diretoria Regional de Miracatu,mas at agora nada...

    ... s sei que o pessoal de CESP tinha posto osfios a no poste. A pricisava coloc as tomadase tudo l dentro. S que no vinha ningum pralig. Ento o marido da professora mesmo, veioe coloco as tomadas , as luz e tudo aqueles fiospindurado l...

    A merenda outra questo muito sria. Afalta de geladeira ocasiona no s a inconveninciaem encontrar um local para armazenar e conservaralguns tipos de alimentos, mas tambm desperdciosdesnecessrios: A merenda ficava na casa da merendeira, s

    vezes atrasava um pouco, porque um poucolonge. O problema maior quando chovia ...cansamos de comer comida fria... .

    Aqui, eu mesmo fao o almoo das crianas.Praticamente toda a comida enlatada ou

  • empacotada. Mas, veja voc o que acontece: euabro uma lata de massa de tomate (4100g),aquela grande l, t vendo?

    Sim. A, eu fao o molho. Uso mais ou menos um

    copo. O resto estraga. Com a manteiga acontecea mesma coisa. Muitas vezes, quando d, eulevo para casa e vou trazendo aos poucos emembalagens menores. Aqui a vizinhana tambmno tem energia, se no eles guardariam. Elesso muito prestativos, qualquer coisa que vocprecisa, eles fazem.

    A merenda fica na casa de um senhor, a uns500 metros daqui. At l tinha energia, depoisno. Ele tinha uma geladeira mais velha eguardava muita coisa da escola l...

    BENEFCIOS DA ENERGIA ELTRICAPARA O PROCESSO

    Indagados sobre os benefcios didticos quea energia eltrica poderia trazer ou trouxe, osentrevistados, principalmente os professores,ressaltaram a claridade da sala, como conquistafundamental. A utilizao de equipamentos de udiopara mais dinamismo, o vdeo para enriquecer ostpicos especficos e a TV e o rdio para acesso sinformaes. Assim como a satisfao, o estmulo ealegria das crianas. Os computadores ficaramsomente em pensamentos esperanosos: ...a claridade, pois era difcil por exemplo fazer

    leitura...eu gosto de mostrar algumas culturasatravs da msica, da dana, do vdeo. E issoera impossvel. Agora tem o vdeo-cassete, ateleviso; as aulas ficam mais dinmicas. Notem aquela preocupao toda, aqueledesnimo....

    Em primeiro lugar, a claridade das lmpadas...agora eu trago o toca-fitas, coloco naqueleaparelhinho e ligo a tomada. Mostro vriasmsicas regionais, danas, etc. A TV ainda notem. Quanto tiver, vai ajudar bastante tambmnas aulas de cincias , geografia...

    Gostaria que fosse como na outra escola... l euutilizo o som, vdeo, slides em vrias aulas. Temat um computador que as crianas podemmexer...

    Ah! uma bno, voc chegar aqui e apertarum interruptor...sem ter que ficar pensando: secaso chover hoje tambm o que eu vou dar?...

    senhor precisa ver quando eles ligaram a luz.As crianas ficaram muito felizes...vai ter atuma antena parablica. importante saber dosnoticirios e tudo mais.

    Nota-se um alvio pela conquista de umacerta independncia. Alm da conscincia de

    melhora na qualidade da merenda e reduo nosdesperdcios: ... com a bomba, no dependemos mais da

    vizinhana para pegar gua. Apesar que era umasatisfao para eles. Eu uso o liquidificador parafazer sucos. Hoje vm coisas que antes novinham, por causa da geladeira... melhoroumuito a merenda

    Agora tem a bomba que puxa gua do poo ata caixa. s ligar a chave. A geladeira vaichegar e acho que a merenda tambm vaimelhorar...

    ... com a geladeira, vai haver menosdesperdcios. Acho que vai melhorar at amerenda. O senhor viu tudo enlatado... poraqui tem bastante frutas, vai dar para fazerbastante suco para as crianas.

    Quanto ao aproveitamento da escola noperodo noturno pela comunidade, houvedepoimentos realmente slidos e esperanosos.Outro aspecto importante que a escola pode ser umponto comunitrio para reunio da comunidade: Eu fiz uma pesquisa. E tem setenta pessoas na

    regio da escola Roseira e da Ona interessadasno telecurso noturno. O prefeito j comprou atuma antena parablica...

    ...muita gente at que gostaria. Eu mesmo fizat o segundo ano...at que bom, alm deestud e aprend, a gente ia encontr muitagente de noite. Dava pra convers mais...

    Uma vez , depois que ps a luz, a gente veiopedi pra professora se podia us a escola denoite. Tinha uns problemas de preo de leite equeijo... era mais fcil se reuni de noite, porqueo pessoal fica espaiado de dia trabalhando... Aela no sabia. Pra num d muito trabalho, agente se reuniu l em casa num domingo...

    Outros benefcios citados foram: o acessoaos meios de comunicaes, facilidade para oprofessor morar na escola e a utilizao da escolapara reunio da comunidade, cursos agropecurios eorientaes tcnicas.

    TEMAS DE INTERESSE PARA OSPROGRAMAS DE ELETRIFICAO

    RURAL

    Prximos s escolas sem luz existemmoradores tambm sem energia eltrica. Muitosdesses moradores no tm condies financeiras enem perspectivas de assumirem prestaes dosprogramas de eletrificao, mesmo porque a maioriano tem renda fixa e nem trabalho fixo.

    Por outro lado, o tema no traz impacto maior parte das autoridades polticas que usufruemdos benefcios da eletricidade e, ao mesmo tempo,esto distantes do problema de quem no partilha

  • desse benefcio. Desconhecem os aspectos daquesto e os impactos causados nos principaisenvolvidos, ou seja, nos professores, nos moradoresprximos e principalmente na populao maisindefesa: as crianas. Esta questo, ao que tudoindica, no traz divisas para o estado nem para asprefeituras, somente gastos e poucos votos aospolticos em dia de eleio. Assim, verificou-se quea parte mais interessada em buscar solues para afalta de energia eltrica nas escolas so exatamenteos moradores da comunidade local.

    Assim, uma das maneiras de no havercustos para a prefeitura ou o estado, seria a escolaentrar em algum programa de eletrificao rural eseu custo ser dividido entre os participantes, comoocorreu nos municpios de Guarulhos, Arape eCunha.

    O programa Luz da Terra, em que toda asociedade chamada para participar do processo deeletrificao, foi fundamental na ligao de vriasescolas sem energia eltrica levantadas neste estudo.Suas diretrizes bsicas apontadas por RIBEIRO;SANTOS (1994) prevem a utilizao de sistemastcnicos e materiais simplificados de projeto da redeeltrica (Sistema monofilar com retorno por terra,MRT; poste de madeira; condutor de ao zincado;transformador de pequeno porte; etc.), um modelo definanciamento que facilite o pequeno produtor numesquema de equivalncia de produto e a participaode outros agentes financeiros, que no asconcessionrias, das prefeituras, em agentes deextenso rural; foram observadas durante oslevantamentos do estudo.

    Na prtica o programa encontrou vriasresistncias. Algumas concessionrias contrariando omodelo proposto, no divulgavam o programa, noorientavam com exatido os interessados, notreinavam seus funcionrios e no organizavamcomo se deviam as comunidades e as prefeituras.ROSA et.alli. (1993), mostra que nesse modelo,aplicado no Rio Grande do Sul, os custos so maisbaixos quanto maior o nvel de organizao.Assim, as prefeituras criaram com poucos recursosos servios de suporte eletrificao, para melhorandamento nas fases do programa. A ao dessasconcessionrias contrrias poltica do programaLuz da Terra, na viso de PELEGRINI et alli.(1998) influenciou no sucesso da primeira fase doprograma. Em funo disso, o lder comunitrio dosmoradores prximos escola Fazenda Itaverava, deGuarulhos, teve muitas dificuldades em conseguirinformaes sobre o programa Luz da Terra.Conforme ele, a prefeitura e a concessionriaBandeirantes desconheciam a existncia doprograma. Segundo PAZZINI (1998), a Eletropaulo(atual Bandeirantes) no soube conduzir a parceria,dessa forma, as prefeituras no tiveram suportenecessrio para desenvolver as etapas do programa.A CESP (atual Elektro) no demonstrou grande

    interesse em participar do programa e oferecia seuprograma Paralelo, com uma filosofia contrria ado programa Luz da Terrra, alvo de reclamaesde vrios moradores prximos s escolas rurais dobairro Campos de Cunha.

    Vrias escolas que receberam os sistemasfotovoltaicos atravs dos programas doPRODEEM/SP / ELEKTRO e ELDORADO/CESP,encontram-se com os seus equipamentos fora deservio pela baixa qualidade da mo-de-obra deinstalao, por defeitos sistemticos emcomponentes ou por falta de manuteno adequada.Na verdade, no houve uma poltica que tomassecuidados efetivos com a prpria sustentabilidade,principalmente por parte das concessionrias queassumiram a instalao dos equipamentos .

    Atualmente, existem vrias escolas e comsistemas fotovoltaicos prximas da rede eltrica,assim como, de vrias escolas sem energia eltricadistante rede. A combinao entre esses dadospoderia viabilizar tecnicamente e economicamenteum programa de eletrificao das escolas, pois aextenso de rede chegaria at uma escola comsistemas fotovoltaicos prxima da rede e seusequipamentos seriam transferidos para uma escolasem energia distante da rede.

    CONCLUSO

    Segundo o Banco Mundial, no Brasil osequipamentos das escolas e creches rurais sogeralmente apresentados como prioridade dosgovernos estaduais. Mas, o processo dedescentralizao previsto pela prpria Constituiode 1988 transferiu muitas responsabilidades dessecampo para os municpios e o montante de recursosgastos nas escolas dividido entre as trs instnciasdo Estado (municipal, estadual e federal), o queocorre de maneira muito varivel. Entretanto, muitosfundos e programas institucionais podem dar suporte construo e equipar as escolas, em conjunto comprojetos convencionais do Governo Federal, doMinistrio da Educao (GOUVELLO; POPPE,1997). Mesmo assim, este artigo mostrou aexistncia de mais de 90 escolas sem luz em SoPaulo.

    Ficou constatada a dificuldade depenetrao dos programas de eletrificao rural, osmaus resultados alcanados pelos programas dedisseminao de sistema fotovoltaicos e que metadedas escolas sem luz esto tambm sem respostas dosresponsveis regionais por esses programas.

    A anlise dos motivos que esto impedindoo atendimento da escola, quer sejam motivostcnicos, econmicos ou polticos tambm importante pela possibilidade desses motivos serementraves dos prprios programas de eletrificao.Assim, a identificao das formas de remover taisentraves um passo seguinte a ser dado nos estudos

  • sobre eletrificao rural voltada para auniversalizao do servio pblico de energia.

    PALAVRAS CHAVES

    - educao;- escola;- eletrificao;- desenvolvimento rural.

    REFERNCIAS

    [1]BERNARDES, B. Brasil tem 63 mil escolassem luz luz.http/www.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0105200001.htm Folha de So Paulo 01/05/2000.

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