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    REVISTA GEONORTE, Edio Especial 2, V.2, N.5, p.77 88, 2012.

    A URBANIZAO E SUA INFLUNCIA NO AUMENTO DA TEMPERATURA MDIA NO MUNICPIO DE UBERLNDIA/MG

    Flaviane Fernandes Bernardes Universidade Federal de Uberlndia

    flavi_bernardes@yahoo.com.br

    Paulo Cezar Mendes Universidade Federal de Uberlndia

    pcmendes@ufu.br

    O CLIMA DAS CIDADES

    RESUMO

    Este trabalho objetivou analisar no perodo de 1980 a 2010, a relao existente entre o aumento da temperatura mdia e o crescimento populacional da cidade de Uberlndia-MG. Para tanto foram utilizados dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsticas (IBGE), da Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Ministrio da Agricultura - 5 Distrito de Meteorologia/Estao Uberlndia. As anlises dos dados indicaram que Uberlndia teve um incremento populacional de 250,7%, entre os anos de 1980 e 2010, repercutindo diretamente nas atividades desenvolvidas na cidade bem como, no uso e ocupao solo. Neste mesmo perodo, foi verificado um aumento 1,5C na temperatura mdia coletada na Estao Climtica da UFU, sendo apontado como um dos fatores responsveis, o grande nmero de edificaes no entorno da estao.

    ABSTRACT

    This study aimed to analyze the period from 1980 to 2010, the relationship between the increase in average temperature and population growth of the city of Uberlndia-MG. For this we used data from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), the Municipal Planning and Urban Development and Ministry of Agriculture - 5th District of Meteorology / Uberlndia Station. Analyses of the data indicated that Uberlndia had a population increase of 250.7% between 1980 and 2010, reflecting directly in the activities developed in the city as well as the use and occupation of land. In this same period, there was an increase 1.5 C the average temperature collected in Climate Station UFU, being touted as one of the factors responsible for the large number of buildings surrounding the station.

    INTRODUO

    As condies atmosfricas esto diretamente ligadas ao cotidiano do ser humano desde seu surgimento. A variao da temperatura influenciou diretamente o deslocamento, tipo de abrigo, vesturio e, at a alimentao do homem primitivo. A necessidade de conhecer o clima no mudou. Continua sendo essencial conhecer as caractersticas climticas para o planejamento do espao urbano, maximizando de forma eficiente os investimentos de recursos pblicos e privados nas atividades produtivas e de infra-estrutura.

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    ... clima a sntese do tempo num dado lugar durante um perodo de aproximadamente 30-35 anos. O clima, portanto, refere-se s caractersticas da atmosfera, inferidas de observaes contnuas durante um longo perodo. O clima abrange um maior nmero de dados do que as condies mdias do tempo em uma determinada rea. Ele inclui consideraes dos desvios em relao s mdias (isto , variabilidade), condies extremas, e as probabilidades de ocorrncia de determinadas condies de tempo. (AYOADE, 1991, p.2)

    Quando trabalhado em escala local, observa-se que a ao antrpica vem influenciando amplamente nas variaes climticas, sobretudo com o aumento populacional e o avano das tecnologias e o, o que proporciona uma alterao do espao. atravs de vrias atividades que o homem consegue interferir no comportamento do clima, sendo que muitas vezes essas alteraes quase no so percebidas diretamente.

    A expresso clima urbano um dos maiores e clssicos exemplos dessas alteraes. As reas urbanas, por serem constitudas por materiais com caractersticas bem distintas em relao s reas adjacentes fazem com que certos fenmenos atmosfricos sejam percebidos com maior freqncia nessas reas. Deste modo, as grandes cidades vm sofrendo as consequncias do crescimento populacional, de seu mau planejamento urbano, de seu deficiente ordenamento territorial e de seu errneo modelo de desenvolvimento. O meio ambiente urbano tem sua capacidade de suporte extrapolada a cada dia, consumindo mais do que o necessrio e gerando mais resduos (slidos, lquidos e gasosos) do que o ambiente pode assimilar.

    Uma das consequncias geradas pelo processo de ocupao populacional e desenvolvimento econmico nas cidades o fenmeno Ilha Urbana de Calor que dentre outros, repercute diretamente no conforto trmico e higromtrico das pessoas que elas habitam. Quantidades de ar quente se fazem presentes em maior concentrao no centro das cidades que sofrem com esse desequilbrio. E essa condio dificulta a evaporao, reduz o poder de disperso dos poluentes atmosfricos gerados trazendo complicaes para a vida no meio urbano.

    A cidade de Uberlndia-MG se enquadra neste contexto, no somente em termos de temperatura e umidade relativa do ar, mas tambm pelas enchentes e alagamentos, cada vez mais frequentes nos ltimos anos. Dessa forma, o objetivo de este trabalho compreender a relao existente entre o aumento de temperatura mdia entre as dcadas de 1980 a 2010, com o crescimento populacional neste perodo de 30 anos.

    Segundo CONTI (1998:42), as cidades so consideradas atualmente, a grande expresso geogrfica deste sculo e, ainda, a mais espetacular forma de transformao do espao geogrfico, que repercute direta e indiretamente na organizao social e ambiental do todo o planeta. A cidade precede

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    a industrializao e a urbanizao, portanto, ela o elemento norteador da construo da sociedade urbana que toma novos rumos com a produo industrial.

    A principal caracterstica destas primeiras civilizaes urbanas, que as distinguiam das povoaes anteriores, alm do tamanho, claro, o fato de que umas partes considerveis da populao que nelas habitavam no participavam das atividades agrcolas, e isto possibilitou, de incio, o surgimento de atividades genuinamente urbanas.

    A concentrao de riqueza nas cidades, somada s inovaes no processo produtivo, possibilitou s cidades entrarem em uma nova etapa de crescimento. O marco dessa etapa foi chamada Revoluo Industrial, cuja caracterstica principal em termos de produo era a necessidade de concentrao da produo no espao, causando um impulso ao processo de urbanizao. Tanto que alguns estudos de Geografia, que trabalham o espao urbano, afirmam que o processo de urbanizao verdadeiramente s ocorreu, de maneira mais significativa, com o advento da industrializao.

    Esse advento, para os estudos do clima urbano, tem significado especial, em primeiro lugar por ter possibilitado a inveno, o melhoramento e a reunio de dados referentes ao clima, assim lembrado por AYOADE (1991:5):

    ...maiores desenvolvimentos tcnicos na instrumentao das observaes do tempo e na transmisso e anlise dos dados meteorolgicos tm desempenhado papis vitais no desenvolvimento da meteorologia e climatologia modernas.

    Em segundo lugar, porque as atividades industriais passaram a arremessar para a atmosfera uma enorme quantidade de gases e partculas slidas em suspenso, refletindo diretamente na composio e no comportamento da atmosfera. Resumidamente, esse processo conhecido como poluio do ar, a qual AYOADE (1991) conceitua como: (...) a introduo na atmosfera de qualquer substncia diferente dos seus constituintes atuais.

    O estabelecimento das cidades e o movimento de urbanizao se fortificam com o advento da industrializao que faz da cidade um centro de atrao de populao permanente. Desde ento se fez necessrio s cidades, atravs de planejamento ou no, sua reorganizarem visando harmonia entre os espaos urbanos e a populao.

    Desta forma podemos perceber que a reorganizao das cidades um fator que est inteiramente ligado ao fenmeno urbano. Esta reorganizao assume uma forma especfica nos tempos atuais, quando a instantaneidade e a constncia em que as relaes se do exigem cada vez mais um dinamismo na estruturao urbana.

    Assim, observa-se que mesmo sendo o processo de urbanizao um fenmeno recente na histria da humanidade, a populao mundial caminha em direo a um mundo predominantemente urbano, aumentando ainda mais a capacidade de inadvertidamente causar modificaes climticas,

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    atravs das vrias atividades e aes que realiza no espao urbano, assim lembradas por AYOADE (1991:300):

    O maior impacto do homem sobre o clima acontece nas reas urbanas. O homem tem exercido um impacto to grande nessas reas, que o clima urbano bastante distinto, por suas caractersticas, do clima das reas rurais circundantes. Nas reas urbanas, altera-se a composio qumica da atmosfera. As propriedades trmicas e hidrolgicas da superfcie terrestre, assim como seus parmetros aerodinmicos so modificados pelos processos de urbanizao e industrializao. Os pntanos so drenados e as superfcies naturais so substitudas por superfcies pavimentadas, ruas e telhados de prdios. Como resultado, a radiao em ondas longas e a de ondas curtas so reduzidas sobre as reas urbanas. As temperaturas elevam-se, mesmo quando diminui a durao da insolao. A umidade reduzida, mas h um certo aumento na precipitao e tambm na quantidade de nebulosidade. Os nevoeiros e neblinas so mais espessos, ocorrendo com mais freqncia e persistncia, prejudicando a visibilidade. A turbulncia cresce. Os ventos fortes so desacelerados e os ventos fracos so acelerados medida que se movimentam nas reas urbanas.

    Os principais fatores que contribuem para sua alterao so: a produo de calor pelos motores dos veculos e pelos equipamentos domsticos e industriais, como mquinas, fornos e foges; a existncia de poucas reas arborizadas, pois as folhas das rvores absorvem o calor da atmosfera; a enorme concentrao de asfalto e concreto, elementos que absorvem de 98 a 99% da radiao solar que atinge a superfcie; a construo de edifcios que dificultam e at mesmo impedem a circulao do ar.

    Esse fenmeno ficou conhecido como Ilha de Calor. Vrios pesquisadores de renome nacional e internacional estudaram ou ainda estudam esse fenmeno. Dentre estes destacam-se LOMBARDO (1985), que define ilha de calor urbana como uma rea na qual a temperatura da superfcie mais elevada que as circunvizinhas; CONTI (1998), que a conceitua como sendo uma anomalia trmica positiva, que caracteriza a atmosfera das cidades em relao s reas vizinhas e, por fim AYOADE (1991), que a resume como um aumento da temperatura em reas urbanas em ndices superiores aos da zona rural circundante.

    Alm da ilha de calor urbana, outras alteraes climticas foram produzidas no espao urbano. Dentre elas, o comportamento das precipitaes. Devido principalmente atividade industrial, estabelecida na grande maioria no espao urbano, e tambm ao grande fluxo de veculos automotores circulando nas ruas, tm aumentado, de forma significativa, a quantidade de partculas slidas em suspenso. Isto tem ampliado, segundo estudos, as precipitaes no espao urbano, j que as partculas funcionam como ncleo de condensao do vapor dgua. CONTI (1998:44) assim relata esse fenmeno:

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    ... a concentrao de poluentes, motivada pela atividade industrial e circulao de veculos, concentra partculas em suspenso, as quais, por sua vez, funcionam como ncleos higroscpicos, isto , incentivadores do processo de condensao. Essa reao em cadeia conduz ao aumento das precipitaes em reas urbanas de condensao.

    Planejar e dotar as cidades com infra-estrutura completa para evitar problemas relacionados com as chuvas uma tarefa extremamente difcil. Devido ao frequente fenmeno das inundaes nos grandes centros urbanos, a causa deste fato est relacionada ao elevado ndice de impermeabilizao do solo urbano, resultante da expanso dos espaos construdos e da pavimentao macia, que impede a infiltrao da gua precipitada para o lenol fretico, aumentando o escoamento superficial e, consequentemente, o alagamento de ruas e casas nos locais de maior fluxo dgua.

    MATERIAS E METODOS

    A metodologia empregada para a realizao deste trabalho foi fundamentada em um referencial terico-metodolgico coerente com o tema e assuntos abordados. Alm disso, foram utilizados dados populacionais e econmicos da cidade de Uberlndia, da plataforma cidades@ e Sidra, disponveis no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatsticas (IBGE), trabalhados em planilha eletrnica (Microsoft Excel) para a confeco dos grficos. E por fim, foram analisados registros meteorolgicos provenientes do Laboratrio de Climatologia e Recursos Hdricos da Universidade Federal de Uberlndia, da temperatura mdia dos ltimos 30 anos.

    A cidade de Uberlndia, segundo o censo demogrfico do IBGE, do ano de 2010 possui 604 mil habitantes, sendo a segunda maior cidade de Minas Gerais. O municpio, no qual pertence cidade, localiza-se entre as coordenadas geogrficas de latitude 18 30 e 19 30 Sul e, 47 50 a 48 50 de longitude Oeste do meridiano de Greenwich, na microrregio do Tringulo Mineiro, no oeste do estado de Minas Gerais. Alm do distrito sede, o municpio conta ainda com mais quatro distritos: Cruzeiro dos Peixotos, Martinsia, Miraporanga e Tapuirama.

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    FIGURA 01: Uberlndia (MG): Localizao da rea de Estudo

    Fonte: MENDES, 2008.

    Uberlndia interliga-se a outros centros pelas rodovias BR-365, BR-452, BR-050 e BR-497. Limita-se ao Norte com os municpios de Araguari e Tupaciguara; ao Sul com Uberaba, Verssimo e Prata; a oeste com Monte Alegre de Minas e a leste com Indianpolis.

    Em relao aos aspectos climticos, o municpio classificado, segundo Kppen, como Aw, levando-se em considerao o comportamento pluviomtrico e a variao das temperaturas, ao longo do ano. Na classificao de Arthur Strahler, que leva em considerao principalmente a natureza e ao das massas de ar, Uberlndia est inserida no grupo climtico Tropical Semi-mido, caracterizado por duas estaes definidas, sendo o vero marcado por temperaturas elevadas e chuvas intensas e o inverno com temperaturas amenas e baixos ndices ou, at mesmo, inexistncia de precipitao (AYOADE, 1991).

    A cobertura vegetal nativa do municpio, condicionada existncia de duas estaes definidas, ao tipo de solo e s caractersticas topogrficas, originalmente era composta por cerrado, apresentando caractersticas fisionmicas que englobam formaes florestais, savnicas e campestres.

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    A economia do municpio tem participao de 5,2% do PIB do Estado com destaque o setor de servios principalmente no que se refere ao setor atacadista e varejista, armazenagem e distribuio de produtos para as demais regies do pas. Alm de atividade industrial diversificada, empresas de desenvolvimento agrcola e de biotecnologia, indstrias de cigarros e agroindustriais.

    RESULTADOS E DISCUSSES A populao da cidade de Uberlndia-MG apresentou um crescimento de 250,7%, entre os

    anos de 1980 e 2010, sendo registrado um incremento populacional de 363.052, de acordo com o IBGE, 2012. O nmero de domiclios tambm cresceu, saindo de 87.765 para 219.125, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, 2012 (Grfico 1).

    GRFICO 01: Uberlndia (MG) - Crescimento Populacional entre 1980 a 2010.

    Fonte: IBGE/ Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, 2012.

    O perodo de maior crescimento ocorreu durante a dcada de 1980, quando a populao saltou de 240.961 para 367.061, atingindo uma taxa de crescimento de 52, 3%. O crescimento populacional verificado neste perodo ocorreu, sobretudo, pelo grande fluxo migratrio, oriundo principalmente das pequenas cidades da mesorregio do Tringulo Mineiro e da poro sul do Estado de Gois.

    Em relao urbanizao, Uberlndia em1980 apresentava uma taxa de 67,1%. J entre 1991 a 2000 a proporo aumentou para mais de 82%, com a populao urbana crescendo a 2,49% ao ano. Em 2010, esse ndice saltou para 97%, segundo a SMPDU, 2012

    Entre os anos de 2000 a 2010 houve um incremento populacional de 102.799 habitantes, representando um taxa de 20,5%. A densidade demogrfica atingiu 146,7 por habitantes/km no ano de 2010 e o ndice de crescimento correspondeu 3,08% do Estado de Minas Gerais, fazendo com que Uberlndia se tornasse o segundo municpio mineiro em populao.

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    No que se refere ainda aos aspectos de urbanizao, importante destacar a participao do PIB de Uberlndia no Estado de Minas Gerais(Grfico 02), de acordo com o banco de dados agregados do IBGE (SIDRA) e do Centro de Estudos, Pesquisas e Projetos Econmico-sociais (CEPES) do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlndia. A economia local ampliou sua participao frente s economias nas quais est inserida quando se considera os extremos do perodo. Entretanto, esse avano no se deu como um processo contnuo, com o PIB Municipal crescendo a taxas inferiores que as taxas nacionais, para os anos de 2004 e 2005 (Grfico 2).

    GRFICO 02: Uberlndia(MG) - Participao no PIB Estadual entre 1999 a 2009.

    Fonte: SIDRA/CEPES (2011).

    As anlises dos dados do PIB municipal, sua composio determinada pelos trs grandes setores da economia: agropecuria, indstria e servios. De 1999 a 2009 a participao dos Servios no Valor Adicionado Bruto Total foi, em mdia, de 69%, enquanto Indstria e Agropecuria tiveram participao mdia de 27,8% e 3,2%, respectivamente (CEPES, 2011). Esse quadro indica que grande parte da economia municipal de Uberlndia est baseada no setor tercirio, principalmente os servios, com destaque para as atividades de Logstica, Telemarketing, Setor Atacadista e Varejista, Armazenagem.

    Em relao aos aspectos climticos, o acmulo de dados da Estao Climtica da Universidade Federal de Uberlndia no perodo de 1980 a 2010 sobre a temperatura urbana indicam que ela subiu, aproximadamente 1,5C, saindo de 21,5C no incio da dcada de 1980 para 23C em 2010 (Grfico 3). Dentre os diversos fatores anlisados com potencial de influncia neste aumento na escala local, merece destaque o elevado crescimento populacional da cidade, que repercutiu, sobretudo, no aumento nmero de veculos automotores e edificaes em diversos setores da cidades.

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    A regio do entorno do Santa Mnica, onde est instalada o Estao Meteorolgica da UFU no fugiu a regra, tendo sido contrudo prdios dentro e fora do campus, refletindo na substituio de reas verdes por concreto.

    GRFICO 03: Uberlndia(MG) - Temperatura Mdia Compensada (C) entre 1981 a 2010.

    20,5

    21,0

    21,5

    22,0

    22,5

    23,0

    23,5

    24,0

    TEMPERATURAS MDIAS

    Fonte: Ministrio da Agricultura - 5 Distrito de Meteorologia/Estao Uberlndia, 2012.

    Quando se compara o crescimento populacinal registrado no Grfico 1 com aumento da temperatura mdia registrado no Grfico 3 no perodo selecionado para anlise, observa que o crescimento da cidade foi acompanhado por um aumento da temperatura mdia ou seja, o incremento populacional de aproximadamente 363mil pessoas somado a transformaes ambientais decorrentes, contribuiram para o aumento da temperatura indicado no Grfico 3.

    A anlise dos dados da temperatura mdia compensada indica que a mesma subiu aproximadamente 0,5C a cada 10 anos. A maior amplitude foi verificada entre os anos de 2000 a 2002, quando a temperatura aumentou mais 1,2C na mdia, apresentando uma reduo nos anos seguintes s voltando a subir em 2010, atingindo a casa dos 23,5C. As figuras 2 e 3 abaixo demonstram o quanto o processo de urbanizao est intensificado em torno da Estao Climatolgica da Universidade Federal de Uberlndia, principalmente a partir de 2005, onde a construo de edifcios residenciais e comerciais est ampliando concentrao de concreto e asfalto, contribuindo para o aumento da temperatura mdia e dificultando a circulao de ar.

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    FIGURA 02:Estao Climatolgica da Universidade Federal de Uberlndia, em primeiro plano prdios residenciais e ao fundo diversos edifcios que configuram a urbanizao da cidade.

    Fonte: BERNARDES, F.F. 2012

    FIGURA 03: Novas construes sendo instaladas na proximidade da Estao Climatolgica da Universidade Federal de Uberlndia.

    Fonte: BERNARDES, F.F. 2012

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    Em relao ao aquecimento planetario, no levando em considerao s correntes tericas sobre suas causas ou consequncias, infelizmente neste trabalho, pela disponibilidade de dados, no foi possvel analisar o quanto esse aquecimento contribui para esse aumento na temperatura mdia registrada na escala local, ou seja, na Estao Meteorolgica.

    So consideradas escalas superiores aquelas mais prximas do nvel planetrio e escalas inferiores aquelas mais prximas dos indivduos habitantes da superfcie da Terra; As combinaes de processos fsicos interativos numa escala superior resultam em modificaes sucessivas no comportamento da atmosfera nas escalas inferiores; As combinaes particulares de processos fsicos nas escalas inferiores possuem limitada repercusso nas escalas superiores. (RIBEIRO, 1993.p.: 288)

    CONCLUSES E CONSIDERAES

    As alteraes ambientais causadas pelo crescimento das cidades possuem potencial de interferir diretamente na dinmica ambiental local, sobretudo, na atmosfera na escala local. Dentre os elementos climticos mais atingidos, destaca-se a temperatura, que possui uma relao direta com o novo arranjo da superfcie, bem como a as atividades desenvolvidas na cidade.

    Os gases e os materiais particulados lanados na atmosfera urbana, substituio de reas verdes por edificaes e asfalto, a canalizao de cursos dgua, a construo de edifcios, dentre outros, ampliam a capacidade das cidades em reter energia, contribuindo para o aumento da temperatura. Em Uberlndia, a similaridade entre o crescimento populacional e o aumento da temperatura mdia, indicam que estas transformaes esto influenciando no clima da cidade, sobretudo no aumento da temperatura.

    Este trabalho, dentro das suas limitaes, especialmente a impossibilidade de mensurar o quanto o aumento na temperatura global est repercutindo na temperatura da cidade, esta em fase inicial, tendo como proposta futura, fazer um comparativo na Mesorregio do Tringulo Mineiro, em termos de temperatura urbana, as cidades que apresentaram crescimento populacional muito reduzido, bem como as mais elevadas nas trs ltimas decadas, para tentar entender o quanto de aquecimento de origem urbana ou planetria.

    REFERNCIAS

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