A Comunicao Constitutiva das Organizaes Contemporneas ...

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    A Comunicao Constitutiva das Organizaes Contemporneas: reflexes sobre as aproximaes possveis entre a TAC e a CCO

    Autoria: Giovanna Migotto da Fonseca Galleli, Marlene Marchiori

    A abordagem da Comunicao Constituindo a Organizao (CCO) coloca no centro do debate a comunicao e a interao entre sujeitos na construo de realidades sociais. Essa abordagem vem sendo tratada como um novo paradigma para compreender as diferentes dimenses da organizao, desde a origem e a natureza de seus processos at a formao dos contextos organizacionais. A comunicao deve ser compreendida nos movimentos organizacionais gerados pelos sujeitos que, em comunicao, pelo uso da linguagem e da produo de significados, considerando principalmente os espaos de fala, participam da construo das organizaes. Nesse sentido, este ensaio busca contribuir para delinear aproximaes entre a CCO e a Teoria do Agir Comunicativo, de Jrgen Habermas, e, com isso, ampliar as reflexes sobre a comunicao nas organizaes contemporneas. Consideram-se como possibilidades para novos estudos: a fala e o uso da linguagem, que transcende o estgio de conhecimento; os processos de construo de sentidos, sendo as negociaes um processo mediado pelas relaes; e os sujeitos no centro dos processos politicamente construdos, ao singularizar a relao entre o simblico e o material. Palavras-chaves: Comunicao Constitutiva, Comunicao, Organizao, Sujeitos, Habermas Introduo Da Revoluo Industrial Era do Conhecimento, os Estudos Organizacionais promoveram progressos significativos no entendimento sobre comunicao. Num olhar para as organizaes contemporneas, porm, revela-se uma comunicao ainda vista como algo presente na estrutura ou como mera ferramenta para a transmisso de informao aos pblicos, no reconhecida como a essncia do processo de organizar. A predominncia da racionalidade instrumental e do pensamento funcionalista, no entanto, tem sido questionada pela viso pluralista de interpretativistas como Linda Putnam (1983) que reconhecem a comunicao como um processo simblico, um fenmeno social inerente ao cotidiano da organizao e como uma fora constitutiva. Esse avano parte da viso da estrutura organizacional [...] como resultado de uma srie de aes fsicas e discursivas que tm propriedades de estruturao e organizing [...] com agentes humanos e no-humanos (COOREN, 1999, p. 295) (traduo livre), como tecnologias e objetos. Especialmente no que tange as aes discursivas compreendidas como constitutivas da organizao, tem-se a forte influencia da Filosofia Crtica sobre a Escola de Comunicao Norte Americana, a partir da Virada Lingustica pela qual passou a Teoria Social, que trouxe a linguagem como condio bsica ontolgica de produo e no da reflexo da realidade social. Tudo isso, marcadamente por meio da Teoria dos Atos de Fala de Austin (1975) e Searle (1969, 1995), conforme destacam Aschcraft et al. (2009) e Cooren (1999). A perspectiva da formao social e discursiva organizacional tem ocupado cada vez mais espao em mbito internacional especialmente com a denominao Comunicao Constituindo Organizao (CCO). Essa abordagem surgiu nos Estados Unidos com Robert McPhee e Pamela Zaug (2000) e vem sendo considerada um novo paradigma no campo da Comunicao (SCHOENEBORN et al., 2014), para compreender as diferentes dimenses da organizao, desde a origem e a natureza da estrutura at os tipos e o papel da comunicao nos processos e contextos organizacionais.

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    A CCO recebeu a contribuio de Robert Craig (1999), que a defende como um metamodelo, e fortaleceu-se com as publicaes da obra de Linda Putnam e Anee Nicotera (2009) e do trabalho de Karen Ashcraft, Timothy Kuhn e Franois Cooren, apresentado no Congresso da Academy of Management (2009). Vale destacar que Cooren tem significativo trabalho no campo da Comunicao na Escola de Montreal, que liderada por James Taylor. Em resumo, a CCO coloca no centro do debate a comunicao e a interao dos sujeitos na construo da organizao. Tal pensamento parte da perspectiva interpretativista, que considera a comunicao nos processos de produo e de reproduo, coletivos e cotidianos, das organizaes e de suas culturas, no como uma varivel numa estrutura fixa e acabada (SMIRCICH, 1983; PUTNAM; PACANOWSKI, 1983; SMITH, 1993, MARCHIORI, 2008; 2010). Parte-se, portanto, do pressuposto [...] que a comunicao constitutiva das organizaes e da vida organizacional (DEETZ, 2010, p. 85), ou seja, formativa, cria e representa o prprio processo de organizar (PUTNAM et al., 2004). Salienta-se que se tem na Teoria Crtica (TC) a escola que [...] nos capacita a no apenas entender e criticar relaes de poder, mas tambm desfazer dos modelos de raciocnio sobre os quais estruturas e organizaes de poder especficas so construdas (MUMBY, 2010, p. 26). Considerando o contexto de interdependncia nas relaes entre os sujeitos para que se tornem sujeitos emancipados, encontra-se uma possvel reflexo sobre as bases das aes organizacionais e sobre como a comunicao tratada principalmente no que se refere aos diferentes agires dos sujeitos, a partir da Teoria do Agir Comunicativo (TAC) de Habermas (2012-I; 2012-II).

    Ao propor um novo paradigma com a TAC, Habermas est tratando da potencial reconquista da liberdade do sujeito (FREITAG, 2004). Nesse sentido, a comunicao deve ser percebida na constituio dos movimentos organizacionais, no apenas como ferramenta, mas como processo pelo qual os sujeitos participam da construo das organizaes. Adotando a TAC como uma das lentes de anlise, este ensaio busca suscitar reflexes sobre as racionalidades, isto , as intenes que formam e direcionam os processos e as prticas nas organizaes do Sculo XXI. Contemplando, nesse exerccio, de um lado a comunicao estratgica, baseada na racionalidade instrumental, e, de outro, a comunicao para o entendimento, com base na racionalidade comunicativa, cuja ao est no que Habermas chama de agir comunicativo. Enquanto a primeira busca o xito a partir da dominao, a segunda reconhece os sujeitos como sendo plenos em sua capacidade crtica e de compartilhar experincias; sujeitos [...] reconhecidos como personalidades autnomas, sujeitos de direitos e sujeitos psquicos que tm palavras a dizer tanto sobre a evoluo da organizao como da sociedade (ENRIQUEZ, 1997, p. 11). Sendo assim, tem-se a racionalidade comunicativa de Habermas como ponto central do debate sobre o possvel caminho para o resgate dos sujeitos na construo das culturas e dos contextos organizacionais. Esse caminho, no entendimento das autoras deste ensaio, compactua com a viso epistmica da comunicao que est na essncia do processo da CCO, especialmente no Modelo de Quatro-Fluxos de McPhee e Zaug (2000). Diante disso, prope-se uma reflexo sobre as perspectivas presentes na CCO e na TAC e despendem-se esforos na tentativa de aproxim-las. Assim, parte-se da premissa de que uma organizao uma configurao de pessoas, tecnologias, edifcios e objetos que se mantm unidos pela mais frgil das amarras: a comunicao (TAYLOR; CASALI, 2010, p. 73). Sendo considerado relevante o estudo das racionalidades que subjazem a comunicao e, portanto, as amarras que constroem as organizaes.

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    A Teoria do Agir Comunicativo de Habermas O jornalista, socilogo e filsofo alemo Jrgen Habermas percorreu diferentes caminhos at chegar concepo de sua TAC, em 1981, na qual ao e interao no mais so vistas unicamente como produo de efeitos, mas analisadas como associadas trama de trocas simblicas e contextos lingusticos (MATTELART; MATTELART, 2012, p. 144-145). Com a TAC, portanto, Habermas busca [...] dar sequncia a uma teoria social crtica capaz de recuperar o otimismo no futuro de uma sociedade emancipada (BANNWART JNIOR, 2012, p. 149).

    Na Teoria Crtica, porm, o sentido original do conceito de razo como processo emancipatrio, de Immanuel Kant (1724-1804) e Georg Hegel (1770-1831), perdeu o sentido sobreposto pelo de instrumentalizao e dominao da natureza e represso do homem pela Cincia. Esta abordagem deu-se, nos anos de 1930, na Escola de Frankfurt, bero da TC, com Max Horkheimer (1895-1973) e Theodor Adorno (1903-1969) (FREITAG, 2002).

    J na TAC, Habermas contempla uma tipologia de racionalidades que tem, de um lado, a racionalidade instrumental, orientada para fins, pela qual a cincia e a tcnica legitimam o Estado capitalista moderno, e, de outro, a racionalidade comunicativa, orientada para o entendimento. Embora possa aparentar, no h contraposio entre elas. Na realidade, Habermas ensina que [...] ambas no apenas [so] necessrias produo e reproduo da vida em sociedade, como tambm complementares (NOBRE, 2004, p. 58, grifo do autor). Esta relao de dependncia mtua pode ser mais bem compreendida quando Habermas discute o domnio sobre o mundo da vida que ele busca na fenomenologia de Alfred Schtz (1899-1959) - tanto pelo sistema econmico capitalista, que ele chama de sistema dinheiro, quanto pelo sistema burocrtico moderno, o sistema poder, provocando patologias e perturbando a lgica desta complementaridade (HABERMAS, 2012-I; 2012-II). Nesse sentido, a contraposio est nos agires, sendo evidenciado o choque entre a ao estratgica, onde a relao estabelecida entre sujeito e objeto, e a ao comunicativa, onde h interao entre sujeitos. O conceito habermasiano relacionado interao para o entendimento passa pelo uso que Edmund Husserl (1859-1938) faz do termo na Fenomenologia, pela anlise sociolgica de Ludwig Wittgenstein (1889-1951) e pelo conceito durkheimiano de conscincia coletiva. Nesse sentido, a relao entre sujeito e mundo d-se de maneira pragmtica em trs diferentes esferas: (i) com algo no mundo objetivo (enquanto totalidade das entidades sobre as quais so possveis enunciados verdadeiros); (ii) com algo no mundo social (das relaes interpessoais reguladas legitimamente); e (iii) com algo no mundo subjetivo (das vivncias s quais o falante tem acesso privilegiado e que ele pode manifestar de modo veraz diante de um pblico) (HABERMAS, 2012-I; 2012-II). A relao dos sujeitos com os trs mundos central na ontologia de Habermas (VIZEU, 2005; REPA, 2008) e d-se no pragmatismo, isto , no modo como utilizada a linguagem, no ato de fala. Assim, a ao estratgica contraposta por [...] critrios de validade: a ao objetiva e cognitiva que impe dizer a verdade, a ao intersubjetiva que visa correo moral da ao, a ao expressiva que supe a sinceridade (MATTELART; MATTELART, 2012, p. 145, grifo nosso). Assim, para Habermas (2012-I, p. 31-32) o que determina o sentido da ao - a razo o modo especfico de empregar o saber, j que a racionalidade no tem tanto a ver com a posse do saber do que (sic) com o modo como os sujeitos capazes de falar e agir empregam o saber [...] [e] depende da confiabilidade do saber nela contido. A racionalidade comunicativa prescinde, portanto, do equilbrio entre as dimenses cognitivo-instrumental, prtico-moral e esttico-expressiva para coibir a invaso do mundo da vida (REPA, 2008).

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    Em Wittgenstein, Habermas notou [...] que os sujeitos esto desde sempre unidos em decorrncia da intersubjetividade enraizada nas estruturas da lngua (BANNWART JNIOR, 2012, p. 144). Avanando sobre o entendimento do processo de racionalizao mile Durkheim (1858-1917) e sobre o projeto interacionista de George Mead (1863-1931), baseado na reconstruo racional, Habermas (2012-II, p. 157-158) resume o entendimento que delineia a TAC, ao afirmar

    A comunicao lingustica voltada influenciao mtua e ao entendimento preenche os pressupostos de uma manifestao racional, ou seja, de uma racionalidade de sujeitos capazes de fala e ao. [...] a racionalidade que habita na linguagem pode tornar-se (sic) empiricamente eficaz, proporo que os atos comunicativos assumem o comando da interao social, preenchendo as funes de reproduo social e da manuteno dos mundos da vida sociais.

    A partir do ensinamento de que o conhecimento de si e do outro depende [...] da

    situao de fala, do uso da linguagem e de seus contextos (HABERMAS, 1990, p. 55), Wittgenstein influenciou J. L. Austin (1912-1960) na sua Teoria dos Atos de Fala, contemporaneamente difundida por seu discpulo John R. Searle, especialmente com a obra Speech Acts: An Essay in the Philosophy of Language, lanada em 1969. Na Teoria dos Atos de Fala a etnometodologia encontra o papel da linguagem performativa e formativa, graas ao qual [...] pelo ato da fala, pode-se agir sobre outro, faz-lo agir, ou efetuar, o prprio sujeito, uma ao (MATTELART; MATTELART, 2012, p. 142). Assim, com base em Austin, Habermas (1990, p. 67) entende que ao dizermos algo, fazemos algo.

    Em suma, compreende-se que a verso cognitiva do conceito de racionalidade, isto , a racionalidade da ao no uso do saber, passa por caminhos de dupla direo: orientada para um fim, com a inteno de intervir no mundo de forma bem-sucedida, a racionalidade cognitivo-instrumental, e a orientada para a verdade, com a inteno de chegar a um entendimento mtuo, a racionalidade comunicativa. Nessa direo, [...] os participantes, quando se referem a um mundo, manifestam de parte a parte pretenses de validade que podem ser aceitas ou contestadas (HABERMAS, 2012-I, p. 191).

    Partindo da Pragmtica Universal, Habermas destaca outras racionalidades tambm mediadas pelo uso da linguagem em atos de fala, porm, concebida de maneira unilateral para integrar a perspectiva do prprio ator, como nico coordenador da ao. Nos trs tipos de agires considerados casos-limites ao agir comunicativo agir teleolgico, agir normativo e agir dramatrgico (ver Quadro 3) a comunicao distorcida por influencia ou persuaso.

    No primeiro, a linguagem media como os falantes, orientados para o xito, atuam uns sobre os outros num modelo estratgico de ao. Assim, o agir teleolgico equivale ao tipo ideal do agir racional-finalista de Max Weber (1864-1920). No agir normativo, regulado por normas, a linguagem [...] transmite valores culturais e sustenta um consenso que simplesmente se reproduz com qualquer ato adicional de entendimento (HABERMAS, 2012-I, p. 183). J, no agir dramatrgico, a linguagem media a autoencenao, com a funo de expressar sentimentos. Nos agires normativo e dramatrgico h consenso no negociado.

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    Quadro 1 - Agires e Racionalidades em Habermas Tipo de Agir

    Orientao da linguagem

    Prtica

    Racionalidade/Inteno

    Agir Telealgico

    Como media, ferramenta para se atingir xito. Efeito perlocutrios

    Ao de influncia sobre o outro. Os sujeitos so coisas ou meios de o ator atingir seus prprios propsitos

    Instrumental, busca determinados fins, em planos de ao individualistas Estratgica, busca a satisfao, com xito imediato

    Agir Normativo

    Culturalstica e conteudstica, intermedia relaes interpessoais

    Reproduo de valores culturais. O consenso subsistente reproduzido

    A inteno , simplesmente, replicar a conveno social. Busca a legitimidade da ao

    Agir Dramatrgico

    Estilstica e esttica. Expresso de vivncias

    Autoencenao para expressar sentimentos

    Inteno de autorrepresentao de relao consensual entre pblico e representadores

    Agir Comunicativo

    Medium de entendimento. Sentido ilocucionrio

    Negociao em busca do entendimento mtuo

    Comunicativa. Reflexiva. Cooperativa no processo de interpretao da realidade

    Fonte: produzida pelas autoras, a partir de Habermas (2012-I, p. 166/182-195). Considerada a unilateralidade da linguagem nos trs primeiros casos, v-se claramente a funo em cada um: [...] o desencadeamento de efeitos perlocutrios, a criao de relaes interpessoais e a expresso de vivncias (HABERMAS, 2012-I, p. 184). Enfatiza-se, que para o Habermas (2012-I, p. 195), [...] a estrutura teleolgica de ao pressuposta a ponto de se atribuir aos atores a capacidade de demarcar propsitos e de agir de acordo com determinados fins, sendo essa forma presente em todos os tipos de agir, em determinados graus e momentos.

    Repa (2008, p. 167) destaca que na comunicao estratgica o sujeito [...] visto to somente como meio para alcanar um fim. De modo geral, o que se observa que na comunicao estratgica, baseada na racionalidade instrumental, a linguagem natural usada apenas como meio de transmisso de informaes, na qual a ao imediatamente orientada para o sucesso, prevalecendo clculos de ganhos egocntricos, diferentemente da ao comunicativa, onde ela fonte de integrao social (HABERMAS, 1989; LIMA, 2011). Destaca-se em Habermas (2012-I, p. 523), especialmente, a pressuposio de que um sujeito/falante [...] pode motivar racionalmente um ouvinte a aceitar a oferta de seu ato de fala [...] [dando-lhe] garantia de que, se necessrio, poder apontar razes convincentes e sustentveis em face de uma crtica que o ouvinte possa apresentar contra a pretenso de validade (grifo do autor). Entende-se, portanto, que a racionalidade do agir comunicativo tem como condio essencial o fato de um dos participantes da interao poder se posicionar com sim ou no (HABERMAS, 2012-I, p. 195). Nessa viso, a fora da argumentao [...] capaz de gerar uma motivao racional distinta de um simples efeito de influncia em relao a quem ela se dirige (PESQUEUX; VASCONCELOS, 2013, p. 32). Outrossim, sublinha-se que a busca do entendimento no coagido nem sempre bem sucedida, sendo essa uma oportunidade propcia para a abertura de discusso para uma nova busca consensual e no um momento negativo. Para que o consenso seja alcanado preciso que os sujeitos cooperem para a resoluo de problemas o que no pode ser superada com monlogos. Nessa

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    perspectiva, os planos de ao dos sujeitos so harmonizados, pois cada um passa a perseguir suas metas em virtude de um acordo existente ou de uma negociao (LIMA; CARVALHO, 2009; LIMA, 2011). Sendo assim, na ao comunicativa habermasiana preciso explicitar pretenses de validade, verdade, justia e autenticidade. Ou seja, o falante que busca o entendimento mtuo deve deixar claro que o que est dizendo verdadeiro e que h inteno de cumprir o combinado; que o que ele quer est dentro das normais sociais e culturais consideradas legtimas para ele e o para ouvinte; e, finalmente, que o que ele fala exatamente aquilo que pensa, ou seja, sua opinio autntica sobre algo. Como a busca do entendimento recproca e cooperativa, o sujeito falante ao mesmo tempo em que expe suas pretenses, reivindica-as do sujeito ouvinte. Nesse sentido, as relaes entre ator e mundo atendem perspectiva de ambos, quando [...] procuram o consenso e o medem conforme a verdade, a correo e a veracidade (HABERMAS, 2012-I, p. 192). Nessa perspectiva, esclarece-se que na TAC nem tudo consenso, mas Habermas sustenta que o entendimento mtuo e no-coagido algo possvel desde as relaes cotidianas at as discusses tericas. O prprio autor considera a possibilidade do dissenso como algo positivo para o debate e a formao de novas teorias. Com esse olhar, consenso e dissenso so esperados na razo que enxerga e considera o sujeito com toda a sua criticidade, no processo de busca da verdade, bem como no exerccio da democracia radical. Nesse processo h um pr-entendimento exercitado culturalmente no qual medida que as definies situacionais vo sendo negociadas, surge uma nova situao e uma nova ordem (HABERMAS, 2012-I). Na TAC, essa nova ordem possvel porque nenhum dos envolvidos detm o monoplio interpretativo (HABERMAS, 2012-I, p. 193-194). Assim, respeitando-se as competncias de quem age e de quem ouve, [...] todo consenso repousa sobre o reconhecimento intersubjetivo de pretenses de validade criticveis (HABERMAS, 2012-I, p. 224) mutuamente. Para concluir esta seo, retoma-se o entendimento de quo nocivo, o predomnio da comunicao estratgica a servio dos sistemas econmico capitalista e burocrtico moderno, com o desequilbrio na relao recproca de produo (REPA, 2008; HABERMAS, 1990). Para superar o que Habermas chama de colonizao do mundo da vida a coisificao, economicizao, monetarizao e burocratizao das relaes sociais tem-se a TAC como via centrada no dilogo, repleto de verdade, justia e autenticidade, para o reconhecimento do sujeito emancipado.

    Assim, com base nas racionalidades e na relao dos sujeitos frente a elas, busca-se, a seguir, descrever a orientao da comunicao nas organizaes contemporneas. Comunicao Estratgica e Comunicao para o Entendimento

    A tenso entre as racionalidades, especialmente no uso da linguagem e na produo de

    significados, nos espaos de fala (VIZEU, 2005), fortemente identificada nas organizaes do Sculo XXI. Nelas so necessrias mudanas intensas visando a liberdade e a emancipao do sujeito, com o respeito a sua subjetividade e a participao ativa no mundo do trabalho (MUMBY, 2010). Vislumbrando-se alguns pontos dessas mudanas, apresenta-se, no Quadro 2, os elementos de contraposio entre a comunicao estratgica e a comunicao para o entendimento, a partir do que se apreende na TAC.

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    Quadro 2 Comunicao Estratgica e Comunicao para o Entendimento Elementos x Tipo de Comunicao

    Comunicao Estratgica Comunicao para o Entendimento

    Racionalidade Instrumental Comunicativa

    Meios e prticas Influencia ou persuaso Monoplio interpretativo

    Dilogo reflexivo Cooperao no processo de interpretao da realidade

    Uso da Linguagem Unilateral, visando clculos de ganhos egocntricos

    Bidirecional, como fonte de integrao social

    Inteno/Objetivo/Resultados Dominao/ xito/Distoro Entendimento

    Viso do Sujeito Coisa/Meio/Objeto

    Emancipado, pleno de sua capacidade crtica

    Poder Coagido Legitimado e internalizado

    Fonte: produzida pelas autoras, com base em Habermas (2012-I; 2012-II) e Vizeu (2005).

    O quadro corrobora com a ideia de que teorias e prticas de comunicao diferem de

    acordo com a extenso de seu favorecimento participao aberta [...] [ora] contribuem para o aumento do controle; outras tentam alcanar abertamente decises e entendimentos mtuos (DEETZ, 2010, p. 87). Nesse sentido, estudos tericos vislumbram a comunicao distorcida nas organizaes contemporneas, onde a comunicao baseada na racionalidade instrumental controla corpos, mentes e emoes, visando a produtividade e a eficincia organizacional (MUMBY, 2010; DEETZ, 2010). Em Habermas, tem-se que [...] distoro comunicativa, antes de ser um mero problema de comunicao, reflete a dificuldade de reconhecimento do outro enquanto sujeito competente, enquanto membro integrante de uma mesma comunidade cultural (VIZEU, 2005, p. 15).

    Considerando, ainda, a iseno de poder coagido nas aes comunicativas com pretenso de entendimento, o desafio est em garantir [...] igualdade entre os participantes, uma total liberdade para intervir na discusso e mobilizar toda sorte de contedos e uma total transparncia pblica das razes (REPA, 2008, p. 172). Nesse cenrio, porm, conforme observa Vizeu (2005, p. 16), a estrutura organizacional clssica [] uma forma de constrangimento pr-lingustico, mas especificamente graas assimetria das posies de poder hierarquizado. Assim, sobre as organizaes contemporneas, Habermas (1968 apud RAMOS, 1989, p. 11-13) v, ao invs de liberdade, que [...] o desenvolvimento capitalista impe limites livre e genuna comunicao entre os seres humanos. Sendo assim, luz da TAC, na comunicao estratgica tm-se os empregados tidos como objetos, coisas e meios para se atingirem os objetivos organizacionais, visando a produtividade e a lucratividade de um pequeno grupo de indivduos. A produo de sentido passa pela racionalidade na concepo dos processos comunicacionais da organizao, [...] produto de configuraes de poder e interesses especficos (MUMBY, 2010, p. 28). Sobre a racionalidade instrumental de Habermas e o controle estratgico, Deetz (2010, p. 87) destaca que h um direcionamento calculado [...] para transmitir significado ou informao aos outros, para influenciar a percepo de acontecimentos e dirigir ou controlar pensamentos e aes, o que o autor situa como vantagem discursiva.

    Ainda sobre a produo de sentido no interior das organizaes, Lhuilier (2013, p. 486), refere-se limitao da expresso do trabalhador, de sua identidade e do automerecimento como patologia grave e explica que [...] quando no se pode mais dizer o

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    que se faz, esta falta de contedo simblico envia a uma confrontao solitria com o real, sem meios de torn-lo seu, sem meios de significa-lo.

    De outro modo, Vizeu (2005, p. 18) destaca que, embora revelem esta dominao e o constrangimento, fruto de manipulao nas interaes, poucos estudos organizacionais enfatizam [...] serem os mesmos processos interpessoais lingusticos em que ocorre a distoro o lcus onde a superao de tal dominao pode ser obtida [...] [cuja superao] remete discusso de uma nova tica, centrada no paradigma da ao comunicativa. Dentro dessa nova tica, deve-se buscar a multiplicidade das vozes dos membros da organizao (REPA, 2008), alm de [...] debates criativos e fecundos, produzindo uma verdadeira comunicao (VASCONCELOS et al. 2012, p. 150). Dessa maneira, convm notar que h movimentos de transformao da comunicao unilateral e instrumental para a de duas vias, em organizaes nas quais os sujeitos so reconhecidos menos como pblico de interesse e mais como membros de uma mesma comunidade, da qual esto presentes [...] conversao aberta, deliberao, dilogo e colaborao (DEETZ, 2010, p. 95). Nesses ambientes reconhece-se que [...] a comunicao a razo que nos une (HABERMAS, 1987, p. 45 apud PESQUEUX; VASCONCELOS, 2013, p. 32), isto , o que une as organizaes. Nesse sentido, a comunicao deve ser entendida como algo inerente ao cotidiano da organizao, no como meramente transmisso de informao, mas como fora constitutiva, a partir da interao entre seus membros, assim como os pressupostos da Comunicao Constituindo a Organizao (CCO) (CRAIG, 1999; MCPHEE; ZAUG, 2000; ASHCRAFT; KUHN; COOREN, 2009; MCPHEE; IVERSON, 2009; DEETZ, 2010; SCHOENEBORN et al., 2014). No entanto, a compreenso do que a CCO contempla passa pelo estudo da relao entre Comunicao e Organizao, cujos caminhos, desde j, so reconhecidos como complexos. Parte-se de uma viso interpretativa, na qual busca-se compreender

    [...] como a comunicao possibilita aos indivduos organizar a vida em sociedade; como as pessoas trabalham juntas; como so criadas, mantidas e transformadas as estruturas sociais em geral e as organizaes em particular [...] [ou seja, a comunicao como] um processo de construo de significados compartilhados que possibilita o desenvolvimento de atividades coordenadas para a realizao de objetivos comuns a um determinado grupo social (CASALI, 2009, p. 66-67).

    Sobre os mltiplos caminhos dessa relao, destaca-se o estudo de Ruth Smith (1993) como referncia tanto no campo da Comunicao quanto nos Estudos Organizacionais, pois resume aquilo que a literatura havia tratado sobre o assunto at aquele momento (CASALI, 2009; MARCHIORI, 2009) alm de ser considerado precursor do que hoje denominado CCO (MCPHEE; ZAUG, 2000; ASHCRAFT et al., 2009).

    Smith (1993) utiliza metforas para descrever trs possibilidades da relao entre a comunicao e a organizao: o continer, a produo e a equivalncia. A metfora do continer ilustra a comunicao vista como varivel da estrutura organizacional dada, na qual [...] percebe-se a comunicao como algo que ocorre nas organizaes [...] passvel de ser administrada [...] algo que a organizao possui (CASALI, 2009, p. 67). Marchiori (2009, p. 4) considera que, nessa relao, [...] os elementos funcionais e estruturais so crticos para a manuteno do recipiente organizacional. O que se percebe, portanto, que a comunicao nas organizaes est baseada numa viso bastante positivista. Como contraponto, tem-se que a perspectiva constitutiva aproxima-se das duas outras metforas.

    Na metfora de produo, por exemplo, h uma relao de causa e efeito ou de influncia recproca, sendo a organizao produto da comunicao e vice-versa, vistos como dois elementos separados. A despeito dessa relao Hall (2004, p. 156) destaca: [...] quanto mais uma organizao for orientada s pessoas e s ideias, mais importante se tornar a

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    comunicao. Nessa metfora, pode-se considerar a comunicao e a cultura como elementos indissociveis no mesmo processo de construo contnuo da organizao, onde o compartilhar de experincias, a construo de sentido e o dilogo reconhecem e renovam culturas (MARCHIORI, 2010). Nas palavras de Ashcraft et al. (2009, p. 13), baseada na metfora da produo, comunicao [...] o processo que gera, mantm e transforma a cultura (enquanto) [...] em uma metfora de equivalncia, comunicao o lugar da prpria cultura (traduo livre).

    J na metfora de equivalncia h uma relao de coexistncia, de produo simultnea. Nessa relao um elemento equivale ao outro, dizem a mesma coisa, tamanha a sua dependncia: comunicao organizao e organizao comunicao (MCPHEE; ZAUG, 2000, p. 4) (traduo livre). Diferentemente da relao do continer, nas vises das relaes de produo e de equivalncia, [...] entende-se a comunicao como organizao (CASALI, 2009, p. 67).

    Segundo Ashcraft et al. (2009, p. 19), a metfora da equivalncia est na base do Modelo de Quatro Fluxos de McPhee e Zaug (2000, p. 22), que alertam sobre o risco de reducionismo na leitura da relao dialtica e constitutiva entre comunicao e organizao: "[...] a organizao no simplesmente a comunicao, mas uma relao entre tipos distintos de processos analiticamente separados.

    no Modelo de McPhee e Zaug (2000) que se buscam aproximaes entre a comunicao para o entendimento de Habermas e a comunicao que constitui a organizao, considerando-se a CCO como processo essencialmente interacional, o que amplia a prpria percepo da comunicao, colocando-a como lente exploratria da vida organizacional.

    Tem-se na base do Modelo, bem como a compreenso do papel de constituio da comunicao, a Teoria da Estruturao (TE) da sociedade de Anthony Giddens. Nela o socilogo britnico discute a dualidade entre ao e estrutura e a dependncia reflexiva entre a sua significao, sendo forte a agncia, ou seja, a participao dos sujeitos, e fraco o papel da estrutura. Destaca-se, aqui, o conceito de organizao que compartilhado por McPhee, Zaug e Iverson, como [...] um conjunto complexo de relaes sociais no qual os quatro fluxos, as regras e os recursos vinculados a eles, tornam-se institucionalizados atravs do tempo e espao (PUTNAM; MCPHEE, 2009, p. 189).

    Para Giddens (1984, p. 69 apud MCPHEE; ZAUG, 2000, p. 8) "a fixidez das formas institucionais no existe apesar dos encontros da vida cotidiana, mas est implicada nesses mesmos encontros (traduo livre). Assim, pressupe-se a experincia reflexiva para que o sujeito vivencie a possibilidade de amadurecimento de seu pensamento e at de mudana, construindo novas realidades, lidando com o tempo, o espao, o conflito, a diversidade e a anomia, entre outros tantos elementos do sistema. Giddens (1984) destaca, ainda, que os sujeitos [...] possuem a capacidade de falar explicitamente sobre as aes que eles e os outros fazem (discursivo), enquanto outras aes so simplesmente conhecidas e produzidas (prtico) (MCPHEE; IVERSON, 2009, p. 59) (traduo livre). Os processos de interao so, portanto, elemento central no modelo constitutivo de McPhee e Zaug (2000), para os quais a organizao constitui-se em quatro fluxos de interao diferentes: por meio da negociao entre os membros; na interao consigo mesma, como entidade formalmente controlada por meio de auto-estruturao; atividade coordenada em situaes especficas de trabalho e problemas, e, finalmente, mantendo um posicionamento institucional com seus parceiros considerando a interdependncia e a necessidade de adaptao. Uma das bases para o entendimento desses fluxos est na concepo da comunicao como prtica social que d significado para a vida organizacional, sendo, portanto, onipresente nos processos de organizing e sensemaking interpostos por Karl Weick no final da dcada de 1970, isto , na ao de organizar como um processo dinmico e contnuo de

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    produo de sentidos entre os membros da organizao (MCPHEE; ZAUG, 2000; ASHCRAFT et al., 2009; MUMBY, 2010). Outra base para o Modelo est em James Taylor e seu estudo a respeito da relao da estrutura e da ao binria entre conversao e texto, no qual conclui que [...] a organizao efeito da comunicao e no o seu antecessor (FAIRHURST; PUTNAM, 2010, p. 136) (traduo livre). McPhee e Zaug (2000) apropriaram-se no s das ideias de Weick e Taylor, mas, tambm, da metfora de equivalncia de Smith e do elemento constitutivo poder, de Stanley Deetz e Dennis Mumby (1994). Tendo esse conjunto como prisma, os autores consideram que as organizaes so uma forma social criada e mantida por prticas manifesta e reflexivamente reificantes entre cada um de seus membros, ao pensar, tratar e relacionar-se com as mesmas [...] [e observam que esta realidade no est] livre de ambiguidade, aporias, ou contradies (MCPHEE; ZAUG, 2000, p.12) (traduo livre). A partir da Figura 1, a seguir, explora-se cada um dos quatro fluxos da CCO, destacando-os como parte de uma [...] esfera de relevncia mtua, que podemos chamar de conhecimento organizacional (MCPHEE; CORMAN; DOOLEY, 1999 apud MCPHEE; ZAUG, 2000, p. 22) (traduo livre). Figura 1 - Modelo de Quatro Fluxos Interacionais da CCO Fonte: elaborada pelas autoras. Inspirada em McPhee e Zaug (2000) e Putnam e Nicotera (2009) A Figura 1 ilustra a constituio da organizao na complexa inter-relao entre os fluxos, sendo que cada fluxo contribui diferentemente para esse processo, passando por [...] mltiplos caminhos entre a conversao e o texto, tipicamente envolvidos na reproduo tanto quanto na resistncia a regras e recursos da organizao (MCPHEE; ZAUG, 2000, p. 13) (traduo livre). De modo consolidado, a figura permite observar que o modelo, conforme postulam Ashcraft et al. (2009), abrange assuntos vistos como internos e externos. Observa-se, ainda, que, conforme McPhee e Iverson (2009), os fluxos fazem uma ponte entre o local e o global, articulam-se e cruzam-se, mas operam separadamente. Partindo-se para uma descrio detalhada, tem-se que o primeiro fluxo trata das diferentes formas de relacionamento entre os membros da organizao e a prpria enquanto entidade constituda. Segundo os autores, h vrias facetas dessa interao, desde a procura de emprego, em que se inicia uma relao de namoro com a reputao da organizao, passando pelos processos de recrutamento e socializao. Nessas fases, [...] tanto a organizao quanto a pessoa geralmente levam a linha mais positiva possvel, muitas vezes tacitamente oferecendo para redefinir-se para atender as expectativas do outro (MCPHEE;

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    ZAUG, 2000, p. 15) (traduo livre). A relao ainda envolve a construo de identidade e o posicionamento do sujeito quanto se tornar membro. Segundo Putnam e Nicotera (2009, p. 10), esse fluxo destaca o papel da agncia humana na constituio da organizao por meio de aes dos agentes organizacionais e dos stakeholders (traduo livre). Baseados em Giddens, McPhee e Iverson (2009, p. 61) esclarecem a dinmica da agncia humana nesse primeiro fluxo do modelo interacional da CCO e a sua relao com os demais fluxos:

    Primeiro, a pessoa precisa ser contextualmente qualificada qualificada nos recursos estruturais, nos fatos histricos contextuais e tradicionais, familiarizada com outros membros relevantes nas redes de relacionamento etc. Esses so fatores que resultariam a partir da negociao entre os membros [da organizao]. Segundo, um agente precisa ser um membro legitimado ou o titular da posio, reconhecido pelos outros, como habilitado e adequado na utilizao do seu poder. Legitimidade pode basear-se formalmente, mas pode tambm depender de fatores informais como reputao e confiana. Finalmente, para a agncia como um todo, a pessoa precisa ter acesso aos contextos de ao organizacionais do trabalho, da tomada de decises e da disseminao de informaes. Esses so requisitos da agncia que podem ser afetados ou envolvidos em cada um dos fluxos. (traduo livre)

    O segundo fluxo um processo de comunicao reflexivo entre detentores de papis organizacionais e grupos, inclui e resulta nas relaes internas, normas e entidades sociais que determinam os processos de trabalho. Trata-se de um trabalho discursivo explcito que compreende documentos oficiais (cartas, organogramas, poltica e manuais de procedimentos), fruns de planejamento e tomada de deciso, processos de avaliao de funcionrios, oramentao e contabilidade. Todos eles so processos formalizados e meio para auto-estruturao organizacional. Os esforos so necessrios para o desenho e o controle organizacional. Esse fluxo, portanto, focaliza a formao dos processos de trabalho formal, o dia-a-dia, a inovao e a articulao do trabalho conjunto, mas, tambm, envolve processos informais de influncia, como reteno, regularizao e normatizao (PUTNAM; NICOTERA, 2009; MCPHEE; IVERSON, 2009) Tudo isso ocorre por meio da comunicao para a sobrevivncia organizacional; vai do desenho organizacional disseminao das linhas necessrias para o processo reflexivo e est em qualquer processo e prtica organizacional. A auto-estruturao no se atm a solues de problemas imediatos, mas em respostas futuras, evitando [...] problemas de excesso de adaptao, incoerncia e confuso [...] [embora] sujeito discrepncia, disperso e ambigidade, com diferentes consequncias para o sistema, subsistemas, indivduos e interesses externos (MCPHEE; ZAUG, 2000, p. 17-18) (traduo livre). O terceiro fluxo, a atividade coordenada tida por McPhee e Zaug (2000, p. 18) como o tipo de comunicao que diz respeito ao [...] ajuste do processo de trabalho e resoluo de problemas prticos imediatos (traduo livre). O processo depende da postura de cooperao dos membros da organizao, que devem se adaptar a situao de contingncia. Entre os processos de coordenao, destacam-se os que exigem ajuste mtuo como o processo de renegociao da diviso do trabalho. Embora considerada uma categoria residual, a atividade coordenada importante enquanto tarefa de representao. gerada e, ao mesmo tempo, um efeito da auto-estruturao; o [...] mapa sobre o qual os membros localizam a si prprios e aos seus movimentos necessrios [...] esfera na qual a sedimentao lenta da cultura ou do conhecimento organizacional acontece (MCPHEE; IVERSON, 2009, p. 77-78) (traduo livre). Nessa esfera, a comunicao usa e reproduz signos.

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    O posicionamento institucional, quarto fluxo do Modelo, engloba as relaes com os pblicos de interesse, especialmente no ambiente externo da organizao, como fornecedores, clientes, concorrentes, governo e parceiros estratgicos. Para McPhee e Iverson (2009) h trs aspectos importantes que envolvem esse fluxo: face de representao, explorao ambiental e a negociao, que se entrelaa com os demais. Dizem respeito constituio da organizao como um signo que produz significado e lugar no ambiente externo. Portanto, aqui, importa sobremaneira o processo de constituio da marca, da logo e da imagem propagada, que integram um sistema de significao. Importa tambm a postura e o discurso dos indivduos que representam a organizao externamente. Nesse sentido, o posicionamento institucional limita a legitimidade da comunicao. O ltimo fluxo trata, portanto, do desenvolvimento no s de uma imagem adequada e legtima num sistema social maior, mas de uma relao de confiana que permita a manuteno de um relacionamento interorganizacional vantajoso, considerando a dependncia de instituies polticas, culturais, econmicas e sociais para a constituio da organizao adequando-se ao contexto complexo atual (MCPHEE; ZAUG, 2000). Sendo assim, Putnam e Nicotera (2009, p. 11) destacam no Modelo de Quatro Fluxos que a comunicao no vista de maneira isolada, mas como fora que pode articular outros eventos e que o Modelo [...] sugere uma chance de contextualizao alm do pensamento estruturalista, a implicao comea na constituio da organizao devendo ser vista na raiz do processo (ou de um conjunto de processos), no nas caractersticas de uma estrutura abstrata (traduo livre). Destacam-se, por fim, as possibilidades de inter-relao entre a CCO e as demais linhas de estudo sendo bem-vida a soma de esforos na anlise e busca de solues para problemas e objetivos comuns, o que, portanto, fortalece o campo da Comunicao Organizacional. Esse o principal argumento de Craig (1999), que considera a CCO como um metamodelo e sugere que as abordagens devem paut-la para vencer as divises na origem multidisciplinar de cada teoria. O posicionamento de Craig (1999) compartilhado por Fairhurst e Putnam (2010), que destacam essa viso da CCO e a participao ativa dos sujeitos, cuja presena condio. Porm, ao abordar interao, a CCO amplia o entendimento dos processos e prticas da comunicao, bem como a viso que se tinha dos sujeitos, que por meio de sua conscincia reflexiva constituem as organizaes contemporneas. Assim, notadamente, a CCO traz possibilidades de se reinterpretar a comunicao, aproximando-se da prerrogativa de Habermas da comunicao para o entendimento, tal como se apresenta adiante. Aproximaes possveis entre a TAC e a CCO Pode-se dizer que tanto na Teoria do Agir Comunicativo (TAC) quanto na Comunicao Constituindo a Organizao (CCO), a comunicao tida como lente exploratria da vida organizacional, como processo onipresente e central que gerencia a interseco entre o simblico e os mundos materiais (ASHCRAFT et al., 2009), apresenta-se como o processo para [...] negociar significados e no simplesmente o transmitir informaes (MARCHIORI, 2009, p. 11). Nesse sentido, a perspectiva da CCO traz contribuio relevante para os Estudos Organizacionais, transcendendo o modelo informacional dominante na literatura e na gesto e dando espao a articulao com outras teorias. Inicialmente, observa-se que h um entrelaamento entre a TAC e a base epistemolgica da CCO, partindo-se do modelo de McPhee e Zaug (2000), na origem do termo constituio, que passa por Giddens, mas tem sua origem na Teoria dos Atos da Fala, criada por Austin e continuada por Searle. Teoria esta,

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    para Habermas (2012-I, p. 482), [...] corresponde ao primeiro passo em direo a uma pragmtica formal extensiva a formas de emprego no cognitivas, ou seja, a diferentes leituras de como as realidades so constitudas, a partir de diferentes classificaes dos atos de fala, para alm do significado literal da linguagem empregada. Nesse contexto, a Teoria dos Atos de Fala trouxe a linguagem como constituinte das realidades, sendo a comunicao algo inerente a atividade humana e no uma ferramenta para descrever algo j concretizado. Dentro dessas relaes, destacam-se quatro pontos de interconexo entre a TAC e a CCO. Linguagem como essncia Ao considerarmos a epistemologia que d origem a CCO, para McPhee e Zaug (2000, p. 11) [] organizaes so complexas e tm uma variedade de facetas de definio, ento, no h uma nica forma gramatical e comunicativa suficiente para constitu-la (traduo livre). Destaca-se, aqui, a conceituao de organizao no modelo constitutivo, que tem a linguagem como elemento essencial, similarmente TAC. Segundo Mumby (2010, p. 26), a CCO [...] alega que o nosso mundo linguisticamente mediado [...] (e que esse) trazido existncia por meio de linguagem e prticas comunicativas que invocamos para nos relacionar com o mundo e uns com os outros de forma especfica. O autor coloca a CCO como o caminho para uma comunicao mais humanizada onde, na relao com o outro sujeito, as diferenas oferecem um universo de possibilidades de se produzir um significado novo, que no poderia surgir na produo individual. Nesse contexto, sujeitos em interao transcendem o estgio de conhecimento em que o grupo anteriormente se encontrava. Processos de construo de sentidos

    A CCO coloca no centro de debate a comunicao intrnseca organizao e aos processos de significao e de construo social no mundo do trabalho. Considerando-se que h muito que se avanar na gesto das organizaes visando a emancipao do sujeito, tem-se na CCO a clareza de que a constituio da organizao d-se nas experincias e na relao reflexiva de produo de sentidos entre os sujeitos. Na perspectiva da comunicao para o entendimento, bem como da CCO, o respeito ao sujeito encontra lugar no modelo democrtico, pois na [...] gesto participativa, preconizam-se relaes interpessoais de coeso, cooperao, harmonia no grupo. Essas formas de interao facilitam as tarefas conjuntas, a produtividade e a qualidade, conforme afirma Moscovici (2003, p. 47). Negociaes: processo mediado Considerando que os quatro fluxos do modelo de McPhee e Zaug (2000, p. 22) [...] dependem e (tambm) geram desequilbrio de poder e distores comunicativas (MCPHEE; ZAUG, 2000, p. 22) (traduo livre), destaca-se que tanto a TAC quanto a CCO no preveem a inexistncia de conflito, mas a negociao no coagida dos objetivos dos sujeitos na constituio conjunta de realidades. Esse prisma traz novamente ao debate as foras constitutivas da organizao e a tenso entre as racionalidades que direcionam essa constituio. Entende-se que a racionalidade da comunicao para o entendimento, com suas prticas fundamentadas no dilogo e no uso da linguagem como fonte de integrao social, apresenta conexo e certamente relao de reciprocidade com os pressupostos da constituio da organizao pela comunicao.

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    Materializao da comunicao A compatibilidade entre a CCO e a TAC tambm pode ser reconhecida no esforo de materializao da comunicao em Ashcraft, Kuhn e Cooren (2009), que trazem para a discusso a relao entre o mundo simblico e os mundos materiais, mantendo o olhar sobre sujeito, ora representado pelo corpo, ora interagindo com artefatos e mquinas, ora estabelecendo relaes com um local. Na TAC a relao entre sujeitos e mundo d-se de maneira pragmtica entre o mundo objetivo, mundo social e mundo subjetivo, ou seja, em trs diferentes esferas que renem as coisas e fatos, as relaes interpessoais e as vivncias e subjetividade dos sujeitos. Nessa perspectiva, os autores descrevem a produo de realidades organizacionais a partir de elementos como a cultura, o poder, as redes de relacionamento e a relao entre estrutura (determinismo) e agncia (voluntarismo). Tal linha de pensamento coloca o sujeito no centro do processo politicamente construdo, ao singularizar a relao entre o simblico da linguagem, do conhecimento, das imagens, das metforas e das normas e o material de objetos, lugares e corpos, incluindo a arquitetura e a tecnologia. Nessa relao, todo o material (humano e no-humano) ganha significado novo nas interaes cotidianas entre os sujeitos. Consideraes Finais Diante da pesquisa bibliogrfica que fundamenta este ensaio e do ponto de vista das autoras, possvel afirmar que h proximidades entre as teorias do Agir Comunicativo de Habermas e da Comunicao Constituindo a Organizao, especialmente no Modelo de Quatro Fluxos, a partir de McPhee e Zaug, com contribuies de Iverson e Putnam. Assim, este trabalho permite identificar pontos que podem ser aprofundados, destacando-se a prerrogativa do sujeito nos processos. Sendo a comunicao um modelo de explanao, que, portanto, ajuda a elucidar o fenmeno organizacional, tem-se como fundamental o avano sobre as perspectivas do sujeito. Nesse sentido, ele aqui reconhecido como aquele que fala, que cresce nas interaes, que toma decises e que incita outros ao dilogo, s trocas e aos processos de busca de sentido, o que envolve sua presena ativa e interativa nos processos organizacionais.

    Entende-se que h muito ainda a contribuir tanto no campo dos Estudos Organizacionais quanto no da Comunicao Organizacional, a partir do estudo das racionalidades que subjazem a comunicao e que concebem os espaos de fala dos sujeitos que constituem as organizaes. Tem-se, assim, nfase no movimento dinmico e contnuo de organizar, essencialmente interacional e simblico, baseado em relacionamentos, processos, relaes, experincias e produo de sentidos. Entende-se, por fim, que este ensaio cumpre a misso de semear uma ideia de complementariedade e pertinncia entre a TAC e a CCO que pode inspirar novos olhares e debates. Referncias ASHCRAFT, Karen Lee; KUHN, Timothy R.; COOREN, Franois. Constitutional Amendments: Materializing Organizational Communication, The Academy of Management Annals, 2009, Vol. 3, N.1, p. 1-64.

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