Injecao eletronica diagnosticos com o osciloscopio

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  • 1. maio/junho 2004 16 maio/junho 2004 5 TCNICAS DE OFICINA utilizam a marca do fabricante original e uma embalagem que se assemelha s usadas pelo mercado de reposio, porm, os produtos no atendem aos pr-requisitos mnimos do com- ponente, pois, so mal lapida- dos, as gaiolas separadoras dos roletes apresentam muitas rugosidades, as superfcies de rolagem trazem marcas de lixa, entre outros defeitos. Os rolamentos recondicio- nados no atendem a nenhu- ma norma ou especificao que garanta seu uso. Em geral, so peas coletadas em ferros-ve- lhos e sucatas de oficinas mec- nicas, lavadas, selecionadas pela aparncia, simplesmente lubrificadas e juntadas para formar um novo conjunto. Essas peas apresentam-se completamente fora das especificaes dimensionais, em geral, trazem diversos pontos de fadigas superficiais e so vendidas a preos muito reduzidos. Conside- rando-se que aps a regulagem, o cubo de roda traseira tem sua segurana, garantida por um conjunto de reteno castelo e cupilha, essas pe- as, num cubo traseiro tendem a travar por perda de tratamento trmico superficial, certamente re- sultando em srio risco segurana do trfego e para os ocupantes do veculo. E grande dano credibilidade de quem executou o reparo. A calotinha e o retentor Adquirimos as duas pe- as no mercado paralelo como se fossemos um cliente comum. J na loja, foi possvel identificar visualmente que as calotinhas eram mais altas do que as originais. E no retentor, alm do material ser sensivelmente diferente (mais duro), o duplo lbio de vedao no era bem definido e no havia as nervuras auxiliares na periferia da carcaa da pea para garantir a reteno no alojamento, evitando que este gire. Ao questionar a razo da diferena entre as calotinhas originais e do paralelo, a resposta do balconista foi: Com mais profundidade, melho- ra-se a proteo dos rolamentos. Fizemos uma anlise dimensional bsica, considerando o dimetro, a ovalizao e a espes- sura da chapa usada nas calotinhas. Nestes quesi- tos, encontramos algumas variveis na ovalizao e rugosidade na superfcie que se aloja no cubo do tambor, mas, foi quando avaliamos a altura do encaixe que encontramos a perigosa diferena. Inicialmente remova o retentor e os rolamentos velhos para limpar o cubo, retirando toda a graxa velha e contaminada ali depositada (para isso, deve- mos utilizar um diluente que se evapore facilmente ao receber jatos de ar comprimido). Em seguida, re- mova as pistas dos rolamentos interno e externo. Desembale os rolamentos apenas no momento da montagem no cubo. Na instalao das novas pis- tas utilize pinos de presso retificados nas medidas dos dimetros externos. A instalao pode ser feita por meio de prensas ou com auxlio de um martelo. batendo contra os pinos (nunca diretamente nas pistas). O importante se certificar de que as pistas estejam alojadas nos seus respectivos batentes. Lubrifique os rola- mentos com graxa de sabo de ltio, especfi- ca para a aplicao, pressionando a subs- tncia pela parte inter- na dos roletes e gaiolas at que saia abundan- temente pelo outro lado e por cima dos roletes. Gire a gaiola a medida em que a graxa for penetrando entre os roletes e a pista interna. Aplique o lubrificante tambm no alojamento entre os rolamentos para que a fora centr- fuga proveniente da ro- tao, movimente a graxa entre as peas. Regule a folga do cubo utilizando um relgio comparador e um suporte adequado. Para a opera- o, primeiro aperte a porca do cubo contra a arrue- la, usando a rosca da ponta de eixo, sempre girando o tambor de freio. Con- forme a porca pressio- na a arruela, esta vai ajustando os rolamen- tos. Nesta condio, haver um momento em que o torque de giro do tambor de freio (ou do disco) tende a se elevar. Quando isto acontecer, solte a por- ca 1/8 de volta e verifi- que a folga axial do cubo. Ajuste esta folga pela porca at atingir o valor entre 0,03 mm e 0,15 mm. Jamais reaproveite as calotinhas removidas. Es- ses componentes se deformam com a remoo e, ao serem reinstalados, no tm mais condies de se alojarem corretamente no cubo para garantir a vedao. Remova as pistas utilizando um tocapino de bronze sempre batendo do lado oposto batida anterior. Refaa a limpeza com diluente e ar comprimido Medio da folga axial com dispositivo e relgio comparador centesimal Medindo a profundidade no cubo do tambor de freio at a pista do rolamento externo, conclu- mos: a pea no se encaixaria at a nervura de vedao, pois, como a altura do encaixe na calotinha no-original de 10,30 mm e o aloja- mento tem a profundidade de 8,40 mm at a pista externa do rolamento, faltar 1,9 mm para que ocorra uma aproximao da nervura de vedao com o chanfro do cubo. Esse aspecto importante porque, ao se intro- duzir a calotinha no alojamento, utilizando um tubo de presso, quando a nervura desta se encai- xar no chanfro de vedao no cubo do tambor, as ltimas batidas do martelo contra o tubo de pres- so providenciaro o ajuste de vedao. Desta forma, utilizando-se Peas Originais, a blindagem do cubo garantida em relao as pe- as do mercado paralelo. Vedao com a calotinha original Durante a montagem devemos nos certificar de que as pistas esto nos respectivos batentes Dicas para a correta montagem dos rolamentos N otamos, pela atual caractersti- ca da reparao no automvel, uma mudana nas ferramentas e equipamentos necessrios para a prestao de servios automotivos. Se h pouco mais de 15 anos a procura era, prin- cipalmente, por dispositivos auxilia- res de desmontagens e montagens, gabaritos de avaliao de desgaste ou deformaes para a realizao dos reparos mecnicos, hoje, a bus- ca por equipamentos que auxiliem nos diagnsticos ou permitam a avaliao da qualidade do reparo. Basta observar a quantidade de pe- as fixas e mveis e as complexas operaes de desmontagens e mon- tagens, cada vez mais simplificadas. As novas tecnologias de enge- nharia, materiais e produo, entre outros recursos, permitem a adoo de novas solues e desenho de pe- as que integram funes. Outro as- pecto desta realidade a facilidade de manuteno e reparo, itens im- portantes no automvel para que atendam a requisitos como baixos custo de seguro e de reparo, tornan- do-o atrativo para o consumidor. Por essa linha, se antes tnhamos um pino-mestre fsico da direo, montado em mancais de liga de la- to na manga de eixo, atualmente essa funo exercida por um eixo geomtrico que determina o raio de esteramento da roda (raio de rolagem) e no por uma robusta pea que precisa de lubrificao a cada 7.500 km. Asim o automvel Diagnsticos com osciloscpio (primeira parte) Na mecnica automobilstica, por muito tempo nos acostumamos a observar as coisas acontecerem. Com a eletrnica embarcada, ao invs de ver, sentimos seus efeitos pela transformao das grandezas fsicas (rotao, presso, temperatura etc.) em sinais analgicos ou digitais, sabendo que, para cada estado destas variveis h uma estratgia. O osciloscpio automotivo o recurso que transforma sinais e estratgias em algo que possa ser interpretado pelo reparador da atualidade, que faz cada vez mais com muito menos. As mudanas tambm ocorrem na oficina. H quanto tempo voc no usa um calibre de folgas para re- gular vlvulas de um motor, um vacumetro, uma lmpada estro- boscpica ou o conta-giros com analisador de ngulo de permann- cia? Decerto, em muitas oficinas no se sabe nem onde esto alguns des- tes equipamentos. Dirigentes e tcnicos de monta- doras tm dado um duro danado para que, no desenvolvimento de um novo carro ou atualizao de seus produtos, os investimentos das oficinas em ferramentas e equipa- mentos sejam mnimos. Mesmo as- sim, quando necessrio um novo dispositivo auxiliar para uma nova operao manual de desmontagem e montagem, os fabricantes especia- lizados destas ferramentas traba- lham rapidamente para encontrar uma soluo que atenda a essa ne- cessidade. O mesmo acontece com os sistemas eletrnicos. Nos ltimos anos as caracters- ticas da reparao mecnica se so- maram s novidades da eletrnica embarcada. O marco foi 1988, com o lanamento do Gol GTI. Com o in- cremento dos sistemas de injeo, carburadores eletrnicos e diversos sistemas de conforto e convenincia independentes, mas j com algum gerenciamento eletrnico, as neces- sidades de ferramentas e equipamen- tos nas oficinas passou rapidamente por duas fases: a primeira foi a dos multmetros automotivos. A chegada dos primeiros siste- mas de injeo, ainda analgicos, levou muita gente a acreditar que uma oficina no sobreviveria sem um multmetro. Transferiu-se toda a experincia com os carburadores e sistemas de ignio para o sistema de injeo. Se, antes, se resolvia uma falha de motor limpando e regulan- do o volume da injeo do sistema de acelerao rpida do carburador, surgiu uma dvida: como fazer isto num carro com injeo eletrnica? Isto provocou uma correria em busca do multmetro, no impor- tando seu tipo, procedncia ou marca. Muito se gastou com a com- pra do equipamento que, na grande maioria das vezes, no era o ade- quado s necessidades do repara- dor. Bastava estampar os termos digital e automotivo no nome do equipamento, para que os vende- dores assediassem o mecnico com o milagroso recurso. Alguns, de to frgeis, ao medirem, pela primeira vez, uma grandeza eltrica, fora da sua programao feita pelos seletores manuais, queimavam um fusvel que s era encontrado sabe Deus aonde. Logo em seguida, por volta de 1992, veio a segunda fase: comea- ram a surgir os primeiros sistemas de injeo digitais microproces- sados. Estes tinham o requinte de possuir uma memria de avarias cuja principal funo era armazenar a informao de irregularidade para que algum dispositivo externo (hardware) pudesse ler e escrever a informao para o reparador. Na poca era comum ouvirmos algo do tipo: Puxa vida! O equipamento vai dizer para o mecnico o que est es- tragado e este s ter que trocar a pea. Tanto se falou dos sistemas digi- tais que muita gente se esqueceu de um dado importante: o motor conti- nuava sendo de quatro tempos, pos- sua vlvulas, velas de ignio, cabos etc. Simplesmente o que havia mu- dado era o sistema preparador da mistura carburante e de ignio. Na verdade, a incluso deste recurso, agregou diversos outros componen- tes e conhecimentos ao dia-a-dia do reparador e isto passou a ter priori- dade. Nunca se buscou tantos cur- sos em escolas especializadas como naquela poca. A explicao para isto muito simples: como o sistema digital e micropocessado, poderia se progra- mar para que, durante o funciona- mento do motor, este executasse rotinas de monitoramento dos sensores e atuadores, conforme es- tratgias pr-estabelecidas. Encon- trando algum erro (algo no compatvel com o funcionamento re- gular do componente), a irregulari- dade armazenada numa memria especfica, normalmente chamada de manuteno. Os dados ficam ar- mazenados at que outra rotina seja habilitada (request) dentro do auto- diagnstico do sistema e requisite a transferncia ou exposio dos da- dos armazenados. Assim foi feito e surgiram os primeiros scanners. Vale destacar que, at hoje, os scanners so decodificadores das in- formaes processadas e armazena- das pelas unidades de comando dos sistemas de injeo. Essas estratgias, quando requeridas pelo sistema de Incio dos anos 90: o Gol GTI abre nova era no Pas, a da injeo eletrnica, com a disseminao dos multmetros. No tardou e o osciloscpio transformou-se num dos principais equipamentos de diagnsticos na oficina. Em destaque, o VAS 5051, da Volkswagen, equipamento que integra multmetro, scanner e osciloscpio e traz programaes para pesquisa de defeitos nos sistemas de gerenciamento eletrnico

2. maio/junho 2004 4 maio/junho 2004 17 PECA CERTO incessante o esforo dos engenheiros auto- motivos em busca de componentes e siste- mas que agreguem elevada qualidade, baixa manuteno e menor custo. Seja um simples interruptor da luz de cortesia ou um complexo sistema de gerenciamento eletrnico, os pr-requisitos e testes para a definio de um componente original so rgidos. Contudo, s vezes todo esse esforo torna-se vo, por conta do excesso de confiana do reparador automotivo em seu conhecimento e experincia sobre determinados componentes ou sistemas, o que o leva a baixar a guarda e no atualizar conceitos, a ponto de cometer erros. o que ocorre, muitas vezes, em relao aos cubos de roda traseira e seus sistemas de blindagem adquiridos no mercado paralelo. A escolha de um tipo de rolamento e do siste- ma que garantir elevada vida til graas a um sistema de lubrificao eficiente e protegido das intempries e das condies de trfego deman- da estudo. No caso dos cubos de roda, a definio comea pelo tipo de rolamento. J vimos na edio 210, que esses componen- tes so definidos com base nos desenhos e carac- tersticas que melhor se adaptem a carga, Cubo de roda traseira: opte pela segurana das Peas Originais Os cubos de roda evoluram, de forma que os rolamentos passaram a dispensar manuteno peridica. Contudo, ainda hoje convivemos com dois sistemas e so muito utilizados os que trazem rolamentos que exigem manuteno Os cubos de roda traseira dos veculos da famlia Gol e Santana, utilizam rolamentos passveis de manuteno. Usando-se nas manutenes preventivas ou corretivas rolamentos, retentores e calotinhas originais, juntamente com a metodologia adequada de reparo, garante-se a qualidade do servio e a vida til do conjunto. Um detalhe que faz enorme diferena aplicao e rotao solicitada. Os rolamentos das rodas, por exemplo, devem suportar melhor a car- ga aplicada perpendicularmente ao eixo. Nesses casos, utiliza-se aqueles de carga radial (rolamen- tos de esferas e de roletes so bons para este tipo de aplicao). Nos cubos passveis de manuten- o, utiliza-se, nica e exclusivamente, rolamen- tos de rolos cnicos. Os rolamentos que utilizam roletes suportam cargas mais elevadas porque o contato sobre a pista linear, em vez de pontual, como ocorre nos de esferas. Nos rolamentos de rolos cnicos, reco- mendados para cargas radiais e axiais combina- das, os cilindros so montados inclinados. Quando uma roda passa por uma depresso, por exemplo, a carga principal radial. Ao descre- ver uma curva, o esforo lateral a que a roda submetida, resulta numa solicitao axial. Para suportar essas cargas combinadas, so utilizados pares de rolamentos de rolos cnicos, de forma que um trabalhe do lado interno e outro, do lado externo do cubo de roda. Este tipo de rolamento, utilizado h muito tempo, tambm est em constante evoluo. Atu- almente, por exemplo, as gaiolas (separadores dos corpos rolantes) que eram de chapa de ao estampado, evoluram e so de poliamida injeta- da, reforada com fibra de vidro. Alm da expressiva reduo do peso (em geral uma gaiola de metal pesa o equivalente a dez de poliamida), as propriedades de deslizamento da resina poliamida em relao aos metais so muito vantajosas. E isso tem especial importncia quan- do a lubrificao do rolamento feita por graxa (tipo de lubrificante utilizado nos cubos de rodas) pois, sua caracterstica construtiva possibilita a obteno de geometrias otimizadas para as gaio- las. Isto porque a moldagem por injeo permite a conformao de depsitos de lubrificantes prxi- mos aos corpos rolantes. Adicionalmente, as gai- olas de poliamida tm formatos que lhe permitem assumir outras funes, alm de sim- plesmente separar ou guiar os corpos rolantes. Devido as suas caractersticas favorveis, as gaiolas de poliamida moldadas por injeo j substituem, como Peas Originais, aquelas estam- padas em chapa de ao. Prova disto so os rola- mentos originais dos mancais das rodas trasei- ras nos veculos da famlia Gol e Santana, montados utilizando somente esta tecnologia. Como mostramos na foto, alm da caracterstica de rolamento no-original, segundo representantes da FAG, fornecedor da Volkswagen, existe uma grande possibilidade de se encontrar no mercado paralelo, rolamentos falsificados (produzidos por fabricantes clandes- tinos) ou recondicionados. Os falsificadores Um rolamento interno e outro externo, com pistas montadas no cubo do tambor ou disco de freio, compem o mancal de rolamento das rodas traseiras. O conjunto deve ser lubrificado manualmente antes da montagem e ter a folga axial corretamente regulada. Para proteger o mancal do ambiente exterior, temos uma calotinha na parte externa e um retentor de duplo lbio, na parte interna Os rolamentos traseiros originais das rodas possuem gaiolas de poliamida reforada com fibra de vidro O uso de gaiolas injetadas permite a obteno de formatos complexos que favorecem melhores condies de trabalho. Neste exemplo, as cavidades nos separadores garantem que o lubrificante permanea nas partes funcionais do rolamento. No mercado paralelo encontramos facilmente rolamentos para as rodas traseiras cujas gaiolas so estampadas em chapa de ao auto-diagnstico, fornecem os cdi- gos de avarias, (conforme a norma in- ternacional SAE), para o equipamento e este os transforma em algo que pos- sa ser lido pelo operador. Alguns sistemas de injeo, num estgio anterior de desenvolvimento de rotinas de auto-diagnsticos, ex- pressavam suas avarias com um simples cdigo de piscadas por meio de uma lmpada no painel ou ponta de provas ligada em srie com um determinado fio no conector de diagnsticos. Os cdigos de avarias por piscadas eram liberados aps a realizao de uma ponte entre ou- tros dois fios para levar um nvel l- gico baixo no pino que sinalizava para a unidade de comando a requi- sio dos dados. Era assim que en- trava em funcionamento o request das memrias de avarias. Atualmente, os sistemas, alm da memria de avarias, tm um sofisti- cado recurso de leitura dinmica que permite avaliar o funcionamen- to do sistema ou componente no Os scanners da atualidade dispensam cartuchos para utilizao em diferentes sistemas Uma forma de se requisitar as informaes da memria de avarias era o jumper (ponte) entre dois fios (nos sistemas EEC IV - FIC era os pinos 46 e 47 no conector de diagnsticos) para captar as informaes de avarias por uma ponta de provas ou lmpada para diagnstico exato momento em que est traba- lhando. Uma outra rotina pode ser habilitada para realizar o teste funci- onal de alguns componentes que, se falharem, interferiro nas emisses veiculares, como vlvula de limpeza do filtro de carvo ativado, atuador da marcha-lenta, vlvulas injetoras, sistemas de ventilao do reservat- rio de gasolina etc. Vale destacar que estes testes so realizados sem des- montar um s parafuso para se che- gar ao componente. Basta observar, ouvir ou verificar o sinal com um multmetro ou ponta de provas. Assim, os scanners, antes vin- culados a um sistema e marca, pas- saram a ser nicos e ter cartuchos multissistemas e multimarcas. Essa soluo, tambm no durou muito, pois, a atualizao de um sistema ou o surgimento de outros, exigia novos cartuchos, dificultando a adminis- trao e a operacionalizao, sem falar nos custos. Isso levou ao surgimento de softwares de scanners que rodam num microcomputador da oficina. Hoje, quando os equipa- mentos necessitam de atualizao, podem receber um up grade pela internet ou por CD roms. No podemos esquecer que es- sas estratgias so realizadas pelos sistemas de gerenciamento e no pelo equipamento. Outro fato impor- tante que, em geral, os softwares de auto-diagnstico dos sistemas de gerenciamento s monitoram os componentes que fazem parte do seu sistema. Normalmente s detec- tam se esto ligados; algum fio est em curto-circuito positivo ou ao ne- gativo; ou no h sinal. Se o sinal existir, mas no variar em funo do tempo ou do regime de trabalho, em muitos casos, a es- tratgia de auto-diagnstico no en- tende a irregularidade e no aponta a avaria. a que entram as leituras dinmicas de componentes em tempo real, por meio dos scanners, multmetros e osciloscpios. Para os mecnicos, este ltimo o mais desconhecido dos equipamentos de Scanner faz a leitura dinmica da temperatura do motor em funcionamento diagnstico em sistemas eletro-ele- trnicos usados em veculos. Vale destacar que um oscilos- cpio desenvolvido para fornecer informaes sobre a atividade eltri- ca que acontece nos componentes dos sistemas eletrnicos. No caso dos diagnsticos em automveis, nos dedicamos a analisar os sensores, atuadores, chicotes e unidades de comando. A velocidade de trabalho de um osciloscpio permite detec- tar falhas de funcionamento mes- mo quando um scanner ou um multmetro no conseguem. Isto porque existem osciloscpios capa- zes de processar informaes de at 100 milhes de vezes por segundo. Lgico que este no o caso dos osciloscpios automotivos pois, j excelente para a nossa rea a capaci- dade do osciloscpio VAS 5051 da Volkswagen que trabalha processan- do informaes de at 100 mil vezes por segundo. Comparando-se com um bom multmetro que pode pro- cessar informaes de 1 mil vezes por segundo e com os scanners de diagnsticos que processam sinais com a velocidade de 100 vezes por segundo, nota-se a importncia dos osciloscpios automotivos. Vamos conhec-los. O que um osciloscpio O osciloscpio um aparelho que permite detectar e observar, por meio de uma representao grfica, as variaes ou oscilaes de uma grandeza eltrica de tenso ou cor- rente, em funo do tempo. Para ter- mos uma idia da importncia deste equipamento, vamos mostar o que acontece com um sinal de um Osciloscpio e multmetro automotivo encontrado no mercado para atender as necessidades do reparador independente sensor Hall do distribuidor dos mo- tores AP com injeo CFI-FIC me- dindo-o com um multmetro. Sabemos que um sinal Hall de dis- tribuidor varia o negativo em relao ao seu positivo de 12V que alimenta o sensor. Um motor funcionando a 1.000 rotaes por minuto, por exem- plo, apresenta 500 rpm no distribui- dor. Como temos quatro janelas no sensor Hall (motor de quatro cilin- dros), teremos 2 mil sinais digitais Hall por minuto. Isto significa que so 33,33 sinais digitais por segundo ou seja 1 pulso Hall a cada 0,030 segundos (30 milessegundos) com o motor trabalhando a 1.000 rpm. Colocando-se um multmetro com display digital para ler a tenso no pino de sinal do distribuidor, tere- mos uma intrigante oscilao num- rica, pois, um multmetro captura somente o valor mdio do sinal. Quanto mais se elevar a rotao do motor, maior ser a quantidade de pulsos negativos, a ponto de serem tantos num curto espao de tempo, que, simplesmente, o multmetro in- dicar 12V permanentes no display, pois este ser o valor mdio captura- do pelo aparelho. Isto acontece por- que o equipamento no tem inrcia para medir essa intensidade de varia- o, j que no sensor, existe uma enorme quantidade de polarizaes No sensor Hall de rotao, a oscilao entre o negativo ligado e desligado varia em funo da rotao. Utilizando-se uma ponta de provas no pino de sinal do sensor, as oscilaes entre desligado e ligado dos leds seriam to intensas que em mdias rotaes, dariam a impresso de que os dois leds (vermelho e verde) estariam acesos 3. maio/junho 2004 18 maio/junho 2004 3 PERFILTCNICAS DE OFICINA O dia mal est amanhecendo em Porto Alegre. segunda-feira. Mesmo to cedinho, a oficina mecnica Cia. de Servios j est lotada. O engenheiro Gui- lherme Oliveira est a postos. Tudo ali revela capricho: uniforme impecvel, paredes limpssimas, cho claro e sem manchas. O segredo simples: Os carros so lavados antes de serem consertados; somente assim o servio executado, diz, com orgulho, Guilherme. Para ele, veculo limpo e bem conservado agiliza o tra- balho e projeta a imagem positiva da oficina, locali- zada nos fundos de sua residncia, naAv. Sergipe, 247, bairro Glria. Sem funcionrios, res- ponsvel absoluto por tudo o que l realizado, Guilherme no teme o que tem a fazer. E o dita- do devagar se vai ao longe, pode traduzir o quanto ele perseverante. Recebo cliente por cliente, falo pes- soalmente com cada um, verifico o que est acontecendo e estabeleo a maneira para cumprir os meus obje- tivos, conta. A paixo por automveis vem desde criana, quando ele andava de calas curtas, tinha sua bicicleta e brincava com carros. Tendo se for- mado em 1989 na PUC (Pontifcia Universidade Catlica), em engenha- ria civil, o plano do jovem recm-for- mado era criar uma firma com o pai e o irmo, arquitetos. Um ms de- pois da formatura, o pai faleceu o que provocou mudana nos projetos do jovem engenheiro. Guilherme comeou a freqen- tar a oficina mecnica de um amigo e a desmontar e montar o prprio Tem doutor na oficina, tch. Guilherme Oliveira Para ele, a frmula do sucesso de uma boa oficina envolve atendimento de primeira, limpeza impecvel, organizao e treinamento permanente Por Lola Rodrigues carro. Logo passou a oferecer os seus servios a familiares, colegas e co- nhecidos. No incio, comecei a tra- balhar com pintura, chapeao e eltrica, e mais tarde, mecnica. A oficina ficava localizada na Vila Jar- dim e, poca, se chamava Cancha Reta, lembra. Experincia e dedicao Fora de vontade e uma grande dose de ousadia foram mobilizadores para construir o que hoje a Cia. de Servios. Com o crescimento profissio- nal de Guilherme, mais tarde, em 1992, ele decidiu mudar para onde est at hoje. Em 1995, iniciou reformas na ofi- cina para melhor receber os clientes. Tambm foi nessa poca que se tornou candidato a integrar a rede Bosch. Em maro de 2002 foi nomeado servio au- torizado do grupo de origem alem. Preocupado com a atualizao tcnica que a mecnica de autom- veis exige, Guilherme vem, desde ento, realizando cursos junto Aqui, uma viso externa da oficina que aparece na tela do computador, na primeira foto Ele trabalha sozinho, mas anda muito bem acompanhado... ... pois no lhe faltam cursos de atualizao tcnica... ... nem equipamentos adequados, numa oficina organizada FotosValmociVasconcelos Bosch e ao Senai de Porto Alegre. Paralelamente a essas atividades, executa todo o trabalho administra- tivo com o maior afinco: Sou se- cretrio de mim mesmo. Aqui, no meu escritrio fao toda a secreta- ria, emito notas, aponto tudo o que preciso, fotografo as peas que entram e que so colocadas nos carros, como manda o figurino, relata. Mas a maior ateno vai para o relacionamento com o cliente: Quero que ele saia satisfeito com o servio. Educado, atencioso com todos os que ali vo levar seu veculo para conserto, ele con- sidera o vnculo inicial que estabelece com cada cliente fundamental para que haja confiana. Atendo famlias in- teiras. Uma gerao passa informa- o para outra, diz, orgulhoso. Quando convidado, Guilherme tambm ministra cursos sobre inje- o eletrnica e, para quem quer co- mear, recomenda estudar muito e, realmente, gostar do que faz. Tem que estar no sangue para se ir para frente, ser um bom eletromecnico, ou seja, conhecer muito sistema el- trico e mecnico. Quem no se atua- liza fica para trs, enfatiza Quem escuta tudo isso, pode imagin-lo um sujeito duro. Que nada. Simptico e afetivo, o dr. Gui- lherme reconhece no esforo, na de- dicao, no senso de oportunidade e no crdito que os amigos lhe deram, a base para atingir o sucesso que hoje pode usufruir. do sinal negativo Hall para um mes- mo espao de tempo. Assim, torna-se fundamental saber se a oscilao ocorre de forma correta. O osciloscpio o equipamento ideal para a obteno deste sinal. Neste caso, teramos um pulso retan- gular de zero volt (0V) para 12 volts (12V) que apresentaria uma borda de subida, uma durao e uma borda de descida. Seria exatamente esta re- presentao grfica do osciloscpio medindo o sinal Hall do distribuidor. A finalidade de um osciloscpio produzir, num anteparo, uma ima- gem que seja uma representao grfica de um fenmeno dinmico, como, por exemplo: pulso de tenso, uma tenso que varie de valor com relao ao tempo, a descarga de um capacitor etc. Pode-se tambm, por meio de um transdutor adequado (um tipo de sensor), avaliar qualquer outro fen- meno dinmico, como a oscilao Representao grfica, exemplo do sinal retangular ideal do sensor Hall do distribuidor de um sistema de injeo FIC CFI exibido na tela de um osciloscpio genrico. Nota-se que o sinal est um pouco acima da linha de 10V e o sinal tem uma determinada durao em milessegundos de um pndulo, a variao da tempe- ratura ou de luz de um ambiente, as batidas de um corao etc. Depen- dendo da aplicao, os osciloscpios modernos podem contar com recur- sos prprios, o que significa que no existe um s tipo no mercado. Isso ocorre porque os fenmenos que se deseja visualizar na tela podem ter durao de alguns minutos a milio- nsimos de segundo. Um multmetro ou a leitura di- nmica de um scanner no conse- gue captar a queda de tenso de 3 milessegundos, que pode acontecer no sistema durante a partida. Este simples fato, gerado por uma falha funcional do comutador de ignio, produz, nos motores equipados com o sistema de injeo 4LV, uma grave falha de funcionamento. Da mesma forma, os fenmenos podem se repetir numa certa velocida- de ou, ento, ocorrer apenas uma vez. Um bom osciloscpio automotivo permite a visualizao de fenmenos que durem alguns segundos ou ocor- ram milhares (ou milhes) de vezes por segundo. Assim, a capacidade de um osciloscpio apresentar em sua tela fenmenos curtssimos dada pela sua resposta de freqncia. Atu- almente, para o uso nas oficinas de autos, so recomendados oscilos- cpios superiores a 10 KHz (10 mil ciclos por segundo) para atender as necessidades de diagnsticos no automvel. Quanto maior for a capa- cidade de processamento dos oscilos- cpios digitais, melhor ser sua eficincia na realizao de diagnsti- cos. Como vimos, o osciloscpio do Um multmetro (ou a leitura dinmica de um scanner) no consegue captar a oscilao do sinal do sensor de rotao e de posio da rvore de manivelas do sensor G28 na flange do retentor traseiro dos motores 1.0 litro atuais, de 8 ou 16 vlvulas equipamento Volkswagen VAS 5051 trabalha com a freqncia de 100 KHz (100 mil vezes por segundo). Osciloscpios melhor equipados podem representar dois sinais na tela. Isto significa que podem reali- zar, simultaneamente, duas medi- es. Este recurso particularmente importante, pois, em muitas situa- es, se faz necessrio comparar os mesmos sinais em dois veculos iguais ou identificar o sincronismo eletrnico entre dois sensores. Um exemplo encontramos no motor ale- mo de 1.6l com bloco de alumnio, que equipou o Golf at janeiro de 2001. Estes motores eram equipados com o sistema de gerenciamento SIMOS 2. O sincronismo entre os sensores Hall (G40) que sinaliza a fase do motor e o sensor de rotao e de primeiro ci- lindro em ponto morto superior (G28) funda- mental para a primeira partida destes motores e seu bom funcionamen- to. O diagrama mostra a referncia angular da r- vore de manivelas em relao ao comando das vlvulas. Comparando os dois grficos exibidos por um osciloscpio de dois canais, foi possvel verificar como est o sincronismo eletrnico entre os sensores. O flanco (ou borda) descendente do sinal do sensor Hall deve coincidir com o sinal do dente 88, na segunda volta da roda fnica da rvore de manivelas. O flanco as- cendente do sinal do sensor Hall deve coincidir com o sinal do dente 28, na primeira volta da roda fnica da rvore de manivelas. Se os valores estiverem corretos, podemos con- cluir que os sincronismos eletrnico e mecnico do motor esto corretos. O mesmo fato pode ocorrer com os motores RSH e Turbo de 1.0 litro da atualidade. Como possvel a montagem do sensor G28 em qual- quer posio sem o uso da ferra- menta adequada, o reconhecimento deste sincronismo eletrnico passa a ter especial importncia na anlise de falha de motores ou dificuldade de partida. Como pode ser visto, nestes sis- temas dos motores Volkswagen, a unidade de comando sincroniza a injeo de combustvel e a ignio, com base na posio angular da rvo- re de manivelas em relao ao co- mando das vlvulas de admisso. Este tipo de medio s possvel usando um bom osciloscpio automotivo. Por meio dos dois canais de captao de sinal, o osciloscpio exibe o grfico de amplitude de tenso, em funo do tempo dos dois sensores. Comparando-se estes sinais, possvel detectar se o sincronismo eletrnico entre os dois sensores est em ordem Continua na prxima edio