Juventude Conectada 2014

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    17-Nov-2014

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integra a matria http://startupi.com.br/2014/08/ibope-e-usp-confirmam-com-pesquisa-jovens-querem-empreender-na-web/

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1. Juventude conectada Juventudeconectada Em2014,aFundaoTelefnicaVivocomemora15anosdeatuaonoBrasil. Temos o orgulho de lanar a pesquisa Juventude Conectada, idealizada pela Fundao e realizada em parceria com o IBOPE Inteligncia, com o Instituto Paulo Montenegro e com a Escola do Futuro USP. A pesquisa tem como objetivo entender oportunidades, transformaes e tendncias do comportamento jovem na era digital, a partir de quatro eixos de investigao: educao, ativismo, empreendedorismo e comportamento. Utilizamos um conjunto diverso de metodologias, em que mesclamos etapas quantitativas e qualitativas. Esperamos que a disseminao desta pesquisa provoque e inspire novas discusses e questionamentos sobre a nossa sociedade, e a transformao do mundo real por meio dos jovens e do digital. Conhea outros estudos e pesquisas da Fundao Telefnica Vivo. Acesse e baixe, gratuitamente: http://fundacaotelefonica.org.br/conteudos/publicacoes/ 2. Idealizao e Coordenao Fundao Telefnica Vivo Gabriella Bighetti Diretora Presidente Fundao Telefnica Vivo Rosilene de Bem Silva Gerente de Comunicao e Eventos Fundao Telefnica Anna Paula Pereira Nogueira Analista Snior de Comunicao e Eventos Fundao Telefnica Marcia Pinheiro Ohlson Consultora de Comunicao e Eventos Realizao (Aplicao da Pesquisa e Resultados) IBOPE Inteligncia Silvia Cervellini Diretora Executiva de Negcios Fernanda Aguiar Coordenadora de Atendimento de Planejamento Diego Arbulu Analista de Atendimento de Planejamento Flvia Toledo Coordenadora de Pesquisa Qualitativa Fbio Keinert Consultor Pesquisa Qualitativa Camila Carrico Especialista E-Meter Realizao (Aplicao da Pesquisa e Resultados) Instituto Paulo Montenegro Ana Lcia Lima Diretora Executiva Fabiana de Freitas Nascimento Assessora de Projetos Realizao (Anlise dos resultados e Texto Final) Escola do Futuro USP Brasilina Passarelli, profa. Titular do Centro de Biblioteconomia e Documentao ECA/USP Coordenadora Cientfica do Projeto. Prof. Dr. Antnio Hlio Junqueira Coordenador Acadmico do Projeto, Prof. Dr. Francisco Paletta Pesquisador Marcia da Silva Peetz Economista Samantha Kutscka Gesto de Projetos David De Cunto Relaes Institucionais Publicao Prova3 Agncia de Contedo Coordenao editorial Lorena Vicini Edio Camila Hessel Projeto grfico Jlia Masago Direo de Arte Ana Paula Mathias Assistncia de Arte Adriana Cesar Juventude conectada CIP-BRASIL. CATALOGAO NA FONTE J98 Juventude conectada / organizao Fundao Telefnica. So Paulo: Fundao Telefnica, 2014. 200 p.: graf., tab.; 22 cm Bibliografia ISBN 978-85-60195-35-0 1.Jovens - Educao. 2. Internet na educao. I. Fundao Telefnica. CDD: 370.8 Catalogao elaborada por Antonia Pereira CRB-8/4905 3. 54 1 Do analgico ao digital:08 #tudojuntoemisturado 2 Metodologia da pesquisa: 20 #JuventudeConectada 3 Principais achados: 36 #oqueosjovensconectadosfazem 4 Vetores da pesquisa: 60 #odnadajuventudeconectada 5 Os eixos da pesquisa: 82 #focosprioritriosdapesquisa 6 Os perfis de navegao da juventude conectada: 162 #Juventude conectada 7 Constataes, tendncias e prospeces: 194 #oquedizapesquisa 8 referncias220 9 o questionrio utilizado228 4. Em 2014, a Fundao Telefnica Vivo comemora 15 anos de atuao, mobilizao e inspirao. Sendo o brao social do Grupo Telefnica, atuamos como uma Fundao Digital, fazendo da tecnologia e da inovao importantes aliadas na busca por novas respostas para os desafios do mundo contemporneo. Nossas iniciativas esto ligadas Educao e Aprendizagem, Com- bate ao Trabalho Infantil, Inovao Social e Voluntariado. Acreditamos no poder transformador do conhecimento e, por isso, investimos em estudos e pesquisas que promovam reflexes, apontem tendncias sobre o nosso tempo e inspirem pes- soas e instituies em suas iniciativas. Neste contexto, temos orgulho de lanar a pesquisa Juventude Conectada, idealizada pela Fundao Telefnica Vivo e realizada em parceria com o IBOPE Inteligncia, com o Instituto Paulo Montenegro e com a Escola do Futuro USP. Iniciada em maio de 2013, a pesquisa tem como objetivo entender o comportamento do jovem na era digital e as transformaes e oportunidades geradas a partir da. Foram selecionados quatro eixos de investigao: educao, ativismo, empreendedorismo e comportamento. Entrevistamos 1.440 jovens, realizamos 6 grupos de discusso em profundidade, fizemos o monitoramento de navegao de 10 jovens, alm de entrevistas com 8 especialistas, captando reflexes e tendncias. O rigor da pesquisa permite que os dados sejam aprofundados em cada eixo, levando em conta as diferenas regionais, de capital e interior, classe social e gnero. Conhea mais sobre o comportamento, pensamentos e desejos da juventude conectada bra- sileira. Esperamos que a disseminao desta pesquisa provoque e inspire novas discusses e questionamentos sobre a nossa sociedade. Queremos instigar a transformao do mundo real por meio dos jovens e do digital. Boa leitura, Gabriella Bighetti Presidente da Fundao Telefnica Vivo Prefcio 5. Do analgico ao digital: #tudojuntoemisturado 1 6. 1110 Do analgico ao digital:#tudojuntoemisturado A revoluo da internet espraia-se por todos os domnios da atividade humana desde meados da dcada de 90 do sculo passado. Relativamente pouco tempo se compa- rado profundidade e extenso das mudanas e consequentes desafios que vieram a reboque do surgimento da mesma. Para citar algumas, pode-se comear com a glo- balizao dos mercados inaugurando uma nova economia que se expande bus- cando pases emergentes e suas populaes, s vezes recm includas social- mente e estimuladas a consumir bens e produtos. Tambm merecem destaque a horizontalizao das relaes de poder, o imediatismo das aes dos atores conectados, a impermanncia de contedos e saberes, a diluio do espao f- sico e a consequente relativizao das fronteiras geogrficas, a instaurao da narrativa no-linear e multimdica em contraposio tradicional escrita linear. A internet inaugura tambm novas formas de ensinar e aprender desencadeando com isso a redefinio dos tradicionais papis de professores e alunos, a possibilidade de mltiplas identidades e a reciprocidade das aes nos ambientes virtuais em rede. O modelo aberto da internet contribuiu para a consolidao de um novo tipo de agente social, imerso nas redes sociais emergentes, que ao mesmo tempo con- sumidor e produtor de informao e conhecimento. Este novo conceito, j hoje am- plamente utilizado em estudos das interaes comunicativas em ambientes virtuais, foi antecipado por Marshall McLuhan e Barrington Nevitt, em 1972, a partir da convico de queatecnologiaeletrnicaviriapermitiraousuriodossistemasdecomunicaoassumir simultaneamente as aes de produtor e de consumidor de contedos. A web 2.0 contribuiu para ampliar as possibilidades de participao dos atores conecta- dos no desenvolvimento e circulao de contedos, embora seja necessrio enfatizar que vivenciamos, todos, uma transio conturbada dos padres da sociedade moderna para a ps-moderna, ancorada no hibridismo das mdias de massa modernas (TV Do analgico ao digital #tudojuntoemisturado [...] a reboque da sociedade contempornea em rede, emergem novas lgicas, novas semnticas, novas literacias, novos modelos de negcios e novas prticas que ultrapassam as dualidades emissor receptor da comunicao de massa do s- culo passado, relocando a ateno dos tericos da comunicao, das instituies de ensino e pesquisa e das empresas da chamada nova economia para a reciprocidade das aes comunicacionais onde os usurios da modernidade agora, na contemporaneidade, so denominados prosumers (produtor + consumidor) com a consequente redefinio dos papis destes atores em rede. (PASSARELLI; JUNQUEIRA, 2012, p. 14). aberta e jornais impressos dirios entre outros) com as novas mdias (internet e re- des sociais). As redes sociais, em especial, propiciaram o surgimento de novos contornos para o ativismo e o empreendedorismo principalmente entre as populaes jovens. Vinte e quatro anos separam a introduo da internet no Brasil iniciada em janeiro de 1991 atravs da Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo (FAPESP), en- to restrita ao ambiente acadmico e que, a partir de 1994 , passa a ser ofertada no Pas de forma comercial do surgimento do Ncleo das Novas tecnologias de Comunicao Aplicadas Educao Escola do Futuro USP , integrado por pesquisadores de diferentes origens movidos pelo interesse comum nas transformaes que as tecnologias de infor- mao e comunicao aportariam ao ensinar e aprender, tanto no contexto da educao formal como na educao aberta para a vida. Para Brasilina Passarelli (2010, p.72), coordenadora cientfica do NAP EF/USP desde 2007, na perspectiva scio-histrica das duas ltimas dcadas, distinguem-se duas ondas na sociedade em rede: uma primeira, cujo ncleo central definido pelas preocupaes, polticas e programas de incluso digital, e a segunda, que se concentra nas diferen- tes formas de apropriao e de produo de conhecimento na web constituindo um novoconjuntodecompetnciasehabilidades(tambmdenominadasliteraciasdigitaisou media and information literacy pela UNESCO). Neste contexto, insere-se e justifica-se a presente pesquisa, intitulada Juventude Co- nectada, idealizada e coordenada pela Fundao Telefnica Vivo e realizada em parce- ria com o IBOPE, o Instituto Paulo Montenegro e o Ncleo das Novas Tecnologias da Comunicao Aplicadas Educao Escola do Futuro-USP. Esta pesquisa com- plexa e inovadora em mltiplas dimenses que merecem destaque. complexa pela dificuldade do cruzamento de dados quantitativos extensivos survey com 1.440 res- pondentes com anlise de contedo de entrevistas em profundidade e focus groups. Desta forma, neste livro encontram-se contemplados somente os principais resultados. As vertentes estruturantes contemplaram classe socioeconmica, gnero, faixa etria, ocupao, nvel de escolaridade, infraestrutura regional, urbanidade e metropolizao. Quatro eram os focos de anlise privilegiados nesta pesquisa e assim as questes foram estruturadas para contemplar: #comportamento, #educao e aprendizagem, #ati- vismo e #empreendedorismo. Como inovao, utilizamos um software de monitoramen- to de navegao de 10 entrevistados denominado E-meter. Tambm de carter inovador foi a metodologia de caracterizao do perfil de navegao dos jovens pesquisados em trs grupos por ns denominados: Exploradores Iniciantes, Exploradores Inter- medirios e Exploradores Avanados. A Pesquisa #juventudeconectada 7. 1312 Do analgico ao digital:#tudojuntoemisturado No mundo contemporneo, a tecnologia constitui-se no novo totem, ocupando agora o lugar central, criando novos parmetros definidores do prprio ser hu- mano. Essa , em grande sntese, a ideia articulada pelo socilogo Derrik de Kerckho- ve na sua teoria do tecnototemismo. Para ele, na transposio para a sociedade tecnolgica dos dias de hoje, o conceito do totemismo se traduz em um continuum entre a mente humana e a mquina, cujo resultado uma profunda e decisiva alterao nas formas como se constituem e se constroem as novas identidades, sociabilidades e sensibilidades dos indivduos na atualidade. Self e redes digitais se interpenetram e se criam em relaes de mtua interdepen- dncia; mquinas e tecnologias tornam-se extenses do corpo; identidades eletr- nicas e avatares circulam no ciberespao constituindo novas formas de habitar e de existir no mundo e a internet torna-se via estruturante da produo, circulao e com- partilhamento das expresses, emoes e da prpria ao social. O conceito de tecnototemismo estruturante para acomodar as inovaes da tec- nologia da informao j em testes atualmente e as que esto sendo concebidas para um futuro prximo e assim reconhecidas como tendncias. Podemos elencar o estu- do de vanguarda desenvolvido pela Fundao Telefnica Espanha em 2011 intitulado Smart Cities: un primer paso hacia la internet de las cosas que desbravava os cenrios das cidades inteligentes como um dos principais acontecimentos da sociedade digital conectada do sculo XXI. A aposta nas cidades inteligentes baseia-se na gesto eficiente de infraestrutura e servios ur- banos, na democratizao do acesso dos cidados s informaes e na melhoria das condies para tomada de decises, tanto no mbito privado como pblico. Alm disso, a prpria platafor- ma das cidades inteligentes favorece a incubao de novos negcios e ideias. O relatrio Smart Cities abarca os servios de uma cidade inteligente, como mobilidade urbana; eficincia energtica e meio ambiente; gesto de infraestrutura e edifcios pblicos; governo e cidadania; segurana pblica; sade; educao, capital humano e cultura e e-commerce. Num segundo momento, o relatrio apresenta as tecnologias que sustentam as cidades inteligentes apontando para a emergncia do Big Data: tecnologias para coleta de dados, transmisso de dados, armazenagem e anlise de dados. Essas tecnologias constituem o novo ecos- sistema das cidades inteligentes e apontam para a necessidade de novos olhares e novas solues para o contemporneo conectado. A cidade mais inteligente inspira informaes em sua infraestrutura fsica para melhorar as convenincias, facilitar a mobilidade, aumentar a eficincia, economizar energia, melhorar a qualidade do ar e da gua, identificar problemas e corrigi-los rapidamente, recuperar rapida- mente de desastres, recolher dados para tomar melhores decises e implantar recursos de for- ma eficaz, e compartilhar dados para permitir a colaborao entre entidades e domnios. Essas operaes sero instrumentadas e guiadas por mtricas de desempenho, com interconexes entre os mais variados setores da sociedade organizada. Mas infundir inteligncia em cada subsistema de uma cidade, um por um transportes, ener- gia, educao, cuidados de sade, edifcios, infraestrutura fsica, alimentao, gua, segurana pblica, entre outros , no suficiente para tornar uma cidade mais inteligente. A cidade mais inteligente deve ser vista como um todo orgnico, como uma rede, como um sistema ligado. Em uma cidade inteligente, ateno dada s conexes e no apenas s partes. Todos os esforos desta pesquisa convergem para que melhor conheamos os usos e comportamentos da juventude brasileira conectada, visando desvendar tendncias e padres. Estes resultados interessam tanto aos jovens, como aos seus familiares, sociedade civil e ao Estado: a todos compete a formao dos jovem brasileiro, que busca ser sujeito e protagonista de seu futuro e estar apto a enfrentar os crescentes desafios impostos por uma sociedade globalizada em rede e imersa na tecnologia digital. A Centralidade da Tecnologia no Sculo XXI 8. 1514 Do analgico ao digital:#tudojuntoemisturado Melhoria cvica decorre de melhora entre as interfaces e integraes. E isso significa que uma cidade inteligente entende que os conectores mais importantes entre os vrios subsistemas so as pessoas transformando-a, a partir de um conjunto de elementos de infraestrutura mecanicista em um conjunto de comunidades humanas vibrantes e interligadas. Cozinhas emitindo ordem de compra aos supermercados, mquinas de lavar roupa sendo ligadas automaticamente quando a demanda de energia na rede menor, carros chamando emergncia quando ocorre um acidente, sensores monitorando e comunicando sinais importantes de sade toda essa Inovao e muito mais pode ser parte da Internet das Coisas que iro permitir que nossas casas, nossas cidades e nossas vidas se tornem mais inteligentes. H uma demanda por solues sistmicas, habilitadas pela tecnologia, a construir ci- dades mais inteligentes que possam reduzir os custos financeiros e humanos/sociais, aumentando a qualidade de vida das pessoas. Mas, enquanto a tecnologia pode atuar como vetor deste processo, no possvel resolver as demandas sem uma viso e compromisso para novas formas de trabalhar em conjunto nas comuni- dades. preciso desenvolver novas capacidades e modelos de solues integradas, interconectadas e inteligentes envolvendo agentes pblicos, empresas do setor pro- dutivo, empreendedores sociais e lderes comunitrios. As inovaes em tecnologia da informao data warehousing, data mining, automa- tic language translation, voice recognition, cloud computing, network, interconnec- tivity entre tantas outras, atuam de forma incisiva no fornecimento de dados para orientar a tomada de deciso que permite melhorar a qualidade de vida das pessoas, economia de energia, melhor uso do tempo, uso sustentvel dos recursos naturais, preservar o meio ambiente e potencializar os servios oferecidos aos cidados. A internet tem causado importantes mudanas na vida contempornea, movendo as interaes entre pessoas para o mundo virtual em diferentes contextos passando por vida profissional e relaes sociais. A emergncia da IoT Internet of Things tem o potencial de adicionar uma nova dimenso a este processo atravs da comuni- cao e conexo de e entre objetos inteligentes, criando o conceito de anytime, anywhere, anymedia, anything. Assim a IoT deve ser considerada como parte da internet do futuro, que deve ser profunda- mente diferente da que usamos atualmente. A plataforma da internet atual est construda em torno da comunicao host-to-host (servidor a servidor) e constitui um limitador para a expanso da mesma. Atualmente, a internet usada majoritariamente para publicar e recuperar informaes e, desta forma, a informao deve constituir o foco das comuni- caes. Desde 1994, vem sendo estudado um novo paradigma denominado data-centric networks (redes centradas nas informaes). Alimentada por uma variedade de dispositivos conectados e tecnologias como a RFID tags, a IoT representa a prxima revoluo tecnolgica transformando a internet num sistema to- talmente integrado. A linha do tempo da Web nos permite transitar da www (com pginas estticas) passando pela web 2.0 (com nfase nas redes sociais) desembarcando na web 3.0 (integrao de dispositivos na web). Assim a IoT desencadeia, tambm, a necessidade de grandes volumes de dados em processamento os Big Data. O conceito de ampliar as conexes humanas se desenvolveu ao longo de sculos, at o Homem ser capaz de, atravs de pequenos dispositivos portteis, se comunicar com outras pessoas, receber mensagens e entreter-se com fotos, msica, vdeos, e games. Porm, este estgio de evoluo tecnolgica atingiu outro nvel de maturidade e agora possvel pensar em interao atravs dos mais diversos equipamentos e objetos. Nem mais o cu o limite. Apenas a capacidade de conexo, energia disponvel e o potencial de anlise de dados. A internet das coisas um novo conceito, que coloca as pessoas conectadas com tudo, com todos e em qualquer lugar. A Internet do futuro ou a Internet das Coisas: #tudosempreconectado 9. 1716 Do analgico ao digital:#tudojuntoemisturado Podemos explicar a Internet das Coisas de vrias maneiras, porm ela mais comu- mente descrita como um ecossistema de tecnologias que monitora o estado de objetos fsicos, capturando dados significativos, e comunica essa informao atravs de redes IP (Internet Protocol) para softwares e aplicaes. Os temas re- correntes em todas as definies da Internet das Coisas incluem objetos inteligentes, comunicao mquina a mquina, tecnologias de RF, e um hub central de informaes. A IoT pode ento ser definida como uma conexo em rede de pessoas, processos, dados e coisas compartilhando e utilizando novas informaes e permitindo obter benefcios econmicos para as empresas, melhores formas de educar e cuidar das pessoas e melhor qualidade de vida. Entretanto, no se deve menosprezar os im- pactos que estas inovaes devem aportar ao modo de vida atual, aumentando o grau de desconforto dos imigrantes digitais frente necessidade de aprender a se relacionar com equipamentos inteligentes que, at recentemente eram, simplesmente, uma geladeira, uma televiso e um relgio e no necessitavam de grandes processos para serem operados. Por outro lado para os nativos digi- tais e, portanto, foco da presente investigao, ser uma extenso natural dos controles que j exercem nos games, nas smartTVs, nos smartphones e tablets. O admirvel mundo novo nunca foi to novo nem to desafiador. Na esteira de obras como Who Owns the Future? e The Second Machine Age, um pesqui- sador e designer de produtos do MIT Media Lab, David Rose, imagina como objetos do dia a dia, desde que conectados e integrados web, podem transformar nossas vidas. A IoT representa um desenvolvimento transformador. Em breve, tecnologias conec- tadas estaro inclusas em objetos do nosso dia a dia como carros, carteiras, relgios, guarda-chuvas e mesmo latas de lixo, para citar algumas. Esses objetos conectados nos indicaro respostas a necessidades e podero at desenvolver certa inteligncia para aprender as respostas e, no futuro, antecipar nossas necessidades. O autor chama estes objetos conectados de objetos encantados e prev mudanas substancias em nossas vidas futuras com o advento massivo dos mesmos. A abundncia de dados gerada pelos objetos conectados na IoT necessita de grande poder de processamento de dados e enfatiza o desenvolvimento exponencial da chamada Big Data composta em parte por dados estruturados, corretos, checados mas o maior desafio nes- te contexto representado pelo tratamento dos dados no-estruturados. No DNA do Big Data encontra-se o desenvolvimento constante do algoritmo. Estes clculos evoludos permi- tiro que decises sejam tomadas com base no conhecimento de quase 100% do todo, e no como historicamente tem acontecido, com base no conhecimento parcial: estatstico, quantitativo ou qualitativo dos fenmenos a serem estudados. Para muitos pesquisadores o Big Data ser to revolucionrio para a humanidade como a descoberta do fogo ou o incio da agricultura, e seus impactos so ainda incalculveis. Diversas transies tecnolgicas se juntam para tornar possvel a IoT. Mobilidade, custo- mizao de TI, o surgimento da computao em nuvem, e a crescente importncia do Big Data. A infraestrutura tecnolgica essencial, mas a aplicao efetiva da tecnologia que ir consolidar o sucesso da IoT. Os desafios da IoT so to motivadores quanto as questes que ainda precisam ser enderea- das tais como garantir que as coisas tenham um endereo IP, e que, desta forma, possam ser rastreadas e se conectar. A matriz energtica outro componente que precisa ser equacionado para garantir que tantos dispositivos estejam operando conectados simultaneamente. fun- damental que a malha de infraestrutura e suporte esteja preparada para receber o volume de dados exponencialmente superior que vir com a IoT. Teremos que saber lidar com questes de segurana e privacidade, relacionamento e tica que iro reger este novo modelo de fluxo da informao. Vises de Pesquisadores sobre a IoT Muitos acreditam que o futuro trar mais do mesmo: mais smartphones, tablets e telas inseridas em qualquer superfcie. David Rose pensa diferente e afirma que a IoT uma tecnologia que atomiza, combinando-se com objetos, que pode transformar a ecologia dos ambientes at agora conhecidos propiciando novos patamares nas relaes interpessoais, na percepo do ser e sua conexo com o ecossistema no qual se insere, na longevidade e nos processos criativos. 10. 1918 Do analgico ao digital:#tudojuntoemisturado A internet das coisas Por Pablo Larrieux, Diretor de Inovao da Telefnica Vivo A Telefnica Vivo acredita que a prxima onda de crescimento no mundo das teleco- municaes j est delineada e ser originada pela conectividade de coisas, objetos e sensores, que daro nova vida e funes aos elementos cotidianos que conhecemos hoje. Estima-se que existiro 50 bilhes de dispositivos conectados at 2020 (sejam geladeiras, computadores, carros, roupas ou acessrios). Este avano a chamada Internet das Coisas, ou, do ingls, Internet of Things (IoT). Com o objetivo de oferecer sociedade cada vez mais servios alinhados essa ten- dncia global, reunimos parceiros tecnolgicos em um grande esforo colaborativo em torno do desenvolvimento de solues inovadoras, que permitem oferecer conec- tividade e inteligncia, em tempo real, a objetos e coisas at ento isolados e sem conexo com a web. Alm da reunio de grandes players do mercado, existe um trabalho ativo de desen- volvimento de ecossistema que envolve a parceria com universidades, comunidade de desenvolvedores, empreendedores e startups, visando criao de novas solues em cadeias integradas, oferecendo desde o chip M2M (de conexo Mquina a Mqui- na) at o processamento e armazenamento em nuvem. A infraestrutura de telecomunicaes o corao da Internet das Coisas e a Telefni- ca Vivo trabalha para pavimentar os caminhos entre a nova tendncia mundial e seus clientes,buscandocriarnovaspropostasdevalorparaaspessoas,governoseempresas. A Internet das Coisas tem um papel estratgico nas telecomunicaes, pois traz opor- tunidades para o setor e gera inovao para a sociedade. Acreditamos na tendncia de termos, a cada dia, mais interaes homem x mquina, algo que a juventude nascida na atual era digital ir vivenciar com muita intensidade. 11. 2METODOLOGIA DA PESQUISA: #JuventudeConectada 12. 2322 Metodologia da pesquisa Como so classificados Pilares da Pesquisa: Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios Exploradores avanados Empreendedorismo Comportamento Educao e Aprendizagem Ativismo Vetores da pesquisa gnero ocupao nvel de escolaridade regio geogrfica faixa etria classe socioeconmica metropolizao/ urbanizao Objetivo Quem so eles brasileiros de 16 a 24 anos, das cinco regies do Pas. 1.440 Entender o comportamento do jovem na era digital e as transformaes e oportunidades geradas a partir da conexo. 13. 2524 Metodologia da pesquisa Focus groups 6 grupos de discusso 2 grupos presenciais em So Paulo 1 grupo online em So Paulo 1 grupo presencial no Rio de Janeiro 2 grupos online no Rio de Janeiro E-meter Monitoramento de uso da internet por 10 jovens Mini-entrevistas online Com os participantes do monitoramento via e-meter Painel com especialistas 8 entrevistas presenciais em profundidade Entrevistas pessoais As etapas da pesquisa Etapa Quantitativa Etapa Qualitativa Obedece aos seguintes critrios de corte: Jovens alfabetizados 16 a 24 anos, divididos em dois grupos de faixa etria: 16-17 anos / 18-24 anos Classe social ABCD Acessam a internet com frequncia semanal Amostra Dimensionada a partir da anlise dos dados de: PNAD DPP urbano 2011 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios, do IBOPE) Pyxis Consumo 2013 (Rene informaes de consumo jovem de fontes como o Censo Demogrfico Brasileiro de 2010, a Pesquisa de Oramento Familiar e o banco de dados do Levantamento Socioeconmico do Ibope) 1.440 jovens de todo o Brasil Para mapear comportamentos e opinies, e desvendar os usos feitos pela juventude de nativos digitais, o estudo combinou metodologias qualitati- vas a alta amostragem do metodologias quantitativas, subdividindo-se nas etapas detalhadas a seguir: 14. 2726 Metodologia da pesquisa Norte 200 645 200 Centro-Oeste Sudeste Sul AM RR AC AP PA TO GO MT MS MA PI PE PB AL RN SE CE BA DF MG ES SP PR RS SC RJ RO 1.440 Total de entrevistados 200 195 Nordeste O nmero de entrevistados por regio Etapa quantitativa Amostra ponderada distribuda pelas cinco regies do Pas. Foi dividida em cotas pro- porcionais entre as capitais dos estados, incluindo suas regies metropolitanas e as cidades de grande porte do interior. Distribuio entre Capital e Interior Regio Proporcional por Capital e Interior Erro Norte Capital Interior 130 70 9 12 Nordeste Capital Interior 110 85 9 11 Sudeste Capital Interior 335 310 5 6 Sul Capital Interior 70 130 12 9 Centro- -Oeste Capital Interior 110 90 9 10 Total Capital Interior 755 685 4 4 Gnero 49% 51% Classe socioeconmica Entrevistados Entrevistados Entrevistados Entrevistados EntrevistadosNvel Educacional 61% 14% Superior incompleto Mdio Fundamental Saber ler/primrio Superior completo 38% 49% 5%8% ClasseA ClasseB ClasseC ClasseD 21% 3% 1% As entrevistas foram realizadas entre os dias 16 de setembro e 16 de outubro de 2013, em pontos de grande fluxo de pessoas 15. 2928 Metodologia da pesquisa Realizaram-se trs grupos presenciais dois em So Paulo e um no Rio de Janeiro com jovens das classes C e D, divididos em duas faixas etrias: de 16 a 19 anos (idade representativa da fase final do colegial e preparatria para o vestibular) e de 20 a 24 anos (perodo em que o jovem provavelmente est inserido no mercado de trabalho, matriculado em alguma instituio de ensino superior). Recrutados pelo Ibope Inte- ligncia, que conta com uma diretoria especial para projetos qualitativos, a amostra contemplava um mix de homens e mulheres e de repertrio de uso da internet (que considerava se o jovem usa ou j usou a internet para empreendedorismo, ativismo, educao e aprendizagem e para o dia a dia em entretenimento, redes sociais etc.). Discusses presenciais So Paulo 2 Grupos Rio de Janeiro 1 Grupo Classes Partindo da premissa de que um grupo social reproduz as relaes e papis desem- penhados por seus participantes individualmente, foram organizadas discusses em grupo (focus groups) presenciais e online. Conduzidas por um moderador a partir de um roteiro previamente traado pelos realizadores, as discusses tinham como obje- tivo ir alm da projeo estatstica dos resultados, (fornecida pela etapa quantitativa), e identificar traos culturais e contedo social. A fim de abranger os segmentos mais relevantes do pblico pesquisado, os focus groups foram compostos por entre 7 e 9 participantes, selecionados de modo a privilegiar a diversidade. grupos GRUPO PRAA IDADE CLASSE TIPO 1 SP 16 a 19 anos CD Presencial 2 SP 20 a 24 anos CD Presencial 3 RJ 16 a 19 anos CD Presencial 4 SP 20 a 24 anos AB Online 5 RJ 16 a 19 anos AB Online 6 RJ 20 a 24 anos AB Online 6 So Paulo Rio de Janeiro Etapa qualitativa Focus groups durao 16 a 19 anos Idade representativa da fase final do colegial e preparatria para o vestibular. 20 a 24 anos Idade em que o jovem provavel- mente j est inserido no merca- do de trabalho, fora do colgio e em uma faculdade. 16. 3130 Metodologia da pesquisa Foram analisados os hbitos de uso e navegao na internet de 10 jovens de diferen- tes estados do Pas, que tiveram o software E-meter, do IBOPE E-Commerce, instala- do em seus computadores. Capaz de coletar e armazenar informaes de navegao, o E-meter permite mapear diversas maneiras e finalidades de uso da internet, em diversos momentos do dia a dia. Aps o perodo de coleta, foram realizadas mini entrevistas com os participantes, vi- sando identificar os motivos por trs do comportamento mapeado. As entrevistas fo- ram realizadas online e por Skype. Embora os dados coletados pelo E-meter e na en- trevista em profundidade no tenham representatividade estatstica e no possam ser extrapolados para a populao, eles cumprem o objetivo dessa etapa exploratria. Monitoramento de uso da internet e mini entrevistas A discusso em grupo online segue os mesmos princpios, objetivos e dinmica das rea- lizadas presencialmente, a diferena se d de forma mais subjetiva, especialmente por se estabelecer uma dinmica em que todos contribuem simultaneamente. Esse fator, alm de tornar o grupo mais rpido, tambm deixa os participantes mais vontade, per- mitindo que os mais tmidos contribuam mais do que fariam em uma discusso. Foram realizados 3 grupos online: dois no Rio de Janeiro e um em So Paulo, apenas com jovens das classes A e B, considerando que tm maior acesso a computadores e mais familiaridade com ferramentas online, o que permitiria uma facilidade no re- crutamento e maior qualidade do material final. A distribuio de faixas etrias e o mix entre homens e mulheres e repertrio de uso da internet seguiram os mesmos critrios adotados para os grupos presenciais. O recrutamento prvio foi realizado pelo painel de internautas do Conecta (painel de internautas do Ibope Inteligncia que conta com aproximadamente 130 mil usu- rios cadastrados), e os selecionados passaram pela aprovao do Ibope Inteligncia. Cada grupo teve de 6 a 8 participantes, com durao mdia de uma hora e meia. Discusses online So Paulo 1 Grupo Rio de Janeiro 2 Grupos Classes durao 10Jovens monitorados 17. 3332 Metodologia da pesquisa Empreendedorismo Educao e Aprendizagem Comportamento Ativismo O Questionrio Eixos temticos da pesquisa 142 25 perguntas fechadas minutos de durao, em mdia 5blocos temticos, ligados aos pilares da pesquisa. Confira o questionrio completo no captulo 9 Realizadas individualmente, as entrevistas em profundidade com especialistas tinham como objetivo aprofundar assuntos complexos e promover o entendimento de ideias, percepes e opinies. Foram ouvidos oito especialistas antenados com os temas da pes- quisa e as perspectivas por eles apresentadas ilustram uma srie de apontamentos feitos com base nos dados quantitativos, apresentados ao longo desta publicao. As entrevis- tas tiveram, em mdia, uma hora de durao. Monica Galiano Ativismo Consultora em Voluntariado Corporativo. Serginho Groisman Comportamento Jornalista, apresentador de programa de TV voltado para jovens. Rafael Parente Educao Assessor do movimento Todos pela Educao e representante do GELP no Brasil, fundador do LABi e Aond. Rodrigo Nejm Comportamento Diretor de Educao da SaferNet Brasil. Cynthia Serva Empreendedorismo CoordenadoradoCentrode EmpreendedorismoeInovaodoInsper. Marcia Padilha Educao Especialista em Educao e tecnologias, cofundadora do Laboratrio de Experimentaes Didticas (LED). Pamella Gonalves Empreendedorismo Gerente de Pesquisa e Mobilizao - Endeavor Brasil. Entrevista em profundidade com especialistas Felipe Altenfelder Ativismo Ativista do Fora do Eixo e cofundador da Mdia Ninja. Perguntas feitas face a face e preenchidas in loco a partir de um tablet. 18. 3534 Metodologia da pesquisa Para caracterizar o repertrio de uso da internet pelos entrevistados, foi aplicada a mesma lgica para criar uma escala para questes que mediam a frequncia com que os jovens realizavam diferentes atividades: Desta forma, a avaliao de suas mdias enquadrava os jovens nos seguintes perfis: Aps aplicar os pesos para cada afirmao, foi extrada uma mdia que quantifica o nvel de concordncia (envolvimento com o tema) do jovem ao utilizar a internet com base em suas atitudes frente aos assuntos abordados. Desta forma, o envolvimento dos jovens com cada tema foi determinado a partir da avaliao de suas mdias: Atitude/Comportamento 0 50 Baixo envolvimento 51 75 Mdio envolvimento 76 100 Alto envolvimento Atitude/Comportamento 0 50 Exploradores iniciantes 51 75 Exploradores intermedirios 76 100 Exploradores avanados Atitude/Comportamento 1 Mais de uma vez ao dia 2 Todos os dias ou quase todos os dias 3 Pelo menos uma vez por semana 4 Pelo menos uma vez por ms ou menos 5 Nunca Atitude/Comportamento 0 6 Detratores 7 8 Neutros 9 10 Promotores Indicadores Pesos diferentes foram aplicados para cada ponto da escala, com o objetivo de enqua- drar uma atitude ou comportamento da dimenso mais negativa, de menor concordn- cia, a mais positiva, com maior ndice de concordncia. Os grupos foram criados a partir da lgica do Net Promoter Scofe (NPS), como detalhado na tabela abaixo: O uso de internet e outras tecnologias de comunicao melhora o relacionamento e a troca de conhecimento entre os alunos? Discorda Totalmente Concorda Totalmente 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Como os jovens se comportam de maneira diferente e tm motivaes diferentes na internet, foram criados indicadores para cada um dos quatro blocos que represen- tam os pilares da pesquisa (educao e aprendizagem, ativismo, empreendedorismo, comportamento). Para determinar as diferentes atitudes, os jovens responderam questes elegendo uma escala de concordncia/discordncia, como a do exemplo abaixo: 19. 3Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem 20. 3938 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem das residncias ainda no tm acesso internet dos domiclios brasileiros tm pelo menos um computador 60% 48,1% BRASIL E REGIES: posse de computador no domiclio BRASIL 51,8% 48,1% N 64,7% 35,3% CO 45,3% 54,7% NE 60,0% 39,6% S 46,5% 53,5% SE 45,3% 54,6% Fonte: SIPS/Ipea Sim No Para entender o comportamento dos jovens conectados brasileiros, importante conhecer o contexto nacional: milhes de jovens de 18 a 24 anos da populao brasileira 22,5 11,7% O menor ndice de posse de computador encontrado no Norte: 54,6% 35,3% O maior ndice de posse de computador encontrado no Sudeste: Formas e faces do acesso Fonte: Pesquisa Econmica Aplicada IPEA 2014 21. 4140 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Quando observamos a distribuio do acesso internet pelo Pas, destacam-se alguns fatores sociais: 10%44% 40,7% 20,7% 29,2% 42,9% 51,5% 59,6% 4,3% 14,1% 8,7% CO N NE S SE Segundo o Instituto de Pesquisas Econmicas Aplicadas (IPEA) as principais razes para a ausncia de conexo internet nos lares brasileiros so: no tm computador em casa no sabem usar a internet no dispem de renda para contratar o servio no tm necessidade ou interesse 97% A 6% D + E Lares conectados internet O Brasil o 4 colocado no ranking latino-americano de domiclios com acesso inter- net, ficando atrs do Uruguai, da Argentina e do Chile. das famlias Dos lares Nas Classes Na zona ruralnos centros urbanos Nas REGIES dos lares Fonte: CETIC.br. TIC Domiclios, 2012 Fonte: IPEA 10,2% Banda larga via rdio tecnologias de acesso internet Utilizadas no brasil Quando analisamos as diferentes tecnologias de acesso in- ternet, fica evidente a predominncia do uso da infraestrutura de TV a cabo de telefonia fixa o que aponta para os ganhos propiciados pela convergncia tecnolgica entre os diferentes servios de comunicao prestados no Pas. 18,3% 32,8% 23% 3,6%Outra forma de acesso 1,5%Linha discada 10,6% Banda larga via satlite Modem de telefonia mvel Banda larga via linha telefnica (DSL) Banda larga via TV a cabo Fontes: TIC Domiclios 2012 CGI.br; SIPS/IPEA 3.2% 0.9% 1.3% 7.1% 3.9% 12.1%12.9% 11.3% 24.4% 5.2% 31.9% 54.8% 17.7% 13% 15.4% 19.8%19% 17% 37% 22% 25.9% 9.7% 36.7% 5.5% 42% tipo de acesso internet por regio Outra forma de acesso Linha discada Banda larga via satlite Banda larga via rdio Modem da telefonia mvel Banda larga via linha telefnica (DSL) Banda larga via Tv a cabo 9.5% 15.4% 6.7% 10.8% S NE N CO SE 0.6% 6.3% 0.8% 22. 4342 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem O uso preferencial do computador de mesa para o acesso internet elevado na classe C (35%) provavelmente est correlacionado impossibilidade financeira de aquisio no apenas de aparelhos (celulares, notebooks, netbooks, tablets), mas tambm dos planos de acesso. Por esse motivo, os jovens desta classe socioeconmica comparti- lham mais as possibilidades familiares de acesso coletivo com os pais, irmos e outros membros da famlia. Contemporaneamente, pesquisadores de diferentes pases se debruam sobre as anlises do fenmeno da participao dos celulares na construo da identidade dos jovens, de ambos os sexos. Consuelo Yarto W. aps extensa reviso da literatura in- ternacional concluiu que quatro fatores predominam na construo da identidade dos usurios de telefones celulares: (Yarto, 2009, p.87) No caso especfico do segmento juvenil, o telefone celular confere reconhecimento e ajuda a projetar a individualidade, o estilo de vida e o senso de moda de seu dono, convertendo-se em texto cultural. Yarto afirma que a maior relevncia no papel do celular mediar os processos de construo do eu tanto nas relaes presenciais quanto nas interaes desenvolvidas no espao virtual. O papel do celular na construo da identidade do jovem: O celular um elemento que se integra aparncia visual O celular promove e possibilita desenvolver uma personalidade autnoma e independente O celular um mediador do processo de construo do self O celular um smbolo para a construo de identidades coletivas Utilizao de Telefonia mvel no brasil 29,2% 15,5% 16,3% 39% Todos os Moradores de 50% at 99% dos moradores At 49% dos moradores Ningum O celular como instrumento de democratizao do acesso O telefone celular o equipamento preferencial de acesso internet. A conexo inter- net via celular intensamente utilizada por jovens de todas as classes socioeconmicas: A (86%), frente aos das classes B (75%), C (69%) e D (54%). Vejamos o grfico abaixo: Na mdia nacional, os jovens declaram utilizar 2,07 equipamentos diferentes para acessar a internet. Uso de equipamentos de acesso internet Aparelho tocador de MP3 (iPod) TV Tablet Computador porttil (notebook, netbook, laptop) Computador de mesa Celular 3% 4% 16% 51% 62% 71% Equipamentos de acesso mais frequente internet 3% 22% 33% 42% Tablet Computador porttil (notebook, netbook, laptop) Computador de mesa Celular Entre os Jovens, 42%afirmam que o equipamento mais usado para acesso internet o celular. 23. 4544 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Para os jovens internautas pesquisados, independentemente de gnero, idade e clas- se social, a internet acessada tanto pelos computadores de mesa (desktops), quan- to pelos celulares. Mas para esses jovens, o celular aparece como opo preferencial por permitir a conexo internet a toda hora e em qualquer lugar. Vejamos algumas falas dos jovens da pesquisa: Dispositivos e modalidades de acesso internet Mas os computadores de mesa apresentam vantagens em relao aos celulares para alguns tipos de uso. Por exemplo, usos que exigem maior qualidade ou tempo de co- nexo, como pesquisas mais extensas, downloads de contedo, acesso a softwares, filmes, vdeos e jogos. Celular s para rede social e no computador srie, software, pes- quisa, trabalhos para a escola. Computador em casa mais para sries ou para pesquisas maiores. Pelo computador mais fcil ler e assistir sries do que pelo celu- lar. O celular para pesquisa rpida, mapas e rede social. Acho que hoje em dia mais o celular. mais acessvel para todo mundo.Opessoalestmaisligadonessacoisadeficartodahora,todo momento... Nessa coisa de querer saber o que est acontecendo. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro O acesso domstico internet o mais significativo para o jovem internauta, tanto entre aqueles que somente estudam como para os que j esto no mercado de tra- balho. Porm, revelou-se ainda mais expressiva no caso de quem nem estuda nem trabalha (89%) e dos que estavam desempregados ou procurando emprego no mo- mento da entrevista (82%). Observaram-se relativamente poucas diferenas estatsticas no comparativo entre gne- ros. Porm, as diferenas identificadas entre as faixas etrias foram mais significativas. A residncia como local de acesso mais frequente Locais de acesso internet 1% 1% 3% 4% 4% 4% 10% 73% Casa de outras pessoas Locais pblicos de acesso gratuito Outros locais de ensino Escola Locais pblicos de acesso pago (lan houses) Outros locais Trabalho Residncia Residncia 73% 24. 4746 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem #pelonotebook #pelotablet Os jovens acessam a internet por meio de computadores portteis: O uso de notebooks em casa maior entre os jovens dos nveis mais bsicos de escolaridade: Os jovens acessam a internet por meio de tablets: em suas prprias casas dos jovens de ensino mdio dos jovens de 16 e 17 anos dos jovens de 18 e 24 anos em outros locais jovens do ensino superior em seu local de trabalho 89% 90% 6% 84% 5% 29% 4% Estes dados podem estar correlacionados s polticas e iniciativas recentes de introdu- o dos tablets nas escolas brasileiras de ensino fundamental. Assim, para os jovens do ensino fundamental, o acesso internet via tablets foi identicamente significativo para a escola e para a prpria residncia. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro O uso de tablets na escola maior entre os mais jovens. Em geral, o celular tambm o dispositivo preferido para o acesso a aplicativos de localizao geogrfica, altamente utilizados pelos jovens entrevistados. Para o conjunto de jovens pesquisados, o celular tem preferncia em relao ao com- putador de mesa pela convenincia da mobilidade e possibilidade de uso e conexo em todos os lugares. Porm, para os jovens internautas das classes C e D, o celular tem custo elevado quando utilizado para tarefas e operaes mais demoradas. Para tais casos, esses jovens preferem o uso de computadores de mesa. Para os jovens internautas pesquisados, tambm de forma independente de gnero, faixa etria e classe socioceconmica, a internet utilizada principalmente para inte- ragir nas redes sociais, com grande predominncia do Facebook, seguido pelo Twitter. Outra atividade citada baixar sries. O compartilhamento de acesso internet via computadores de mesa com vizinhos, amigos e parentes mostrou-se mais relevante para os nordestinos (5%), exibindo idn- ticos valores de participao tanto nas capitais, quanto no interior. S para coisa de urgncia uso a internet no celular, porque de crdito. Ento, s de urgncia mesmo. Agora se eu quiser ficar navegando, vou navegar de verdade no computador. Antigamente, voc queria se locomover e no conhecia o endereo. Tinha de ligar no 156 (SPTrans). De- mora... Placa de rua, meu Deus! Ao invs de te ajudar, atrapalha! No Google igualzinho na vida real, voc consegue ver sua casa. O computador s quando a gente vai acessar algum site que o celular no suporta. Celular s para rede social e no computador srie, software, pesquisa, trabalhos para a escola. Com o GPS no celular hoje em dia no tem como se perder. Geralmente, quando estou em casa e outra pessoa est usando o computador, eu assisto filme, vdeo no YouTube, novela. Em suas prprias casas Na escola Em outros locais de ensino Em seu local de trabalho Em outros locais 5% 4% 3% 6% 82% 25. 4948 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Jovens acessam a internet por meio de seus celulares: Em todas as macrorregies brasileiras, a concentrao de uso de celular para acesso internet mostrou-se significativamente mais relevante para os moradores do interior do que para as capitais, exceto para o Nordeste, onde so praticamente equivalentes. Considerando que a maior parte dos professores no permite o uso de celulares em sala de aula, os porcentuais de acesso internet por esse dispositivo so extremamen- te baixos nas escolas. #pelocelular Em suas prprias casas Em seu local de trabalho Em outros locais Na escola Em outros locais de ensino Nas casas de outras pessoas Em locais pblicos de acesso pago 12% 10% 7% 4% 2% 1% 63% So os jovens da classe D que proporcionalmente mais acessam a internet via celulares a partir do prprio domiclio (76%). em casa em casa em casa na escola na escola em outros locais no local de trabalho em outro local de ensino no local de trabalho 77% 82% 81% 12% 7% 15% 11% 11% 4% Jovens que estudam e trabalham usam tablets: Jovens que apenas estudam usam tablets: Jovens que apenas trabalham usam tablets: 7% 10%Nordeste 2%Centro-Oeste 1%Sul ACESSO internet nas escolas 10%Sudeste Mdia nacional Acesso internet nas escolas Quando analisamos a utilizao de tablets por tipo de ocupao 26. 5150 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem A pesquisa revelou que as atividades realizadas na internet que mais atraem a juven- tude conectada brasileira so aquelas ligadas comunicao interpessoal. Comunicao interpessoal, redes sociais e e-mails Atividades de comunicao executadas pela juventude conectada brasileira 35% 37% 17% 7% 4% 58% 32% 7% 2% 1% 45% 29% 9% 4% 13% 6% 12% 12% 11% 59% 12% 15% 13% 9% 51% Acessa contas de redes sociais Verifica e-mail Conversa atravs de mensagens instantneas Participa de fruns de discusso Cria/Atualiza blogs e pginas na internet Todos os dias ou quase todos os dias Pelo menos uma vez por semana Pelo menos uma vez por ms ou menos No faz Mais de uma vez ao dia O que os jovens fazem com e na internet 37,3% Atividades de comunicao 1 8,1% Comrcio eletrnico 5 8%Governo eletrnico 6 7% Transaes financeiras 7 28,1% Educao e aprendizado 4 29,6% Atividades de lazer 2 28,7% Leitura de jornais e revistas; busca por informaes 3 Atividades mais praticadas acesso a redes sociais conversas por mensagens instantneas troca de e-mails At 90% dos jovens fazem uma dessas atividades mais de uma vez ao dia, diariamente ou quase todos os dias Atividades menos praticadas participar de fruns de discusso criar ou atualizar websites e blogs As principais atividades desempenhadas pelo jovem internauta brasileiro so: 27. 5352 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Outra atividade bastante disseminada entre os jovens criar e/ou postar contedos digitais como msica, imagens, vdeos, fotos e filmes: 48% o fazem mais de uma vez ao dia, diariamente ou quase todos os dias 24% o fazem pelo menos uma vez por semana. O segundo grupo de atividades mais popular entre os jovens o de lazer e entreteni- mento, assistir filmes, sries e programas de TV, alm de ouvir msica e fazer download de msicas, filmes, vdeos, textos e jogos so alguns dos jeitos que os jovens passam tempo na rede. A maioria dos jovens conectados brasileiros declarou praticar essas aes mais de uma vez ao dia, diariamente ou quase todos os dias. Atividades de lazer e entretenimento Atividades de lazer e entretenimento executadas pela juventude conectada brasileira Assistir filmes, sries e programas de TV, ouvir msica Baixar contedo da internet (download de msica, filmes, vdeo, texto, jogos etc.) Acessar sites de revistas Ler livros digitais Jogar games/ Jogos eletrnicos Criar e/ou postar contedos digitais (msica, imagens, vdeo, fotos, filmes etc.) Todos os dias ou quase todos os dias Pelo menos uma vez por semana Pelo menos uma vez por ms ou menos No faz Mais de uma vez ao dia 20% 26% 37% 7% 10% 20% 34% 28% 10% 8% 5% 13% 16% 11% 55% 55% 31% 24% 9% 19% 17% 23% 33% 18% 9% 17% 13% 6% 13% 13% Atividades mais praticadas assistir filmes, sries e programas de TV postar msicas, vdeos e outros contedos digitais fazer downloads Atividades menos praticadas acessar sites de revistas ler livros digitais jogar games 28. 5554 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Na quarta posio de importncia relativa entre as atividades mais frequentes est o grupo das aes educao e aprendizagem. Pesquisas para estudos e trabalhos da escola ou da faculdade so atividades praticadas mais de uma vez ao dia, diariamente, ou quase diariamente por 43% dos jovens entrevistados. J buscar informaes onli- ne sobre cursos revelou-se prtica cotidiana, ou quase, para cerca de 1/3 dos jovens brasileiros conectados. Observa-se que a internet consolida-se como importante suporte para a consulta es- colar pelo jovem brasileiro conectado, tanto para a realizao de pesquisas, tarefas e trabalhos, quanto para a obteno de informaes sobre cursos e atividades educati- vas e de capacitao. A prtica de realizao de cursos online j uma realidade pre- sente no cotidiano da juventude brasileira conectada e aponta para uma tendncia (22% declara fazer ou ter feito). Educao e aprendizagem Atividades de educao/capacitao executadas pela juventude conectada brasileira Todos os dias ou quase todos os dias Pelo menos uma vez por semana Pelo menos uma vez por ms ou menos No faz Mais de uma vez ao dia 15% 28% 24% 9% 24% 10% 21% 25% 24% 20% 3% 7% 8% 78% 4% Atividades de obteno de informaes,suporte e servios executadas pela juventude conectada brasileira Todos os dias ou quase todos os dias Pelo menos uma vez por semana Pelo menos uma vez por ms ou menos No faz Mais de uma vez ao dia 40% 26% 25% 5% 4% 11% 22% 29% 18% 20% 11% 16% 13% 9% 51% 32% 19% 22% 20% 7% 18% 31% 24% 10% 17% 11% 11% 22% 22% 34% Faz pesquisas na web sobre informaes em geral Acompanha blogs (jogos, moda, decorao etc.) Acessa sites de notcias Utiliza servios de localizao (mapas, navegao, pesquisas de local etc.) Baixa e instala softwares/P rogramas de computador Utiliza servios online Busca de informaes Entre os jovens, pesquisar informaes em geral, buscar suporte ou servios online o terceiro grupo de atividades realizadas na internet na escala de importncia relativa. Atividades mais praticadas pesquisas sobre informaes em geral acesso a sites de notcias. uso de servios de localizao Atividades menos praticadas uso de servios de internet banking, e-gov* acesso a blogs de temas variados baixar e instalar softwares e outros programas de computador * vale lembrar que a maior parte dos jovens entrevistados ainda no tem independncia financeira. Pesquisava web para a escola/Faculdade Faz curso a distncia (online) Pesquisa informao sobre cursos 29. 5756 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Todos os dias ou quase todos os dias Pelo menos uma vez por semana Pelo menos uma vez por ms ou menos No faz Mais de uma vez ao dia Atividades de comrcio eletrnico executadas pela juventude conectada brasileira. 54% 30% 17% 19% 22% 12% 26% 9% 7% 4% Para os jovens adolescentes pesquisados, independentemente do gnero, idade ou classe socioeconmica, o convvio cotidiano e mltiplo com a internet traz, para alm das vantagens da sociabilidade das redes sociais, da comunicao e do entretenimento, muita praticidade, principalmente para auxiliar na realizao de pesquisas escolares, na localizao geogrfica e na busca por emprego. Conectividade e empoderamento: #soupoderosoquandoestouconectado No precisa sair e pegar o nibus para procurar emprego. Antes voc saa com o currculo embaixo do brao, ia no centro e via onde estava precisando. Hoje, voc cadastra seu perfil todinho pela internet muito bom. Geralmente, quando vamos para algum lugar, combinamos pela internet, procuramos preos, localizao, crticas, ao invs de ficar batendo perna procurando. Ficou tudo mais fcil. Por exemplo: eu demorava horas pesquisando nos livros pra fazer os trabalhos da escola. Hoje em dia s jogar na internet que voc j acha o que voc procura. Eu lembro que eu ia na biblioteca da escola, escrevia em uma folha de almao e fazia trabalho e prova. Agora no. Est tudo acessvel. Est l disposio, no preciso ir at a biblioteca ou vir aqui at a livraria. Pela internet eu posso baixar todos os livros da livraria tambm. Na escola, para fazer trabalho, no ir mais na biblioteca...Voc baixa e j est ali para voc. Eu, na faculdade, baixei todos os livros pela internet. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Finalmente, entre todas as categorias de prticas online, a do comrcio eletrnico foi a que se revelou proporcionalmente menos relevante para o jovem brasileiro conec- tado. Mas importante observar que 46% deles declararam realizar tal atividade, e destes, 26% afirmam faz-lo uma vez por ms pelo menos. Este fato indica uma ten- dncia que deve ser observada. Comrcio eletrnico 81% dos jovens pesquisam preos de produtos e servios na internet 22% deles declaram fazer isso todos os dias 30% deles o fazem semanalmente Compra de produto e servios pela internet Pesquisa de preos de produtos e servios pela internet 30. 5958 Principais achados: #oqueosjovensconectadosfazem Paraosjovensinternautas,oacessointernetcontribuiaindaparaconheceroutrasculturas. Na escola, para fazer trabalho, no ir mais na biblioteca...Voc baixa e j est ali para voc. Eu, na faculdade, baixei todos os livros pela internet. Eu lembro que eu ia na biblioteca da escola, escrevia em uma folha de almao e fazia trabalho e prova. Agora no. Est tudo acessvel. Est l disposio, no preciso ir at a biblioteca ou vir aqui at a livra- ria. Pela internet eu posso baixar todos os livros da livraria tambm Eu lembro que eu ia na biblioteca da escola, escrevia em uma folha de almao e fazia trabalho e prova. Agora no. Est tudo acessvel. Est l disposio, no preciso ir at a biblioteca ou vir aqui at a livra- ria. Pela internet eu posso baixar todos os livros da livraria tambm. Geralmente mais fcil conhecer outras culturas tambm pela internet. Eu acabei conhecendo o K-pop, que um pop coreano, que hoje uma febre principalmente aqui em So Paulo. Voc pode conhecer lugares sem ir. Voc vai pesquisar no Google... Voc vai conhecer coisas que voc nem imaginava que existia. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Importante notar que as possibilidades de busca, acesso e apropriao da infor- mao na realizao de pesquisas escolares so fortemente percebidas e valo- rizadas por parte do jovem internauta. Vale destacar que as ferramentas de busca da informao oferecem mltiplas opes que facilitam o trabalho do estudante e, ao mesmotempo,permitemaoprofessoridentificaraautenticidadeeaautoriadostextos produzidos por seus alunos a qualidade no processo de formao e desenvolvendo ha- bilidadesenovosconhecimentos.Issogaranteaspossibilidadesdocomrcioeletrnico tambm surgem valorizadas nos discursos do jovem internauta brasileiro pesquisado. O acesso informao, que instantneo, tambm mais diversificado. Eu no preciso mais da MTV pra conhecer uma banda nova, ou esperar a TV passar os gols, por exemplo. Tenho acesso a diversos contedos, sejam eles parciais e imparciais, sendo eu o principal encarregado de apurar as informaes. O modo como eu me informo bastante diferente do que simplesmente me sentar em frente TV e aceitar todo aquele contedo. Pela internet, voc precisa buscar pela informao, apurar fontes e tudo mais. Acredito que eu realmente sou informado, diferente do que seria se fosse apenas pela TV. Na minha poca sem internet (ensino fundamental e mdio), o acesso s informaes se restringia quilo que a sua escola tinha a oferecer. Hoje, voc pode ter acesso a artigos, livros e afins de uma ma- neira bem mais facilitada que antes, alm de poder baixar, copiar e enviar materiais para outras pessoas com muita facilidade. A facilidade para acessar servios e obter informaes. Nem imagino como teria sido fazer faculdade sem a comunicao com os demais colegas, professores e acesso a informaes. interessante constatar ainda que especialmente para os jovens internautas das classes socioeconmicas C e D que participam da pesquisa, um certo fascnio por ou- tras culturas, como a coreana lhes chegam especialmente atravs da internet. Essas informaes pelas novelas, msicas e games e que, inclusive, chegam a despertar o interesse pelo aprendizado de lnguas estrangeiras. Tambm as possibilidades do comrcio eletrnico surgem valorizadas nos discursos do jovem internauta brasileiro pesquisado. que agora, por exemplo, ao invs de ir a uma loja e comprar algo que voc precisa, voc faz a compra pela internet pela praticidade e as vezes, porque at mais barato. Amizade tambm. Ao invs de se reu- nir para conversar, voc pode fazer isso pelas redes sociais. 31. 4Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada 32. 6362 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada A importncia relativa da classificao socioeconmica deve ser entendida em um contexto ampliado de influncias, para alm das meras questes financeiras. Mais do que a diferena nos ndices de posse e de acesso s tecnologias de informao e comunicao, elas tambm revelam comportamentos diferentes, construdos a partir das desigualdades culturais e scio-histricas entre os diferentes status sociais da populao brasileira em especial no que diz respeito Educao e ao trabalho. Alm disso, as diferenas regionais na oferta de infraestrutura e, consequentemente, da qualidade e preos dos servios, contribuem para restringir o jovem de menor con- dio socioeconmica do consumo digital, limitando o nmero de horas disponveis para a navegao e tambm a frequncia com que realizam certas atividades digitais chegando a inviabilizar as que requerem maior tempo e qualidade de conexo, como, por exemplo, fazer downloads de filmes e vdeos. Para algumas prticas e atividades, a correlao com a classe socioeconmica sur- ge transparente e direta. Em outros casos, porm, tais correlaes podem parecer menos bvias, considerando que tratam de servios e ferramentas que poderiam ser facilmente acessadas a partir de dispositivos mais simples e de ferramentas e aplicativos de acesso grtis. De modo geral, quanto mais alto o status social do jovem, maiores e mais frequentes so os seus nveis de utilizao das diferentes ferramentas da web. A mediao da classe socioeconmica Rafael Parente Esta pesquisa mostrou que as classes A e B fazem um uso diferente das tec- nologias do que as classes C e D. As classes A e B usam as novas tecnologias para se informar, buscar emprego, pagar contas. As classes C e D usam a in- ternet para acessar redes sociais, jogos, bater papo com os amigos.... No captulo 3 vimos que a posse, o acesso, o uso e as apropriaes das tecnologias de informao e comunicao pelos jovens internautas brasileiros mostram-se produtos da influncia de mltiplas e simultneas mediaes. Para avaliar o papel mediador e a importncia relativa de cada uma dessas condicionan- tes da conectividade e da interatividade dos jovens internautas brasileiros, a pesquisa aplicadaa1.440internautasdetodooPasincluiuumconjuntode22questesiniciaisso- bre os dispositivos que os jovens mais utilizam para acessar a internet e como a utilizam. importante ressaltar que esse mesmo conjunto de perguntas foi utilizado para selecio- nar a amostra, eliminando dela os jovens que no apresentassem atividade digital mini- mamente representativa nos dois meses que antecederam a realizao da pesquisa. *Para estes casos, os vieses analticos seguem principalmente a oferta de infraestrutura de acesso s tecnologias de informao e comunicao (TIC), sem perder de vista os aspectos socioculturais, demogrficos e correlacionados ao desenvolvimento histrico e econmico das diferentes regies brasileiras. Confira o questionrio completo no captulo 9 gnero ocupao nvel de escolaridade regio geogrfica* faixa etria classe socioeconmica metropolizao/ urbanizao* 33. 6564 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada De um modo geral, diversos estudos e pesquisas relativas ao comportamento ju- venil apontam que Elas tendem a serem mais ativas, participantes e engajadas em atividades de comunicao e relacionamento do que Eles o que, no entanto, no se mostrou verdadeiro nesta pesquisa. Uma das provveis razes que o foco deste estudo so as aes mediadas por prticas digitais assncronas (sem sincronia de tempo, como fruns e mensagens de texto). Portanto, no se abordam comporta- mentos relacionais diretos como, por exemplo, conversao telefnica, na qual se- guramente pelo que se sabe a partir de outras investigaes as jovens costumam superar os rapazes de mesma faixa etria. Interessante observar, portanto, que o conjunto de dados apurados nesta pesquisa ten- de a revelar novas facetas do jovem internauta do sexo masculino, que chega a superar as jovens em terrenos antes reconhecidamente dominados por elas, como os do rela- cionamento social e o das compras. Eles = Elas acesso a redes sociais acesso a e-mails, criao e acesso a blogs e websites pesquisa de preos Eles > ElaS downloads de filmes e vdeos instalao de softwares games compras online uso de servios de mensagens instantneas participao em fruns de discusso busca por informaes uso de servios online Elas > EleS acesso a sites de revistas criao e postagem de contedos Prticas que tm correlao direta com a classe socioeconmica comrcio eletrnico servios de localizao downloads servios online, principalmente os bancrios Prticas sem correlao bvia com a classe socioeconmica contas em redes sociais e-mails participao em fruns de discusso criao e atualizao de blogs pesquisas na web acesso a sites de notcias e de revistas Nesses casos, mais do que a limitao dos recursos financeiros, so destaque que in- fluenciam os nveis de preparo e de desenvolvimento de aptides para a produo e para a recepo criativa de contedos culturais. As divergncias sociais entre as classes socioeconmicas no que se refere s prticas e frequncias de uso das ferramentas digitais podem ser medidas, nesta pesquisa, tanto pelos ndices de absteno quanto pela intensidade de execuo dessas mes- mas atividades. De modo geral, quanto mais baixa a classificao socioeconmica, mais alto se revelou o ndice de no participao no uso das ferramentas digitais. Corroborando esta cons- tatao, observou-se que, mesmo quando executadas pelo jovem de mais baixo status social, as suas prticas so sempre menos intensas do que as dos jovens de classes so- cioeconmicas mais altas fato que evidenciado por uma maior proporo de jovens das classes mais baixas que afirmam realizar determinadas atividades com frequncia semanal ou mensal. importante ressaltar que tal fenmeno se revelou de maneira generalizada no con- junto das atividades digitais praticadas pela juventude conectada, desde aquelas com maiorpenetraonesteuniversopopulacionalcomooacessoaredessociaisee-mails , quanto para outras sensivelmente menos praticadas por todos os jovens internautas brasileiros pesquisados, como o uso de servios online e comrcio eletrnico. 34. 6766 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada O aspecto social proporcionado pelo ambiente escolar contri- bui decisivamente para a intensificao tanto do acesso quan- to da frequncia de uso das redes sociais. Fenmeno relativa- mente semelhante foi encontrado em relao checagem de e-mails, que adquire valores progressivamente crescentes de acordo com o aumento do nvel de escolaridade. Neste caso, contudo, vale ressaltar que os mais jovens tm substitudo o e-mail por outros canais de comunicao digital, como as redes e os games, sociais. J h alguns anos, o uso de e-mails vem caindo entre os jovens internautas, por ser uma ferramenta considerada cada vez mais morosa, focada em respostas formais, pouco dinmica e sem a atratividade de opes como mensagens instantneas, mensagens de texto e as interaes feitas atravs de redes ou games sociais. Nesse sentido, os jovens acreditam que o e-mail no atende mais as suas expectativas de comunicao e de trocas de men- sagens que, segundo eles, devem ser executadas em formatos e modalidades mais prximos do tempo real, de maneira mais coloquial, gil e informal. Eles buscam, assim, um texto breve, leve, solto e menos gramatical um processo de que contribui para a superficializao das ideias, das mensagens e da prpria expresso das emoes. O e-mail passa, assim, a perder espao na comunicao social e nos relacionamentos, sendo gradativamente confinado s esferas educacional, profissional e comercial, mais exigentes em formalidades, regularidades e processos, como, por exem- plo, no e-commerce. Neste contexto, o e-mail se desajusta como ferramenta de uso prioritrio frente intensidade da vida social da juventude conectada. A mediao do nvel de escolaridade As diferenas entre as faixas etrias consideradas nesta pesquisa ativeram-se ao limite dos 18 anos de idade, maioridade civil e legal no Brasil. Neste sentido, o limite etrio representa o pon- to de transio social para a permisso do acesso a um grande nmero de atividades, tais como abrir e gerir contas bancrias e cartes de crdito, independente dos pais e/ou tutores e res- ponsveis, entre outros. De modo geral, para as atividades e prticas de comunicao no se observaram diferenas estatisticamente significativas entre essas faixas etrias, exceo do uso da ferramenta fruns de discusso, categoria em que mais velhos mostraram uso mais intenso do que entre os mais jovens. A mediao da faixa etria Mais velhos = mais novos acesso a redes sociais acesso a e-mails downloads de filmes e vdeos instalao de softwares Mais velhos > mais novos participao em fruns de discusso cursos online e busca por informaes sobre capacitao e treinamento pesquisa de preos compras online uso de servios de localizao uso de servios online Mais novos > mais velhos pesquisa para trabalhos escolares Jovens com mais anos de estudo > jovens com menos anos de estudo uso de servios de mensagens instantneas participao em fruns de discusso criao e acesso a blogs e websites busca por informaes uso de servios online acesso a sites de revistas downloads de filmes e vdeos acesso a sites de notcias Jovens com menos anos de estudo > jovens com mais anos de estudo games 35. 6968 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada Para todas as demais atividades, prticas e ferramentas digitais investigadas em re- lao ao lazer e ao entretenimento dos jovens, a mediao do nvel de escolaridade mostrou-se significativa e fundamental, denotando que mesmo em se tratando de ati- vidades recreativas, o estudo interfere decisivamente na capacidade de apreenso e desfrute das possibilidades oferecidas no e pelo mundo digital. A nica exceo percebi- dareferiu-seaosgames,naqualosjovensdemenornveleducacionalmostram-semais ativos, intensivos e frequentes do que os de ensino mdio e os universitrios. Quando observamos as prticas relacionadas educao, capacitao e treinamento podemos afirmar que o uso da internet como ferramenta de pesquisa de contedos de interesse escolar fortemente concentrado no estrato superior de ensino, perden- do sua importncia relativa como instrumento de suporte educativo nas categorias de ensino mdio. Situaes que apontam no mesmo sentido foram tambm observadas para a reali- zao de cursos online e busca de informaes sobre cursos. Finalmente, no que se refere ao e-commerce, se confirma a mediao significativa do nvel de escolaridade do jovem internauta pesquisado. Assim, quanto mais elevado o nvel escolar, mais intensas e frequentes revelam-se as prticas de pesquisar preos de produtos e servi- os, quanto as de efetivamente adquiri-los. Internet, escola e juventude desenvolvem uma longa e complexa teia de relaes e interaes entre si, muitas vezes marcadas pelos atritos e interditos, mas tambm pela busca e encontro de novas possibilidades educativas. O ponto mais visvel e pron- tamente identificvel desses aspectos colaborativos est representado no fenmeno, fartamente constatado na pesquisa, de professores que postam aulas e disponibili- zam contedos informativos e tarefas utilizando-se das tecnologias de informao e comunicao (TIC). No entanto, as interaes entre corpos diretivos, docentes e discentes no ambiente escolar sob a mediao da internet no se limitam a trocas de materiais didticos. Muitas vezes, elas incluem relacionamentos extraescolares, media- dos pelas redes sociais, que podem contemplar convites e incentivos participao em mobilizaes sociais e movimentos de rua, como ser visto mais adiante. Defato,diversosrelatosdosjovensinternautaspesquisadosderamcontadoenvolvimen- to de professores e at mesmo de diretores de escola com os alunos pelas redes sociais: Interessante notar que o jovem, a princpio, tende a se mostrar aberto e recepti- vo amizade e ao compartilhamento online de contedos com seus professores e outros membros da hierarquia escolar. Observa-se que o jovem particularmente sensvel s posturas dos professores e de outros profissionais do ambiente educati- vo nas redes sociais, valorizando a disponibilidade deles para orientar e tirar dvidas por e-mail e Facebook. A imagem da escola construda pelos jovens em suas falas mostra diferenas rele- vantes quando se consideram as diferentes classes socioeconmicas, especialmente quando se compara o que dizem aqueles que estudaram em acesso escola pblica e o pblico das escolas particulares. De maneira geral, os jovens das classes A e B de escolas particulares avaliam suas instituies de ensino como ambientes melhor es- truturados e aparelhados para dar suporte incluso e ao uso produtivo das tecno- logias digitais tanto na sala de aula quanto nas relaes educativas de modo amplo, o que inclui o compartilhamento e a realizao de tarefas online ou mediadas pelo computador e pela internet. Alm disso, os professores so mais amplamente citados como elementos disponveis, acessveis e interessados no uso das tecnologias de informao e comunicao (TIC) nas escolas. Nestes casos, a escola foi mais amplamente associada a temas e contex- tos como formao dos sujeitos, tica, cidadania e construo de futuros. A mediao do nvel de ocupao Eu tenho trs professores. Eu tenho at a diretora da escola. E tenho todos meus professores. Eles adicionam a gente. Depende do professor. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 36. 7170 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada No sentido contrrio, interessante observar que para muitos dos jovens internautas das classes C e D a imagem da escola na maioria das vezes associada ludicidade e diverso, muito mais do que educao, aos estudos e ao desenvolvimento pessoal, tico e cidado. Nesse sentido, recorrente a associao da escola a palavras como: divertida, louca, maneira e bagunada. Os jovens adolescentes das classes C e D relataram com frequncia significativamen- te maior que os das classes socioeconmicas mais altas que em suas escolas o uso do celular proibido em sala de aula. Sua utilizao fica restrita aos horrios de intervalo. Houve inclusive registro de atitudes mais drsticas por parte de professores. Pelos relatos dos jovens internautas das classes C e D ouvidos nos focus groups, a ima- gem que emerge da contribuio da escola para as suas respectivas educao e formao restringe-seaopreparoparaavidaprofissional,emespecialcapacitaoparaosexames vestibulares. Poucas referncias constatando-se at mesmo depoimentos em sentido contrriosofeitasquantoaopapeldaescolanaformaodosjovenscidados.Aescola , essencialmente, lugar de aquisio de contedo til para provas acadmicas. Escola essencial, ajuda na nossa formao profissional e psicolgica. Formam a gente como pessoa. Normalmente, os professores usam slides. Os mais velhos tm dificuldade com as tecnologias. A minha professora tira a bateria e coloca o celular em cima da mesa. A escola nos ensina a ter tica e a respeitar o prximo. Nem todas essas coisas d para aprender em casa. Tambm aprendemos a conviver em sociedade. Eu acho que a escola vai muito alm da formao bsica de estudo. Ela ajuda a formar o ser humano como pessoa. Na elaborao da imagem ideal da escola em relao s tecnologias de informao e comunicao, os jovens internautas, de modo geral, no se mostraram muito arroja- dos, sonhadores ou especialmente empolgados com mudanas significativas. Tam- bm eles encontram-se formatados para exigir o mnimo do ambiente que deveria proporcionar grandes transformaes em suas vidas. Na verdade, quando os alunos vo escola, eles no tm conscincia de futuro, de que um dia vo ter uma famlia, que vo precisar desse aprendizado no futuro, para entrar em uma instituio, concorrer USP... Ou que vo precisar fazer uma bela redao, saber muito bem matemtica... Eles no esto nem a. Eu s queria saber de jogar o campeonato da escola. [...] no dei a mnima para muitas matrias que a professora de matemtica passou: preferi bagunar. E, quando eu cheguei faculdade, fiquei vagando na aula. Voc s sente falta quando a vida te mostra, inexplicvel. s vezes, tento conversar sobre isso com meu irmo, mas no adianta. Ele tem 11 anos ainda... Eu s senti falta quando precisei. Eu tive uma professora de fsica, era at interessante. Quando comeou aquela histria de ensinar mat- ria com msica, ela pegou vrios vdeos, fez a gente cantar... E realmente conseguimos aprender. Ento achei bem mais interessante, descontraiu a sala de aula, porque para lidar com adolescente no d pra ser regrado. Se voc descontrair, voc consegue entender com mais facilidade. Um computador no lugar de caderno. Um computador, um tablet. No precisa ser tudo isso, no. S precisa que o Wi-Fi seja melhor. Eu acho que tinha de bloquear as redes sociais e liberar a internet para os alunos. Por exemplo, se voc est no meio da aula e o professor precisa que a gente faa uma pesquisa, podemos faz-la ali mesmo. E voc no vai chegar cansado do colgio, porque leva livro, leva mochila...Tem gente que vai direto do trabalho: eu, por exemplo, saio do trabalho eu vou direto para o colgio. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 37. 7372 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada Norte centro-oeste sul 61% 40% 39% 66% 60%Nordeste Sudeste 63% no interior 60% nas capitais 47% no interior 41% no interior 68% nas capitais 52% no interior 66% nas capitais 66% no interior No comparativo entre regies, foram os jovens que vivem nas capitais do Nordes- te que demonstraram maior intensidade de acesso s redes sociais. Nessa regio do Pas, 66% dos jovens declarara acessar ao menos uma de suas contas em redes so- ciais mais de uma vez ao dia um porcentual registrado tanto entre os moradores das capitais quanto das cidades do interior. A mediao regional: infraestrutura e aspectos socioculturais Parcela dos jovens que acessam redes sociais mais de uma vez por dia 38. 7574 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada 74% 57% 67% 60% dos que vivem no interior do Nordeste dos que vivem nas capitais do Nordeste dos que vivem no interior da regio Norte dos que vivem nas capitais da regio Norte O SMS a ferramenta de comunicao preferida dos jovens das regies Norte e Nordeste: 52% em ambos os casos. Os jovens que menos usam ferramentas para criar e atualizar blogs vivem no Nordeste: 61% deles declara nunca utiliz-las. Nas regies Sudeste e Sul se concentram os maiores ndices de uso dos servios de localizao mais de uma vez ao dia, todos os dias ou quase todos os dias provando que h forte correlao com o aumento da urbanizao e da metropolizao das cidades. servios online Quando analisadas atividades como assistir filmes, vdeos e outros produtos culturais, a frequncia diria ou quase diria mostrou-se relativamente homognea para os jovens de todo o Pas. Contudo, h forte concentrao na regio Centro-Oeste, onde atingiu 44% (42% nas cidades e 48% no interior). Em todas as regies, os jovens do interior assistem mais filmes, vdeos e ouvem msicas pela internet dia- riamente do que os moradores das capitais, o que pode estar relacionado maior oferta e disponibilidade de opes de lazer e entretenimento nessas cidades. 5 2 3 4 6 Comparando as diferentes ferramentas e usos possveis da in- ternet para atividades de comunicao, a juventude conectada brasileira est distribuda segundo o panorama a seguir: E-mail 48% 46% 22% 21% 20% dos que vivem nas capitais do Sudeste dos que vivem nas cidades do interior do Sudeste dos que vivem no Centro-Oeste dos que vivem no Nordeste dos que vivem no SUL Mais de 1x ao dia 1x ao dia ou quase todos os dias todos os dias Nunca semanalmente frequnciacom queos jovens utilizam 1 39. 7776 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada 12% 22% 21% dos que vivem nas capitais do Sudeste dos que vivem no Centro-Oeste dos que vivem no Sudeste A maior concentrao de internautas que acessa sites de notcias mais de uma vez ao dia est nas capitais das regies Sudeste (26%) e Centro-Oeste (24%). Os maiores ndices relativos de leitura diria ou quase diriadee-bookssodosjovensconectadosdointerior da regio Sul (17%) e das capitais do Sudeste (15%). Dentre os jovens que criam contedos digitais mais de uma vez ao dia, a maior concentrao est nas regies Sul (21%) e Sudeste (19%). Nos dois casos a prtica foi verificada mais fortemente nas capitais: 27% e 25%, respectivamente. 9 11 12 baixam e instalam softwares 10 35% 10% 14% 19% 15% 18% dos que vivem nas capitais do Sudeste dos que vivem nas capitais do Sudeste dos que vivem nas capitais do Nordeste dos que vivem nas capitais do Sul dos que vivem nas cidades do interior da regio Sul dos que vivem nas cidades do interior do Sul downloads: sites de revistas 7 8 40. 7978 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada 30% 22% 17% 12% pelo menos uma vez por semana todos os dias ou quase todos os dias pelo menos uma vez por ms ou menos mais de uma vez ao dia 17 que pesquisam preos onlinejogam games 25% 45% 26% 29% 25% 9% 7% 4% 43% dos que vivem nas capitais do Sudeste dos que vivem no Sul dos que vivem no Nordeste pelo menos uma vez por ms toda semana fazem quase todos os dias mais de uma vez ao dia dos que vivem nas capitais DO Norte dos que vivem nas capitais do Centro-Oeste 13 16 54% da juventude conectada brasileira no faz compras de pro- dutos ou servios online. O comportamento observado para os jovens habitantes das regies Sul (66%), Centro-Oeste (64%) e Norte (62%) mostrou expressivo distanciamento dos jovens moradores do Sudeste (48%) e Nordeste (54%). 14 15 fazem compras online No pesquisam preos online 41. 8180 Vetores da pesquisa: #odnadajuventudeconectada As prticas digitais da juventude conectada brasileira parecem revelar um significa- tivo vnculo com o conjunto de valores e sensibilidades decorrentes da urbanizao/ metropolizao das cidades onde vivem esses jovens. Independentemente da clas- se econmica, gnero ou de outras mediaes, a tendncia que os maiores ndices e frequncias da prtica ativa de aes na internet se concentrem entre os jovens habitantes das capitais, das regies mais populosas do Pas. Assim, tais evidncias empricas devem buscar apoio na teoria relativa ao desenvolvimento de um novo sen- sorium, de novas sensibilidades, identidades, hbitos e comportamentos que surgem e florescem na e com a metropolizao da vida. Para Jess Martn-Barbero (2007) , as cidades movimentam estratgias simblicas, que se materializam nos e pelos dispositivos da visibilidade e da vigilncia. Nas ci- dades, somos todos cada vez mais visveis e, tambm, cada vez mais vulnerveis s perseguies vigilantes do poder, cuja expresso mxima encontra-se na internet*. O autor considera ser necessrio romper com a viso imperante que ope dualisti- camente a territorialidade espacialidade**. Assim, torna-se preciso introduzir de- bates sobre novos modos de pensar essas dimenses plurais, na busca de encontrar novas orientaes para a percepo, para a sensorialidade e para a racionalidade, em um mundo no interior do qual as experincias e o conhecimento no podem mais ser percebidos como unificados e unificadores. As cidades trazem consigo novas formas de estar juntos, novas trajetrias e entrecruzamentos, heterogeneidades, diferentes oralidades e intermidialidades. * MARTN-BARBERO, Jess. Novas visibilidades polticas da cidade e visualidades narrativas da violncia. MATRIZes, So Paulo, n.1, p. 27-39, out./2007. p.35-3. ** MARTN-BARBERO, Jess. As novas sensibilidades: entre urbanias e cidadanidas. MATRIZes, So Paulo, n.2, p. 207-215, abril de 2008 p. 208. A mediao da urbanidade e da metropolizao 42. 5Os eixos da pesquisa #focosprioritriosdapesquisa 43. 8584 Os EIXOS da pesquisa Os resultados obtidos sugerem a prevalncia de um panorama constitudo mais pela diversidade de comportamentos e atitudes do jovem brasileiro conectado do que pela homogeneidade e consenso. Conforme vem sendo explorado ao longo de toda a pesquisa, tal ordem de diferenas deve-se, essencialmente, decisiva influn- cia de um conjunto ampliado de mediaes, entre as quais se destacam, como vimos: gnero, classe socioeconmica, nvel de escolaridade, aspectos socioeconmicos e cul- turais da regionalizao e graus de urbanizao e metropolizao, entre outros.A pesquisa sobre acesso, usos e apropriaes das tecnologias de informao e comu- nicao pela juventude conectada brasileira foi estruturada em quatro eixos funda- mentais de investigao: comportamento, educao e aprendizagem, empreende- dorismo e ativismo. Para cada um deles foram elaborados diferentes conjuntos de questes e enunciados, posteriormente submetidos apreciao dos jovens pesqui- sados em campo, e que tiveram como objetivo avaliar atitudes e comportamentos em relao aos assuntos abordados, captando impresses e tendncias. Os principais re- sultados obtidos em cada uma dessas categorias so descritos e comentados a seguir. Para avaliar posicionamentos, valores, comportamentos e atitudes do jovem inter- nauta brasileiro, foi apresentado um conjunto de enunciados para os quais ele foi con- vidado a dar notas variando de zero a dez, expressas da seguinte maneira: Comportamento, educao, ativismo e empreendedorismo: #focosprioritriosdapesquisa #comportamento Notas Concordncia total ou quase total 10 e 9, respectivamente Mais concorda do que discorda 7 e 8 Neutralidade 6, 5 e 4 Mais discorda do que concorda 2 e 3 Discordncia total ou quase total 0 e 1, respectivamente Dentre os pontos com os maiores ndices de concordncia total ou quase total esto: a internet contribui fortemente para aproximar as pessoas (49%) preciso ter cuidado com as opinies expressas na internet (49%) a internet mudou significativamente os hbitos de busca de informao (49%)* temo pela privacidade e segurana de dados pessoais na internet (47%) a internet facilita a prtica de bullying (45%) temo pela privacidade e segurana de dados pessoais na internet (47%) a internet facilita a prtica de bullying (45%) *apenas 3% discordam total ou quase totalmente Dentre os pontos com os maiores ndices de discordncia total ou quase total esto: no costumam trocar informaes pessoais com desconhecidos (42%) as horas gastas na internet no afetam o sono (16%) as compras online no facilitam a vida (21%) 44. 8786 Os EIXOS da pesquisa Curiosamente, apenas pouco mais de 1/3 dos jovens conectados do Brasil concordaram total ou quase totalmente com a colocao de que a internet tenha mudado a forma como as suas atividades de lazer e entretenimento so realizadas. Lembrando, como mostrado anteriormente, que esse conjunto de atividades representa a segunda mais importante categoria de aes desempenhadas pelos jovens conectados inferior ape- nas s comunicaes interpessoais era de se esperar que as respostas neutras ou ne- gativas em relao a essa questo surgissem de maneira menos expressiva. O grfico a seguir elenca, de modo decrescente, os temas sobre os quais os jovens conectados mais utilizam a internet para se informar (a questo permitia eleger mais de uma resposta): Pode-se observar que o interesse despertado pela poltica bastante restrito para o jovem internauta brasileiro, superando apenas o revelado pelo assunto Decorao. Assuntos de interesse Uso da internet para a obteno de informaes %Nenhum desses temas 6% Decorao 20% Poltica 21% Religio 23% Dana 24% Culinria 27% Parques/ reas de Lazer 30% Teatro 31% Arte/Fotografia 31% Literatura 33% Moda 33% Turismo/Viagem 39% Esporte 46% Cinema/Vdeo 60% Msica 76% A internet mudou o meu hbito de buscar informao O uso da internet contribui para aproximar as pessoas Devo ter cuidado em expressar minhas opinies na internet, pois posso no ser bem-visto Tenho medo com relao privacidade e segurana dos meus dados na internet A internet facilita a prtica de bullying A internet mudou a forma como eu realizo atividades de lazer As horas que eu gasto na internet afetam meu sono Costumo trocar informaes pessoais com desconhecidos No se aplica As compras online facilitam a minha vida Comportamento da juventude conectada brasileira 3% 3% 2% 2% 5% 2% 7% 1% 7% 6% 2% 8% 4% 1% 10% 5% 1% 21% 6% 20% 17% 5% 16% 5% 27% 20% 7% 2% 18% 13% 18% 1% 31% 42% 31% 27% 22% 35% 21% 21% 45% 19% 19% 47% 20% 19% 49% 20% 22% 49% 22% 21% 49% Mais discordo do que concordo Neutro Mais concordo do que discordo Concordo totalmente ou quase totalmente Discordo totalmente ou quase totalmente 45. 8988 Os EIXOS da pesquisa Quando questionados sobre o uso da internet para a divulgao, criao e ou pro- duo de eventos e contedos, os jovens conectados brasileiros revelam que seus assuntos ou temas preferidos so, em ordem decrescente de importncia relativa: As trs principais categorias apontadas para a divulgao, criao ou produo de eventos e contedos Msica, Cinema e/ou Vdeos e Esportes coincidem, na mesma ordem, com os temas tambm mais pesquisados pelos jovens conec- tados. De uma maneira geral, os temas sobre os quais os jovens mais intensamente buscam informaes na internet so tambm os mesmos sobre os quais ele costuma divulgar, criar ou produzir eventos/ou contedos, demonstrando uma ordem coe- rente de prioridades de interesses culturais, informativos e recreativos. Ainda nesta mesma direo, a religio ganha maior relevncia relativa na produ- o de eventos e contedos quando comparada com os interesses de pesquisa por poltica do jovem na internet. Cabe destacar que 30% dos jovens pesquisados afirmou no utilizar a internet para divulgar, criar ou produzir nenhuma das categorias de eventos ou contedos apontadas no questionrio. Uso da internet para divulgar, criar, produzir eventos ou contedos %Nenhum desses temas 12% Decorao 12% Poltica 13% Religio 14% Dana 14% 15%Culinria 16%Parques/reas de Lazer 17%Teatro 17%Arte/Fotografia Literatura 18% 20%Moda 25%Turismo/Viagem 30%Esporte 31%Cinema/Vdeo 44%Msica Embora existam diferenas nos valores quantitativos nos ndices observa- dos, no h alterao na ordem de preferncia para os itens Msica, Ci- nema/Vdeo, Esporte e Turismo/Viagem. A nica exceo foi identificada para os jovens do Centro-Oeste, onde o interesse por Moda aparece na quarta posio (com participao porcentual relativa de 41%), superando aqueles revelados para Turismo/Viagem (37%) e para Literatura (35%). Os jovens moradores das regies Norte (29%) e Centro-Oeste (28%) se interessam por Poltica em nveis mais intensos que os das demais regi- es brasileiras. No caso da regio Norte, a participao das preferncias nas capitais eleva-se para 38%*, e no caso do Centro-Oeste na cidades do interior que se observa elevao relativa, com a mesma atingindo re- presentatividade de 31%. O interesse dos jovens do Centro-Oeste e do Sul por decorao superam os demonstrados por religio. Os jovens do Nordeste so os mais interessados em informaes sobre Msi- ca (80%) e Esportes (52%), entre todos os pesquisados. J os jovens que residem nas capitais da regio Norte (43%) e da regio Centro-Oeste (44%) so os que mais se destacam, em relao aos de- mais, na busca de informaes na rede sobre Literatura. no Sudeste que se concentra o maior ndice de pesquisas sobre Turismo/ Viagem (42%), Teatro (38%, chegando a 43% nas capitais), Parques e reas de Lazer (33% e 34% nas capitais), Dana (26%) e Religio (28%). Os jovens moradores da regio Sul foram os menos significativos em relao s buscas de todas as categorias de informaes discriminadas na pesquisa. Em consequncia disso foram tambm os que declararam com maior intensi- dade no se interessar pela pesquisa de nenhum dos itens relacionados, com porcentual mdio de 14% nas capitais e de 15% nas cidades do interior. Alm de moda (42%), os interesses por informaes sobre Decorao (22%) e Culinria (30%) tambm destacam os jovens internautas da regio Centro-Oeste, denotando um nvel mais intenso de preocupao com as questes da esttica, do morar bem e da explorao dos prazeres domsticos da culinria. *Seguramente, no caso da regio Norte, h que se ressaltar a grande presena de funcionrios pblicos na consti- tuio das populaes economicamente ativas das capitais dos novos estados originados dos antigos territrios, o que faz com que os fatos polticos sejam essencialmente relevantes para o cotidiano das famlias, de onde deve originar-se, ao menos em parte, o interesse das juventudes locais por tais temas. 1 2 3 4 5 6 7 8 Interessante ressaltar que os hbitos do consumo de informao mostraram ele- vado grau de homogeneidade entre as di- ferentes regies brasileiras, independente do fato de se tratarem de moradores das capitais ou do interior. Mas existem dife- renas, como por exemplo: 46. 9190 Os EIXOS da pesquisa Interessante observar no discurso dos jovens entrevistados a opinio de que a inter- net, apesar de ajudar a conhecer um maior nmero de pessoas, contraditoriamente representada em diversos momentos como ferramenta e elemento de isolamento e de perda do contato social. Considerando-se o comportamento inter-regional, observou-se que: ...todo mundo ia na casa de todo mundo e tinha vontade de ficar na rua, brincar. Agora no, voc anda na rua e as crianas j tm celular moderno e a maioria fica na internet. 67% 50% 33% vivem no Sudeste vivem no Centro-Oeste vivem no Centro-Oeste Nas cidades do interior, esse ndice sobe para 73% Nas capitais da regio, esse ndice sobe para 53% Nas cidades do interior, esse ndice sobe para 34% Dentreosjovensqueserevelamneutrosemrelaocapacidade queainternettemdeaproximaraspessoas: Dentre os jovens que mais acreditam que a internet aproxima as pessoas: Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Finalmente, cabe destacar que tanto como interesse de pesquisa, quanto como as- sunto de divulgao, criao ou produo de eventos e/ou contedos, os quatro te- mas menos atraentes para os jovens conectados do Brasil so: Decorao, Pol- tica, Culinria e Dana. Em termos regionais, pode-se observar que os trs temas de maior interesse para os jovens brasileiros conectados, quando se trata da divulgao, criao ou produ- o de eventos e contedos, ainda que variem a intensidade das preferncias, no alteram a ordem hierrquica em que foram citados. Assim, independentemente da regio do Pas, a juventude conectada produz e faz circular contedos relaciona- dos a Msica, Cinema e Vdeo e Esportes. As diferenas regionais mais relevantes identificadas so: 1) Em relao a Msica, Cinema e Vdeo, os jovens do Sudeste revelam-se mais ativos do que os jovens de outras regies do Pas. J quanto a esportes, tendem a se igualar ao comportamento dos jovens habitantes da regio Centro-Oeste. 2) A regio Sul foi a que revelou o maior ndice de absteno em relao cria- o, divulgao e produo de eventos e contedos relacionados como itens de investigao: 39%, ante os 30% obtidos para a mdia nacional, chegando a 40% nas cidades do interior. 3) Coerentemente com o apontado na investigao dos assuntos mais pesquisados na internet, a poltica destaca-se como assunto de interesse tambm na produo de eventos e contedos para os moradores das capitais da regio Norte (18%) e do interior do Centro-Oeste (18%). 4) Os jovens internautas que vivem nas capitais do Nordeste destacam-se, em re- lao aos demais, quando o tema dos eventos e contudos produzidos e distribudos referem-se Literatura. O uso da internet para promover a aproximao de pessoas no posio assumida consensualmente entre os jovens internautas brasileiros. Existe uma ampla faixa de opinies neutras ou menos fortemente definidas em relao ao tema, ainda que as aes de comunicao interpessoal sejam as mais intensamente praticadas pelos jo- vens brasileiros na internet. Conectividade gera afetividade 47. 9392 Os EIXOS da pesquisa Parte da contradio expressa pelos jovens internautas pesquisados que aponta ao mesmo tempo para a internet como intensificadora dos contatos e distanciadora da afetividade e da sociabilidade esclarecida pela discusso da perda da qualidade dos relacionamentos no mbito da rede mundial de computadores, muitas vezes aponta- dos como superficiais, passageiros e inconstantes: Neste contexto, a volubilidade e a volatilidade dos relacionamentos so acentuadas em algumas das falas coletadas: Chego a brigar com meus amigos para fazer eles enxergarem que estamos l, que precisamos aproveitar o mo- mento e no ficar no celular. Eu acho que os jovens perderam um pouco aquela coisa do respeito, da amizade, da emoo... e de encontrar com os amigos, ter um tempo para. Hoje em dia as pessoas esto usando muito as palavras e pouco aquela coisa de se encontrar, aquela emoo de olhar olho no olho. Eu no dou muita ateno porque no conheo. Por mais que seja aquela conversa meio tosca, no dou mui- ta ateno. Eu procuro saber, dou uma olhada no perfil para ter noo de quem estou falando. Fora isso.... As pessoas te adicionam e s porque vocs tm cinco amigos em comum, acham que voc tem o dever de aceitar. Voc v a foto do perfil e pensa vou adicionar, mas depois voc v a pessoa e... vou excluir. fcil, voc acaba ligando as pessoas. Pode ter algum do outro lado do mundo e voc est aqui, voc conversa com essas pessoas porque tem a internet. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Brincava mais com os amigos e assistia muita televiso, tinha mais relao fsica com as pessoas. Eu conversava mais com a minha me, via mais tv, escutava rdio com mais frequncia. Passei a brincar menos com meus amigos reais. Antigamente eu vivia brincando, conversando no porto... Agora, a rua deserta. que se fosse para ir somente na casa da pessoa, voc no iria, agora voc fala com pessoas de cada canto de So Paulo e de outros estados e at de outro Pas sem precisar sair, conhecer a pessoa de frente. Mudou muita coisa, antes era mais social, vivia na rua com o pessoal... agora s de vez em quando que paro na rua. O contato fsico com os amigos mencionado como importante fator de estreitamen- to e fortalecimento das relaes interpessoais: No entanto, as condies da vida urbana, caracterizadas pelas grandes distncias e dificul- dadesdelocomooe,ainda,pelasdificuldadesdefazercoincidiragendasdedisponibilida- desdosjovens,fazemcomqueoscontatospessoaisacabemseespaando,diminuindode intensidadeoumesmodeixemdeexistir.Ojoveminternautaconsideraquecomasfacilida- des proporcionadas pela internet todos acabam ficando preguiosos. Observa-se, portanto, uma autoavaliao crtica, e s vezes at mesmo pejorativa, que aponta para a acomodao e a desistncia do prprio jovem em buscar contato presencial com os amigos ainda que este seja considerado relevante para o cultivo da amizade e da interao social. De acordo com este discurso, o contato fsico pre- sencial toma contornos de afetividade, calor e emoo, caractersticas estas subtra- das das falas respeito das conexes digitais: Eu acho que voc se reunir fisicamente toda semana fortalece a amizade. No sei, aquela coisa da emoo.... As pessoas esto mais preguiosas para o contato pessoal. As pessoas hoje esto muito cmodas, no querem mais sair de casa para nada. 48. 9594 Os EIXOS da pesquisa Interessante notar que, ao mesmo tempo em que o jovem reconhece a si prprio como um internauta frequente e insacivel, seu discurso revelador de uma crtica ao esvaziamento das relaes familiares e domsticas frente conectividade exagerada que deixa, cada vez menos, tempos e espaos disponveis para o dilogo. Tambm frequente que as crticas se dirijam especialmente aos membros mais jovens da fam- lia, em especial aos irmos: Rodrigo Nejm Existe a questo de estar entre os pares, onde a galera est. Isso per- tencimento social, reconhecimento social: se todo mundo est, eu tambm tenho que estar. o que hoje faz do Facebook um ponto de encontro muito importante, que complementa o recreio da escola, o playground do condo- mnio,aquadradefuteboldobairro...Esabemosquecadavezmenostemos espaos pblicos de lazer seguros para a garotada frequentar. O Facebook acaba sendo um pouco hobby, ponto de encontro e de con- versas mais do que a TV. um espao de liberdade para expressar a si mesmo, um novo formato para os antigos dirios. Mas importante en- tender que no se trata mais de um exerccio introspectivo, solitrio. O grande barato voc ter em tempo real o feedback do seu status, que o que a gente busca como adulto. saber que sou uma pessoa bacana, que sou bonito, se a roupa est legal, se meu estilo de vida est de acordo com o que eu gostaria, mas tambm com o que eu gostaria que meus colegas vissem. Isso acaba sendo muito fascinante para o adolescente que est construindo sua prpria identidade, sua personalidade. Com esse retorno, o Facebook d pistas e um certo conforto para o adolescente se desen- volver sendo aceito por um grupo. o fascnio de estar junto e de ter o feedback do reconhecimento social. A importncia da famlia Eu acho que a internet nos distancia um pouco das pessoas. s vezes, falo com meu irmo e ele est to vidra- do no celular que nem presta ateno. Eu acho que a internet boa, mas tambm tem um lado ruim, que permite perder a intimidade: voc fala com a pessoa sempre pela internet... Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Cabe ressaltar, contudo, que a internet aparece como facilitadora dos contatos e expanso do ciclo social de relacionamentos, especialmente para localidades longn- quas, s quais o jovem internauta provavelmente teria dificuldades de acesso. Casei com uma pessoa que conheci na internet. H cinco anos, 100% dos relacionamentos srios que tive co- mearam, de algum modo, pela internet. O que muda que voc passa a conhecer muita gente por ali tambm, algo antes impensvel. Tenho amigos online de mais de cinco anos. Existe a facilidade de encontrar pessoas mais receptivas pela internet e tambm a facilidade de voc poder ser quem voc quiser no mundo virtual. At com quem voc tem contato real, quando precisa dizer algo, muitas vezes prefere faz-lo online. Vejo essa diferena. A gente pode conhecer pessoas at que nunca vai ver, que nunca viu. Muita gente que no tem chance de viajar tem pelo menos a oportunidade de conhecer um pouco. J viajei para vrios lugares do Brasil pra conhecer pessoalmente pessoas com quem tive contato pela internet. 49. 9796 Os EIXOS da pesquisa Nas falas dos jovens internautas pesquisados, recorrente a constatao da dependn- cia cotidiana da conexo internet e s redes sociais, sem as quais eles declaram no conseguir viver ou nem conseguir imaginar a vida sem. Nesse contexto, contudo, raras vezes foi possvel observar uma ntida percepo negativa das prticas individuais exces- sivas em relao ao mundo digital. O uso da internet, principalmente atravs de sua conexo via aparelhos celulares surge, ento, para muitos deles, como uma atividade de tempo integral: Para os jovens internautas pesquisados, especialmente para os mais novos, fica evi- dente a prtica da vigilncia e do controle exercido pelos pais sobre seus hbitos de navegao na internet: Uma das formas mais frequentemente apontadas para burlar a fiscalizao e o controle dos pais a de apagar o histrico de navegao do browser utilizado. Quando est no meu quarto, minha me fica tentando ver o que fao. Redes sociais: #exageroevcio Sei l, tem coisas que devem ser aproveitadas sem ficar vidrado numa telinha. No vivo sem internet. A primeira coisa que fazemos ligar o Wi-Fi pra poder usar a internet. Acho que no ia conseguir ficar um dia sem internet... Quando nos encontramos, fica cada um no seu celular. Eu estou conectada 24 horas por dia. Antigamente voc conseguia se comunicar melhor com seu filho, sua filha tinha uma conversa; hoje no: a pes- soa chega em casa com o celular na mo, fica no Facebook, no tem papo. Chega e vai direto para o quarto, para o computador. Acho que a internet distanciou um pouco o contato com a famlia. Minha me proibiu. Na hora do almoo, caf e jantar na mesa, nada de celular. Eu temo mais a questo de famlia: s vezes, tem de ter tato para postar, porque tenho no Facebook a minha av, as minhas tias, a minha me... Acho que s no tenho o meu pai. Minha me descobriu que eu bebia por causa de uma foto do Facebook. J aquele conflito. Eu no sei vocs, mas na minha famlia, dependendo do que eu posto, as primeiras pessoas a contestar so os familiares, eles exageram nos comentrios... Em casa a gente sempre teve essa coisa de sentar e conversar. o nico momento que temos para nos reunir, porque todo mundo trabalha. E minha me no gosta que esse momento seja atrapalhado. Eu e meu irmo conseguimos prestar ateno em duas coisas, falar com voc e com a minha me ao mesmo tempo. A gente entende isso, mas ela no. A pesquisa evidencia que os jovens internautas pesquisados convivem e interagem co- tidianamente,emsuasconexesepostagens,comparentesdediversasgeraes(avs, tios,primos,meepai,irmosmaisnovosemaisvelhos). Issotrazdiversificadasordens de consequncias, que vo desde a inibio e censura da publicao de contedos, at os atritos e eliminao definitiva das amizades com esses parentes nas redes sociais. Os atritos e divergncias familiares mais frequentemente observados envolvem irmos e irms. Porm, costumam se estender a pais e mes, especialmente quando esses ten- dem a no levar a srio as interdies de publicao de temas e/ou fotos listadas pelos jovens. Nestes casos, geralmente, encontram-se impedimentos relativos divulgao de imagens do jovem em determinadas fases da vida (a publicao de fotos de perodos em que estavam acima do peso, por exemplo, foi uma das situaes mais citadas). Oacessofamiliarspginas,postagensefotosdojovemnasredessociaiscostumatrazer tona aspectos de suas vidas que podem motivar comentrios, crticas e outras conse- qunciasparaarelaoeoconvviofamiliar.Entreosepisdiosmaiscitadosestorevelar que o jovem bebe, com quem sai ou namora, que tipos de lugares frequenta etc.. Tenho amigos que postam qualquer coisa, eu no tenho coragem... Minha me tem Face, e no ia gostar de ver. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 50. 9998 Os EIXOS da pesquisa Importante constatar que 31% dos jovens concordaram totalmente ou quase total- mente com a afirmao. Trata-se de um fenmeno relevante associado sade fsica, psquica e emocional dos jovens que merece ser enfrentada com esclarecimentos e in- formaes e adoo de medidas protetoras. Em todo o mundo, tm sido cada vez mais frequentes relatos de distrbios causados pela exausto pessoal na navegao. Neste contexto, programas e aes de sade pblica necessitam ser pensados e implementa- dos visando ao esclarecimento e proteo da juventude, na busca de uma vida equili- brada e saudvel. Algumas formas de obsesso podem ser observadas tambm em relao ao comporta- mento do jovem que se aliena do ambiente fsico frequentado e de suas possibilidades in- teracionais e relacionais para manter-se ocupado e conectado com as redes sociais, acom- panhando o que os amigos esto fazendo e o que est acontecendo nos locais que eles tiveram de abrir mo de frequentar ao escolher um determinado programa: Essa questo visou conhecer o comportamento do jovem em relao ao repouso frente ao uso intenso da internet, perguntando: Meu namorado at diz que sou viciada, porque eu quero ficar tirando milhes de fotos... Eu coloco quase um lbum. Redes sociais me deixam ansiosa, porque sempre quero que algum me responda ou interaja comigo. Tenho complexo de carncia de curtida. Com a internet quase impossvel ficar sem ter o que fazer. As horas que gasto na internet afetam meu sono? O tempo do sono e do descanso em cheque Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Todo mundo tem a necessidade de se conectar, parece que esto perdendo algo quando esto off-line. O tempo inteiro. No meu celular 24h por dia. Toda hora tem algum vendo uma notificao no Twitter, ou no Whatsapp. Eu posso no estar ali olhando toda hora, mas fico conectada o tempo todo. Como eu uso muito Twitter, posto coisas o tempo inteiro. Por exemplo, estou saindo de casa agora e estou postando uma msica, uma frase que gosto bastante... Sim, as pessoas no se comunicam mais a no ser que seja pela internet. Voc s algum se estiver conectado 24h. Ningum mais quer saber de ir praa com amigos ou ler um livro. A gente fica praticamente o tempo todo na internet. Eu fico praticamente o tempo todo na internet. Tenho medo de depender da internet . Acho que a facilidade de acesso a pesquisas e estudos se tornou tambm a preguia de estudar. Est tudo na internet, voc s copia e cola. Sem contar que com a internet, a distrao tambm aumentou. difcil algum fechar a aba das redes sociais no navegador enquanto est estudando. Neste contexto, o medo de criar dependncia e vcio em relao ao uso da internet tor- na-se uma ameaa constante e conhecida: Interessante ressaltar que a prpria juventude chega a ser crtica em relao aos exces- sos de suas prticas cotidianas de conectividade, que acabam por faz-los aproveitar menos as situaes presenciais, o convvio com amigos, parentes e colegas e tambm as atividades culturais que eles prprios optam por presenciar: Nos shows e eventos ningum mais pensa em assistir e apreciar o espetculo, s querem tirar fotos para postar nas redes. 51. 101100 Os EIXOS da pesquisa A pesquisa mostra que 47% dos jovens internautas brasileiros concordam totalmente ou quase totalmente com a afirmao de que preciso se preocupar com a privaci- dade e segurana de dados na internet. Se a esse percentual forem acrescentados os que informam mais concordar do que discordar da afirmao, este total eleva-se para 66%. Cabe destacar que 7% dos entrevistados afirmam discordar totalmente ou quase totalmente da assertiva apresentada, enquanto 19% mantem posies de neutralidade ou da indiferena. Mais amplo e diversificado do que se esperava encontrar, o quadro revela a complexidade do tema no Pas. Em todo o Brasil so os jovens do Nordeste os que mais se revelam pre- ocupados com a privacidade e a segurana dos dados pessoais na internet (63%), com forte destaque para os moradores das cidades do interior (73%). A eles se seguem os jo- vens da regio Norte (50%), tambm especialmente os jovens que vivem nas cidades do interior (59%). As posies de neutralidade mostram-se mais intensas para os jovens da regio Sul (26%, tanto para as capitais, quanto para as cidades do interior), diferencian- do-os, em certa medida, de seus congneres de todas as demais reas do Pas. preocupante a constatao de que parcelas relevantes dos jovens internautas brasilei- ros ainda apresentem posies pouco determinadas em relao sua prpria proteo na navegao, a despeito da relativamente ampla circulao de informaes sobre os ris- cos envolvidos na troca de informaes pessoais com estranhos. Osmaioresnveisdedescuidoedespreocupaocomocompartilhamentodedadoscom estranhos foram revelados nos hbitos dos jovens do Nordeste: 16% afirmaram concor- dar totalmente que costumam realizar tal prtica, nvel que se elevou ainda mais nas ci- dades do interior, onde chegou a 21%. Tais nmeros esto consideravelmente acima dos observados para todas as demais macrorregies geogrficas e reas de habitao, com a nica exceo das capitais da regio Sudeste, onde atingiu 15% da amostra. Perguntados se costumavam trocar informaes pessoais na internet com pessoas des- conhecidas, os jovens internautas brasileiros informam que: Privacidade e segurana de navegao 12% concordam totalmente ou quase totalmente 42% discordam totalmente ou quase totalmente 18% mantiveram-se em posies de neutralidade 20% assumiram posturas menos definidas Uma parcela de 16% dos entrevistados disse discordar totalmente ou quase total- mente do enunciado apresentado na pesquisa, sendo que os nveis mais significativos foram registrados entre os jovens internautas do Nordeste (18% na mdia e 22% nas capitais) e das capitais da regio Norte (19%). V-se, portanto que, ao menos na avaliao dos representantes da juventude conec- tada pesquisada, o uso cotidiano ou regular da internet no um fator que efetiva- mente compromete o sono e o descanso. Considerando que outros dados da pesquisa revelaram uso ativo e intenso da rede mun- dial de computadores no cotidiano dos jovens internautas pesquisados, acredita-se que, para eles, tais prticas sejam mais plenamente naturalizadas, no configurando excesso ou rompimento de limites. Por outro lado, para os adultos pais e profissionais respon- sveis pela educao e pela sade dos jovens a compulso pela conectividade inter- net no um aspecto irrelevante. Pelo contrrio, sabe-se que o excesso do tempo gasto na rede pode interferir na produtividade desses jovens, alterando e prejudicando tanto a quantidade e a qualidade do descanso e do sono, quanto os prprios relacionamentos sociais e afetivos. Novas doenas relacionadas ao uso obsessivo da internet surgem e so catalogadas com frequncia, como, por exemplo, a nomofobia originria dos termos em lngua inglesa no mobile que designa o distrbio causado pelo medo de ficar sem comunicao digital via dispositivos mveis ou sinal Wi-Fi. Segundo mdicos e especialistas, dormir menos pode comprometer a concentrao, a ateno, a memria e o rendimento do jovem em formao, prejudicando seu desenvol- vimento fsico, intelectual e psquico. O uso intenso, prolongado e compulsivo da tecno- logia e da conexo digital pode vir a representar um apelo irresistvel ao jovem internauta especialmente no que se refere ao acesso e uso das redes sociais, servios instantneos de trocas de mensagens e jogos online. Ainda que sob vigilncia e controle dos pais, no difcil para o jovem contornar o bloqueio, especialmente quando tm acesso a dispositi- vos portteis, como celulares e smartphones, e a conexes Wi-Fi. Um estudo recente, realizado pela Cisco com jovens de 18 a 30 anos de 18 pases, revelou que o internauta brasileiro ocupa a quarta posio no ranking mundial dos mais conectados e assduos s redes sociais (48%), superando norte-americanos (45%), canadenses (40%), ingleses (43%) e alemes (37%) e sendo suplantados apenas pelos turcos (59%), chineses (58%) e indianos (51%). Segundo os resultados desse mesmo le- vantamento, 60% dos jovens investigados checam compulsivamente suas atualiza- es nas redes sociais, mesmo antes de tomarem o caf da manh. Para isso, celulares e smartphones permanecem ao lado da cama durante a noite para permitir que novas atualizaes nos perfis do Facebook, no Twitter ou no Instagram sejam checadas assim que sinalizadas pelos alertas sonoros ou to logo o jovem desperte. O mais preocupante que cerca de dois teros deles afirmaram ficar ansiosos ou serem dominados por uma sensao de vazio quando privados das conexes online. 52. 103102 Os EIXOS da pesquisa J quanto aos riscos de exposio da intimidade, o tema mostrou-se relevante e recorren- te especialmente entre as jovens do sexo feminino: importante destacar a necessidade de conscientizar o jovem de que, ao postar uma foto em uma rede social, ele automaticamente a torna disponvel para toda a inter- net. A organizao no-governamental Safernet, que monitora crimes e violaes de direitos humanos na internet, lanou, na primeira quinzena de abril de 2014, cam- panha mundial contra a divulgao e o compartilhamento de fotos, vdeos e troca de mensagens ntimas de crianas, adolescentes e jovens. O motivo alegado foi que, segundo a instituio, o nmero de vtimas desses abusos em sites e aplicativos mais do que dobrou no espao de um ano, passando de 48 em 2012, para 101 em 2013. Os dados resultam das consultas encaminhadas aos servios de ajuda e denncia da ONG. De acordo com a Safernet, o nmero de crimes deve ser ainda maior em 2014. Os atendimentos nos primeiros meses do ano de 2014 j foram sete vezes maiores que no ano anterior (21 ante 3). Segundo a ONG, 77,14% das vtimas de intimidade exposta indevidamente na internet so mulheres, sendo que jovens de 13 a 15 anos representam a maioria dos casos. Tambm qualquer pessoa pode hackear seu Facebook, pegar uma foto sua e fazer uma montagem. J aconte- ceu nos Estados Unidos. Eu acho que as pessoas tm que ter bom senso na hora de postar. Tem muita gente que posta intimidades e depois no aguenta as consequncias. Acontece com famosos, por que no pode acontecer com a gente?. Sim, me preocupo, imagina espalhar o que falo e minhas fotos por toda a internet.. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Questes relativas segurana da navegao so fartamente recorrentes nas falas dos internautas pesquisados, principalmente nas seguintes situaes: No caso dos termos de uso, de um modo amplo e geral, os jovens internautas declaram que apesar de saberem da sua existncia e importncia, consideram a sua leitura e apre- ciao crtica como assunto extremante chato. 1 Termos de uso de diferentes sites e ferramentas 2 Riscos de exposio da intimidade 3 Risco de roubo de dados bancrios 4 Contaminao dos equipamentos por vrus Todo mundo acaba nem fazendo. Ningum l, eu s dou o concordo e vou. S aceito. Mas aquilo sacanagem. Eu queria entender se algum l. muita coisa...tinha de ser mais curto, parece uma bula. Eu sempre leio, muito chato. Dou uma passada por cima. Difcil de ler, muito extenso. Vi que eles tinham direito de expor minhas informaes onde eles bem entenderem. Os percentuais de discordncia com a prtica de partilhar dados com pessoas des- conhecidas mostraram pouca amplitude de disperso ao largo de todo o territrio nacional. Nas mdias regionais, varia entre 36% e 42%. No entanto, vale destacar o comportamento diferencial observado para os moradores das capitais da regio Sul, onde atingiu o valor de 47%, reafirmando as posies mais cautelosas e conservado- ras dos jovens deste pedao do Pas em relao aos demais jovens brasileiros. 53. 105104 Os EIXOS da pesquisa Outro aspecto relevante quando o tema segurana a contaminao dos dispositi- vos de acesso internet por vrus. Muitas vezes, o ingresso dos vrus apontado como decorrente de acesso a promo- es consideradas absurdas pelos jovens, mas capazes de convencer seus pais a clica- rem em links ou imagens mal-intencionados: Finalmente, no que se refere segurana de dados como senhas e contas bancrias, os jovens, de uma maneira geral, se mostraram bastante sensveis e preocupados. Nesse sentido, deram mostras de conduzir com cautela tanto o armazenamento como a partilha de equipamentos com os quais realizam operaes bancrias ou afins: Eu ativo tambm o antivirus e aviso o meu marido. Confiro se o site se tem alguma coisa, mas mesmo assim alguns vrus acabam entrando... alguns a gente no consegue identificar e o medo maior que outras pessoas acabem tendo acesso a algumas informaes minhas. Meu pai v um monte desses vdeos no Facebook dele com promoes dizendo que vai ganhar um carro, um prdio... E eu falo ah pai, voc acredita nisso a cara?!. Acho que hoje o foco senha de carto, coisas bancrias, que mexem com dinheiro. Existem links, vrus, que pegam todas as informaes do seu computador. a que se deve tomar cuidado, ver onde est clicando, em qual site e etc.. Troco senha com frequncia, uso a verificao pelo celular, s adiciono pessoas conhecidas e certas coisas s fao pelo computador pessoal. Tenho muito medo de hackers, principalmente porque adoro fazer compras pela internet. Sou muito tranquila, no me preocupo com nada, mal me preocupo com as minhas senhas j que o banco faz isso por mim. Rodrigo Nejm Proteger os direitos na internet no oposto liberdade de direitos mais ativos do uso da internet. A prpria molecada, dependendo do jeito que os educadores trabalham, associa lista do no pode. O nosso esforo tentar ir alm desse discurso de proibio. Na internet, a gente tem com certeza que lutar para continuar garantindo a liberdade de expresso do jovem. E ele prprio tem que ter essa noo de que tem direitos na internet, como o de liberdade de expresso. Isso est na lei, est no Estatuto da Criana e do Adolescente, est na Declarao Universal dos Direitos Humanos. Eu tenho liberdade sobre o uso do meu corpo, sobre a minha f religiosa, tenho a liber- dadedeteraexpressodasminhasopiniespolticas,tenhodireitoaalguma privacidade e tambm a fomentar mais esse debate dos direitos, combinado discusso sobre segurana, porque uma coisa no oposta outra. O nosso esforo discutir com esse jovem quais so os seus direitos e os seus deveres. Eles precisam respeitar as leis da internet: se cometerem crime em pgina falsa, esculhambarem o amigo, xingarem uma pessoa, in- vadirem o perfil de algum, tambm iro responder legalmente por isso. O nosso esforo o de trabalhar direitos e deveres segundo a perspectiva de que um no inimigo do outro. Tentar fazer proteo sobre cidadania na internet, segurana a partir de um lema que ns temos aqui sempre, que o de conseguir criar estratgias que permitam garotada fazer boas esco- lhas na rede. Eles precisam ter acesso a informao qualificada, e desen- volver uma maturidade, uma capacidade crtica para fazer boas escolhas na hora de dar os cliques na rede. Faz duas semanas que eu perdi o meu computador com vrus. No sei se conseguiram recuperar, mas acho que no porque o vrus foi forte. Outro aspecto relevante quando o tema segurana a contaminao dos dispositi- vos de acesso internet por vrus. Tenho medo que vrus destruam meus arquivos do computador. Procuro me preocupar at com os antivrus que instalo, pois se alcanar algum problema serei responsabilizado. Eu estou conectada 24 horas por dia. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 54. 107106 Os EIXOS da pesquisa 3) Embate de opinies Em vrias oportunidades ao longo das entrevistas realizadas, o jovem internauta mostrou- -se preocupado com as crticas, embates, discusses, e mal-entendidos decorrentes de suas postagens nas redes sociais. Observa-se, um ntido desejo de aprovao e aquies- cncia permanente e pouca ou nenhuma disposio ou tolerncia para sustentar qualquer debate ou polmica. O conflito, para o jovem internauta, essencialmente entendido como fonte de estresse e no como oportunidade de dilogo, de produo de conhecimento e de novos sentidos para a vida e as prticas cotidianas. Constata-se, nessa esfera, urgncia e imediatismo na buscaporconfortodeumapostagembemrecebidaeafetivamenteacolhidae,aomesmo tempo, a intolerncia a qualquer tipo de rejeio. Nesse contexto, via de regra, o jovem opta por limitar suas postagens para evitar enfrentamentos com pessoas de opinies ou sentimentos diferentes e/ou efetivamente opostos aos seus: Detodososjovensbrasileiros,foramosdaregioNordesteosquemaisconcordamcom a afirmao(47%)especialmentenocasodosquevivemnascidadesdointerior(49%).A eles se seguiram os do Sudeste (40%), tanto os jovens das capitais quanto os do interior. As posies de neutralidade foram homogeneamente distribudas por todo o terri- trio nacional, com exceo dos habitantes da regio Sul, onde foram mais altas do que a mdia nacional (30% no Sul, contra 21% no resto do Pas) e do Centro-Oeste, onde, ao contrrio ficaram abaixo do nvel nacional, com 18% de participao relativa. 4) A busca por informaes Quando a anlise recai sobre o impacto da internet sobre os hbitos de busca por in- formaes, 49% dos jovens brasileiros concordam totalmente ou quase totalmente que a rede mudou o seu modo de fazer pesquisas. Tem pessoas que parece no ter filtro: postam tudo o que fazem. Acho ridculo as pessoas que postam at quando vo ao banheiro. Todo mundo tem um limite. Acho que tem gente que sem noo. De certa forma, o stress de uma discusso nas mdias sociais pode afetar a pessoa pessoalmente, fora da rede. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Controle das postagens alheias: #liberdadesqueno O jovem internauta brasileiro costuma exercer alguns tipos de controle sobre as suas prprias publicaes em redes sociais. Para isso, utiliza os mecanismos oferecidos pela prpria rede como, por exemplo, o de submeter os contedos marcados ou com- partilhados a sua aprovao prvia. Muitos dos jovens pesquisados informam no gostar que outras pessoas postem em suas pginas: Interessante observar que os entrevistados discorreram abundantemente sobre episdios que apontam para o controle social exercido pelos prprios jovens - sejam eles amigos, colegas ou simples conhecidos. Dentre as diferentes formas de controle apontadas, cabe destacar: 1) Crtica a filtros e limites de compartilhamento de informaes dos perfis nas redes sociais. Neste caso, foram frequentes os relatos de jovens que se sentiram afrontados e questionados por outros jovens por terem bloqueado ou limitado o aces- so pblico aos seus perfis pessoais nas redes sociais. 2) Crtica ao excesso de postagens A postagem excessiva considerada pelos prprios jovens como impertinente e irritante. Tenho que aprovar porque tenho trauma. Meu pai j publicou foto minha de infncia, de quando eu era gorda. J eu tenho trauma de foto de casamento de famlia. Eu falei para no postar, mas vo l e postam. Cobram at demais e te olham torto, achando que voc metida. Quando voc bloqueia, s vezes te questionam... como se voc quisesse esconder algo, como se estivesse fazendo alguma coisa errada. 55. 109108 Os EIXOS da pesquisa Entreosjovensouvidospelapesquisa,49%concordamtotalmenteouquasetotalmente queprecisotercuidadoaoexpressaropiniespessoaisnainternet,principalmentepara evitar o risco de ser mal interpretado ou mal visto. Foi possvel constatar, em relao a esse tpico, uma maior intensidade de confluncia das opinies, denotando uma maior preocupao do jovem com os efeitos de postagens e atitudes para a prpria imagem. A preocupao com a imagem e a representao de si mesmos na internet supera as manifestadas em relao segurana pessoal relativa publicao de dados ou infor- maes que possam ser utilizadas com intenes maldosas ou prejudiciais do ponto de vista da integridade fsica, psquica, emocional ou material do jovem. As preocupaes mais acentuadas com a expresso pessoal foram apontadas pe- los jovens do Nordeste (54% concordaram totalmente com o enunciado proposto), no que foram seguidos, com boa margem de diferena pelos jovens da regio Norte (43%). Para os jovens internautas entrevistados, a participao em redes sociais traz uma experincia livre e radical de expressividade pessoal: Tais nveis de expressividade decorrem essencialmente da perda da timidez e, conse- quentemente, dos maiores nveis de desinibio pessoal proporcionados e adquiridos na rede de computadores. Os mltiplos eus na rede: #avatares Eu leio muito mais do que posto. E evito ao mximo opinar sobre algum assunto: as coisas na internet tomam propores muito maiores do que a minha inteno de dizer. Eu acho que todo mundo um pouquinho radical nas redes sociais. Porque voc literalmente expressa o que voc est sentindo. L voc pode, voc livre. Serginho Groisman A televiso superficial. Eu no acredito que uma pessoa possa se achar bem informada vendo s televiso. Mesmo que ela veja todos os telejor- nais, todas as novelas, a televiso tem uma coisa da rapidez como a inter- net tambm, tudo muito rpido, voc tem que escrever em 140 caracte- res. Um telejornal, tem que mostrar em 40 minutos o que aconteceu no dia no mundo todo. A profundidade disso vai estar em outras fontes, voc tem que se aprofundar. A maioria dos jovens internautas brasileiros (45%) concorda que a internet faci- lita a prtica de bullying. Os jovens do Nordeste foram os que mais declararam con- cordar totalmente com a afirmao, concentrando, nesta escala avaliativa, 48% das respostas, que se intensificaram ainda mais nas cidades do interior, onde o porcentual foi de 55%. A eles se seguiram os jovens moradores do Centro-Oeste (43%). No senti- do contrrio, o menor ndice relativo foi observado na regio Sul (23%). As posies de neutralidade foram distribudas homogeneamente entre os jo- vens residentes da regies Norte, Nordeste e Sudeste. No entanto, mostraram-se superiores para os jovens da regio Sul (25% na mdia e 28% nas cidades do interior) e inferiores em relao mdia nacional no Centro-Oeste (14%, tanto nas capitais quanto no interior). Foi possvel, portanto, observar um comportamento sensivelmente diferenciado da juventude brasileira conectada em relao ao bullying digital, dependendo das re- as geogrficas observadas. Contudo, preocupante destacar que nas redes sociais as facilidades de compartilha- mento e de difuso instantnea de informaes tanto verdadeiras, quanto infunda- das ou propositalmente falsas potencializam no apenas a intensidade e a velocidade da comunicao, mas tambm ampliam as possibilidades e extenses dos danos e prejuzos pessoais em casos de ofensas e injrias relacionados s diferentes prticas do bullying. Esses episdios podem crescer exponencialmente frente falsa impres- so de impunidade que permeia as manifestaes feitas no mundo digital. A proliferao de casos de jovens que sucumbiram ao assdio por difamaes postas em prtica nas redes sociais pe na ordem do dia a necessidade de educao e da vigi- lncia no uso da internet. Tal controle deve incluir seguramente as diferentes instn- cias da mediao do comportamento juvenil, especialmente dos pais, dos membros mais idosos da famlia e da escola. Mas deve se expandir, tambm, para abarcar a es- fera jurdica, na qual se incluem as possibilidades de comprometimento e correspon- sabilizao das empresas de tecnologia digital provedoras do acesso e da navegao nas redes sociais. A temtica dos limites e consequncias da liberdade de expresso nesses canais j ocupa espao relevante nos debates mundiais, os quais, seguramen- te, devero ser ampliados nos prximos anos *. *A esse propsito, ver: FOXMAN, A.; WOLF, C. Viral hate: containing its spread on the internet. New York: Palgrave Macmillan, 2013. A prtica de bullying 56. 111110 Os EIXOS da pesquisa Na anlise das diferenas regionais, observou-se que, de uma maneira geral, os jo- vens da regio Nordeste so os maiores entusiastas do uso da internet. So eles que mais afirmam que: A maioria dos jovens pesquisados, embora reconheam que na Internet possvel assumir diferentes perfis e exercitar outras personalidades, disse exibir seu prprio perfil pessoal na rede, sem fazer o uso de recursos de mascaramento ou falsificao de informaes. Nesse contexto, contudo, muitos consideraram que a internet permi- te maior grau de desinibio para expor opinies e assuntos tanto de ordem pessoal quanto poltica que no se sentiriam vontade para fazer pessoalmente: Eu costumo opinar mais na internet do que pessoalmente. Tem at cantada pela internet... E quando passa por voc a pessoa nem olha na tua cara. Parece at que fica mais desinibido... Eu tenho amigas que falam com meninos na internet, mas quando passam por eles nem olham. Olha, eu no sou a mesma pessoa quando estou na frente do computador. Pessoalmente, eu sou de falar mais e interagirejnoFacebookouTwitter,tipo se voc der uma opinio errada as pessoas vo descer o abacaxi em voc. No posto nada, porque as pessoas nem sempre vo concordar com a opinio e acabam exagerando s vezes nas crticas. Ao invs de te ajudar, ficam usando uma crtica ou at falando mal de voc ou que voc no tem opinio. Os jovens so diferentes nos muitos Brasis A internet mudou os seus hbitos de busca por informao 60% A internet contribui para aproximar pessoas 67% preciso cuidado com o modo de expressar opinies 66% A privacidade e segurana dos dados motivo de preocupao 63% Eu me sinto mais vontade porque as pessoas no esto olhando para mim, sou tmida. A internet para quem tmido mesmo. Se voc no tem coragem de falar algo para as pessoas encarando-as, a internet tem alguma coisa que ajuda a colocar a sua opinio. Eu tinha um Tumblr onde postava bastante coisa, no falando da minha vida, mas do que eu achava da situao poltica, das pessoas e tambm das coisas que eu lia ou via na rua. Acho que pessoalmente falo bem menos do que na internet. mais fcil postar na internet o que penso. Se eu tiver no meu ambiente de trabalho, ficar nervosa e quiser desabafar, corro no Face, mas ponho se sentindo irritada, brava ou qualquer coisa assim, sem detalhe. No coloco nada que possa me prejudicar. Tenho mais dificuldade de me expressar pessoalmente. Sim, a distncia d coragem s pessoas. De fato, em diversas das manifestaes analisadas foi possvel constatar que os jovens internautas declaram ter maior nvel de desinibio e expresso social na internet, prin- cipalmentequandoseconsideramtmidosouretradosnosrelacionamentospresenciais. Embora os jovens, em sua expressiva maioria, declarem sentir impulsos de expressar suas emoes e desabafos mais ntimos prontamente nas redes sociais, muitas vezes a media- o da vigilncia social especialmente de chefes e supervisores no trabalho impede que isso acontea ou os briga a optar por mecanismos de disfarce ou ocultao: Tenho que admitir que a internet me ajudou a me comunicar melhor com outras pessoas. Eu era mais tmido, mais reservado, mas com a internet passei a me comunicar mais com pessoas desconheci- das e melhor com quem eu no conheo, o que me deixou mais socivel. Eu posso ser mais sincera e objetiva com uma pessoa que conheci pela internet, pois o fato de esta pessoa estar distante me traz (pelo menos a princpio) uma confiana maior. 57. 113112 Os EIXOS da pesquisa Segundo relatrio global de tecnologia da informao do Frum Econmico Mundial* divulgado em 2013 o Brasil subiu ape- nas da 65 para a 60 posio no ranking das naes mais pre- paradas para o aproveitamento das novas tecnologias para o crescimento. Dentre os 144 pases avaliados, o Brasil ficou em 116 lugar no quesito Educao, posicionando-se atrs do Chade, da Suazilndia e do Azerbaijo. Em Cincia e Tecnologia, o Pas que ficou na 132 posio foi superado por Venezuela, Lesoto, Uru- guai e Tanznia. Como resultado desses indicadores, o Brasil se mantm estag- nado no avano do desenvolvimento e da adoo tecnolgi- ca, apesar dos investimentos pblicos em infraestrutura e de um certo dinamismo do setor privado nacional. Na Amrica Latina, pases como Chile, Panam, Uruguai e Costa Rica esto melhor preparados para enfrentar o mundo digital do que o Bra- sil, segundo o mesmo informe do Frum Econmico Mundial. Um dos fatores que mais contribui para essa situao a qualidade do sistema educacional. Para os estudiosos do F- rum Econmico Mundial, mesmo em pases pobres como Sene- gal, Qunia e Camboja, o acesso de escolas internet superior. O ranking mundial de adaptao ao mundo digital liderado pela Finlndia, seguida por Cingapura e Sucia. Segundo os au- tores do estudo, a posio ocupada pelo Brasil no condiz com o fato de ser uma das sete maiores economias do mundo. O A relao dos jovens com a internet, em sua interface com a es- cola, contraditria especialmente no caso dos mais jovens. Se, por um lado, conforme j visto, apontada como valiosa ferramenta de suporte e colaborao para a pesquisa de con- tedos curriculares e para o acesso e recuperao de material dado em aula pelo professor, por outro lado, apontada como elemento de desconcentrao e disperso especialmente por seu uso prioritrio para o acesso s redes sociais. *Cf. CHADE, Jamil. Ensino freia adaptao ao mundo digital. O Estado de So Paulo, p. A22, 1 de abril de 2013. informe considera que a maioria das economias em desen- volvimento, quando comparada s economias desenvolvidas, continua sem conseguir criar as condies necessrias para reduzir a falta de competitividade na rea da tecnolo- gia de informao. Os ganhos de posio do Brasil no ranking vm sendo garan- tidos pelos avanos em infraestrutura e pelo fato de o Pas ter dobrado a capacidade de uso de banda larga, alm de ampliar a rede de celulares. Em bandas fixas, o Brasil o 11 colocado na listagem mundial. Porm, entre os problemas mais srios en- frentados pelo Pas est o ambiente institucional e poltico para a promoo da inovao, alm dos elevados custos de acesso aos equipamentos e servios como, por exemplo, ce- lulares - setor no qual o Brasil aparece na 130 posio mundial entre os 144 pases, superado pelo Gabo. Para o Frum Econmico Mundial, o rpido crescimento econmi- co observado em muitos pases menos desenvolvidos do planeta, nos ltimos anos, poder ser ameaado, caso no venham a ser feitos os investimentos certos em infraestrutura, competncias humanas e inovao na rea das tecnologias da informao. Ape- sar de fortemente positivo, o impacto da digitalizao no uniforme nem por setores, nem por pases. Desta forma, cria e destri empregos de maneira desigual e desequilibrada en- tre as diferentes regies do mundo. #educao Escola x internet: tenso crescente e desafios emergentes Os jovens moradores da regio Centro-Oeste vm na se- quncia: 55% acreditam que a internet facilita a prtica de bullying e 37% diz que a internet modificou seu modo de rea- lizar atividades de lazer ponto em que so seguidos de perto pelos jovens da regio Sudeste (36%). Com relao crena de que as horas empenhadas na inter- net interferem no sono, os jovens brasileiros mostraram com- portamento relativamente homogneo: em mdia, entre 29% e 31% concordam totalmente com esta afirmao. Cabe ressaltar, contudo, que os habitantes do Centro-Oeste mostra- ram nvel de respostas relativamente superior (35%), especial- mente os moradores das capitais (40%). Comportamento simi- lar tambm pode ser observado para os moradores das capitais do Sudeste (38%) e do Sul (37%). Finalmente, deve-se ressaltar que a troca informaes pes- soais com estranhos na internet tambm teve um ndice relativamente homogneo entre os jovens habitantes das diferentes regies geogrficas e reas de habitao em todo o Pas: 18% ou menos, na mdia. Porm, neste caso, a maior pre- ocupao deve recair sobre os jovens internautas do Nordeste, regio onde esse porcentual elevou-se para 24%, na mdia, e para 33% nas cidades do interior. H que se ressaltar que no conjunto da juventude conectada brasileira pesquisada, os representantes da regio Sul foram, em boa parte dos casos, os menos entusiasmados com o uso das potencialidades proporcionadas pela internet, o que se traduziu tambm em uma maior participao relativa de respostas neutras, no comparativo com seus congneres de todo o Pas. Cabe destacar que, em relao afirmao de que o uso da inter- net contribui para aproximar as pessoas, os jovens internautas da regio Norte foram os que se mostraram mais indiferentes (27%,contraamdiabrasileirade22%),comexceoapenasdos jovens moradores da regio Sul do Pas (33%). 58. 115114 Os EIXOS da pesquisa Nesse contexto, o papel da internet oferecida no ambiente escolar ainda que em menor proporo ao acesso residencial tambm mostrou grande importncia rela- tiva: 75% dos jovens dizem j ter utilizado a internet na escola para atividades propostas em aula e 68% deles declaram ter utilizado a internet na escola por iniciativa prpria. Quando questionados se era mais fcil realizar trabalhos escolares consultando a in- ternet, 60% dos jovens concordam totalmente ou quase totalmente. Outros 54% con- cordam que a internet permite o preparo e a autoavaliao para provas e testes como o ENEM, vestibulares e concursos pblicos. Nessa mesma direo, cabe res- saltar que 45% dos jovens conectados brasileiros concordam total ou quase totalmen- te que na internet aprenderam coisas teis para suas vidas ou para o seu trabalho, que no aprenderiam na escola de ensino fundamental ou mdio, ou mesmo na faculdade. H, portanto, que se reconhecer que para o jovem brasileiro, a internet uma fer- ramenta complementar escola no seu aprendizado cotidiano, exercendo tanto funes de apoio s rotinas, procedimentos e currculos educativos formais, quanto aportando contedos e saberes que extrapolam os conhecimentos que circu- lam dentro dos estabelecimentos de ensino. O fato de o professor saber utilizar as tecnologias de informao e comunicao para ensinar tambm apontado como um importante fator de aprendizado: 47% dos jo- vens brasileiros conectados concordam totalmente ou quase totalmente com essa afirmao. Idntico porcentual de entrevistados declara, tambm, acreditar total ou quase que a internet e outras tecnologias colaboram para melhorar o relaciona- mento e a troca de conhecimentos entre os colegas. Curiosamente, no entanto, uma parcela inferior de respondentes considerou que a internet melhora o relaciona- mento entre alunos e professores (35%). Serginho Groisman A escola traz um repertrio muito voltado para a profisso, ao preparo para o vestibular, para o ENEM. Falta na escola, pblica ou privada, um espao na grade para os alunos discutirem sobre temas atuais, como os rolezinhos ou poltica. preciso incentivar o esprito crtico nos alunos. A internet pode servir como ponte para o aprendizado atravs do contedo, mas tambm podem atrapalhar: voc se perde nas redes sociais e em sites completamente nada a ver com o seu estudo e perde o foco. Ficou muito mais complicado conseguir a ateno dos jovens para o mundo offline e a passa a ser comum uma pessoa que sabe tudo de computador mas que no sabe nem falar sua prpria lngua. A internet auxilia na hora de fazer pesquisa, mas atrapalha porque existem as redes sociais e a pessoa esquece da vida: no estuda quando tem prova, no faz trabalho. Eu acho que ainda tem alguns materiais e aulas que precisam ser aperfeioados. No meu caso no muito legal porque sou muito dispersa; se estou na internet, no consigo ligar o computador e no entrar no Skype... Eu queria fazer a segunda faculdade online e tentei fazer um curso antes para ver como era. No rolou. Mas d certo para muita gente: minha me fez, terminou a faculdade dela online. A adoo de prticas de compartilhamento de material didtico em redes sociais, blogs, e-mails e outras ferramentas digitais por escolas e professores vista como positiva pelos jovens internautas ao longo de toda a pesquisa. A internet consolida-se como importante instrumento de apoio s atividades educati- vas da juventude conectada brasileira, principalmente a partir de sua utilizao no m- bito domstico. De fato, 82% dos jovens pesquisados declararam j ter utilizado a ferramenta em casa para realizar atividades propostas em aula e 77% deles declaram ter utilizado a internet em casa para fazer trabalhos por iniciativa prpria. Isso tambm aproxima professor e aluno. No ano passado, na poca de vestibular, eu tirava todas as dvidas de matemtica com o professor pelo Facebook. No computador no fico prestando ateno no que estou estudando. Eu no consigo. Prefiro um lugar sem acesso internet. Vou para a biblioteca. A internet puxa muito a sua ateno. O professor de filosofia aplica o contedo e na parte da tarde, coloca um resumo da aula no blog dele. Assim, quem no copiou tudo ou faltou pode consultar o blog. J peguei muita coisa l. 59. 117116 Os EIXOS da pesquisa A Educao e os jovens internautas brasileiros No se aplica Mais discordo do que concordo Neutro Mais concordo do que discordo Concordo totalmente ou quase totalmente Discordo totalmente ou quase totalmente mais fcil fazer trabalhos escolares consultando a internet A internet permite o preparo e a auto avaliao para provas e testes (ENEM, concurso pblico, vestibular) O uso de internet e outras tecnologias de comunicao melhoram o relacionamento e a troca de conhecimento entre os alunos Aprendo mais com uma aula presencial do que com uma aula online Um bom professor aquele que sabe utilizar a internet e os recursos tecnolgicos para ajudar no aprendizado dos alunos J aprendi coisas teis para a vida ou para o trabalho na internet, que eu no aprenderia na escola/faculdade A internet possibilita o acesso ao aprendizado no meu ritmo, local e horrio mais adequado s minhas necessidades Fico mais motivado a estudar com o uso de internet No futuro com a internet, o professor passar a ser mais um orientador de estudos O uso de internet melhora o relacionamento entre alunos e professores Utilizando a internet ampliei meus conhecimentos da lngua inglesa Em muitos casos a Internet atrapalha a aprendizagem, pois as redes sociais e os games distraem o aluno reduzindo seu tempo de estudo No saber ingls pode impedir o melhor uso da internet Na internet tem muita informao, o que dificulta a seleo do melhor contedo 2% 2% 2% 2% 2% 3% 4% 4% 3% 3% 3% 3% 2% 2% 8% 5% 2% 6% 5% 2% 10% 25% 21% 34% 7% 3% 11% 17% 26% 22% 25% 29% 27% 24% 7% 3% 6% 2% 12% 24% 24% 33% 6% 2% 22% 24% 26% 26% 35% 38% 6% 6% 6% 6% 6% 4% 21% 23% 24% 26% 21% 21% 23% 24% 20% 19% 19% 24% 47% 47% 47% 45% 44% 39% 2% 2% 1% 1% 14% 16% 24% 21% 60% 54% Rodrigo Nejm A gente se engana ao supor que essas geraes entendem de tecnologia e tm habilidades tcnicas para us-las. Temos confundido capacidade tcni- ca de uso com capacidade de crtica e curiosidade. No temos apresentado essepotencial,esselequemaisdiversificadodepossibilidadesqueainternet oferece para essa garotada. Por isso, a escola est indo a reboque do uso co- tidiano e do uso comercial da internet. Me parece que uma educao sobre o engajamento mais cidado em relao internet e prpria compreenso de seus potenciais e de sua dinmica no tem sido pauta das discusses em famlia, e tampouco na escola. A capacidade tcnica que essas novas gera- estmnoacompanhadaporumareflexosobreaprpriadimensoda internet. Precisamos ensinar a eles conceitos mais amplos de praa pblica, de tica, de construo de tecnologia, do lugar que a tecnologia pode ocupar no desenvolvimento da prpria cidade, por exemplo. Intensificar a impor- tncia da internet dando poder a todo cidado, garantindo que toda pessoa tenha condio de criar os seus prprios contedos e de fato mudar muita coisa em seu entorno: esse potencial no parece estar sendo to explorado. Curioso observar que, ao mesmo tempo em que 38% dos jovens conectados brasilei- ros informam discordar total ou quase totalmente com a afirmao de que no futuro o professor ser mais um orientador dos estudos, 24% declarou concordar total ou qua- se totalmente com o fato de que a internet tem muita informao, o que dificulta a seleo do melhor contedo. Trata-se, portanto, de uma oportunidade de discutir o novo papel do professor no contexto do aprendizado mediado pelas tecnologias de informao e comunicao e do estmulo e desafio de assumir funes de tutor, curador e orientador transformando-se em mais do que um transmissor unidirecio- nal de conhecimentos. 60. 119118 Os EIXOS da pesquisa Para realizar pesquisas, trabalhos escolares, estudos disciplinares ou aprofundar os estudos, a juventude brasileira conectada informou confiar prioritariamente (59%) nas ferramentas de busca. Em segundo lugar na ordem de preferncia, mas com larga margem de diferena foram apontados os sites especializados e/ou foca- dos em um determinado tema e as publicaes, como livros, jornais e revistas (ambos com 28% cada). Na sequncia e na ordem decrescente de importncia relativa foram mencionados: instituies de ensino presencial (23%); portais, como UOL e Terra, entre outros de idntica natureza (22%); redes sociais (18%); fruns (17%); blogs (16%) e instituies de ensino a distncia (15%). Marcia Padilha [...] me parece que a ideia que os jovens tm de que na internet s tem por- caria uma representao emprestada dos adultos. [...] Nesse sentido, me parece correto cham-los de resistentes. Mas tambm acho correto pensar que seu repertrio limitado no lhes permite ter outras representaes dos usos, recursos e contedos da rede. A Educao deveria incidir nisso. O endeusamento dos buscadores Uso da internet para apoio nos estudos Em casa ou na escola, para me preparar para provas ou concursos 33% 67% Na escola, para realizao de trabalhos escolares por iniciativa prpria 32% 68% Em casa ou na escola, para saber mais sobre alguma matria escolar 26% 74% Em casa, para realizao de trabalhos escolares por iniciativa prpria 23% 77% Na escola, para realizao de atividades propostas em aula 25% 75% Em casa, para realizao de atividades propostas em aula 18% 82% No Sim Nesse contexto, vem em auxlio da escola e do professor a afirmao de que a maio- ria dos jovens conectados ouvidos pelo estudo diz aprender mais com as aulas presenciais do que com aquelas ministradas online. De fato, observou-se que 47% deles afirmou concordar total ou quase totalmente com essa afirmao, ante 6% dos que afirmaram discordar totalmente ou quase totalmente com o mesmo enunciado. Considerando o intenso uso que a juventude conectada faz da internet para dinamizar e ampliar seus relacionamentos e contatos sociais, no deixa de chamar a ateno o fato de que aqueles que consideram que o uso da rede mundial melhora o rela- cionamento e a troca de conhecimentos entre alunos no atinge a maioria, mas sim 47% da amostra pesquisada. Entre os pesquisados, 21% assumem posio de neutralidade ou indiferena em relao ao tema, 2% discordam totalmente ou quase e 4% mais discordam do que concordam. Marcia Padilha considera este fato decorrente tanto do conservadorismo e da resistncia do jovem em relao ao papel potencialmen- te educativo da internet, quanto da sua prpria dificuldade de representao pessoal do fenmeno, qui tomado de emprstimo do universo adulto. Felipe Altenfelder Isso seria um novo paradigma, essa molecada que est vindo a, o cara tem 1.500 pessoas no Facebook dele, ele fica lendo a opinio de todo mun- do o dia inteiro ali e sem dvida, aquilo algo que est fazendo parte com muita fora da formao dele. Serginho Groisman Os professores no Brasil precisam ganhar mais, mas tambm se qualificar melhor quanto ao uso da internet, por exemplo. Eles precisam entender o mo- mento que as pessoas vivem, o papel da internet na vida do aluno, o repert- rio que estes alunos trazem. O professor tem que compartilhar mas tambm receber. Como professor aprendi que o aluno tem muito a te acrescentar. 61. 121120 Os EIXOS da pesquisa As instituies de ensino presencial mostram deter um importante papel de refern- cia como entidades de boa credibilidade e confiana na oferta de informaes sobre capacitao profissional, particularmente na regio Sul (25%), e de maneira ainda mais especial nas cidades do interior (30%). A procura por informaes e dicas de uso e de tutoriais para softwares tais como Excel, Photoshop, Word e outros foi mais intensamente dirigida aos buscadores, como o Google e o Bing, entre outros similares (32%), por serem consideradas fontes mais confiveis quando comparadas a outras opes: 41% 37% 31% 30% 28% 19% 17% 11% redes sociais blogs publicaes, como livros, jornais e revistas sites especializados fruns instituies de ensino presencial instituies de ensino a distncia portais Principais fontes de busca para conhecimentos gerais e curiosidades Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Monica Galiano Eu acho que a tecnologia facilita a mobilizao, pela comunicao e pela difuso instantnea. As redes sociais espalharam a notcia. Isto mais poderoso do que nada nunca antes imaginado. Li outro dia que nosso crebro est ficando dependente do Google...hahahaha!!!. Vamos supor que estou com dor de cabea. Vou l e... qual remdio procuro para dor de cabea?. Geralmente procuro informaes sobre mitologia grega. Ento vou l, pego uma histria e comeo a ler e, se gosto, salvo e coloco no Facebook para ler mais depois. Observa-se que os buscadores adquirem grande relevncia como fontes crveis de informao e pesquisa, superando itens mais tradicionais como livros, jor- nais, revistas e as prprias instituies de ensino tanto as presenciais quanto as virtuais, o que confirma o carter massivo, horizontal e descentralizado da circulao da informao na sociedade contempornea, incluindo o Brasil. Em termos macrorregionais, Norte e Nordeste so as regies onde as ferramentas de busca na internet adquirem maior importncia relativa frente s outras fontes: 70% e 61%, respectivamente. Merecem ainda destaque a penetrao das mesmas junto s po- pulaes jovens do interior da regio Sudeste (64%) e das capitais do Centro-Oeste (61%). Aconfiananossitesespecializadosmostrou-sesignificativamentemaiorparaosjovensdas capitais do Sudeste e do Centro-Oeste, com participaes porcentuais relativas de, respecti- vamente,33%e35%. Quando se trata de conhecimentos gerais e curiosidades, as fontes mais confiveis para os jovens conectados brasileiros continuam sendo os sites de busca, com 56% das respostas. Em seguida, pela ordem decrescente de importncia foram mencionados: 7% declarou no consultar esse tipo de informao. 56% Sites de busca 62. 123122 Os EIXOS da pesquisa 4% dos jovens brasileiros entrevistados dizem no utilizar nenhuma dessas fontes para pesquisar o tema, enquanto outros 22% declarou no buscar tais informaes. Para 13% dos entrevistados, nenhuma das fontes apontadas pela pesquisa so consultadas para obter informaes sobre cursos, enquanto outros 28%, declarou no buscar tais informaes. O maior ndice de jovens que no buscam informaes sobre cursos foi verificado na regio Nordeste (40%), especialmente junto aos jovens das cidades do interior (48%). A importncia conferida s instituies de ensino presenciais enquanto fontes confiveis de informao sobre cursos complementares, cursos de extenso, gra- duao ou ps-graduao mostrou-se bastante homognea para os jovens habi- tantes de todas as diferentes macrorregies do Pas. J o uso dos buscadores para a procura de informaes sobre cursos foi mais intensamente declarado pelos jovens da regio Sudeste (23%), especialmente os do interior (24%). Interes- sante tambm comentar que para o Sudeste, as redes sociais mostram importncia relativa maior na abordagem deste tema, ou seja, na procura de informaes sobre novos cursos acadmicos (10%) para os jovens habitantes das capitais. Usos das ferramentas da web 2.0 Ferramentas da web 2.0 Pesquisas/estudos e trabalhos escolares Conhecimentos gerais Capacitao profissional Dicas/Tutoriais para softwares Cursos complementares Ferramentas de busca 59% 56% 29% 32% 21% Sites especializados 28% 28% 21% 19% 17% Publicaes 28% 30% 16% 9% 17% Instituies de ensino presencial 23% 17% 22% 9% 22% Portais 22% 37% 12% 11% 8% Redes sociais 18% 41% 11% 13% 8% Fruns 17% 19% 11% 13% 8% Blogs 16% 31% 10% 18% 7% Instituies de ensino a distncia 15% 11% 15% 8% 17% Nenhuma 8% 7% 12% 14% 13% No consulto 11% 7% 19% 22% 28% Quando o tema pesquisado foram os cursos complementares, de extenso, graduao ou ps-graduao, as instituies de ensino presencial foram as entidades de maior confiana citadas e procuradas (22%). A elas se seguiram, em ordem porcentual de importncia relativa decrescente: 19% 21% 18% 17% 13% 17% 13% 12% 11% 8% 9% 8% 9% 8% 8% 7% sites especializados ferramentas de busca redes sociais sites especializados fruns fruns portais portais publicaes, como livros, jornais e revistas publicaes, como livros, jornais e revistas instituies de ensino presencial redes sociais instituies de ensino a distncia instituies de ensino a distncia blogs blogs Principais fontes de busca para cursos Principais fontes de busca para tutoriais de softwares 32% acessam site de busca 22% confiam em instituies de ensino presencial 63. 125124 Os EIXOS da pesquisa Um dos maiores riscos para os jovens de menor nvel de escolaridade e que buscam no empreendedorismo uma alternativa ao mercado de trabalho formal, no qual se incluiriam como empregados, consiste na iluso de que no ser necessrio adquirir previamente uma qualificao profissional que venha a dar suporte iniciativa. A maioria da juventude brasileira conectada acredita na importncia da internet como um apoio ao empreendedorismo. De modo geral, o jovem brasileiro conec- tado mostra-se entusiasmado frente ao potencial da internet no desenvolvimento de projetos, no estmulo inovao e no desenvolvimento da carreira profissional. Frente a um conjunto de afirmativas a eles apresentadas, a maioria (52%) afirma concordar totalmente ou quase totalmente que a internet: Em todos esses trs casos, simultaneamente, a parcela de respondentes que afirma dis- cordar total ou quase totalmente fica apenas entre 2% e 3% e a dos que tomaram uma posio de neutralidade em 18%. pode acelerar o desenvolvimento de projetos estimula a inovao e a gerao de ideias e novas solues ajuda no desenvolvimento da carreira profissional O interesse do jovem brasileiro em ter um negcio prprio considerado um fen- meno recente, cujo florescimento surge concentrado especialmente a partir do final da primeira dcada deste sculo. Segundo pesquisa de 2013 do Instituto Data Popular, o Brasiltemhoje1,5milhodejovensempreendedorescomidadeentre16e24anos. Tambm segundo o Data Popular, outros 22 milhes de jovens brasileiros de 16 a 24 anos expressam desejo de abrir seu prprio negcio em alguma etapa de suas vidas, sendo que deste total 50,5% so mulheres e 41,5%, homens. De acordo com dados da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor, de 2012, 18,3% dos empreendedores iniciais do Brasil tm entre 18 e 24 anos. Ainda segundo o mesmo estudo, 70% deles decidiram empreender por terem identificado uma atraen- te e promissora oportunidade no mercado e no por necessidade, devido, por exem- plo, ao fato de no terem um emprego. Os resultados da pesquisa Juventude Conectada mostram que o jovem conectado acredita no papel da internet para apoiar, acelerar, estimular e contribuir para a criao e o desenvolvimento de novas ideias e projetos inovadores. Porm, quan- do perguntados se pretendiam utilizar a internet para desenvolver seu prprio empre- endimento, o nvel de concordncia reduziu-se sensivelmente. Fonte: Data Popular, 2013 #empreendedorismo Classe alta Baixa renda Classe mdia 37,3% 52,6% 10,1% Distribuio socioeconmica dos jovens empreendedores brasileiros 64. 127126 Os EIXOS da pesquisa A juventude conectada brasileira frente ao empreendedorismo No se aplica Mais discordo do que concordo Neutro Mais concordo do que discordo Concordo totalmente ou quase totalmente Discordo totalmente ou quase totalmente 3% 3% 3% 3% 3% 3% 1% 3% 3% 4% 5% 2% 3% 6% 8% 2% 2% 4% 2% 2% 2% 1% 1% 1% 18% 18% 18% 18% 24% 24% 24% 22% 20% 25% 25% 22% 26% 24% 24% 23% 52% 52% 52% 51% 47% 45% 41% 35% A internet pode acelerar o desenvolvimento de projetos A internet estimula a inovao/ gerao de ideias e novas solues A internet ajuda no desenvolvimento da carreira profissional possvel ganhar dinheiro trabalhando com as ferramentas da internet A internet possibilita a criao de novos servios/ produtos/ projetos que no seriam possveis de outra maneira A internet um ambiente que contribui para o espirito empreendedor A internet permite levantar dinheiro/ financiamento para a realizao de projetos/novos negcios /startups Penso em usar a internet para desenvolver meu prprio modelo de empreendimento A maioria dos jovens entrevistados (51%) tambm disse concordar total ou quase totalmente com a ideia de que possvel ganhar dinheiro trabalhando com as fer- ramentas da internet. Para essa questo, o porcentual de respondentes que afirma dis- cordar total ou quase totalmente foi tambm de 3% e o de neutros novamente de 18%. Ainda no sentido de demonstrar confiana e entusiasmo no potencial da internet para apoiar atitudes empreendedoras dos jovens, 47% destes concordam totalmente ou quase totalmente que a internet possibilita criar novos servios, produtos e/ ou projetos que no seriam possveis de outra maneira; 45% concordam que a in- ternet um ambiente que contribui para o esprito empreendedor e 41% com a ideia de que a internet permite levantar dinheiro e/ou financiamento para realizar projetos e novos negcios, especialmente no apoio s startups. Por outro lado, interessante ressaltar que ao mesmo tempo que o jovem demons- trou confiana e entusiasmo com o potencial da internet e de suas ferramentas para gerar novos negcios e oportunidades, um menor porcentual afirma no acredi- tar que todo esse instrumental possa vir a ser utilizado por eles mesmos em modelos empreendedores. De fato, a afirmativa de que pensam em usar a internet para desenvolver um modelo prprio de empreendedorismo angariou o menor ndice relativo de concordncia total ou quase total entre todas as assertivas apresentadas (34%). Foi, tambm, a que agregou o maior ndice de discordncia total ou quase total (8%) e o maior valor relativo de neutralidade ou indiferena (25%). Pode-se observar, assim, que a internet representada como potente aliada da criatividade e capacidade de inovao do jovem brasileiro que busca solues e novos modelos de negcios prprios. Nesse contexto, a internet tambm vista como ala- vanca para a carreira profissional,permitindoalcanarpatamaresmaiscompetitivos. Cynthia Serva Quando voc falava em empreender, as pessoas associavam automaticamen- te a abrir uma loja... Abrir uma casa, criar uma empresa, abrir uma fbrica, no ? Esses eram os modelos e os padres de negcios at ento conhe- cidos. Todos os medos eram associados a isso, inclusive os riscos, altssi- mos, porque os custos so altssimos. Com custos cada vez mais altos, os riscos eram cada vez maiores tambm. Ento, com o advento da internet, surgiu um novo modelo: a internet surge como uma ferramenta extrema- mente poderosa. 65. 129128 Os EIXOS da pesquisa Com relao inteno de empreender utilizando a internet, mais de um tero dos entrevistados afirma que pensa em desenvolver um modelo prprio de empre- endimento. Confirma-se, portanto, a prevalncia de uma viso otimista do jovem brasileiro conectado frente ao seu potencial empreendedor, com o suporte da rede mundial de computadores. Porm, tal viso no homogeneamente distribuda ao largo de todo o Pas. Os dados mostram de maneira consistente que, via de regra, os jovens da regio Nordeste so os que mais acreditam e demonstram entusiasmo com o poten- cial de apoio da internet a seus projetos pessoais de empreender. Parte desse comportamento mais eufrico pode ser motivado por um importante conjunto de iniciativas de apoio ao desenvolvimento de polos e de projetos de tecnologia (como o Polo Digital do Recife, por exemplo), adotadas nos ltimos anos na regio. No sentido contrrio, os jovens da regio Sul so os que demonstram menos entu- siasmo e confiana no potencial de apoio da internet ao desenvolvimento, pla- nejamento e implantao de projetos de empreendedorismo. A eles, porm um pouco mais otimistas, se seguem os jovens do Norte . Em geral, para todas as afirmativas avaliadas, a frequncia de posicionamentos neu- tros bastante homognea para os jovens de todo o Pas, com mdias que vo de 18% a 25%. A nica exceo em relao a esta constatao foi observada em relao populao do Sul. Neste caso, os nveis de neutralidades so bem mais considerveis atingindo entre 33% e 37%, dependendo da assertiva analisada, mas sempre em nveis muito superiores aos encontrados para as outras regies do Brasil. A percepo do empreendedorismo pelos jovens fortemente correlacionada au- tonomia pessoal que o negcio prprio pode trazer. Para a especialista Cynthia Serva, tal situao desemboca em um dilema que divide o jovem psicolgica e emo- cionalmente: como equilibrar os anseios da segurana potencialmente oferecida pela opo do emprego formal (ainda que sob o risco permanente da perda da colocao) e a busca de realizao pessoal. Para ela, um importante fator crtico da sociedade bra- sileira contempornea e que denota falha no apoio ao jovem nesta importante etapa de seu desenvolvimento pessoal e profissional o despreparo da maioria das escolas no efetivo enfrentamento do problema. Cynthia Serva A internet d oportunidade a novos modelos de negcios, at ento des- conhecidos. E, cada vez mais, o jovem percebe isso. Percebe que ele pode, a partir de muito pouco recurso, gerar uma empresa, com capilaridade, com capacidade de escala. O sonho de ser o prprio chefe surge, para muitos deles, como opo vivel. Mas, mui- tas vezes se apresenta como possibilidade concreta somente no futuro distante, posterior conquista de experincia como empregado (de empresas pblicas ou privadas) e ao acmulo de recursos prprios. Cynthia Serva As pessoas ainda tm esse anseio por segurana no trabalho. Essa segu- rana, na maioria das vezes, est atrelada ao dinheiro, ao salrio e ex- pectativa de no correr riscos de demisso, o que um grande dilema. Eu no busco nenhuma oportunidade profissional, mas apenas o dinheiro? Eu busco apenas segurana? Ou eu busco realizao pessoal? Ento, esses so temas mais profundos. Acredito que a nossa sociedade como um todo e a grande maioria das escolas ainda no esto muito preparadas para res- ponder a essas questes. Pamella Gonalves A grande motivao para empreender a independncia, e no tanto a questo financeira. No ter chefe, poder trilhar o prprio caminho, ter mais autonomia... Tem muito a ver com a independncia de uma forma geral. bvio que o financeiro passa a ser importante, medida que a idade avana. Para o cara mais prximo dos 20 anos, mais importante a inde- pendncia; para o mais prximo dos 30, a questo financeira acaba sendo mais importante. Para mais tarde. No momento ainda preciso trabalhar para os outros. Mas futuramente quero ser meu prprio chefe. No d para ficar dependendo dos outros no futuro. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 66. 131130 Os EIXOS da pesquisa Nesse contexto, tanto a internet quanto os rgos de apoio setorial como o Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), so vistos como poten- ciais aliados. Importante reconhecer tambm que o empreendedorismo no aparece como uma soluo vivel e atraente para todos os jovens. Alguns deles apontam dificuldades pessoais, falta de vocao, pacincia ou condies materiais e intelectuais insuficien- tes para conduzir um negcio prprio. Assim, inseguranas e instabilidades surgem como ameaa felicidade, realizao do trabalhador: Meuavsempretrabalhouparaelemesmoeomeupaino,semprefoifuncionrio.Meuavjtemacasadeleetrs carros. No uma coisa material, tipo eu tenho mais dinheiro, mas eu me esforcei e agora posso viver bem. E meu pai no: ele ficou muito preocupado em ir atrs de emprego e menos em crescer como profissional, como pessoa. Participei de um curso de administrao em que tinha que montar a minha prpria empresa. A gente tinha de fazer todas as contas, desde o salrio do funcionrio at o da faxineira. Ento, quando me dei conta da respon- sabilidade que abrir e manter uma empresa; tem que ter muita pacincia e noo do que est fazendo. Tem todo um percurso louco para fazer. Tem que ter autorizao do governo... Quando vi isso pensei deixa eu ficar l mesmo porque isso vai dar muita dor de cabea. No d mais para ser funcionrio dos outros. Voc faz de tudo pela empresa e, de uma hora para outra, voc demitido sem motivo nenhum. Ento essa uma das vontades que o brasileiro principalmente deveria ter. Frana, Inglaterra, Estados Unidos, eles j so superiores ao Brasil. J entrei no Sebrae para pesquisar sobre como formar uma empresa. Eles do vrios cursos de como pesquisar o mercado e ter de como usar o dinheiro, por exemplo. Funcionrio tem prazo de validade. Para muitos deles, em especial para os jovens das classes C e D, os histricos pro- fissionais de familiares e pessoas prximas aponta para um sucesso maior dos que se empenharam em negcios prprios, em contraposio aos que seguiram carreira como assalariados. Quando perguntados sobre a probabilidade de virem a abrir um negcio prprio nos prximos cinco anos, 28% dos jovens entrevistados dizem considerar tal iniciativa provvel e 15% muito provvel, indicando que 43% dos jovens conectados vislumbram um horizonte empreendedor em um cenrio de cinco anos. Cynthia Serva Empreender significa correr muito risco e, para minimiz-lo, preciso se dedicar a uma srie de estudos de mercado, validar hipteses para o ne- gcio, verificar se de fato rentvel ou no. E ento o jovem v que d trabalho. Por que o Facebook e o Waze, por exemplo, so pontos comple- tamente fora da curva, histrias como essas no aparecem todos os dias. A grande maioria dos empreendedores que a gente conhece no acerta- ram de primeira, mas eles tm o desejo muito forte de construir algo por si prprios. Empreender vai muito alm de ganhar dinheiro, e isso que a gente tem que desmistificar. Empreender tem muito mais a ver com voca- o, com entender qual seu propsito. necessrio um profundo auto- conhecimento, preciso entender exatamente no que se bom, o que se gosta de fazer, o que traz felicidade e e s ento colocar todas as energias em cima daquilo. Empreender no para todos Muito provvel Probabilidade de o jovem internauta brasileiro vir a abrir um negcio prprio nos prximos cinco anos 14% 13% 15% 30% 28% No sei Nada provvel Pouco provvel Provvel 67. 133132 Os EIXOS da pesquisa O percentual de jovens que considera pouco provvel empreender foi mais expressivo para os habitantes da regio Nordeste (36%), tanto para os moradores das capitais quanto para os das cidades do interior. Entre todas as reas e localizaes de moradia pesquisada, o maior ndice de jovens que v no empreendedorismo uma possibi- lidade remota vive nas capitais da regio Sul (41%). Dentre os que consideraram o fenmeno provvel, o nvel de otimismo mais intenso observado para os jovens da regio Centro-Oeste (35%), especialmente para os habi- tantes das cidades do interior (42%). Em contrapartida, os menos estimulados nesta direo foram os jovens da Regio Sul (18%), tanto para os moradores das capitais, quanto do interior. Os jovens que apontaram alta possibilidade de abrir um negcio prprio nos pr- ximos cinco anos se concentram na regio Norte (19%), sendo que o nvel de res- postas encontrado, por rea de moradia, de 18% nas capitais e de 20% nas cidades do interior. Coerentemente com as respostas j discutidas anteriormente, os jovens da regio Sul so os que mais declaram considerar nada provvel abrir um negcio prprio nos prximos cinco anos. Nesse caso, a mdia regional de 21%, um por- centual que sobe para 27% quando observados apenas os moradores das capitais e que cai para 18% entre os jovens das cidades do interior. Entre os que no souberam responder questo, a maior parcela relativa concentra-seno Sul (19%), e mais signi- ficativamente nas cidades do interior (25%). Quandoseexpandeohorizontedetempo,aumentasignificativamenteapercepodoempreendedorismocomopossibilidadepessoal. Entre as causas provveis para essa mudana de percepo esto: Probabilidade de o jovem internauta brasileiro vir a abrir um negcio prprio nos prximos dez anos 7% 11% 31% 18% 33% Muito provvel No sei Nada provvel Pouco provvel Provvel A concluso dos estudos, provavelmente incluin- do carreiras universitrias A conquista de experincia a ser adquirida no trabalho como empregado O acmulo de capital inicial durante o perodo em que trabalha como empregado de terceiros para viabilizar o incio de um negcio prprio 1 2 3 68. 135134 Os EIXOS da pesquisa Proporcionalmente, os jovens que informam maior ndice de preferncia pelo in- vestimento nos estudos so os das regies Norte e Nordeste, ambos com par- ticipao mdia de 56%. Cabe destacar que para os jovens das cidades do interior da regio Norte, esse valor sobe para 67%. Inversamente, na regio Sul que se en- contram os menores ndices porcentuais relativos para esta opo: 36% na mdia regional; 39% nas capitais e 35% no interior. No Brasil, predomina o entendimento da superioridade qualitativa da escola privada sobre a pblica, o que ajuda a entender a grande importncia aspiracional observada na destinao de eventuais recursos extras a esta modalidade de ensino. Sabe-se que a educao representa para o jovem brasileiro a mais importan- te e decisiva chave de acesso mobilidade social. Alm disso, possvel constatar o crescimento da importncia social conferida educao como garantia de um melhor posicionamento no mercado de trabalho e de conquista de maior status social em- bora a percepo dos jovens (captada em questes colocadas por esta pequisa) sobre o papel da escola em suas vidas nem sempre evidencie isso. Considerando a hiptese de que herdassem uma quantia de R$ 50 mil, a maioria dos jovens brasileiros conectados informam que, considerando vrias possibilidades de resposta: investiriam em estudos (46%) e/ou iniciariam um negcio sozinho ou com um scio (42%). O que eles fariam com uma herana de R$ 50 mil O que o jovem internauta brasileiro faria com uma inesperada herana de R$ 50 mil Investiria nos estudos Iniciaria um negcio (sozinho ou com um scio) Pouparia o dinheiro Compraria/Quitaria casa prpria Viajaria para estudar/Faria intercmbio Viajaria a lazer No trabalharia/Pararia de trabalhar Gastaria em coisas que sempre quis ter Nenhuma dessas opes 46% 42% 33% 31% 17% 17% 14% 12% 2% Cynthia Serva Voc percebe uma diferena muito grande de motivao entre as faixas etrias. O menino que pensa em empreender aos 18 anos est muito pre- ocupado em encontrar uma oportunidade de negcios que traga dinheiro rpido. Talvez eu no possa colocar isso como uma verdade absoluta, mas a grande maioria busca dinheiro em um curto espao de tempo e reconhe- cimento rpido, principalmente porque ele ainda associa empreender a es- ses nomes mais conhecidos, a esses modelos de negcios mais famosos. Na mdia regional, os maiores ndices estatsticos para os jovens que considera- ram provvel abrir um negcio prprio nos prximos dez anos foram observados no Norte (37%) e no Centro-Oeste (36%). Entre todas as reas pesquisadas, os mais otimistas quanto a esta opo vivem no interior da regio Sudeste (38%). Na opo muito provvel, o destaque dos jovens da regio Norte (40%), especial- mente os das cidades do interior (44%). A eles se seguem os do Nordeste, com ndice de participao percentual relativa de 35%, observado principalmente junto aos jo- vens moradores das capitais (39%). Os menos estimulados em relao a esta opo de futuro foram os jovens da regio Sul, onde a mdia de 22%, um porcentual que cai para 14% entre os entrevistados que vivem nas capitais. na regio Nordeste que se localiza o maior porcentual relativo de jovens que con- sideravam pouco provvel empreender daqui a dez anos (25%). A diferena de valor para os jovens das cidades do interior notvel: 29%. A regio Sul vem logo em seguida, concentrando 21% de jovens que consideram pouco provvel se tornar empreendedores no perodo apontado, com maior destaque para os que vivem nas capitais (27%). Entre aqueles que apontaram a opo nada provvel para este quesito, a maior con- centrao foi identificada no Centro-Oeste: 10%. Nesse caso, cabe destacar, ainda, que a resposta foi mais significativa nas capitais (11%) do que nas cidades do interior (9%). 69. 137136 Os EIXOS da pesquisa A opo oferecida de no trabalhar ou de deixar de trabalhar no tem representao estatstica por parte dos respondentes. Ao mesmo tempo, 2% deles declara no optar por nenhum dos enunciados apresentados e 4% no sabe responder questo. A opo por investir nos estudos nacionalmente a mais sig- nificativa entre todas as opes apresentadas aos jovens res- pondentes adquiriu mxima expresso na regio Nordeste, com participao porcentual relativa de 45%, tanto para a re- gio das capitais, quanto para as cidades do interior. Cabe des- tacar que idntico valor foi ainda encontrado junto aos jovens das cidades do interior da regio Norte. Em sentido contrrio, as menores expresses porcentuais relativas foram localizadas junto aos jovens da regio Sul (23%). Esses dados vm confirmar achados de outras pesquisas, que apontam que o maior sonho da juventude brasileira ter aces- so educao de qualidade. De fato, segundo estudo realizado pela Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Re- pblica (SAE), atravs da sua recm-criada Comisso Nacional de Populao e Desenvolvimento (CNPD)*, entre as mais altas prioridades do jovem brasileiro esto: *Pesquisa de campo realizada pelo Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada ( IPEA), em maio de 2013, na qual se incluiu a categoria dos jovens de 15 a 29 anos de idade. Foram consultadas, no total, 10 mil pessoas entre jovens e no-jovens. Cada entrevistado escolheu entre 16 temas quais eram as suas seis e somente seis maiores prioridades. Entre as opes para aplicar uma herana inesperada de R$ 50 mil, qual voc considera mais importante? 34% 2%2% 2% 13% 4% 15% 24% Investiria nos estudos No trabalharia/pararia de trabalhar Viajaria para estudar/fazer intercmbio Gastaria em coisas que sempre quis ter Nenhuma dessas opes Compraria/quitaria casa prpria Viajaria a lazer Pouparia o dinheiro Iniciaria um negcio (sozinho ou com um scio) Com a recente expanso dos nveis da empregabilidade formal, bem como da melhoria salarial e das condies socioeconmi- cas de expressivas parcelas da populao brasileira, surgiram renovadas e intensas demandas pelo ensino de melhor quali- dade no Pas, denotando uma nova ordem de interesse do bra- sileiro pela sua prpria educao e a de sua famlia. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios (Pnad) mostram que de 2002 a 2012 o porcentual de brasileiros maiores de 22 anos que tinham at quatro anos de estudo passou de 60% para 33,1% da populao.Nomesmoperodo, a parcela dos que tinham 12 ou mais anos de estudo elevou-se de 7,6% para 15,9%. No Brasil, constata-se uma forte e elevada correlao positiva entre nveis de ensino e valores dos salrios recebidos. Avalia-se que, em mdia, h um acrscimo de 10% nos salrios para cada ano adicional de estudo conquistado. O acesso ao estudo, no entanto, demanda investimentos com os quais a famlia nem sempre pode arcar. Para ter acesso educao, especialmente de nvel superior, muitas vezes o jovem se v compelido a ingressar no mercado de traba- lho. Fato que, por sua vez, aumenta o grau de dependncia da escola privada, que concentra a oferta de cursos no perodo noturno. Os dados do Censo da Educao Superior 2012, do Ministrio da Educao, registram a existncia de pouco mais de 7 milhes de estudantes universitrios no Brasil, 73% dos quais matriculados em cursos superiores particulares. Entre es- ses 73%, considervel o nmero de estudantes que arca com os custos de sua prpria educao. Dados do Censo da Educao Superior comprovam que o nmero de matrculas em cursos universitrios noturnos j representa quase o dobro dos diurnos. H dez anos, eram praticamente equi- valentes. Em todo o Pas, apenas seis estados tm mais alu- nos matriculados em cursos superiores oferecidos por es- colas pblicas do que pelas particulares. Quatro deles ficam no Norte (Acre, Par, Roraima e Tocantins), um no Sul (Santa Catarina) e um no Nordeste (Paraba). Regionalmente, o maior impulso empreendedor para o recur- so financeiro hipoteticamente herdado observado entre os jovens do Nordeste (53%) e ainda um pouco mais significati- vamente para os moradores das capitais (54%). Porm, quando observadas as regies de moradia, o maior porcentual relativo encontrado entre os jovens que vivem nas capitais da re- gio Sul (56%). Em sentido contrrio, o menor interesse empre- endedor para tais recursos observado no Sudeste (38%) e ainda mais significativamente nas capitais (35%). Em contrapartida, os jovens do Sudeste so os que mais de- claram interesse em destinar a herana inesperada pou- pana, sendo que esta opo agregou 35% das respostas, tanto para os moradores das capitais, quanto das cidades do interior. No sentido oposto, esto os jovens do Centro-Oeste: 26% deles pouparia os R$ 50 mil uma parcela significativamente inferior s observadas para outras regies do Pas. Em relao casa prpria aquisio ou quitao o comporta- mento observado foi sensivelmente homogneo para os jovens de todo o Pas, com exceo dos jovens que residem nas capitais das regies Norte e Sul, onde os porcentuais se elevaram subs- tancialmente, para 38% e 43%, respectivamente. Gastar a herana hipottica em viagens de estudo ou inter- cmbios foram opes que atraram os jovens das regies Norte, Sudeste e Nordeste, com ndices de participao porcentual re- lativa de 22%, 19% e 18%, respectivamente. Em sentido oposto, os menores interesses relativos por esta opo foram localizados junto aos jovens habitantes do Centro-Oeste (9%) e do Sul (14%). Em termos macrorregionais, os gastos com viagens de la- zer atraram mais intensamente os jovens da regio Sudeste (20%), seguidos pelos da regio Norte (18%). Porm cabe res- saltar que o maior ndice nacional de resposta para esta opo encontrado para os jovens das capitais da regio Sul (23%). Foram eles tambm os que mais intensamente declararam, em todo o Pas, que gastariam os recursos da herana hipo- ttica em objetos de consumo, como roupas, carro, objetos e luxo e outros itens afins (19%). Considerando as mesmas possibilidades de aplicao dos re- cursos, mas restringindo a possibilidade de resposta a uma nica opo, cada jovem ouvido pela pesquisa pde apontar a opo que considerava mais importante. 4% 70. 139138 Os EIXOS da pesquisa Em termos macrorregionais, so os jovens do Sudeste e do Centro-Oeste os que mais se acreditam preparados para o uso da internet no apoio ao planejamento e/ou desenvolvi- mento de uma ideia de negcio ou empreendimento (62%). Cabe, entretanto, destacar que os ndices encontrados nestas regies no so muito superiores aos do Nordeste, especial- mente nas reas das capitais, onde os porcentuais equivalem aos valores anteriormente apontados. Em sentido contrrio, os jovens que se consideram menos preparados concentram-se nas regies Sul e Norte, com 52% e 53%, respectivamente. Os jovens do Sudeste so os que mais se consideraram ap- tos a usar a internet no apoio criao ou estruturao de um projeto ou negcio. De fato, 60% deles acreditam estar nesta condio, tanto nas capitais (59%), quanto no interior (61%). Entre os demais, observa-se pequena variao estatsti- ca, exceo dos moradores das capitais da regio Sul, onde o porcentual inferior (40%). Os que se declaram mais hbeis e preparados para usar a internet no apoio obteno de financiamentos so os jovens das cidades do interior das regies Norte (53%) e Centro-Oeste(50%).Eosquesedizemosmaisdesinformadosou menos preparados para utilizar a internet como suporte ao empre- endedorismo esto concentrados no Nordeste e no Sul, com parti- cipaoporcentualrelativade31%ede30%,respectivamente. Perguntados se a internet ajuda no desenvolvimento da carreira profissional, os jovens conectados entrevistados em todas as regies brasileiras concordam totalmente em 51% dos casos. Regionalmente, so os jovens do Nordeste os que se mostram mais entusiasmados em relao ao uso da Internet no apoio ao desenvolvimento da carreira: 51% concordam to- talmente com a proposio, especialmente os moradores das capitais (53%). Merece destaque nesse quesito a juventude conectada da regio Sudeste (41%). Em sentido contrrio, po- sicionam-se os jovens habitantes das regies Norte e Sul, com participaes relativas de, respectivamente, 30% e 33%. Para as opes seguintes, que concordam quase totalmente com a assertiva, os resultados mostram-se mais favorveis tambm para a juventude do Nordeste e do Sudeste. Quando questionados se era possvel ganhar dinheiro tra- balhando com as ferramentas da internet, 51% dos jovens de todo o Brasil concordam totalmente com a assertiva. Uso da internet para buscar apoio ao empreendedorismo Nenhum 26% Obter financiamento para projetos 41% Criar/Estruturar um negcio 56% Planejar/Desenvolver uma ideia 60% 85,2% 82,7% 63,5% 49% 40,9% Educao de qualidade Alimentao de qualidade Proteo contra o crime e a violncia Melhores oportunidades de trabalho Governo honesto e atuante Servios de sade Prioridades do jovem brasileiro 70,1% Fontes: IPEA, maio 2013 , Juventude que conta, Marcelo Neri, parte do seminrio Juventude e Risco, maio 2014 A opo empreendedora ganha contornos mais expressivos para a juventude co- nectada das regies Norte (35%) e Centro-Oeste (32%). Em todas as regies e reas de moradia de todo o Pas, o maior entusiasmo encontrado entre os jo- vens moradores das capitais da regio Norte (38%). A opo de adquirir ou quitar a casa prpria se mostra relativamente homognea para os jovens pesquisados de todo o Brasil, exceo dos que vivem nas capitais da regio Sul, onde a opo tem expres- so destacada, de 24%. A inteno de poupar mais valorizada pelos jovens das cidades do interior da regio Sul (19%) e das capitais da regio Sudeste (15%). J o apelo ao consumo de objetos de desejo atrai mais os jovens das capitais da regio Sul (6%) e do interior da regio Sudeste (5%). O jovem conectado brasileiro mostra que sabe utilizar a internet para planejar ou desenvolver uma ideia empreendedora em 60% das entrevistas realizadas. Admitindo-se respostas mltiplas para esta questo, observou-se, ainda: 56% dis- seram saber buscar apoio na internet para criar ou estruturar um negcio e 41% que sabem faz-lo para obter financiamento para um projeto de negcio. A internet como plataforma para o empreendedorismo juvenil 71. 141140 Os EIXOS da pesquisa totalmente ou quase totalmente. Os maiores valores esto, novamente, concentra- dos na regio Nordeste (47% e 30%, respectivamente), seguidos pelos das regies Centro-Oeste (39% e 17%, respectivamente) e Sudeste (39% e 11%). Os nveis de neutralidade para esse quesito foram mais significativamente observados na regio Sul (33%), seguida da Centro-Oeste (28%). Finalmente, 45% dos jovens brasileiros conectados concordam totalmente ou quase totalmente que a internet estimula o esprito empreendedor. Agregando os porcentuais que dizem mais concordar do que discordar, o total se eleva para 71%. Cynthia Serva Eu acho que quando a gente fala em empreendedorismo hoje, no s no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo, existe um certo glamour. Primei- ro, porque as histrias conhecidas so as histrias de sucesso. Se voc pe- dir para um jovem qualquer, um aluno qualquer, definir o seu modelo de empreendedor, uma figura inspiradora, a grande maioria vai citar o Mark Zuckerberg, do Facebook; o cara do aplicativo x; o Steve Jobs... Ele vai citar empreendedores que tiveram muito sucesso, e no necessariamente as- sim. Esses caras tambm tiveram casos de insucesso. Ento eles associam muito empreender como oportunidade de ganhar muito dinheiro em muito pouco tempo e de ser famoso em muito pouco tempo. o tal do dinhei- ro e do reconhecimento, sabe? preciso quebrar esse esteretipo de que voc precisa criar uma grande empresa. Empreendedores no precisam ne- cessariamente ser grandes empresrios. Empreender est atrelado a voc acreditar em algo, acreditar que possvel, buscar ferramentas, buscar co- nhecimento, porque s assim sua empresa vai se manter, vai se sustentar ao longo do tempo. Ento voc precisa sim buscar conhecimento para isso. Os que mais acreditam ser possvel ganhar dinheiro utilizando as ferramentas da inter- net esto concentrados no Nordeste (52%), tanto no caso dos moradores das capitais, quantodascidadesdointerior.AelesseseguemosdoCentro-Oeste(45%)edoSudeste (41%). Em ambos os casos, as participaes porcentuais foram especialmente mais significativas para os que viviam nas capitais (50% e 45%, respectivamente). Dos que concordam totalmente que a internet contribui para a criar novos pro- dutos, servios ou projetos, os mais entusiasmados so os jovens do Nordeste (42%), especialmente os das cidades do interior (46%). A eles se seguem os re- presentantes da juventude conectada do Sudeste (36%) e do Centro-Oeste (33%). No sentido oposto, os menores ndices de aquiescncia em relao ao enunciado pro- posto foram localizados nas regies Norte e Sul, com 25% de participao cada uma. Apesar de enxergarem na internet potencial para desenvolver produtos ou gerar no- vos negcios, 35% dos jovens afirmam no pensar em usar a internet para desen- volver um modelo prprio de empreendimento. Uma parcela adicional de 24% deles declara mais concordar do que discordar com a afirmao. Como nos casos anterio- res, a juventude mais entusiasmada em pensar o uso da internet para o desen- volvimento de modelos prprios de empreendimentos encontra-se, em ordem de importncia porcentual relativa decrescente, no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, com ndices de concordncia total de 29%, 27% e 26%, respectivamente. Se a esses percentuais forem agregados os dos jovens que mais concordam do que discordam, os totais se elevam, tambm respectivamente, para 58%, 54% e 46%. Quando questionados se a internet pode acelerar o desenvolvimento de proje- tos, 52% dos jovens conectados brasileiros concordam totalmente ou quase to- talmente com a afirmao, sendo que porcentuais ainda maiores foram observados para os jovens do Nordeste (53%), tanto nas reas das capitais, quanto na das cidades do interior. Se a este valor, se somarem ainda os porcentuais dos que mais concordam do que discordam o total apurado se eleva para 76%, agregando agora o entusiasmo dos jovens residentes nas regies Centro-Oeste (35%), Sul (30%) e Nordeste (27%). Quanto ao potencial da internet para levantar dinheiro e/ou financiamento para a realizao de novos projetos e/ou negcios empreendedores, os jovens brasileiros conectados majoritariamente declaram concordar totalmente ou quase totalmente que sim, em 41% das respostas. Tambm neste caso, os maiores nveis de entusias- mo se fizeram sentir junto s jovens populaes das regies Nordeste (36%), Sudeste (30%) e Centro-Oeste (29%). Portanto, constata-se que a maioria da juventude conectada brasileira tende a confiar na internet como fonte de obteno de re- cursos financeiros para a implantao de projetos empreendedores. A pesquisa investigou tambm o que pensa o jovem conectado brasileiro a respeito da internet como fonte de estmulo inovao e gerao de novas ideias e solu- es. Pelas respostas obtidas, pode-se observar que a maioria deles (52%) concorda 72. 143142 Os EIXOS da pesquisa #ativismo No Brasil, o ms de junho de 2013 foi marcado por diversas manifestaes de rua, que tiveram expressiva participao da populao jovem. Estima-se que entre os dias 12 e 17 de junho de 2013, cerca de 300 mil pessoas foram s ruas. No dia 20, esse nmero chegou a mais de 1,4 milho, em 120 cidades brasileiras. Diferentes tentativas de explicao sobre o seu real significado e abrangncia social continuam dominando a academia e os debates na mdia. Muitos defendem que os protestos so modos de experimentao e de despertar poltico das novas geraes*, ainda que as contradies que emergem das redes sociais pelo sucesso rpido e fcil da internet , desencorajem o trabalho mais difcil de criao de movimentos com estrutura e organizao duradouras. Manuel Castells (2013)** em seu recente livro sobre os movimentos sociais na era e no contexto da internet defende ser esta justamente a posio adotada pelos movi- mentos sociais contemporneos em muitos pases (Tunsia, Islndia, Egito, Espanha, EUA Wall Street, Brasil), ou seja, a de no optar pelo desenvolvimento de sistemas de estruturao e gesto formalizada dos movimentos, deixando-os fluir livremente. Muitos intelectuais e analistas dos recentes movimentos sociais acreditam que eles, em alguma medida, revelam jovens revoltados com as condies insatisfatrias de qualidade de vida e com a insegurana em relao ao futuro. Para Manuel Castells***, os movimentos que ganharam as ruas brasileiras recente- mente aparecem como um momento de indignao, s vezes por algo que parece pouca coisa, mas que uma gota a mais na sensao que existe em amplos setores de todas as sociedades de que as pessoas no contam. O autor afirma que os movi- mentos nascem de uma reao contra a injustia, a pobreza e a opresso e so as possibilidades de articulao pelas redes digitais que lhes do outra caracterstica fundamental: a existncia de um duplo espao de autonomia no espao fsico urbano e no ciberespao. O que mudou que os cidados agora tm um instrumento prprio de informao, auto-organizao e automobilizao que no existia. Do ponto de vista coletivo, os novos sistemas de comunicao incrementaram extra- ordinariamente a organizao dos movimentos sociais, ampliando o espao poltico e o espao de poder, estabelecendo uma relao ntima entre a autocomunicao de massas e o crescimento de novas formas de contrapoder. No contexto da crise sist- mica da capacidade das instituies de representao da sociedade fundamental- mente os partidos e os sindicatos em responder s presses dos cidados e da crise de confiana no sistema poltico, o mundo da comunicao est cada vez mais sus- cetvel interveno e produo de contedos por parte dos cidados, sem passar pelo filtro dos meios de comunicao tradicionais. Esse espao, em que se disputa e se constri o poder atravessa hoje, uma extraordinria transformao tecnolgica, organizativa, empresarial e cultural. O movimento de insatisfao juvenil compartilhado por milhes de jovens em vrias partes do mundo: Istambul, Turquia (junho de 2013); Espanha (Indignados); Occupy Wall Street (Nova York, setembro de 2011), entre muitos outros exemplos. Nesse con- texto, os jovens se tornaram mais exigentes por dois motivos: As novas tecnologias de informao e comunicao potencializam as aes e a atuao dos movimentos sociais, favorecendo as prticas da participao cidad. Nesse contexto, o mundo juvenil particularmente afetado e impactado, em mltiplos lugares, em todo o mundo conectado. *Ver, por exemplo, as posies defendidas pelo historiador britnico Perry Anderson, professor da Universidade da Califrnia e um dos mais importantes tericos marxistas contemporneos. **CASTELLS, Manuel. Redes de indignao e esperana: movimentos sociais na era da internet; traduo de Carlos Alberto Medeiros, 1 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. ***CASTELLS, Manuel. Entrevista concedida a Paulo Hebmller. Comunico, logo existo, Jornal da USP, de 24 a 30 de junho de 2013, p.12. *BUSCATO, Marcela; MAURO, Filipe. O novo ativista digital. poca, n. 789, p.48-64, de 8 de julho de 2013. Aumento do nvel de escolaridade Eles esto mais instrudos; quem estuda mais tende a entender melhor a realidade e ser mais crtico em relao a ela. Segundo dados do Inpe (Instituto de Pesquisas do Mi- nistrio da Educao), entre os jovens de 18 a 24 anos, aqueles que cursaram o nvel superior passaram de 15%, em 2002, para 29,9%, em 2011. A recente crise econmica O crescimento econmico brasileiro, que chegou a ser de 7% ao ano, caiu para menos de 1%, em 2012, arrastando com ele a possibilidade de melhoria rpida no padro de vida dos brasileiros sobretudo os mais jovens. O Pas no conseguiu cumprir a expec- tativa de realizao pessoal criada entre os jovens urbanos. O desemprego entre os de 18 a 24 anos chegou a 12,4%, em maio de 2013, o triplo da taxa observada entre trabalhadores mais velhos (BUSCATO; MAURO, 2013)*. 73. 145144 Os EIXOS da pesquisa Segundo Mnica Machado* , da UFRJ, as causas que mobilizam os jovens so as que impactam o seu cotidiano, como transporte e educao. Mas no se pode dizer que eles sejam individualistas, porque se propem a resolver os problemas coletiva- mente. Reproduzem a dinmica em que esto imersos nas redes sociais. Pelos resultados obtidos na presente pesquisa, a maioria dos jovens conectados brasileiros acredita que a internet aumenta a participao das pessoas em ma- nifestaes e movimentos sociais e/ou polticos. O levantamento demonstra que 52% concordaram total ou quase totalmente com essa afirmativa, ante apenas 3% que assumiram posio oposta e 22% que se manifestaram de maneira neutra ou indiferente em relao ao tema. A maioria tambm se mostra cautelosa e pre- cavida em relao s fontes de informao sobre as manifestaes convocadas via internet: 54% dos entrevistados concordam total ou quase totalmente com a afirmao de que antes de aceitar um convite feito pela internet para uma mani- festao, verificavam se a fonte era confivel. Em relao a este quesito, apenas 4% declararam posicionamento decididamente contrrio e 17% mantiveram-se em posies consideradas neutras. A juventude conectada brasileira frente ao ativismo No se aplica Mais discordo do que concordo Neutro Mais concordo do que discordo Concordo totalmente ou quase totalmente Discordo totalmente ou quase totalmente Antes de aceitar um convite feito pela internet de uma manifestao eu verifico se a fonte confivel A internet aumenta a participao das pessoas em manifestaes/movimentos sociais ou polticas A internet colabora com o aumento da viso crtica Produzir e compartilhar nas redes sociais vdeos, fotos e textos sobre problemas sociais e ambientais uma forma de protesto muito eficaz A participao em mobilizaes sociais colabora para a conscincia poltica A internet permite a melhor organizao das pessoas para resolver problemas da sociedade A internet a melhor ferramenta para manifestar minha opinio Procuro aprender sobre causas sociais, ambientais e polticas pela internet A internet facilita o meu envolvimento em aes solidrias/doaes de dinheiro, tempo, trabalhos e outros recursos para causas sociais Antes de comprar algo, pesquiso na internet se a empresa tem responsabilidade socioambiental No aprovo/curto quem participa de movimentaes sociais e polticas apenas pela internet, preciso participar presencialmente 4% 4% 3% 3% 3% 1% 2% 17% 19% 19% 22% 22% 26% 24% 23% 23% 26% 26% 24% 25% 24% 26% 25% 13% 14% 27% 27% 23% 5% 6% 4% 3% 24% 23% 20% 25% 44% 43% 42% 39% 37% 36% 35% 35% 1% 5% 5% 5% 6% 7% 8% 5% 5% 5% 5% 3% 3% 2% 2% 2% 3% 1% 1% 54% 52% 4% *Machado, Mnica.Consumo e politizao: discursos publicitrios e novas formas de engajamento juvenil. Rio de Janeiro: MaudX, 2011 74. 147146 Os EIXOS da pesquisa Vale ressaltar que, para o jovem brasileiro conectado, a participao nas mobili- zaes populares, mesmo que restrita ao ambiente virtual, sem envolvimento presencial, foi considerada totalmente vlida. Observe-se que quando questio- nados se no aprovariam ou concordariam com as pessoas que s participaram das movimentaes sociais apenas pela internet, 27% dos jovens declaram concordar total ou quase totalmente que preciso participar presencialmente. Uma par- cela sensivelmente inferior, de 14%, pelo contrrio, declara discordar total ou quase totalmente, enquanto 27% dos entrevistados mantiveram-se em posies neutras relativamente ao assunto tratado. O jovem internauta brasileiro pesquisado, de um modo geral, participou das mo- vimentaes sociais de junho de 2013. Se no foi pessoalmente s ruas, comparti- lhou, divulgou, acompanhou e comentou pelas redes sociais o que acontecia naquele momento, em vrias regies do Pas: Quanto a usar a internet para aprender sobre causas sociais, ambientais e pol- ticas, os jovens ouvidos pela pesquisa se dividem igualmente. Uma parcela de 36% da amostra concorda total ou quase totalmente com o enunciado, e apenas 7% discorda total ou quase totalmente. As posies neutras concentram 24% do total dos jovens entrevistados. Constata-se que a maioria dos jovens pesquisados considera que produzir e com- partilhar contedos nas redes sociais tais como vdeos, fotos e textos sobre problemas sociais e/ou ambientais so formas muito eficazes de protestar. Nos seus resultados, a pesquisa contabilizou 43% de respostas de concordncia total ou quase total com esse conceito, ante somente 5% de discordncia total ou quase total, e 24% de neutralidade ou indiferena. Os resultados indicam de forma positiva a per- cepo do jovem de que a internet pode ser um instrumento eficaz na conscien- tizao e atuao efetiva na defesa de causas sociais e ambientais. Do ponto de vista do envolvimento com aes solidrias que implicam doaes de di- nheiro, tempo ou outros recursos para causas sociais, a maioria dos jovens pesquisa- dos (35%), declara concordar total ou quase totalmente com a mediao facilitadora da internet. Do lado contrrio, 8% deles discordam total ou quase totalmente com a afirmao, enquanto 25% mantm posicionamento neutro. Em relao responsabilidade socioambiental das empresas, a maior parte dos jo- vens conectados brasileiros (35%) diz que costuma pesquisar na internet sobre o comportamento socioambiental de uma empresa antes de adquirir produtos ou servios. Uma parcela de 13% discorda total ou quase totalmente com o ato e 23% mantm neutralidade. O jovem pesquisado considera vlida e legtima a participao apenas digital nos movimentos sociais. Vi tudo na internet O ativista do sof o cara que sabe de tudo, agita manifestaes, mas direto de casa. a pessoa que s sabe protestar pela internet. Mesmo no saindo de casa, ter uma ao online j ajuda e muito. Protestar s pela internet mais fcil e cmodo, pois estou no meu conforto. Pessoas que s participam dos abaixo-assinados, comparecem nos eventos mas nunca saem de casa realmen- te durante a manifestao. No que seja menos influente, s menos presente. Nunca vi abaixo-assinado em livro. Durante as manifestaes de junho, fui um daqueles manifestantes de sof. Compartilhei e comentei ativa- mente nos posts relacionados aos protestos. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 75. 149148 Os EIXOS da pesquisa Os jovens nas recentes mobilizaes sociais H que se destacar que uma expressiva parcela de 62% dos jovens brasileiros co- nectados declara j ter participado de pelo menos uma categoria de mobilizao social ou poltica recentemente. Entre estes, observa-se que, em mdia, participa- ram de entre 2 e 3 diferentes categorias de manifestao (a mdia de 2,8 atividades por manifestante ativo). Entre aqueles que nunca participaram de qualquer tipo de mobilizao social e que somam 38% do universo pesquisado a maior concen- trao est na regio Sul (53% na mdia regional e 54% nas capitais). Os jovens habitantes da regio Sul foram tambm os menos ativos em todas as categorias de mobilizaes sociais analisadas. Do ponto de vista macrorregional, a juventude conectada da regio Centro-Oeste revelou-se a mais ativa em relao maior parte das mobilizaes sociais. Po- rm, na anlise do comportamento diferencial entre os jovens habitantes de capitais e de cidades do interior, o Sudeste foi o que concentrou os maiores ndices de mobilizao social de todo o Pas para os jovens moradores de suas capitais. As manifestaes pblicas, como as passeatas e os protestos de rua, foram equivalentemente intensas em todas as regies e reas urbanas do Pas, exceto no interior do Nordeste, onde o ndice sensivelmente menor (25%). Doaes fi- nanceiras de um modo geral mostram nvel de significncia maior no Nordeste (22%) e no Centro-Oeste (21%), tanto considerando as reas das capitais, quanto as do in- terior. J o crowdfunding mostra forte concentrao na regio Sudeste, especial- mente para os jovens habitantes das capitais (12%). Destacaram-se, ainda, os jovens do interior do Centro-Oeste (13%). Quando perguntados se conheciam algum prximo que tivesse participado de mobi- lizaes sociais, 65% dos jovens disseram que sim. As manifestaes sociais das quais os jovens participaram mais intensamente no pe- rodo recente foram: Participao da juventude conectada brasileira em mobilizaes sociais 38% 62% Sim No Participao da juventude conectada brasileira em mobilizaes sociais, por tipos de mobilizao 41% 59% 38% 62% 31% 25% 20% 18% 7% 93% 82% 75% 80% 69% Abaixo-assinado/peties Manifestao pblica/passeata/protesto Debates sobre temas de interesse pblico Voluntariado Greve Doao financeira Crowdfunding Sim No 76. 151150 Os EIXOS da pesquisa o jovem internauta brasileiro conhece algum que j partcipou de alguma mobilizao social? 35% 65% Sim No Conhecimento da juventude conectada de algum que j tenha participado de alguma mobilizao social, por tipo de mobilizao 16% 19% 81% 32% 68% 84% 92% 84% 78% 62% 22% 16% 8% 38% Abaixo-assinado/Peties Manifestao pblica/Passeata/Protesto Debates sobre temas de interesse pblico Voluntariado Greve Doao financeira Crowdfunding Sim No No caso das manifestaes via internet, os maiores ndices de participao fo- ram observados para a juventude conectada da regio Sudeste (65%) e ainda mais intensamente para os moradores das capitais (72%). Interessante observar que, no caso das manifestaes via celular e por servio de mensagens instantneas, a participao dos jovens da regio Norte supera a dos moradores do Sudeste, com ndices de respectivamente, 19% e 18% - e de 22% e 20% para os moradores das ca- pitais. A principal justificativa para este fenmeno a prpria infraestrutura de oferta de servios regionais no acesso internet. Conforme j apontado anteriormente, na regio Norte, o acesso predominante rede mundial de computadores se d via tele- fonia mvel (54,8%). Quando perguntados sobre o que os motivou a participar das mobilizaes so- ciais, 41% dos jovens conectados brasileiros dizem que foram por causa de amigos. Este um indicador da forte conexo do jovem brasileiro com sua rede de relacionamento, desenvolvida e potencializada pelas redes sociais, e que tem uma ca- pacidade enorme de influenciar comportamentos alicerados por laos de amizades fortalecidas pela solidariedade virtual. Uma parcela de 31% dos jovens entrevista- dos apontou razes alm das que estavam listadas entre as alternativas da pes- quisa. Entre essas e outras possveis fontes de influncia, devem ser mencionados os professores, apontados nos grupos focais realizados durante a etapa qualitativa da pesquisa, como fortes fontes de influncia sobre o comportamento dos jovens. Nas mobilizaes sociais de junho de 2013 no Brasil, pode-se constatar que, in- dependentemente do gnero, faixa etria e condio socioeconmica, a media- o dos professores foi flagrante e intensa junto aos jovens internautas, com destaque para os docentes de disciplinas de Humanas (Filosofia, Histria, Geogra- fia, Sociologia e outros citados), que mostraram gozar de mais forte empatia com a juventude do que os das demais reas curriculares. Os jovens nas recentes mobilizaes sociais Serginho Groisman Quando o jovem chamado para uma luta que tem a ver com ele, ele vai para a rua, se mobiliza mesmo. O que aconteceu em junho foi uma coisa maravilhosa, e a internet entra como instrumento de mobilizao. Uma semente muito forte foi lanada e coisas bacanas acontecero a partir da. Os professores foram os criadores do movimento. Eles passavam em cada sala chamando o pessoal e deram presena como incentivo, ento a gente se reuniu e foi. Com o pessoal da escola, e at os professores de Sociologia e Geografia. Eles tambm so ligados em assuntos polticos e mobilizaram as salas, explicaram a situao. Eles explicaram porque o movimento no era s por causa dos 20 centavos, porque a gente precisava ter conscincia, porque a internet no era s um meio para conhecer essas pessoas e aprender tutorial de maquiagem... eles explicaram que a internet tambm uma ferramenta que voc pode usar para fazer alguma coisa pelo seu Pas, pelas pessoas e pela sociedade. Eu achei que foi muito importante o que eles fizeram. 77. 153152 Os EIXOS da pesquisa Motivao da juventude conectada brasileira para participar de mobilizaes sociais NoSim 69% 31% 44% 41% 27% 19% 10% 31% 69% 56% 59% 73% 90% Ideologia/ acreditar na causa Ter recebido um convite via redes sociais Influncia de amigos Ter visto na TV Influncia de familiares Influncia da participao de pessoas famosas Outras razes A influncia exercida por amigos foi equivalente para os jovens das regies Nor- deste, Norte e Centro-Oeste, mas significativamente menos expressivas para os moradores das regies Sudeste e Sul. A influncia da TV, por sua vez, foi maior junto aos jovens conectados do Sudeste (29%), especialmente para os habi- tantes das capitais (33%). Tambm foram esses mesmos jovens das capitais do Sudeste que receberam maior impacto da influncia exercida por familiares (25%). Em termos nacionais, as aes de repassar convites recebidos foram mais inten- sas para os jovens conectados das regies Norte (58%) e Nordeste (57%). O mesmo ocorreu em relao s aes de falar, fazer comentrios ou produzir in- formaes sobe as mobilizaes. Quanto participao nas redes sociais, os jovens da regio Sudeste mostraram- -se mais ativos do que no restante do Pas, com ndice de participao de 45%, e concentrao ainda maior nas capitais (50%). Situao similar ocorreu tambm em relao ao registro de opinio em sites de protesto, opo na qual os jovens do Sudeste concentraram participao de 37%, ainda mais significativa nas capitais (42%). Os jovens da regio Norte mostraram-se mais intensamente ativos em relao ao de criar eventos e enviar mensagens para mobilizar as pessoas (37%), com resultados ligeiramente mais intensos nas capitais (38%). No tocante s formas de participao nas mobilizaes sociais, 57% dos jovens conectados brasileiros foram s ruas, fenmeno que se mostrou ainda mais in- tenso nas capitais (61%) de todo o Pas. As formas de participao juvenil Formas de participao da juventude conectada brasileira nas mobilizaes sociais NoSim Fui para as ruas Repassei convite para outras pessoas Fiz comentrios sobre as manifestaes Curti/compartilhei/Retwittei nas redes sociais Registrei minha opinio em sites de protesto Convidei/Criei eventos/Enviei mensagens Postei vdeos e fotos que tirei Compartilhei dados pessoais (RG/CPF) Criei grupos/Sites 57% 43% 51% 48% 42% 26% 17% 66% 75% 86% 78. 155154 Os EIXOS da pesquisa Observa-se que 35% dos jovens internautas brasileiros utilizaram ferramentas da web para a mobilizao social. Este indicador relevante, especialmente se con- siderarmos que os jovens tendem a usar a internet principalmente para atividades de entretenimento. O uso do Facebook como ferramenta de mobilizao e de participao social adquiriu sua mxima expresso no Nordeste brasileiro (96%), e ainda mais in- tensamente nas capitais da regio, onde 100% dos jovens pesquisados que se envolveram com manifestaes pblicas declaram ter utilizado a ferramenta. A segunda regio neste ranking foi a Norte (95%), principalmente para os jovens mora- dores das capitais (98%), e a terceira foi a Sul, com envolvimento de 91% dos jovens e de 100% dos moradores das capitais. O uso mobilizador do e-mail foi mais intenso na regio Sul (32%), com maior des- taque relativo concentrado junto aos moradores das cidades do interior (42%). O Twitter, por sua vez, destacou-se para os jovens do Nordeste (38%) como ferramenta de mobilizao e participao social com destaque sensivelmente acentuado junto aos habi- tantes das capitais (42%). Tambm se destacou para a regio Sul (34%), mas nesse caso, o maior destaque relativo ficou com os moradores das cidades do interior (42%). Em termos macrorregionais, a utilizao de blogs e de sites de notcias foi mais significativa para os jovens moradores do Centro-Oeste (26%). Porm, conside- rando todas as reas pesquisadas, jovens das cidades do interior das regies Sul e Centro-Oeste tm os ndices de participao mais significativo, com idnticos 32%. Como j era de se esperar, frente reduo de sua penetrao social no Brasil, o Orkut teve pequena importncia relativa na comunicao, informao e mobilizao social no perodo recente. De fato, a ferramenta foi utilizada por 8% dos jovens participan- tes, com ligeiro destaque apenas para os que vivem nas capitais do Nordeste (13%) e no interior da regio Sul (16%). Nas manifestaes de junho de 2013, e nas realizadas posteriormente e que de- las em boa parte decorreram , o comportamento revelado pelos jovens internautas mostrou diferentes faces, independentemente do gnero, da faixa etria e da classe socioeconmica considerada. Ocorreram simultaneamente diversas posturas e opi- nies, que variaram desde o forte engajamento e defesa das causas polticas e ideolgicas das mobilizaes, at o descrdito e a desconfiana no apenas nos resultados e na eficcia das aes, mas at mesmo em seus efetivos propsitos. O universo digital nas mobilizaes sociais Para entender as manifestaes de junho de 2013 Utilizao da internet nas mobilizaes sociais pela juventude conectada 65% 35% Sim No Ferramentas da web 2.0 utilizadas nas manifestaes pblicas pela juventude conectada brasileira NoSim Facebook E-mail Twitter Blogs/Sites de notcias Sites de protesto Orkut Outros 89% 11% 29% 27% 17% 16% 8% 13% 87% 84% 92% 71% 73% 83% E comearam com o vandalismo. A outra coisa ... a tropa de choque inteira estava tampando todas as entra- das; eu estava em frente prefeitura com a galera, ento muita gente comeou a correr, porque vndalos co- mearam a atacar o pessoal do choque e o choque continuou parado. A falamos: No corre! Quem no estiver fazendo nada senta no cho e fica sentado que eles vo saber quem . Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 79. 157156 Os EIXOS da pesquisa Uma pessoa que saiu na rua para ir atrs daquilo que ela quer ou por uma causa no vai quebrar nada. Tanto que teve uma manifestao perto da praa da Liberdade em que quebraram faris e derrubaram as placas e as pessoas estavam fugindo... Os vndalos mesmo entraram no metr. Todos com mscaras, tnis, eles vo pre- parados mesmo para essas coisas, parece que eles vo para uma guerra. Muita gente caa na zoeira para quebrar... Era gente que ainda no pega um metr lotado no horrio de pico, que no pega um nibus lotado. Na verdade so grupos de pessoas que curtem funk e gostam de ostentar. Ento no sei, uns trabalham, outros no, mas pelo que eu vejo eles querem ateno, eles querem causar. A melhor manifestao que teve foi aquela que o pessoal invadiu o plenrio. Eles s reagiram quando viram a prefeitura a primeira vez, foi a que baixaram o preo da passagem para R$ 2,95. Mas j est R$ 3,00. No adiantou nada. Acho que eles viram que a gente esquece das coisas rpido. Acho que devia ter continuado, talvez desse resultado. Mas no adianta ter poltica boa se o povo no vai votar. O povo erra. Acontece... Passagem... Ah! Vamos fazer manifestao. O que adianta fazer a manifestao se vocs no final do ano votam pela mesma pessoa?. Nestes discursos, surgem muitas referncias aos componentes de grupos percebidos pelos jovens entrevistados como vndalos, baderneiros, arruaceiros. O jovem deixa transparecer, em relao a estes agentes, um sentimento de averso e de distanciamento. Ainda que o descrdito e a desconfiana nas mobilizaes sociais tenham sido uma forte tnica do discurso dos jovens internautas, em muitas outras falas tambm foi observado o despontar da esperana na transformao da realidade e do desabrochar da conscincia e da manifestao da vontade popular. O futuro somos ns. Mudou a mente das pessoas. E o movimento tambm. O povo comeou a se expor mais. Se a gente no lutar pelos nossos direitos ningum mais luta...a maioria dos meus amigos foram. Meu pai impli- cou no comeo mas depois aceitou. Nestes discursos surge, de forma recorrente, as imagens do gigante que desperta, do povo que aprende a fazer ouvir a sua voz e dos polticos que agora tm que escutar o que o povo t dizendo. Acredito que as coisas vo melhorar sim e com o tempo o peso disso tudo ser cada vez mais fundamental pra algumas mudanas. A gente est comeando a ter opinio prpria porque as pessoas mais velhas do que a gente tem uma opinio s tipo ah,ogovernoestlfazendoosnegciosdelesecolocandodinheironobolso.Ens,quesomosmaisnovos,estamos mudando a cabea dos mais velhos, dizendo para eles que o Brasil no tem como continuar do jeito que est.... Se tem alguma coisa que eu gosto e apoio, me manifesto nas redes sociais. J fiz isso pelo corredor de nibus perto da minha casa, tenho uma amiga que resolveu o problema de uma geladeira que comprou com defeito pelas redes sociais. Resolve. Eu participei tambm da manifestao que teve da tarifa do nibus, eles ficaram parados na S, eu fui l, depois fui na Paulista, publiquei uma foto na internet expressando o que eu achava dos R$ 0,20 que eles aumentaram. Publiquei uma foto segurando um cartaz pedindo para eles investirem os R$0,20 no SUS. Acho que agora o povo viu que d certo as manifestaes... Mas no precisa ser o que o governo quer. Eu acho que agora tudo que o povo no concordar, vai pra luta. Mudou em parte porque as pessoas acordaram e lutaram pelos seus direitos. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro Felipe Altenfelder As manifestaes, na minha avaliao, proporcionaram um salto quntico de conscincia. A rua se configura como um novo espao legtimo para a discusso poltica acontecer. 80. 159158 Os EIXOS da pesquisa Felipe Altenfelder Quanto aos desafios do ativismo, eu acho que o que est colocado como a gente vai entender dimenses e mostrar a amplitude que essa histria toda atingiu. Hoje, na cultura do Brasil voc tem uma discusso forte convivendo em torno de um movimento social, com artistas da mdia mais conscienti- zados, dialogando o povo, e fazendo da cultura um setor social que vem ga- nhando bastante fora, ao mesmo tempo, os movimentos ambientalistas, os movimentos ligados direitos humanos, democratizao da comunica- o, novas polticas etc. Tambm tem tido cada vez mais oportunidades de se entender como uma frente ampla que tm pautas que so transversais entre si. Hoje, atravs das conexes, das tecnologias sociais que esto espa- lhadas na Amrica Latina, frica, que so inspiradas pela necessidade, pelas gambiarras,nacriatividade,nasolidariedade,voctemquetransformarisso em matria-prima para um novo dilogo. Felipe Altenfelder Eu acho que empoderamento que est colocado. Voc pega o fenmeno dos rolezinhos, o X da questo so os moleques da periferia que so cele- bridades de internet, o cara tem 80 mil seguidores no Facebook dele e con- segue movimentar 5 mil para ir encontrar ele no shopping [...]. Hoje qualquer umpodeserformadordeopiniocomumaferramentaqueestnasuamo, agora que a mobilidade tambm faz parte da realidade. E chegamos aos rolezinhos... De modo geral, a juventude conectada critica os rolezinhos, negando-lhes, na maio- ria dos casos, carter mobilizador ou poltico, embora existam excees, que sero discutidas mais frente. Assim, para uma grande parcela dos jovens entrevistados, os rolezinhos foram movimentos sem sentido social, apenas de ostentao, restritos periferias das cidades de So Paulo e Rio de Janeiro. O rolezinho feito de jovens que gostam de ostentao. Nunca participei e nem participaria. No e j repreendo essa atitude, acho abominvel. Li um texto sobre os rolezinhos e ainda no sei o que dizer. Existem muitos brancos que participam do rolezinho. Isso mais social do que racial Acredito que so motivados por este tipo de movimento estar na moda. Rolezinho ridculo e nunca participaria. Entretanto, mostra um pouco do preconceito, jovens negros so expul- sos de shoppings enquanto jovens brancos no.. So grupos de jovens que gostam do estilo Funk ostentao, de mostrar seus carros de luxo e suas roupas de marca. Ento, eles marcam de ir aos shoppings para mostrar seu estilo. Acho que esses jovens s querem aparecer. Quem vai a esses rolezinhos quer ostentar e ser visto. Se fossem brancos do Morumbi, seria grupo de amigos passeando no shopping Acho que em So Paulo o pessoal queria era ter liberdade de poder entrar no shopping e no ser visto como aquele que veio no shopping e no tem dinheiro, veio s comer. J no Rio virou baguna, pois, por mais que voc no seja de classe mdia alta ou seja at morador de uma comunidade, voc tem acesso aos shoppings Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 81. 161160 Os EIXOS da pesquisa Marcia Padilha Se as questes digitais conformam o mundo de uma determinada manei- ra, voc tem que preparar esse menino pra viver isso de um jeito crtico. o famoso crtico criativo que tanto falamos. O que um menino ou uma menina crticos e criativos na sociedade hoje? Precisa saber usar a Inter- net. Para fazer manifestao, organizar rolezinho, criticar o rolezinho, ir ao rolezinho... Olha o que foram os rolezinhos: os jovens se organizaram pela internet; essa uma super oportunidade de reinventarmos os modos de participao social e o prprio espao pblico . Segundo os prprios jovens, os rolezinhos foram eventos significativos apenas na cidade de So Paulo. Eles consideram que na cidade do Rio de Janeiro existem me- nos barreiras sociais para que os jovens de menor renda e que moram na periferia possam frequentar e circular em shopping centers e outros equipamentos cultu- rais e comerciais melhor situados na cidade. A importncia das mdias na mediao da leitura do movimento tambm apontada em algumas falas coletadas. A televiso acaba virando apenas um tipo de termmetro, onde voc tem noo da importncia do fato e de como ele est sendo contado para a maioria da populao . A mdia pesa a mo e a gente v o que a mdia passa! Muita gente enxerga s o que acompanhou de casa. E eles viram o que? Milhares de adolescentes em um shopping fazendo arrasto. S que quem criou o rolezinho no tinha inteno de fazer isso. Eu no assisti, mas eu tive colegas de trabalho que acabaram fazendo comentrios e eu ouvi. O rolezinho parece que era uma mobilizao de jovens que estariam atrs dos seus... dolos. No era para mobilizar toda aquela juventude a entrar no shopping, fazer arrasto, parar o estacionamento... S que eu acho que as pessoas enten- deram errado. As pessoas entenderam errado porque hoje em dia mais fcil julgar do que voc prestar ateno primeiro e s depois dar opinio. Felipe Altenfelder Eu observo que est mais democratizada a chance do cara decidir o que ele quer fazer, o cara pode escolher ser uma celebridade do rolezinho ou ele pode escolher ser que nem o Ren Silva, da Voz da Comunidade , do Com- plexo do Alemo no Rio de Janeiro. Quando teve a invaso da comunidade voc teve duas coberturas, uma da mdia tradicional, filmando do helicpte- ro e outra do Ren twitando. Ren bombou a partir daquilo, e com 16 anos virou correspondente respeitadssimo de informaes da periferia do Rio de Janeiro. O grande barato isso, o moleque pode ter uma opo. Focus Group So Paulo Focus Group Rio de janeiro 82. 163162 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Os perfis de navegao da juventude conectada #oquedizapesquisa 6 83. 165164 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Exploradores iniciantes, intermedirios e avanados Perfil Principais caractersticas Concentrados essencialmente nas atividades de comunicao, entre as quais conferem grande relevn- cia para as redes sociais. No usufruem da diversidade e abrangncia das ferramentas e possibilidades oferecidas pela internet. Executam um nmero limitado de tipos diferentes de aes na web 2.0. Tm maior nvel de dependncia da Internet e em especial das redes sociais como fonte de informa- o e conhecimento. Tm considerveis ndices de acesso a computadores de mesa e internet, a partir de lan houses, e a tablets, a partir das escolas. Exibem, ainda, nvel relativamente importante de acesso internet, a partir de residncias de amigos e parentes, bem como de vizinhos. majoritariamente compostos por jovens matriculados em escolas pblicas. Tm mais dificuldade de acreditar e/ou projetar um futuro empreendedor, especialmente se baseado nos recursos e potencialidades oferecidos na e pela rede mundial de computadores. Perfil Principais caractersticas So entusiastas e defensores do uso dos recursos da internet na escola para a pesquisa, realizao de atividades e tarefas, preparao para exames e concursos, bem como para o fortalecimento dos relacio- namentos entre colegas e professores de cujas vantagens mostram-se convencidos. Confiantes nas potencialidades do empreendedorismo com apoio da internet. Reafirmam o poder da internet de mobilizar, informar e conscientizar as pessoas em relao aos grandes problemas socioeconmicos, polticos e ambientais. Utilizam de forma relativamente intensa os recursos da busca de informaes e servios na internet. Embora pesquisem preos de produtos e servios na internet com frequncia, tais iniciativas raras vezes resultam na aquisio efetiva desses mesmos bens. Em boa medida, refletem os valores, pensamentos e comportamentos hegemnicos sobre a internet presentes na sociedade brasileira. Exploradores avanadosExploradores intermediriosExploradores iniciantes Frente complexidade do mundo contemporneo, mediado pelas mltiplas conexes digitais e infinitas possiblidades de navegao no linear pelos contedos da Web, h muito tornou-se necessrio criar novos formatos de categorizao dos pblicos que permitam avanar para alm do mero mapeamento das tradicionais carac- tersticas sociodemogrficas. Assim, considerando o universo digital que envolve a juventude conectada brasileira, analisamos trs diferentes perfis correlacionados aos diferentes modos e intensida- des de uso da Web 2.0: os Exploradores Iniciantes, os Exploradores Intermedi- rios e os Exploradores Avanados. Embora implcita na prpria denominao escolhida, a intensidade do uso da internet e de suas ferramentas medida tanto em nmero mdio de dias dedicados sua prtica, quanto no nmero de acessos ao longo do dia, da semana e do ms no foi o nico critrio utilizado para a classificao. Tampouco constituiu-se no elemento mais importante para deciso. A nfase principal recaiu sobre a abrangncia, a diversidade e a multiplicidade das aes empreendidas pelo jovem conectado ao mundo digital, fenmeno que, em resumo, revela a forma como os recursos e as ferramentas da internet so por ele apropriados e o quanto significam e impactam a construo das novas sensibilidades e identidades juvenis. Assim,nestecaptulo,prope-seumaclassificaodiferenciadanoconjuntodapesquisa, cujos critrios principais foram esquematizados nos quadros apresentados a seguir. Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios 84. 167166 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Perfil Principais caractersticas Exploram mais intensamente a diversidade das ferramentas, contedos e possibilidades disponveis na internet, executando um conjunto ampliado de diferentes tipos de aes na web 2.0. Detm elevados nveis de posse, acesso e uso de computadores portteis (notebooks, netbooks) e tablets, acessados, via de regra, a partir de suas prprias residncias. No utilizam lan houses. Conquistam maiores nveis de conhecimento, familiaridade, desenvolvimento e desempenho na seleo de contedos digitais disponveis na internet, segundo a relevncia para os seus prprios interesses. Dedicam-se ao estudo ou simultaneamente ao estudo e ao trabalho, na condio de empregados ou funcionrios, ou ainda na de trainees de grandes empresas e corporaes. Acreditam no potencial da internet para preparar o jovem para o mercado de trabalho. Utilizam intensamente as ferramentas e possibilidades da internet para buscar informaes e servios e para diferentes atividades de comunicao, lazer e entretenimento. Potencializam o uso da internet como fonte de informao e de conhecimento. Adotam e usufruem das comodidades do comrcio eletrnico. Detm nveis mais altos de conhecimento e valores mais crticos quanto ao potencial efetivo de pene- trao da internet na escola, bem como do seu uso para mobilizar, informar e conscientizar as pessoas em relao aos grandes problemas socioeconmicos, polticos e ambientais. O jovem internauta aficcionado pelas tecnologias e pelas cone- xes digitais normalmente referenciado na mdia e na oralidade cotidiana como nerd ou geek. Os primeiros so usualmente asso- ciados ao universo do estudo, enquanto os segundos so espe- cialmente designados pela sua exacerbada dedicao obteno, experimentao e aquisio das tecnologias digitais de ponta. Pesquisas realizadas por empresas e portais voltados a pblicos tm chegado a constataes prximas s obtidas nesta pesqui- sa. Ou seja, os jovens mais conectados e os que mais execu- tam multiplicadas e variadas aes na internet so preponde- rantemente do sexo masculino, concentram-se nos grandes centros urbanos da regio Sudeste especialmente nas cida- des de So Paulo e do Rio de Janeiro , esto entre os mais jovens na faixa etria considerada e cursam o ensino superior. Observa-se que a categoria Exploradores Iniciantes se concentra especialmente no Sudeste (49%), regio que tambm concentra a maior parcela dos Exploradores Intermedirios (62%) e dos Exploradores Avanados (73%). Marcia Padilha O jovem nativo digital no faz um uso rico da internet. Vocs viram na pes- quisa: os que usam com muita variedade so apenas 5%. A est o jovem que tem realmente um letramento digital em nvel sofisticado. A maioria faz usos simples da internet, mas poderia fazer usos muito mais ricos. Impactos das mediaes no comportamento dos jovens 62% 3% 10% 12% 13% Distribuio dos diferentes perfis de exploradores, segundo as macrorregies geogrficas brasileiras 49% 6% 8% 19% 18% Sudeste Sudeste Sul Sul Nordeste Nordeste Distribuio da juventude conectada brasileira, segundo categorias de uso 62% 5% 33% Exploradores Iniciantes Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios Exploradores avanados Exploradores Avanados Exploradores Intermedirios Norte Norte Centro-Oeste Centro-Oeste 85. 169168 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Constata-se, portanto, que a juventude conectada brasileira da regio Sudeste se destaca do restante do pas ao concentrar ndices significativamente repre- sentativos do uso mais diversificado e abrangente das ferramentas e recursos da Internet. Contribuem para isso, seguramente, os maiores ndices de riqueza e urbanizao desta macrorregio geogrfica, dos quais decorrem melhor infraes- trutura e condies socioeconmicas de educao, consumo cultural e acesso a bens e servios em geral. Importante ressaltar que, pela classificao proposta, pode-se comprovar tambm uma notvel mediao do gnero. Dela, resultaram ndices de diversificao e am- plitude no uso da internet bem mais significativos entre os representantes do gnero masculino do que o feminino. De fato, observa-se que na categoria dos Ex- ploradores Avanados, a participao dos jovens internautas chega a 64%, ante 36% do grupo feminino. De forma semelhante, entre os Exploradores Interme- dirios, 55% so do gnero masculino. Nesta distribuio, as jovens internautas correspondem a 53% dos Exploradores Iniciantes, categoria que concentra apenas 47% de rapazes. Distribuio dos exploradores avanados, segundo as macrorregies geogrficas brasileiras Ainda nesta mesma direo, pode-se observar que enquanto 7% dos jovens internau- tas do gnero masculino puderam ser categorizados como Exploradores Avanados, no caso feminino a participao cai 3 pontos percentuais, perfazendo 4% do grupo. Para os exploradores intermedirios, os jovens internautas compem 36% da amos- tra, e as mulheres, 30%. Distribuio das diferentes categorias de usurios da internet, segundo gnero Exploradores Iniciantes Exploradores Intermedirios Exploradores Avanados Masculino Feminino 47% 45% 53% 36% 55% 64% Distribuio das categorias de usurio do gnero masculino 36% 7% 57% Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios Exploradores Avanados Distribuio das categorias de usurios do gnero feminino 30% 4% 66% Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios Exploradores Avanados Sudeste Sul Nordeste Centro-Oeste 73,3% 2,7% 8% 16% Exploradores avanados 86. 171170 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Identificam-se tambm resultados positivos para a mediao da classe socioeconmica na diversidade qualitativa do uso dos recursos e ferramentas da web 2.0. Assim, pode-se constatar que no caso dos Exploradores Avanados, a participao dos representantes da classe A de 13%. Nas categorias Exploradores Intermedirios e Exploradores Iniciantes a par- ticipao da classe A de, respectivamente, 6% e 3%. Vale destacar que a concentrao relativa de jovens de classe A na categoria de Exploradores Avanados equivale a mais que o dobro de sua participao porcentual na composio geral da amostra desta pesquisa, que foi de 5%. Inversamente, os jovens internautas da classe D tm a maior participao porcentual relativa na categoria dos exploradores iniciantes (11%). Nas categorias Exploradores Intermedirios e Exploradores Avanados a participao da classe D cai para, respectivamente, 5% e 3%. Este resultado pode ser entendido considerando que o acesso feito priorita- riamente em locais pagos, como lan houses. Observe-se que o ndice de participao dessa classe social na categoria de Explo- radores Iniciantes superior ao da sua participao porcentual na composio geral da amostra desta pesquisa (8%). Os representantes da classe C tm as participaes mais significativas nas categorias Exploradores Iniciantes e Ex- ploradores Avanados, de 52% e 47%, respectivamente. Vale observar que, para a categoria de Exploradores Iniciantes, a participao relativa da classe C foi sensivelmente superior de sua representao na composio da amostra (52% ante 48%). No caso dos Exploradores Intermedirios, tiveram parti- cipao praticamente equivalente dos representantes da classe B (44% e 45%, respectivamente). Por sua vez, a classe B ficou na segunda posio no ranking para as demais ca- tegorias, com participaes porcentuais relativas de 34% para exploradores iniciantes e de 37% para exploradores avanados. Para as categorias de Exploradores Intermedirios e Explora- dores Avanados, a participao relativa de jovens internau- tas com nvel de educao superior foi maior em relao s suas mdias de participao na populao pesquisada, o que denota que o maior nvel de diversidade no uso de ferramen- tas e recursos da Internet correlaciona-se positivamente com o nvel educacional dos jovens internautas brasileiros. Nesse mesmo sentido, pode-se constatar tambm que o jo- vem que trabalha e estuda simultaneamente faz uso mais diversificado e abrangente da web 2.0. Enquanto eles re- presentam 31% da amostra pesquisada, suas participaes relativas entre os Exploradores Intermedirios e Exploradores Avanados ascendem, respectivamente, para 38% e 42%. Ou- tra constatao que se pode agregar a estas a de que a parti- cipao relativa dos jovens estagirios ou trainees entre os Exploradores Avanados equivale a quase o dobro da sua participao na amostra geral da pesquisa (de 19% contra 11%), denotando tambm neste caso uma forte inclinao para o uso diversificado das ferramentas digitais. A mediao do tipo da escola se pblica ou privada mostrou- -se, por sua vez, altamente decisiva na categorizao dos jo- vens quanto ao uso da internet. Assim, enquanto 3% dos jovens matriculados em escolas pblicas podem ser considera- dos como Exploradores Avanados, para os da escola particular esse ndice sobe para 10%. Contrariamente, enquanto 62% dos jovens internautas que estudam em escola pblica foram categorizados como Exploradores Iniciantes, entre os alunos das escolas particulares este indicador cai para 51%. Distribuio dos exploradores avanados, segundo classificao socioeconmica 37% 13%3% 47% A B C D Exploradores iniciantesExploradores intermediriosExploradores avanados Distribuio dos exploradores intermedirios, segundo classificao socioeconmica 45% 6%5% 44% A B C D Distribuio dos exploradores iniciantes, segundo classificao socioeconmica 34% 3%11% 52% A B C D 87. 173172 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Distribuio das diferentes categorias da juventude conectada brasileira frequentadora das escolas pblicas 62% 3% 35% Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios Para apresentar, discutir e analisar o comportamento dos jovens internautas brasilei- ros em cada uma das categorias propostas, optou-se pela construo de mdias in- dicativas no apenas das diferentes prticas, mas tambm das frequncias relativas, em nmero de dias por semana, com que as mesmas so executadas pela juventude conectada brasileira. Os resultados aparecem discriminados nas tabelas e grficos a seguir, que dispem pelos setores de atividades, e na ordem decrescente de impor- tncia, as aes normalmente empreendidas pelos jovens na web 2.0. Pode-se observar que o conjunto das atividades relacionadas comunicao obte- ve as maiores mdias para todas as categorias classificatrias aplicadas, sendo as que mais absorvem os interesses e as que agregam os maiores ndices de adeso da juventude conectada de todo o Pas. Neste grupo, o acesso s redes sociais a atividade mais intensamente praticada e a que revela maior ndice de confluncia, ou de menor diferenciao entre Explorador Avanado, Intermedirio e Iniciante. Na mdia, o jovem brasileiro conectado acessa ao menos uma conta em redes sociais em 5,9 dias por semana. A variao encontrada entre os perfis uma das menores entre todasasatividadesinvestigadasmostrouqueenquantoosExploradores Avanados acessam redes sociais em 6,7 dias por semana (praticamente todos os dias), os Exploradores Iniciantes o fazem 5,6 dias por semana. O perfil Explorador Interme- dirio, mais prximo da categoria superior, revelou acessar redes sociais em 6,3 dias por semana. Observou-se que a frequncia de mais de uma vez ao dia de 84% para os Exploradores Avanados, de 72% para os Exploradores Intermedirios e de 49% para os Exploradores Iniciantes. Da mesma forma, a consulta a e-mails na frequncia de mais de uma vez ao dia atingiu 84% dos Exploradores Avanados, 57% dos Explo- radores Intermedirios e 20% dos Exploradores Iniciantes. No que diz respeito posse de equipamentos e dispositivos de conexo rede mun- dial de computadores, pode-se observar que os Exploradores Avanados apresen- taram ndices de utilizao de computadores portteis (notebooks, netbooks, laptops) em nveis significativamente mais representativos do que os de sua participao na composio global da amostra, o que revela uma conexo positi- va entre a posse desses aparelhos e o uso mais diversificado e abrangente dos potenciais da internet. O acesso preferencial aos computadores portteis feito a partir da prpria residncia dos jovens internautas em 89% dos casos, considerando os que os possuem, para todas as categorias de classificao empregadas. Quanto aos computadores de mesa, constata-se que os Exploradores Avanados os acessam a partir de suas residncias muito mais intensamente do que os Exploradores Iniciantes e os Exploradores Intermedirios, com ndices de par- ticipao percentual relativa de 90% ante 73% e 77%, respectivamente. Em sentido contrrio, os Exploradores Iniciantes costumam utilizar esses equipamentos com muito mais intensidade relativa do que os demais internautas a partir de locais de acesso pago, como as lan houses. Neste caso, os porcentuais encontrados foram de 12% para os Exploradores Iniciantes ante 4% para os Exploradores Intermedirios, enquanto os Exploradores Avanados declaram no utilizar esse canal de acesso. O acesso domstico ao tablet evidencia uma concentrao muito mais significativa para os Exploradores Avanados e Intermedirios do que para os Exploradores Ini- ciantes, com porcentuais relativos de respectivamente, 100%, 95% e 68%. Para esses ltimos, o acesso ao uso do tablet se concentra proporcionalmente mais, em relao s demais categorias, na escola (13% ante 0% para os demais) e outros locais de ensino, no trabalho e em outros locais, todos com 6% de participao cada um. Para o total de aparelhos e dispositivos de acesso internet pesquisados, observou-se que o acesso domstico mais representativo para todas as categorias de inter- nautas, com percentuais que variaram entre 71% (exploradores iniciantes), 76% (explo- radoresintermedirios)e81%(exploradoresavanados).Poroutrolado,locaisdeacesso pago foram estatisticamente significativos apenas para os Exploradores iniciantes (5%), assim como o acesso a partir de casas de vizinhos, amigos ou parentes (2%). O que eles fazem na internet Distribuio das diferentes categorias da juventude conectada brasileira frequentadora das escolas particulares 51% 10% 39% Exploradores avanados Exploradores iniciantes Exploradores intermedirios Exploradores avanados 88. 175174 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Estima-se que 76 milhes de brasileiros tenham perfis de Facebook, fatia que corresponde a 73,5% do total de fre- quentadores de redes sociais no Pas. Alm disso, o inter- nauta brasileiro tem um elevado nmero de amigos, que supe- ra a mdia mundial, sendo o seu nvel de engajamento tambm considerado muito alto para os padres globais. Segundo o prprio Facebook, a mdia de utilizao brasileira de 12 horas mensais. A mdia internacional j se acostumou, inclu- sive, a referenciar o Brasil como a capital das mdias sociais (Wall Street Journal, 2013) ou como o futuro das mdias sociais (Forbes, 2013). Estar em contato contnuo com outras pessoas representa uma experincia poderosa para o jovem que est vivenciando o seu prprio processo de descoberta do mundo, da construo de sua sensibilidade e identidade e da experimentao do significado da existncia social. Tentativas de interpretar esse fenmeno tm sido constan- tes tanto pela academia quanto por empresas e consultorias de mercado. Em decorrncia disso, algumas caractersticas marcantes do pblico brasileiro dos jovens em especial so apontadas como responsveis pelo fascnio nacional e pela macia adeso e uso das redes sociais no Pas. Entre elas, so apontadas: o carter relacional e altamente socivel, o apreo aos smbolos que conferem status, a descontrao e a infor- malidade nas relaes, a valorizao da novidade, o humor e o alto interesse em observar e compartilhar informaes sobre a vida de amigos e conhecidos. O Brasil ocupa a segunda posio no ranking mundial de utilizao diria do Facebook, a maior rede social global, sendo superado apenas pelos EUA, segundo informaes da prpria empresa. Em nmero de usurios, o Pas fica na terceira posio, atrs da ndia e, novamente, dos EUA. Rodrigo Nejm Atividades de comunicao realizadas pelos jovens de diferentes perfis de uso da internet 6.1 6.8 54 4.8 2.2 1.2 0.4 3.0 1.8 0.9 6.7 4.6 63 5.9 5.9 5.8 4.9 4.7 4.1 3.9 5.6 3.7 2.9 Exploradores Iniciantes Total Exploradores Avanados Exploradores Intermedirios Comunicao de modo geral Acessa ao menos uma conta em redes sociais Conversa atravs de mensagens instantneas Verifica seu e-mail Cria/Atualiza blogs e pginas da Internet Participa de fruns de discusso Monica galiano Eu diria que pela tecnologia embora parea uma contradio h um com- ponente afetivo que se resgata nas relaes, especialmente nas grandes cida- des. Porque quando voc no tinha como ver o outro, nem telefonar era to fcil,vocestavalonge;hojevocpodesesentirsuperperto,mesmoestando muito distante fisicamente. Quanto ao uso da internet, na maior parte, ele mediano. Basicamente recepo de contedo. baixar contedo, pesquisar na web e na rede social. Nas redes sociais tem interao maior. H uma produo de contedo, mas voc v que bastante restrita. O que quero dizer que, ao tentar ampliar a participao do adolescente e do jovem na discusso sobre governana de internet, liberdade de expresso na internet, ns temos percebido que a compreenso do prprio usurio bastante restrita. No s das poten- cialidades da internet, mas tambm da sua dinmica de funcionamento. Percebemos muito isso: o uso de redes sociais, baixar msica, baixar filme, vdeo,aindamuitomaisprximodoquepoderamoschamardeconsumoda televiso, de meios massivos, do que desfrutando do leque todo de oportu- nidades. A rede social foi o que abriu o estado de interao efetiva do Brasil, comeando com o Orkut, e segue. Mas a compreenso limitada no culpa do prprio adolescente. um pouco do cenrio, do tipo de educao para o uso de tecnologia que temos hoje. 89. 177176 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa O comportamento relacional, que pode se torna at compulsivo, levando ao comparti- lhamento exagerado de informaes pessoais nas redes sociais, potencializado pela portabilidade e mobilidade propiciadas pelos novos aparelhos conectveis Internet como os celulares e smartphones, tablets e outros. A expresso oversharing foi cunhada para designar o exagero na exposio de informaes sobre a vida pessoal nas redes sociais, principalmente entre os mais jovens. Para a maioria deles, contudo, a possibilidade de compar- tilhamento online se tornou um sinnimo da prpria liberdade. Para alm das redes sociais, as conversas atravs de mensagens instantneas e o uso de e-mails tambm merecem ateno investigativa. Nesta direo, para os per- fis de Exploradores Avanados e Exploradores Intermedirios pode-se constatar uma maior aproximao entre as duas prticas. Porm, diferenas estatisticamente sig- nificativas foram encontradas para a realizao desta atividade com frequncia de mais de uma vez ao dia, que atingiram 77% dos Exploradores Avanados, 62% dos Exploradores Intermedirios e 34% dos Exploradores Iniciantes. Neste caso, h que se destacar ainda que esses ltimos declararam no praticar a atividade em 20% dos casos. J para as aes de criar e/ou atualizar blogs ou pginas da internet e participar de fruns de discusso, observaram-se maiores diferenas. O tempo mdio medido em dias de semana chegou a ser de seis vezes entre Exploradores Iniciantes e Explorado- res Avanados no caso da criao e /ou atualizao de blogs ou pginas da internet e de 12 vezes para a participao em fruns de discusso. No mesmo sentido, obser- vou--se tambm que 66% dos Exploradores Iniciantes no criam e/ou atualizam blogs e pginas da internet, um porcentual que corresponde a 31% entre os Exploradores Intermedirios. Contrariamente, a atividade chega a ser executada mais de uma vez ao dia por 60% dos Exploradores Avanados. No que concerne as aes e atividades relacionadas ao uso da internet para obter infor- mao e/ou servios online, observa-se uma diferenciao mais sensvel e representa- tivaentreosperfisconsiderados,especialmentequantoutilizao de servios como internet-banking e e-gov. Neste caso, a diferena entre Exploradores Iniciantes e Exploradores Avanados, medida em dias da semana nos quais a atividade foi praticada, de mais de sete vezes. Uso de buscadores e servios online Tambm com relao ao uso de servios de localizao e ao acompanhamento de blo- gs de jogos, moda, decorao e outros houve acrscimos substanciais na quantidade de dias dedicados a essas atividades por semana. Acompanhar blogs de jogos, moda, decorao e outros assuntos so prticas alheias ao cotidiano de 47% dos Exploradores Iniciantes, ndice que cai para 13% entre os Exploradores Intermedi- rios e 3% entre os Exploradores Avanados. Por outro lado, a frequncia de mais de uma vez ao dia no exerccio desta atividade atinge 59% dos Exploradores Avanados, 20% dos Exploradores Intermedirios e apenas 3% dos Exploradores Iniciantes. Entre os jovens classificados como Exploradores Iniciantes, 28% no usam servios de localizao, como mapas. Para as demais categorias, esse ndice cai, progressi- vamente para 4% entre os Exploradores Intermedirios e 2% entre os Exploradores Avanados. Por outro lado, a frequncia de uso mais de uma vez ao dia atinge 53% dos Exploradores Avanados e 20% dos Exploradores Intermedirios. Para os Ex- ploradores Avanados, a utilizao de servios online, como o internet banking, mais de uma vez ao dia foi declarado para 49% dos casos e diariamente ou em quase todos os dias para 31% deles. Atividades de busca de informaes e servios realizadas pelos jovens de diferentes perfis de uso da internet Exploradores Iniciantes Total Exploradores Avanados Exploradores Intermedirios 5,7 6,2 5,6 5,8 5,2 3,1 1,8 0,7 3,8 2,3 1,2 3,8 2,3 1,3 5,4 4,3 3,5 4 2,7 1,7 Informao e servios de modo geral Faz pesquisas na web sobre informaes em geral Utiliza servios de localizao Acompanha blogs (jogos, moda, decorao etc.) Utiliza servios online (internet, banking, e-gov etc..) 90. 179178 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa lazer e entretenimento Educao e contedos digitais Quanto ao conjunto de atividades de lazer e entretenimento realizadas na internet, os Exploradores Avanados utilizam, em mdia, trs vezes mais dias da semana para pratic-las do que os Exploradores Iniciantes. O indicador eleva-se de 1,8 dias por semana entre os Exploradores Iniciantes para 5,6 entre os Avanados e 3,7 dias por semana entre os Intermedirios. Neste conjunto de aes, a prtica que mais aproxima os diferentes perfis a de assistir filmes, sries e programas de TV ou ouvir msica. Em sentido contrrio, as que mais as separam e diferenciam so as de baixar e instalar softwares ou programas de computador, acessar sites de revistas e ler livros digitais. Finalmente, com relao ao uso da internet para prticas educativas, de treinamento e capacitao, e de comrcio eletrnico, o quadro a seguir detalha as mdias de dias por semana empregados em cada uma delas, segundo os diferentes perfis considerados. Atividades de lazer e entretenimento realizadas pelos jovens de diferentes perfis de uso da internet Exploradores IniciantesTotal Exploradores AvanadosExploradores Intermedirios Atividades de lazer de modo geral Assiste filmes, sries, programas de tv, ouve msica Baixa contedo da internet Acessa sites de notcias Cria/Posta contedo digital Joga games/Jogos eletrnicos Baixa e instala softwares/ Programas de computador Acessa sites de revistas L livros digitais 5,6 6,2 6,5 6,2 6,4 5 5,4 4,3 4,7 2,5 1,3 0,4 2,2 1,3 0,6 3,1 1,9 0,9 3,5 2,6 1,9 4,2 3,2 2,3 4,7 3,2 2,2 4,9 3,6 2,6 4,6 3,8 3,1 3,7 2,6 1,8 Atividades de educao e treinamento realizadas pelos jovens de diferentes perfisde uso da internet Exploradores Iniciantes Total Exploradores Avanados Exploradores Intermedirios Atividades de treinamento/ Educao no geral Procura/ Pesquisa na web para a escola/ Faculdade Pesquisa informaes sobre cursos Faz curso a distncia, curso online 5,1 6,4 5,7 2,9 4,1 3,5 3,1 1,1 0,6 0,2 1,9 2,9 2,2 1,1 2 1,2 Atividades de comrcio eletrnico realizadas pelos jovens dos diferentes perfis de uso da internet Exploradores Iniciantes Total Exploradores Avanados Exploradores Intermedirios Comrcio eletrnico de modo geral Pesquisa de preos de produtos e servios Compra pela internet produtos e servios 4,0 5,8 2,6 3,7 3,9 1,4 0,8 0,2 1,6 2,4 0,8 1,0 91. 181180 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Uso de buscadores e servios online Como os diferentes perfis se comportam em relao aos focos prioritrios da pesquisa #comportamento Fazer pesquisas na web revelou-se tarefa executada por todas as categorias de in- ternautas. Apenas 6% deles declaram nunca dedicar-se a esta prtica. Porm, a in- tensidade da mesma mostrou diferenas fortemente significativas entre as categorias analisadas. Assim, os Exploradores Avanados declaram pratic-la mais de uma vez ao dia em 71% dos casos, porcentual que de 41% entre os Exploradores In- termedirios e de 14% entre os Exploradores Iniciantes. De maneira similar, 88% dos Exploradores Iniciantes dizem fazer download de msicas, filmes, vdeos e outros produtos da indstria cultural. Entre os Explo- radores Intermedirios esse porcentual sobe para 98% e chega praticamente a 100% entre os Exploradores Avanados. Esses ltimos declaram faz-lo com frequ- ncia de mais de uma vez ao dia em 81% dos casos. Para esse grupo, pode-se observar que os valores na passagem da categoria dos Explo- radores Iniciantes mulplicam-se entre duas e trs vezes para as prticas de procurar ou pesquisar na web para a escola ou para a faculdade; para pesquisar informaes sobre cursos e para pesquisar preos de produtos e servios. J para as atividades de realizar cursos distncia e comprar produtos e servios pela internet o fator multiplicador eleva-se, respectivamente para 5,5 e 7. Com valores sensivelmente menores, mas mantendo a mesma ordem, a passagem da categoria dos Exploradores Intermedirios para a de Exploradores Avanados eviden- cia uma multiplicao de aproximadamente 1,6 vezes para as prticas de procurar ou pesquisar na web para a escola ou para a faculdade; para pesquisar informaes sobre cursos e para pesquisar preos de produtos e servios. Para as aes de realizar cursos distncia e de comprar pela Internet, os valores encontrados foram 2,8 maiores em ambos os casos. A maioria dos Exploradores Avanados (67%) declarou assistir filmes mais de uma vez ao dia, ante apenas 12% dos Exploradores Iniciantes e de 29% dos Ex- ploradores Intermedirios. Uma parcela de 13% dos Exploradores Iniciantes decla- rou nunca praticar tal atividade. Para entender as diferenas de comportamento entre Exploradores Iniciantes, In- termedirios e Avanados dentro dos temas que compem o eixo da pesquisa (com- portamento, educao e aprendizagem, empreendedorismo e ativismo) os jovens in- ternautas entrevistados atriburam notas de 0 a 10, de modo a atestar o seu grau de concordncia em relao a uma srie de afirmativas. Atividade Total A internet mudou o meu hbito de buscar informao 7,76 7,59 8,07 7,86 O uso da internet contribui para aproximar as pessoas 7,73 7,7 7,87 7,32 Devo ter cuidado em expressar minhas opinies na Internet, pois posso no ser bem visto 7,48 7,37 7,7 7,48 Tenho medo com relao a privacidade e segurana dos meus dados na internet 7,3 7,35 7,24 6,96 A internet facilita a prtica de bullying 7,29 7,2 7,45 7,3 A internet mudou a forma como eu realizo atividades de lazer 6,66 6,28 7,34 7 As horas que eu gasto na internet afetam meu sono 6,08 5,67 6,86 6,12 As compras online facilitam a minha vida 5,87 5,12 7,05 7,21 Costumo trocar informaes pessoais com desconhecidos 3,93 3,41 4,91 3,99 Exploradores avanadosExploradores intermediriosExploradores iniciantes 92. 183182 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa A maior diferena de comportamento entre os Exploradores Iniciantes, Intermedirios e Avanados foi identificada em relao aos hbitos de compartilhamento de informa- es pessoais com desconhecidos. Entre todos os enunciados este foi o que obteve o maior valor relativo de discor- dncia. Os Exploradores Avanados so os que tm maior conscincia da neces- sidade de zelar por sua segurana e pela proteo de seus dados na internet. Com o aumento da diversidade e da amplitude do uso da rede, tais preocupaes e cuidados tendem a se diluir e diminuir de intensidade, abrindo possibilidades para a insegurana e para o risco digital. Os dados mostram que, no geral, o jovem conectado se mostra preocupado com a informao compartilhada na internet e com o uso adequado e res- peitoso destas informaes. Por outro lado, respostas oferecidas pelos jovens internautas a outras afirmaes fo- ram, em boa medida, surpreendentes. Aguardavam-se nveis mais elevados de concor- dncia em relao a tpicos como: A internet mudou meu hbito de buscar informa- es (7,8); O uso da internet contribui para aproximar pessoas (7,7) e A Internet mudou a forma como eu realizo atividades de lazer (6,6). Atividade Total Costumo trocar informaes pessoais com desconhecidos 3,93 3,41 4,91 3,99 O jovem internauta brasileiro essencialmente focado nas atividades de comunicao e entretenimento na internet. Apesar dessa concentrao de uso, a rede entendida como elemento intrnseco do cotidiano. Para eles, estar conectado no algo que se sobrepe existncia, mas sim uma ao que a constitui e estrutura. Ao menos na avaliao dos representantes da juventude conectada pesquisada, o uso cotidiano ou regular da internet no um fator que comprometa efetivamente o sono e o descanso. Em realidade, os valores obtidos para essa questo estiveram prximos da linha da neutralidade ou da indiferena. Considerando que outros dados da pesquisa revelam uma utilizao ativa e intensa da rede mundial de computadores pelos jovens internautas pesquisados, acredita-se que para eles tais prticas encon- trem-se mais plenamente naturalizadas, no configurando excesso ou rompi- mento de limites. Por outro lado, para os adultos pais e profissionais responsveis pela educao e pela sade dos jovens a questo da compulso pela conectividade Internet no , con- tudo, aspecto irrelevante que dispense cuidados. Pelo contrrio, sabe-se que o excesso do tempo gasto na rede pode interferir na produtividade desses jovens, alterando e prejudicando tanto a quantidade e a qualidade do descanso e do sono, quanto os pr- prios relacionamentos sociais e afetivos. O uso intenso, prolongado e compulsivo da tecnologia e da conexo digital pode vir a representar um apelo irresistvel ao jovem internauta, especialmente no que se refere ao acesso e uso das redes sociais, servios instantneos de trocas de mensagens e jo- gos online. Ainda que sob vigilncia e controle dos pais, no difcil para o jovem contornar o bloqueio, especialmente quanto tem acesso a dispositivos portteis, como celulares e smartphones, e conexo Wi-Fi. preocupante, contudo, destacar que nas redes sociais as facilidades de comparti- lhamento e de difuso instantnea de informaes tanto verdadeiras, quanto infundadas ou propositalmente falsas, potencializam no apenas a intensidade e a velocidade da comunicao, mas tambm ampliam as possibilidades e as ex- tenses dos danos e prejuzos pessoais no caso de ofensas e injrias relaciona- dos s diferentes prticas do bullying. Todos esses fenmenos podem ainda crescer exponencialmente frente falsa impresso de impunidade que permeia as manifesta- es feitas no mundo digital. Os Exploradores Avanados aderem e usufruem das comodidades do comrcio eletrnico mais intensamente do que os Exploradores Intermedirios e distan- ciam-se ainda mais destacadamente em relao aos Exploradores Iniciantes. 93. 185184 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa #educao Atividade Total mais fcil fazer trabalhos escolares consultando a internet 8,39 8,43 8,41 7,73 A internet permite o preparo e a auto avaliao para provas e testes (ENEM, concurso pblico, vestibular) 8,14 8,08 8,28 7,84 O uso de internet e outras tecnologias de comunicao melhoram o relacionamento e a troca de conhecimento entre os alunos 7,79 7,81 7,85 7,22 A internet possibilita o acesso ao aprendizado no meu ritmo, local e horrio mais adequado s minhas necessidades 7,62 7,39 8,03 7,65 Aprendo mais com uma aula presencial do que com uma aula online 7,55 7,57 7,6 7,04 J aprendi coisas teis para a vida ou para o trabalho na internet, que eu no aprenderia na escola/faculdade 7,53 7,35 7,84 7,73 Um bom professor aquele que sabe utilizar a internet e os recursos tecnolgicos para ajudar no aprendizado dos alunos 7,53 7,54 7,5 7,58 Fico mais motivado a estudar com o uso de Internet 7,12 6,88 7,51 7,33 No futuro com a internet, o professor passar a ser mais um orientador de estudos 6,97 6,81 7,23 7,07 O uso de internet melhora o relacionamento entre alunos e professores 6,95 6,97 6,96 6,73 Em muitos casos a Internet atrapalha a aprendizagem, pois as redes sociais e os games distraem o aluno reduzindo seu tempo de estudo 6,59 6,65 6,56 6,07 Utilizando a internet ampliei meus conhecimentos da lngua inglesa 6,59 6,19 7,22 7,2 Na internet tem muita informao o que dificulta seleo do melhor contedo 6,15 6,01 6,46 5,78 No saber ingls pode impedir o melhor uso da internet 5,75 5,51 6,15 6,07 De um modo geral, a maioria dos jovens internautas entrevistados considera o uso da Internet como ferramenta valiosa de apoio e suporte ao estudo, pesquisa escolar e realizao de tarefas, incluindo o preparo para provas e exames. interessante des- tacar que os Exploradores Intermedirios e os Exploradores Avanados concor- dam mais fortemente do que os Exploradores Iniciantes que o uso da Internet contribui para ampliar os conhecimentos de lngua inglesa. Tal fato corrobora a percepo de que um uso mais rico e abrangente de ferramentas e possibilidades co- nectivas e interativas na Internet colabora para adquirir e desenvolver um conjunto maior de saberes. Admite-se como certo que a prtica constante de fazer downloads e de consumir diferentes produtos da indstria cultural filmes, vdeos, msica e outros , bem como de instalar aplicativos e programas digitais contribui decisivamente para a ampliar o repertrio intelectual, informativo e cultural do jovem de uma manei- ra geral e tambm para o aprendizado, aquisio e desenvolvimento de outras lnguas, especialmente a inglesa, na qual so produzidos, redigidos e/ou falados e cantados as maiores parcelas dos itens consumveis na internet. Nesse mesmo sen- tido, tornou-se compreensvel o posicionamento dos Exploradores Iniciantes, que so os que mais discordam da afirmao de que no saber ingls pode impedir ou limitar o melhor uso da internet. Os Exploradores Avanados demonstram ter mais competncia do que os represen- tantes dos demais perfis na seleo de contedos disponveis na Internet, que sejam mais relevantes para os seus interesses pessoais. Interessante observar que os jovens internautas pesquisados informam, no geral, concordar, com pequena margem de di- ferena, tanto com as afirmativas de que o uso da internet e de outras tecnologias de comunicao melhoram a troca de conhecimentos e o relacionamento entre alunos (7,79), quanto entre alunos e professores (6,95). O estreitamento dos laos sociais entre os prprios alunos e entre eles e os professores, sob a mediao da internet, pode contribuir decisivamente para a inovao na educao e para a maior penetrao das tecnologias de informao e comunicao no ambiente escolar. 94. 187186 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa #empreendedorismo Atividade Total A internet pode acelerar o desenvolvimento de projetos 8,02 8 8,12 7,61 A internet estimula a inovao/ gerao de ideias e novas solues 8,01 7,94 8,24 7,37 A internet ajuda no desenvolvimento da carreira profissional 8 7,89 8,27 7,65 possvel ganhar dinheiro trabalhando com as ferramentas da internet 7,88 7,85 8,02 7,32 A internet possibilita a criao de novos servios/ produtos/ projetos que no seriam possveis de outra maneira 7,74 7,61 8,07 7,28 A internet um ambiente que contribui para o espirito empreendedor 7,67 7,6 7,81 7,52 A internet permite levantar dinheiro/financiamento para a realizao de projetos/novos negcios /startups 7,27 7,21 7,4 7,23 Penso em usar a internet para desenvolver meu prprio modelo de empreendimento 6,86 6,61 7,36 6,74 H que se destacar que, no caso da ao empreendedora, no se constataram diferenas estatisticamente significativas entre os Exploradores Iniciantes e os Exploradores Intermedirios, que declaram preferir um negcio prprio em, respec- tivamente, 71% e 72% dos casos. J para os Exploradores Avanados, o porcentual de adeso foi significativamente inferior (61%). Eles tendem a preferir um emprego em uma empresa (35%), opo declarada por 19% dos Exploradores Iniciantes e 17% dos Exploradores Intermedirios. Cabe destacar, contudo, que as questes que apontam para crenas e valores as- sociados ao potencial da internet em apoiar, acelerar, estimular e contribuir para a criao e o desenvolvimento de novas ideias e projetos inovadores tiveram n- veis de aprovao e concordncia mais significativos que outros contedos de ordem mais prtica e aplicada desses mesmos potenciais. Pode-se observar, as- sim, que quando questionados se pretendiam utilizar a internet para desenvolver seu prprio empreendimento, o nvel de concordncia reduziu-se sensivelmente. Quando perguntados a respeito de suas preferncias em relao ao futuro profissio- nal, a maior parte da juventude conectada brasileira deseja ter um negcio pr- prio (71%), ao invs de ser empregado ou funcionrio de uma empresa (opo que agrega 19% dos entrevistados). Uma parcela de 10% diz no ter preferncia por nenhuma das opes oferecidas. Apenas 15% da juventude conectada brasileira espera abrir um negcio prprio nos prximos cinco anos. A maioria considera essa possibilidade pouco provvel (30%) ou apenas provvel (28%), 14% diz que nada provvel, enquanto 13% no sabem responder questo proposta. interessante ressaltar que, para essas duas ltimas alternativas, os porcentuais relativos de adeso dos Exploradores Iniciantes foram sensivelmente superiores do que os declarados pelos demais perfis (16% e 14%, res- A fora do empreendedorismo no Brasil est na juventude. Embora identificado o desejo de empreender do jovem brasileiro, investir em novos negcios continua sendo um desafio e uma oportunidade que encontra na burocracia, na qualificao e alocao de recursos seus principais inibidores. Preferncias da Juventude conectada brasileira em relao ao empreendedorismo Ter um negcio prprio Empregado/ Funcionrio de uma empresa Nenhum dos dois Exploradores Iniciantes 71% 19% 10% Exploradores Intermedirios 17% 11% 72% Exploradores Avanados 35% 4% 61% 95. 189188 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa pectivamente) o que denota um maior grau de dificuldade em projetar um futuro empreendedor para aqueles que usam a internet de modo menos abrangente e diversificado. Os Exploradores Intermedirios so, proporcionalmente, os que mais declara- ram a inteno de abrir negcio prprio nos prximos cinco anos: 21% conside- ram a hiptese muito provvel; 33%, provvel e 27% pouco provvel. Em sentido con- trrio, so os Exploradores Avanados os que mais declaram preferir ser empregados ou funcionrios de uma empresa. Uma provvel explicao que os Exploradores Avanados so, em boa parte dos casos, jovens melhor preparados para o mer- cado de trabalho, sendo, nesse sentido, mais confiantes no futuro que podem encontrar junto s empresas. J os Exploradores Intermedirios e Iniciantes tendem a se enquadrar entre os nveis menos atraentes de empregabilidade, motivo pelo qual empreendimentos prprios podem parecer uma alternativa profissional e econmica mais desafiadora e potencialmente gratificante. Importante destacar a necessidade de capacitao e conhecimento como um desafio que deve ser ultrapassado, tendo como meta desenvolver um um empreendimento capaz de gerar riqueza, distribuio de renda e desenvolvimento econmico sustentvel. De maneira geral, os Exploradores Avanados demonstram maior nvel de confiana na rede para os propsitos de planejamento, desenvolvimento, criao e estrutura- o de novos negcios, sendo o oposto verdadeiro para os Exploradores Iniciantes. Os Exploradores Intermedirios, por sua vez, so os que demonstram maior expectativa positiva em relao contribuio da Internet financiar para projetos. Atividade Total A internet aumenta a participao das pessoas em manifestaes/ movimentos sociais ou polticas 7,94 7,93 8,02 7,51 Antes de aceitar um convite feito pela internet de uma manifestao eu verifico se a fonte confivel 7,92 7,92 7,98 7,48 A internet colabora com o aumento da viso crtica 7,56 7,45 7,89 6,89 Produzir e compartilhar nas redes sociais vdeos, fotos e textos sobre problemas sociais e ambientail uma forma de protesto muito eficaz 7,47 7,36 7,71 7,3 A participao em mobilizaes sociais colabora para a conscincia poltica 7,45 7,38 7,61 7,26 A internet permite a melhor organizao das pessoas para resolver problemas da sociedade 7,25 7,13 7,51 7,11 Ainternetamelhorferramentaparamanifestarminhaopinio 7,08 7,01 7,21 7,14 Procuro aprender sobre causas sociais, ambientais e politicas pela internet 7,01 6,72 7,55 6,98 A internet facilita o meu envolvimento em aes solidrias/Doaes de dinheiro, tempo, trabalhos outros recursos para causas sociais 6,86 6,63 7,33 6,66 Antes de comprar algo, pesquiso na internet se a empresa tem responsabilidade socioambiental 6,47 6 7,29 6,92 No aprovo/curto quem participa de movimentaes sociais e polticas apenas pela internet, preciso participar presencialmente. 6,05 6,03 6,12 5,93 Atividade Total Planejar/Desenvolver uma ideia 60 56 65 72 Criar/Estruturar um negcio 56 52 63 67 Obter financiamento para projetos 41 37 48 43 ndice de Multiplicidade 1,83 1,75 1,95 1,96 #ativismo 96. 191190 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa Como a pesquisa de campo foi realizada no contexto e no entorno das grandes mobilizaes que tomaram as ruas de todo o Pas em meados do ano de 2013, acredita-se que seus resultados reflitam o grande destaque alcanado pelas ati- vidades de informao, militncia e mobilizao levadas a cabo no mbito das re- des sociais, bem como a grande magnitude da exposio miditica da influncia da internet no campo do ativismo social. Os Exploradores Intermedirios apresentam mdias sensivelmente maiores que a dos Exploradores Iniciantes e Avanados no conjunto das questes relacionadas ao ativismo. Tal fenmeno parece sinalizar um maior grau de consenso quanto relevncia do pa- pel da Internet para informar, conscientizar e mobilizar o jovem para a ao social. interessante e oportuno ressaltar um ponto de inflexo relevante: os valores m- dios de concordncia so significativamente mais altos para as questes que tra- tam do papel da internet nas prticas do ativismo e da mobilizao social. J para a parcela de afirmaes que se debruavam sobre a atuao prtica e efetiva do jovem, os valores mdios de concordncia caem bastante, tendendo neutralidade. Cabe mencionar que, para esse conjunto de afirmaes, os Exploradores Avanados apontaram notas valorativas menores do que os Exploradores Iniciantes. A explicao mais significativa para estes resultados o maior grau de escolaridade e de acesso a bens e servios informativos e culturais por parte dos Exploradores Avanados, o que os torna menos dependentes das possibilidades oferecidas pela internet e, ainda mais especificamente, de suas redes sociais. importante destacar que o crescimento da dependncia ou at mesmo da prati- camente exclusividade em relao s informaes disponibilizadas pela internet e principalmente pelas redes sociais empobrece os questionamentos, os deba- tes e a busca da construo de argumentaes convincentes, necessrios viabilizao de consensos amplos e democr- ticos. O confinamento informativo a circuitos de amigos e conhecidos tende a esvaziar a expresso de pensamentos e interpretaes divergentes sobre os fatos, limitando o crescimento dos conhecimentos e saberes pela ao do dilogo entre pessoas diferentes, ajudando a perpetuar a circularidade das trocas entre iguais. Ressalta-se, neste contexto, a importncia da sinergia e da complementariedade entre diferentes esferas informativas, especialmente entre a Internet, a escola e a imprensa profissio- nal entendida como instncia moderadora do debate pblico. Preocupa, assim, entre outros aspectos, o distanciamento do jovem internauta da leitura diria ou peridica de jor- nais, revistas dedicadas anlise de notcias e de outros produtos especializados da mdia informativa. Importante observar o papel extremamente relevante de amigos e da mdia alternativa como fontes de informao mais acessadas e consi- deradas confiveis, do que os meios tradicionais. O ndice de jovens internautas que no participa de nenhu- ma categoria de ao ou de mobilizao social de 38%, sendo ainda mais relevante para os Exploradores Inician- tes (44%). Em sentido contrrio, o maior nvel de engajamento foi observado para os Exploradores Avanados (23%), seguidos pelos Exploradores Intermedirios (29%). Abaixo-assinados e peties so as categorias que mais atraem a adeso da juventude conectada brasileira (41%), seguidos pe- las manifestaes pblicas, passeatas e protestos de rua (38%) e dos debates sobre temas de interesse pblico (31%). Ainda que no de modo intenso e decisivo, predomina entre os jovens pesquisados uma tendncia de atribuir internet um papel mais relevante como instrumento de conscientizao e de mobilizao social do que como indutora da tomada de decises e de prticas ativistas. Corrobora para este entendimento, tambm, o fato de a questo sobre a validade e pertinncia da participao poltica apenas atravs da internet ter obtido o maior ndice de neutralidade entre todas as questes. Atividade Total Abaixo-assinado/Peties 41% 36% 48% 56% Manifestao pblica/Passeata/Protesto 38% 32% 47% 47% Debate sobre temas de interesse pblico (em instituies de ensino/Partidos polticos/Grupos polticos/ organizaes no governamentais) 31% 26% 38% 48% Voluntariado 25% 19% 33% 38% Greve 20% 16% 25% 35% Doao financeira 18% 15% 22% 22% Crowdfunding 7% 5% 10% 14% No participou de nenhum 38% 44% 29% 23% ndice de Multiplicidade 2,18 1,93 2,53 2,83 97. 193192 Os perfis de navegao da juventude conectada: #oquedizapesquisa O aumento da adeso aos diferentes tipos de aes de mobilizao social e de ati- vismo evidente entre os Exploradores Intermedirios, quando comparados aos Exploradores Iniciantes, fato que se repete na comparao entre Intermedirios e Avanados. Comprova-se, assim, a correlao positiva entre o ativismo e a diver- sidade e riqueza do uso da internet. O acesso a canais e ferramentas diferenciadas e ampliadas de informao favorece e contribui decisivamente para a conscientizao e a tomada de posies em relao a problemas sociais, polticos e/ou ambientais. Esse favorecimento tambm pode ser verificado quando se trata de doar ou captar recursos. Uma parcela de 18% dos jovens internautas pesquisados declarou fa- zer doaes financeiras, sendo que apenas 7% o faz via crowdfunding. Esse me- canismo de captao de recursos, embora incipiente, apresenta relativo crescimento no Brasil e tem uma sensvel diferena de apelo junto ao pblico pesquisado, quan- do comparado a outras formas de ativismo e de mobilizao social. Essas diferenas so particularmente significativas entre os Exploradores Iniciantes e os Exploradores Avanados, que apresentam nveis discrepantes de familiaridade, desenvoltura e dis- ponibilidade para o trato de questes financeiras. Interessante observar que o ndice de multiplicidade apurado demonstrou que o jo- vem conectado brasileiro pratica, em mdia, 2,1 diferentes aes de ativismo e de mobilizao social. Esse indicador diferencial entre as categorias, elevando-se de 1,93 entre os Exploradores Iniciantes, para 2,53 entre os Exploradores intermedirios e, finalmente, para 2,82 entre os Exploradores Avanados. Os Exploradores Avana- dos revelaram-se, tambm, como aptos e praticantes de formas mais numerosas e diversificadas de ativismo social, adotando, em mdia, 2 diferentes modalidades. Para os Exploradores Iniciantes esse indicador ficou em 1,55 e para os Exploradores Intermedirios, em 1,8. pertinente ressaltar que os Exploradores Avanados priorizam mais a educao do que os demais perfis. J em relao casa e negcios prprios, as diferenas entre eles e os outros dois perfis de jovens so menos considerveis. A mobilizao presencial mostrou-se a mais significativa para todos os perfis considerados e com o menor nvel de divergncia entre eles. Para as demais formas de participao e mobilizao social, aprofundaram-se as diferenas, especialmente no que se refere ao uso da prpria internet como ferramenta para o ativismo. Neste caso, o ndice apurado de 81% entre os Exploradores Avanados, de 69% entre os Exploradores Intermedirios e de 46% entre os Exploradores Iniciantes. Atividade Total Presencial 87 89 84 85 Pela Internet 57 46 69 81 Por SMS/Celular (Mensagens) 16 14 18 21 Por Correio 8 6 10 13 ndice de Multiplicidade 1,68 1,55 1,81 2 Atividade Total Investiria nos estudos 46 45 47 57 Iniciaria um negcio (sozinho ou com um scio) 42 41 45 43 Compraria uma casa/Quitaria minha casa 31 33 28 32 Viajaria para estudar/Fazer um intercmbio 17 16 19 16 Viajaria a lazer 17 17 17 16 Gastaria em coisas que sempre quis ter (passeios, roupas, carro, artigos de luxo etc.) 12 13 10 11 Notrabalharia/Parariadetrabalhar 4 4 3 5 Nenhuma dessas opes 2 2 1 3 No sabe 4 4 5 5 ndice de Multiplicidade 2,08 2,07 2,06 2,34 98. 7Constataes, tendncias e prospeces #oquedizapesquisa 99. 197196 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa Constataes, tendncias e prospeces #oquedizapesquisa #oquedizapesquisaNo caldo de cultura ps-moderna da internet emerge um novo e complexo ecossistema de comunicao, com cenrios futuros de curto e mdio prazos, centrados em aparelhos inteligentes, porque conectados, como culos, carros, relgios e geladeiras, evoluindo para cidades inteligentes. Esse conjunto de fenmenos justifica a necessidade de es- tudos e pesquisas para melhor conhecer os usos, as apropriaes, as habilidades e as competncias dos jovens brasileiros conectados hoje e, assim, prospectar seus futuros na crescente centralidade da tecnologia na vida contempornea. Focada em quatro eixos temticos: educao e aprendizagem, ativismo, empreen- dedorismo e comportamento, a pesquisa Juventude Conectada. Idealizada pela Fun- dao Telefnica Vivo, e realizada em parceria com o IBOPE Inteligncia, com o instituto Paulo Montenegro e com a Escola do Futuro Universidade de So Paulo, constitui-se em iniciativa inovadora, relevante e oportuna, que traz uma contribuio valiosa e nica no entendimento comportamental e atitudinal da juventude brasileira contempornea. Neste conjunto, dois focos temticos empreendedorismo e ativismo ganharam maiores destaques por diferentes razes. Em primeiro lugar, porque no se deve perder de vista que ambos so emergentes em relao aos outros dois educao e compor- tamento historicamente mais estudados em iniciativas de investigao e estudos si- milares. Em seguida, o ativismo juvenil, no contexto da mobilizao pela internet, cons- titui fenmeno recente no apenas no Brasil, mas em todo o mundo e por isso mesmo ainda carece de estudos sociolgicos e antropolgicos. Contribuies ao seu enten- dimento e contextualizao, como os propiciados por essa pesquisa, tornam-se, portanto, valiosos aportes para a investigao social mais acurada do potencial transformador dessas iniciativas, especialmente em relao aos sonhos, projetos e perspectivas que os jovens querem desenhar para o seu futuro. Quanto ao empreendedorismo, a opo pela nfase no seu detalhamento decorre da sua inquestionvel relevncia na orquestrao dos negcios no mundo contem- porneo e da prospeco de sua centralidade enquanto fator dominante para a re- alizao profissional, social e afetiva da juventude dos dias de hoje. Em nenhum momento, contudo, se prescinde do registro e da anlise das poderosas conexes e interdependncia do empreendedorismo com a educao e aprendizagem dos jovens, foco tambm contemplado nesta investigao. Em segundo, porque objetiva a consolidao dos recortes macrorregionais e das dife- renas entre as suas respectivas cidades do interior e suas capitais, reconhecendo a existncia nestes espaos, de multiplicidades e diferenas dignas de registro e interpre- tao. Por tudo isso, os resultados obtidos compem um quadro essencialmente novo e desbravador, tanto pela dimenso, amplitude e atualidade dos seus dados, quanto pela originalidade dos enquadramentos propostos e executados. Os impactos desta centralidade da internet espraiam-se por todas as reas da atividade humana, criando o novo nem sempre a partir da morte do velho, mas, via de regra, da convivncia destes estranhos que precisam negociar num contexto de coopetition (cooperao + competio). Cabe destacar, tambm, que essa pesquisa avana em alguns aspectos terico-metodolgicos que a tornam nica no cenrio global das informaes a respeito da juventude conectada brasileira. Primeiramente, por incorporar de maneira integrada, abrangente e articulada abordagens quantitativas e qualitativas de pesquisa, que permitem o aprofundamento, a diversificao e a complexificao dos olhares sobre o objeto investigado e a leitura mais densa e multifacetada dos hbitos, atitudes e comportamentos do jovem internauta brasileiro. 100. 199198 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa empreendedorismo e a #juventude conectada A incorporao da tecnologia da informao aos modos de produo, a abertura e ex- panso de exigentes e competitivos mercados e a necessidade urgente das naes emergentes em se adequar atual conformao global vm transformando em protagonista um novo binmio: inovao e empreendedorismo. Para o Brasil ti- rar partido das excelentes condies de crescimento possibilitadas atualmente pela globalizao, condio sine qua non o desenvolvimento de instituies fortes e me- canismos modernos que permitam a atualizao constante dos modelos de gesto. A capacidade de gerar conhecimento e transform-lo em riqueza e desenvolvimento social metas impostergveis para a prpria sobrevivncia dos pases depende da ao de agentes institucionais responsveis por gerar e aplicar o conhecimento, quais sejam: governo, universidades e empresas. Os modelos de poltica pblica no Brasil so propostos por tais agentes. No caso de empresas, parte-se da identificao de um problema e da busca da soluo inovadora, em oposio a ineficazes modelos ortodoxos. A seguir vem a fase de experimentao; e, uma vez bem-sucedida a ideia, o empreendedor procurar sistematiz-la e reprodu- zi-la ao ganhar escala, a soluo inovadora pode vir a tornar-se um modelo. Inovao o uso de ideias para otimizar processos ou criar diferenciais em produtos e servios, ou diminuir custos. Mas no basta apenas ter novas ideias, elas devem ser testadas e ser capazes de agregar valor aos negcios. Com a inovao, as empresas evoluem, lanam novos produtos e melhoram os servios, abrem mercados e criam barreiras estratgicas. No mundo corporativo, partindo da observao e idealizao, a tecno- logia chega ao mercado por meio dos modelos de negcios. A cadeia de valores que fornece a metodologia para transmutar ideias em ao nos negcios chamada de pipeline de inovao. Gesto da inovao a gesto do pipeline da inovao rea multidisciplinar e mul- tifuncional que compreende produo de ideias, pesquisa e desenvolvimento, expe- rimentao, planejamento estratgico, produo em escala, modelos e boa adminis- trao de negcios, incluindo desenvolvimento organizacional e aes de marketing, para finalmente chegar ao to ambicionado mercado. A gesto da inovao funda- mental no desenvolvimento dos negcios, e o empreendedor elo-chave no proces- so: ele o gestor da inovao. Podemos considerar como indicadores da atividade empreendedora a vocao para a inovao, a capacidade de lidar com o risco e a habilidade criativa. Por outro lado a vantagem competitiva induzida pela atividade empreendedora est fortemente ligada capacidade tecnolgica, de gerao de pa- tentes e de conhecimento das demandas do mercado consumidor. A organizao Global Entrepreneurship Monitor (GEM), avalia o nvel anual de ati- vidade empreendedora desde 1999, com base na participao e papel do empreen- dedor no crescimento das economias nacionais. O relatrio recentemente publicado com os dados de 2013 envolveu 70 economias, e contou com a participao de mais de 197 mil indivduos pesquisados, e aproximadamente 3.800 especialistas em em- preendedorismo. O estudo analisa em detalhe diversas qualidades e iniciativas que dizem respeito ao empreendedor como indivduo, no Brasil e no mundo. Os resultados da pesquisa de 2013 colocam o brasileiro como um dos povos mais empreende- dores do planeta. A GEM no Brasil conta com a colaborao do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produ- tividade (IBQP), alm do Sebrae, FGV, e outras instituies, com o objetivo de estimar a prevalncia de indivduos envolvidos em atividade empreendedora em determinado momento e avaliar as condies que levam criao bem-sucedida de uma empresa. O GEM avalia o empreendedorismo segundo as etapas do processo empreendedor, que vo desde o momento em que os indivduos expressam a inteno de iniciar um empreendimento, at a criao e manuteno desse empreendimento em suas fases iniciais ou quando este j considerado estabelecido. Para efeitos de comparao, mantendo a linha de anlise dos ltimos anos, o GEM, de acordo com a classificao baseada no Relatrio de Competitividade Global publica- do pelo Frum Econmico Mundial , agrupa as economias dos pases participantes em trs nveis: pases impulsionados por fatores, pases impulsionados pela eficincia e pases impulsionados pela inovao. Nas economias impulsionadas por fatores predominam atividades com forte dependncia dos fatores trabalho e recursos naturais. As economias impulsionadas pela eficincia so caracterizadas pelo avano da industrializao e pelos ganhos em economia de escala, com predo- minncia de grandes organizaes intensivas em capital. No caso dos pases mais avanados, os negcios so mais intensivos em conhecimento e o setor de servios se expande e se moderniza, caracterizando as economias impulsiona- das pela inovao. Quando comparado no contexto dos BRICs, o relatrio GEM classifica Brasil, Rs- sia, China e frica do Sul, segundo a fase do desenvolvimento econmico em pases impulsionados pela eficincia enquanto a ndia se encontra entre os pases impulsionados por fatores. Segundo o relatrio GEM, nos anos recentes o perfil do empreendedor brasileiro tem se alterado significativamente. O Brasil experimentou uma transio de um nmero maior de empreendedores por necessidade para uma maioria de empreendedores que encontra oportunidades de negcio antes de iniciar um empreendimento. Estas mudanas esto relacionadas com os cen- rios macroeconmico e social delineados no Brasil desde o incio do Sculo XXI. 101. 201200 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa de vida da populao em geral e de seus diversos segmentos. Influenciam a educao, a informao, a cultura, os costumes e a sociedade. CT&I so conceitos que devem tornar-se parte da nova cultura corporativa do s- culo XXI, de maneira que as empresas, independentemente de tamanho, setor e con- texto de atividade produtiva, possam ser capazes de competir na nova ordem mundial. A inovao uma vantagem competitiva que deve ser desenvolvida e adotada e que no pode estar dissociada de cincia e tecnologia. Comaimplacvelascensodaglobalizao,fomentaroempreendedorismoexigeplaneja- mento e determinao e as empresas originadas a partir deste cenrio vm sendo subme- tidas a crescentes ondas de turbulncias no ambiente competitivo, com mudanas de um mundo familiar, em termos de produo e marketing, para outro, desconhecido, em que novas tecnologias, concorrentes, atitudes do consumidor, dimenses de controle social e acima de tudo, questionamentos sobre o papel social intensificam o grau de incerteza. Corporaes e renomadas escolas de administrao do mundo todo procuram apro- fundar o entendimento dos novos paradigmas em busca do xito, da perenidade e da sustentabilidade dos negcios empreendedores e inovadores. Cliente, estratgia, auto- avaliao, aquisio de conhecimentos, network, liderana, gesto de pessoas, gesto de processos entre tantos outros enigmas esto sendo esmiuadas, nada pode escapar da deteco e da anlise. Em resposta crescente globalizao, mobilidade dos melhores talentos e vo- latilidade da economia mundial, as organizaes no mundo todo devem ter uma abordagem mais sofisticada para gerir o seus talentos. Os gestores de recursos humanos devem atuar no sentido de auxiliar essa transformao repensando tcnicas, alinhando os objetivos de RH com os objetivos organizacionais e desenvolver novas abordagens baseadas em evidncias para a gesto de talentos. Essas transformaes redefinem a oferta e procura por talentos. Em todos os tipos de organizaes mudanas profundas esto alterando os modelos de neg- cio e inaugurando uma nova era de complexidade, incerteza e modificaes para as empresas. O surgimento da internet e de tecnologias relacionadas acelerou essas mudanas no mercado, provocando redefinio de estratgias, processos e padres de competitividade. Assim, preciso reposicionar conjuntos de habilidades e com- A maioria dos empreendedores iniciais brasileiros avalia ter conhecimento, habilidade e experincia para comear um novo negcio (72,8%). O perfil do empreendedor brasileiro hoje mais escolarizado e tambm mais jovem. De acordo com o GEM, 50% dos empreendedores com at trs anos e meio de atividade tm entre 18 e 34 anos. A pesquisa mostra, ainda, que 52% dos novos empreendimentos so comandados por mulheres. Cincia, tecnologia e inovao (CT&I) so elementos-chave para o crescimento, a com- petitividade e o desenvolvimento de empresas, indstrias, regies e pases. Tambm tm importncia fundamental na determinao do estilo de desenvolvimento de regi- es ou naes e na forma como este afeta no presente e afetar no futuro a qualidade As definies de empreendedorismo no so estatisticamente mensurveis. Mensu- raes existem, mas no refletem necessariamente os objetivos do empreendedoris- mo que os agentes responsveis pelos modelos de polticas pblicas propem (OCDE, 2006). De acordo com a OCDE, enquanto h considervel interesse em empreendedo- rismo dos pases-membros da organizao, no h macroestatsticas, com conceitos e definies, nem ao menos uma relao de indicadores-chave indispensveis ao entendi- mento coletivo do empreendedorismo e dos impactos resultantes. O aumento da escolaridade nos ltimos anos contribuiu para que o ndice de sobrevivncia das empresas continue se expandindo. Jovens entre 18 e 34 anos so donos de 50% dos negcios com at trs anos e meio de atividade, enquanto nas empresas que esto mais tempo no mercado apenas 25% so desta faixa etria. Segundo o relatrio GEM, quase 85% dos brasileiros consideram abrir empresa como boa opo de carreira, bem acima do porcentual dos pases que compes os Brics Rssia (66%), ndia (61%), China (70%), e frica do sul (74%). Os governos prestam cada vez mais ateno instruo e ao treinamento para as iniciativas empresariais. No h um modelo nico para ensinar a iniciativa empresarial na instruo e no treinamento: os jovens devem apren- der a abrir seu prprio comrcio? Ou devem ser orientados a manifestarem seu consentimento para modificar o comportamento e correr riscos? Os Estados Unidos tendem a favorecer a primeira abordagem, enquanto a Sucia prefere a segunda. O Reino Unido utiliza essas duas abordagens (OCDE, 2005). (...) as competncias so desenvolvidas em diferentes nveis: individual, em grupos e organizacional de forma inte- grada. No que se refere aos empreendimentos de startups, o desenvolvimento das competncias e capacidades est relacionado, em um primeiro momento, figura do empreendedor. O grande desafio das incubadoras e dos empreendedores emerge da necessidade de transferncia dessas competncias individuais em competncias or- ganizacionais (LUZZARDI, p. 52). 102. 203202 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa petncias profissionais em todos os nveis de empreendimentos. Segundo o rela- trio Global Talent 2021 produzido pela Organizao dos Estados Americanos (OEA) em conjunto com empresas e universidades identifica quatro reas em que estas habilidades esto em maior demanda nos prximos dez anos: o empreendedor que se inicia na aventura mercadolgica colocado prova diante do maremoto de desafios e preocupaes e acmulo excessivo de informaes nem sempre bem digeridas a impedir a atracao na terra firme da boa gesto. A sina da pequena ou mdia empresa no diferente das slidas instituies corporativas, e o caminho da organizao em direo excelncia no uma linha reta, mas um trajeto cheio de obstculos, que s se consegue suplantar com constncia de propsitos e mobilizao de todas as competncias. As grandes empresas esto em uma corrida para se tornar digitais. As primeiras a alcan- ar esse objetivo impactaro seus mercados e podero ingressar em novas reas. De fato, elas tero o controle de seus destinos digitais. Para os lderes de negcios, os prxi- mos trs anos determinaro o ritmo de suas organizaes nessa nova corrida, afirma o relatrio Accenture Technlogy Vision 2014: Every Business is a Digital Business. Ainda se- gundo o relatrio, essas organizaes entenderam que, embora ainda no incio, existem oportunidades digitais significativas para se aproveitar. As empresas comearam a utilizar seus vastos recursos e capital no somente para reagir a tecnologias emer- gentes, mas tambm para adot-las. Elas implementam estas ferramentas digitais em suas operaes para que o impacto positivo nos negcios e na indstria ocorra em benefcio prprio. Essa mudana de estratgia marca um significativo ponto de infle- xo: enquanto as grandes companhias se transformam e iniciam suas mudanas, as pequenas e as mdias empresas ainda desempenharo importantes papis. o empreendedor que se inicia na aventura mercadolgica colocado prova diante do maremoto de desafios e preocupaes e acmulo excessivo de informaes nem sempre bem digeridas a impedir a atracao na terra firme da boa gesto. A sina da pequena ou mdia empresa no diferente das slidas instituies corporativas, e o caminho da organizao em direo excelncia no uma linha reta, mas um trajeto cheio de obstculos, que s se consegue suplantar com constncia de propsitos e mobilizao de todas as competncias. As grandes empresas esto em uma corrida para se tornar digitais. As primeiras a al- canar esse objetivo impactaro seus mercados e podero ingressar em novas reas. De fato, elas tero o controle de seus destinos digitais. Para os lderes de negcios, os prximos trs anos determinaro o ritmo de suas organizaes nessa nova corrida, afirma o relatrio Accenture Technlogy Vision 2014: Every Business is a Digital Busi- ness. Ainda segundo o relatrio, essas organizaes entenderam que, embora ainda no incio, existem oportunidades digitais significativas para se aproveitar. As empresas comearam a utilizar seus vastos recursos e capital no somente para reagir a tecnolo- gias emergentes, mas tambm para adot-las. Elas implementam estas ferramentas digitais em suas operaes para que o impacto positivo nos negcios e na indstria ocorra em benefcio prprio. Essa mudana de estratgia marca um significativo ponto de inflexo: enquanto as grandes companhias se transformam e iniciam suas mudan- as, as pequenas e as mdias empresas ainda desempenharo importantes papis. Garantir que os novos negcios criados todos os dias, fruto do esprito empreendedor, da criatividadeecapacidadedeinovaodeumanaopossamprosperaremumcenrioglo- bal e competitivo responsabilidade da sociedade organizada, dos governos e de universi- dadesque,atravsdeumesforoconcentrado,deverosercapazesdepropiciaroterreno frtil ao empreendedorismo que gera riqueza e desenvolvimento econmico sustentvel. Competncia digital ou digital literacy: competncias em ligar com os avanos tecnolgicos, habilidade em trabalhar de forma virtual, entender o papel das tecnologias de informao e comunicao para o negcio, habilidade de usar as mdias sociais e WEB 2.0, bem como aptido para lidar com design digital. Em suma, trata-se de um profissional que usa a criativi- dade e a tcnica para desenvolver interfaces digitais interativas, geradas pelo surgimento da mdia digital. Pensamento gil ou agile thinking: estar preparado para atuar em mltiplos cenrios, lidar com complexidades, ambiguida- des, paradoxos e conflitos. Relacionamento interpessoal e comunicao: criatividade, colaborao, trabalho em equipe e comunicao so habili- dades e competncias que refletem a mudana do modelo comando-controle para um estilo colaborativo e fluido. Operao global: habilidade de gerenciar a diversidade, entender mercados internacionais, sensibilidade cultural e dom- nio de vrios idiomas. Para ser protagonista da ruptura digital, importante destacar seis temas que refletem as mudanas que surgem entre as lderes digitais do futuro: rompimento da tnue linha entre o digital e o fsico (inteligncia estendida) circulao e acessibilidade da informao (cadeia de suprimento de dados) reduo de custos pela hiperescala uso crescente de aplicativos orientados ao negcio resilincia arquitetada para negcios ininterruptos ascenso das empresas sem fronteiras (a fora de trabalho colaborao em massa). 103. 205204 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa A maioria da juventude brasileira conectada crdula e confiante na importncia da internet no apoio ao empreendedorismo juvenil. De um modo geral, o jovem brasileiro conectado mostra-se entusiasmado frente ao potencial da internet no desenvolvimento de projetos, no estmulo inovao e no desenvolvimento da carreira profissional. Num conjunto de afirmativas a eles apresentado, a pesquisa mostrou que a maioria (52%) concorda totalmente ou quase totalmente que a internet: 1) pode acelerar o desenvolvimento de projetos; 2) a internet estimula a inovao/gerao de ideias e novas solues e a internet e 3) ajuda no desenvolvimento da carreira profissional. Porm, a adeso dos jovens s mobilizaes sociais veio revelar que a sua apatia e o seu distanciamento se do, em realidade, como rejeio s prticas e s instituies constitudas e socialmente estabelecidas nos partidos, nos sindicatos, nas eleies. Para alm do esgotamento deste modelo tradicional de se fazer poltica - que no sabe sequer dialogar com a juventude, com seus anseios, sonhos e projetos -, existe, contudo, a rua. E a o jovem internauta brasileiro pode encontrar um novo espao de experimentao do seu ser poltico e da construo da sua cidadania. Ainda no sentido de demonstrar confiana e entusiasmo no potencial da internet em apoiar atitudes empreendedoras dos jovens, estes afirmaram acreditar, em absoluta concordncia, que a internet possibilita criar novos servios, produtos e/ou projetos que no seriam possveis de outra maneira. 45% deles tambm concordam que a internet um ambiente que contribui para o esprito empreendedor e 41% que ela permite levantar dinheiro e/ou financiamento para a realizao de projetos e novos negcios, especialmente no apoio s startups. Na gnese do contemporneo conectado e suas mltiplas facetas e organismos em formao, diversos aspectos carecem de mais estudo e pesquisas. A literatura sobre empreendedorismo, inovao e gesto de tecnologia tem pouco mais que uma dca- da de vida. Empreendedores desassistidos, mas que tm excelentes ideias e produ- tos inovadores, acabam sucumbindo aos desafios da competitividade global. Diante dos resultados desta pesquisa recomendamos que o tema empreendedorismo seja inserido nos currculos da educao formal dos jovens brasileiros pelo menos a partir do ensino mdio, para que os mesmos possam se conscientizar da importncia de aproveitar as oportunidades geradas pelas plataformas web 2.0 na produo de ri- queza, distribuio de renda e desenvolvimento econmico sustentvel. Tambm importante ressaltar novas formas de financiamento para startups (empresas cujo DNA reside na tecnologia da informao e inovao) e formas emergentes de finan- ciamento coletivo na internet como crowdsoursing (doaes via web). As recentes manifestaes de junho de 2013 desenharam um novo perfil da juventu- de brasileira. Muitos experimentaram, pela primeira vez, as sensaes, a potncia e as promessas de mudana nascidas da mobilizao nas ruas, dos gritos em unssono e do rompimento das barreiras e do isolamento cotidianos. Fenmenos recorrentes em vrias partes do mundo nos dias contemporneos, as mobilizaes especial- mente as juvenis mediadas pela internet, no se deixam, contudo, captar e serem interpretadas com facilidade. Pelo contrrio, revelam facetas ainda desconhecidas do comportamento dos jovens e surpreendem os pensamentos afeitos tradicionalida- de dos focos nas instituies e prticas socialmente consagradas da representao e da canalizao dos anseios polticos e cidados. De fato, o que a juventude conectada brasileira revelou ao longo da pesquisa em- preendida foi o seu largo desinteresse pela poltica presente e constituda no seu dia a dia. Entre os mais diversificados temas acessveis pela internet, a poltica est entre os que menos despertam a ateno, o interesse e o apreo do jovem internauta. Coerentemente, est tambm entre os assuntos menos preferidos para a criao, pos- tagem e compartilhamento de contedo. Observou-se que a maioria dos jovens brasileiros conectados foi s ruas (57%), fenmeno esse que se revelou ainda mais intenso nas capitais de todo o Pas (61%). Do total dos internautas juvenis, 35% utilizaram ferramentas da web 2.0 para promover e participar das mobilizaes sociais recentes. Fica, portanto, evidente que a internet, ou ainda mais precisamente, a relao da juventude conec- tada com a internet, tiveram papel preponderante na organizao e na viabilizao desta ordem de mobilizaes sociais. Ativismo e a #juventudeconectada 104. 207206 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa Educao e aprendizagem e a #juventudeconectadabrasil No que se refere educao e aprendizagem, as novas tecnologias digitais e as abordagens pedaggicas decorrentes de sua crescente e irrecorrvel incorpora- o tanto em sala de aula, quanto nos estudos, na realizao de pesquisas e tarefas e de cursos online, seguramente, iro modificar de maneira significativa e impac- tante as relaes entre professores, alunos e escola. Nesse contexto mutante, os docentes, cada vez mais, passaro a ocupar a posio de tutor, mentor ou guia para o aprendizado automotivado de seus alunos. Tais perspectivas de mudana apontam para um cenrio fortemente impactado pelo acesso amplo e intensamente frequente dos jovens internet, que vem impor a ordem e os sentidos da absoluta urgncia da transformao dos processos educacionais. Assim, o professor deixa, de fato, de constituir-se em fonte nica ou privilegiada da informao, do conhecimento e da autoridade. Porm, ao mesmo tempo, torna- -se cada vez mais imprescindvel na construo da seletividade das fontes, dos contedos e das abordagens, tornando-se aliado e guia do estudante na organiza- o e execuo de suas pesquisas quer sobre os assuntos curriculares, quer sobre a investigao de si mesmos e do mundo que os cerca. Novas abordagens pedaggicas iro exigir que professores e escolas passem a atu- ar na produo crtica das conexes entre os contedos aprendidos sob a influncia e mediao das plataformas e das ferramentas digitais e a sua efetiva apreenso, a partir da aplicabilidade prtica na realidade vivida pelo aluno. Observa-se, portanto, que tanto o jovem aluno, quanto o professor encontram-se em processo mutua- mente constitutivos: ambos esto em construo para o aprendizado e a explo- rao de novos processos de ensino-aprendizagem mediados pelas tecnologias de informao e comunicao, que se caracterizam e se caracterizaro, cada vez mais intensamente, por prticas dialgicas, colaborativas, comunicativas e focadas na resoluo de problemas e desafios. Pesquisas como as recentemente publicadas pelo New Media Consortium (NMC)* apontam para expectativas crescentes de adoo escolar dos chamados Recursos Educacionais Aber- tos (REA), em complementao ou substituio dos mate- riais didticos tradicionais. Ao mesmo tempo, novas possibi- lidades como a computao em nuvem, o uso dos recursos dos games e dos processos de gamificao e das prticas compreen- didas pelo fenmeno do BYOD (traga o seu prprio equipamen- to, na sigla em ingls) seguramente passaro a fazer parte das rotinas dos estudantes em amplitudes considerveis. Segundo o relatrio desta instituio, de 2014, em termos mundiais, a com- putao em nuvem e o BYOD devero chegar s salas de aula em um horizonte de apenas um ano; os games e as prticas de gamificao, assim como das ferramentas de anlise de aprendizado (learning analytics), em um intervalo de mais dois ou trs anos e a internet das coisas e outras tecnologias, como as vestveis, nos prximos quatro ou cinco anos. Evidentemente que se tratam de previses auspiciosas e tam- bm ambiciosas, especialmente para as condies brasileiras, nas quais ainda prevalecem grandes dificuldades, atrasos e precariedades de infraestrutura de acesso internet e aos com- putadores nas escolas especialmente nas pblicas. Porm, h que se reconhecer que se trata de tendncias apontadas com crescente frequncia e por um nmero cada vez maior de pes- quisadores e de instituies setoriais. O estudo The 2011 Ho- rizon Report, tambm realizado pelo New Media Consortium, considerado referncia no estudo das tecnologias e do potencial impacto nos processos de ensino-aprendizagem, j vislumbrava pouco depois do incio desta dcada a adoo massiva de livros eletrnicos (e-books) e de celulares com acesso internet, em um curtssimo perodo de tempo nas salas de aula de pases de- senvolvidos como Japo e Estados Unidos. Cumpre destacar a importncia da utilizao de buscadores para pesquisar para a realizao das atividades escolares, ao praticada por 94% dos respondentes. As alternncias ocorrem na intensidade. Desta forma, o uso de buscadores mais de uma vez ao dia oscila de 71% para os Explorado- res Avanados, baixando para 41% entre os Intermedirios, chegando a 14% entre os Iniciantes. Nota-se, aqui, grande oportunidade para que a escola formal conscientize seus alunos acerca da importncia da utilizao de buscadores com estra- tgias claras de pesquisa e tendo em mente que nem todas as informaes disponveis na web 2.0 e recuperadas pelos busca- dores merecem crdito. Enquanto, por um lado, os alunos passam a ter acesso expandido, praticamente ilimitado e extremamente diversificado s informaes sobre os fenmenos do mundo, por outro, esses mesmos jovens no podem prescindir do apoio e da mediao dos professores para a construo crtica do pensamento, da tica, da cidadania e do discernimento capaz de lhe conferir autonomia e protagonismo enquanto sujeito. Outro desafio para a escola como instituio preparar seu corpo docente e discente para o aprendizado de recursos informacionais em bases de dados confiveis, bem como a caracterizao das fontes de informao institucionais e individuais, esclarecendo a diferena entre notcias em um jornal dirio online editado por instituio tradicional e notcias em blogs pessoais. *O NCM produz pesquisas e relatrios internacionais sobe as tecnologias emergentes e seu impacto potencial sobre os processos de ensino-aprendizagem na educao bsica dos jovens. Da edio de 2014, participaram 54 especialistas de vrios pases. 105. 209208 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa Tambm merece destaque a descoberta de que os jovens pesquisados consideram que a internet ajuda a aproximar professores e alunos (alm de aproximar os pr- prios alunos entre si), atuando como catalisadora das redes sociais presenciais. Ou- tro achado importante diz respeito importncia da internet para capacitar os jovens para o mercado de trabalho, onde o porcentual de concordncia entre os Exploradores Intermedirios foi de 81% e, entre os Exploradores Avanados, de 90%. A expanso da oferta de cursos distncia de capital importncia num Pas de dimenses continentais e fortes assimetrias regionais, como o caso do Brasil. Instituies de ensino, sociedade civil e governos devem se cotizar para conscientizar os jovens, principalmente os Exploradores Iniciantes, da importncia da educao for- mal e da especializao na formao do capital social jovem do Pas. Outro achado importante relaciona-se com o impacto das escolas pblica e privada na categorizao dos perfis de navegao. Os resultados apontam que 3% dos jovens matriculados em escolas pblicas foram considerados Exploradores Avanados, ao passo que para os da escola particular esse ndice ascendeu para 10%. Por outro lado, enquanto 62% dos jovens alunos da escola pblica foram categorizados como Exploradores Iniciantes, para os das escolas particulares, este indicador foi 51%. Outras contradies emergem dos cruzamentos dos resultados da pesquisa quan- titativa quando cruzados s falas da pesquisa qualitativa. A primeira diz respeito percepo equivocada que os jovens conectados brasileiros demonstram acerca da importnciadaescolaedaeducaoformalcomotransformadorasdeseusfuturos. Entendemos que a escola tanto pblica quanto privada , em todas as suas di- menses (mas com prioridade para o ensino fundamental e o ensino mdio), precisa se transformar num totem centralizador do aprender e ensinar na sociedade em rede imersa na emergente era da Internet das Coisas, possibilitando novos papis para seus atores institucionais corpo diretivo e docente para que seus alunos se transformem em sujeitos ativos e construtores do futuro de todos. Cumpre ressaltar a iniciativa de pases como Finlndia, Coreia do Sul e Inglaterra (os dois primeiros entre os primeiros ranqueados no PISA Programa Internacional de Avaliao de Alunos, da OCDE) de inserir disciplinas de programao nos currculos das escolas do ensino fundamental. Esses pases entendem que, no contemporneo conectado e no futuro prximo, com grande parte dos equipamentos da vida cotidiana como geladeiras, televisores entre outros conectados o que atualmente se denomina a Internet das Coisas importante que a populao saiba conceitos bsicos de progra- mao para melhor personalizar e controlar estes equipamentos. Tambm de fundamental importncia seria a reformulao dos currculos das faculdades de Pedagogia brasileiras lcus privilegiado onde a formao inicial dos docentes acontece para contemplar a insero de disciplinas para uso criativo das tecnologias de informao e comunicao e das redes sociais em sala de aula. Em recente levantamento dos currculos das principais faculdades de educao e pedago- gia brasileiras, no se nota presena significativa destas disciplinas. A juventude conectada brasileira no homognea e nem tampouco consensual. Pelo contrrio, ela se revela intensamente matizada por uma srie de fenmenos e de mediaes decorrentes das mais diversas formas de pertencimento social, cultural e econmico no contexto das diferentes regionalidades e urbanidades do Pas. Ela tambm sempre surpreendente: revela respostas, comportamentos e atitudes inesperadas, mesmo onde se esperava encontrar concordncias bvias e afirmaes previsveis. Tal ordem de coisas impe e exige constantes e renovados esforos a pes- quisadores, cientistas sociais, professores, pais, responsveis e a todos aqueles que buscam conhecer o jovem na amplitude e na totalidade dos seus sonhos, projetos, de- sejos, afetos e esperanas. Novas prticas juvenis que muitas vezes so reflexo da naturalizao acrtica de no- vos discursos e experimentaes sociais no universo digital nem sempre represen- tam sinnimos de evoluo positiva dos hbitos, comportamentos e sociabilidades. Os inquestionveis benefcios da conexo digital, que merecem ser valorizados, aprimo- rados e incentivados, no excluem, contudo, um lado reverso. Exageros, vcios, com- Os jovens das classes C e D, em seus discursos, referem-se escola como um lugar de encontro, de lazer, com baixos traos de construo da cidadania e sem potencial transformador de seus futuros. Por outro lado, eles se conectam de casa para fazer pesquisas escolares e visitar contedos postados pelos professores. Nas respostas dos jovens das classes A e B, a percepo da importncia da escola na formao do capital humano mais presente. O mesmo acontece com noes de tica e cidadania. Comportamento e a #juventudeconectada 106. 211210 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa portamentos de risco em relao segurana e sade psicossomtica, alm da ausncia de limites ticos e morais precisam ser constantemente descobertos, apontados e postos s claras, para a discusso e tomada de conscincia. Nesse contexto, tambm a excessiva dependncia das redes sociais e dos buscadores da internet como fontes preferenciais de informao para o jovem internauta brasileiro devem se constituir em motivo de forte preocupao para pais, professores e respon- sveis, bem como para toda a sociedade. A construo de cidados crticos, aut- nomos, protagonistas e ticos no pode prescindir da intensa e construtiva me- diao da escola, da famlia e de todas as demais instncias de socializao das crianas e dos jovens. Importante destacar alguns achados relativos aos diferentes perfis de navegao dos jovens conectados brasileiros. A maioria (62%) revelou-se de Exploradores Inician- tes o que, de acordo com nossos critrios, indica que eles esto conectados re- gularmente, mas se utilizam de poucos recursos da web 2.0taiscomo:redessociais, mensagens instantneas e e-mails. Agregando-se ao uso os filtros das mediaes e dos eixos temticos os resultados indicam que: , portanto, imprescindvel traar polticas e estratgias educativas, formativas, sociali- zantes e profissionais para as novas geraes que venham a incorporar as ferramentas digitais da web 2.0 de forma crtica e criativa, colaborando, assim, para a educao dos jovens para o uso, consumo e apropriao das novas mdias. A sociabilidade circunscrita s redes sociais digitais tende a fortalecer e fazer aflorar as afinidades e semelhanas, mais do que propiciar a convivncia criativa e interativa com a diferena. Tal ordem de fenmenos tende a empobrecer a construo da viso crtica e dialgica com a rica diversidade do mundo. Nesse sentido o poder de escolher quem entra ou no para as minhas redes sociais, acaba por facilitar uma circularidade, que reafirma valores e sentidos afastando as oportunidades do debate, do confronto de ideias e, consequentemente, do potencial de construo de novos consensos sociais e da tolerncia. Perfis de Navegao da #juventudeconectada Os Exploradores Iniciantes so, em sua maioria: meninas das regies Sudeste, Sul e Nordeste representantes das classes C e D tm ensino fundamental e mdio vm da escola pblica muitos s trabalham h um expressivo porcentual de nem-nem (jovens que nem estudam nem trabalham) acessam a Web 2.0 atravs de desktops em acesso local pago Os Exploradores Iniciantes so, em sua maioria: meninos das regies Sudeste e Centro-Oeste cursam ensino superior estudam e trabalham vm da escola pblica o maior acesso web 2.0 se d em casa, com tablets 33% 62% dos jovens conectados dos jovens conectados 107. 213212 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa Os Exploradores Avanados so, em sua maioria: meninos das capitais da regio Sudeste tm at 19 anos representantes da classe A cursam ensino superior estudam e trabalham como estagirios ou trainees vm de escolas particulares o maior acesso Web 2.0 se d em casa, com notebooks 5%dos jovens conectados O perfil de navegao dos jovens conectados brasileiros revela uma expressiva mas- sa de exploradores iniciantes e intermedirios, que usam a internet principal- mente para atividades de comunicao e lazer, que vivem conectados de forma contnua. A internet , para eles, parte integrante e constituinte de suas vidas e de suas identidades. Contudo, independentemente dos diferentes repertrios de uso das ferramentas e das possibilidades da internet pelos jovens internautas brasileiros, bem como das diversificadas categorias de mediaes analisadas em cada um dos eixos da pesquisa, um fenmeno de larga relevncia percorre todo o trajeto da pesquisa: a centralidade dos celulares. Para alm de dispositivo propiciador, por excelncia, da convergncia das mdias, o celular revela-se, tambm, um potente instrumento de democratizao do acesso internet em todo o Pas, levando gradativa superao da excluso digital tanto nas reas geogrficas mais remotas e deficientes em infraestrutura de comunicao e de telecomunicaes, quanto daquelas prevalecentes entre as diferentes classes socioeconmicas. Ainda que as dificuldades e barreiras tcnicas, econmicas e financeiras permeiem fortemente as relaes de uso, consumo e apropriaes dos celulares conectados internet no Brasil, no se pode negar a sua extrema relevncia no contexto e no coti- diano da juventude brasileira. O celular revela-se o dispositivo preferencial de conexo internet pelo jovem internauta de todo o Pas e ganha contornos ainda mais rele- vantes nas regies onde, de maneira geral, prevalecem os maiores impedimentos operacionais s telecomunicaes e ao acesso rede mundial de computadores, de maneira especial, como no Norte brasileiro, onde atinge a marca de 90%. Em todo o Brasil, a conexo internet via celulares adquire forte e significativa penetrao, mesmo para as classes sociais menos privilegiadas: 69% para a classe C e 54% para a D. Assim, polticas de melhoria permanente de acesso internet via celulares no Brasil so altamente recomendadas, na medida em que se constituem em potentes e relevantes instrumentos da integrao social e da superao da excluso digital no apenas dos jovens, mas tambm de seus familiares, amigos, professores, empregadores e, eventu- almente, de futuros clientes de seus empreendimentos. 108. 215214 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa As mltiplas juventudes conectadas Por Ana Lcia Lima, Diretora Executiva do Instituto Paulo Montenegro A partir de uma cobertura nacional abrangente, com representatividade para cada uma das regies do Pas e de abordagens metodolgicas inovadoras e complemen- tares discusses em grupo, presenciais e via chat, monitoramento clique a clique da navegao por meio de dispositivo eletrnico, pesquisa quantitativa com question- rios estruturados e as conversas individuais com especialistas o estudo Juventude Conectada permitiu agregar um conhecimento significativo sobre a relao do jovem brasileiro com as tecnologias de informao e comunicao. Um conhecimento com o qual se espera contribuir para compreender cada vez melhor os hbitos, as atitudes e o comportamento dos jovens e suas redes de interao, que parecem configurar-se como ponto de partida para potenciais mudancas de uma srie de paradigmas. Estas oportunidades ainda no se consolidam por completo... Com efeito, quando avaliados os usos que os jovens conectados fazem do amplo leque de atividades pos- sibilitadas pela internet, identificam-se trs distintos graus de intensidade: Estesperfis,baseadosemmedidasmaisusuaisdeacessoeuso,norevelam,noentanto, a contribuio das novas possibilidades de interconexo para a construo das relaes pessoais e sociais destes jovens e para o desenvolvimento de suas individualidades. Ao enfocar o estudo sobre dimenses especficas desta interconectividade em espe- cial com relao ao papel que o acesso s tecnologias de comunicao e informao exercem nas atividades relacionadas ao Empreendedorismo, ao Ativismo e Educa- o o estudo revela, de fato, um prisma multifacetado, no qual se intercalam planos e vrtices a um tempo homogneos e desiguais, determinados por fatores bem me- nos evidentes do que as variveis sociodemogrficas usualmente consideradas. a maior parte dos jovens conectados (62%) limita-se ainda a um uso focado em atividades de comunicao interpes- soal e entretenimento, tais como o uso das redes sociais e o download de contedos (msica, videos etc.). Neste grupo, formado predominantemente por jovens das classes C e D que cursam ou cursaram o ensino fundamental ou mdio em escolas pblicas, esto os jovens com maiores limitaes de acesso e que ainda utilizam, em maior proporo que os demais, locais pblicos ou lanhouses para acessar a internet; um segundo grupo, equivalente a 33% dos jovens conectados, j demonstra um repertrio mais amplo que inclui, alm dos itensmencionadosacima,oacessoamensagensinstantneaseasitesdenotcias,apesquisadepreoseohbitodeassistir filmes e sries por meio da internet. Neste grupo, que inclui aqueles com acesso a equipamentos prprios e a tecnologias mais modernas, esto proporcionalmente mais presentes os jovens da classe B, que trabalham e estudam. Provenientes das escolas pblicas, estes jovens chegaram ao ensino superior e residem nos principais centros urbanos do Pas. ainda restrita a 5% a proporo de jovens que faz uso realmente intenso das possibilidades oferecidas pela internet, realizando pesquisas para fins educacionais ou fazendo cursos distncia, acompanhando blogs e fruns com temas de seu interesse, por vezes criando e postando contedos digitais e agregando atividades, tais como o uso de servios de lo- calizao, internet banking e compras online. Inclui majoritariamente jovens do segmento das classes socioeconmicas A e B, com maior incidncia entre aqueles que tem at 19 anos, cursam ou cursaram a educao bsica na rede particular e hoje esto no ensino superior. 109. 217216 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa Vises, atitudes e expectativas, entre outros fatores, constituem um conjunto de in- fluncias que encontra, no espao da interatividade, novas formas de expresso e de relacionamento que definem no uma, e sim muitas Juventudes Conectadas. Uma sntese destes diferentes perfis pode ser visualizada nos grficos abaixo*: Uma primeira distino entre esses perfis aparece na dimenso Empreendedorismo, levando a caracterizar trs perfis claramente definidos. O primeiro, majoritrio em termos proporcionais, com 57% dos jovens entrevistados, agrupa aqueles que reco- nhecem na internet alto potencial de contribuio para atividades empreendedoras. Um segundo grupo, que corresponde a 27% dos jovens entrevistados, tem uma viso moderada sobre essas contribuies enquanto uma menor parte dos jovens (16%) ainda no as reconhece ou no se sente estimulada pelas contribuies que a internet possa trazer a iniciativas empreendedoras. A dimenso Ativismo, um campo ainda muito recente de atuao para boa parte da juventude brasileira, permitiu identificar a relevncia do papel da internet na configu- rao de subgrupos de jovens, com maior ou menor disposio a este tipo de partici- pao social, a poucos meses das manifestaes de junho de 2013. Enquanto a maior parte (47%) dos jovens conectados mantm uma avaliao inter- mediria com relao ao papel da internet como fator de estmulo participao social, mais de um em cada trs jovens conectados (35%) manifesta um alto grau de concor- dncia com afirmaes que atribuem alta relevncia s conexes proporcionadas pela internet como estmulo a tal engajamento. Apenas uma parcela minoritria, de 18%, se mostra menos positiva em relao ao papel da internet neste campo. 1. A internet pode acelerar o desenvolvimento de projetos 2. A internet estimula a inovao/ gerao de ideias e novas solues 3. A Internet ajuda no desenvolvimento da carreira profissional 4. possvel ganhar dinheiro trabalhando com as ferramentas da internet 5. A internet possibilita a criao de novos servios/ produtos/ projetos que no seriam possveis de outra maneira 6. A internet um ambiente que contribui para o esprito empreendedor 7. A internet permite levantar dinheiro/ financiamento para a realizao de projetos/ novos negcios/ startups 8. Penso em usar a Internet para desenvolver meu prprio modelo de empreendimento 9.2 7.2 4.7 1 2 3 4 5 6 7 8 4.9 4.9 4.5 4.5 4.4 4.1 3.9 7.2 7.1 7.1 6.9 6.5 6.2 5.5 9.29.1 9.1 8.9 9.0 8.6 8.2 G1: Alto incentivo (57%) G2: Mdio incentivo (27%) G2: Baixo Incentivo (16%) empreendedorismo 1. internet aumenta a participao em manifestaes/Movimentos sociais ou polticas 2. Antes aceitar um convite na internet para uma manifestao verifico se a fonte confivel 3. A internet colabora com o aumento da viso crtica 4. Produzir e compartilhar nas redes sociais vdeos, fotos e textos sobre problemas sociais e ambiental uma forma protesto muito eficaz 5. A participao em mobilizaes sociais colabora para a conscincia politica 6. internet permite a melhor organizao das pessoas para resolver problemas da sociedade 7. A internet a melhor ferramenta para manifestar minha opinio 8. Procuro aprender sobre causas sociais, ambientais e politicas pela internet 9. A internet facilita o meu envolvimento em aes solidrias/doaes dinheiro, tempo, trabalhos e outros recursos para causas sociais 10. Antes comprar algo, pesquiso na internet se a empresa tem responsabilidade socioambiental 11. No aprovo/curto quem participa movimentaes sociais e polticas apenas pela internet, preciso participar presencialmente 9.4 9.3 9.1 9.2 9.1 8.9 8.7 8.7 8.7 8.2 6.3 6.1 5.1 6.16.56.76.86.9 7.17.27.47.77.7 5.3 5.2 4.7 4.6 4.7 4.6 4.4 4.2 3.9 3.8 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 G1: Alta relevncia (35%) G2: Mdio relevncia (47%) G3: Baixo relevncia (18%) ativismo *Para os respondentes a um conjunto de frases atitudinais testadas em cada uma das dimenses, posteriormente padronizadas para a base 100 e agrupados em funo da pontuao obtida por cada respondente (Grupo 1: 0 a 50 pontos, Grupo 2: 51 a 75 pontos e Grupo 3: 76 a 100 pontos) o clculo dos dados apresentados nos quatro grficos acima foram feitos a partir da aplicao de pesos as notas atribudas pelos 110. 219218 Constataes, tendncias e prospeces: #oquedizapesquisa Por fim, com relao ao papel que a internet exerce no campo da Educao, ainda reduzido (apenas 9%) o porcentual de jovens conectados que manifestam aproveitar amplamente o potencial da internet para sua formao e desenvolvimento pessoal e profissional. A grande maioria (67%) reconhece apenas parcialmente as contribuies que esta pode trazer, enquanto para 24% dos jovens conectados, o reconhecimento de tais contribuies ainda menor, como mostram as notas mdias dadas s vrias afirmaes ilustradas no grfico abaixo. 1. mais fcil fazer trabalhos escolares consultando a internet 2. A internet permite o preparo e a autoavaliao para provas e testes 3. Aprendi coisas teis a vida/trabalho na internet que eu no aprenderia na escola 4. Internet e outras tecnologias melhoram a troca de conhecimento entre alunos 5. Bom professor sabe usar internet e tecnologia para ajudar no aprendizado dos alunos 6. Fico mais motivado a estudar com o uso de internet 7. internet possibilita o acesso ao aprendizado no meu ritmo, local e horrio mais adequado s minhas necessidades 8. Utilizando a internet ampliei meus conhecimentos da lngua inglesa 9. O uso de internet melhora o relacionamento entre alunos e professores 10. Com a internet o professor passar a ser mais um orientador de estudos 11. Aprendo mais com uma aula presencial do que com uma aula online 12. Em muitos casos a internet atrapalha a aprendizagem, pois as redes sociais e os games distraem o aluno reduzindo seu tempo de estudo 13. No saber ingls pode impedir o melhor uso da internet 14. Na internet tem muita informao, o que dificulta seleo do melhor contedo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 G1: Alta contribuio (9%) G2: Mdia contribuio (67%) G2: Baixa Contribuio (24%) 9.8 9.8 9.5 9.4 9.3 9.3 9.3 8.9 8.8 8.6 6.5 4.1 3.8 3.8 6.0 6.5 6.1 5.6 7.0 6.4 7.9 7.0 7.47.4 6.9 8.1 7.68.08.28.0 8.68.8 6.5 6.1 5.3 5.8 5.3 4.6 5.5 4.8 4.8 5.0 Educao Como visto, o estudo Juventude Conectada traz um conjunto de indicaes que per- mitem aprofundar o conhecimento sobre a relao da juventude brasileira com as tecnologias e as possibilidades geradas por suas mltiplas e instantneas conexes. Convida ainda a refletir sobre como estas potencialidades influenciaro uma gerao que, ao longo das prximas dcadas, ir determinar o modelo de desenvolvimento econmico e social para o Pas e participar dos processos que levaro sua realiza- o, conduzindo as diferentes formas de ncleo familiar, definindo os novos padres de consumo, fazendo valer suas preferncias polticas, produzindo cultura e cincia. As oportunidades de desenvolvimento pessoal, social e profissional possibilitadas pela interconectividade em rede oferecem aos jovens brasileiros de diferentes nveis de renda e das mais variadas realidades geogrficas o acesso a contedos e interlocu- tores antes restritos a poucos. Cabe sociedade como um todo, s lideranas acadmicas e empresariais, bem como aos responsveis pelo desenvolvimento e implementao de polticas pblicas poten- cializar o fortalecimento dos espaos que possam contribuir para a realizao plena destas potencialidades. 111. 8Referncias 112. 223222 referncias CASTELLS, Manuel. 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