A ESPIRAL DO CONHECIMENTO INT...as comfeces do Prado-BH - Cap 2.pdf

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25 papel dessas MPMEs. Mostramos ainda a evoluo do papel da localizao nas teorias econmicas e sua atual relevncia. Trabalhamos ainda os diversos conceitos de aglomeraes produtivas, aprofundando o conceito de APL (Albagli (2003), (2002), Aun e outros (2005), Cassiolato e Lastres(1999), Cassiolato e Szapiro(2003). No Captulo 5 Recorte metodolgico discutimos as metodologias de pesquisa utilizados nas Cincias Sociais, explicitamos nossos procedimentos metodolgicos e descrevemos nossa unidade de anlise: um agrupamento produtivo de confeces do bairro, Prado, em Belo Horizonte, justificando sua escolha. No Captulo 6 O Prado como Arranjo Produtivo Local apresentamos os resultados de nossa pesquisa No captulo 7 Consideraes finais: surge um APL - apontamos possibilidades de pesquisas futuras que acreditamos ter encontrado durante nosso trabalho. 26 CAPTULO 2 27 2 INFORMAO, LOCALIZAO E COMPARTILHAMENTO 2.1 O conceito de Informao Para Gonzlez de Gmez (2001) a importncia da informao como componente principal das sociedades contemporneas tem tido como conseqncia a disputa pela sua definio autorizada por mltiplas arenas meta-discursivas mas, ainda segundo a autora, espera-se da Cincia da Informao a definio do que propriamente pode ou no chamar-se informao. Da, para muitos, a dificuldade da abordagem conceitual sobre o sentido da palavra informao. Buckland (1991) percebeu a ironia do termo informao, que busca o tornar-se informado, com reduo de ignorncia e de incertezas, ser ambguo em si mesmo e ser usado em grande variedade de sentidos. E o mesmo Buckland que, depois de mergulhar na pesquisa da variedade de sentidos e nos diversos autores, sistematizou e sintetizou a reflexo sobre o significado do termo informao, ao identificar trs principais usos da palavra informao: 1) informao enquanto processo, 2) informao enquanto conhecimento e 3) informao enquanto coisa. O primeiro sentido da palavra informao relativo transformao das pessoas por meio do conhecimento da informao. O ato de receber a informao e com seu recebimento, transformar a base de conhecimento do receptor. Ou, transcrevendo-o literalmente: quando algum informado, aquilo que ele sabe mudado. (...) , transformado. O segundo sentido vai alm do primeiro sentido, alm do processo. , de certa forma, o contedo da informao no sentido anterior. o que percebido atravs da informao-processo. Sua caracterstica a de ser intangvel, no mensurvel. Conhecimento, crenas e opinies so pessoais, subjetivas, conceituais. Mas, para comunic-las ou express-las necessrio represent-las de alguma forma 28 fisicamente, seja atravs de sinais, de textos ou de imagens. A informao aparece, ento, com o seu terceiro significado: a informao materializada, codificada e assim transformada em algo palpvel, tangvel: livros, instrues, dados. O avano tecnolgico, a quantidade cada vez maior de informaes produzidas, a crescente prtica de referir-se s comunicaes, os bancos de dados, livros, etc, como informao nos empurra na direo de reconhecer essa dimenso. A informao-coisa, qualquer que seja seu nome, de especial importncia para os sistemas de informao porque estes, cada vez mais, incluindo a os sistemas especialistas e sistemas de recuperao de informaes, s conseguem lidar com informaes no formato de registro. Sintetizando essa questo: ele divide as informaes em intangveis (conhecimento e informao enquanto conhecimento) e tangveis (a representao fsica das primeiras: informao enquanto coisa). Hjorland e Capurro (2004) afirmam que o conceito informao, entendido como comunicao do conhecimento, desempenha importante papel nos dias atuais, e que o conhecimento e a sua transmisso so fenmenos bsicos na sociedade humana. As transformaes tecnolgicas centradas nas tecnologias da informao ocorridas na segunda metade do ltimo sculo modificaram profundamente todo o cenrio social da vida humana. O capitalismo passou por um processo de profunda reestruturao caracterizada por, dentre outras coisas, maior flexibilidade de gerenciamento e descentralizao das empresas, alm de sua organizao em redes tanto internamente quanto em suas relaes com outras empresas, obrigando as economias de todo mundo a manter uma interdependncia (CASTELLS, 2000). Segundo Cassiolato (1999) a computarizao de toda funo dentro da empresa (design, P&D, produo, mercadolgica e administrativa) levou a um novo tipo de 29 organizao e a um novo estilo de administrao, alm do estabelecimento de novos relacionamentos entre as instituies. A cada dia surgem novos produtos, processos e insumos, novos mercados, novas formas de organizao; novas formas de gerar e transmitir conhecimentos e inovaes; de produzir e comercializar bens e servios; de definir e implementar estratgias e polticas; novas formas de organizar e operar empresas e outras instituies pblicas e privadas. Inovaes de todos os tipos foram e esto sendo geradas e difundidas, cada vez mais velozmente (LASTRES E FERRAZ, 1999). Encurtando tempo e espao, as inovaes e tecnologias passam a afetar em muitos aspectos a economia e largas parcelas da vida social, cultural e poltica das diferentes sociedades. Todos os planos da atividade humana sofreram um processo de transformao de dimenso at ento nunca experimentada em outras pocas por outros povos (AUN, 2001). Segundo Cassiolato (1999) paralelamente difuso de uma grande variedade de inovaes por toda a economia, evidencia-se uma mudana de paradigma das tecnologias intensivas em capital e energia e de produo inflexvel e de massa (baseadas em energia e materiais baratos) para as tecnologias intensivas em informao. Os anos 90 caracterizam-se por rpidas mudanas em design e mix de produtos eletrnicos, alm do fortalecimento das caractersticas relacionadas ao novo paradigma tcnico-econmico: velocidade, capacidade de armazenamento, flexibilidade, networking e forte convergncia entre as tecnologias de computao com as tecnologias de telecomunicaes. Na esteira dessas transformaes emergem, desde a dcada de 70, persistentes afirmaes de que as sociedades do mundo ocidental ingressaram em uma nova era 30 da sua histria (KUMAR, 1997; LASTRES e FERRAZ, 1999; CASTELLS, 2000; AUN, 2001, COCCO, SILVA e GALVO, 2003, ALBAGLI, 2005). A emergncia dessa Sociedade da Informao veio se manifestando por todo um conjunto de transformaes profundas em todos os nveis: geopoltico, informacional, cultural, social, tecnolgico, organizacional, comercial, industrial e institucional, propiciadas pela generalizao do uso das tecnologias de informao e telecomunicao e das redes de informao. Fala-se ento de uma sociedade informatizada que desmistifica limites e fronteiras gerando uma mundializao de fluxos de informao, tornando o mundo mais complexo no ambiente de transformaes do processo de globalizao.(Aun , 2001, p.51-52) Ao longo desse perodo diversos termos como Economia da Informao, economia baseada no conhecimento e Sociedade da Informao, dentre outros, so cunhados para identificar a nova era ou nova economia. J em 1999, Cassiolato afirmava, identificando as mudanas nas ocupaes do mercado de trabalho: De fato, a proporo de trabalho que simplesmente manuseia bens tangveis, ao longo do processo produtivo, tem cada vez mais se tornado menos significativa do que a proporo do trabalho responsvel pela produo, distribuio e processamento do conhecimento. A expanso absoluta e relativa das atividades e dos setores intensivos em conhecimento tem caracterizado os processos de desenvolvimento nas ltimas dcadas. (Cassiolato, 1999, p.172-173) Petit (1998) relaciona as mudanas estruturais combinao de 4 (quatro) evolues: a difuso das novas tecnologias de informao e telecomunicao (TICs), o enorme crescimento das atividades tercirias (terciarizao), a expanso da internacionalizao das economias e dos mercados (mundializao) e o crescimento do nvel de educao e do estoque de conhecimentos. 31 Castells (2000) afirma que a principal caracterstica da Sociedade da Informao vem do fato de ela ser organizada em redes, constituindo uma nova morfologia social das sociedades. Aun (2001) cita os elementos que considera determinantes na diferenciao da Sociedade da Informao da sociedade industrial: A informao usada como recurso econmico, aumentando a eficcia, a competitividade e estimulando a inovao das empresas e servios pblicos; Grande ampliao do uso da informao pelo grande pblico nas atividades de consumo e no conhecimento de direitos sobre os servios pblicos; A economia e a sociedade desenvolvem um setor de informao e sua infra-estrutura para responder demanda pelos meios e servios de informao; O pertencimento Sociedade da Informao (por um pas) caracterizado pelo crescimento do setor de informao a uma taxa maior e mais rpida que todo o conjunto da economia. Cocco, Silva e Galvo (2003) afirmam: os discursos em torno do novo e da inovao tm convergido nas ltimas dcadas... em apreender a emergncia de uma economia do conhecimento, na qual o saber manifesta-se enquanto fora produtiva e fator de produo fundamental nas economias contemporneas. Bueno e Jannuzzi (2005) mostram que a evoluo das ocupaes que se baseiam na gerao, disseminao e utilizao da informao e conhecimento, sobrepondo-se, quantitativamente, em alguns pases, s ocupaes que se caracterizam pelo uso das habilidades manuais, uma evidncia dessas mudanas e gerou o conceito Economia da Informao, relacionado aos estudos das mudanas estruturais nos fatores de produo j citados. A informao e o conhecimento sempre constituram importantes alicerces dos diferentes modos de produo (LASTRES e FERRAZ, 1999 e BARBOSA e PAIM, 2003). O que torna a informao especialmente significante nos dias atuais sua natureza digital, com importantes reflexos na crescente capacidade de codificao 32 do conhecimento, no aumento da velocidade de transmisso e na confiabilidade, alm da reduo drstica dos seus custos de armazenamento, processamento e comunicao e disseminao. Como conseqncia a informao e o conhecimento passaram a desempenhar um novo e estratgico papel e as TIs passam a ser fundamentais para a gesto pblica, privada e individual (LASTRES e FERRAZ, 1999), colocando em xeque os enfoques e modelos que predominam na chamada teoria econmica tradicional e exigindo aportes tericos das diversas cincias que dem conta de explicar seus impactos. Da Hjorland e Capurro (2004) afirmarem que a coisa mais importante na Cincia da Informao considerar a informao como uma fora constitutiva na sociedade e, assim, reconhecer a natureza teleolgica dos sistemas e servios de informao. Naturalmente a CI tem uma histria e um corpo terico que no permitem que se perca de vista, o que Saracevic e Wood (1981) chamam de importante papel da CI: o de consolidar informaes com o propsito de servir s necessidades dos cidados e / ou grupos sociais na soluo de problemas e no suporte tomada de decises na direo do desenvolvimento econmico; cidados e / ou grupos sociais estes que no teriam outra forma de obter efetiva e eficientemente essas informaes. (Saracevic e Wood, 1981, p.9-10) 33 2.2 Valor da Informao, Conhecimento e Competitividade A crescente desmaterializao, dos produtos, processos e ferramentas5, conseqentes do aumento significativo da parcela da informao e do conhecimento nos mesmos, traz tona a discusso sobre o valor dos mesmos. No mercado atual as informaes so vendidas, tm demanda, ampliam as ocupaes dos profissionais de informao, muitos com uma remunerao acima da mdia. Estudos americanos mostram que essa evoluo no nmero dos chamados colarinhos brancos (trabalhadores envolvidos nas atividades de gerao, disseminao e utilizao da informao e conhecimento) j se manifestava nas dcadas de 50 e 60, atingindo 45,8% da mo de obra ocupada em 1995. Um estudo de Bueno e Jannuzzi (2005) sobre o Censo Demogrfico de 2000 dimensiona essa categoria no Brasil, utilizando a mesma metodologia e proposta conceitual utilizada pelos principais trabalhos internacionais e a nova Classificao Brasileira de Ocupaes (MTE 2002): 18,2% da populao economicamente ativa no Brasil j trabalha no setor de informao, contra a mdia de 40% dos pases mais desenvolvidos. Esse mesmo estudo mostra que a massa de rendimentos apropriada pelos trabalhadores do setor alcana mais de 37% em nvel nacional, mais que o dobro da representao percentual do setor. 5 Em 1993 as matrias primas no representavam mais do que 2% a 3% do custo de produo dos componentes microeletrnicos e depois disso j houve um avano na miniaturizao. Um acordo entre o governo americano e a indstria automobilstica, em 1997, estipulou a reduo a um tero do consumo de combustvel e emisso de CO2, e teve como conseqncia a reduo de 50% na massa mdia dos veculos. Portanto, 50% menos de matria. Marques (1999) traz interessantes dados sobre essa desmaterializao nas diversas atividades econmicas. 34 A tarefa de quantificar o valor da informao e do conhecimento acaba sendo uma exigncia ou melhor, uma necessidade. No cotidiano econmico a informao e o conhecimento so fundamentais para o sucesso: inovao de produtos e processos, soluo de problemas, planejamento estratgico, tudo isso necessita de informaes precisas, oportunas, teis, abrangentes e relevantes. Algumas informaes podem ter valor intrnseco, ser irrestritas em termos de custo, gerar demanda ilimitada e se destinar a consumo final. Outras podem ter valor utilitrio, ser altamente dependentes do custo, destinar-se a demandas flutuantes e destinar-se a consumo intermedirio. A valorizao correta da informao e do conhecimento talvez dependa de uma evoluo do pensamento econmico. Afinal, so mercadorias diferentes das outras, como colocado por Corsani: Desincorporados de qualquer suporte material, os conhecimentos desequilibram as teorias de valor, tanto a marxista quanto a neoclssica, recolocando o problema de sua valorizao, pois, em virtude mesmo de sua desincorporizao, eles podem ser reproduzidos, trocados, utilizados separadamente do capital e do trabalho. Quais so essas caractersticas especficas que fazem do conhecimento uma mercadoria diferente das outras? De maneira muito esquemtica, pode-se dizer que sua produo escapa lei dos rendimentos decrescentes e que, a fortiori, eles no so escassos. Tentemos agora declinar suas especificidades. Para tanto, partiremos do consumo de conhecimentos: ele no destruidor, ou seja, o fato de utilizar conhecimentos no implica o esgotamento de sua utilidade ou sua degradao. Ao contrrio, a utilizao de um conhecimento uma atividade criadora, pois como conhecimento em ao ele evolui com o uso subjetivo que se faz dele. Quanto troca, ela no comporta nem sacrifcio. Neste sentido, no caso dos conhecimentos, a troca no seno uma metfora, pois algum que d um conhecimento no fica por isso privado dele. O conhecimento tem um valor-utilidade, mas esse no dado antecipadamente: ele objeto de uma produo de sistemas de valores/conhecimentos. Conseqentemente, esse valor-utilidade se define no prprio interior do processo de produo e difuso/socializao dos conhecimentos. Alm disso, o conhecimento s tem valor se for trocado, ou seja, quando se difunde, mas ao mesmo tempo sua difuso coincide (ou quase) com a sua socializao. Em razo disso, ele perde rapidamente seu valor para o detentor inicial. O custo de reproduo muito baixo, qui nulo; o custo de produo de um conhecimento , contudo, submetido lea, incerteza que pesa sobre o processo de inovao enquanto processo de novos conhecimentos, mas tambm incerteza quanto sua validao social. 35 Tantas caractersticas especficas (...) fazem com que sua valorizao no possa funcionar segundo as mesmas leis que fundam a valorizao das mercadorias. (Corsani, 2003, p.28-29) No obstante, teses que consideram o mundo globalizado e sem fronteiras supem tambm que as informaes, conhecimentos e tecnologias so simples mercadorias, passveis de serem transferidas no mercado via os tradicionais mecanismos de preo. Acredita-se, ainda, na intensificao das possibilidades de codificao dos conhecimentos, aproximando-os de uma mercadoria passvel de ser apropriada, armazenada, memorizada, transacionada e transferida, alm de poder ser reutilizada, reproduzida e licenciada ou vendida indefinidamente e a custos crescentemente reduzidos (LASTRES e ALBAGLI, 1999). Embora a codificao do conhecimento tenha permitido que uma parcela do mesmo tenha caractersticas de commodity, tal comoditizao apresenta limites, como veremos mais frente (CASSIOLATO, 1999). Na prtica, no mundo moderno, no qual se privilegia a especulao, o valor das empresas tem crescido de forma significativa, notadamente mas no unicamente (SVEIBY, 1998) - as de alta tecnologia, descoladamente do ativo palpvel, tangvel6. O que acaba provocando a necessidade de medir esse ativo das organizaes, talvez at para justificar o seu valor de mercado. Por conseqncia, torna-se importante o estudo do valor intangvel dessas organizaes. Quando o preo de mercado maior que o valor contbil, a teoria convencional do mercado acionrio considera o gio uma avaliao de mercado do potencial de ganhos futuros...Portanto, deve haver algo entre os ativos da empresa que, no futuro, venha a render...Esses ativos so invisveis porque no so contabilizados. 6 Em 1995 as aes da Microsoft eram negociadas a U$70, contra um valor contbil (ou patrimonial) de U$7. Quando desenvolveu o software Java as aes da Sun sofreram uma valorizao de U$ 4,4 bilhes em apenas 18 meses, sem nenhuma correspondncia de crescimento patrimonial da empresa. Exemplos de diferenas entre valores contbeis e de mercado de empresas de vrios setores da economia so citados em Sveiby (1998). 36 So intangveis por no se tratar de tijolo, cimento, nem dinheiro; ou seja, no so concretos, palpveis. (Sveiby, 1998, p.9) Sveiby (1998) sustenta ainda que so 3 (trs) os tipos de ativos intangveis das empresas: competncia7 dos funcionrios, estrutura interna (patentes, conceitos, modelos e sistemas administrativos e de computadores, cultura organizacional) e estrutura externa (relaes com clientes e fornecedores, marcas, marcas registradas, reputao e/ou imagem da empresa ). O autor acrescenta que essa compreenso importante porque vivemos num novo paradigma (economia do conhecimento) e fundamental para a sobrevivncia das organizaes saber gerenciar esses ativos intangveis nesse ambiente, tendo a percepo, ainda, como veremos a seguir, de que todos esses ativos esto diretamente ligados ou so estruturas de conhecimento. Sveiby considera que a competncia dos funcionrios no s um dos trs ativos intangveis, mas tambm a fonte dos outros dois (estrutura interna e estrutura externa). Para Sveiby o conceito competncia, que engloba o conhecimento, a habilidade, a experincia, os julgamentos de valor e as redes sociais8; a melhor maneira de descrever conhecimento no contexto empresarial. Mas que para entender o que competncia necessrio, primeiro, definir conhecimento. Fundamentado basicamente na teoria do conhecimento que Michael Polanyi desenvolveu no final da dcada de 40 e incio da de 50, Sveiby acredita que o conhecimento possui quatro caractersticas: tcito, orientado para 7 So vrios os conceitos de competncia. Barbosa e Rodrigues (2005) citam os esforos de Bittencourt (2001) e Barbosa (2002) para inventariar esses diversos significados do conceito, que resultam em diferentes conotaes e nfases. Como afirmam Barbosa e Rodrigues (2005) e tambm Ruas e outros autores (2005), so diferentes abordagens usadas na educao, formao profissional, economia e estratgia, sociologia do trabalho, direito e gesto de pessoas, dentre outros. Barbosa e Rodrigues (2005), ao pesquisarem os modelos de gesto de competncias usados por grandes organizaes brasileiras, trazem uma pequena sistematizao conceitual do tema. 8 Sveiby considera que esses elementos da competncia so mutuamente dependentes: o conhecimento explcito (adquirido quase sempre pela educao formal), a habilidade (envolve uma proficincia prtica fsica e mental. adquirida por treinamento e inclui o conhecimento de regras de procedimento e habilidades de comunicao), a experincia (adquirida pela reflexo sobre erros e sucessos passados), julgamentos de valor (so percepes do que o indivduo acha ser o correto. Agem como filtros para o processo de aprendizagem) e as redes sociais (formadas pelas relaes dos indivduos num ambiente e numa cultura determinada). 37 a ao, sustentado por regras e est em constante mutao. Polanyi v o conhecimento como algo pessoal formado dentro de um contexto social e individual. E afirma que o conhecimento subjacente ao conhecimento explcito fundamental. Para ele todo conhecimento tcito ou tem razes no conhecimento tcito (na prtica). Assim construdo e transmitido socialmente influenciados pelas experincias e conceitos dos indivduos (isso vai ser interessante em nossa anlise posterior). O nosso repertrio de conhecimentos acumulado, segundo o autor, pelas experincias sensoriais9: o conhecimento uma atividade. Com o tempo, criamos no nosso crebro inmeros padres que agem como regras inconscientes para lidar com as situaes. Essas regras10 poupam tempo e energia e so fontes da fantstica diferena de velocidade entre o consciente e o inconsciente, alm de desempenharem um papel vital na aquisio e aperfeioamento de habilidades. Importante constatao que para utilizar as ferramentas intelectuais (as regras) preciso confiar no contexto social. Vemos tambm, do conceito de competncia e da definio de conhecimento, que a competncia depende, em grande parte, do ambiente, especialmente para os componentes empricos e da rede social. A preocupao com os fenmenos informao e conhecimento nas organizaes no recente. Informao e conhecimento sempre foram matrias adquiridas, processadas, produzidas, armazenadas, distribudas e utilizadas nas organizaes de toda natureza. As mudanas paradigmticas de final de sculo que deram um novo papel poltico, social, cultural e econmico informao e ao conhecimento, 9 A mente subconsciente, responsvel pelas atividades sensoriais, um milho de vezes mais rpida do que a mente consciente (Norretranders apud Sveiby, 1998). 10 Embora teis, as regras so limitadoras porque filtram os conhecimentos novos. Fazer as coisas de maneira automtica desligar a capacidade de criar novos conhecimentos. 38 com reflexos em suas manifestaes organizacionais (BARBOSA e PAIM, 2003). Nesse contexto, a informao e o conhecimento tm adquirido status de insumos e recursos estratgicos (ARAJO, 2001 e ALBAGLI, 2003 e 2005) Dos estudos que focam sua ateno e anlise ao papel da informao e do conhecimento no mundo contemporneo destacam-se as contribuies terico-conceituais de uma corrente, chamada neo-schumpeteriana, evolucionria ou as dos economistas da inovao e do conhecimento. Essa corrente trabalha na distino dos termos informao e conhecimento, destacando tambm seus sentidos econmicos (e suas possibilidades ou no de comoditizao, como vimos acima). A escola neo-schumpeteriana aponta a importncia de esforos explcitos para a gerao de novos conhecimentos e sua introduo e difuso no sistema produtivo. Segundo eles esse o processo que conduz ao surgimento de inovaes, considerado fator-chave para o processo de desenvolvimento (LASTRES e FERRAZ, 1999) e, evidentemente, para a competitividade. Nas palavras de Lastres e Ferraz (1999) os conceitos neo-schumpeterianos deram corpo e poder explanatrio sobre a existncia de uma complexa e dinmica interao entre diferentes fontes de inovao, assim como lanaram nova luz sobre a dinmica da gerao, aquisio e difuso de inovaes (tanto tecnolgicas quanto organizacionais)11. Os economistas da inovao Jonhson e Lundvall (2000) desenvolveram uma classificao de categorias de conhecimento, dividindo-as em 4: 1) conhecer o qu (know-what), relativo ao conhecimento sobre os fatos, sendo 11 A evoluo do debate sobre o papel da informao e conhecimento nas sociedades atuais incorpora a percepo da importncia da dimenso scio-espacial nos processos e seu impacto no prprio conceito de inovao, que torna-se mais abrangente valorizando, alm do conhecimento formal e avanado, o conhecimento no formalizado e no estruturado construdo nas prticas econmicas e sociais (LALL e GHOSH apud ALBAGLI, 2005). 39 mais facilmente comunicvel e identificvel; 2) conhecer o por que (know-why), relativo ao conhecimento sobre os princpios e leis naturais e sociais e aproximando-se do que comumente se chama de conhecimento cientfico; 3) conhecer o como (know-how), relativo s habilidades e capacitaes que permitem fazer algo ( o conceito que mais se aproxima do conceito de conhecimento tcito, explanado abaixo. considerado um conhecimento desenvolvido e mantido no mbito das organizaes.). E, finalmente, 4) conhecer quem (know-who), relativo a conhecimentos sobre quem sabe o que e quem sabe fazer o qu. Esse conceito envolve tambm a capacidade social de cooperao e comunicao com diferentes tipos de pessoas e especialistas, e nos ser muito til na compreenso dos processos de criao de conhecimento em aglomerados produtivos. Merecem destaque tambm os conceitos de conhecimento tcito e explicito ou codificado (Polanyi, 1966, apud Nonaka e Takeuchi,1997). O conhecimento tcito o conhecimento que deriva do aprendizado pela experimentao e internalizado, pessoal, de difcil verbalizao ou codificao e provm do aprender fazendo, usando e interagindo (Jonhson e Lundvall, 2000). O conhecimento explcito o conhecimento que pode ser documentado e mais facilmente replicado. O processo de criao do conhecimento est na mobilizao e converso do conhecimento tcito (Nonaka e Takeuchi,1997). Vimos, ento, que a informao e o conhecimento tm adquirido status de insumos e recursos estratgicos (LASTRES e FERRAZ, 1999, ARAJO, 2001 e ALBAGLI, 2003 e 2005); que as TIs passam a ser fundamentais para a gesto pblica, privada e individual (LASTRES e FERRAZ, 1999 e ALBAGLI, 2005); que fundamental para a sobrevivncia das organizaes saber gerenciar os ativos 40 intangveis, todos ligados competncia (e ao conhecimento) (SVEIBY, 1998); que a competncia depende, em grande parte, do ambiente, especialmente para os componentes empricos e da rede social (SVEIBY, 1998 e ALBAGLI, 2005) e que a gerao de novos conhecimentos e sua introduo e difuso no sistema produtivo um processo que conduz ao surgimento de inovaes, considerado fator-chave para o processo de desenvolvimento (LASTRES e FERRAZ, 1999 e ALBAGLI, 2005) e competitividade. Informao e conhecimento projetam-se como instrumentos precpuos de poder do estado e do capital tornados objetos de polticas pblicas, ao mesmo tempo em que objetos de estratgias privadas e de crescente privatizao pelos grandes agentes econmicos. Representam deste modo elementos estratgicos de hegemonia (geo)poltica e de competitividade econmica. (Albagli, 2005, p.7) Hoje tambm j consolidada a viso de que as prticas de capacitao e aprendizado resultam na intensificao do ritmo de introduo de inovaes e ganhos de eficincia que reforam a competitividade. (BRITTO, 2004, pg 2.) Um grande desafio das organizaes no mundo de hoje , como veremos a seguir, criar as condies para gerar esse desenvolvimento e competitividade. 41 2.3 Criao do Conhecimento, localizao e compartilhamento Segundo Choo (2000) existem trs arenas onde a criao e o uso da informao desempenham um papel estratgico no crescimento e na capacidade de adaptao das organizaes. Primeiro, a organizao usa a informao para dar sentido s percepes e mudanas do ambiente externo. importante, num primeiro momento, dar sentido ao que ocorre ao ambiente externo para ento desenvolver uma interpretao comum que possa orientar a ao. O objetivo da atividade de criar sentido reduzir ambigidades e seu produto o ambiente interpretado. A segunda arena do uso estratgico da informao chamada por Choo de construo do conhecimento. Nesse espao a organizao cria, organiza e processa a informao de maneira que possa gerar novos conhecimentos atravs do aprendizado. Isso conseguido quando se reconhece a sinergia do relacionamento entre o conhecimento tcito e explcito e quando so elaborados processos sociais capazes de executar a converso de conhecimento tcito em explcito, criando novos conhecimentos. Os ambientes organizacionais devem, a, permitir e estimular os processos de converso, compreendidos, como veremos adiante, da maneira proposta por Nonaka e Takeuchi (1997). Finalmente, uma vez criados os significados e construdos os conhecimentos para a ao, a organizao precisa escolher uma das vrias possibilidades de ao. A as organizaes buscam e avaliam informaes de modo a tomar decises. Esse processo de tomada de decises ancorado em premissas que constituem o ambiente organizacional e por elas orientado. O modelo de Choo que explica como as organizaes usam o conhecimento ilustrado pela figura a seguir: 42 Nonaka e Takeuchi (1997), ao analisarem como as empresas japonesas geram a inovao, lanaram as bases da compreenso dos processos de criao do conhecimento organizacional. Contrariando as teorias organizacionais tradicionais, Nonaka e Takeuchi afirmam que a organizao de negcios no s processa o conhecimento, mas tambm o cria. Para os autores, o conhecimento : uma funo de uma atitude, perspectiva ou inteno especfica. (...) est relacionado ao (...) e especfico ao contexto e relacional. E, alm disso, acreditam, com base em suas pesquisas, que a criao do conhecimento a principal fonte de sua competitividade. Os autores constataram, ainda, que as empresas japonesas entendem que o conhecimento explcito, passvel de ser expresso em nmeros e palavras, apenas, como afirmava Polanyi, uma pequena parte do conhecimento; e que o conhecimento tcito, em suas dimenses tcnica e cognitiva, a maior parte, escondida, desse conhecimento. Esses autores tratam ento o conhecimento tcito 43 e o explcito como unidades estruturais bsicas que se complementam e consideram que o segredo para a criao do conhecimento organizacional est - como veremos a seguir - na mobilizao e converso do conhecimento tcito. Nonaka e Takeuchi afirmam que o conhecimento especfico ao contexto e relacional na medida em que depende da situao e criado de forma dinmica na interao social entre as pessoas. Segundo os autores o conhecimento tem duas dimenses: epistemolgica (aqui considerada como a distino entre o conhecimento tcito12 e o explcito) e ontolgica (considerada os nveis de entidades criadoras do conhecimento: individual grupal organizacional inter-organizacional). O modelo dos autores pressupe que o conhecimento criado e expandido atravs da interao social entre o conhecimento tcito e o conhecimento explcito, num processo que eles chamam de converso do conhecimento. Essa converso um processo social entre indivduos e no confinado dentro de um indivduo. Ou, na palavra dos mesmos: A criao do conhecimento organizacional, pois, deve ser entendida como um processo que amplia organizacionalmente o conhecimento criado pelos indivduos, cristalizando-o como parte da rede de conhecimentos da organizao. Esse processo ocorre dentro de uma comunidade de interao em expanso, que atravessa nveis e fronteiras organizacionais. (NONAKA e TAKEUCHI, 1997, p.65) nesse espao (das 2 dimenses do conhecimento, tcito e explcito; e do indivduo para as possibilidades de interao, de grupal a interorganizacional) ento, que ocorre a criao do conhecimento (ver fig.2), que cresce como veremos de maneira espiral. 12 O conhecimento tcito inclui elementos cognitivos (modelos mentais como esquemas, paradigmas, perspectivas, crenas e pontos de vista que ajudam os indivduos a perceberem e definirem seu mundo) e tcnicos (inclui know-how concreto, tcnicas e habilidades). ...os elementos cognitivos do conhecimento tcito referem-se s imagens da realidade e vises para o futuro de um indivduo, ou seja, o que e o que deveria ser. (NONAKA e TAKEUCHI, 1997) 44 A espiral acontece quando da interao social entre o conhecimento tcito e o explcito, possibilitando, da, 4 tipos de converso do conhecimento13: socializao (do tcito em tcito), externalizao (do tcito em explcito), combinao (do explcito em explcito) e internalizao (do explcito em tcito) (ver fig.3). tambm atravs desses processos, que o conhecimento individual articulado e amplificado dentro da organizao. 13 A socializao um processo de compartilhamento de experincias e, a partir da, da criao do conhecimento tcito. A externalizao um processo de articulao do conhecimento tcito em conceitos explcitos, expressos na forma de metforas, conceitos, analogias, modelos ou hipteses. A combinao um processo de sistematizao de conceitos em um sistema de conhecimento. A reconfigurao das informaes existentes atravs da classificao, do acrscimo, da combinao e da categorizao do conhecimento explcito...pode levar a novos conhecimentos. (...) A internalizao o processo de incorporao do conhecimento explcito no conhecimento tcito. intimamente relacionada ao aprender fazendo. Quando internalizadas as bases do conhecimento tcito dos indivduos sob a forma de modelos mentais ou know-how tcnico compartilhado, as experincias atravs da socializao, externalizao e combinao tornam-se ativos valiosos. (NONAKA e TAKEUCHI, 1997) 45 A compreenso de que o processo inovativo um processo de natureza social (LUNDVALL, 1997 apud CASSIOLATO, 2004) tem levado a um crescente interesse ao entendimento dos processos interativos, localizaes e compartilhamento e como eles atuam no sentido de reforar o aprendizado nas empresas (CASSIOLATO, 2004). Chamaram mais ateno, nesse sentido, determinados tipos de interaes interorganizacionais, mais particularmente as dos aglomerados de MPMEs (micros, pequenas e mdias empresas) altamente eficientes e competitivos do Vale do Silcio nos EUA e os da chamada Terceira Itlia; despertando a discusso sobre o papel da proximidade territorial como indutora eficincia e competitividade (AMARAL FILHO, 2002). No obstante, a relevncia da localizao das organizaes, ao longo da histria das teorias econmicas essa considerao foi praticamente nula, ou de relevncia marginal. Ressaltam-se aqui algumas excees: j no sc. XIX o economista clssico Alfred Marshall (1890) destacava a importncia de entender as sinergias 46 entre a concentrao espacial de atividades produtivas e a prpria evoluo da civilizao, e Perroux (1959) apontava para a necessidade de reconhecer e entender as influncias do territrio sobre as atividades econmicas e de implementar polticas para identificar e potencializar as sinergias locais (CASSIOLATO e LASTRES, 2003). O conjunto de transformaes do fim do ultimo milnio que teve, de diversas maneiras, impactos na alterao do papel e da importncia das MPMEs, Reconheceu-se, da, tambm, que o aproveitamento das sinergias geradas pela participao em aglomeraes produtivas aumentam consideravelmente as chances de sobrevivncia e crescimento, constituindo-se importante fonte geradora de vantagens competitivas duradouras (CASSIOLATO e LASTRES, 2003). A abordagem neo-schumpeteriana enfatiza o papel das tecnologias de informao e de comunicao nesse novo cenrio e incorpora a idia de que a inovao organizacional da decorrente, qual seja a constituio de redes de empresas, fundamental na difuso desse novo paradigma tcnico-econmico. Segundo Cassiolato (2004) as organizaes ampliam seus estoques de conhecimento e se habilitam a superar a barreira de entrada na maioria das atividades econmicas atravs do processo cumulativo de aprendizagem. No longo prazo existe uma relao entre aprendizado, conservao do conhecimento acumulado e capacidade tecnolgica. Ainda segundo o autor a literatura tem sugerido diferentes formas de aprendizado, internas e externas organizao. O aprendizado interno est ligado s principais funes da empresa e pode ser de 3 (trs) tipos: a aprendizado pelo uso (learning-by-using); o aprendizado por 47 experincia (learning-by-doing) e o aprendizado por pesquisa ou busca (learning-by-searching)14. Tem sido mostrada tambm a crescente importncia do aprendizado externo e de sua vinculao a aprendizados internos, sendo esses ltimos, condio necessria para a existncia do primeiro (CASSIOLATO, 2004). As principais formas de aprendizado externo so o aprendizado por imitao (learning-by-imitating); o aprendizado por interao (learning-by-interacting) e aprendizado por cooperao (learning-by-cooperating)15. Essas 2 ltimas formas de aprendizado vo nos interessar de maneira especial uma vez que, como mostraremos a seguir, esto diretamente associadas s prticas dos aglomerados produtivos do tipo arranjo produtivo local (APL), descritos nas pginas seguintes. Sobre o contexto no qual ocorre o processo de aprendizado por interao16 Johnson e Lundvall (1992, apud CASSIOLATO, 2004) formulam algumas hipteses: 1) o aprendizado por interao envolve um "processo social"; 2) quanto mais complexo for o aprendizado, maior ser a interao requerida para viabiliz-lo; 3) o aprofundamento da interao requer o contnuo aperfeioamento dos cdigos e canais de comunicao entre os agentes, os quais funcionam como infra-estrutura facilitadora do intercmbio de informaes; 4) a continuidade da interao introduz a 14 Os principais tipos de aprendizado interno sugeridos pela literatura so o aprendizado pelo uso (learning-by-using) basicamente ligado introduo pela firma de novas tecnologias, incorporadas em bens da capital e altamente tcito; o aprendizado por experincia (learning-by-doing) vinculado ao processo produtivo da empresa e o aprendizado por pesquisa ou busca (learning-by-searching) que se refere a atividades expressamente dirigidas criao de novos conhecimentos (CASSIOLATO, 2004). 15 O aprendizado por imitao (learning-by-imitating), gerado a partir da reproduo de inovaes introduzidas por outra firma (de maneira autnoma e no cooperativa); o aprendizado por interao (learningby-interacting), obtido atravs do relacionamento com usurios e fornecedores ao longo da cadeia produtiva e o aprendizado por cooperao (learning-by-cooperating), e o resultado de processos colaborativos com outras empresas, concorrentes ou no (CASSIOLATO,2004). 16 O aprendizado por cooperao (learning-by-cooperating), ocorre de maneira similar. Mudam os atores, outras empresas, concorrentes ou no; mas permanece o processo interativo. 48 possibilidade de novas combinaes para diferentes tipos de conhecimento, gerando ganhos que no se restringem apenas ao aumento da eficincia produtiva; 5) o aprofundamento do aprendizado por interao pressupe uma certa seletividade nos relacionamentos interorganizacionais. Esta seletividade decorre da necessidade de estabelecerem-se relaes de confiana e, por fim, 6) o aprendizado por interao requer determinado tempo para se desenvolver, no s devido s dificuldades associadas consolidao de uma confiana mtua entre os agentes, mas tambm em razo dos investimentos especficos requeridos. Os aspectos levantados pelos autores remetem a anlise do ambiente local e dos mecanismos que favorecem o aprofundamento do aprendizado por interao. A relevncia atribuda a fatores no-econmicos, scio-espaciais e estruturao de regras e prticas socialmente definidas aponta na direo da necessidade de um olhar que considere essa dimenso. Esse olhar, acreditamos, o conceito denominado arranjo produtivo local (APL), desenvolvido pelo REDSIST. O conceito de APL desenvolvido baliza-se num entendimento mais apropriado sobre os conceitos chave da literatura neo-schumpeteriana aprendizado e inovao e numa dimenso espacial territrio scio-tcnico que seja capaz de captar esses conceitos (CASSIOLATO e LASTRES, 2003). Segundo Torres, Almeida e Tatsch (2004) o conceito de arranjos produtivos locais, desenvolvido pela REDESIST, atende diretamente a necessidade de se incorporar a dimenso espacial nos processos de gerao de conhecimento e inovao. A viso evolucionista sobre inovao e mudana tecnolgica, na qual est baseada a proposta da REDSIST, destaca: 49 O reconhecimento de que inovao e conhecimento so reconhecidamente os elementos chave da dinmica e do crescimento, seja de pases, regies ou organizaes; A compreenso de que inovao e aprendizado so processos dependentes de interaes e, portanto, fortemente influenciados pelos ambientes; A compreenso do papel do conhecimento tcito e explcito e dos mecanismos de transferncias dos mesmos. (CASSIOLATO e LASTRES, 2003). visvel, nesse conceito, portanto, valores como proximidade territorial, cooperao, interao, etc, que indicam propriedades sinergticas. Vrios caminhos de estudos passam, da, a procura dessas fontes de sinergia. Albagli (2003) v essa fonte na proximidade territorial, territorialidade e capital social; entendendo como territorialidade as relaes culturais, polticas, econmicas e sociais entre o indivduo ou o grupo social e seu meio de referncia; expresses de pertencimento e um modo de agir no mbito de um dado espao geogrfico (ALBAGLI, 2003, pg 11), alm do que ela chama de capital social, entendido como um conjunto de instituies formais e informais, normas sociais, hbitos e costumes locais que afetam os nveis de confiana, solidariedade e cooperao em um sistema social (ALBAGLI, 2003, pg 11). Haddad (2004) tem viso mais economicista, avaliando o potencial desses arranjos a partir de um enorme mix de indicadores scio-econmicos que incluem existncia de conselhos deliberativos e participativos locais, renda per capita, instrumentos de gesto, grau de educao, potencial de desenvolvimento, dentre outros. Aun, Carvalho e Kroeff (2005) avanam na compreenso desses fatores ao perceberem a importncia do papel da informao e 50 de seu compartilhamento na configurao do sucesso dos APLs e associarem a existncia do mix informacional (existncia de infra-estrutura educacional, disponibilidade de servios de informao e grau de interao tcita) ao grau de territorializao estabelecido por Cassiolato e Szapiro (2003)17. Segundo Amaral Filho (2002) estudar as relaes nesses aglomerados produtivos importante por 3 razes: 1) a renovao que essa questo traz para as estratgias das MPMEs; 2) porque as novas estratgias de organizao esto relacionadas com as novas possibilidades de gerao de emprego e renda e de fortalecimento do tecido scio-produtivo e 3) porque esses estudos trazem cena a discusso do modelo de desenvolvimento regional ou local, de uma nova maneira. Ao correlacionar a existncia do mix informacional (existncia de infra-estrutura educacional, disponibilidade de servios de informao e grau de interao tcita) ao grau de territorializao estabelecido por Cassiolato e Szapiro; Aun, Carvalho e Kroeff (2005) reforam a percepo da importncia do papel da informao e de seu compartilhamento na configurao do sucesso dos APLs. Baseados nessa correlao, esses autores classificam os APLs em 4 tipos: APL de Sobrevivncia (aquele onde no h capacitaes especiais enraizadas localmente nem, ou muito pouco, do mix informacional), APL de Explorao (no existe ou precrio o mix informacional e a territorializao se faz na mo de poucos), APL Promissor (onde investe-se em um mix informacional e estimula-se o enraizamento) e APL Maduro (onde tanto o mix informacional quanto a territorializao so altas e existe um desenvolvimento latente, auto-propelido, renovado pelas inovaes necessrias) (Ver fig 4). 17 Ver conceito na pg 21. 51 Compreendendo tambm a questo do sentido como algo fundamental para a sobrevivncia das organizaes (CHOO, 2000) os autores entendem a importncia dos valores culturais de um aglomerado. Citando Pereira e Herschmann (2003): A dimenso cultural ganha, hoje, grande destaque uma vez que, na sociedade da informao e do conhecimento, a questo do sentido, entendido enquanto algo construdo e em constante mudana, aparece como uma varivel fundamental para a compreenso tanto das dinmicas internas das organizaes (busca de inovao, mudana de mentalidade, articulao entre diferentes setores etc) quanto das dinmicas que garantem suas relaes com os diferentes ambientes culturais com os quais qualquer organizao se articula (diferentes pblicos, insero em fluxos de sentido locais, regionais, nacionais ou transnacionais, especificidades culturais de determinadas cadeias produtivas etc. (PEREIRA e HERSCHMANN, 2003, p.9) Aun, Carvalho e Kroeff (2005) identificam a uma outra dimenso do conhecimento: a da identidade e dos valores scio-culturais (ver fig. 5). E afirmam serem os conhecimentos tcitos, os explcitos e os valores culturais os elementos propulsores de um APL, necessrios, cada um, em graus diferentes em cada um dos tipos classificados anteriormente (ver fig. 6). 52 Figura 5: As trs dimenses do conhecimento.Fonte: Interpretaes do autor sobre a figura de Arranjos produtivos locais e sustentabilidade: polticas pblicas promotorasde desenvolvimento regional e da incluso social.Aun, Marta Pinheiro; Carvalho,Adriane M A de e Kroeff, Rubens L.CONHECIMENTOSEXPLCITOSCONHECIMENTOSEXPLCITOSCONHECIMENTOSTCITOSCONHECIMENTOSTCITOSAMBIENTEIDENTIDADES E VALORESSCIO-CULTURAIS APLMaduroAPLPromissorAPLSobrevivnciaCONHECIMENTOS TCITOSCONHECIMENTOS EXPLCITOSVALORES SCIO-CULTURAISFigura 6: Grau de investimento em um APL.Fonte: Arranjos produtivos locais e sustentabilidade: polticas pblicas promotorasde desenvolvimento regional e da incluso social.Aun, Marta Pinheiro; Carvalho, Adriane M A de e Kroeff, Rubens L. Ao introduzir a dimenso da identidade e dos valores scio-culturais enquanto uma nova dimenso do conhecimento, Aun, Carvalho e Kroeff (2005) lanam uma luz sobre o palco onde ocorre a espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi. 53 Parece-nos claro que a espiral luz dessa nova abordagem continue a acontecer na interao social entre o conhecimento tcito e explcito. E que tambm essa interao amplia o potencial de criao de conhecimento na medida em que se evolui no que os autores chamam de um nvel ontolgico inferior at nveis mais altos. A ampliao da interao indivduo-grupo-organizao favorece isso. Mas essa luz permite enxergar um pouco mais: em um ambiente inter-organizacional - que so os arranjos produtivos locais - onde as culturas organizacionais so vrias; o conhecimento em sua dimenso de identidade cultural e de valores scio-culturais afeta enormemente os nveis de confiana, solidariedade e cooperao, podendo fornecer sinergias facilitadoras ou no para essa interao e compartilhamento. Assim, fica modificado o espao onde ocorre a espiral do conhecimento: a interao social entre o conhecimento tcito e explcito eleva-se dinamicamente de um nvel ontolgico inferior at nveis mais altos, ampliando-se tambm na medida em que o ambiente inter-organizacional tem maior nvel de identidade e de valores scio-culturais. Vale dizer: Torna-se ento crucial compreender as condies para interao e os fluxos de informao e conhecimentos (especialmente os tcitos): estas no se reduzem localizao ou proximidade espacial so necessrias tambm condies institucionais e scio-culturais que as favoream. Requer um contexto social de comunicao e a existncia de cdigos compartilhados e reconhecidos pelos atores, como sujeitos da comunicao; assim como canais, meios ou mecanismos de comunicao mltiplos que propiciem os vrios fluxos de conhecimento e o aprendizado interativo. (ALBAGLI, 2005, p.5) Na pgina seguinte uma interpretao da espiral do conhecimento de Nonaka e Takeuchi, luz da percepo da 3 dimenso do conhecimento: 54 Est claro, ento, que a interao e a cooperao tm papel significativo no aprendizado e na criao do conhecimento. Tais mecanismos resultam ou implicam em outro: o compartilhamento de informao. Segundo Walton (1989), Malone and Rockard (1991), Sproull and Kiesler (1991) e Nickerson (1992) (apud COSTANT e AL., 1994) o crescimento do compartilhamento de informaes pode melhorar o aprendizado organizacional, a eficincia, a inovao, a flexibilidade organizacional e ampliar a compreenso dos objetivos organizacionais. Como funciona esse mecanismo de compartilhamento da informao? A partir da Teoria social das trocas de Kelley e Thibaut (1978), Constant et al. (1994) lanaram as bases da Teoria do compartilhamento da informao (JARVENPAA e STAPLES, 2000). A teoria de Kelley e Thibaut, embora tratasse de trocas genricas, chamou a ateno por mostrar as diferenas das trocas entre indivduos agindo 55 isoladamente e a mesma troca ocorrendo com os mesmos indivduos agindo sob um contexto social e organizacional. Constant et al.(1984) investigaram, a partir da, o comportamento das pessoas frente ao compartilhamento de informaes num contexto tcnico e organizacional. No obstante terem os autores desenvolvido as bases de um modelo terico sobre as atitudes comportamentais diante do compartilhamento de informaes em 1994, tal preocupao j aparecia nos trabalhos relativos a fontes de informao e estudos de usurios nas organizaes. Diversos estudos mostram que o compartilhamento de informaes nas organizaes ocorre de diversas maneiras. Bruns e Mckinnon (1993) sustentam que os mecanismos informais de compartilhamento, incluindo os contatos face a face, se sobrepem ao uso de outras fontes de informao. Doctor (1992) j havia detectado essa preferncia quando pesquisou na literatura fontes de informao com maior evidncia. Estudos de Choo e Auster (1993) sobre como as organizaes utilizam informao tambm constataram a preferncia dos gerentes por fontes de informao pessoais, priorizando a comunicao oral. Adam e Murphy (1995) num estudo com executivos de grandes empresas americanas identificaram comportamentos diferentes relacionados ao compartilhamento de informao, chamados de assimtricos (troca desigual de informaes) e simtricos (troca de informaes em uma base igual). As diferenas de comportamento informacional esto relacionadas ao nvel hierrquico e de deciso (especialista ou estratgico) dos envolvidos. Barbosa (1997) em estudo sobre comportamento informacional nas organizaes constata que 59% das informaes internas so transmitidas por contatos pessoais. 56 Constant e al. (1994) constatam o papel da cultura organizacional na determinao do compartilhamento: quanto mais as pessoas acreditam que compartilhar informao usual, correto e socialmente esperado, no ambiente de trabalho, mais elas esto dispostas a compartilhar. A pesquisa de Constant e al. aponta ainda que atributos tecnolgicos podem contribuir para facilitar esse compartilhamento: computer-based technologies such e-mail, networked databases, and group decisions support systems vastly increase the potential for information sharing in organizations. (COSTANT e AL., 1994, p. 401). Tomael (2005) complementa: recursos tecnolgicos facilitam a aglutinao de comunidades detentoras de conhecimentos e interesses afins.... A pesquisa de Constant e al. (1994) mostra tambm que, ainda que as facilidades tecnolgicas das redes contribuam potencialmente para o compartilhamento da informao, tal compartilhamento tambm fortemente influenciado pelas relaes sociais e mais ainda pela cultura da organizao relativa a esse comportamento. Estudando os ambientes organizacionais em rede, Haythornthwaite e Wellman (1998) detectam que o uso da mdia para a comunicao socialmente determinado tanto quanto tecnologicamente e normativamente determinados. A intensidade dos laos de trabalho e dos de amizade so, cada um, relacionados alta freqncia de troca de informao e no tipo de mdia disponvel. (TOMAL, 2005, p. 80) Sonnenwald e Pierce (2000) escolheram um comando militar numa situao de batalha para analisarem o comportamento informacional em situaes de trabalho extremamente dinmicas e entenderem como se d, nesse contexto, a busca, 57 coleta, anlise, sntese e disseminao de informaes. As autoras identificaram caractersticas determinantes para o sucesso do trabalho: conscincia da situao de entrelaamento e densa rede social (ou intensa comunicao entre os participantes do grupo sobre o contexto, os processos de trabalho e conhecimentos especficos do domnio do problema18). Dixon (2000) afirma que o compartilhamento do conhecimento nas atividades organizacionais ocorre durante, aps e na avaliao dessas atividades. A autora ressalta que esse conhecimento provm da experincia no desenvolvimento das atividades e , portanto, ligado ao. Dixon chama esse conhecimento de common knowledge e detecta cinco formas atravs das quais ocorre a transferncia do conhecimento nesse processo: transferncia em srie, prxima, distante, estratgica e de especialista19. Tomal (2005) afirma que esse conhecimento em comum tem no ambiente das redes um ambiente fecundo para o compartilhamento. Yu, Yan e Cheng (2001) tambm constataram, estudando parcerias em cadeias de suprimento, que parcerias e cooperao podem favorecer a todos envolvidos na parceria e no compartilhamento da informao. Estudando o comportamento informacional de grandes equipes Xu, Yang et al. (2004) afirmam que a informao relevante aos objetivos da equipe estar sempre disponvel aos membros da equipe e distribuda de maneira espontnea. Avaliam que a comunicao e o compartilhamento se do mais eficientemente entre 2 interlocutores por ser a ordem natural e social da comunicao humana. Desta 18 Lembramos que faz parte dos nossos objetivos relacionar os indicadores de sucesso ao estabelecimento de APLs, colocados pela literatura, aos contedos informacionais localizados como propulsores de relaes sinergticas, no arranjo pesquisado. 19 Transferncia em srie o conhecimento obtido atravs da execuo de uma atividade em equipe e avaliado e aprimorado quando a mesma atividade realizada novamente em diferentes locais. A transferncia prxima a utilizao do conhecimento explcito obtido como anteriormente por outras equipes ao executarem atividades similares. A transferncia distante a disponibilizao do conhecimento tcito para outras equipes realizarem atividades similares. Transferncia estratgica a utilizao do conhecimento coletivo da organizao para realizao de uma atividade estratgica para a organizao. E, finalmente, a autora chama de transferncia de especialista quando a equipe, ao defrontar como uma questo tcnica que foge aos seus conhecimentos; busca especialistas em outras equipes da organizao para resolver a questo. 58 forma, consideram que a anlise da estrutura das redes sociais auxilia na compreenso do compartilhamento da informao (TOMAL, 2005). Albagli (2005) comenta a crescente nfase dada aos estudos que abordam a dimenso scio-espacial e a anlise de fluxos de informao e conhecimento nas interaes locais. Em ambientes interorganizacionais o compartilhamento de informaes est diretamente ligado possibilidade de lucratividade e produtividade (JARVENPAA e STAPLES, 2000) e ancorados na confiana e cooperao; uma vez que, ao mesmo tempo em que a cooperao constitui um instrumento eficaz de processamento de informaes; constitui tambm uma alternativa importante para viabilizar aglutinao de competncias complementares (BRITTO, 2004, p. 2). Estudar o compartilhamento pode ser amplamente facilitado pelo mapeamento do fluxo da informao (HIBBERD e EVATT, 2004). Segundo Tomal (2005), O fluxo e o compartilhamento da informao so intrinsecamente relacionados, podemos at considerar que o fluxo um elemento do compartilhamento, visto que move a informao em instncias especficas, podendo ser essa informao formal ou informal, utilizando recursos que medeiam a interao ou mesmo o contato face a face. Igualmente importante perceber os fatores inibidores do compartilhamento do conhecimento. Davenport e Prusak (1999) chamam esses fatores inibidores de atritos e apresentam estratgias para super-los. 59 Atrito Solues possveis Falta de confiana mtua Construir relacionamentos e confiana mtua atravs de reunies face a face Diferentes culturas, vocabulrios e quadros de referncia Estabelecer um consenso atravs de educao, discusso, publicaes, trabalho em equipe e rodzio de funes Falta de tempo e de locais de encontros, idia estreita de trabalho produtivo Criar tempo e locais para transferncias do conhecimento: feiras, salas de bate-papo, relatos de conferncias. Status e recompensas vo para os possuidores do conhecimento Avaliar o desempenho e oferecer incentivos baseados no compartilhamento Falta de capacidade de absoro pelos recipientes Educar funcionrios para a flexibilidade; propiciar tempo para aprendizado; basear as contrataes na abertura de idias. Crena de que o conhecimento prerrogativa de determinados grupos, sndrome do no inventado aqui. Estimular a aproximao no hierrquica do conhecimento; a qualidade das idias mais importante que o cargo da fonte Intolerncia com erros ou necessidade de ajuda. Aceitar e recompensar erros criativos e colaborao; no h perda de status por no se saber tudo. Quadro 1 - Fonte: Tomal (2005) sobre Davenport e Prusak (1999) 60 No s perceber ou evitar os atritos importante. Diversos autores sugerem aes que estimulam o compartilhamento: Facilitador Autor Estmulo s conversas informais, contatos profissionais, comunicao informal1, contatos pessoais, reunies, espaos fsicos facilitadores de contatos. Bruns e Mckinnon (1993), Doctor (1992), Davenport e Prusak (1999), Cianconni (2003), Tomal (2005). Mobilidade / troca de indivduos entre diferentes grupos na organizao Huber (1999) Densa rede social Sonnewald e Pierce (2000), Tomal (2005) Recompensa ao compartilhamento Dixon (2000) Necessidades do grupo ( relao informao x relevncia para o objetivo do grupo) Xu (2004) Necessidades organizacionais Dixon (2000), Choo (2003) Conscincia situacional2 Sonnewald e Pierce (2000) Existncia de cdigos compartilhados Brown e Duguid (1991), Dougherty (1992), Campos e outros (2003), Solomon (2002), Tsai (2002), Aun, Carvalho e Kroeff (2005), Albagli (2005) e Tomal (2005) Interesses recprocos Javenpaa e Staples (2000), Yu, Yan e Cheng (2001) Cultura organizacional em que liberdade de expresso e direito ao conhecimento sejam respeitados Huber (1999) Processo de criao do conhecimento organizacional3 Choo (2003) Recursos tecnolgicos, ambientes tecnolgicos de trabalho em rede e/ou cooperativos. Constant e al (1994), Dixon (2000), Tomal (2005) Valorizao da expertise das pessoas Dixon (2000) Interao (com outras pessoas e tecnologias) Choo e Auster (1993), Constant e al (1994), Nonaka e Takeuchi (1997), Davenpot e Prusak (1999), Dixon (2000), Cianconni (2003), Tomal (2005) Quadro 2 - Fonte: montagem do autor 1 Cianconni (2003) constatou em pesquisa que para melhorar a comunicao informal os recursos mais empregados so: 1) Ferramentas de groupware (que promovem a interatividade permanente entre as pessoas, possibilitando a atualizao dinmica de informaes, troca de arquivos e outros recursos); 2) salas de reunies e/ou cafezinho; 3) disposio adequada para o trabalho arranjo fsico, espao sem paredes e com mobilirio dispostos de forma que possibilitem a interao; 4) alterao da estrutura organizacional; e aparecem na pesquisa com menor importncia: 5) prtica de competies esportivas e 6) terapias holsticas (busca pelo auto-equilbrio, por meio de tcnicas naturalistas). (TOMAL, 2005) 2 "O conceito de conscincia situacional de grupo, conforme argumento das autoras aproxima-se do conceito de conhecimento coletivo, pelas caractersticas apresentadas de troca e domnio comuns de conhecimento." (TOMAL, 2005, p.74). 3 O prprio movimento organizacional para a criao do conhecimento um processo de compartilhamento Tomal (2005) afirma, citando Tsai (2002), que o compartilhamento do conhecimento, envolve um complexo processo social que demanda esforos de 61 colaborao e interao social indispensvel nesse processo tanto na criao de confiana quanto no estmulo a cooperao. Ainda segundo a autora, Cross, Parker e Borgatti (2000) encontraram quatro dimenses que contribuem para que os relacionamentos nas redes sejam efetivos e possibilitem o uso e a criao do conhecimento: 1) conhecimento que as pessoas detm, 2) obteno de permisso para o acesso ao conhecimento que outra pessoa detm, 3) criar conhecimento por meio do engajamento cognitivo e 4) aprender com relacionamentos de confiana. Os autores sugerem intervenes organizacionais que podem melhorar o compartilhamento de informaes e de conhecimento, as quais mostramos a seguir: Aspectos Objetivos Interveno Tcnica Interveno Social Conhecimento Levar a conscincia de quem sabe, o qu sabe e quem est trabalhando em qu dentro da empresa -Sistema para identificar perfis - Pginas amarelas do pessoal da empresa - Comunidades de prticas - Criao de um sistema de informao por temas de interesse da empresa - Feira de conhecimento Acesso - Melhorar o compartilhamento do conhecimento - E-mail - Telefones celulares - Frum para troca de feedback entre os pares - Aplicao de ARS (anlise de redes sociais) periodicamente Engajamento - Melhorar a facilidade de comunicao, que possa engajar mais pessoas - Aumentar o desempenho - Melhorar a troca de habilidades e conhecimentos entre os pares -Tecnologias sincronizadas (como mensagens instantneas) - Chats - Vdeo conferncia - Aproximao e anlise dos pares Confiana - Desenvolver relacionamentos - Melhorar a visibilidade dos relacionamentos para que possam ser analisados em grupo - Tecnologias de comunicao por toda a empresa - Interaes face a face como em reunies ou lanches - ARS Quadro 3 - Fonte: Tomal (2005), citando Cross, Parker e Borgatti (2000, p.12) 62 A criao do conhecimento , como vimos, um processo social (NONAKA E TAKEUCHI, 1997) e intencional (NONAKA E TAKEUCHI, 1997; LEONARD-BARTON, 1998 ; DAVENPORT e PRUSAK, 1999 e TOMAEL, 2005) com o propsito de gerar e aumentar os ativos organizacionais. O conhecimento tcito uma ferramenta poderosa para a inovao (VON KROGH; ICHIGO e NONAKA, 2001) e est ligada competitividade (NONAKA E TAKEUCHI, 1997; LEONARD-BARTON, 1998 e DAVENPORT e PRUSAK, 1999). Os processos de criao de conhecimento requerem integrao entre conhecimento e aprendizagem (LUNDVAL, 1997 apud CASSIOLATO, 2004 e TOMAL, 2005) e seu compartilhamento fonte de um processo contnuo de crescimento e desenvolvimento (TOMAL, 2005). Parece-nos claro que os processos de aprendizagem interorganizacionais por interao e por cooperao so dependentes diretos da conformao institucional do aglomerado (CASSIOLATO, 2004). E que a informao e o compartilhamento esto no cerne da caracterizao da sustentabilidade de um APL, na medida em que compem, enquanto identidade e valor cultural, uma dimenso do conhecimento propulsora desse APL (AUN, CARVALHO e KROEFF, 2005). Um detalhamento desta conformao institucional apontaria que a compatibilizao dos padres cognitivos e o aperfeioamento dos cdigos entre os componentes dos arranjos passa por contedos informacionais de interesses coletivos dos agentes, oriundos da cultura organizacional. Assim, num ramo de confeces como o estudado por ns - os cdigos e os padres cognitivos esto ligados diretamente a contedos da produo, marketing, organizao e produtos de moda e de confeces, como mostraremos em nossa pesquisa adiante; elementos priorizados em maior ou menor grau pela cultura organizacional.