Informe rural mar2015 net

  • Published on
    19-Jul-2015

  • View
    35

  • Download
    1

Transcript

  • Boletim Informativo da Associao e do Sindicato Rural de Ribeiro Preto - Nmero 66 - Maro de 2015

    IMPRESSO

    pgina 3

    pgina 3

    Uma inusitada situaoJoaquim Augusto S. S. Azevedo Souza*A agricultura apresenta aspectos s vezes to interessantes quanto de razo-

    vel preocupao. No segredo para ningum que o ano passado foi absolu-tamente atpico, impondo-nos um dos mais severos perodos secos das ltimas dcadas e, via de consequncia, provocando, merc das singulares condies climticas, resultados danosos ao segmento produtivo rural. Lavouras perenes e pastagens foram as mais afetadas pela falta dgua, o que acabou por reduzir significativamente as estimativas de produes nos cafezais, laranjais e cana-viais, somente para citar alguns exemplos.

    Muito embora no se possa deixar de registrar as perdas tambm nas lavouras de gros, especialmente soja e milho, j que muitos produtores tiveram de replantar suas lavouras, mormente as de soja, assumindo grandes prejuzos com a nova semeadura.Tudo isto somado s j tradicionais dificuldades enfrentadas anualmen-te pelos agricultores, indica baixa de produtividade e consequentemente menores produes, o que vem afetar as receitas e a lucratividade dos produtores rurais.

    Iniciado o novo ano, renovam-se as esperanas e, a teimosia dos produ-tores em produzir parece florescer ainda com maior intensidade. Entretanto, janeiro foi um ms de pouqussima chuva, o que refletiu negativamente em algumas plantaes alm das j citadas como, por exemplo, as de amendoim. Tanto que diversos produtores da leguminosa, reclamavam insistentemente, em conversas conosco, sobre o veranico e o sol implacvel prejudicando a forma-o das respectivas lavouras.

    Chega fevereiro e, com ele, algumas chuvas, trazendo melhoras ao humor de boa parte dos produtores, j esperanosos de obterem razoveis colheitas. Passado o carnaval e o mais curto dos meses, ingressamos em maro, certos de que, passado o prejudicial veranico e com as bem-vindas chuvas de feve-reiro, o corrente ms seria o melhor perodo para as atividades de colheita do amendoim e finalizao das de soja perene, ambas culturas em grande parte plantadas nas reas de renovao de canaviais. E nesta mesma poca que o canavicultor, logo atrs das colheitadeiras dos gros, vai plantando suas lavou-ras de acar de 18 meses. um ciclo de lavouras que termina para iniciar um outro de lavouras que germinam. Tudo em obedincia a uma dinmica agrcola cada vez mais presente e tecnificada.

    Entretanto, no que todas essas expectativas foram literalmente por gua abaixo, como consequncia das fartas chuvas que fecham o vero, deixando o sol por vrios dias bem escondidinho entre as nuvens? Lavouras encharcadas no podem ser colhidas e, com as terras ocupadas com outras plantaes, no se planta a cana de acar.

    Interessante as atividades da agricultura: enquanto h menos de 60 dias reclamava-se pela insistente seca, hoje aguarda-se ansiosamente pela volta dos dias ensolarados que permitam os trabalhos de colheita dos gros e, con-comitantemente, os de plantio da cana de acar.

    E neste contexto, muitas vezes de sobressalto por condies climticas ou por outras razes bem mais prximas, que vivem os produtores rurais. Portanto, se no houver principalmente vocao, que nos d a perseverana e a forte motivao para continuarmos nas lides rurais, certamente no haver argumento convincente para segurar o homem no campo, enfrentando as dificuldades inerentes a quem produz alimentos e, s vezes, a incompreenso dos que vivem de l distantes.

    Se nossos governantes prestassem um pouco mais de ateno s peculiarida-des da agropecuria, provavelmente somariam foras com os produtores, estes incansveis e teimosos agricultores e pecuaristas, na construo de uma infraestru-tura prpria, mais adequada e uma logstica muito mais presente e segura.

    Inobstante, voltando realidade do cotidiano, embora confiantes na capaci-dade e tenacidade dos produtores rurais, esperamos que os caminhos da eco-nomia da nao sejam menos tortuosos, mais justos e melhor direcionados aos anseios da populao brasileira.

    *presidente da Associao e do Sindicato Rural de Ribeiro Preto

    FERP toma posio em defesa dos produtores rurais vtimas de multas ilegais

    APTA recebe trabalhos tcnico-

    cientficos para o IX Workshop Agroenergia:

    Matrias-primas

    Lanamento do Projeto de Governana

    Corporativa ser dia 8 de abril

    Emisso da PTV passa a ser feita

    por meio eletrnicopgina 4

    pgina 4

    Assistencialismo X Desenvolvimento

    Econmicopgina 2

  • Informe Rural - Maro 2015

    ARTIGO

    ALERTA JURDICO

    Uma Associao de Cotistas de Rdio Txi, de Curitiba/PR, foi conde-nada a pagar R$ 3 mil de indenizao a uma ex-empregada por ter publicado um anncio, por trs dias consecutivos, em jornal de grande circulao, con-vocando-a para voltar ao trabalho sob pena de ser demitida por justa causa. A funcionria estava ausente do servi-o por quatro meses. A deciso da 1 turma do TST, aps analisar recurso da empregada, que havia perdido o direito indenizao no TRT da 9 regio.

    Na ao inicial, a trabalhadora afir-mou que estava afastada das ativida-

    Empregada faltosa convocada por jornal degrande circulao ser indenizada

    des em decorrncia de intenso trata-mento de sade, e que a empresa, mesmo conhecendo seu endereo, publicou a nota no jornal. Disse ainda que a inteno da empresa foi a de exp-la ao ridculo.

    A deciso foi reformada pelo TRT entendendo que, antes de enquadrar as ausncias como abandono do em-prego, cumpria empresa notific-la diretamente, por via postal ou outra forma direta e minimamente exposi-tiva, preservando ao mximo a sua privacidade. No entanto, a atitude to-mada pela empresa decorreu direta-

    Welson Gasparini

    A assistncia aos mais pobres, prin-cipalmente aos que se encontram em situao de miserabilidade, dever dos governantes; merecem elogios, assim, todas as iniciativas do poder pblico na rea social, principalmente s voltadas para matar a fome dos indigentes. Que isto seja feito, porm, sem demagogia e sem inteno de tirar proveitos polti-cos, mas, verdadeiramente, para aten-der as emergncias criadas por uma pssima organizao social que propi-cia, num pas to rico quanto o nosso, a existncia de milhes de excludos dos direitos bsicos dos cidados, entre tais o da alimentao.

    Para o trabalhador sadio humilhante receber, como esmola, uma cesta bsi-ca. Conforme os versos de Luiz Gonzaga dar esmola, para um homem que so, ou mata de vergonha ou vicia o cidado. O cidado sadio no se conforma em vi-ver da caridade alheia e nem deseja se desfazer de sua prpria dignidade para adquirir o vcio da ociosidade premiada com ddivas do tipo salrio famlia. O que ele quer no esmola, emprego; oportunidade de trabalhar para, com a renda desse trabalho, garantir sua sub-sistncia e a de sua famlia.

    Entre as fontes de empregos exis-tentes em nosso pas uma das maiores delas, sem qualquer dvida, a agricul-tura. Milhes de famlias tm sua renda domstica originada do trabalho em se-tores como a cana de acar, o caf,

    Assistencialismo X Desenvolvimento Econmico

    frutas, soja, amendoim, algodo, milho, feijo e tantos outros produtos atual-mente cultivados com tcnicas moder-nas e ensejando tanto altos ndices de produtividade quanto sucesso nas ex-portaes brasileiras. Pela sua dimen-so, o territrio brasileiro apresenta ca-ractersticas regionais bem diferentes, havendo espao para diversos tipos de explorao do solo; em algumas regies, consegue-se maior produo e produtividade em grandes proprieda-des mediante o uso de equipamentos e mquinas dotadas de alta tecnologia; em outras, possvel e at recomen-dvel a chamada agricultura familiar ou agricultura de subsistncia. Para os dois tipos de produo, cabe ao go-verno dar ateno e estmulos; atravs da agricultura familiar possvel fixar inmeras famlias no campo, alivian-do a concentrao geogrfica urbana,

    diminuindo o nmero de desocupados e fazendo pequenos proprietrios que, com o tempo, apoiados pelo poder p-blico, podero ampliar suas atividades; tambm a produo em larga escala merece ser estimulada para o Brasil continuar a ser um grande produtor cumprindo, assim, sua vocao para celeiro do mundo.

    O assistencialismo, reitero, vlido em situaes emergenciais; no pode, jamais, se constituir numa prtica con-tinuada, num tipo de poltica pblica voltada para incentivar o cio e no o trabalho; o parasitismo e no a produ-o. A meta, o foco, da ao governa-mental deve ser voltada, sempre, para o desenvolvimento econmico, nica formula sustentvel de gerar empregos e, claro, paz social.

    *deputado estadual (PSDB), advo-gado e ex-prefeito de Ribeiro Preto

    mente da atitude da funcionria, que tinha a obrigao de retornar ao traba-lho aps a alta do INSS.

    Recorrendo ao TST o Ministro Hugo Carlos Scheurmann, relator do processo, alegando que a publicao do anncio violou direitos constitucio-nais ao expor o abandono de emprego, demonstrando a falta de compromis-so deste empregado perante qualquer empresa e, consequentemente, o des-prestgio perante o mercado de traba-lho, acolheu o pedido da funcionria, condenando a entidade indenizao.

    Fonte: TST

    O assistencialismo vlido em situaes emergenciais; no

    pode, jamais, se constituir numa

    prtica continuada,

  • Informe Rural - Maro 2015

    Em sua reunio plenria do ltimo dia 10, realizada na ACIRP coordenada por Antonio Carlos Maonetto, Guilher-me Feitosa e Gensio Abadio de Paula e Silva (representando Joaquim Augus-to S.S. de Azevedo Souza) o FERP (Forum das Entidades de Ribeiro Pre-to) tomou posio em favor dos produ-tores rurais vtimas de multas ilegais por parte da Cetesb. Coube a Gensio, como vice-presidente do Sindicato Rural de Ribeiro Preto, mostrar o cenrio das aes da Cetesb multando indiscrimi-nadamente produtores rurais sem levar em conta o nexo causal estabelecido pelo prprio Cdigo Florestal Brasileiro. Guilherme aproveitou a reunio para in-formar sobre o posicionamento do Ferp quanto questo do terminal de ni-bus urbanos que a Prefeitura pretende implantar nas adjacncias da Catedral Metropolitana e alguns resultados con-cretos obtidos junto ao MP e ao Conde-phaat. Nessa reunio foram admitidas trs novas entidades: o Observatrio Social, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a AARP (Associao dos Advogados de Ribeiro Preto.

    Novos ncleosForam criados dois ncleos para es-

    tudar e, se necessrio, propor aes no Frum a respeito de dois temas de fundamental importncia para as Enti-dades e suas associadas, quais sejam: 1) A questo das queimadas e das

    FERP toma posio em defesa dos produtores rurais vtimas de multas ilegais

    Maonetto, Guilherme e Gensio coordenaram a reunio plenria do FERP

    multas indiscriminadas aos produtores rurais e 2) ) Reforma Tributria e Tra-balhista. Para produzirem material fo-ram designados relatores para os dois temas focalizados: Marcos Mattos (da ABAG) para a questo das queimadas e, para a reforma tributria e traba-lhista, Fred Guimares (da ACIRP).O SRRP , bem como o CIESP , ACIRP

    e as Entidades Contbeis participaro ativamente desses ncleos.

    Deputados eleitosFicou definido, ainda, o prximo

    agendamento de reunies com os de-putados eleitos (Baleia, Gasparini, Leo, Nogueira e Rafael) para o encaminha-mento de questes relevantes para a comunidade ribeiropretana.

    A Agncia Paulista de Tecnologia dos Agronegcios (APTA) recebe, at 30 de maro de 2015, trabalhos tcnico cientficos para apresentao durante o IX Workshop Agroenergia: Matrias-primas, que ser realiza-do em 27 e 28 de maio deste ano, em Ribeiro Preto. Os interessados devem enviar os resumos expandi-dos e simples pelo site www.infobi-bos.com/agroenergia. As inscries com desconto para a participao do evento podem ser feitas tambm pelo site, at 30 de maro. O even-to realizado pelo Polo Regional Centro-Leste e Instituto Agronmico (IAC), de Campinas, ambos coorde-nados pela APTA, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Es-tado de So Paulo. O objetivo do

    APTA recebe trabalhos tcnico-cientficos para o IX Workshop Agroenergia: Matrias-primas

    Workshop discutir a produo de matrias-primas para biocombust-veis, reunir lideranas dos diferentes segmentos, apresentar as novidades tecnolgicas e servir como frum de apresentao de trabalhos tcnico--cientficos nas reas de fitotecnia, melhoramento gentico, economia,

    sustentabilidade, fitossanidade e tec-nologias e processos.

    Este evento anual e composto por palestras, debates, apresenta-o de trabalhos e visitas ao campo. Nos dois dias h apresentao de trabalhos cientficos (resumos ex-pandidos) divididos em quatro ses-ses tcnicas (Economia e Sustenta-bilidade, Fitotecnia e Melhoramento, Tecnologias e Processos, Fitossa-nidade). Na ltima edio ultrapas-sou-se 100 trabalhos apresentados. Nesta edio haver uma manh dedicada s opes de matrias--prima para biomassa, denominada s Biomassa Show (8 gentipos de em-presas diferetes, mquinas, etc). Ou-tras novidades sero oportunamente divulgadas!

  • Informe Rural - Maro 2015

    Monitore sua propriedade ou comrcio de forma rpida e segura de onde estiver usando um celular, notebook ou computador conectados

    internet.

    Trabalhamos com solues tecnolgicas agregadas a um servio de alta qualidade e custo atrativo.

    Solicite um oramento personalizado.

    Jos Augusto Azevedo Souza

    (16) 9 9775-0401

    jatechvision@gmail.com

    Jatechvision

    Monitore sua propriedade ou comrcio de forma rpida e segura de onde estiver usando um celular, notebook ou computador conectados

    internet.

    Trabalhamos com solues tecnolgicas agregadas a um servio de alta qualidade e custo atrativo.

    Solicite um oramento personalizado.

    Jos Augusto Azevedo Souza

    (16) 9 9775-0401

    jatechvision@gmail.com

    Jatechvision

    Monitore sua propriedade ou comrcio de forma rpida e segura de onde estiver usando um celular, notebook ou computador conectados internet.

    Trabalhamos com solues tecnolgicas agregadas a um servio de alta qualidade e custo atrativo.

    Solicite um oramento personalizado.

    O lanamento do Projeto de Gover-nana Corporativa da Cadeia Produtiva Sucroenergtica est confirmado para a manh do prximo dia 8 de abril no au-ditrio da Canaoeste , em Sertozinho. O projeto rene os elos da cadeia canaviei-ra fornecedores de cana, usineiros, in-dstria de base e trabalhadores e conta tambm com os apoios das cooperativas Copercana (Sertozinho), Coplacana (Pi-racicaba) e Coopercitrus (Piracicaba).

    Na reunio de lanamento, aberta ao pblico, sero discutidos a Marcha Bra-slia, evento que deve contar com pelo menos 30 mil pessoas e a realizao de Road Shows nas principais regies pro-dutoras de cana do pas Sertozinho, Piracicaba e Araatuba no Estado de

    Os agricultores do Estado de So Paulo j podem, a partir do ltimo dia 17, , agilizar o processo de emisso da PTV (Permisso de Trnsito Vegetal) por meio eletrnico. Antes, o documento s podia ser emitido por uma unidade da Coordenadoria de Defesa Agropecuria da Secretaria de Agricultura e Abaste-cimento. Agora, o processo poder ser feito pelo prprio produtor a partir de um computador ou de um telefone mvel com acesso a internet.O deputado Wel-son Gasparini (PSDB) acompanhou o governador Geraldo Alckmin e o secre-trio da agricultura, Arnaldo Jardim, no lanamento de mais essa iniciativa do governo de So Paulo que mantm a vanguarda no controle rigoroso do trans-porte de produtos vegetais, para evitar a disseminao de pragas ou doenas e, atravs da PTV, utiliza os avanos da tecnologia para facilitar a vida do pro-dutor, emitindo a permisso de trnsito

    Emisso da PTV passa a ser feita por meio eletrnico

    de vegetais pela internet, simplificando, assim, a burocracia e reduzindo custos para progredirem ainda mais.

    A PTV - explica Gasparini - um documento sanitrio emitido ao final de um processo de certificao fitos-sanitria, coordenado pela Defesa Agropecuria, para viabilizar o trnsito de vegetais de acordo com as normas de defesa sanitria vegetal. O pro-cesso tem incio com a habilitao de engenheiros agrnomos e florestais para emisso do Certificado Fitossa-nitrio de Origem (CFO) e Certificado Fitossanitrio de Origem Consolidado (CFOC), que fundamentam a emisso da permisso de trnsito. A partir de agora, com essa inovao tecnolgica, o produtor rural pode ter acesso ao documento da sua casa, do seu com-putador, de onde estiver, sem precisar se deslocar at a Casa de Agricultura ou aos escritrios da Defesa Sanitria.

    O deputado Gasparini e o governador Alckmin no lanamento de uma tecnologia

    que favorece o agricultor paulista

    Lanamento do Projeto de Governana Corporativa ser dia 8 de abril

    Alckmin prestigia a frente dos governadores dos estados produtores de cana-de-aucar

    So Paulo; Maring no Paran; Tringu-lo Mineiro em Minas Gerais; Dourados em Mato Grosso do Sul; Cuiab no Mato Grosso; Goinia em Gois; Aracaju em

    Alagoas e Recife em Pernambuco.Nestes Road Shows sero promo-

    vidos encontros poltico-institucionais e tambm sero ministradas palestras que visem aumentar a eficincia e pro-dutividade nos setores agrcola e indus-trial, bem como a gesto nos setores de logstica, administrativo, financeiro e de tecnologia da informao.

    Antes mesmo do seu lanamento ofi-cial, o Projeto de Governana Corporati-va j realizou duas aes com resultados positivos: o ato pblico de protesto ao go-verno federal no ltimo dia 27 de janeiro em Sertozinho e a formao da Frente dos Governadores dos Estados Produto-res de Cana-de-Acar, promovida em Goinia no ltimo dia 5 de maro.