5-A Loucura Do Trabalho. Resenha

  • Published on
    05-Sep-2015

  • View
    217

  • Download
    1

DESCRIPTION

Resenha de Julia

Transcript

emergncia dos MS tem sido relacio-nada s contradies sociais, desen-volvendo-se, ento, uma tradio de-rivada dos estudos de Castells (1) e Lojkine (6) que tem marcado a produ-o no pas entre os movimentos so-ciais urbanos. Recentemente, a cate-goria "contradies sociais" vem sen-do revista em termos de condio sufi-ciente ao aparecimento dos MS (5), a-pontando-se tambm para fatores cul-turais. Questes ainda em discusso na literatura sobre os MS parecem deri-var da necessidade de intercmbio en-tre as reas de estudo: Tal intercmbio defendido por autores de vertente antropolgica (4) e sociolgica (8). A Psicologia, como reconhece Melucci (7), poderia igualmente contribuir com o seu nvel de anlise. Defende-se, aqui, que o fenme-no do comportamento coletivo seja reassumido como objeto de estudo da Psicologia. Embora o quadro terico possa no dar conta da complexidade inerente a esse objeto, a pesquisa em-prica poderia suscitar necessidades de articulaes entre categorias derivadas de diferentes teorias psicolgicas ou de outras reas de conhecimento. A omisso da Psicologia aumenta a la-cuna sobre o tema em seu campo e a distancia daquelas cincias que vm enfrentanto as questes colocadas pe-lo comportamento coletivo. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 1. CASTELLS. M. Lutas urbanas e poder polti-co. Porto, Grfica Firmeza, 1976. 2. CARWRIGHT, D. e ZANDER, A. Dinmica de grupo. So Paulo, EPU, 1975. 3. DUCHAC. R. Sociologia e Psicologia. Lisboa, Livraria Berlrand, 1975. 4. DURHAM, E.R. Movimentos sociais: a cons-truo da cidadania. Novos Estudos CE-BRAP. 10:24-30, 1984. 5. KOWARICK, L. Os caminhos do encontro: as lutas sociais em So Paulo na dcada de 70. Presena. 2: 65-78, 1984. 6. LOJKINE. J. O Estado capitalista e a questo urbana. So Paulo, Martins Fontes, 1981. 7. MELUCCI, A. The new social movements: a theoretical approach Social Science Information Sur les Sciences Sociales, 2, (19): 199-226, 1980. 8. NUNES, E. Carncias urbanas e reivindica-es populares Notas. Cincias Sociais. Hoje. 37-52, 1986. 9. REICHER, S.D. The St. Pauls' riot; an expla-nation of the limits of crowd action in terms of a social identity model. European Journal of Social Psychology. 14: 1-21, 1984. 10. SHERIF, M. e SHERIF, C.W. Groups in harmony and tension. New York. Harper Co Lt-da, 1953. 11. STEINER, I. D. Whatever happened to the group in social psychology? Journal of Experi-mental Social Psychology. 10,94-108, 1974. 12. TAJFEL, H. Differentiation between social groups. New York Academic Press, 1978. 13. TAJFEL, H. Human groups and social cate-gories. New York Cambridge University Press, 1981. 14. TOCH, H. The social psychology of social movements. Londres Methuen & Co LTD. 1965. 15. TOCH, H. e MILGRAN, S. Collective beha-viour: crowds and social movements. In LIND ZEY, G. and ARONSON, E. (eds) Handbook of Social Psychology. Addison-Wesley, Reading, Mass Kiesler, C.A. 1969. 16. TURNER, J.C. Social identification and psychological group formation. Em: TAJFEL, H. (ed). The social dimention. New York Cam-bridge University Press, 1984. 17. TURNER, J.C. e GILES, H. Introduction: the social psychology of intergroup behaviour. in: TURNER, J.G. e GILES, H. (eds). Inter-group behaviour. Chicago, The University of Chicago Press, 1981. Leitura A loucura do trabalho. Jlia Abraho Instituto de Psicologia Universidade de Brasilia. Encontramos nesta obra de Cristophe Dejours-A loucura do Trabalho, Obo r Editorial, 1987 uma abordagem do trabalho at ento pouco usual entre os profissionais da rea de Psi-cologia Organizacional o binmio organizao do trabalho - sade. O axe cen-tral sobre o qual se cons-truiu o livro traz em sua ba-se o pressuposto que: "a or-ganizao do trabalho exer-ce, sobre o homem, uma ao especfica, cujo impac-to o aparelho psquico". Atravs de pesquisas realizadas em diferentes se-tores da produo, Dejours ilustra de forma clara os di-ferentes mecanismos de de-fesa utilizados pelos traba-lhadores. Esses mecanismos permitem sobreviver ao so-frimento imposto pela orga-nizao do trabalho vigente. Em outras situaes o autor demonstra como esse mes-mo sofrimento recuperado pelas empresas em prol da produtividade. interessante ressal-tar da anlise do autor a identificao no s dos me-canismos de defesa ocupa-cional defensiva de carter individual, mas tambm a ideologia ocupacional cole-tiva vigentes em determina-das reas de produo. Ao resgatar a dimenso coletiva do sofrimento e as regras impostas pelo grupo para a execuo das tarefas, De-jours nos remete diretamen-te a um questionamento da forma como o trabalho or-ganizado. Crtico ferrenho do Taylorismo e seus mltiplos desdobramentos em matria de organizao do trabalho, o texto ilustra com exemplos oriundos do cotidiano do trabalho, aspectos tais como a insatisfao oriunda do contedo significativo e do contedo engonmico do trabalho. Na relao do traba-lhador com a organizao do Trabalho, alm das es-tratgias defensivas, do so-frimento e da sua explora-o, interessante observar ainda a identificao do me-do presente em diferentes si-tuaes de trabalho; e esse medo se desdobra de forma diferenciada conforme a re-lao tarefa-organizao do trabalho. Resta como ponto fundamental da psicopato-logia do trabalho a questo: a explorao do sofrimento pode ter repercusses sobre a sade dos trabalhadores, do mesmo modo que pode-mos observar com a explo-rao da fora fsica? Contrariamente ao que parece sugerir o ttulo da obra, no se pode provar uma patologia mental de-corrente do trabalho. Uma das hipteses do trabalho de Dejours coloca a organiza-o do trabalho como causa de uma fragilizao somti-ca, na medida em que ela pode bloquear os esforos do trabalhador para ade-quar o modo operatrio s necessidades de sua estrutu-ra mental. Ns pensamos que por a se abre um gran-de campo de investigao para a verificao dessas hi-pteses, com a vantagem de agrupar diferentes campos de atuao da psicologia, indispensveis a um melhor conhecimento das relaes homem-situao de traba-lho. O livro traz, em seu anexo, um modelo de meto-dologia em psicopatologia do trabalho, til na opera cionalizao e bom guia no desenvolvimento de uma in-terveno, deixando eviden-temente um espao para a adaptao nossa realidade brasileira com peculiarida-des diferentes da francesa. A proposta que per-meia todo o livro no a de criar novos homens, mas en-contrar solues que permi-tiriam pr fim desestrutu rao de um certo nmero deles, pelo trabalho.