A EVOLUO DA MULHER NA CONTABILIDADE: OS DESAFIOS ...

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  • A EVOLUO DA MULHER NA CONTABILIDADE: OS DESAFIOS DA

    PROFISSO

    rica Regina Coutinho Ferreira Mota1

    Marta Alves de Souza2

    RESUMO

    A mulher contabilista vem se fortalecendo e alcanando reconhecimento pelo seu trabalho. Os

    obstculos encontrados pelas profissionais que iniciaram sua carreira h alguns anos foram

    ultrapassados ou minimizados, abrindo caminho para as novas profissionais. Estas

    encontraram um mercado mais acessvel ao trabalho da mulher. Portanto, o presente artigo

    tem como objetivo geral descrever a evoluo da mulher enquanto profissional da rea

    contbil e sua contribuio como agente de transformao da sociedade. Para alcanar o

    objetivo proposto, adotou-se a metodologia da pesquisa descritiva com levantamento de dados

    de mulheres com registro no CRC-MG, bem como a pesquisa bibliogrfica. Utilizou-se,

    tambm, as abordagens qualitativa, com o emprego de dados j existentes e uma anlise

    crtica do material elencado e quantitativa, tendo em vista o emprego de instrumentos

    estatsticos. Observou-se que, a mulher tem se destacado ao quebrar paradigmas, vencer

    preconceitos e superar seus limites, ocupando, assim, seu lugar na sociedade e fazendo a

    diferena no mercado de trabalho.

    PALAVRAS-CHAVE: Evoluo da mulher. Contabilidade. Mercado de trabalho. Mulher

    contabilista

    ABSTRACT

    A female accountant is getting stronger and achieving recognition for their work. The

    obstacles encountered by professionals who started his career a few years ago have been

    overcome or minimized, making way for the new professional. They found a market more

    accessible to women at work. Therefore, this article aims to describe the general evolution of

    women as professional accounting area and its contribution as an agent of social

    transformation. To achieve the proposed goal, we adopted the methodology of descriptive

    research survey data of women registered for the CRC-MG, as well as literature. We used also

    the qualitative approaches with the use of existing data and a critical analysis of the material

    and quantitative part listed, considering the use of statistical tools. It was observed that the

    woman has been highlighted by breaking paradigms, overcome prejudices and overcome their

    limits, thus occupying his place in society and making a difference in the labor market.

    KEY-WORDS: Evolution of Woman. Accounting. Labor market. female accountant.

    1 Graduanda do curso de Cincias Contbeis e Tributos do Unicentro de Belo Horizonte UNIBH email:

    erica.bobs@yahoo.com.br 2 Professora Mestre em Sistemas de Informao email: marta.souza@prof.unibh.br

  • 1 INTRODUO

    A mulher contabilista, como parte integrante de um contexto globalizado, deve estar

    atenta s mudanas e exigncias que vm ocorrendo a sua volta. Sua representatividade no

    mercado de trabalho aumenta consideravelmente a cada dia, adquirindo, pois, um papel de

    grande importncia.

    A mulher busca, atravs dos tempos, uma participao efetiva em movimentos sociais,

    polticos, religiosos e comunitrios. Analisando a histria, pode-se visualizar o caminho

    traado por ela. Com inteligncia e persistncia, a mulher vem, gradativamente, ultrapassando

    obstculos e ocupando cada vez mais o mercado de trabalho em todos os setores.

    Com o passar do tempo, a mulher transps grandes barreiras, e uma de suas primeiras

    conquistas foi o direito ao trabalho fora dos limites do lar. Ela experimentou o gosto pela

    independncia financeira e o mercado de trabalho nunca mais foi o mesmo. (SCAVONE,

    1999)

    Nota-se que o contingente feminino, no setor contbil, vem aumentando e a tendncia

    crescer ainda mais nas prximas dcadas, tendo em vista o grande nmero de estudantes do

    sexo feminino que ingressam nos cursos de Cincias Contbeis.

    Segundo Faria (2001, p. 14)

    O mercado contemporneo exige profissionais capacitados, competentes, que

    consigam se antecipar s necessidades dos usurios, prestando informaes

    transparentes, confiveis e teis, que auxiliem o empresrio na tomada de decises,

    minimizando os riscos e protegendo melhor a empresa, independente de ser homem ou mulher.

    Com isso, pretendeu-se analisar se as dificuldades encontradas no exerccio da

    profisso contbil, quando so executadas por mulheres, somam-se a outros obstculos.

    Igualmente, verificar quais as expectativas da mulher contabilista atuante no mercado de

    trabalho na regio de Belo Horizonte, alm de analisar a evoluo da mulher e sua aceitao

    na rea contbil.

    Considerando ser a contabilidade uma das grandes profisses do momento, a evoluo

    do papel da mulher, sua importncia e as expectativas diante da classe, o artigo apresentou o

    seguinte problema de pesquisa: Qual a contribuio da mulher contabilista como agente de

    transformao da sociedade?

    A pesquisa foi realizada tendo como objetivo evidenciar esta evoluo, que se

    pressupe, de interesse da sociedade e, principalmente, dos profissionais do meio contbil e

    empresarial. Pretende-se que esse estudo seja um ponto de partida para novas profissionais

    que estiverem dispostas a ingressar no mercado, uma vez que podero avaliar qual a postura

    assumida por aquelas que j se encontram inseridas nesse mercado. Este estudo servir,

    tambm, de incentivo para novas reflexes sobre o tema.

    2 REFERENCIAL TERICO

    2.1 EVOLUO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

    Desde o surgimento da humanidade, com as relaes familiares marcadamente

    patriarcais, as mulheres nasciam em meio submisso a uma sociedade machista, educadas

    com o perfil j pr-estabelecido de ideal de conduta. Esta ltima traada com o intuito de

    satisfazer o homem.

  • As escolas tinham como objetivo preparar a mulher para as funes de esposa e me.

    Naquela poca, as mulheres deveriam ser mais educadas que instrudas; os objetivos visavam

    casamento e, consequentemente, a procriao. O aprendizado em tarefas domsticas era de

    suma importncia.

    A Mulher sempre exerceu influncia de fundamental importncia na formao dos

    filhos e da sociedade.

    As mulheres, mesmo no sculo XIX, quando passavam da tutela dos pais para a dos

    maridos, tinham sob suas asas a formao dos filhos e a administrao da casa. Se o

    poder constitudo era dos homens, era ela quem fazia a transmisso de valores

    fossem eles patriarcais ou no, por conta da imposio da sociedade e decidia sobre a vida cotidiana. Aos homens cabia a superviso geral e a administrao dos

    bens. Por trs de um simples sim ao marido estavam escondidos muitos porns.

    (MORAES; OROSCO, 2004, p. 56)

    Segundo Raquel (2008), com a I e II Guerras Mundiais, (1914 1918 e 1939 1945,

    respectivamente) as mulheres tiveram que assumir a posio dos homens no mercado de

    trabalho. No sculo XIX, algumas leis passaram a beneficiar as mulheres, graas

    consolidao do sistema capitalista.

    Tambm de acordo com Raquel (2008), a conquista da mulher por um espao no

    mercado de trabalho, comeou no incio do sculo XIX, quando a sociedade acreditava que o

    homem era o nico provedor das necessidades da famlia, tendo a mulher a funo de

    mantenedora do lar e educadora dos filhos.

    Conforme Luca (2001) apud Raquel (2008):

    As mulheres quando ficavam vivas ou pertenciam a uma classe mais pobre tinham

    que sustentar seus filhos com atividades que lhes dessem um retorno financeiro.

    Dentre as principais atividades realizadas, destacam-se: a fabricao de doces por encomendas, o arranjo de flores, os bordados e as aulas de piano. Alm de serem

    pouco valorizadas, essas atividades eram mal vistas pela sociedade, o que dificultava

    a conquista das mulheres por um espao no mercado de trabalho. Mesmo assim,

    algumas conseguiram transpor as barreiras do papel de ser apenas esposa, me e

    dona do lar.

    A partir do sculo XIX, especificamente, no ano de 1857, as mulheres conquistaram

    mais direitos, base de muita luta e sacrifcio. O dia 08 de maro foi escolhido para ser o dia

    Internacional da Mulher, pois, nesse dia, funcionrias de uma fbrica txtil de Nova York, nos

    EUA, resolveram reivindicar melhores condies de trabalho e salrios equiparados a dos

    homens.

    Segundo Magno (2009), em 1867, surge o primeiro Cdigo Civil. Os direitos das

    mulheres tiveram progressos no que diz respeito situao de esposas, mes e

    administrao de bens. Um dos fatos que marcam essa mudana de comportamento da

    sociedade, ainda de acordo com o mesmo autor, o fato de Elisa Augusta da Conceio de

    Andrade se tornar a primeira mulher a se formar em medicina, pela Faculdade de Medicina de

    Lisboa, em 1889. E em 1918, um decreto lei autoriza s mulheres o exerccio da profisso de

    advogada.

    Outro aspecto capital o direito de voto concedido s mulheres em 1931, com um

    grau universitrio ou com o secundrio concludo. J os homens podiam votar desde que

    soubessem ler e escrever.

    Ainda de acordo com Magno (2009), em 1935, pela primeira vez trs mulheres tm

    assento na Assembleia Nacional. criado, tambm, no ano de 1970, o Grupo de Trabalho

    sobre a Participao das Mulheres na Vida Econmica e Social, sob a presidncia de Maria

  • de Lourdes Pintassilgo. Esta ltima, em 1979, nomeada Ministra dos Assuntos Sociais,

    sendo a primeira mulher a assumir tal cargo.

    Outra importante conquista foi o caso de Maria Teresa Lobo, que em 1971, tornou-se a

    primeira mulher a assumir o governo, como subsecretria de Estado da Segurana Social.

    No ano de 1974, as mulheres puderam aceder pela primeira vez magistratura, ao

    servio diplomtico e a certas posies na administrao local, que no lhes eram permitidas.

    Neste mesmo perodo, so extintas todas as restries do direito ao voto.

    Em 1980, em Portugal, Mariana Calhau Perdigo a primeira mulher nomeada

    Governadora Civil. ratificada a Conveno das Naes Unidas sobre a eliminao de

    todas as formas de discriminao contra as mulheres. Assim, a nova lei sobre a nacionalidade,

    criada em 1981, prev um tratamento igual para os dois sexos.

    Em 1988, por influncia da Revoluo Francesa criada a Constituio Federal, que

    tem um objetivo extremamente social e igualitrio: o de entender que no existe motivo para

    diferenciar o homem e a mulher.

    Por meio dessa Constituio Federal, pois, que a mulher alcanou a igualdade de

    direitos e deveres com os homens. A Consolidao das Leis do Trabalho (CLT) assegurou e

    ainda protege os direitos da mulher no que diz respeito s condies e durao do trabalho, ao

    labor noturno e aos seus mtodos e locais, discriminao contra as mulheres, aos perodos

    de descanso e proteo maternidade, definindo, tambm, as penalidades pelas infraes

    cometidas contra esses direitos.

    J em 1997, criou-se o Plano Global para a Igualdade de Oportunidades

    Mulheres/Homens.

    Muitas vezes, as normas que garantem direitos iguais para homens e mulheres, ainda

    so ineficazes, pois vo de encontro a preconceitos arraigados na sociedade durante sculos.

    Tudo o que parece hoje muito natural foi tabu no passado, derrubado por pioneiras que

    gravaram seus nomes na histria dos direitos civis. (SCAVONE, 1999, p. 224)

    Portanto, as mulheres se tornaram formadoras de opinio, quando levaram para fora de

    casa suas crenas, valores e impresses. Pode-se dizer que o poder feminino sofreu uma

    ampliao no sculo XIX, em decorrncia da entrada da mulher no mercado de trabalho.

    Assim, ela comeou a atuar em todas as esferas. Embora haja ainda as carncias no quadro

    social do pas, conforme demonstram as estatsticas, as mulheres vm tomando seu espao

    com determinao.

    2.2 A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO

    No Brasil, a participao da mulher no mercado de trabalho vem aumentando

    gradativamente. Apesar de todos os obstculos, a mulher, com toda sua fora e coragem, no

    se deixa abater diante das barreiras que se colocam sua frente.

    Segundo Raquel (2008):

    Devido luta pelo desenvolvimento social, cultural e poltico, ao longo dos anos, as

    mulheres vm conquistando o seu espao no mercado de trabalho. Embora de forma

    lenta, esta conquista tem sido significativa, o que mostram os dados da Pesquisa

    Nacional de Amostra por Domiclio PNAD (2005): no ano de 1973, apenas 30,9%

    da Populao Economicamente Ativa (PEA) do Brasil era do sexo feminino, em

    1999, elas j representavam 41,4% do total da fora de trabalho, aproximadamente

    33 milhes de mulheres. Quatro anos depois, mais 62 mil mulheres ingressaram pela

    primeira vez no mercado, aumentando a participao em 1,1%.

    Ainda de acordo com Raquel (2008):

  • Na pesquisa, Perfil das Mulheres Responsveis pelos Domiclios no Brasil,

    desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica IBGE (1995), ao

    longo de 20 anos, houve um acrscimo na participao das mulheres no mercado de

    trabalho. A mulher deixou de ser apenas uma parte da famlia para se tornar a

    comandante, o que foi ocasionando o seu ingresso no mercado de trabalho.

    Ainda que haja dificuldades, muitas mulheres esto mostrando que o sucesso

    profissional e a realizao pessoal so possveis; a conciliao entre filhos, marido e os

    afazeres de casa no so mais barreiras intransponveis.

    Segundo Pinto (2007): A mulher um alvo particular dessas ondas de valorizao coletiva destinada a

    eliminar desigualdades, e, consequentemente, a entregar dignidade a plena

    regncia das relaes humanas. Por isso, vimo-la crescer, sem interregnos, tanto

    como um valor econmico do trabalho quanto como um valor individual na famlia

    e um valor social no concerto das naes.

    A partir dos anos 90, o mercado de trabalho se abre para as mulheres, pois,

    tradicionalmente, elas tm grau de escolaridade maior. O homem, por sua vez, se inicia mais

    cedo no mercado de trabalho, impossibilitado, muitas vezes, de concluir os estudos. Observa-

    se, tambm, que as mulheres esto em maior nmero nas instituies de ensino superior, isso

    lhes garante maiores oportunidades no mercado de trabalho.

    Raquel (2008) descreve que:

    Para as mulheres, a dcada de 1990 foi marcada pelo fortalecimento de sua

    participao no mercado de trabalho e o aumento da sua responsabilidade no

    comando das famlias. A mulher que representa a maior parcela da populao viu

    aumentar nesta poca, o seu poder aquisitivo, o nvel de escolaridade e conseguiu

    reduzir a diferena salarial em relao aos homens. Dentre os resultados dos estudos

    realizados pelo IBGE (2005) sobre as dificuldades enfrentadas pelas brasileiras, cabe destacar os seguintes aspectos: A renda mdia das trabalhadoras passou de R$

    281,00 para R$ 410,00. As famlias comandadas por mulheres passaram de 18%

    para 25%. A mdia de escolaridade das mulheres, que so chefes de famlia,

    aumentou, em um ano, de 4,4 para 5,6 anos de estudos. A mdia salarial passou de

    R$ 365,00 para R$ 591,00, em 2000.

    A importncia e a valorizao da mulher cresceram muito nos ltimos tempos. Pode-

    se notar que o contingente de mulheres que ocupa cargos de chefia tem aumentado

    consideravelmente nas organizaes.

    Em contrapartida aos problemas enfrentados pelas mulheres no alcano do xito

    profissional, o perfil feminino tem sido muito valorizado. Neste sentido, Monteiro (2003)

    constatou que, a preparao de executivos no mercado contemporneo voltada aos valores

    inerentes s mulheres tais como, emoo e sensibilidade, diferentemente dos valores

    considerados masculinos como: a competio, fora e agressividade.

    2.3 POSIO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO ATUAL

    Apesar de toda evoluo e de todas as vitrias conquistadas pela mulher, ela ainda

    enfrenta muitos desafios e preconceitos. Mesmo havendo muitas mulheres em posio de

    destaque no mercado de trabalho, as tarefas domsticas no deixaram de ser consideradas

    funes inerentes mulher.

    Todavia, alm das tarefas domsticas, houve o acrscimo das responsabilidades do

    trabalho fora de casa para auxiliar no sustento da famlia. A mulher tem que se dividir entre as

    funes de esposa e auxiliadora do marido, me, do lar.

  • A mulher enfrentou e ainda enfrenta muitas dificuldades em busca de seus direitos;

    uma luta constante para colocar em prtica o que diz o artigo 5 da Constituio Federal de

    1988: Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos

    brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito vida,

    liberdade, igualdade, segurana e propriedade. (BRASIL, 1988).

    O que faz a diferena no mercado de trabalho que as organizaes buscam

    profissionais que saibam lidar com situaes que envolvem emoes e sensibilidade,

    caractersticas, em sua maioria, exclusivas das mulheres.

    Entretanto, isso no o bastante, alm dessas caractersticas, preciso que os

    profissionais se dediquem mais s funes que lhes so confiadas, a fim de poder alcanar o

    topo e fazer a diferena nesse mercado to competitivo.

    Raquel (2008) aborda que:

    A sociedade, atualmente, apresenta vrias oportunidades de crescimento

    profissional, as quais esto sendo disputadas por profissionais cada vez mais

    qualificados. Para se destacar preciso ser cada vez melhor nas atividades que lhe

    so atribudas. preciso conhecer todos os aspectos relacionados com o ramo da empresa que se trabalha, para poder aplicar os conhecimentos em benefcio da

    empresa, podendo gerar assim resultados positivos.

    Conforme Shinyashiki apud Raquel (2008):

    O que faz a diferena nas organizaes o ser humano, pois as oportunidades de

    aperfeioamento e a moderna tecnologia j esto disponveis e acessveis a todos.

    Atravs das qualidades pessoais torna-se possvel conseguir melhores resultados

    frente ao concorrido mercado de trabalho. Ento, cabe ao profissional desenvolver e aprimorar suas habilidades de forma que desenvolvam-se suas qualidades pessoais,

    podendo assim conquistar novas oportunidades de trabalho.

    O mesmo autor descreve algumas caractersticas que devem estar presentes no ser

    humano, como: afetividade, sensibilidade, percepo aguada, versatilidade, entre outras.

    Contudo, para o sexo masculino, muitas vezes, demonstrar algumas dessas caractersticas

    sinal de fraqueza.

    Neste contexto, as mulheres levam vantagem, pois no se retraem quando o assunto

    demonstrar seus sentimentos. A mulher com todo seu carisma e sensibilidade tem se

    destacado com mais frequncia, visto que desempenha satisfatoriamente as funes de me,

    esposa e, alm de tudo, tem demonstrado sua competncia quando o assunto mercado de

    trabalho.

    2.4 REGULAMENTAES SOBRE A IGUALDADE ENTRE OS SEXOS E PRINCIPAIS

    FORMAS DE DISCRIMIO DA MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

    Apesar da luta da mulher pela igualdade social e dos grandes avanos que o sexo

    feminino obteve no mercado de trabalho, ainda existem obstculos a serem superados pelas

    profissionais que almejam o sucesso nesse mercado to competitivo.

    Uma das formas mais marcantes de discriminao da mulher no mercado de trabalho

    a persistncia na diferena salarial, uma vez que, mesmo ocupando cargos equivalentes aos

    exercidos pelos homens, no Brasil, as mulheres chegam a ganhar at 40% a menos.

    Outro tabu a ser derrubado est relacionado a questes de natureza biolgica e

    cultural, no em razo do trabalho ou da competncia da mulher, mas ao fato de ela ser me,

    esposa, dona de casa e o homem ainda no assumir, com a mesma responsabilidade, tarefas

    realizadas por elas.

  • A lei n 9029 de 13 de abril de 1995 probe a exigncia de atestados de gravidez e

    esterilizao e outras prticas discriminatrias, para efeitos admissionais ou de permanncia

    da relao jurdica de trabalho.

    Os artigos 1 e 2 da mesma lei estabelecem o seguinte:

    Fica proibida a adoo de qualquer prtica discriminatria e limitativa para efeito de

    acesso a relao de emprego, ou sua manuteno, por motivo de sexo, origem, raa,

    cor, estado civil, situao familiar ou idade, ressalvadas, neste caso, as hipteses de

    proteo ao menor prevista no inciso XXXIII do art. 7 da Constituio Federal.

    Constituem crime as seguintes prticas discriminatrias: I - a exigncia de teste, exame, percia, laudo, atestado, declarao ou qualquer outro procedimento relativo

    esterilizao ou a estado de gravidez; II - a adoo de quaisquer medidas, de

    iniciativa do empregador, que configurem; a) induo ou instigamento

    esterilizao gentica; b) promoo do controle de natalidade, assim no

    considerado o oferecimento de servios e de aconselhamento ou planejamento

    familiar, realizados atravs de instituies pblicas ou privados, submetidos s

    normas do Sistema nico de Sade (SUS). (BRASIL, 1995)

    Em 29 de agosto de 1985, criou-se, pela Lei n 7353, o Conselho Nacional dos

    Direitos da Mulher - CNDM, com a finalidade de promover, em mbito nacional, polticas

    que visem a eliminar a discriminao da mulher, assegurando-lhe condies de liberdade e de

    igualdade de direitos, bem como sua plena participao nas atividades polticas, econmicas e

    culturais do Pas. (BRASIL, 1985).

    O artigo 4 da referida lei apresenta os seguintes objetivos:

    a) formular diretrizes e promover polticas em todos os nveis da administrao pblica direta e indireta, visando eliminao das discriminaes que atingem a

    mulher; b) prestar assessoria ao Poder Executivo, emitindo pareceres e

    acompanhando a elaborao e execuo de programas de Governo no mbito federal, estadual e municipal, nas questes que atingem a mulher, com vistas

    defesa de suas necessidades e de seus direitos; c) estimular, apoiar e desenvolver o

    estudo e o debate da condio da mulher brasileira, bem como propor medidas de

    Governo, objetivando eliminar todas as formas de discriminao identificadas; d)

    sugerir ao Presidente da Repblica a elaborao de projetos de lei que visem a

    assegurar os direitos da mulher, assim como a eliminar a legislao de contedo

    discriminatrio; e) fiscalizar e exigir o cumprimento da legislao que assegura os

    direitos da mulher; f) promover intercmbio e firmar convnios com organismos

    nacionais e estrangeiros, pblicos ou particulares, com o objetivo de implementar

    polticas e programas do Conselho; g) receber e examinar denncias relativas

    discriminao da mulher e encaminh-las aos rgos competentes, exigindo providncias efetivas; h) manter canais permanentes de relao com o movimento de

    mulheres, apoiando o desenvolvimento das atividades dos grupos autnomos, sem

    interferir no contedo e orientao de suas atividades; i) desenvolver programas e

    projetos em diferentes reas de atuao, no sentido de eliminar a discriminao,

    incentivando a participao social e poltica da mulher. (BRASIL, 1985).

    Como se pde verificar, embora a lei esteja a seu favor, no so poucos os desafios

    que a mulher tem enfrentado para garantir seus direitos junto sociedade, principalmente

    quando o assunto mercado de trabalho.

    2.5 EVOLUO DA MULHER CONTABILISTA

    A primeira mulher a obter o registro junto ao Conselho Regional de Contabilidade de

    Minas Gerais (CRC/MG), como Bacharel em Cincias Contbeis, foi Maria Divina Nogueira

    Sanches, em 13 de outubro de 1947 na cidade de Belo Horizonte. O nmero de seu registro

    era MG-000151/10, sendo encerrado h onze anos tendo em vista seu falecimento.

  • Segundo Monteiro (2003), atualmente as barreiras existentes para que a mulher possa

    atingir o sucesso so mais fceis de transpor em qualquer profisso, desde que ela possua as

    qualificaes necessrias e se disponha a entregar-se com responsabilidade e dedicao a sua

    escolha.

    Monteiro (2003) ainda relata:

    A mulher contbil vem conquistando seu espao na sociedade. Os papis que eram

    desempenhados exclusivamente por homens, hoje, so realizados com a mesma

    eficincia por mulheres que lutam pela manuteno de seus direitos, apesar da

    desigualdade salarial ainda ser um grande impasse no mercado.

    Monteiro (2003, p.7) tambm afirma que, hoje em dia, para a formao de

    executivos, so levados em conta valores ditos femininos, como a emoo e sensibilidade, e

    no mais a fora, agressividade e a competio.

    Arakaki apud Fortes (2004) esclarece que a contabilidade uma profisso que permite

    trabalhar de forma autnoma, at mesmo em casa, o que facilita na hora de conciliar trabalho,

    casa e famlia. Assim, a contabilidade tornou-se um mercado atraente para mulheres, pois

    oferece flexibilidade.

    Ainda, sob outro ponto de vista, revela-se que as mulheres esto se destacando em

    reas especficas da contabilidade, como a pesquisa.

    Para se ter ideia, as ltimas trs edies do Prmio Professor Hilrio Franco, um

    prmio que prestigia as melhores pesquisas cientficas do setor contbil, foram

    vencidas por mulheres. As mulheres so mais estudiosas que os homens e tendem a

    ser atradas pela rea de pesquisa e ensino. (ARAKAKI apud FORTES, 2004)

    Diante da significativa participao da mulher na contabilidade, em 1991 foi criado

    pelo CFC, o Projeto Mulher Contabilista, tendo como objetivo promover e aprimorar o

    papel das mulheres contabilistas perante a sociedade, alm de impulsion-las ao

    empreendedorismo e a atualizao profissional. Atendendo a esse projeto, aconteceu no Rio

    de Janeiro, em 1991, o I Encontro Nacional da Mulher Contabilista, juntamente com a 43

    Conveno dos Contabilistas do Estado do Rio de Janeiro.

    Desde a criao do projeto, as profissionais vm se reunindo e se organizando em

    encontros promovidos pelo CFC juntamente com os conselhos regionais. O IV Encontro

    Nacional da Mulher Contabilista aconteceu em Belo Horizonte entre os dias 22 a 24 de maio

    de 2003, reunindo cerca de 1.000 (mil) participantes e obteve resultados satisfatrios e

    importantes.

    Nestes encontros so estimulados debates de ideias e aes que possibilitem a

    evoluo de suas carreiras e conscientizem as mulheres contabilistas de sua importncia no

    mercado. Assim como em outros estados, Minas Gerais tambm j instalou a Comisso

    Estadual da Mulher Contabilista.

    Atualmente, a classe contbil conta com aproximadamente 5145 profissionais do sexo

    feminino, com cadastro no CRC. As mulheres representam 37% dos profissionais de

    contabilidade no Brasil, perfazendo um total de mais de 140 mil contabilistas em plena

    atividade (CFC, 2010).

    A tendncia que ocorra ainda um crescimento maior da participao feminina na

    rea, pois as condies intelectuais e a dedicao profisso so caractersticas que no

    faltam s mulheres que ingressam no mercado de trabalho da contabilidade.

    3 METODOLOGIA

  • Para alcanar os objetivos propostos nesse estudo, foram utilizadas a pesquisa

    descritiva, a de levantamento de dados e a bibliogrfica. Usou-se, tambm, as abordagens

    qualitativa com o emprego de dados j existentes e uma anlise crtica do material levantado e

    quantitativa, tendo em visto o emprego de instrumentos estatsticos.

    Na pesquisa, abordou-se o mtodo dedutivo, com o intuito de compreender como se

    deu a evoluo da mulher na rea contbil, e o mtodo de procedimento histrico, tendo em

    vista a investigao dos acontecimentos na caminhada da mulher contabilista, para que se

    verificasse a sua influncia na sociedade.

    Os instrumentos de pesquisa utilizados foram: questionrios e fontes secundrias como

    livros, jornais, revistas, internet. Os questionrios foram utilizados na coleta de dados de cerca

    de 10% das mulheres que atuam na rea contbil, com registro no CRC-MG.

    O universo estudado foram mulheres contabilistas com registro no CRC-MG. Os

    questionrios foram enviados por e-mail ou entregues pessoalmente. Encaminhou-se 500

    (quinhentos) questionrios, sendo que apenas 172 retornaram. Isso representa 34,4% do total

    da amostra proposta.

    4 DADOS E ANLISE DA PESQUISA

    No questionrio, abordaram-se as seguintes informaes: formao escolar, idade,

    conhecimento de lngua estrangeira, se possui ou no escritrio contbil, razes para a escolha

    da profisso, dificuldades da atuao da mulher contabilista no mercado de trabalho,

    caractersticas para se alcanar sucesso profissional, rea de atuao, se h remunerao

    diferenciada comparada a dos homens que exercem a mesma funo e o nvel de satisfao

    com a profisso.

    importante ressaltar que essa pesquisa foi elaborada entre aquelas profissionais que

    ainda no alcanaram posio de destaque. Conforme anlise dos resultados constatou-se que

    essas profissionais esto cada vez mais conscientes e se preparando para alcanar patamares

    mais altos, por meio da educao continuada e atualizao constante de seus conhecimentos.

    O grfico 1 apresenta a formao das contabilistas: 29% possuem apenas o nvel

    tcnico; dessas, 40% esto fazendo o curso de graduao em Cincias Contbeis. A maior

    parte das entrevistadas possui nvel superior, representando 51%. Os outros 20%, so ps-

    graduadas e possuem outras especializaes nas diversas reas de atuao da contabilidade.

    Grfico 1 Nvel de Formao Profissional

    51%

    29%

    20%

    Nvel Superior

    Nvel Tcnico

    Outros

    Fonte: Dados da pesquisa

  • Observando o grfico 2, tem-se o ano de concluso da graduao das contabilistas com

    nvel superior completo variando de 1989 a 2009, sendo que, 35% das entrevistadas

    concluram a graduao em 2004. J 22% se graduaram em 2007. As contabilistas que

    concluram a graduao entre 1989 e 2001 representam 23% e nos anos de 2008 e 2009, 20%.

    Grfico 2 Ano de concluso da graduao em Cincias Contbeis

    35%

    22%

    15%

    8%

    6%5%

    4% 4% 1%

    2004

    2007

    2008

    1997

    1996

    2009

    1995

    2001

    1989

    Fonte: Dados da pesquisa

    Como mostra o grfico 3, a faixa etria predominante de at 30 anos, que representa

    27% das contabilistas pesquisadas. Dessas, 60% possuem apenas o nvel tcnico. Das

    profissionais com faixa etria acima de 30 anos, 64% esto cursando nvel superior ou j o

    possuem.

    Grfico 3 Faixa Etria

    27%

    21%18%

    17%

    14%3%

    At 30 anos

    De 41 a 45 anos

    De 31 a 35 anos

    De 36 a 40 anos

    de 46 a 50 anos

    Mais de 50 anos

    Fonte: Dados da pesquisa

    Ao serem questionadas se possuem conhecimento de lngua estrangeira, 35% das

    entrevistadas responderam afirmativamente, mostrando o ingls em primeiro lugar, seguido

    pelo francs. Aparecem tambm, em pequena escala, o italiano, o espanhol e o alemo.

  • As contabilistas que possuem escritrio de contabilidade representam 36% das

    entrevistadas com faixa etria variada. No entanto, existe predominncia nas faixas entre os

    36 e 50 anos.

    Na questo referente a quem essas profissionais tm como scios, 59% afirmaram ter

    sociedade com homens. Nesse caso, observa-se que o sexo masculino ainda maioria atuante

    no setor contbil. O fato se d devido dupla jornada que a mulher tem sobre sua

    responsabilidade, tendo que se dividir entre as tarefas do lar e a vida profissional.

    Quando questionadas sobre quem tem maior contato com os clientes na entrega de

    relatrios e demonstraes contbeis, quase a totalidade das mulheres, ou seja, 79%

    afirmaram que os homens, na maioria das vezes, so responsveis por essa tarefa. Um nmero

    irrelevante de entrevistadas chegou a afirmar que isso se deve ao fato de o homem possuir

    maior conhecimento tcnico.

    Fato semelhante ocorreu quando foram perguntadas sobre quem mais solicitado no

    momento de prestar consultoria aos clientes. Mesmo com toda evoluo no mercado de

    trabalho, ainda existem certos tabus a serem derrubados com relao atuao da mulher na

    rea contbil.

    O grfico 4 demonstra a questo relativa s razes da escolha pela profisso, as

    contabilistas pesquisadas poderiam escolher quantas opes fossem necessrias para

    demonstrar os motivos que as levaram a ingressar na profisso contbil.

    Do universo pesquisado, constatou-se que, a maioria, cerca de 80%, acredita que

    existe um bom mercado de trabalho para esta profisso. Nenhuma das entrevistadas escolheu

    a profisso por acreditar que existe facilidade para ingressar no curso superior. A afinidade

    natural com a profisso demonstrou ser um dos motivos tambm de grande relevncia,

    representado 60% das opes. Outros motivos foram levantados tais como: dar continuidade

    ao escritrio que era da me, a primeira opo de trabalho que conseguiu e mais tarde tomou

    gosto pela profisso.

    Grfico 4 Razes pela escolha da profisso

    20%

    21%

    51%

    60%

    80%

    0% 20% 40% 60% 80% 100%

    Boas oportunidades salariais

    Outras

    Por ser uma profisso liberal

    Afinidade com a profisso

    Existe um bom mercado de trabalho para este profissional

    Fonte: Dados da pesquisa

    Do total das profissionais que atenderam pesquisa, 51% afirmam que no existem

    dificuldades quanto ao exerccio da contabilidade por mulheres, como demonstrado no grfico

    5. J, 28% alegaram que sofrem ou j sofreram discriminao sexual, e 14% teve ou tem

    dificuldades no trabalho decorrentes de suas atividades familiares e domsticas. Nenhuma

  • profissional trabalha apenas para complementar a renda do marido, o que demonstra que os

    outros motivos, como diferena salarial entre homens e mulheres, aparecem como sendo mais

    significativos.

    Diante deste resultado, cabe ressaltar que o sexo feminino est ocupando mais seu

    devido espao no mercado de trabalho, tendo uma boa aceitao por parte das organizaes.

    Silva (2009) descreve que a crescente presena das mulheres no mercado formal de trabalho

    uma realidade atual em todo o mundo. O fato que est havendo uma valorizao maior do

    sexo feminino no mercado de trabalho, e as contabilistas esto acompanhando esta

    tendncia.

    Grfico 5 Dificuldades da atuao da mulher contabilista no mercado de trabalho

    51%

    28%

    14%7% No existem dificuldades

    Discriminao sexual

    Ocupao com casa e/ou filhos

    Outras

    Fonte: Dados da pesquisa

    As profissionais pesquisadas atuam em diferentes reas da contabilidade. Elas

    exercem sua profisso como scias de empresa contbil, funcionrias, na controladoria, em

    consultoria, na contabilidade geral, no setor financeiro, na rea tributria ou em custos e

    oramentos. A diversificao encontrada durante a pesquisa e demais reas existentes vm

    comprovar a amplitude das possibilidades de trabalho oferecida pela profisso contbil.

    As mulheres pesquisadas elegeram a dedicao e a competncia como caractersticas

    principais para se obter sucesso na profisso, sendo que essas caractersticas foram escolhidas

    por 100% das entrevistadas. J 85% das contabilistas consideram que, para se obter sucesso

    profissional, preciso gostar da profisso, manter-se atualizada com a legislao e ter

    honestidade; em seguida esto a educao continuada e a questo da tica do contador, ambos

    com 71%, como mostra o grfico 6. O fator sorte tem um pequeno significado, representando

    14%. Isso evidencia que o sucesso depende principalmente do trabalho e esforo individual e,

    sobretudo, pelo gosto da profisso.

  • Grfico 6 Caractersticas que a mulher deve possuir para alcanar sucesso profissional

    14%

    71%

    71%

    85%

    85%

    85%

    100%

    0% 20% 40% 60% 80% 100%

    Ter sorte

    Educao continuada

    Cumprir o Cdigo de tica do Contabilista

    Manter-se atualizada com a legislao

    Honestidade

    Gostar da profisso

    Dedicao e Competncia

    Fonte: Dados da pesquisa

    Questionadas sobre a igualdade da remunerao das mulheres comparada a dos

    homens que ocupam a mesma posio nas empresas, 71% delas responderam que os homens

    so mais bem remunerados.

    Mais uma vez notou-se que, ainda existem preconceitos em relao ao

    profissionalismo do sexo feminino; a diferena salarial continua sendo um obstculo a ser

    ultrapassado pelas mulheres. certo que houve uma reduo nessa diferena, embora no se

    conseguiu chegar a um patamar de igualdade.

    Sobre o grau de satisfao profissional, observou-se que aquelas profissionais que no

    possuem o curso superior, no se sentem completamente realizadas, porque demonstraram o

    interesse de continuar seus estudos. Alm disso, foram citadas questes como o fato de,

    mesmo atuando na contabilidade, 75% dessas mulheres no atuam totalmente na rea que

    desejam. Outras disseram que ainda tem muito que aprender. As demais se sentem satisfeitas

    com a profisso e demonstraram a importncia de no permanecerem estticas diante dessa

    satisfao, buscando sempre a valorizao do seu trabalho e um sucesso maior.

  • Ao serem questionadas se veem dificuldade no exerccio da profisso, a maioria das

    entrevistadas disseram que a mulher to profissional e competente quanto o homem, j que

    so capazes at de super-los no exerccio de algumas funes pertinentes a contabilidade.

    Algumas contabilistas ainda veem dificuldade com relao maternidade, pois,

    infelizmente, ainda existem empresas que no momento da contratao se preocupam, no com

    o potencial do profissional, mas com o fato de esse profissional ser mulher. O contratante

    alega que essas mulheres correm o risco de engravidar e terem que ficar todo o perodo de

    licena maternidade longe da empresa.

    Esse apenas mais um dos obstculos a ser ultrapassado pelo sexo feminino. No

    entanto, ainda assim, a mulher tem alcanado posies de sucesso, e a tendncia que isso

    ocorra com mais facilidade, pois a aceitao da mulher no mercado cresce com muita

    frequncia.

    4.1 CARACTERSTICAS E EXPECTATIVAS DA MULHER CONTABILISTA DE BELO

    HORIZONTE - MG

    Apesar de no fazer parte dessa pesquisa, interessante comentar que existe um

    nmero significativo de mulheres que trabalham em escritrios de contabilidade e na rea

    contbil de empresas que no possuem uma formao profissional, mas to somente a prtica.

    Tendo em vista que o curso tcnico de contabilidade encontra-se praticamente extinto,

    crescem as possibilidades daquelas funcionrias que gostam e se identificam com a rea

    prestarem vestibular para o curso de Cincias Contbeis.

    Os dados apresentados pela pesquisa demonstram que o sentimento que impulsiona as

    profissionais da Contabilidade compatvel com as exigncias de qualquer profisso da

    atualidade. O mercado est exigindo profissionais competentes, preocupados com a educao

    continuada e que acompanhem com eficincia as constantes mudanas da legislao.

    A dedicao e o gosto pela profisso esto sendo os alicerces para se alcanar o

    sucesso. O desejo e a necessidade de continuar os estudos, aliado ao maior nmero de escolas

    que oferecem o curso de cincias contbeis e ps-graduao na rea, esto aumentando as

    expectativas e oportunidades de aperfeioamento tcnico. Honestidade, responsabilidade e a

    utilizao prtica do cdigo de tica esto presentes no dia-a-dia das profissionais. Valorizar a

    profisso contbil uma preocupao constante.

    O destaque na profisso se deve ao engajamento poltico nas entidades de classe,

    persistncia, sensibilidade to peculiar s mulheres, busca constante pelo aperfeioamento

    e, talvez, a principal caracterstica para se ter xito em qualquer profisso, gostar do que faz e

    se sentir feliz com isso.

    Esse reconhecimento vem crescendo junto aos profissionais do sexo masculino, o que

    oferece e incentiva as mulheres a trabalharem ao lado dos homens, sem discriminaes, mas

    sim, buscando exercer a profisso com todas as suas possibilidades.

    5 CONSIDERAES FINAIS E SUGESTES

    A mulher contabilista est se fortalecendo e alcanando reconhecimento pelo seu

    trabalho. Nos ltimos anos, esse reconhecimento est mais acelerado devido conscientizao

    das prprias profissionais que assumem uma postura mais segura e confiante.

    Essa segurana se deve ao fato de que no somente a sociedade, mas, a prpria mulher

    reconhea e assuma seu papel de agente de transformao social. Essa conscientizao vem

    sendo adquirida, principalmente, em eventos e encontros peridicos, cuja preocupao

    abordar temas inerentes ao trabalho da mulher contabilista, inseridas em todos os meios

    sociais.

  • A participao da mulher contabilista mineira no meio contbil visvel nos nmeros

    crescentes de registros do CRC/MG. Entretanto, ela precisa criar novas frentes de participao

    feminina nas diversas esferas da sociedade, ingressando em cargos de liderana, poltica e

    outros.

    Os obstculos encontrados pelas profissionais que iniciaram suas carreiras h alguns

    anos foram ultrapassados ou minimizados, abrindo caminho para as novas profissionais, que

    encontram um mercado muito mais acessvel ao trabalho da mulher.

    As expectativas das profissionais entrevistadas so de que, atualmente, o sucesso

    depende muito mais do esforo pessoal, em que cada uma tem que encontrar o seu caminho, a

    sua rea de atuao dentre as tantas que o mercado oferece, e preocupar, sobretudo, com a

    educao continuada. Assim, a mulher contabilista se sentir mais preparada, cabendo, agora,

    assumir definitivamente o seu espao no exerccio da profisso e perante a sociedade.

    Para isso, sugere-se a criao de novas leis e projetos que visem proteo dos

    direitos da mulher no mercado de trabalho e a obrigatoriedade de igualdade salarial entre

    homens e mulheres que desempenham a mesma funo.

    Portanto, chega-se a seguinte concluso em relao ao problema proposto: a mulher

    tem se destacado como agente de transformao da sociedade, quebrando paradigmas,

    vencendo preconceitos e superando seus limites, ocupando seu lugar na sociedade e fazendo a

    diferena no mercado de trabalho. Atravs da luta da mulher pela conquista do seu espao,

    novos caminhos se abrem no mercado de trabalho e as contabilistas tm acompanhado essa

    tendncia.

    REFERNCIAS

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