A DECEPO COM OS QUE AMAMOS

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    16-Nov-2015

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A DECEPO COM OS QUE AMAMOS

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  • A DECEPO COM OS QUE AMAMOS: Cura pela Palavra de Deus para a Decepo

    Ento, Jesus lhes disse: Esta noite, todos vs vos escandalizareis comigo; porque est

    escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficaro dispersas. Mas, depois da minha

    ressurreio, irei adiante de vs para a Galilia. (Mt 26:31,32).

    EXTRADO DO LIVRO: CURA PELA PALAVRA. Autor: Pr. Marcelo Aguiar. Editora: Betnia (Livros que

    falam de Deus).

    Dados sobre o Autor: Pr. Marcelo Rodrigues de Aguiar, formado em teologia pelo Seminrio Teolgico

    Batista do Sul do Brasil, e em psicologia pela Universidade Federal do Esprito Santo. Pastoreia a Igreja

    Batista em Paul, na cidade de Vila Velha ES, e leciona Velho Testamento e Psicologia no Seminrio

    Teolgico Batista do Esprito Santo.

    CAPTULO 5 A Decepo com os que Amamos: Cura pela Palavra de Deus para a Decepo (transcrio na ntegra)

    Perdoar no uma tarefa das mais fcil para o ser humano. No entanto mais difcil ainda perdoar a

    algum a quem amamos, a quem nos entregamos, uma pessoa em quem confiamos e que nos traiu. Toda

    decepo machuca, mas o desapontamento causado por um amigo, um irmo, um amor, nos machuca

    muito mais.

    O rei Davi conheceu bem essa dor. Depois de passar por uma experincia de profunda desiluso,

    escreveu: Estremece-me no peito o corao, terrores de morte me salteiam. Com efeito, no inimigo

    que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele

    eu me esconderia; mas s tu, homem meu igual, meu companheiro e meu ntimo amigo. Juntos

    andvamos, juntos nos entretnhamos e amos com a multido Casa de Deus. (Sl 55:4, 12-14).

    O corao decepcionado pode atirar-se num estado de depresso e rancor, passando a abrigar feridas

    profundas e lembranas amargas. Com isso, torna-se difcil para ns confiarmos de novo em algum.

    Gostaramos de evitar os desapontamentos, mas no h como ser feliz sem confiar, e no h como

    confiar sem correr o risco da desiluso. Podemos tomar algumas precaues, verdade, mas essas nunca

    nos proporcionaro uma garantia total contra a decepo. Assim, esta ser sempre uma das possibilidades

    da vida. Nunca iremos erradic-la da face do planeta. Amar abrir-se, tornar-se acessvel, oferecer-se

    ao encontro, ficar vulnervel, arriscar-se.

    No h nunca amor perfeito sem tortura e sem cuidado. Amar ter Deus no peito, outra vez

    crucificado.

    (Augusto Gil, extrado de Russel Norman Champlin. Op. Cit., v. 2, p. 517).

    As pessoas que foram mais felizes, as que deixaram marcas mais positivas na histria da raa

    humana, foram as que amaram a muitos e com muita intensidade. Foram, tambm, as que

    experimentaram o sofrimento e o desapontamento. A maior prova disso encontramos na vida do prprio

    Senhor Jesus. No entanto ele deixou a lio de que podemos superar a decepo com os que amamos,

    desde que a enfrentemos com confiana em Deus e com disposio de perdoar aos nossos ofensores.

    ENCARANDO A DECEPO COM NIMO E CONFIANA

    No momento em que Jesus mais precisou de seus amigos, eles o abandonaram. Depois de tudo o

    que fizera por eles, tudo lhes ensinara, tudo o que passaram juntos, eles o deixaram. O Senhor no pde

  • contar com a solidariedade dos discpulos no instante mais difcil de toda a sua vida. Enquanto o Mestre

    orava e agonizava no Getsmani, eles dormiam (Lc 22:39-46). Enquanto ele era preso e agredido pelos

    soldados, eles fugiam (Mc 14:43-52). Enquanto as autoridades o inquiriam, ele o negavam (Joo 18:13-

    27). Que decepo! Que triste retribuio ao carinho e confiana do Senhor! Que recompensa negativa

    para sua disposio de morrer no lugar deles na cruz! No obstante, Jesus foi capaz de transformar aquela

    provao em vitria. Superou aquele desapontamento sem permitir que isso destrusse seu

    relacionamento com os amigos. E no abandonou seu propsito de estabelecer novas relaes com outras

    pessoas no futuro.

    Cristo previu que seria preso e crucificado. Previu tambm que os discpulos o abandonariam. Ento,

    Jesus lhes disse: Esta noite, todos vs vos escandalizareis comigo; porque est escrito: Ferirei o pastor,

    e as ovelhas do rebanho ficaro dispersas. (Mt. 26:31). Ele se referia a uma profecia messinica do Velho

    Testamento (Zc 13:7). Sua morte no foi um acidente, uma fatalidade. Na verdade foi a razo de sua vinda

    a este mundo. O bom pastor d a vida pelas ovelhas e ele, o nosso Pastor ferido, veio dar a sua vida por

    ns. Jesus tinha trinta e trs anos de idade e j fizera muita coisa, mas a realizao mais importante de

    sua existncia ainda estava por vir. Ele sabia o que o esperava a decepo, a calnia, a agresso, a

    vergonha, a humilhao, o sofrimento, a dor, a cruz. Mas nada o impediria de cumprir sua misso. No

    pensou em voltar atrs. Enfrentou a adversidade com nimo e confiana. Seguiu em frente apesar de saber

    que o sofrimento e a ingratido eram certos.

    O Senhor agiu assim porque, alm da certeza da batalha, tinha tambm convico da vitria. Mas,

    depois da minha ressurreio..., acrescentou, lanando o brilho da esperana sobre previses to

    sombrias: Mas, depois da minha ressurreio, irei adiante de vs para a Galilia. (Mt 26:32). Jesus sabia

    que lutas viriam, mas tambm que o triunfo lhe pertenceria no final. No disse aos discpulos: Se eu

    ressuscitar. Declarou-lhe: Depois que eu ressuscitar. Em seu corao, no havia a menor sombra de

    dvida de que o Pai lhe concederia o xito almejado. Ele sabia que Deus podia transformar derrotas

    aparentes em vitrias incontestveis. E foi o que, de fato, aconteceu no Calvrio.

    Jesus no desanimou porque ele no esperava o reconhecimento por parte dos homens. Esperava-o

    de Deus. E o Pai no decepciona nunca. Devemos estar cientes de que o desapontamento uma das

    possibilidades em nossos relacionamentos humanos. Certamente no a nica, mas compreensvel, j que

    estamos lidando com pessoas, as quais, como ns, so falhas e limitadas. Quantas vezes no

    decepcionamos o Senhor? Quantas vezes no desapontamos a ns mesmos? Assim tambm podemos

    desapontar os outros, ou com eles decepcionarmo-nos. Mas se vivemos, trabalhamos, amamos e

    ajudamos, esperando apenas o reconhecimento de Deus, ento a vida se enche de um novo significado.

    Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo corao, como para o Senhor e no para homens, cientes de que

    recebereis do Senhor a recompensa da herana. A Cristo, o Senhor, que estais servindo (Cl 3:23, 24).

    Existe um antigo conto rabe a respeito de um homem que estava sempre a p, parando de vez em

    quando para dormir ou repousar. Ele carregava um saco com sementes junto sua bagagem. Cada vez

    que parava, retirava do saco a semente de uma rvore e plantava-a naquele lugar que havia escolhido para

    descansar. Depois seguia seu caminho. Nunca mais passaria ali.

    Diversas pessoas o questionavam, dizendo:

    - Por que voc faz isso? As sementes levaro muito tempo para germinar e as rvores ainda mais

    para crescer. Voc nunca se beneficiar do resultado do seu trabalho. Nunca repousar sombra dessas

    plantas, nem comer dos seus frutos.

    - No importa, respondia ele. Basta-me a alegria de saber que, um dia, um viajante como eu encontrar

    aqui uma sombra sob a qual repousar; e frutos com os quais saciar a fome.

    - Voc no receber em paga nem ao menos o reconhecimento desses viajantes. Eles jamais sabero

    quem plantou as rvores. E, de qualquer forma, voc no estar aqui para receber os agradecimentos.

  • - Tampouco isso me incomoda, porque tambm no na gratido das pessoas que deposito a minha

    satisfao, dizia ele por fim. Eu sei o que fiz, em que ajudei, o que dei de mim. Contribu para tornar o

    mundo um pouco melhor. Essa conscincia toda a recompensa de que preciso.

    Fazemos o bem para receber o agradecimento dos homens ou simplesmente pela satisfao de faz-

    lo? Precisamos sondar nosso corao e responder com sinceridade a essa pergunta. A expectativa do

    reconhecimento a verdadeira motivao de muitas pessoas, e acaba gerando repetidas decepes

    quando o to esperado agradecimento no vem. Devemos refletir sobre o porqu de fazermos o que

    fazemos. Precisamos saber que, seja como for, o reconhecimento sempre vir. Talvez no venha das

    pessoas, mas, inevitavelmente, vir de Deus.

    Jesus enfrentou a decepo com nimo e confiana porque contemplava o Pai. Se os nossos olhos

    estiverem firmados em Deus e neles brotarem lgrimas provenientes do abandono, da ingratido ou da

    desiluso, o Senhor as enxugar. Ele o nico do qual podemos esperar reconhecimento e o galardo. O

    nico que nunca decepciona.

    ENCARANDO A DECEPO COM A DISPOSIO DE PERDOAR

    Houve outra atitude de Jesus que foi decisiva para que ele superasse a decepo com os que amava.

    Ele enfrentou o desapontamento com a disposio de perdoar. Essa atitude torna possvel que um

    relacionamento abalado pela decepo seja restaurado, e at mesmo que venha a tornar-se ainda mais

    ntimo do que antes. O que encobre a transgresso busca a amizade, mas o que renova a questo, separa

    os maiores amigos, diz a Bblia (Pv 17:9 IBB).

    Se estivssemos no lugar do Salvador, provvel que esperssemos pedidos de desculpas dos

    discpulos. E, mesmo assim, talvez no os aceitssemos! Mas Jesus tomou a iniciativa da reconciliao;

    no esperou que lhes pedisse perdo. [GRIFO NOSSO: ressalte-se que muitas pessoas, inclusive lderes

    religiosos querem ser e agem como se fossem verdadeiros deuses; no lhes do sequer uma cordial

    ateno, quanto a disposio de perdoar e/ou liberar o perdo.] Eles estavam envergonhados e confusos

    e, por isso, talvez no o procurassem nunca. comum esperarmos que nossos ofensores nos procurem

    para retratarem-se. E a fica um esperando pelo outro; ningum quer ser o primeiro, ningum quer dar o

    brao a torcer. Com isso corremos o risco de esperar muito tempo, talvez para sempre. A amargura pode

    instalar-se e criar razes profundas. Amizades podem ser irremediavelmente perdidas. O orgulho cobra

    um preo alto pela sua manuteno a nossa infelicidade. A Palavra adverte: Atentando, diligentemente,

    por que ningum seja faltoso, separando-se da graa de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que

    brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados. (Hb 12:15).

    Jesus tomou a iniciativa. Ainda antes que os discpulos reconhecessem a prpria culpa e o

    procurassem, disse-lhes: Depois da minha ressurreio, irei adiante de vs para a Galilia. (Mt 26:32).

    Ele deixou o encontro marcado, a reconciliao agendada, o caminho aberto. Dizer aos discpulos que os

    encontraria na Galilia equivalia a dizer-lhes que tudo seria como antes, que nada mudaria entre eles, que

    no ficariam sequelas.

    A Judia, onde ficava Jerusalm, a capital, sempre foi o territrio mais importante e mais badalado

    de Israel. Era ali que eles estavam naquele momento que precedia a paixo de Jesus. A Judia ficaria

    sempre marcada como o local onde o Filho de Deus morreu em uma cruz para trazer a salvao

    humanidade. Mas a Galilia terra de gente mais humilde e mais simples tinha para o Mestre e os

    discpulos um significado especial, um sabor de intimidade. Ali haviam nascido muitos deles. Ali passaram

    a infncia, cresceram, tornaram-se homens. Ali Jesus exerceu a maior parte do seu ministrio, realizou

    muitos de seus milagres, pregou a maioria dos sermes. A Galilia trazia ao grupo lembranas muito

    agradveis: a pesca maravilhosa, o sermo do monte, a multiplicao dos pes e peixes, a transfigurao,

    e assim por diante. Na Galilia, Jesus e seus seguidores sempre encontraram um ambiente mais

    espontneo e hospitaleiro. Ali sentiam-se vontade. Ali estavam em casa.

  • Irei adiante de vs para a Galilia, prometeu o Senhor antes de enfrentar a morte. Depois de derrot-

    la, renovou a promessa. Ele disse s mulheres que o encontraram prximo ao sepulcro: No temais! Ide

    avisar a meus irmos que se dirijam Galilia e l me vero. (Mt 28:10). O lugar escolhido para o

    reencontro indicava que a comunho entre eles seria restabelecida, que no haveria mgoas, prevenes,

    ressentimentos ou distanciamentos. Significava tambm que doravante deixariam de ser apenas um grupo

    formado por um mestre e seus alunos. Seriam ainda mais do que isso: seriam irmos. Meus irmos

    Jesus no se referira aos seus discpulos assim antes.

    Uma relao pode tornar-se melhor do que era antes de ser abalada pela decepo? possvel. Mas

    para que isso acontea indispensvel que haja disposio para perdoar. Essa tem de estar presente e

    ser sincera. A Bblia diz: Acautelai-vos. Se teu irmo pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender,

    perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti perdoa-lhe. (Lc 17:3, 4). Deus, que rico em

    perdoar, exorta-nos a que perdoemos tambm.

    - Por que deveria perdoar a meu ofensor? Perguntou um monge ao seu mestre. Ele agiu mal para

    comigo!

    - verdade, respondeu o sbio. Mas e tu, que mal fizeste, para que carregues contigo o peso de no

    perdoar?

    Podemos, sim, enfrentar e superar a decepo com os que amamos, sempre to dolorosa e temida.

    s encar-la com nimo e confiana, seguir em frente, apesar das dificuldades. s ter disposio de

    perdoar, tomar a iniciativa, reconquistando ou ganhando o irmo.

    No podemos evitar a decepo com os que amamos. Mas podemos transform-la numa experincia

    positiva para com Deus, para com o prximo e para conosco. Podemos torn-la numa oportunidade de

    crescimento e enriquecimento pessoal que nos deixar ainda mais habilitados para as vitrias que nos

    tem reservado o Senhor. Amm!

    Colaborao: Ir. Paulo Afonso R. Costa.