27 Edio - Maro / Abril 2013

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27 Edio - Maro / Abril 2013

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  • ISSN 2179-6653

    Ano 3 . N 25 | Outubro / Novembro 2012

    ISSN 2179-6653

  • 2MAR / ABR 13

  • 3 MAR / ABR 13

    Editor-ChefeDenner Esteves Fariascontato@revistaagrominas.com.br

    Diretor AdministrativoDalton Esteves Fariasadministrativo@revistaagrominas.com.br

    Departamento de Jornalismo- Lidiane Dias - MG 15.898 JPjornalismo@revistaagrominas.com.br

    Departamento Comercial e Logstica- Minas Gerais - em contratao(33) 3271-9738comercial@revistaagrominas.com.br- Bahia - em contrataocomercialba@revistaagrominas.com.br- Esprito Santo - em contrataocomerciales@revistaagrominas.com.br

    Colaboradores- Alexandre Sylvio - Eng. Agrnomo- Emater/IMA/ADAB/INCAPER- Humberto Luiz Wernersbach Filho - Zootecnista- Prof. Ruibran dos Reis - Climatempo- SCOT Consultoria- Waldir Francese Filho - Coocaf- Alessandra Alves - Jornalista - MG 14.298 JP- Igor Alves Pereira Mendes - Zootecnia

    Distribuio- Minas Gerais: Vales do Rio Doce, Mucuri, Jequitinhonha, do Ao e Zona da Mata- Bahia: Extremo Sul Baiano- Esprito Santo: Norte Capixaba

    Tiragem: 5.000 exemplaresImpresso: Rona EditoraDiagramao: Deirdre FreitasFoto Capa: Blog AlinemoraessApoio: Minas Leiles e Eventos www.minasleiloes.com.br

    As ideias contidas nos artigos assinados no expressam, neces-sariamente, a opinio da revista e so de inteira responsabilidade de seus autores.

    Administrao/Redao - Revista AgroMinasRua So Paulo, 839 - Centro - CEP: 35010-180 Governador Valadares/MG - Tel.: (33) 3271-9738 E-mail: contato@revistaagrominas.com.br

    Denner Esteves FariasEditor-Chefe

    4 Giro no Campo6 Entrevista

    10 Entidade de Classe12 Grandes Criatrios15 Dia de Campo18 Sade Animal20 Caderno Tcnico23 Forragicultura26 Agroviso28 Sustentabilidade30 Perfil Profissional31 Meteorologia32 Mercado34 Cotaes35 Mo na Massa36 Emater | IMA

    40 AconteceuADAB | Incaper

    42 Culinria

    A Revista AgroMinas no possui matria paga em seu contedo

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    O Brasil esteve no foco internacional no ms de fevereiro, mais especifica-mente no famoso jornal britnico The Financial Times (FT). O jornal abordou a preocupao quanto ao fato do nosso pas em ser, atualmente, o maior pro-dutor de alimentos do mundo (retirado do site Agrolink). Diante da perspectiva do aumento mundial da populao em 2050 atingir cerca de nove bilhes de pessoas, coloca o Brasil diante da responsabilidade em manter a produo de alimentos, bem como o equilbrio entre a agropecuria e o meio ambiente. O FT destacou a queda de 80% nos desmatamentos no territrio nacional no ano passado desde o pico em 2004. No entanto, as exportaes de alimentos do Brasil aumentaram e a previso de que em 2020 elas cheguem s cifras de US$ 200 bilhes anuais. Portanto, mais uma vez, gostaramos de deixar ex-presso que o agronegcio pode se desenvolver, frente s demandas internas e externas, sem prejudicar o meio ambiente, permanecendo assim na vanguarda do agronegcio mundial no necessitando ultrapassar as fronteiras ambientais. As tecnologias devem ser utilizadas, mas de forma benfica para todas as reas do pas.

    Nesta 27 edio da Revista Agrominas, veja como est o mercado de pro-duo de milho em Entrevista. Seguindo a temtica, em Dia de Campo, em Dom Cavati (MG) um produtor familiar aposta no gro como alternativa de renda. Voc poder apreciar ainda, no caderno da Emater, tcnicas para o cul-tivo do milho verde.

    Na seo Grandes Criatrios, a Fazenda Querena, na cidade de Pot (MG), abre as porteiras e nos conta um pouco de sua histria. Em Caderno Tcnico, leia o artigo tcnico-cientfico sobre os Processos da cana-de-acar: consu-mo, digestibilidade e produo de bovinos. Para finalizar, a culinria deste ms nos ensina a fazer uma Torta de Bacalhau.

    Boa Leitura e bom apetite!

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    O caf brasileiro participou com 6,7% da balana do agronegcio brasileiro em 2012, ficando no sexto item da pauta das exportaes, atrs do complexo soja, carnes, complexo sucroalcooleiro, produtos florestais e cereais, farinha e preparaes. As exportaes de caf somaram, de janeiro a dezembro passado, US$ 6,46 bi-lhes.

    Em termos de quantidade ficou em 1.589.705 to-

    neladas. O caf verde, responsvel por 88,5% do valor exportado pelo setor, representou US$ 5,72 bilhes. O volume embarcado no perodo registrou 1,5 milho de toneladas. J o caf torrado e modo marcou US$ 18,37 milhes em 2012. As exportaes com este produto fo-ram de 2.230 toneladas. J as exportaes de caf sol-vel totalizaram US$ 698,4 milhes e 79.968 toneladas do produto. (Fonte: Rural Centro)

    A industrializao da safra de cana-de-acar tende a ser alcooleira em 2013/2014, avaliam as consultorias Datagro e Job Economia. Com a desvalorizao do acar no mercado internacional e o aumento da demanda por etanol anidro, usineiros devem dar preferncia produo de lcool na temporada atual. A Datagro estima uma colheita de 643,5 milhes de toneladas de cana no perodo. Deste volume, 51,5% sero destinados produo de lcool, e 48,5% de acar, prev a consultoria. Na ltima safra, essa relao foi quase inversa (49,9% para etanol, ante 50,1% do acar).

    A safra vai comear cedo, dando prioridade ao anidro, e deve se orientar produo do combustvel, afirmou on-tem, em So Paulo, o presidente da Datagro, Plnio Nastari. Tendemos a voltar a uma situao estvel em combust-veis no Brasil. De acordo com ele, a deciso do governo de ampliar para 25% a presena de lcool anidro na gasolina a partir de 1 de maio, e a demanda norte-americana pelo lcool produzido no Brasil induziram usineiros deciso de produzir mais etanol no incio da safra de 2013/2014. (Fonte: Bruno Cirillo / DCI)

    Um relatrio da Organizao Internacional do Tra-balho (OIT) lanado no dia 15 de fevereiro afirma que, em pases com diferentes nveis de desenvolvimento, a transio para uma economia mais verde e sustentvel criou milhes de postos de trabalho. Nos Estados Uni-dos, por exemplo, o emprego em bens e servios am-bientais foi de 3,1 milhes em 2010. No Brasil, 2,9 mi-lhes de postos de trabalho foram registrados em reas dedicadas reduo dos danos ambientais, no mesmo perodo.

    Os nmeros em diversos pases mostram que o ar-gumento de que a transio para uma economia mais verde impactar negativamente o nvel de emprego tem sido geralmente exagerado. De fato, so os pases em desenvolvimento que podem se beneficiar da criao de empregos em reas de tecnologias limpas e energias renovveis, afirma o estudo, intitulado O desafio da promoo de empresas sustentveis na Amrica Latina e no Caribe: Uma anlise regional comparativa. Pa-ses como Mxico e Brasil esto liderando a adoo de medidas para lidar com as questes ambientais, espe-cialmente em estratgias nacionais de crescimento com baixo carbono, indica o documento. (Fonte: UNIC Rio)

    A produo de soja em Minas Gerais, na safra 2012/2013, deve atingir 3,4 milhes de toneladas, in-forma a Conab com base no sexto levantamento da safra de gros. Segundo avaliao da Secretaria de Agricul-tura, Pecuria e Abastecimento (Seapa), o volume pre-visto para a soja ser 11,7% maior que o registrado no perodo 2011/2012. Para o superintendente de Poltica e Economia Agrcola da Seapa, Joo Ricardo Albanez, a estimativa de produo de soja foi beneficiada por plantios que tiveram a influncia da elevada demanda internacional.

    Alm disso, est previsto um aquecimento das ex-portaes do gro para este ano, e o consumo interno tambm deve continuar em ascenso, porque a soja um componente forte da produo de rao para bovi-nos, sunos e aves. O milho, principal gro das lavouras de Minas, deve alcanar uma produo de 7,3 milhes de toneladas, volume 6,2% superior ao registrado no pe-rodo anterior.

    J a safra mineira de sorgo, tambm estimulada pela produo de rao animal, sobretudo como comple-mento do milho, deve alcanar no perodo atual 457,3 mil toneladas. Este volume equivale a um crescimento de 3,1%, impulsionado pela produo no Tringulo e Noroeste do Estado, que somaram 343,1 mil toneladas na safra passada. (Fonte: ASCOM SEAPA)

    caf sexto item da pauta das exportaes do agronegcio

    preo do acar e demanda por anidro favorecem etanol

    economia verde cria milhes de empregos no Brasil e no mundo,

    afirma estudo da OIt

    produo mineira de soja nesta safra deve aumentar 11,7%

  • 5 MAR / ABR 13

    A terceira semana de maro (11 a 17), com cinco dias teis, tiveram exportaes de US$ 4,155 bilhes, com mdia diria de US$ 831 milhes. Este resultado est 13% abaixo da mdia de US$ 955,7 milhes, acumulada at a segunda semana do ms. Neste comparativo, houve quedas nas vendas de produtos bsi-cos (-18,7%), por conta, principalmente, de petrleo em bruto, soja em gro, carne bovina, suna e de frango; de semimanufatu-rados (-16%), motivado pelo declnio nos embarques de celulose, ferro-ligas, couros e peles, e ferro fundido; e de manufaturados (-2,4%), com recuo nas exportaes de leos combustveis, par-tes de motores para veculos, motores e geradores, polmeros plsticos, e hidrocarbonetos.

    As importaes semanais foram de US$ 4,603 bilhes, com desempenho mdio dirio de US$ 920,6 milhes. Houve cresci-mento de 0,5% sobre em relao mdia verificada at a segun-da semana de maro deste ano (US$ 916,3 milhes), explicada, principalmente, pelo aumento nos gastos com combustveis e lubrificantes, qumicos orgnicos e inorgnicos, e siderrgicos. Com esses resultados, a balana comercial semanal registrou d-ficit de US$ 448 milhes, com mdia diria negativa de US$ 89,6 milhes, e corrente de comrcio de US$ 8,758 bilhes (mdia de US$ 1,751 bilho). (Fonte: ASCOM MDIC)

    A acelerada diminuio da populao rural global coloca a FAO, o brao das Naes Unidas para agricultura e alimentao, em estado de alerta sobre as consequncias desse movimento na produo agrcola. A populao urbana est agora superando a po-pulao rural e essa diferena vai subir quase como uma flecha nos prximos anos, e estamos atentos principalmente ao que se passa na China, afirmou ontem Boubaker Ben-Belhassen, diretor-adjunto da diviso de comrcio a FAO, em seminrio em Genebra.

    Milhes de chineses continuam a deixar o campo em busca de melhores condies de trabalho e vida nas cidades. Alguns analistas projetam em 600 milhes o numero de asiticos que incharo as cidades nos prximos anos. A FAO observa que a inverso na ten-dncia de crescimento populacional ocorre paralelamente queda no ritmo de expanso da produo agrcola global - que foi de 2% ao ano entre 2001 e 2010 e dever cair para 1,7% de 2011 a 2020. O consumo per capita fica estagnado nos pases desenvolvidos, mas sobe nas naes em desenvolvimento.

    A mudana no padro do consumo global vai na direo de mais produtos com valor agregado. O maior crescimento do con-sumo ser de peixes, de 1,5% ao ano, enquanto o de cereais dever sofrer contrao. Nesse contexto, a fatura alimentar dos pases em desenvolvimento dobrou desde 2005, passando de US$ 235 bilhes de importaes para US$ 427 bilhes em 2012. (Fonte: Assis Mo-reira / Valor Online)

    O Comit Tcnico de Assessoramento para Agrotxicos (CTA) formado por representantes dos ministrios da Agricultura, Meio Ambiente e Sade, autorizou no final da tarde do dia 18 de maro, exclusivamente para a Bahia, o pedido de registro do Benzoato de Emamectina, produto especfico para combater a praga Helicoverpa spp., lagarta que est atacando a soja e o algodo no cerrado baiano, causando prejuzos que podem chegar a R$ 1 bilho. A aprovao do registro aconteceu menos de duas semanas depois que, autori-zado pela presidente Dilma Rousseff, o Ministrio da Agricultura, atravs da Secretaria de Defesa Agropecuria, publicou a Portaria n 42, declarando emergncia fitossanitria no Pas devido ao ataque

    da praga em lavouras de algodo e soja na safra 2012/2013. O presidente da Associao de Agricultores e Irrigantes da

    Bahia (Aiba), Jlio Cesar Busato, comemorou a notcia, e agrade-ceu a participao do governador Jaques Wagner, que foi sens-vel solicitao das associaes de produtores e intercedeu junto presidente Dilma Rousseff para que ela autorizasse a decretao de emergncia fitossanitria, condio indispensvel para acelerar o re-gistro do produto. Busato destacou que os produtores j estavam sem ter o que fazer, vendo a praga devastar a plantao, sem produ-to agroqumico especfico e eficiente para o controle desta praga. (Fonte: Ascom Seagri)

    Brasil exporta US$ 4,155 bilhes na terceira semana de maro

    encolhimento da populao rural preo-cupa FAO

    liberado para a Bahia produto que pode salvar as lavouras

  • 6MAR / ABR 13

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    A produo de milho no BrasilEstimativa da Usda aponta Uma safra 2012/2013

    com prodUo dE 72,5 milhEs dE tonEladas

    As diversas atribuies que per-mitem que a produo de milho seja uma alternativa eficaz de renda e de utilizao nas propriedades rurais, o que impulsiona os plantios do cereal. Seja para a alimentao humana ou animal, o milho tem papel garantido na agricultura brasileira. De acordo com divulgao de Safras & Merca-do, mesmo com uma queda de 2,7% se comparada com o recorde da safra passada, estima-se que o Brasil produ-za 70,7 milhes de toneladas de milho nesta Safra 2012/2013. As projees do Departamento de Agricultura dos

    Estados Unidos (USDA) so mais oti-mistas, com a expectativa de uma safra atual com produo de 72,5 milhes de toneladas. J a previso do mercado aponta para 71,3 milhes de toneladas para a Safra 2012/2013. Na temporada 2011/2012, o Brasil colheu um recor-de de aproximadamente 73 milhes de toneladas e exportou 24 milhes de toneladas, o maior volume da histria. Um lucro de R$ 34 bilhes. A regio Sudeste ficou em terceiro lugar, com 15,6% a mais de produo, um mon-tante de R$ 5,6 bilhes. A rea colhida do gro no Brasil deve crescer 6,9% e

    a produo 9,0%.Em 2012 as exportaes brasilei-

    ras de milho, segundo divulgao da Companhia Nacional de Abastecimen-to (Conab), atingiram 22,3 milhes de toneladas. Para este ano, projeta-se que 15 milhes de toneladas de milho sejam comercializadas fora do pas. Acredita-se que o pas poder se tor-nar o maior exportador do cereal neste ano. Ainda segundo o rgo, o Brasil ainda no atingiu o volume esperado e essa queda na produo se d devido seca que atingiu regies do pas, prin-cipalmente o Nordeste e o Sul. Atra-

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  • 7 MAR / ABR 13

    vs da Medida Provisria divulgada no Dirio Oficial da Unio (DOU) do dia 21 de janeiro, para tentar ajudar os produtores nordestinos, o Governo Federal liberou a compra de 300 mil toneladas de milho para repor os esto-ques pblicos e serem utilizadas para vendas em Balco aos pequenos pro-dutores rurais localizados nas reas de atuao da Superintendncia do De-senvolvimento do Nordeste (Sudene). O Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA) informou que essa uma medida emergencial por causa do estado crtico que o Nor-deste est passando. S no ano passa-do, como divulgado pelo MAPA, R$ 2.814.475,51 foram comercializados com produo de milho.

    Mesmo com esses contratempos, o USDA divulgou que o Brasil po-der ficar em primeiro lugar nas ex-portaes da cultura, posto este que ocupado pelos EUA. Na ltima safra o Brasil j havia ultrapassado a Argen-tina, que estava em 2 lugar no ranking dos exportadores. O Ministrio do De-senvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior (MDIC) apontou que em ja-neiro o Brasil exportou 3,36 milhes

    de toneladas de milho. No bateu o recor-de de outubro do ano passado, onde o pas exportou 3,66 milhes de toneladas, porm, superou dezembro em 20,6% e janeiro de 2012 em 297,8%. Os principais clientes do Brasil foram o Japo (3,04 milhes de toneladas), Ir (2,96 milhes de toneladas) e Coreia do Sul (2,58 milhes de toneladas). O Centro de Estudos Avanados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou na ltima semana de fevereiro o aumento de 6% nos portos brasileiros. A causa desse reajuste foi demanda externa pelo gro, visto que os estoques dos Esta-dos Unidos estavam apertados e a pro-duo na Argentina teve uma reduo.

    A Safras & Mercado divulgou em maro que a produo nacional da se-gunda safra do milho ser dois milhes de toneladas maior que a da ltima temporada. Estima-se que o pas colha cerca de 40 milhes de toneladas, com um aumento de 5,9% na rea planta-da. Ainda de acordo com a projeo,

    Mato Grosso tem o destaque nacional na produo, seguido do Paran. J na primeira safra, com relao rea cul-tivada, indicou-se uma queda de 9,7%. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) projeta um aumen-to de 2% de produtividade maior que no ano passado.

    Outro ponto que foi explicitado pela mdia do pas foi questo de logstica do gro. Com a reduo da produo no nordeste por causa da seca e a falta de gros nos estoques, no fica vivel para as transportadoras se deslocarem at a regio s para levar o milho. A logstica feita vai do Centro-Oeste para os Portos de Santos e Paranagu. O que gera transtorno para a escoao do milho at o nordeste e a utilizao do cereal para a alimentao do gado.

  • 8MAR / ABR 13

    No Cear, por exemplo, em entrevis-ta ao Jornal Nacional, os produtores mostraram as perdas de animais por falta de alimentao. Os produtores contam com somente 20% do volume necessrio para atender o estado. Para tentar amenizar esses prejuzos, foi re-alizado pela Conab, no dia 27 de mar-o, o primeiro leilo para compra de milho para o nordeste. Foram dispo-nibilizadas 50 mil toneladas do cereal e, de acordo com divulgao da As-sessoria de Comunicao do rgo, a operao teve bons resultados em ava-liao feita pela equipe tcnica. Trinta e trs lotes foram negociados com um desconto de 16,6% nos preos e um gasto de R$ 35,7 milhes. O prximo leilo acontecer em abril.

    problemas e soluesNa Bahia, por exemplo, na safra

    atual de 2012/2013, onde aproxima-damente 270 mil hectares esto sen-do cultivados, um problema atingiu a agricultura do estado. Estima-se que o prejuzo causado pela Lagarta-das--Espigas do milho, a Helicoverpa Zea, possa causar um prejuzo de R$ 300 milhes aos agricultores.

    Mesmo diante de tais estimativas e fatos, investimentos genticos dos produtores para aumentar a produo e produtividade, podem ser uma sada. Em anlise feita pela Associao Bra-sileira de Sementes e Mudas (ABRA-SEM) sobre os impactos causados pelo emprego de biotecnologias na agricultura brasileira, aponta que 50 hectares de milho, resistente a pragas e/ou insetos, teve um retorno adicional de US$ 100,4 mil desde a implemen-tao dessa ferramenta nas lavouras do pas. Projeta-se que em dez anos

    os produtores tenham uma comple-mentao da renda em US$ 324,1 mil. Com relao ao milho importante destacar o potencial de incremento em produtividade, mediante avanos tec-nolgicos, como o desenvolvimento de variedades mais produtivas e resis-tentes a intempries, tcnicas de irri-gao, fertilizao, etc. Ou seja, po-demos aumentar a produo brasileira de milho sem necessariamente expan-dir a rea, porm, mediante melhorias e avanos tecnolgicos, acentua o Zootecnista e Consultor de Mercado na Scot Consultoria, Rafael Ribeiro.

    Uma sada encontrada pelos agri-cultores do Mato Grosso do Sul o consrcio milho-braquiria. Ante-nados com a Sustentabilidade, os produtores esto contribuindo para o desempenho do estado e do prprio pas na produo de alimentos, sem a necessidade de acrscimo de rea. Eles podem ter outras produes na propriedade, atravs do cultivo con-sorciado. Nesse caso, eles tm a pos-sibilidade de reformar ou implantar novas pastagens, alm de produzirem ao mesmo tempo, alimentos para os animais.

    A alta que a ltima safra teve, de acordo com Ribeiro, ela se explica de-vido ao aumento da rea plantada de milho safrinha. Isso resultou da alta do preo do milho, por causa da que-bra da safra dos EUA (2012/2013). O consultor aborda que a Conab proje-tou que a rea de milho safrinha cres-ceu 23,1% na ltima safra, se compa-rada com a safra anterior (2010/2011). A produo na safrinha 2011/2012, de 38,7 milhes de toneladas, foi maior da histria, inclusive superan-do a produo de milho na primeira

    safra ou safra de vero na temporada, de 33,8 milhes de toneladas. Para a safra 2012/13 a expectativa de uma produo recorde. Alm da produo maior na safrinha, estimada em 40,9 milhes de toneladas na temporada (4,6% mais), a previso de uma boa produo na safra de vero, apesar da reduo da rea plantada. A colheita do milho de vero comeou no pas e os primeiros lotes tm mostrado bom rendimento, frisa Ribeiro.

    No quinto levantamento feito pela Conab, divulgado em fevereiro, espe-ra-se uma produo de 76,01 milhes de toneladas de milho no pas, um au-mento de 4,2% que a safra 2011/2012. Sobre um desenvolvimento economi-camente vivel, Ribeiro acredita que o mercado interno est em crescimen-to e o Brasil vem se destacando no mercado externo. Para 2013 h uma expectativa de que 15 milhes de to-neladas do cereal sejam exportadas. Quanto seca que atingiu o nordeste e outras regies produtoras, o consultor da Scot pondera que esse fator deve refletir nos rendimentos. Ele lembra ainda que no Centro-Oeste, ao con-trrio do Nordeste, o que tem atrapa-lhado o milho safrinha o excesso de chuvas.

    Com a produo em crescimento e as demandas interna e externa, o Brasil trabalha com grande estoque de passagem. Ribeiro aponta que os prin-cipais mercados do pas so a sia, o Oriente e a Amrica do Sul. Alm dos que se destacaram em 2012, Japo, Ir e Coreia do Sul, os EUA tambm ad-quiriram a produo brasileira, devido quebra de produo que sofreram. As exportaes deram sustentao aos preos do milho no final do ano

  • 9 MAR / ABR 13

    passado e comeo deste. Ou seja, para o produtor de milho foi benfica, ressalta. Quanto s impor-taes, informa que o volume irrelevante, pois s em casos em que o valor do milho est alto no mer-cado interno, os produtores do nordeste compram o produto da Argentina, Uruguai ou Paraguai.

    De acordo com o Agromensal CEPEA/ESALQ, este ano ser to desafiador quanto o ano passado. Para 2013 os maiores desafios, considera-dos pelo consultor da Scot, so as incertezas com relao ao clima e oferta. Para o consumidor, por exemplo, o pecuarista, o acompanhamento rotinei-ro deste mercado fundamental para tentar apro-veitar algumas oportunidades de preos melhores, por exemplo, agora na boca da safra (colheita). Por fim, as melhorias em infraestrutura e logstica so fundamentais, principalmente, no que diz respeito ao transporte e armazenagem de gros no Brasil, conclui Ribeiro.

  • 10MAR / ABR 13

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    Secooperativa mista regional

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    50 anos dE histria E sUportE ao prodUtor rUral

    Mais de cinco dcadas depois, o trabalho inicial e o pro-psito de unir os produtores rurais que tinham dificuldades de adquirir produtos, equipamentos, medicamentos, dentre outros, para a manuteno e progresso do campo, hoje re-compensado pela fora que a entidade tem na regio. O dia era 19, o ms era agosto, no ano de 1962. A data, que para muitos no passou de mais uma no calendrio, para a Coo-perativa Mista Regional dos Aimors Ltda (Copermista) sig-nificou um comeo. Foi nesta data que, situada no municpio de Nanuque (MG), a entidade foi fundada e a partir da, a classe rural pde se unir para minimizar as dificuldades que eles enfrentavam.

    Essa foi uma deciso conjunta dos produtores, pois viram que uma cooperativa seria uma base para unificar o setor. A abrangncia da cooperativa mista cobre o Nordeste de Minas (Vale do Mucuri), Sul da Bahia e Norte do Esprito Santo. No incio a cooperativa no trabalhava com produo e sim com vendas de produtos agropecurios. Atualmente ela produz 18 tipos de suplemento mineral, com produo anual em torno de 1,5 milho. Para atender a demanda dos produtores, a co-operativa possui uma fbrica de sal mineral e proteinado pro-duzidos desde 1988, devidamente registrada no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA).

    O presidente que deu incio aos trabalhos da entidade foi Fidelcino Viana de Arajo Filho, que permaneceu no cargo at 1963. Depois dele, mais 13 gestores j passaram pela Copermista: Joaquim Vilaronga de Pinho (1963-1964 e 1981-1989), Roberto Viana Rodrigues (1964-1965), Antnio Farias (1965-1966), Genebaldo Carneiro de Oliveira (1966-1967), Osvaldo Americano Scofield de Souza (1967-1969 e

    1969-1972), talo Natali (1972-1978), Jomar de Figueredo Ruas (1979-1981), Lindemberg Viana Rodrigues (de maro a maio de 1981), Armando Rodrigues Gomes (1989-1992), Edvaldo Siqueira Varejo (1993-1995), Paulo de Tarso Ne-ves (1996-1998 e 1999-2001), Darcy Antunes de Olivei-ra (2002-2005 e 2009-2011) e Arlindo da Costa Machado (2006-2008 e 2012-2015).

    Alm da Diretoria Executiva, composta pelo Diretor Pre-sidente e o Diretor Secretrio, Darcy Antunes de Oliveira, a cooperativa formada por mais 21 funcionrios, entre geren-te, vendedores, secretria, contador, etc. A Copermista est localizada no centro de Nanuque, tem uma sede prpria e atua como aglutinadora de produtores rurais, mantendo seu objetivo inicial, e sendo reguladora de preos dos produtos agropecurios na regio, como informa a entidade. Comple-mentam ainda que a princpio era inseguro o armazenamen-to de vacinas para uso pecurio. Por isso, a cooperativa foi a pioneira a construir uma cmara fria, o que possibilitou a compra de vacinas para uso pecurio.

    Hoje, a entidade conta com um total de 1982 associados, sendo 500 deles ativos. Diferente do incio da trajetria, onde apenas 100 produtores eram cooperados. Dos servios pres-tados est a disseminao do uso de novos tipos de semente de capim e do uso de suplemento mineral, na aquisio de produtos e proporcionando a utilizao dos mesmos. A fonte de renda da entidade, que no cobra mensalidade aos asso-ciados, atravs das vendas dos produtos agropecurios em geral. A Copermista apoia eventos agropecurios, tais como feiras e exposies.

    Figura 1: Fbrica de Sal Mineral da Copermista - Figura 2: Loja da Entidade de produtos agropecurios

  • 11 MAR / ABR 13

    a presidnciaEm seu segundo mandato, o atual presidente da cooperati-

    va, Arlindo da Costa Machado, 68 anos, est frente da entida-de desde 2012, com trmino em 2015. Natural de Santa Clara (MG) exerceu tambm a presidncia da cooperativa mista de 2006 a 2008 e atuou tambm como diretor secretrio. Machado acredita que para desempenhar bem essa funo preciso man-ter uma boa equipe e traar diretrizes. Com um mandato de trs anos, o presidente informa que no pretende se reeleger aps o trmino do mandato.

    Quanto s dificuldades enfrentadas aponta: recuperar a credibilidade e o crdito que a cooperativa tinha anteriormen-te. Hoje estamos totalmente recuperados com trabalho ao me-recimento e pontualidade de seus compromissos. Entretanto, Machado considera que um dos pontos fortes de Nanuque que os pecuaristas so conscientes da necessidade de se atuali-zarem com melhoramento gentico do rebanho, alimentao e vacinaes adequadas.

    Morador de Nanuque a cerca de 50 anos, filiado coope-rativa desde o dia 13 de maro de 1972. Casado e com cinco filhos, pecuarista de corte desde 1970. Sobre o interesse pela gesto da entidade, diz que assumiu no intuito de ajudar a re-cuperao da Cooperativa que passava por momentos difceis.

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    Fora de vontade, paixo e dedi-cao so algumas caractersticas que levam uma atividade ao sucesso. Ter certeza do que se deseja e saber a hora de mudar, podem ser a oportunidade. Foi o que fez Rodrigo Lauar Lignani, 41 anos. Atual proprietrio da Fazenda Querena, localizada na MG 217, em Pot, a propriedade foi adquirida em 1971 pelo seu pai e em 1993 foi pas-sada para a administrao de Lignani.

    Natural de Tefilo Otoni (MG), o criador formado em Economia, com nfase em Administrao Rural, pela

    Pontifcia Universidade Catlica de Minas Gerais (PUC Minas). Depois da concluso do curso, Lignani assumiu a administrao da propriedade. Na poca, a Fazenda Querena tinha como foco o trabalho em lavouras, onde a produo de milho e feijo eram as principais atividades. Como a minha paixo sempre foi a pecuria leiteira, logo comecei a mudar isso, confessa o produtor.

    Imediatamente fez a aquisio de novilhas zebunas da raa Gir e a par-tir delas comeou a fazer cruzamentos

    com Holands, dando origem aos ani-mais mestios da raa Girolando. Lig-nani lembra que o resultado foi satis-fatrio, ento comeou a investir mais nessa base zebuna. Porm, a exigncia foi aumentando e os critrios de sele-o tambm. As matrizes Gir passaram a ser selecionadas de acordo com seus padres genticos e morfolgicos, para que os produtos resultantes, tivessem melhor qualidade. Os touros holande-ses tambm comearam a passar por critrios mais rigorosos, onde os mes-mos foram sendo mais aprimorados e

    Fazenda Querena: 20 anos de dedicao pecuria Um tiro cErtEiro na mUdana dE foco

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    Boneca: uma das doadoras Gir P.O. da Fazenda Querena.

  • 13 MAR / ABR 13

    passaram a ser utilizados em programas de acasalamento.

    A satisfao e paixo por esse cru-zamento me fez entrar no criatrio de animais Gir P.O., ressalta. O criador conta que em 2002 comprou as pri-meiras fmeas registradas. O que foi mais um passo na busca pela qualidade do plantel da Fazenda Querena. De l pra c continuamos adquirindo ani-mais de qualidade e viemos buscando informaes e assistncias tcnicas es-pecializadas para poder aprimorar esse plantel, que continuaria sendo tambm

    a base para o rebanho girolando, com-plementa.

    manejo e tecnologiaDepois de 20 anos criando Girolan-

    do e cerca de 10 anos na seleo de Gir P.O. e o foco voltado para a produo de animais melhorados, Lignani utiliza na Fazenda Querena biotecnologias para que os objetivos sejam alcanados. A Fertilizao In Vitro (FIV) feita nas principais doadoras da propriedade, e acasalamentos com os touros criterio-samente selecionados.

    Nos 600 hectares da propriedade, 800 animais compem o plantel. Des-tes, 300 so matrizes melhoradas para a produo do rebanho. J a estrutura da fazenda tem atualmente piquetes rota-cionados e mangas muito bem forma-das e manejadas. O criador completa ainda que o curral e os galpes ofere-cem as condies necessrias para o trabalho desenvolvido na fazenda, alm de poder contar com uma equipe de trabalho bem treinada e dedicada. Dez funcionrios fixos trabalham no mane-jo da propriedade e dos animais.

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    Figura1: Doura - Figura 2: Novilhas Girolando.

  • 14MAR / ABR 13

    Lignani informa que o melhoramen-to gentico aplicado a todo o rebanho, devido ao compromisso com os clien-tes e com o aprimoramento do plantel. Outra preocupao o manejo sanit-rio, pois, de acordo com o criador, a sade do rebanho uma prioridade na produo de animais de qualidade. A assistncia tcnica tambm conside-rada de fundamental importncia para o desenvolvimento do criatrio. Hoje temos tcnicos especficos para a rea produtiva, reprodutiva e tecnolgica. Sem eles nosso trabalho no se desen-volveria na velocidade que consegui-mos alcanar, confia.

    Quanto aos indces zootcnicos, Lignani diz que difcil apont-los, devido ao grande nmero deles. Mas comenta que os ndices so muito bons, principalmente pelo fato de que todos envolvidos no processo, se dedicam ao trabalho desenvolvido na fazenda. As parcerias e a constante busca de novos conhecimentos e tecnologias tambm nos ajudam nessa constante procura de estar sempre melhorando e aprimoran-

    do, frisa. dessa forma que o criador cuida da parte comercial da Fazenda Querena: compartilhando conheci-mentos. Mas se preocupa tambm em participar de grandes eventos do setor e conhecer criatrios para buscar par-cerias, para uma projeo do cenrio nacional de forma conjunta.

    Para finalizar, Lignani expe o mo-tivo que o fez apostar na raa e as van-tagens da mesma: A raa Gir P.O., a

    meu ver, o zebu que nos proporciona a melhor produo de leite e a melhor base para o cruzamento com o holan-ds, produzindo as Girolandas. Essas Girolandas so animais de grande rus-ticidade e longevidade, perfeitamente adaptadas para nossos sistemas de pro-duo, tanto os intensificados como os de uso apenas do pasto.

    Julita outra doadora do plantel.

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  • 15 MAR / ABR 13

    Como informado no editorial, seguindo a linha temtica abordada nesta edio sobre um gro importante na alimen-tao dos animais ou para a comercializao na agricultura, a produo de milho, trazemos um personagem nesta seo que encontrou no gro uma forma de complementar sua renda. Natural de Dom Cavati (MG), o proprietrio do Stio Beira Rio, Sebastio Domingos Monteiro, 46 anos, se dedi-ca exclusivamente sua propriedade rural.

    Casado com Eliete Faria Monteiro, 42 anos, que tam-bm trabalha no stio, o produtor informa que o interesse pela produo de milho o acompanha desde criana. Mas, antes de comprar a propriedade h 15 anos, ele plantava inhame em terras arrendadas e com a renda advinda da ati-

    vidade, ele conseguiu comprar a prpria rea. O stio Beira Rio localiza-se na BR 116, Km 485, no

    Crrego Aredes, em Dom Cavati. na propriedade de 2,2 hectares, que Monteiro v uma forma de diversificar a ren-da nesse espao. Com o foco na produo de milho, o pro-dutor trabalha exclusivamente com a variedade AG 1051. O AG 1051 um hbrido, indicado para silagem devido sua grande quantidade de massa verde de alta digestibilidade. tambm uma das variedades utilizadas para a produo de milho verde e pamonha. A planta tem um porte alto, o gro dentado e seu ciclo semiprecoce. A variedade se caracteriza ainda por uma produo que varia de 335 a 550 sacos de 25 kg. O perodo de colheita de at quatro dias e

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    A produo de milho verde distribuida nos 2,2 hectares da propriedade.

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  • 16MAR / ABR 13

    ps-colheita de trs dias. O cereal fica em ponto de ensila-gem de 110 a 120 dias, com perodo de corte de oito dias.

    a produoMesmo no sendo o nico produtor de milho de Dom

    Cavati, Monteiro aponta que a atividade proporciona uma melhor renda, devido possibilidade de trs plantios, com produo o ano inteiro. Quanto colheita, no utiliza ne-nhuma tecnologia, fazendo-a de forma natural. No perodo de safra a colheita feita a cada 90 dias. Para desenvolver a atividade, o produtor conta que tem a assistncia tcnica da Emater-MG.

    Na propriedade de 2,2 hectares, dois deles so destina-

    dos ao plantio durante o vero. Nessa rea, 80 mil ps so produzidos. J no inverno, apenas 1,5 hectares so utiliza-dos para a produo de milho e o restante ele aproveita para o plantio de outras hortalias. A melhor poca de produo vai de outubro a maro. Na poca da safra so colhidos 10 centos de milho por dia.

    O manejo da atividade segue o processo de aragem da terra, plantio e adubao. A produo anual gira em torno de 300 centos. A comercializao do milho feita para pro-gramas institucionais como Programa Nacional de Alimen-tao Escolar (PNAE), Programa de Aquisio de Alimen-tos (PAA), para o mercado local como a feira de agricultura familiar e a Central de Abastecimento (Ceasa Minas). Cada cento de milho vendido R$ 25,00.

    O produtor considera alto o custo que tem com a produ-o por causa do valor da semente, que gira em mdia de R$ 15,00 o quilo, mais os adubos. Outro fator foi montagem do conjunto de irrigao que custou R$ 4.550,00. O sistema usado no perodo seco do ano, de maio a setembro, como alternativa para auxiliar a produo do cereal.

    Para favorecer o plantio, que j tem o benefcio da re-gio para a produo, feito o uso de sementes melhoradas, o que justifica o alto custo das mesmas. Em relao adu-bao, o produtor informa que ela orgnica no plantio e qumica em cobertura quando a orgnica no supre as ne-cessidades da cultura. Para tentar minimizar esse alto cus-to, o agricultor faz a troca de cana e de milho por esterco,

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  • 17 MAR / ABR 13

    Fotos: O agricultor, Sebastio Domingos Monteiro, encon-trou na produo de milho uma forma de renda.

    com os produtores de leite. O que ajuda a liberar a rea e a economizar com o adubo orgnico.

    Quanto ao controle de pragas e ao uso de agrotxicos, Monteiro frisa que no utiliza desses mtodos. At hoje no ocorreu dano econmico que justificasse a utilizao de con-trole de pragas, devido rotao de culturas que feita na rea. Assim, no utilizo agrotxicos, enfatiza o agricultor. Atualmente, encerrando o ciclo, est sendo feita a colheita do milho.

    o municpioSituada na mesorregio do Vale do Rio Doce, Dom Ca-

    vati possui cerca de 5.200 habitantes, de acordo com o Cen-so Demogrfico do IBGE 2010. Com rea demogrfica de 59,520 Km, a rea de estabelecimentos agropecurios de 4.714 hectares. Sendo que o nmero de estabelecimentos to-taliza 142 unidades. O valor de rendimento nominal no mu-nicpio, para a zona rural, tem a mdia mensal de R$ 931,24.

    Segundo o Safra Agrcola produzido pela Emater-MG, na safra 2012/2013, iniciada em setembro, 56 hectares so de rea plantada de milho em Dom Cavati. At a data de fechamento desta edio, haviam sido colhidos 45 hectares, com uma produo de 90 toneladas e produtividade de 1.607 kg/ha. Ainda segundo o Censo 2010 do IBGE, 68 estabele-cimentos agropecurios trabalham com a produo do milho em gro no municpio.

  • 18MAR / ABR 13

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    Desde que a produo intensiva de aves teve seu incio, ainda na dcada de sessenta, os empresrios e os tcnicos de setor tm convivido com a avaliao,

    geralmente de leigos, de que estas aves para serem produ-zidas necessitam de adio de hormnios em suas raes. Na realidade, quando se trata de manifestaes individu-ais e de pessoas de pouca representatividade pblica, as consequncias so irrelevantes. Entretanto, muitas con-sideraes tm sido feitas por mdicos, nutricionistas e representantes de entidades protetoras do bem estar da sociedade e que repercutem mais significativamente.

    Esta constatao absurda e em algumas circunstn-cias tem comprometido o setor que fica obrigado a jus-tificar-se quando na verdade no h qualquer razo para tal, uma vez que a avicultura brasileira no usa deste ex-pediente pra ter o desempenho de suas aves favorecido. Este fantstico progresso no desempenho das aves no est absolutamente sustentado na perspectiva milagrosa de que um determinado produto (hormnio), quando adi-cionado alimentao daqueles animais, possa promover um rpido crescimento.

    Este progresso est baseado fundamentalmente em uma intensa atividade de pesquisa nas reas de gentica, nutrio, sanidade e no entendimento das relaes des-tes conhecimentos atravs do manejo da produo destes animais. As aves so os animais domsticos que tm o maior nmero de pesquisadores trabalhando para melhor conhec-las e melhor produzi-las. Inclusive significati-vo o nmero de informaes que tm sido obtidos destes estudos e que so aplicados na produo de outros ani-mais domsticos e tambm para melhorar o bem estar dos seres humanos. J no final da dcada de setenta os pes-quisadores, a partir dos dados de desempenho observados no passado prximo, podiam prever que os frangos a cada ano precisariam um dia a menos para atingir o mesmo peso obtido no ano anterior. Esta estimativa vem se con-firmando e tudo indica que pelo menos at a virada do sculo estes valores continuaro sendo observados. Mais uma vez insisto no questionamento de que todo este avan-o tecnolgico no pode estar baseado na maior ou menor quantidade de hormnio que as aves possam receber dia-

    riamente. Ou que elas dependem da adio de hormnios para expressar seu potencial gentico.

    Tentando justificar o absurdo gostaria inicialmente de sustentar minha argumentao pelo lado legal do uso de hormnios ou de substncias citadas como quimicamente semelhantes aos hormnios. No Brasil, o emprego destas substncias proibido. Desta forma, no h a possibilida-de de livre comrcio das mesmas em nosso Pas. Sendo assim, o primeiro impasse que a indstria avcola teria que superar seria o contrabando contnuo e sistemtico de produtos que tivessem hormnios em suas composies. Pelo tamanho da indstria avcola brasileira e pelo vo-lume de rao produzido para frangos de corte no Brasil (cerca de 8 milhes de toneladas de rao/ano) este co-mrcio seria impossvel de ser mantido sem que ocorresse qualquer denncia clara, objetiva a no simples especula-es levianas do emprego sistemtico dos mesmos.

    Claro que algum mais interessado em levar a discus-so adiante poderia afirmar que nem toda a indstria av-cola poderia se valer deste expediente. Isto seria outro absurdo, pois a maioria das empresas avcolas brasileiras tem seus resultados de produo avaliados e comparados formal ou informalmente. Como poderia uma determi-nada empresa se satisfazer com piores resultados siste-mticos sem tentar identificar o que as demais estariam fazendo para ter melhores desempenhos de seus frangos? O grau de relacionamento dos tcnicos e empresrios da avicultura brasileira, atravs de rgos de classe e de sociedade cientficas to intenso que este segredo de Estado ser impossvel de ser mantido pelas empresas conhecedoras desta tecnologia escusa.

    Porm, ainda no campo da especulao seria imposs-vel o desconhecimento de qualquer benefcio dos horm-nios, pois a literatura tcnica disponvel universal e de livre acesso a qualquer tcnico que tenha curiosidade ou interesse em consult-la. E aqui est o ponto mais impor-tante. A maioria das informaes disponvel na literatura internacional indica resultados controversos de qualquer hormnio no benefcio do desempenho dos frangos de corte. Nos ltimos anos tm sido estudadas drogas ditas beta-adrenrgicas, tambm chamadas substncias seme-

    por que hormnios no so usados na alimentao de frango de corte?

    Antnio mrio penz Junior eng Agrnomo, mestre em Zootecnia e phd em Nutrio Animal

    professor titular do departamento de Zootecnia da UFrGSretirado no site www.sadeanimal.com

  • 19 MAR / ABR 13

    lhantes a hormnios, na alimentao dos animais doms-ticos. Estas drogas teoricamente permitem a reduo da concentrao de gordura e aumentam a concentrao de protena nas carcaas de frangos de corte.

    Entretanto, resultados recentes tm demonstrado que em frangos de corte os benefcios so extremamente con-troversos, onde na maioria das vezes estas substncias no tm promovido qualquer benefcio quando usadas da forma recomendada. Insisto em dizer que este tipo de informao no privada. Encontra-se perfeitamen-te divulgada na literatura cientfica internacional e, por consequncia, disponvel a qualquer indivduo que esteja interessado em ter informao sobre o assunto. Um outro fator complicador dentro deste tema que alm dos re-sultados serem tremendamente contraditrios, os nveis que estes produtos deveriam ser utilizados, para even-tualmente responderem, fariam com que seus custos de aplicao ficassem completamente inviveis. Mais uma vez, mesmo que a indstria avcola fosse na sua totalidade inescrupulosa e que coletivamente no tivesse qualquer sensibilidade com o bem estar do ser humano, ela tambm no aproveita esta alternativa pois comprovadamente tem resultados contraditrios e completamente impraticvel sob o ponto de vista econmico.

    Outro aspecto importante e que no pode ser ignorado que um nmero significativo de empresas avcolas bra-sileiras exportam frangos de corte para vrios pases do mundo. A propsito, nosso Pas est entre os trs maiores exportadores. Como a indstria brasileira poderia correr mais este risco de ter seu produto condenado pela pre-sena de alguma substncia que viesse a comprometer a qualidade do produto exportador? Alis, a cautela da indstria brasileira muito grande e vrias substncias qumicas, alm de hormnios, no aceitas internacional-mente, no so usadas mesmo nas raes de frangos que sero consumidas no Brasil para evitar qualquer risco de contaminao cruzada.

    Ento, a pergunta que fica por que as aves produzi-das pela indstria avcola brasileira so to precoces e to diferentes daquelas produzidas de forma extensiva, ou em fundo de quintal (galinhas caipira)? Claro que a primeira razo j foi abordada e est sustentada em uma pesqui-sa extremamente progressista voltada para o aprendizado dos fundamentos bsicos do desenvolvimento desta es-pcie e tambm com a aplicao prtica destes conheci-mentos ao nvel de granja. Os frangos de corte produzidos pela indstria avcola, embora da mesma espcie daque-les produzidos extensivamente, so oriundos de linhagens comerciais que vem sendo geneticamente desenvolvidas ao longo dos anos exatamente para ser mais precoces e produzir carcaas de melhor qualidade. Uma indagao frequente aquela do por que das carcaas dos frangos de corte produzidos pela indstria avcola serem muitas

    vezes menos amarelas, mais plidas, e ter uma gordura menos consistente que aquela das aves produzidas no fun-do de quintal. A resposta para isto muito simples e, mais uma vez nada tem a ver com o emprego de hormnios. A pigmentao dos frangos tem sido menos intensa pelo uso de alimentos alternativos que no dispem de pigmentos nas suas composies e que terminam sendo absorvidas pelas aves como aqueles que tm no milho, alfafa, etc.

    Entretanto, fazer um frango mais pigmentado muito fcil. Porm, a colorao amarela em nada altera a qua-lidade nutricional da carcaa. Esta caracterstica pura-mente esttica e h pases como o Mxico e a Argenti-na que preferem carcaas mais pigmentadas que aquelas produzidas no Brasil e em alguns pases europeus. Cabe ressaltar que o Japo, no momento o mercado importa-dor mais exigente, tambm requer frangos com carcaas pouco pigmentadas. Porm, para fazer as aves ficar me-lhor pigmentadas e sem qualquer benefcio na qualidade da carcaa, custa caro e no est relacionado com o tipo de linhagem usada. Caso as galinhas caipira fossem pro-duzidas sem alimentos ricos nestes pigmentos certamente teriam suas carcaas menos amarelas. importante que seja dito que a cor da carcaa no deve ser considerada como sinnimo de boa sade do animal abatido.

    A gordura tambm um problema bastante discutido e os geneticistas e os nutricionistas tm trabalhado inten-samente para reduzir a concentrao na carcaa. Os avan-os tm sido marcantes. Porm, a diferena da gordura das galinhas caipira e dos frangos de corte de linhagens comerciais est baseada em dois aspectos essenciais. Ini-cialmente as galinhas caipira so abatidas mais velhas e a relao de gua:gordura na carcaa menor. Em ou-tras palavras, aves mais velhas tm, proporcionalmente, menos gua na carcaa e mais gordura e os pigmentos fixam-se fundamentalmente no tecido adiposo. Assim, a gordura destas aves mais amarela e mais firme. J os frangos de corte de linhagens comerciais so abatidos mais precocemente onde a relao gua:gordura maior e, proporcionalmente, tm mais gua na carcaa. Isto d a gordura da carcaa uma aparncia menos firme e, eventu-almente menos amarela se menos pigmentos participaram da composio da rao.

    Desta forma, importante ressaltar que toda e qual-quer acusao individual ou coletiva com relao qua-lidade da carcaa de frangos de corte deve ser reavaliada, pois tem sido feito de forma leviana e via de regra sem fundamento. Confundir hormnio com nutrientes, vitami-nas, minerais, aminocidos, etc., tem sido muito comum. Estas ondas podem prejudicar um setor dos mais moder-namente desenvolvidos em nosso Pas e que tem gerado emprego, alimento e riqueza e que no pode ficar com a imagem de que est produzindo, de forma irresponsvel, alimento para os brasileiros e indivduos de outros pases.

  • 20MAR / ABR 13

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    introduoA cana-de-acar, quando adequadamente utilizada,

    uma excelente alternativa para melhorar a alimentao dos bovinos de corte e leite, principalmente no perodo seco do ano. A causa disso por a cana apresentar caractersticas como a simplicidade operacional para manuteno e condu-o da cultura, a alta produo por rea, os perodos de ma-turao e colheita coincidirem com o de escassez de pasto, possuir um custo de produo relativamente baixo, manter o valor nutritivo (principalmente energtico), por longo pero-do e, ainda, possuir boa palatabilidade.

    Na alimentao animal, a cana-de-acar apresenta mui-tas opes de utilizao, podendo ser fornecida principal-mente in natura ou na forma de silagem. Tambm pode ser submetida a tratamentos qumicos, fsicos e microbiolgi-cos, com o objetivo de melhorar o seu aproveitamento pelos animais.

    Fibra em detergente neutro (FDN) e fibra em detergente cido (FDA) so as medidas de avaliao de fibra recomen-dadas para ruminantes (Van Soest et al., 1991). A baixa de-gradao da fibra no rmen (FDN) leva a uma limitao da taxa de reciclagem ruminal e, consequentemente, ao baixo consumo (Ravelo et al., 1978).

    objetivoAvaliar o efeito do tratamento alcalino e/ou uso de ino-

    culantes sobre o consumo, a digestibilidade e a produo de bovinos alimentados com dietas contendo cana-de-acar nas formas in natura, hidrolisada e hidrolisada ensilada.

    reviso da literatura cana in natura

    A cana apresenta limitaes nutricionais devido ao des-balano de nutrientes. A cana-de-acar apresenta em m-dia 2,0% de PB na matria seca (MS), teor inferior grande maioria das plantas forrageiras tropicais, com variaes de 1,6 a 4,0% (Stacchini, 1998).

    Estudos mostraram que canas com maior porcentagem de colmos, ou seja, baixa proporo de palhas e folhas so mais digestveis. Com isso, pode-se inferir que a despalha gentica, ou manual pode elevar a digestibilidade da planta. Este fato aparentemente se explica devido sacarose de alta digestibilidade estar contida nos colmos, enquanto a parte vegetativa rica em fibra de baixa digestibilidade. A cana , talvez, a nica forrageira onde colmos tm maior digestibi-lidade que folhas. Fatores ambientais e manejo, tais como, a escolha da variedade de cana utilizada, podem contribuir na melhor digestibilidade (Pereira, 2010).

    Vrios trabalhos, com diversas cultivares, geraram re-sultados sobre as caractersticas da cultivar mais indicada, tendo como destaque, hbito de crescimento ereto, bainha aderida fracamente ao colmo (facilitando a desfolha natu-ral), e uma boa relao entre o teor de fibra e a quantidade de acar. Este ltimo aspecto resultou em um aumento de 17% no ganho de peso, utilizando a cultivar IAC 86-2480 em comparao com a variedade industrial RB 72-454 (Ro-drigues et al., 2002).

    Santos (2010) relatou que o tamanho das partculas de cana picada tambm interfere no consumo das FDN e FDA e, consequentemente, na produo de leite, na % de protena

    processamentos da cana-de-acar: consumo, digestibilidade e produo de

    bovinosIGOr AlveS pereIrA meNdeS

    mestrando em produo Animal, departamento de Zootecnia; escola de veterinria, UFmG, Brasil

    igormendes_zooufv@hotmail.com; 2011 cAd

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  • 21 MAR / ABR 13

    bruta (PB), no nitrognio ureico do leite, nos slidos totais, no tempo de ingesto, no tempo de mastigao por unidade de MS, no tempo de ingesto por unidade de MS e no tempo de ingesto por unidade de FDN. O fornecimento de part-culas maiores aumenta o ndice de seleo, favorecendo a ingesto de ingredientes concentrados, alterando, com isso, a proporo volumoso:concentrado ingerida.

    Outras prticas que podem maximizar o consumo de MS e parecem ser mais determinantes na porcentagem de fibra das cultivares do que fatores genticos aditivos so ter um bom manejo do cocho, conforto e instalaes adequadas para alimentao (Pereira, 2010).

    Em vrios experimentos conduzidos por pesquisadores, dentre eles, Valvasori et al., (1998) e Costa et al., (2005b), a substituio de at 100% do volumoso da dieta, principal-mente silagem de milho e silagem de sorgo, por cana-de--acar, resultou em reduo no consumo de MS da ordem de 2,30 kg/cab.dia-1, o que representa um consumo 20% menor e reduo na produo em at 4 kg de leite/dia.

    Costa et al., (2005b) avaliaram trs relaes volumoso: concentrado em dietas base de cana-de-acar (60:40; 50:50 e 40:60), em relao a uma dieta base de silagem de milho, utilizada na relao 60:40, para vacas produzindo 20 kg de leite/dia. Em dietas com relao volumoso:concentrado de 60:40, a substituio total da silagem de milho por cana--de-acar, reduziu o consumo dirio em 4kg de MS/vaca (19,77 x 15,78kg) e a produo diria de leite em 4,17kg/vaca. Foi necessrio aumentar a proporo de concentrado na dieta de cana-de-acar de 40% para 60% da MS, para que o consumo de MS e a produo de leite se equiparassem aos valores obtidos com a silagem de milho, com variao positiva de peso corporal.

    Rodrigues (1999) sugeriu que a cana-de-acar em die-tas de vacas em lactao, deve ser utilizada em relaes volumoso:concentrado de 40:60 a 45:55, na base de MS, para garantir de 20 a 24 kg de leite/dia, sem que ocorra per-da de peso.

    Segundo Corra et al. (2003), vacas de alta produo (34 kg leite/dia) alimentadas com cana-de-acar em substitui-o da silagem de milho, tiveram o consumo reduzido em 6,9%, a produo de leite reduzida em 7,3% e a digestibili-dade de FDN reduzida de 41,7% para 23,1% da MS. A ati-vidade mastigatria e o pH ruminal no tiveram diferenas significativas.

    Oliveira et al. (2007) sugeriram a utilizao de agentes alcalinizantes na cana-de-acar com o objetivo de melhorar o valor nutritivo e, pela elevao do pH da cana hidrolisada, inibir o desenvolvimento de microrganismos indesejveis, no sendo necessrio, ento, a colheita diria, permitindo a estocagem.

    cana hidrolisada O processo de hidrlise da cana um tratamento que

    promove o rompimento da estrutura da frao fibrosa, para torn-la mais digestvel, e, com isso, melhorar sua utilizao (Burgi, 1985).

    A cana picada pode ser hidrolisada utilizando-se hidr-xido de sdio (NaOH), xido de clcio (cal virgem) ou do hidrxido de clcio (cal hidradata), que so os principais produtos utilizados como agentes alcalinizantes (Nussio et al., 2008). O NaOH uma das substncias alcalinas mais utilizadas (Pires et al, 2006), porm, sua aplicao limita-da por ser considerado nocivo ao homem, aos animais e ao

    meio ambiente (Dias et al., 2009). Dias et al. (2009) observaram que a utilizao de cal hi-

    dratada entre 8 e 16g/ kg de matria natural (MN) de cana--de-acar podem favorecer o desenvolvimento de bactrias celulolticas e, consequentemente, melhoria na digestibilida-de das fraes fibrosas da parede celular, j que obtiveram um pH ruminal mdio entre 6,5 e 7,2, como proposto por Vanzant et al.(1990).

    Reis et al. (2008), com o objetivo de avaliarem o efeito de diferentes teores de ureia (0,5; 0,7; 0,9; 1,1%) adicionados cana-de-acar (12g/kg de MN) no momento da hidrlise sobre as caractersticas relacionadas ao seu valor nutritivo, relataram que houve queda no teor de FDN da cana in natura de 63,15% na MS para 55,31; 54,22; 55,60 e 56,14%, e um aumento da PB na MS da cana in natura de 3,28% para 4,23; 5,39; 6,51 e 9,02%, respectivamente, nos crescentes teores de ureia.

    No entanto, Mari (2008) descreveu situaes aonde pos-sivelmente o uso de silagem de cana-de-acar vem a ser o mais recomendado. Dentre elas, os incndios acidentais, perda de valor nutritivo durante o vero, necessidade de rea disponvel e falta de mo de obra.

    silagem de cana hidrolisada Segundo Pedroso et al. (2005), a maior limitao na en-

    silagem de cana-de-acar consiste na elevada produo de etanol. Com isso, h reduo da MS, baixos teores de cido ltico e de cido actico (Mari, 2008) e aumentos dos cons-tituintes da parede celular (Bernardes et al., 2002), havendo perda do valor nutritivo (Preston et al.,1976).

    Segundo Schmidt (2006), a escolha do aditivo para si-lagens de cana-de-acar deve ser baseada em critrios que considerem aspectos como: quanto de MS retirada do silo em relao quantidade de alimento depositada no momen-to da ensilagem (recuperao de MS), estabilidade em am-biente aerbio e o desempenho de animais que consumam essas silagens. Alm disso, a justificativa para a adoo de um aditivo dever considerar seu custo, em contraste ao be-nefcio a ser alcanado.

    Em relao s variedades de cana-de-acar para ensi-lagem e s tcnicas sobre a digestibilidade in vitro de FDN (DIVFDN), a variedade IAC 86-2480 foi mais digestvel que a RB 83-5453 (Oliveira et al., 2007).

    Alm dos aditivos qumicos, inoculantes microbianos tambm tm sido utilizados no intuito de melhorar o padro de fermentao e a qualidade das silagens. A possibilida-de de se conseguir uma silagem de cana de boa qualidade iniciou-se com trabalhos desenvolvidos na ESALQ/USP. A Propionibacterium acidipropionici uma bactria he-terofermentativa que possui a propriedade de produzir os cidos propinico e actico, responsveis pela proteo do material ensilado contra o ataque de fungos aps a abertura do silo, alm de serem cidos orgnicos aproveitados nu-tricionalmente pelos ruminantes. Esse produto para silagem de cana possui o diferencial de no conter em sua formu-lao a bactria homoltica Lactobacillus plantarum, mui-to utilizada em outros inoculantes, mas inapropriada para a cana-de-acar por promover excessiva produo de etanol e, consequentemente, maiores perdas de MS. Hoje j se con-ta com o Lactobacillus buchneri, o qual um microrganis-mo heteroltico que contribui para diminuir a produo de etanol, melhorar a eficincia do processo de ensilagem da cana, reduzindo as perdas de MS e melhorar a aerbica da

  • 22MAR / ABR 13

    silagem, pois mantm o pH constante durante o perodo de aerobiose, e, com isso, otimiza os desempenhos zootcnicos (Queiroz et al., 2000).

    Dietas contendo relao volumoso:concentrado com 50% de silagem de cana-de-acar apresentam melhores co-eficientes de digestibilidade aparente de FDN, FDA e hemi-celulose (Mendes, 2008).

    consideraes finais Processamentos da cana relacionados ao manejo, tal

    como, tamanho de partculas, so imprescindveis para o su-cesso da otimizao do uso da cana como alimento animal.

    A cana hidrolisada, seja ela com soda custica ou cal (vir-gem ou hidratada), possui seus benefcios permitindo alm de melhorar a ingesto da cana, controlar a acidose potencial dos ruminantes. Porm, fatores como excesso de produo ou disponibilidade de mo de obra e mquinas, alm de ne-cessidade de estocagem por maior perodo, podem favorecer uma deciso pela ensilagem da cana. Entretanto, preciso ter bom manejo, j que, somados aos fatores que afetam a composio qumica da cana-de-acar fresca e picada na alimentao animal, o tempo de ensilagem, o uso de aditi-vos, inoculantes e outros fatores associados ensilagem afe-tam a composio e valor nutritivo da silagem de cana, alm do custo de produo.

    rEfErncias BiBlioGrficas BERNARDES, T. F.; SILVEIRA, R. N.; COAN, R. M.; et al. Ca-

    ractersticas fermentativas e presena de levedura na cana-de-acar crua ou queimada ensilada com aditivo. In: REUNIO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILERA DE ZOOTECNIA, 2002. Recife. Anais... Recife: SBZ, 2002. p.39. (CD-ROM).

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  • 23 MAR / ABR 13

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    Em todos os nossos artigos, conversamos sobre a im-portncia de termos pastagens vigorosas e de alta quali-dade nas fazendas. Podemos observar que, nessas con-dies, as respostas produtivas utilizao das diversas tecnologias so melhores, um bom exemplo o impacto do volume e qualidade de pasto na resposta suplemen-tao mltipla. Portanto, o sistema de produo baseado em boas pastagens aliadas a prticas de gesto, tornar-se- competitivo e rentvel. Nesse sentido a maioria dos pro-dutores e tcnicos est ciente sobre a necessidade de tra-tarmos o pasto como cultura. Porm, por que poucos, de fato, realizam esse processo? A primeira coisa que vem a mente que adubo quebra o pecuarista, mas ser que essa informao verdadeira? o que iremos abordar nesse texto.

    Para comearmos a elucidar essa questo, tentei fazer um paralelo sobre o que usamos como principais insumos

    na pecuria, comparados com a utilizao de fertilizantes para pastagens. Na tabela 1, constam essas informaes.

    Tabela 1 Valor investido (R$/cab.ano) com suple-mentos (minerais, proticos e energticos), produtos des-tinados sade animal e fertilizantes para pastagens no Brasil.

    Fonte:1- Adaptado de SINDAN (2011)/SINDIRAES (2012)/ANDA (2012). 2-IBGE (2011).

    O investimento em fer tilizantes para pastagens alto?

    Humberto luiz Wernersbach FilhoZootecnista mSc / Supervisor de pesquisa

    Fertilizantes Heringer S/A

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    Pode-se observar que investimos em fertilizantes para pastagens uma quantia abaixo do que utilizado para me-dicamentos, onde via de regra, um dos insumos com menor valor absoluto utilizado na pecuria. Mas qual im-pacto dessa informao? O maior impacto de no inves-tirmos na qualidade dos pastos o grau de degradao das reas utilizadas para pecuria e a baixa produtividade das mesmas. Estima-se que mais de 50% das reas esto degradadas e a produtividade pecuria gira em torno de 4 @/ha.ano. O que pode inviabilizar o sistema de produo, haja vista, o aumento de custos e preo de terra.

    Embora a preocupao com elevao dos custos te-nha sempre grande importncia, quais seriam os impactos numa propriedade de gado de corte se fizssemos um in-vestimento em fertilizantes semelhante aos valores inves-tidos em nutrio e sanidade? o que mostra a tabela 2.

    Tabela 2 Comparativo de custos e retorno econmi-co do investimento em manuteno das pastagens de duas fazendas hipotticas.

    Notas:1 - Fazendas Hipotticas2 - Considerando uma lotao na pastagem sem aduba-

    o de 0,8 UA/ha.ano e na rea adubada uma lotao de 1,3UA/ha.ano, onde em mdia, 1 cab = 0,75 UA.

    3 - rea com baixos nveis de fsforo e potssio, com a necessidade de correo de 1,5t/ha de calcrio, diludas em trs anos, e adubao de cobertura com 300 Kg/ha do formulado 20.10.15 pagos j no primeiro ano.

    4 - Considerando um valor de R$ 90,00/@.5 - Ganho em peso na rea sem adubao de 5 @/cab.

    ano e na rea adubada de 6 @/cab.ano.6 - Faturamento estimado considerando o valor da ar-

    roba em torno de R$ 90,00.

    Ao analisarmos a tabela 2 pode-se observar que com um pequeno investimento em fertilizantes, podem-se con-seguir incrementos na ordem de 8% na produo, isso j quitados os custos com corretivos e fertilizantes. Nesse sentido, o pecuarista conseguiria, de forma econmica e equilibrada, realizar uma adubao em 10% nas reas de pastagens. Isso significa que a cada 10 anos, todos os pas-tos da fazenda receberiam uma manuteno. Essa prtica melhoraria as condies das pastagens, permitiriam futu-ras intensificaes e sobretudo, trariam mais receitas para a atividade pecuria. Alm disso, poderia se diversificar a produo com outras atividades sem reduzir o rebanho.

    O investimento em fertilizantes para pastagens tem importncia, por isso, dever ser feito sempre de acordo com os critrios tcnicos, porm vimos que esse montante pode se assemelhar a valores j utilizados com outros in-sumos na propriedade e, em muitos casos, gerando maior retorno econmico.

    BiBlioGrafia consUltadaSINDAN Sindicato Nacional das Indstrias de Produ-

    tos para Sade Animal. Mercado. http://www.sindan.org.br/sd/base.aspx?controle=8.

    SINDIRAES Sindicato Nacional da Indstria de Alimentao Animal. Setor de Alimentao Animal. Bole-tim Informativo do Setor. Dezembro-2012.

    ANDA Associao Nacional para Difuso de Adubos. Estatsticas. http://www.anda.org.br/estatistica//principais_indicadores_2012.pdf

    IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsti-ca. Diretoria de Pesquisas, Coordenao de Agropecuria, Pesquisa da Pecuria Municipal 2010-2011. ftp://ftp.ibge.gov.br/Producao_Pecuaria/Producao_da_Pecuaria_Munici-pal/2011/tabelas_pdf/tab01.pdf

  • 25 MAR / ABR 13

  • 26MAR / ABR 13

    Alexandre Sylvio vieira da costaeng. Agrnomo professor titular Solos e meio Ambiente

    Universidade vale do rio doceFupac tefilo Otoni

    asylvio@univale.brhttp://agriculturaecologiaesaude.zip.net

    Os pensadores visionriosAG

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    Muitas pessoas ao longo da histria foram visionrias e conseguiam enxergar muito alm de seu tempo. Nos sculos passados, muitos deles eram considerados loucos, pois o que diziam ou escreviam estava muito alm da compreenso dos demais mortais. Dentre estas ilustres pessoas temos o conhe-cido Thomas Robert Malthus, figura conhecida dos livros de geografia das escolas brasileiras. Malthus nasceu em 1766, no sculo XVIII e era f de economia, poltica e demografia, esta ltima, a cincia que estuda as populaes.

    Naquela poca a populao mundial no passava de 800 milhes de pessoas com taxas de crescimento extremamen-te reduzidas, segundo informaes histricas, mas este pen-

    sador j se preocupava com o futuro distante, com o avan-o tecnolgico e com a sustentabilidade deste crescimento populacional. Segundo o princpio bsico de sua teoria, o crescimento populacional ocorreria de forma mais acelerada quando comparada a produo de alimentos atingindo a falta de sustentabilidade, gerando tenses entre as naes, confli-tos por territrios, gua, fome e doenas. E no que o Mal-thus estava certo!

    Em relao aos alimentos, apesar de um bilho de pesso-as no mundo ainda passarem fome, a produo total de ali-mentos do planeta alimentaria tranquilamente os nossos sete bilhes de habitantes. Isto acontece porque as tecnologias de

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    Apesar de um bilho de pessoas no mundo ainda passarem fome, a produo total de alimentos do plane-ta alimentaria tranquilamente os nossos sete bilhes de habitantes.

  • 27 MAR / ABR 13

    produo agropecuria avanam rapidamente aumentando significativamente a produtividade sem aumentos de grandes reas de cultivo.

    E a populao? Segundo Malthus a taxa de crescimento populacional seria elevada de forma significativa, fato que realmente ocorreu a partir do sculo XIX (dezenove) onde em 200 anos, a populao saltou de um bilho no ano de 1800 para seis bilhes no ano de 2000 com expectativa para mais de nove bilhes em 2050. At quando a nossa tecnologia de produo de alimentos e as novas que surgiro iro sustentar este crescimento populacional? Neste setor a teoria Malthu-siana ainda no se concretizou, mas no aspecto sustentabili-dade ela j uma realidade. Os recursos naturais do planeta esto comprometidos por conta do consumismo e do padro de vida do homem. Consumimos cada vez mais petrleo, mi-

    nrios, gua, polumos cada vez mais nossos recursos hdri-cos, a atmosfera, o solo, destrumos as florestas, extinguimos os animais...

    No tomamos mais banho de rio porque as guas esto poludas, no podemos mais respirar fundo por conta da po-luio do ar, vamos a praias e no passamos mais proteto-res solares, mas bloqueadores porque estamos destruindo a camada de oznio e cada vez mais os raios ultravioleta que causam o cncer de pele atingem a superfcie do planeta, no jogamos mais bola nos campinhos de pelada porque foram eliminados para construo de casas e fbricas sobrando para os nossos jovens a TV a cabo, o videogame e o Facebook. Malthus estava certo e a confirmao de sua teoria questo de tempo se continuarmos com o mesmo comportamento co-letivo autodestrutivo.

  • 28MAR / ABR 13

    Volta s aulas significa, para muitos veteranos das universidades, o to famoso Trote aos calouros. Infeliz-mente, muitas destas brincadeiras acabam prejudicando os novatos pela violncia e o mau gosto nas escolhas. Casos de morte tambm so registrados nesses rituais. Em 1831 data-se a primeira morte de um universitrio no Brasil. Um calouro do curso de direito foi morto a facadas no Recife.

    Entretanto, universidades no pas vm adotando es-tratgias para diminuir os abusos excessivos nas recep-es aos calouros: denncias na Prefeitura do Campus, trotes solidrios como doao de sangue e alimentos, gincanas, dentre outras aes e atividades. Algumas universidades at proibiram o Trote aos calouros com o intuito de coibir essas prticas violentas.

    Vendo essa triste realidade, dois jovens do Nordes-te do pas resolveram lanar, no incio deste ano, uma ideia: o Trote Ecolgico Juventude Sustentvel, que foi criado no ano passado numa rede social. Rondinele San-tana de Lima, 26 anos, Administrador de empresas, de Campina Grande (PB) e Mona Laura Moraes, 25 anos, Enfermeira, de Juazeiro do Norte (CE), lideram o pro-jeto. Sem finalidade lucrativa, o Juventude Sustentvel tem por objetivo o reflorestamento das cidades atravs do plantio de rvores nativas da regio, incentivando os estudantes do pas a substiturem os trotes violentos e, regrados a bebidas alcolicas, a uma ao responsvel e consciente. Por meio da interao dos veteranos e calouros das universidades participantes, a importncia que visualizamos nesse projeto deixar um legado ver-

    de para a comunidade em torno das universidades e at atingindo toda cidade, informa o grupo.

    O Juventude Sustentvel uma pgina do Facebook que atualmente conta com cerca de 275 mil pessoas cur-tindo a pgina, 130 mil visualizaes no projeto, alm de uma mdia de 3 mil pessoas compartilhando as ideias do grupo. Se colocarmos na balana os amigos dessas pessoas que curtem a pgina, a mesma vista por 50 milhes de pessoas, de acordo com as projees que a rede social aponta. A idade mdia dos seguidores entre 18 e 30 anos, pertencentes a Universidades brasileiras e de outras partes do mundo. Segundo os criadores da p-gina, a mesma recebe cerca de 2500 seguidores por dia.

    outros projetosEm 2012 quando a pgina foi criada, segundo os jo-

    vens, os resultados foram bastante positivos. Alm do Trote Sustentvel, dois outros projetos foram bem acei-tos pelos seguidores da pgina: o projeto Fotgrafo Sus-tentvel, onde o pblico envia fotos de belezas naturais do pas, objetivando que a populao brasileira conhea o pas e deixe os recursos naturais no Brasil, alm de incentivar a ida dessas pessoas a esses lugares; outro projeto o Brasil Sustentvel, onde artesos de todo o pas so reunidos para produzirem trabalhos atravs de materiais reciclados.

    Fomentar o meio ambiente e estimular sustentabi-lidade, d um gs a mais para que o grupo se fortalea cada vez mais. Mesmo no podendo contabilizar o n-mero de rvores plantadas depois da iniciativa, Lima e

    Juventude Sustentvel: as redes sociais a favor da causa ambiental

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    Figura 1: O trote de forma pacfica para acabar com essa realidade violenta. Figura 2: Mona Laura Moraes e Rondinele Santana

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    Moraes contam que todos os dias recebem notcias de novos plantios. Estamos desenvolvendo intercmbio com o Instituto Chico Mendes com o objetivo de tro-car informaes sobre o manejo de rvores nativas e tambm est em nossos planos realizar uma palestra no Instituto sobre A importncia das redes sociais como ferramenta de educao ambiental. Estamos s em bus-ca de parceiros, at porque nossa pgina formada por duas pessoas e no temos nenhum apoio financeiro. apenas amor pelo o verde. O grupo permanece, por enquanto, somente nas redes sociais. Porm, esto em busca de parcerias financeiras para que o projeto possa alcanar todo o pas.

    Mas a criatividade no para por ai. Outra iniciativa ainda em implantao, visto que o Brasil ir sediar a Copa das Confederaes (2013), Copa do Mundo (2014) e Olimpadas (2016), o projeto Campeonato Sustent-vel. A ideia atuar junto com os clubes de futebol e as torcidas, para banir a violncia nos estdios. A rivalida-de das torcidas ser usada para a distribuio de mudas

    nas sadas dos estdios. A regra a ser seguida mesma usada para a pontuao nos campeonatos: quem vencer no nmero de mudas leva trs pontos, quem empatar leva um (01) e quem perder, no leva nada.

    Enfim, atravs de projetos e iniciativas como es-sas da Juventude Sustentvel que fazemos nossa parte. Incentivar o plantio de mudas nativas apenas uma das ferramentas para minimizar o impacto ambiental recor-rente no mundo inteiro. H uma parbola que diz que um pequeno pssaro ao ver a floresta em chamas, resol-ve ajudar pegando gua com o bico para tentar apagar o fogo. Muitos riram dele sabendo que tal atitude em nada resultaria. Entretanto, o pequeno, mas sbio pssa-ro, disse: Estou fazendo a minha parte. Que tal voc ajudar tambm? Divulgue essa ideia.

    O projeto Juventude Sustentvel pode ser acompa-nhado no Facebook pelo link www.facebook.com/ju-ventudesustentavel.oficial. Para mais informaes o email de contato juventudesustentavel@hotmail.com.

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    Fotos: Alcance e viso geral da pgina Juventude Sustentvel no Facebook

    ATENO UNIVERSITRIOS!Precisamos de sua participao nesse evento sem fins lucrativos. Convide sua universida-de e amigos para participar.JUSTIFICATIVA DO EVENTO:Sensibilizao e conscientizao dos alunos e sociedade sobre a importncia das rvores em nosso planeta.OBJETIVOSA partir da RESOLUO N 422, DE 23 DE MARO DE 2010 do Conselho Nacio-nal do Meio Ambiente (CONAMA), que tra-ta sobre campanhas e projetos de Educao Ambiental, o Projeto Trote Ecolgico Juven-tude Sustentvel tem como objetivos:- Interao entre calouros e veteranos sem violncia;- Conscientizar e alertar a populao sobre a causa ambiental;- Promover a comunicao e educao am-biental de forma clara e objetiva;- Destacar os impactos socioambientais cau-sados pelo dficit de rvores na cidade;- Mostrar a fora das redes sociais como fer-ramenta de educao ambiental. muito importante a PARTICIPAO da SUA UNIVERSIDADE nesse projeto, no existe prmio financeiro, mas o resultado desse trabalho uma cidade mais VERDE! Amigos, de extrema importncia o compa-recimento e ajuda de vocs no evento, assim podemos alertar as autoridades sobre a IM-PORTNCIA DAS RVORES.Fonte: Juventude Sustentvel

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    A vida nos leva a caminhos que antes a gente nem imaginava. Viver o presente, planejando o futuro, o objetivo de muitas pessoas. Construir uma carreira, trabalhar com o que se gosta e estar feliz nas escolhas feitas. Entretanto, surpresas que nem imaginvamos, podem at assustar a princpio, mas, com o passar do

    tempo, ela pode se tornar uma grata surpresa, dando incio a mudanas bem vindas.

    Foi nessas idas e vindas, que a mudana de estilo de vida da nossa personagem desta edio, d a ela o mrito desse Perfil Profissional. Dia 08 de maro comemorado o Dia Internacional da Mulher e, portanto, no poderamos deixar a data passar em branco. Muitas mulheres nascem e vivem no campo a vida inteira. Outras se especializam no agrone-gcio e fazem do setor, o palco de suas atuaes. Porm, uma mulher nos impressionou por ter deixado um pouco de lado sua carreira de Arquiteta e decoradora, para se dedicar Fazenda da famlia. Maria de Lourdes Rezende, 59 anos, tomou uma deciso h cinco anos, e hoje no se arrepende da escolha.

    Formada em Arquitetura de Interiores pela Universida-de Estadual de Minas Gerais (UEMG), ps-graduada em Artes Plsticas pela UEMG e em Arte Contempornea pela Escola Guignard, morava em Belo Horizonte onde tinha um escritrio de Arquitetura e Decorao, onde atuou por 25 anos. Porm, seu pai, Pedro Soares Rezende, 91 anos, pe-cuarista de Governador Valadares, precisava de sua ajuda por questes de sade e, como ela mesma gosta de dizer, a fazenda vinha no pacote.

    A princpio, Maria de Lourdes voltou para a terra natal, para ajudar seu pai, sem interesse ou conhecimento sobre a propriedade. Mas, como a fazenda precisava de algum para toc-la, ela teve que fazer uma escolha. Mudou-se para Valadares e tomou as rdeas da Fazenda Ilha Grande. Sem conhecimento de como gerir a propriedade, Maria de Lour-des procurou-se capacitar e a seus funcionrios. Levou para a propriedade todos os cursos que o Sindicato Rural/Senar GV disponibilizaram: vaqueiro, inseminao, tratorista, ro-adeira, Gerenciamento com Qualidade no Campo, dentre outros, para aprender uma pouco da dinmica do campo e o manejo de uma propriedade rural. Ela passou a ter dedica-o exclusiva aos negcios.

    Hoje, lidar com os 355 hectares da fazenda ainda tem suas dificuldades. S que esses desafios so menores. No comeo tudo foi difcil. Mas o mais difcil foi entender os tempos do campo, o ano agrcola: voc preparar agora para plantar depois. Algumas vezes tive que refazer o trabalho porque no fiz na hora certa. Eu no pude plantar porque eu no preparei a terra a tempo. Tudo foi difcil e foi um apren-dizado novo. Embora eu tivesse conhecimento dos termos e

    o vocabulrio rural no fosse estranho para mim, a ativida-de rural era desconhecida, lembra Maria de Lourdes.

    Na propriedade voltada para pecuria de leite, com as mudanas atuais de gesto, o foco atual na infraestrutura, investindo no rebanho e na pastagem, para depois investi-rem em produo. O plantel atualmente tem 250 animais, entre vacas, novilhas e bezerros de leite. No fazem a re-cria de machos, pois, depois do desmame, os mesmos so vendidos. Trs touros compem o rebanho, para o pero-do de monta natural. Maria de Lourdes informa que esto trabalhando na base da fazenda, as primeiras 40 novilhas feitas na propriedade esto emprenhando agora e, para os prximos anos, as perspectivas so de um volume maior de leite. Hoje, a propriedade tem a mdia anual de 250 litros/dia, com uma ordenha diria.

    Nossa personagem que no incio dependia dos emprega-dos e da ajuda de amigos sobre a rotina de uma fazenda e as necessidades do negcio, hoje acredita que est no caminho certo. Eu tenho f que se fizer direito d certo. Fazenda hoje tem que ser encarada como uma empresa de agrone-gcio. Voc tem que estar atenta a tudo, desde saber com-prar, vender, usar e fazer produzir. Eu tenho que saber lidar muito bem com essas variveis dentro da fazenda. Porque se voc no souber trabalhar o tempo da fazenda e no tiver atenta ao custo de produo, difcil ter lucro e sair do ver-melho, frisa. Maria de Lourdes aponta que no se sente em condies de se colocar como uma boa profissional e acha que ainda tem quilmetros para andar. Entretanto, nesses cinco anos de conhecimento na atividade, ela aconselha: da minha experincia o que eu posso dizer o seguinte: no fazer nada sem assistncia tcnica, estar sempre pro-curando quem sabe mais para te orientar, estar aberto s novas tecnologias e acompanhar o servio de perto porque eu acho que faz grande diferena quando voc est envolvi-do no processo. Ressalto ainda que o setor precisa ser mais unido: juntos teramos um maior poder de negociao, po-deramos obter mais vantagens para o setor. O agronegcio uma das maiores foras econmicas do pas e me parece que ns produtores no temos conscincia disto.

    Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, ela manda uma mensagem quelas que esto envolvidas com o campo, seja por escolha ou por obra do destino. Com aquelas que esto comeando ou vo comear, eu digo para no terem medo porque a gente capaz. Mesmo que o mun-do rural seja completamente desconhecido, que voc se sin-ta fora da casinha, no h nada que com metas, persistncia e coragem voc no alcance. Com as que esto no mercado h muito tempo, eu quero aprender. Eu gostaria que elas me ensinassem. Eu tenho muito a aprender com muitas delas, finaliza.

    parabns as mulheres que fazem do campo o seu

    espao e contribuem para o agronegcio

  • 31 MAR / ABR 13

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    chuvas no ms de maroruibran dos reis

    professor da pUc minasdiretor regional da climatempo minas Gerais

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    Historicamente as chuvas no ms de maro sempre fi-cam em torno da mdia. Dificilmente se observa nos dados histricos de chuvas do ms de maro um que apresente valor baixo. No ano passado houve um forte veranico, se-quncia de dias sem chuvas, entre os meses de janeiro e fevereiro, e as chuvas ocorridas no ms de maro ficaram abaixo do valor previsto.

    Neste ano, ainda devido a atuao do fenmeno El Nio, as chuvas do ms de maro no ocorreram durante uma se-quncia de dias seguidos, os temporais de final de tarde marcaram a segunda quinzena do ms.

    O fenmeno El Nio comea a dar sinais de enfraqueci-mento nos ltimos dois meses, o que significa que as tem-peraturas nas regies nordeste e leste do estado de Minas Gerais devero ficar em torno da mdia. Como a porcen-tagem de gua disponvel no solo est baixa para a poca do ano, e dificilmente dever chegar num valor normal, h uma probabilidade maior de ocorrncia de focos comear mais cedo neste ano.

    Devido ao aquecimento global, a estao chuvosa nos ltimos anos no tem sido bem definida, as chuvas esto normamalmente concentrada em poucos meses.

  • 32MAR / ABR 13

    Fato comum entre as pessoas no habituadas s definies utilizadas na pecuria o questionamento sobre a pesagem do boi: por que o uso da arroba e no do quilograma? Se temos um sistema mtrico padro,

    o mais utilizado no mundo, por que recorrer outros padres? A questo basicamente histrica e cultural.

    Na idade mdia os livros eram escritos mo, por pro-fissionais chamados copistas. Esses profissionais costu-mavam simplificar o trabalho, pois na poca, tinta e papel eram artigos de luxo, no podiam ser usados a esmo.

    Smbolos de entrelaamento entre duas letras eram co-muns. No para poupar esforos ou tempo, mas para econo-mia de recursos. Veio ento arroba, juno das letras do termo em latim ad. Dessa forma surgiram algumas acen-tuaes, abreviaes e at os smbolos. Foram os copistas, veio imprensa, papel e tinta viraram coisa banal e os sm-bolos e acentuaes continuaram corriqueiros.

    Em livros contbeis, registros de mercadorias eram feitos e a arroba ficava entre eles. Aparecia, por exemplo, entre unidades de mercadoria e preos. Para os ingleses, 10@3 significava 10 unidades ao preo de 3 libras cada uma. Outras naes desconheciam o sentido da terminolo-gia, mas imitavam prticas comerciais alheias.

    Ento o smbolo @ passou a ser usado pelos espanhis com a definio que se conhece hoje. Arroba veio do ra-be ar-ruba, que significa a quarta parte. Uma arroba, 14,68kg, correspondia a um quarto de outra medida de ori-gem rabe, o quintar, cuja medida equivale a 58,75kg.

    Assim os hbitos tornaram-se constantes e o uso de ter-mos, smbolos e gramtica iam sendo passados adiante,

    chegando ao conhecimento contemporneo. Seu uso trivial fez com que a arroba fosse includa na mquina de escre-ver, sobrevivendo nos teclados de computadores. A medida rabe foi arredondada e hoje utilizamos a arroba corriquei-ramente como medida padro quando se fala em pesagem de bovinos. No Brasil a arroba corresponde a 15kg.

    Surge o sistema mtrico, dando padres oficiais de uni-dades de peso e de medida, que so atualmente utilizados em larga escala. O sistema fez com que outras unidades de medida perdessem parte da funo, porm, no deixaram de existir. Mais confuso gerada quando se diz que a arroba, na verdade, utilizada quando se considera a carcaa do animal, utilizando o quilograma para peso vivo, apenas.

    Na pecuria consideramos o peso da carcaa e no do animal inteiro. A carcaa corresponde apenas carne e osso, descartando, assim, outras partes como vsceras, couro e sebo. O rendimento de carcaa depende da taxa de gordura, sexo e raa, mas para facilitar, consideremos um rendimento mdio 50%.

    Ento, um boi vivo de 540 kg equivale a 18 arrobas, e no a 36, pois 50% de seu peso j foi automaticamente descartado e est sendo considerada apenas a carcaa. Essas definies so utilizadas em praticamente todo o Brasil h muito tempo, o que fez com que seu uso fosse consagrado, de maneira que qualquer esforo para mudar uma questo cultural se torna intil nesse caso. Resta-nos acatar o uso e nos familiarizarmos com os termos.

    *Colaborou Masa Vicentin, graduanda em Engenharia Agronmica e trainee da Scot Consultoria

    por que o uso da arroba na pecuria?m

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    por Gustavo AguiarZootecnista

  • 33 MAR / ABR 13

    O pico de produo de leite nesta temporada foi registrado em dezembro de 2012. De l para c, a oferta est diminuindo nas prin-cipais bacias leiteiras. Segundo o ndice Scot de Captao de Lei-te, considerando a mdia nacional, em janeiro, a produo diminuiu 2,4%, frente a dezembro do ano passado.

    Em fevereiro, os dados parciais apontam para recuo de 3,3% em relao a janeiro. A concorrncia entre os laticnios deu sustentao ao mercado. No pagamento de fevereiro, referente ao leite entregue em janeiro, o preo ao produtor subiu. Considerando a mdia nacio-nal, o produtor recebeu R$ 0,841/l, uma alta de 1,4% em relao ao pagamento anterior. Veja a Figura 1.

    Figura 1. Preo do leite ao produtor, mdia nacional - em R$/litro.

    Fonte: Scot Consultoria www.scotconsultoria.com.br

    O preo subiu tambm no mercado spot e no mercado atacadis-

    ta de lcteos. Alm da queda na captao, o fim das frias marca a retomada da demanda por lcteos e d sustentao s cotaes. Para o pagamento de maro, 56,0% dos laticnios pesquisados pela Scot Consultoria acreditam em manuteno dos preos e 26,0% acreditam em alta.

    O cenrio altista em curto e mdio prazos. Outros fatores devem contribuir para o desenho desse quadro, como por exemplo, as recen-tes altas dos preos dos lcteos no mercado internacional.

    No leilo da Fonterra, realizado em 5 de maro, o preo mdio, considerando todos os produtos lcteos negociados, subiu 10,4%, fe-chando em US$4.216,00 por tonelada. Foi sexta alta consecutiva. O preo do leite em p integral foi o que mais subiu. Uma alta de 18,0% em relao ao leilo anterior. O preo mdio ficou em US$4.298,00 por tonelada.

    As altas esto fundamentadas na seca que aflige a Nova Zelndia, cuja consequncia foi queda da produo de leite e derivados do pas. A Nova Zelndia a maior exportadora mundial. Em algumas regies da Nova Zelndia, a produo caiu entre 15,0% e 20,0% em fevereiro, segundo informaes do governo neozelands.

    considEraEs finaisA perspectiva que com a captao de leite em queda o mercado

    ganhe fora. A alta de preos dos lcteos no mercado internacional deve impactar negativamente nas importaes de lcteos feitas pelo Brasil, o que favorvel para o mercado interno. Do lado das expor-taes brasileiras, no so esperadas mudanas significativas em cur-to e mdio prazos. Apesar da recuperao dos preos l fora, questes como o cmbio e mercado restrito inibem os embarques brasileiros. Caso a situao na Oceania se agrave e se estenda, o Brasil poder exportar mais, como foi em 2007 e 2008.

    rafael ribeiro de lima Filho - Zootecnistapaola Jurca Grgolli - engenheira Agrnoma

    Scot consultoria

    panorama no primeiro trimestre de 2013 e perspectivas

    O clima tem sido favorvel ao bom desenvolvimento da cafeicultura nas regies das Matas de Minas e Montanhas do Esprito Santo. Neste momen-to, com mercado em baixa e poucas sinalizaes de recuperao nos preos, preocupam os agricultores para o incio das atividades de colheita.

    As lavouras de nossa regio tiveram um bom desenvolvimento vegetati-vo e produtivo nesta atual safra, o que pode levar a uma excelente produo para este ano. As chuvas no foram em excesso, porm permitiram a realiza-o dos tratos culturais no momento certo que geralmente um grande desa-fio para as regies de montanhas. As duas ltimas safras, neste momento, a expectativa de preos das commodities eram mais favorveis que os preos atuais o que levavam a um maior otimismo para iniciarmos o perodo de colheita. Este ano o cenrio inverso, os preos estveis em patamares bem abaixo dos ltimos anos e a preos que possam remunerar os investimentos realizados no setor. Os altos preos praticados nos ltimos anos no caf Ar-bica pela expectativa de falta, a crise nos grandes mercados consumidores

    que so EUA e Europa, o avano da tecnologia dos Robustas, contriburam para uma maior participao do Conilon nos blends pela indstria torrefado-ra ao longo do mundo. Os preos praticados pelos dois cafs esto bastante prximos no mercado o que levam a cenrios opostos neste momento de pr-colheita.

    O mercado mostra que apenas parte da ltima safra foi comercializada, mas sempre prudente saber o quanto custa o seu caf e quando o mercado mostrar sinais de alta realizar um pouco de comercializao para compor um valor mdio de receita mais elevado.

    Arbica e robusta realidades diferentes no pr-colheitaWaldir Francese Filho

    Superintendente comercial coocaf

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    Cotao Maro/13Arbica - Duro tipo 6 R$ 290,00

    Cereja Descascado Fino R$ 315,00Rio tipo 7 R$ 275,00

  • 34MAR / ABR 13

    Boi Gordo (r$/@)

    Fonte: Beefpoint

    data vista a prazo

    indicadorEs Eslaq / Bm&f BovEspaBoi Gordo

    27/03

    26/03

    25/03

    r$ 99,19

    r$ 98,60

    r$ 98,57

    r$ 99,49

    r$ 99,46

    r$ 99,51Fonte: Beefpoint

    vEncimEnto ajUstE (r$/@) var. (r$)

    Abr/13

    mai/13

    Jun/13

    97,65

    96,62

    97,15

    (r$/l)cotaEs do lEitE crUprEos paGos ao prodUtor

    prEos do lEitE

    r$/litro rs scprspmG Go Ba

    Fonte: cepea - esalq/USp

    0,25

    0,19

    0,25

    mErcado fUtUro (Bm&fBovEspa)

    Fev/13 0,8925 0,8254 0,9103 0,8839 0,9050 0,8274 0,8639

    mar/12 0,8640 0,8427 0,8742 0,8304 0,8880 0,7624 0,8206

    Abr/12 0,8828 0,8502 0,8874 0,8338 0,9122 0,7760 0,8218

    mai/12 0,8916 0,8519 0,8956 0,8347 0,9169 0,8475 0,8191

    Jun/12 0,8679 0,8333 0,8738 0,8247 0,8723 0,8573 0,8028

    Jul/12 0,8606 0,8190 0,8702 0,8331 0,8570 0,8627 0,7917

    Ago/12 0,8719 0,8099 0,8884 0,8373 0,8628 0,8596 0,8137

    Set/12 0,8896 0,8147 0,9047 0,8450 0,8947 0,8586 0,8297

    Nov/12 0,9089 0,8312 0,9238 0,8745 0,9451 0,8809 0,8602

    Out/12 0,8960 0,8210 0,9138 0,8618 0,9244 0,8719 0,8430

    dez/12 0,8992 0,8275 0,9261 0,8929 0,9282 0,8426 0,8725

    Jan/13 0,9050 0,8364 0,9035 0,8972 0,9223 0,8918 0,8772

    cOtA

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  • 35 MAR / ABR 13

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    Aprenda a cuidar de canteiros de arbustos e flores

    Uma tima sada para pessoas que querem ter em casa um jardim com flores, mas no tm muito espao e tempo, fazer um canteiro de flores e arbustos. Ao

    contrrio do que se imagina, os canteiros de flores e, em especial, os canteiros de arbustos so muito fceis de man-ter. Tomados alguns cuidados, como a escolha certa das plantas para determinada localizao, a prtica de plantar e cultivar muito simples, alm de prazerosa. Aqui seguem algumas dicas dadas pela Gardena, empresa alem especia-lizada em jardinagem e paisagismo.

    o que fazer para que as flores floresam ain-da melhor no vero?

    O mais importante para que as flores tenham uma vida mais longa o fornecimento de gua adequado para elas. Sempre remova as plantas mortas do canteiro. Plante os espaos abertos com ervas aromticas altas, relva e arbus-tos, por exemplo, para transitar de uma atmosfera de fim de vero para um ambiente outonal. preciso remover regu-larmente os rebentos secos, especialmente quando se trata de rosas de canteiro e arbustos de rosas. Os rebentos secos devem ser cortados juntamente com as duas folhas que se encontram abaixo deles.

    como tornar a rega mais fcil?Os arbustos crescem em ambientes naturais midos ou

    muito secos. No jardim, isto significa que se forem escolhi-dos os arbustos certos para o canteiro, eles podero crescer quase sem rega, exceto durante situaes climticas excep-cionais, momento em que as plantas precisaro de alguma ateno.

    Para reduzir o esforo de rega, cubra os canteiros de plantas com compostos de casca ou cascalho. Alm dis-so, um sistema de irrigao automtico poder ser a forma adequada de reduzir o esforo envolvido, explica Graziela Lourensoni, gerente de Marketing e Produtos da Gardena.

    O melhor perodo para regar no incio da manh, ou

    no incio da noite. Mas no regue muito tarde da noite, pois indicado que as plantas no iniciem a noite completa-mente molhadas, o que poder promover o aparecimento de fungos. Uma regra geral na irrigao a importncia de no molhar completamente as folhas e, especialmente, as flores por essa mesma razo. Durante o dia, as plantas s devero ser regadas em casos de emergncia e dever ser utilizada gua morna.

    Quantidades de gua: Mais gua com menos frequn-cia melhor do que menos gua com mais frequncia. Re-gue bem e de um modo direcionado, mais especificamente, utilize cerca de dez litros de gua por metro quadrado.

    necessrio cortar os arbustos?No h necessidade de aparar arbustos s pelo simples

    prazer de aparar um jardim. Para evitar a formao de se-mentes e a semeadura espontnea, retire as flores cortan-do-as. Voc pode intensificar o crescimento de delfnios, acnitos, salva, erva-dos-gatos e margaridas retirando os ramos floridos na fase inicial, para que assim eles possam regenerar-se e florir novamente.

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    retirado do site ciclo vivo plantando Notcias

    http://www.ciclovivo.com.br

  • 36MAR / ABR 13

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    O milho uma das fontes de carboidratos mais con-sumidas em todo o mundo, sendo a cultura que passou pelo mais longo processo de melhoramento gentico, e tambm o cultivo mais estudado em toda a histria da humanidade. O milho verde possui uma srie de

    peculiaridades que devem ser levadas em conta para a sua produo, e que detalharemos melhor ao longo deste artigo.

    O milho verde o milho consumido in natura, sen-do tambm utilizado pela indstria de milho em conserva e para a produo de pamonha, curau, suco, sorvete, etc. Quando comparado ao milho gro, o milho verde possui um maior teor de acares e menor teor de amido, por ser colhido mais cedo.

    No Brasil a produo de milho verde feita principal-mente em pequenas propriedades, pois os bons preos de mercado e a necessidade do fornecimento constante ao mer-cado consumidor favorecem a sobrevivncia dos pequenos e mdios produtores. Lavouras irrigadas possibilitam o su-primento do mercado mesmo nos meses mais secos.

    O ciclo do milho varia de acordo com a temperatura, nos meses mais frios, o tempo entre o plantio e a colheita gira em torno dos 140 dias, enquanto nos meses mais quen-tes a colheita mais precoce, ocorrendo em torno dos 90 dias aps o plantio. J para o milho gro, o ciclo maior at a colheita, pois se colhe somente quando o gro atinge a maturidade fisiolgica.

    Podemos plantar o milho verde em vrias pocas do ano (escalonamento da produo), pois o abastecimento do mercado deve ser constante devido impossibilidade da estocagem do produto. O milho verde costuma atingir melhores preos de mercado, se comparado ao milho gro, principalmente de junho a setembro, tornando-se alternati-va vivel para pequenos e mdios agricultores, pois, alm de possibilitar maior retorno de capital, este se d em me-nor perodo de tempo. O rendimento financeiro de 01 hec-tare de milho verde em torno de R$ 11.000,00 enquanto o de milho gro de R$ 8.400,00.

    formas de plantioO plantio do milho pode ser feito em sistema conven-

    cional ou em plantio direto, de forma mecanizada, manual ou com matraca, semeando-se de 3 a 5 cm de profundidade. A densidade de plantio, ou seja, o nmero de plantas por hectare um fator importantssimo a ser considerado na

    produo do milho verde. Plantios mal dimensionados po-dem gerar baixa produtividade ou espigas pequenas demais, sendo que as densidades geralmente variam entre 30.000 a 70.000 plantas por hectare, com espaamento variando de 1 a 0,8m entre linhas de plantio.

    adubaoAs recomendaes de adubao para a produo de mi-

    lho verde so geralmente as mesmas que para a de milho gro. Antes de tudo, devemos realizar a amostragem do solo, enviando-as para anlise em laboratrio especializa-do. Se for constatada a necessidade de corrigirmos a acidez do solo, fazemos a calagem do solo, com a aplicao de calcrio. Alm da correo da acidez, devemos tambm re-alizar a adubao, que geralmente feita em 2 etapas: no plantio e cerca de 30 dias aps a emergncia das plantas (adubao de cobertura). Os principais nutrientes a serem aplicados so os macronutrientes: nitrognio, fsforo e po-tssio.

    colheitaDevemos colher o milho verde quando ele se encontra

    no estgio de maturao chamado de gros leitosos, pois apresentam aspecto leitoso quando espremidos. Nesta fase, os gros possuem de 70 a 80% de umidade, ou seja, ocorre antes do ponto ideal para a ensilagem (63 a 67% de umi-dade) destinada alimentao animal. O ponto de milho verde dura de 4 a 5 dias, sendo que aps esse perodo, o milho j ser considerado passado. A colheita pode ser realizada de forma manual ou mecanizada.

    cultivo do milho verdeKelyene Sued leite rabelo

    eng Agr - extensionista Agropecuriaesloc Frei Inocncio - emater-mG

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  • 37 MAR / ABR 13

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    marcelo de Aquino Brito limaFiscal estadual Agropecurio ImA

    coordenadoria regional de Gov. valadares

    O nematide Meloidogyne ssp. uma das principais pragas do cafeeiro. Tambm conhecido como nematide das galhas. Os meios de disseminao so mudas infecta-das, gua de irrigao, enxurradas, animais, homem e im-plementos agrcolas infestados.

    As fmeas colocam os ovos externamente s razes pa-rasitadas, de onde saem s larvas que penetram as razes de mudas e plantas sadias. Causa perda de vigor da planta e produtividade. As principais plantas hospedeiras do nema-tide so caf, hortalias, daninhas e ornamentais.

    sintomasNas razes da planta parasitada so observadas galhas,

    rachaduras e reduo do sistema radicular. Na parte area do cafeeiro infectado observa-se amarelecimento, seca e queda de folhas, o que pode levar a planta morte.

    controleComo medida de controle deve-se evitar a introduo da

    praga nas reas de plantio atravs do uso de mudas livres do nematide;

    Implementar a Certificao Fitossanitria de Origem (CFO/CFOC);

    Ao adquirir mudas de caf, sempre exigir a Permisso de Trnsito Vegetal (PTV). Tambm obrigatrio um lau-do laboratorial no qual conste que as mudas esto isentas de nematides do gnero Meloidogyne spp.

    O nematide das Galhas pode causar perdas de at 20% na produo e ataca cafeeiros de qualquer idade.

    Em Minas Gerais, as mudas de caf devem transitar com a Permisso de Transito Vegetal (PTV) e so fiscalizadas pelo Instituto Mineiro de Agropecuria IMA de acordo com as legislaes federal e estadual.

    Nematide das Galhas do cafeeiro

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  • 38MAR / ABR 13

    AdAB

    introduoO tabaco atualmente a mais importante cultura agr-

    cola no alimentcia do mundo. O Brasil, o 20 maior produtor mundial de tabaco. Em mdia 85% do tabaco produzido no Brasil so destinados exportao. A Bahia o 1 produtor de tabaco para charuto e o 2 parque fum-cola do nordeste, empregando aproximadamente 12.500 trabalhadores no estado, entre funcionrios diretos e pro-dutores da agricultura familiar. Estima-se que, para cada produtor, mais 3 pessoas da famlia sejam beneficiadas com o plantio de tabaco.

    Dentre as pragas que atacam a cultura, destaca-se o mofo azul (Peronospora tabacina) (Fig. 01), que alm dos danos diretos ocasionados, com perdas de at 100% na produo, constitue-se em uma praga de exportao, limi-tando em alguns casos a exportao do tabaco para alguns pases a exemplo da China.

    Figura 01: Sintomas e sinais de Peronospora tabacina

    objetivosCriado em 2009, o Projeto Fitossanitrio do Mofo

    azul do Tabaco, surgiu para atender demandas crescen-tes de mercados, que cada vez mais exigem qualidade dos produtos, associados a sustentabilidade do agronegcio, tendo como objetivo principal comprovar a ausncia de Peronospora tabacina nas reas de produo de tabaco, subsidiando assim a Caracterizao do Estado da Bahia como rea livre da praga MOFO AZUL DO TABACO Peronospora tabacina.

    material e mtodosO presente trabalho foi realizado nos anos de 2009 e

    2010 e dividido em trs etapas: 1.Treinamento de tcnicos para identificao do Mofo Azul, 2. Inspees em campo e 3. Coleta e envio de amostras. No ano de 2009 foram avaliadas 260 reas de produo de tabaco e em 2010 avaliadas 126 reas, perfazendo um total de 386 reas inspecionadas; tambm foram coletadas 44 amostras para

    anlise nos dois perodos.A escolha das propriedades para a realizao das Ins-

    pees fitossanitrias, seguiram os seguintes parmetros: histrico de cada regio produtora; quantitativo de produ-tores; rea cultivada com tabaco e distribuio espacial dos produtores. Foram aplicados Inquritos Fitossani-trios, em 10% do quantitativo de propriedades existen-tes, em reas previamente selecionadas, e realizado o georreferenciamento. As inspees ocorreram em todas as linhas do plantio das reas selecionadas e em caso de suspeita de sintomas de P. tabacina, procedeu-se a coleta de amostras, encaminhadas a laboratrio credenciado pelo MAPA.

    resultados e discussoNas inspees realizadas no foram verificados sinto-

    mas de P. tabacina em campo e todas as amostras coleta-das e analisadas deram resultados negativos para P. taba-cina. Estes resultados credenciaram o Estado da Bahia a receber em 2010 o certificado de rea livre de Mofo Azul do Tabaco, do Ministrio da Agricultura, atravs da Ins-truo normativa IN 031 de 18/11/2010. A caracterizao do Estado da Bahia como rea Livre da Praga (ALP) P. tabacina, consolida a qualidade do tabaco produzido no estado, agrega importante valor fitossanitrio e consis-te em condio fundamental para exportao do tabaco, principalmente para a China e tambm para outros mer-cados.

    concluses

    No foram encontrados sintomas ou estruturas de Pe-ronospora tabacina nos plantios de Tabaco do Estado da Bahia, comprovando assim a ausncia da referida praga;

    A Bahia o nico Estado da Federao a possuir o Status de rea Livre da Praga (ALP) Peronospora taba-cina, agregando com isso, importante Valor Fitossanitrio ao Tabaco Baiano;

    A ADAB garante a qualidade Fitossanitria do taba-co produzido no Estado da Bahia, e credencia o produto para competir e ingressar nos mercados nacionais e inter-nacionais mais exigentes.

    trreS, c. N.; vIdAl, c. A; melO JUNIOr, A. S.1.2.3. AdAB Agncia estadual de defesa Agropecuria da Bahia.

    e-mail: cleomenestorres@yahoo.com.br

    caracterizao do estado da Bahia como rea livre do mofo Azul (peronospora tabacina)

    do tabaco (Nicotiana tabaco)

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  • 39 MAR / ABR 13

    a doenaO maracujazeiro (Passiflora edulis Sims f. flavicarpa Dene-

    ger) uma planta de expressiva importncia econmica para o Estado do Esprito Santo, que um grande produtor da fruta no Brasil. A cadeia do agronegcio maracuj um importante instrumento de promoo do desenvolvimento regional e da sus-tentabilidade da produo agrcola no Estado.

    Em outubro de 2006, a virose do endurecimento dos frutos do maracujazeiro foi diagnosticada nas lavouras no municpio de Sooretama. Hoje, a doena est instalada em todo Estado do Esprito Santo, principalmente nos municpios da regio norte capixaba (Aracruz, Linhares, Sooretama, Jaguar, So Mateus, Conceio da Barra, Pinheiros, Boa Esperana e Pedro Canrio).

    A doena causada pelos vrus Passionfruit woodiness virus (PWV) e Cowpea aphid-borne virus (CABMV), que reduzem drasticamente a produtividade da lavoura, causando perdas de at 60% na produo, dependendo da poca em que as plantas so infectadas. Os principais danos so a reduo do volume de polpa, e principalmente da qualidade visual da fruta, que inter-fere negativamente na comercializao, inviabilizando-a para o mercado de mesa e indstria.

    sintomas da doenaOs sintomas da doena aparecem principalmente nas folhas

    e nos frutos, mas as plantas infectadas pelos vrus tambm apre-sentam o crescimento reduzido.

    nas folhasO sintoma inicial da doena um mosaico nas folhas novas,

    observando-se as tonalidades de colorao verde-clara alternada com verde escuro, podendo ainda ocorrer o encarquilhamento, a bolhosidade, o enrolamento e o clareamento de nervuras.

    nos frutosA doena em frutos, no incio do seu desenvolvimento, com-

    promete o crescimento desses, causando reduo do tamanho com consequente reduo do volume da polpa.

    O sintoma visual de mosaico em frutos provenientes de plan-tas com a virose caracterizado por tonalidades de colorao verde-clara alternada com verde-escura, como tambm pela pre-sena de rugosidade na casca. O engrossamento do mesocarpo, regio esbranquiada abaixo da casca, pode ser observado com frequncia em frutos doentes.

    como a doena disseminadaA principal forma de disseminao da doena se d por meio

    de afdeos (pulges) que, durante a picada de prova de alimen-tao, transmitem o vrus. Outra forma de disseminao, to importante quanto o vetor, por meio de mudas contaminadas, principalmente mudas assintomticas (sem apresentar sintomas visveis). A transmisso do vrus por meio de ferramentas utili-

    zadas nos tratos culturais (desbrota de ramos) tambm poss-vel.

    A trapoeraba, planta daninha presente na regio produtora de maracuj, serve de abrigo e local de multiplicao do vetor, enquanto o maracujazeiro hospedeiro do vrus.

    manejo da doena

    Durante a produo de mudas: no viveiro Registrar os viveiros no Ministrio da Agricultura, Abaste-

    cimento e Pecuria. Instalar o viveiro distante das reas de produo e proteg-

    -lo com tela antiafdica, para evitar a entrada dos afdeos (pul-ges).

    A rea telada do viveiro deve, preferencialmente, ser pro-tegida com cerca viva.

    Monitorar constantemente o viveiro e eliminar imediata-mente as plantas com sintomas da doena.

    Eliminar, ao redor do viveiro, as plantas que possam ser hospedeiras dos pulges e dos vrus.

    Realizar a indexao das mudas, atravs de anlise fitopa-tolgica, para comprovar a sanidade das plantas.

    nas reas de plantio No permitir reas de plantio de maracuj abandonadas na

    regio produtora, procedendo-se erradicao dos plantios ve-lhos e improdutivos.

    S realizar o plantio com mudas comprovadamente sadias e certificadas (exigir o Certificado Fitossanitrio de Origem - CFO).

    Fazer o monitoramento semanal da lavoura. Eliminar plantas com sintomas iniciais da virose (roguing). Eliminar trapoeraba e outras plantas hospedeiras dos pul-

    ges. Desinfetar, com gua sanitria as ferramentas que sero

    utilizadas nos tratos culturais. No consorciar o maracujazeiro com culturas que hospede

    o pulgo.

    manejo culturalNas regies produtoras de maracuj onde a doena ocorre

    com alta incidncia e severidade, recomenda-se uniformizar a poca de plantio das lavouras, sendo o ms de julho o mais in-dicado para o Estado do Esprito Santo, bem como conduzir as plantas com os tratos culturais adequados (reduo de espaa-mento, adubao, irrigao, polinizao contnua) com reduo do ciclo da cultura para um sistema anual de cultivo.

    Em caso de dvida, procure um tcnico do Incaper ou do IDAF do seu municpio

    INcA

    per enilton Nascimento Santana; marlon vagner valentim

    martins;Hlcio costa; Jos Aires ventura; Adelaide de Ftima Santana da costa; Inorbert de melo lima

    eng Agr - d.Sc. Fitopatologia - pesquisador Incaper; eng Agr - d.Sc. produo vegetal - pesquisador do Incaper

    reproduo autorizada pelo Instituto capixaba de pesquisa, Assistncia tcnica e extenso rural (Incaper)

    vrus do endurecimento dos frutos do maracujazeiro no estado do esprito Santo

  • 40MAR / ABR 13

    AcON

    tece

    UO secretrio de Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    de Minas Gerais, Elmiro Nascimento, empossou no dia 28 de fevereiro, o novo presidente da Empresa Tcnica e de Ex-tenso Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Jos Ricardo Ramos Roseno. A solenidade, realizada na sede do rgo, contou com a presena de diversas autoridades, entre parlamentares, secretrios de Estado, prefeitos de vrias regi-es de Minas, vereadores, representantes de rgos pblicos e entidades de classe, alm de gerentes das unidades regionais da Emater-MG e funcionrios da empresa.

    Em seu discurso de posse, o novo presidente ressaltou que a sua gesto ser baseada na qualidade dos servios de exten-so rural e na gerao de resultados concretos para a socie-dade, em especial para os agricultores familiares. Tambm estaremos focados no fortalecimento das principais cadeias produtivas agropecurias de Minas, acrescentou. Jos Ricar-do Roseno engenheiro agrnomo, graduado pela Universida-

    de Federal Rural do Rio de Janei-ro. Possui ps--graduao pela Fundao Getlio Vargas e cursou Gerenciamento Integrado de Re-cursos Hdricos no Instituto das guas da Unes-co. Funcionrio da Emater-MG desde 1995, atuou como gerente de unidades regionais, coordenador de programas estaduais voltados para a preservao ambiental e desempenhou o cargo de diretor Tcnico da Empresa entre 2007 e 2011. (Fonte: ASCOM SEAPA)

    Mais de 400 pessoas, sendo 202 cooperados ativos em condio de votar, participaram no dia 4 de fevereiro da Assembleia Geral Ordinria da Cooperativa. No evento foram apresentadas as Demonstraes Financeiras dos exerccios findos em 31 de dezembro de 2012 e 2011, aps as contas serem aprovadas houve tambm a apro-vao da proposta de distribuio das sobras e eleio do conselho fiscal.

    A cooperativa contabilizou um faturamento anu-al de R$ 94.736.124,00. As sobras distribudas foram de R$ 3.937.915.00 sendo que R$ 1.828.956,00 foram distribudos em forma de bnus fidelidade e rao e R$ 2.108.959,00 em pagamento e incorporao ao capital. Assim, a Cooperativa fechou o ano com um patrimnio lquido de R$ 46.822.433,00.

    No dia 25 de maio a Cooperativa vai realizar o 14 Lei-lo de Vacas e Novilhas Leiteiras, evento tradicional e que movimenta o agronegcio da regio, atraindo mais de mil pessoas ao Tattersal de Leiles do Parque de Exposies Jos Tavares Pereira, a partir das 15h.

    Os animais que participam do leilo so sempre de ex-celncia na produo leiteira. Temos um empenho muito grande na realizao do nosso Leilo, os produtores de lei-te da regio j esperam por ele e isso exige muito profissio-nalismo na qualidade do gado que disponibilizamos para o mercado, explica Pedro Francisco Repossi Jnior, gerente do Departamento de Campo da Cooperativa. (Fonte: Julia-na Rangel / bvio Comunicao Integrada)

    Secretrio de Agricultura empossa novo presidente da emater

    Assembleia Geral da cooperativa aprovou resultados de 2012

    em busca de mais resultados

    Pres. da Emater Jos Ricardo Roseno

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  • 41 MAR / ABR 13

    No encerramento das comemoraes do aniversrio de 50 anos da cidade de Marilac (MG) e da Parquia Santa Luiza de Marilac, aconteceu no domingo, dia 17 de maro, a 10 Cavalgada em honra padroeira do municpio. A caval-gada, que comeou s 10h30, proporcionou aos participantes o tra-dicional caf da ma-nh; na parada em uma propriedade a 12 km do centro da cidade, os ca-valeiros puderam des-frutar de um churrasco e caldos. Para finalizar, ao final da tarde, os participantes da festa se deliciaram com trs bois e dois porcos no rolete.

    De acordo com a Comisso Organizadora da Cavalgada, mais de 1200 pessoas participaram da festa comprando as ca-

    misas, sendo que des-tas, cerca 700 eram de cavaleiros e amazonas. A cavalgada deste ano superou a do ano passado. O encontro com os amigos, a fes-ta da igreja, conhecer pessoas novas e rever os companheiros de cavalgada, so os nos-sos objetivos. Para o

    ano que vem, queremos melhorar 100% e, quem

    sabe, trazermos o dobro de participantes deste ano, enfatiza a comisso.

    Antnio Andrade natural de Patos de Minas, no centro--oeste mineiro. Ele j foi deputado estadual e estava no se-gundo mandato como deputado federal pelo PMDB. Forma-do em engenharia civil, o novo ministro tambm produtor de leite. No discurso da posse, Dilma Rousseff agradeceu a dedicao de Mendes Ribeiro, que deixou o cargo no dia 15 de maro. Logo depois da posse, o novo ministro falou sobre os problemas com o escoamento da safra e o abastecimento de milho para os criadores do Nordeste.

    Ns enfrentamos algumas dificuldades. No tenho d-vida de que o setor produtivo, a regio mais produtora deste pas, o Mato Grosso, est distanciado dos grandes centros de consumo, o que provoca uma dificuldade imensa no esco-amento da produo. O armazenamento precrio, h dis-tncias do centro de consumo e tambm dos portos. uma situao que devemos enfrentar. (Fonte: Globo Rural)

    No dia 13 de maro, durante o 14 Simpsio Nacional do Agronegcio Caf Agrocaf 2013 -, Joo Bosco Ra-malho, diretor de Agricultura da Empresa Baiana de De-senvolvimento Agrcola (EBDA), vinculada Secretaria da Agricultura (Seagri), presidiu a mesa de trabalho do evento, no Centro de Convenes do Hotel Bahia Othon Palace, em Salvador, onde foi discutida a Assistncia Tcnica e Exten-so Rural (Ater), como um servio gratuito direcionado aos agricultores familiares, para melhoria de sua produtividade e qualidade na produo.

    O Agrocaf 2013 reuniu em torno de mil participantes de todos os segmentos da cadeia produtiva do agronegcio caf, alm de pesquisadores e estudantes. importante en-fatizarmos a participao da EBDA, com sua assistncia tc-nica em todo o estado, principalmente na Cadeia Produtiva do Caf, de grande importncia para a economia nacional, enfatizou o diretor. (Fonte: EBDA/Assimp)

    Antnio Andrade, do pmdB, assume o ministrio da Agricultura

    Agrocaf 2013 rene produtores e assistncia tcnica rural em Salvador

    10 cavalgada de Santa luiza de marilac

    Figura 1: Visitantes e funcirios da Cooperariva Agropecuria Figura 2: Comisso Organizadora

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  • 42MAR / ABR 13

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    Ator ta de bacalhau

    ingredientes 300 g de biscoitos cream cracker tri-turados 150 g de margarina 4 colheres (sopa) de azeite 1 cebola mdia picada 1 dente de alho picado 1 pimento vermelho cortado em cubi-nhos 1 pimento amarelo cortado em cubi-nhos 1/4 de xcara (ch) de azeitonas pretas picadas 350 g de bacalhau dessalgado, afer-ventado e desfiado 1/2 xcara (ch) de salsinha picada Pimenta dedo-de-moa picadinha a gosto

    1 xcara (ch) de leite 2 colheres (sopa) de farinha de trigo 50 g de queijo parmeso ralado

    modo de preparoPara a massa, misture os biscoitos e

    a margarina at formar uma farofa mi-da. Forre, com a massa, o fundo e as laterais de uma forma de fundo remov-vel, pressionando bem com uma colher. Leve a forma ao forno, preaquecido a 180 C. Deixe assar durante 5 minutos e reserve.

    Para o recheio, numa panela, aquea o azeite e doure a cebola e o alho. De-pois, acrescente os pimentes, a azei-tona, o bacalhau desfiado, a salsinha, a pimenta e refogue durante 2 minutos, envolvendo bem todos os ingredientes.

    Dissolva a farinha de trigo no leite, junte ao refogado e mexa levemente at engrossar. Deixe esfriar e recheie a torta. Polvilhe o queijo ralado e leve ao forno preaquecido durante 15 minutos. Sirva quente ou fria.

    Dica: mesmo no dia seguinte, esta torta fica uma delcia. Experimente.

    Tipo de prato: Prato principalPreparo: Mdio (de 30 a 45 minutos)Rendimento: 10 poresDificuldade: FcilCategoria: Torta salgada e quicheCalorias: 446 por poro

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  • 43 MAR / ABR 13

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  • 44MAR / ABR 13