A Entrevista Como Tcnica de Pesquisa Qualitativa

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A ENTREVISTA COMO TCNICA DE PESQUISA QUALITATIVA

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    A ENTREVISTA COMO TCNICA DE PESQUISA QUALITATIVA

    Luciana Camurra, Cludia Cristina Batistela

    RESUMO

    Este texto resultado de uma investigao sobre o trabalho de campo

    e a entrevista como tcnica de pesquisa. O objetivo deste estudo

    compreender em que consiste a entrevista na pesquisa de campo, sob

    a abordagem qualitativa - seus diferentes tipos, os procedimentos

    necessrios para sua aplicao e anlise e as limitaes e vantagens

    que esta tcnica apresenta. Para compor o embasamento terico desta

    pesquisa, busca-se estudiosos que investigam os mtodos e tcnicas de

    pesquisa, dando relevncia abordagem qualitativa. Constata-se que a

    entrevista como tcnica de pesquisa, mesmo com algumas limitaes,

    se comparada a outras tcnicas, apresenta inmeras vantagens para as

    pesquisas qualitativas. Mas para ser vantajosa, deve ser aplicada e

    analisada com indispensvel rigor e responsabilidade, e para isso, os

    pesquisadores precisam conhecer os critrios desta tcnica, para

    realiz-la com eficcia e obter resultados com veracidade. Quando

    aplicada e analisada de forma responsvel, pode fornecer dados

    importantes sobre o objeto da pesquisa e, alm disso, pode ser usada

    conjugadamente com outras tcnicas e instrumentos mencionados

    anteriormente, os quais, em conjunto podem levar a obteno de

    dados mais confiveis e, portanto, mais cientficos. Esta investigao

    justifica-se pela importncia da adequao das tcnicas de pesquisa s

    especificidades do fenmeno a ser estudado, o que exige do

    pesquisador o conhecimento necessrio sobre as tcnicas que dever

    utilizar. Conhecer as caractersticas da tcnica de entrevista e a

    necessidade de rigor na elaborao e aplicao desta tcnica de

    investigao indispensvel elaborao de trabalhos cientficos

    voltados a investigao dos seres humanos.

    Palavras-chave: Pesquisa qualitativa, Pesquisa de Campo e Entrevista.

    ABSTRACT

    This text is the result of an investigation into the fieldwork and

    interviews as a technique of research. The aim of this study is to

    understand what is the interview in the field research, under the

    qualitative approach - its various types, the procedures for its

    application and analysis and the limitations and advantages that this

    technology presents. To compose the theoretical basis of this

    research, we seek scholars investigating the methods and techniques

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    research, we seek scholars investigating the methods and techniques

    of research, paying attention to the qualitative approach. We note

    that the interview as a technique for search, even with some

    limitations, when compared to other techniques, has many advantages

    for qualitative research. But to be worthwhile, must be applied and

    tested with essential accuracy and responsibility, and for this,

    researchers need to know the criteria for this technique to perform it

    effectively and achieve results with accuracy. When applied and

    analyzed in a responsible manner, can provide important data about

    the object of research and, moreover, can be used in conjunction with

    other techniques and tools mentioned above, which together may lead

    to obtaining more reliable data and therefore , more scientific. This

    research is justified by the importance of the adequacy of technical

    research to the specific phenomenon being studied, which requires

    the researcher the necessary knowledge about the techniques that

    should be used. Knowing the characteristics of the technique of

    interview and the need for accuracy in the preparation and

    implementation of technical research is essential to the development

    of scientific research focused on human beings.

    Keywords: Qualitative research, Research and Field Interview.

    1. INTRODUO

    A pesquisa, num sentido amplo, pode ser entendida como um conjunto

    de atividades orientadas, a fim de obter conhecimento acerca de algo.

    Para que seja considerada cientfica, necessita de mtodos e tcnicas

    que a sustentem, que sejam facilitadores no processo de apreenso

    daquilo que se busca.

    Em funo do rigor exigido na definio e aplicao das tcnicas e

    mtodos, torna-se indispensvel pensar, discutir e compreender os

    diferentes tipos, normas, aplicabilidades, vantagens e desvantagens de

    cada um deles, para a pesquisa cientfica. Essa compreenso

    fundamental para que seja possvel desenvolver uma pesquisa coerente

    e rigorosa a fim de conhecer o objeto de estudo da melhor forma

    possvel.

    Pensando na importncia de apreender os mtodos e tcnicas de

    pesquisa, que pretende-se, por meio deste trabalho, investigar uma

    das tcnicas mais utilizadas na pesquisa qualitativa - a entrevista.

    Apesar das inmeras pesquisas realizadas acerca desta tcnica, muitas

    discusses ainda surgem no sentido de sua validade cientfica, devido

    ao fato de que muitos pesquisadores a utilizam sem o menor rigor

    cientfico, tanto na sua aplicao ou na anlise dos dados obtidos por

    meio dela.

    Respaldando-se em alguns autores que investigam os mtodos e

    tcnicas de pesquisa, como Severino (2007), Bogdan e Biklen (1994) e

    Duarte (2002; 2004), tem-se por objetivo neste trabalho, ampliar as

    discusses a respeito da entrevista na pesquisa qualitativa, a fim de

    esta seja realizada sempre, com muito rigor e coerncia, no

    desenvolvimento de pesquisas cientficas.

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    desenvolvimento de pesquisas cientficas.

    Ao final desta investigao, constata-se que a entrevista, quando

    aplicada e analisada de forma responsvel, pode fornecer dados

    importantes sobre o objeto da pesquisa e, alm disso, pode ser usada

    conjugadamente com outras tcnicas e instrumentos mencionados

    anteriormente, os quais, em conjunto podem levar a obteno de

    dados mais confiveis e, portanto, mais cientficos. Porm,

    imprescindvel que o pesquisador esteja suficientemente esclarecido

    sobre os limites e possibilidades de cada tcnica de pesquisa e sobre

    os critrios necessrios a sua aplicao e interpretao dos dados

    obtidos, utilizando-as assim, de forma eficaz e consciente. somente

    a partir desse comprometimento em relao pesquisa, que os

    resultados sero significativos e tero validade cientfica.

    Este estudo justifica-se pela importncia da adequao das tcnicas de

    pesquisa s especificidades do fenmeno a ser estudado, o que exige

    do pesquisador o conhecimento necessrio sobre as tcnicas que

    dever utilizar. Conhecer as caractersticas da tcnica de entrevista e

    a necessidade de rigor na elaborao e aplicao desta tcnica de

    investigao indispensvel elaborao de trabalhos cientficos

    voltados a investigao dos seres humanos.

    Assim sendo, espera-se contribuir com o comprometimento dos

    pesquisadores, para que, tratando as investigaes com seriedade e

    responsabilidade, possam alcanar resultados, de fato, cientficos, com

    as pesquisas.

    2. A ENTREVISTA QUALITATIVA NA PESQUISA DE CAMPO

    A pesquisa de campo trata-se da observao de fatos e fenmenos

    exatamente como ocorrem na realidade. Por meio dela, realiza-se uma

    coleta de dados acerca do tema e objeto estudado para, em seguida,

    fazer uma anlise e interpretao desses dados, com base numa

    fundamentao terica, realizada a princpio.

    Este tipo de pesquisa utilizado pela maioria dos investigadores

    qualitativos. O trabalho de campo exige, alm de um levantamento

    bibliogrfico que possa fundamentar a ao e anlise, a determinao

    das tcnicas de coleta de dados mais apropriadas natureza do tema e

    ainda, a definio das tcnicas que sero empregadas para o registro e

    analise das informaes. So as tcnicas de coleta, anlise e

    interpretao dos dados, que caracterizam a pesquisa como

    qualitativa.

    A pesquisa qualitativa definida como aquela que privilegia a anlise

    de microprocessos, atravs do estudo das aes sociais individuais e

    grupais, realizando um exame intensivo dos dados. A abordagem

    qualitativa aquela que busca descrever e analisar a cultura e

    comportamento humano, do ponto de vista dos que esto sendo

    estudados e em seus ambientes naturais.

    Uma das principais caractersticas da pesquisa qualitativos a imerso

    do pesquisador no contexto dos sujeitos pesquisados e a perspectiva

    interpretativa de conduo da pesquisa. Os mtodos qualitativos so

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    interpretativa de conduo da pesquisa. Os mtodos qualitativos so

    apropriados quando o fenmeno em estudo complexo, de natureza

    social e no tende quantificao. Normalmente, so usados quando a

    compreenso do contexto social e cultural um elemento fundamental

    para a elaborao pesquisa.

    De acordo com os pressupostos de Bogdan e Biklen (1994), a

    investigao qualitativa possui, no necessariamente todas, mas ao

    menos algumas, dentre cinco caractersticas. A primeira delas trata-se

    do contato prximo entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa, pois

    os investigadores Entendem que as aes podem ser melhor

    compreendidas quando so observadas em seu ambiente habitual de

    ocorrncia (BOGDAN E BIKLEN, 1994, p. 48).

    A segunda caracterstica da investigao qualitativa na concepo dos

    autores refere-se ao seu carter descritivo, j que, Os dados

    recolhidos so em forma de palavras ou imagens e no nmeros (p.

    48).

    O fato de que os investigadores qualitativos devem dedicar maior

    ateno, no simplesmente aos produtos e resultados, mas sim, a todo

    o processo, constitui-se na terceira caracterstica da abordagem

    qualitativa e a quarta, trata-se do fato de que, por seu carter

    indutivo, os pesquisadores No recolhem dados ou provas com o

    objetivo de confirmar ou infirmar hipteses construdas previamente;

    ao invs disso, as abstraes so construdas medida que os dados

    particulares que foram recolhidos se vo agrupando (BOGDAN E

    BIKLEN, 1994, p. 50).

    Por fim, a quinta caracterstica do tipo de pesquisa qualitativa, diz

    respeito importncia que atribuda ao significado das coisas. O

    investigador preocupa-se com cada resposta dos sujeitos, pois o

    importante compreender o que significa, na perspectiva de cada um

    dos entrevistados.

    Ao discutir sobre a pesquisa de campo, Severino (2007, p. 123),

    tambm afirma que o objeto, que a fonte da pesquisa, deve ser

    abordado em seu meio ambiente prprio, ou seja, os fatos e

    fenmenos devem ser observados exatamente como ocorre no real,

    no havendo intervenes do pesquisador. A coleta de dados deve

    feita nas condies naturais em que os fenmenos ocorrem. A pesquisa

    de campo tem por objetivo, portanto, a investigao de indivduos,

    grupos, comunidades, instituies, entre outros, na busca em obter

    informaes, compreender seus diversos aspectos, descobrir novos

    fenmenos e suas relaes.

    As tcnicas e instrumentos utilizados no trabalho de campo para a

    coleta de dados podem ser: entrevista, questionrio, observao,

    gravao, filmagem, fotografia, etc. Neste trabalho, discuti-se sobre a

    primeira delas a entrevista.

    A entrevista um mtodo de coleta de dados, onde o pesquisador,

    com metas previamente definidas acerca do objeto de sua pesquisa,

    entra em contato com aqueles que sero entrevistados para, atravs

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    entra em contato com aqueles que sero entrevistados para, atravs

    de um dialogo informal ou estruturado, adquirir os dados necessrios

    sua pesquisa. "Pode-se definir entrevista como a tcnica em que o

    investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula

    perguntas, com o objetivo de obteno dos dados que interessam

    investigao" (Gil, 1999, p. 117).

    Na compreenso de Marconi e Lakatos (1999), a entrevista entendida

    como Encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha

    informaes a respeito de um determinado assunto (p. 94). A sua

    utilizao requer, no entanto, planejamento prvio e manuteno do

    componente tico, desde a escolha do participante, do entrevistador,

    do local, do modo ou mesmo do momento para sua realizao

    (BICUDO, 2006).

    A entrevista na pesquisa qualitativa, ao privilegiar a fala dos atores

    sociais, permite atingir um nvel de compreenso da realidade humana

    que se torna acessvel por meio de discursos, sendo apropriada para

    investigaes cujo objetivo conhecer como as pessoas percebem o

    mundo. Em outras palavras, a forma especfica de conversao que se

    estabelece em uma entrevista para fins de pesquisa favorece o acesso

    direto ou indireto s opinies, s crenas, aos valores e aos

    significados que as pessoas atribuem a si, aos outros e ao mundo

    circundante .

    A utilizao da entrevista como tcnica de pesquisa sofre algumas

    crticas, devido ao fato de muitas vezes, no apresentar rigor em sua

    elaborao e constituio e nos detalhes na transcrio dos

    procedimentos e anlises do material obtido. Essas questes so

    tratadas por Duarte (2004), na inteno de contribuir com as discusses

    acerca da necessidade de definio de critrios para avaliao de

    confiabilidade de pesquisas cientficas que lanam mo desse recurso.

    Sob o entendimento de Duarte (2004, p. 213):

    Esse um tema recorrente nas discusses acadmicas sobre

    metodologia de pesquisa, e ainda um tanto polmico. Persistem entre

    ns certas crenas segundo as quais a entrevista, sobretudo aberta ou

    semi-estruturada, um procedimento de coleta de informaes pouco

    confivel e excessivamente subjetivo, pelo qual optam pesquisadores

    com pequena bagagem terica, que dele fazem uso de forma bem

    menos rigorosa do que seria desejvel.

    Apesar das crticas, a entrevista uma das tcnicas mais utilizada em

    pesquisas qualitativas, e quando usada com responsabilidade e

    competncias, permite a obteno de resultados bastante

    significativos.

    Ao tratarem de pesquisa participante , Bogdan e Biklen (1994, p. 134)

    afirmam que a entrevista utilizada para coletar dados descritivos na

    linguagem do prprio sujeito e que existem duas maneiras de se

    realizar entrevistas dentro da investigao qualitativa - como

    estratgia dominante ou juntamente com observao participante,

    anlise documental entre outras, esclarecendo assim, que pesquisa

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    anlise documental entre outras, esclarecendo assim, que pesquisa

    qualitativa no acontece apenas por meio de entrevistas. Neste

    sentido, Duarte (2004, p. 214 - 215) afirma que:

    [...] no existe vnculo obrigatrio entre pesquisas qualitativas e a

    realizao de entrevistas. [...] Podemos fazer observaes de campo

    e tomar nossos registros como fonte; podemos recorrer a documentos

    (escritos, registrados em udio ou vdeo, pictricos etc.); podemos

    fazer fotografias ou videogravaes de situaes significativas;

    podemos trabalhar com check lists, grupos focais, questionrios, entre

    outras possibilidades. O que d o carter qualitativo no

    necessariamente o recurso de que se faz uso, mas o referencial

    terico/metodolgico eleito para a construo do objeto de pesquisa

    e para a anlise do material coletado no trabalho de campo.

    A entrevista, de acordo com Severino (2007, p. 124), uma tcnica

    que tem por intuito coletar informaes, por meio de sujeitos

    entrevistados, sobre um determinado assunto, havendo, portanto, a

    interao entre pesquisador e entrevistado. Neste sentido, O

    pesquisador visa apreender o que os sujeitos pensam, sabem,

    representam, fazem, argumenta (SEVERINO, 2007, p. 124). Este autor

    divide a tcnica de entrevista em dois tipos: entrevistas no-diretivas,

    a qual permite a liberdade do entrevistado em falar o que deseja, . O

    entrevistador mantm-se em escuta atenta, registrando todas as

    informaes e s intervindo discretamente para, eventualmente,

    estimular o depoente (p. 125). Este tipo de entrevista ocorre como se

    fosse uma conversa informal.

    Quanto s entrevistas estruturadas, as questes so pr-determinadas e

    direcionadas. Este tipo de entrevista obedece a um plano sistemtico,

    elaborado com uma srie de questes previamente escolhidas. Por

    constituir-se Com questes bem diretivas, obtm, do universo de

    sujeitos, respostas tambm, mais facilmente categorizveis, sendo

    assim, muito til para o desenvolvimento de levantamentos sociais

    (SEVERINO, 2007, p. 125). Neste caso, a entrevista se parece com um

    questionrio.

    A partir dos estudos de Bogdan e Biklen (1994) vimos que, no

    entendimento desses autores, h variaes quanto ao grau de

    estruturao das entrevistas qualitativas, podendo ser estrututurada ou

    no-estruturada. Como exemplo do modelo estruturado, pode-se citar,

    conforme Bogdan e Biklen (1994, p. 135) as entrevistas relativamente

    abertas, apiam-se em tpicos ou podem ser direcionadas por algumas

    questes. Estas permitem que o sujeito molde o contedo e garante a

    certeza da comparao entre os dados, mas impedem a oportunidade

    de compreender como que os sujeitos estruturam a questo.

    Quanto ao modelo de entrevista no-estruturada, so denominadas

    pelos autores como a entrevista muito aberta, no qual o entrevistador

    permite que o sujeito fale sobre suas reas de interesse, buscando

    sempre aprofundar-se e retomar os tpicos e temas do incio da

    entrevista. Neste caso, quem conduz o contedo da entrevista o

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    entrevista. Neste caso, quem conduz o contedo da entrevista o

    sujeito .

    Os autores afirmam que no so favorveis a um ou outro tipo de

    entrevista, pois a escolha deve ser determinada conforme o objeto da

    pesquisa e se pode utilizar os diferentes tipos em diferentes fases de

    um mesmo estudo. Neste sentido, Duarte (2004, p. 215) esclarece que:

    Cabe ao pesquisador avaliar a situao, antes de sua entrada no

    campo, para escolher de que recursos vai lanar mo. Entrevistas so

    fundamentais quando se precisa/deseja mapear prticas, crenas,

    valores e sistemas classificatrios de universos sociais especficos,

    mais ou menos bem delimitados, em que os conflitos e contradies

    no estejam claramente explicitados.

    Durante a pesquisa participante, o entrevistador j conhece os

    sujeitos, na maioria das vezes, o que permite que a entrevista possa

    acontecer naturalmente, durante uma conversa. Contudo, quando se

    procura informaes especficas, a entrevista pode tornar-se mais

    formal, com o passar do tempo. Mas existem casos em que os sujeitos

    so completamente desconhecidos. Isso torna as primeiras abordagens

    um pouco mais difceis. Nesse caso deve-se procurar um tpico em

    comum entre investigador e sujeito para iniciar uma conversa banal e

    esta levar a construo de uma relao.

    Para facilitar a entrevista, o pesquisador deve informar sobre os

    objetivos, mesmo que de forma breve, e o carter confidencial do

    estudo, deixando o entrevistado vontade para falar o que realmente

    pensa.

    Ao explicarem como so feitas as boas entrevistas, Bogdan e Biklen

    (1994) afirmam que estas caracterizam-se pelo fato de o investigador

    deixar os sujeitos vontade, livres para expressarem seus pontos de

    vista. Alm disso, deve-se comunicar ao sujeito o interesse do

    entrevistador e as transcries devem estar bastante detalhadas e com

    exemplos. Em caso de respostas no compreendidas, deve-se

    perguntar: o que quer dizer com isso? No tenho certeza de que

    entendi o que disse; pode me explicar melhor?

    Outra caracterstica referente boa entrevista, abordada pelos autores

    citados anteriormente, sobre a estruturao das perguntas a serem

    feitas. Deve-se sempre evitar perguntas que possam ser respondidas

    com sim ou no, ou seja, no elaborar perguntas fechadas, ao

    contrrio, fazer perguntas que incentivem o entrevistado a discorrer

    sobre ela, em seguida, ouvir cuidadosamente o que o sujeito diz e

    fazer perguntas no sentido de clarificar algumas coisas que no foram

    bem explicadas, nunca desafiando o sujeito. Deve-se tambm, tomar

    cuidado em no persuadir o entrevistado a determinadas respostas e

    ser flexvel cada entrevistado necessita de uma postura do

    entrevistador.

    Na busca indispensvel para proporcionar um clima no qual os

    entrevistados sintam-se livres para falar de seus valores, pode-se

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    entrevistados sintam-se livres para falar de seus valores, pode-se

    encontrar dificuldades quando houver diferenas entre os pontos de

    vistas do entrevistador e entrevistado. Para enfrentar essa dificuldade

    da melhor forma possvel, no permitindo que ela atrapalhe a

    investigao, no se pode tentar modificar essas diferenas, mas,

    compreender a partir do ponto de vista do sujeito. Evidencia-se,

    portanto, que mesmo no havendo empatia com o entrevistado,

    possvel realizar uma boa entrevista. Duarte (2004, p. 220) confirma

    esses dizeres, ao apontar que Para ver o mundo pelo ponto de vista

    do entrevistado, para compreender sua lgica e produzir

    conhecimento sobre sua existncia, no preciso identificar-se com

    ele ou com as posies que ele defende [...].

    A autora discute sobre as condies indispensveis ao pesquisador para

    a realizao de uma boa entrevista.

    A realizao de uma boa entrevista exige: a) que o pesquisador tenha

    muito bem definidos os objetivos de sua pesquisa (e introjetados

    no suficiente que eles estejam bem definidos apenas no papel);

    b) que ele conhea, com alguma profundidade, o contexto em que

    pretende realizar sua investigao (a experincia pessoal, conversas

    com pessoas que participam daquele universo egos

    focais/informantes privilegiados , leitura de estudos precedentes e

    uma cuidadosa reviso bibliogrfica so requisitos fundamentais para a

    entrada do pesquisador no campo); c) a introjeo, pelo entrevistador,

    do roteiro da entrevista (fazer uma entrevista no-vlida com o

    roteiro fundamental para evitar engasgos no momento da

    realizao das entrevistas vlidas); d) segurana e auto-confiana; e)

    algum nvel de informalidade, sem jamais perder de vista os objetivos

    que levaram a buscar aquele sujeito especfico como fonte de material

    emprico para sua investigao (DUARTE, 2004, p. 216).

    Quanto transcrio de entrevistas, Bogdan e Biklen (1994) aconselham

    que preferencialmente, seja feita depois da sesso. J no caso de

    entrevistas longas sugerem que as anotaes sejam feitas rapidamente,

    durante a sesso, apenas alguns pontos que nos ajudaro a lembrar mais

    tarde, quando transcrever todos os detalhes da entrevista. Sobre este

    assunto, pode-se tambm citar Gil (1991, p.94), o qual afirma que:

    O entrevistador dever ser bastante habilidoso ao registrar as

    respostas. Dever ter a preocupao de registras exatamente o que foi

    dito. Dever, ainda, garantir que a resposta seja completa e

    suficiente. Ser ainda conveniente ao entrevistador ser capaz de

    registrar as reaes do entrevistado as perguntas que so feitas. A

    expresso no verbal do entrevistado poder ser de grande utilidade

    na anlise da qualidade das respostas.

    Segundo LAGE (2001), deve-se analisar o material transcrito, as

    palavras e comportamentos no-verbais, como risos, choros,

    diferenas na entonao da voz, gestos que foram registrados, etc. As

    expresses e erros gramaticais devem ser eliminados na transcrio,

    para que no haja constrangimento do entrevistado, caso seja

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    necessrio lhe apresentar o texto para apreciao.

    Ainda sobre a transcrio das entrevistas, Duarte (2004) faz algumas

    consideraes, as quais merecem ser destacadas. Segundo esta autora,

    as entrevistas:

    [...] devem ser transcritas, logo depois de encerradas, de preferncia

    por quem as realiza. Depois de transcrita, a entrevista deve passar

    pela chamada conferncia de fidedignidade: ouvir a gravao tendo o

    texto transcrito em mos, acompanhando e conferindo cada frase,

    mudanas de entonao, interjeies, interrupes etc. (DUARTE,

    2004, p. 220).

    Em outro trabalho, Duarte (2002) discute a respeito de algumas

    dificuldades acerca do uso de mtodos qualitativos na pesquisa de

    campo, abordando problemas relativos delimitao do universo de

    pesquisa, os critrios para a seleo dos sujeitos, elaborao e

    realizao de roteiros de entrevistas, organizao e anlise de dados

    obtidos. Segundo a autora, A definio do objeto de pesquisa assim

    como a opo metodolgica constituem um processo to importante

    para o pesquisador quanto o texto que ele elabora ao final (p. 141).

    Duarte (2002) discute a questo da delimitao do universo de sujeitos

    a serem entrevistados. Para a autora, o nmero de sujeitos

    dificilmente pode ser determinado com antecedncia, numa pesquisa

    qualitativa, pois Enquanto estiverem aparecendo dados originais ou

    pistas que possam indicar novas perspectivas investigao em curso

    as entrevistas precisam continuar sendo feitas (p. 143 144).

    Outra dificuldade que tem-se que enfrentar ao realizar uma entrevista,

    refere-se ao fato de que os diversos fatores relativos ao contato entre

    pesquisador e sujeitos devem ser registrados e posteriormente,

    analisados.

    Registrar o modo como so estabelecidos esses contatos, a forma como

    o entrevistador recebido pelo entrevistado, o grau de

    disponibilidade para a concesso do depoimento, o local em que

    concedido (casa, escritrio, espao pblico etc.), a postura adotada

    durante a coleta do depoimento, gestos, sinais corporais e/ou

    mudanas de tom de voz etc., tudo fornece elementos significativos

    para a leitura/interpretao posterior daquele depoimento, bem como

    para a compreenso do universo investigado (DUARTE, 2002, p. 145).

    A entrevista como tcnica de pesquisa apresenta algumas limitaes,

    se comparada a outras tcnicas, como por exemplo: requer maior

    dispndio de tempo; pode levar a enviesamentos provocados por

    quem investiga, principalmente quando o entrevistador possui pouca

    aptido para entrevistar; o entrevistado pode no se recordar de

    informaes importantes e a anlise dos dados pode ser demorada,

    principalmente quando as questes forem de resposta aberta;

    dificuldades de comunicao e de expresso, de ambas as partes;

    possibilidade de ocorrer falsa interpretao das perguntas, tornando

    importante as respostas no significantes; possibilidade de influncia

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    importante as respostas no significantes; possibilidade de influncia

    por parte do entrevistador e disposio varivel, por parte do

    entrevistado, em dar informaes.

    Por outro lado, muitas so as vantagens da aplicao desta tcnica em

    pesquisas qualitativas, pois ela permite a explorao e a colocao de

    questes complementares, quando se busca clarear ou confirmar

    alguma informao; favorece a obteno de informao de maior

    profundidade e informao sobre os significados internos e maneiras

    de pensar dos entrevistados; acesso a informaes armazenadas

    informalmente; permite uma ampla gama de possveis entrevistados,

    inclusive analfabetos; permite uma amostra maior e por isso, mais fiel

    das populaes; obteno de dados no encontrados em fontes

    documentais; possibilidade de obter informaes mais precisas,

    podendo ser confrontadas e comprovadas de imediato, dentre outras

    vantagens.

    Considerando os dizeres de Gil (1999, p. 42), ao afirmar que O

    objetivo fundamental da pesquisa descobrir respostas para problemas

    mediante o emprego de procedimentos cientficos, pode-se perceber

    que a escolha consciente e a aplicao/anlise de forma responsvel e

    rigorosa, dos mtodos e das tcnicas de pesquisas, so fatores

    determinantes para que os resultados tenham veracidade e sejam

    considerados cientficos.

    3.CONCLUSO

    Qualquer que seja a tcnica ou o mtodo escolhido pelo pesquisador

    haver limitaes. O importante que o pesquisador tenha clareza

    sobre a natureza do objeto a ser estudado e sobre os mtodos e

    tcnicas mais adequados a sua investigao. Em outras palavras, o uso

    da entrevista como instrumento metodolgico, determinado pela

    necessidade do objeto a ser trabalhado.

    A entrevista, quando aplicada e analisada de forma responsvel, pode

    fornecer dados importantes sobre o objeto da pesquisa e, alm disso,

    pode ser usada conjugadamente com outras tcnicas e instrumentos

    mencionados anteriormente, os quais, em conjunto podem levar a

    obteno de dados mais confiveis e, portanto, mais cientficos.

    Porm, imprescindvel que o pesquisador esteja suficientemente

    esclarecido sobre os limites e possibilidades de cada tcnica de

    pesquisa e sobre os critrios necessrios a sua aplicao e

    interpretao dos dados obtidos, utilizando-as assim, de forma eficaz

    e consciente. somente a partir desse comprometimento em relao

    pesquisa, que os resultados sero significativos e tero validade

    cientfica.

    O bom entrevistador aquele que sabe ouvir, mas ouvir de forma

    ativa, demonstrando ao entrevistado que est interessado em sua fala,

    em suas emoes. tambm, aquele que realiza novos

    questionamentos, mas sem influenciar seu discurso, ou seja, aprofunda

    o relato do participante e mostra ateno sobre detalhes importantes,

    mas sem impor sua forma de pensar sobre o assunto, na inteno de

    induzir a determinado resultado.

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    induzir a determinado resultado.

    Sendo assim, reconhecida a relevncia de investigaes que

    discutam sobre cada uma das diversas tcnicas de pesquisa e alerte

    para a importncia de serem aplicadas com conhecimento e rigor e

    analisadas de forma detalhada e responsvel.

    REFERNCIAS

    BICUDO, F.A entrevista- testemunho: quando o dilogo possvel. Revista Caros Amigos. Disponvel em:

    . Acesso em 17 de mar. 2006.

    BOGDAN, Robert; BIKLEN, Sar i. Investigao qualitativa em educao. Porto: Porto Editora, 1994.

    DUARTE, Roslia. Entrevistas em pesquisas qualitativas. Educar: Cur itiba, n. 24, p. 213-225, 2004.

    DUARTE, Roslia. Pesquisa qualitativa: reflexes sobre o trabalho de campo. Cadernos de pesquisa, n. 115,

    maro/ 2002 p. 139-154, maro/ 2002.

    GIL, Antnio Carlos. Mtodos e tcnicas de pesquisa social. 5. ed. So Paulo: Atlas,

    1999.

    LAGE, N. A reportagem: teor ia e tcnica de entrevista e pesquisa jornalstica. Rio de Janeiro: Record, 2001.

    MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Tcnicas de Pesquisa: planejamento e execuo de

    pesquisas, amostragens e tcnicas de pesquisa, elaborao, anlise e interpretao de dados. 4. ed. So Paulo:

    Atlas, 1999.

    SEVERINO, Antnio Joaquim. Metodologia do trabalho cientfico. 23 ed. rev. e atual. So Paulo: Cortez, 2007.

    FRASER, Mrcia Tourinho Dantas; GONDIM, Snia Maria Guedes. Da fala do outro ao texto negociado: discusses

    sobre a entrevista na pesquisa qualitativa. Paidia, 2004, vol. 14, n 28, p.139 -152. Disponvel em: . Acesso em: 23/01/2009

    Publicado em 30/04/2009

    Luciana Camurra, Cludia Cristina Batistela - Luciana Camurra -

    Graduada em Psicologia (2007) e Mestranda em Educao pela

    Universidade Estadual de Maring.

    Cludia Cristina Batistela - Graduada em Comunicao Social -

    Publicidade e Propaganda (2003). Ps-graduada em Marketing-MBA

    (2005) e especialista em Educao a Distncia (2008). Mestranda em

    Educao pela Universidade Estadual de Maring. Atua como professora

    da Unifamma, Faculdade Amrica do Sul e CESUMAR.

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