08CAPTULO 8 - OS TESTES GRFICOS

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    24-Oct-2015

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Captulo VIIIOs testes grficosDefesas nos testes grficos()Elsa Grassano de PiccoloO objetivo deste trabalho facilitar o diagnstico das defesas descrevendoo modo especfico com que se manifestam nos diferentes instrumentosprojetivos grficos.Delimitao do conceito de defesa: O conceito de defesa utilizado neste trabalho o da teoria kleiniana: nela as defesas tm sentido e signifi cado dentrode uma configurao especfica de relao objetal; so parte de processos dinmicos nos quais esto sempre implicados vnculos com os objetos. Segundo M. Klein, h, ao nascer, ego suficiente para sentir ansie dade, utilizar mecanismos de defesa e estabelecer relaes primitivas de objeto na realidade e na fantasia. necessrio diferenciar uma defesa, tal como vivida internamente pelo sujeito, da idia de uma defesa (dominante, por exemplo) produto de um processo de abstrao do observador acerca dos modos mais habituais com que a pessoa manipula sua ansiedade, seus temores ou seus desejos nos vnculos com os objetos.Como parte de processos dinmicos, as defesas so vivenciadas como fantasias inconscientes relativas a aspectos do ego e/ou do objeto, enfati zados, depreciados, controlados, divididos, no vistos, etc., cujo objetivo diminuir a ansiedade existente nos vnculos objetais e preservar o equil brio Estas fantasias se traduzem em modos especificos de conduta frente aos objetos internos e externos, acreditando, assim, satisfazer as necessida des e evitar os perigos fantasiados. Por exemplo, uma fantasia dominante, tal como Mrnha agresso pode desorganizar e destruir definitivamente o objeto, e necessario mant la dentro dos limites, fara com que o sujeito tenda a perceber so o que e bom no objeto para evitar a agresso, e a enfa tizar somente o amor por ele, traduzindo se isto em condutas extenores de reconhecimento, bons tratos, amabilidade generalizada, etc Por outro(1) Para a exemphficaao usaram se materiais graficos das batenas dos alunos das cadeiras de Tcnicas Projetivas 1 e 11 da Faculdade de Filosofia e Letras. Agradeo, pelos protocolos que me ofereceram as licenciadas Maria L S de Ocampo Maria E Garcia Arzeno Adela B Bernstein, Suzana Mascheroni, Silvia Bozzo, C. Martnez Carthy, Eiva Garat, Maria F. de Rubarth e Guisy Arato.1205206 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASlado, esta necessidade interna trar acoplada a perda da espontaneidade e da liberdade para sentir (sentir livremente exporia a sentir raiva).Estas condutas resultantes da fantasia enunciada podero ser concei tuadas por um observador como formao reativa.O uso de uma defesa responde a um espectro de fantasias referidas ao vnculo objetal: fantasias sobre o estado do ego (forte, rompido, cons trutivo), de seu grau de bondade ou maldade; fantasias complementares sobre o estado do objeto (danificado, rompido, inteiro, frgil), de sua bon dade ou maldade; fantasias referidas ao vnculo possvel (atitude bondosa ou persecutria do objeto para com o ego); fantasias referidas ao tipo de resposta temida, e referidas ao modo de controlar, neutralizar, regular, preservar o ego e o objeto para evitar a reiterao do vnculo temido.As defesas constituem a melhor soluo conseguida pelo sujeito ) nas relaes com seus objetos, esto enraizadas na personalidade e presen.tes em toda forma de perceber e conectar-se (tanto na realidade interna como na externa).A constelao de condutas defensivas utilizadas por um sujeito ajus tam-se em sua srie complementar pessoal. Durante a evoluo, determi nadas fantasias so privilegiadas e se estabilizam como formas comuns de manipular o vnculo com os objetos. Denominamos mecanismos de defesa estas formas estveis de preservao do equilbrio dos vnculos com os objetos, apoiadas em fantasias e expressas na conduta manifesta por for mas de perceber e valorizar alguns aspectos da realidade e do ego e neutra lizar outros para evitar o sofrimento psquico.Uma vez estruturadas as condutas defensivas, estas so tambm expe rimentadas pelo sujeito como fantasias inconscientes sobre as vantagens, as limitaes ou as modificaes internas resultantes delas. H. Segal exempli fica a vivncia do mecanismo de represso como dique interno que pode ria arrebentar sob a presso de algo similar a uma torrente; a inibio d lugar a vivncias de empobrecimento interno; o isolamento, a vivncias de anestesia afetiva, etc.Relao e diferenciao entre fantasias inconscientes e mecanismos de defesaA fantasia inconsciente, tal como a define M. Klein, e seguindo uma cita-. o de H. Segal, a expresso mental dos instintos; por conseguinte, existe desde o comeo da vida. Por definio, os instintos so catadores de objetos. No aparato mental se experiencia o instinto vinculado com um objeto adequado para sua satisfao. Deste modo, para cada impulso instintivo h uma fantasia correspondente.OS TESTES GRFICOS207Criar fantasias uma funo do ego. A fantasia no somente uma fuga da realidade: um acompanhante inevitvel das experincias reais, em constante interao com elas. Ao considerar a utilizao da fantasia incons ciente como defesa, perguntamoflos como , exatamente, sua relao com os mecanismos de defesa. Em poucas palavras, a distino reside na diferen a entre o processo real e sua representao mental detalhada especfica.Quando H. Segal diz que a diferena entre fantasia inconsciente e mecanismo de defesa aquela que h entre um processo real e sua repre sentao mental, entendemos que se refere diferena entre o que o sujei to fantasia que deve fazer para evitar o sofrimento e a concretizao desta fantasia numa determinada conduta interna e externa, detectvel pelo observador. Num sujeito que utiliza o mecanismo de negao manaca, no conhece os aspectos destrudos do objeto nem a prpria agresso e culpa, h uma limitao concreta de seu ego no aspecto perceptual. A fantasia inconsciente subjacente refere-se ao porqu e ao para qu necessi ta no conhecer. Se traduzssemos esta fantasia inconsciente para a lingua gem verbal, obteramos uma verbalizao do tipo: Se vejo como destru meus objetos e quanto os necessito, cairei em desespero e solido. Neces sito no ver. Se no vejo, no esto destrudos.Mecanismo de defesa e tarefa psicodiagnsticaDiagnosticar as defesas no somente rotul-las: tambm compreender o processo dinmico vincular de que fazem parte.Conseguir uma compreenso dinmica dos processos defensivos supe compreender as fantasias subjacentes, o porqu, o para qu das defesas, sua intensidade, sua qualid seu grau de rigidez ou variabilidade e sua efetividade. Descreveremos agora estes diferentes aspectos:1) Qual a modalidade defensiva, manifesta e latente;2) Por que o ego optou por ela;3) Para que optou por ela;4) A que nvel evolutivo corresponde a modalidade defensiva;5) Que caractersticas tem essa configurao defensiva (plasticidade, rigidez, etc.).1) Um momento da tarefa diagnstica o conhecimento da gama de condutas defensivas utilizadas pelo entrevistado. Toda pessoa desenvolve um espectro de processos defensivos, alguns dos quais so usados com maior freqncia, marcam de forma mais intensa seu modo de se vincular com a realidade interna e externa, e so os mais adaptados para conseguir o equilbrio. So estes os que se privilegiam no contato manifesto com a pessoa examinada.208 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS209Mas, alm disso, permanecem subjacentes processos defensivos que so mobilizados em situaes vitais diferentes, de maior estresse emocional, em situaes de regresso ou de progresso. Por exemplo: o uso dominante de mecanismos de formao reativa aos quais esto subjacentes mecanis mos latentes de dissociao; mecanismos de isolamento extremo que fun cionam como controle de identificaes projetivas tais que exporiam o ego a processos desorganizativ ou, pelo contrrio, uso de mecanismos de I.P. (identificao projetiva) e ndices de defesas latentes mais aperfeioa das (represso, por exemplo), fracassadas pela atual defrontao com uma situao traumtica.2) \Como dissemos, uma defesa o acionamento de uma srie de fan tasias inconscientes relacionadas com a forma de conservar a relao har mnica com o objeto e evitar o sofrimento causado por fantasias sobre o estado do ego e do objcto.\ No porqu necessitamos detectar quais. so essas fantasias e que fatores vinculares da histria individual e da situao atual influiram na estabilizao dessas formas especficas de defesa frente ansiedade.Diante de uma pessoa que manipula seus vnculos com condutas que relacionamos com mecanismos de isolamento intensos (sem afeto, carente de emoes, fechada em si mesma, etc.), perguntamo-nos por que necessita faz-lo. Sua fantasia ser: Se no me distancio, sou invadido por tanto afeto que enlouqueo, sinto o que acontece com o objeto como aconte cendo a mim e enlouqueo, tanta agresso pode irromper em mim que, se no me fecho em mim mesmo, posso explodir e fazer explodir.3) Interessa-nos, aqui, conhecer quais so os perigos fantasiados que o ego tenta evitar, e o que acredita que aconteceria se abandonasse sua modalidade defensiva. Em termos gerais, sabemos que evita o sofrimento psquico, mas necessitamos conhecer como fantasia esse sofrimento: como loucura, morte do ego e/ou do objeto, danificao do objeto, abandono, dependncia total do objeto, etc.4) Os processos defensivos tm um desenvolvimento evolutivo. Exis tem, portanto, defesas primitivas frente a ansiedades tambm primitivas ou psicticas, e defesas adaptativas ou mais evoludas. Em termos gerais, existe a seguinte seqncia evolutiva: aparecimento de mecanismos esqui zides (dissociao, idealizao, negao e controle onipotente do objeto, processos dominantes de I.P.), seguidos, na evoluo normal, por mecanis mos manacos e obsessivos correspondentes entrada na etapa depressiva (evolutivamente falando). A resoluo adequada desta etapa dar lugar emergncia de mecanismos neurticos tais como a inibio, o deslocamen to e a represso e ao aparecimento de mecanismos mais avanados como a sublimao.Fracassos na evoluo inicial impediro o estabelecimento de meca nismos de dissociao claros, os quais sero substitudos pelo splitting e pelas I.P. excessivas, colocando as bases de processos psicticos.O fracasso na etapa depressiva (o excesso de inveja expresso como desprezo manaco) favorecer novas regresses ou impedir o avano para mecanismos mais adaptativos. O diagnstico deste aspecto d lugar deter minao do tipo de organizao neurtica ou psictica da personalidade.5) Este ponto est relacionado com o 1 e o 4 e se refere ao nvel evolutivo, quantidade e qualidade das defesas prevalecentes, isto , a seu grau de patologia ou adaptao. Disso depender o grau de limitao que o ego pode sofrer. Todas as defesas contm aspectos adaptativos e so indispensveis para um ajuste adequado realidade. So patolgicas se esto baseadas em fantasias intensamente hostis e invejosas, pois travam a possibilidade de evoluo para uma elaborao adequada da situao depressiva. Para medir o grau de patologia ou de adaptao da defesa, leva remos em conta:a) Grau de elasticidade ou estereotipiaQuanto mais rgida e estereotipada uma defesa, maior a sua pato logia: se um sujeito apela para mecanismos de negao frente a toda situa o que implica aflio, falaremos de estereotipia e limitao do ego, j que no capaz de perceber as situaes reais e dolorosas, nem a depres so e perseguio interna. Por outro lado, falaremos de plasticidade se esta defesa se manifesta como recurso defensivo frente a uma situao choque, sendo logo modificada e substituda por outras.b) Grau de compromisso da personalidadeQuando a modalidade defensiva marca todos os vnculos do sujeito com a realidade (por exemplo, formao reativa em todos os contatos) mais limitante para o ego do que quando se circunscreve a determinadas reas ou tipos de vnculos (por exemplo, formao reativa frente a figuras com caractersticas maternas).Mecanismos de identificao projetivaA identificao projetiva o mecanismo pelo qual o ego deposita um vn culo (um aspecto do ego ligado a um objeto com uma fantasia especial) num objeto que passa a ter as caractersticas deste vnculo projetado. O objeto sobre o qual se faz a projeo pode ser um objeto interno, que , ento, marcado pelas caractersticas que o ego, por projeo, lhe atribui (neste caso falamos de I.P. em objeto interno). Se a I.P. se faz sobre um objeto externo, o ego amplia seu mbito geogrfico, pois uma parte sua Passa a fazer parte do objeto externo na fantasia. Como conseqncia,210 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOStanto pode acontecer que o objeto seja percebido com as caractersticas da parte projetada do ego, quanto que o ego chegue a se identificar com o objeto.A I.P. pode ser tanto um mecanismo normal quanto um mecanismo patolgico. Em condies normais, favorece a relao emptica de comu nicao e entendimento com o objeto, por duas razes: 1) porque atravs da I.P. o sujeito pode se pr no lugir do outro e 2) porque pode conseguir que o outro se ponha em seu lugar. A maneira de falar, os gestos, o tom de voz produzem no outro ressonncias afetivas de irritao, simpatia, aproxi mao ou rejeio derivadas dos aspectos que o objeto deposita nele. A qualidade normal de funcionamento da I.P. depende no s de como fun cionaram as identificaes projetivas do sujeito nas primeiras relaes objetais, mas tambm de como o fizeram as I.P. de seus primeiros objetos (pais) e que repercusso produziram nele.Os ndices de patologia ou adaptao do mecanismo de I.P. so dados por: 1) Fator quantitativo: predomnio das I.P. com caractersticas evacua tivas, ou utilizao das mesmas no nvel mais organizado dos mecanismos obsessivos, que permitem manter o controle das partes dissociadas e proje tadas. 2) Fator qualitativo: a qualidade da fantasia ou parte do ego projeta da (finalidade da I.P.). Isto , a natureza benigna ou maligna de parte do self e da fantasia que se deposita no objeto (para livrar-se do aspecto mau, para romper o objeto, para salvar o aspecto bom, para reparar o objeto, etc.).Quanto maior a intensidade (quantidade) e sadismo, maior o grau de patologia da I.P.Para esclarecer melhor o conceito distinguiremos entre:1) Funo dominante no mecanismo de I.P.2) Modalidade da I.P.3) Finalidade da I.P.1) O mecanismo de I.P., na medida em que implica pr para foraaspectos do ego, corresponde a uma funo anal-expulsiva. Referindo-sea isto, P. Heimann diz: Embora possa haver formas orais de rejeio comoo cuspir ou o expelir, os impulsos orais so sempre de tipo receptivo, incor porativos. Portanto, tudo o que se deseja dissociar, projetar e pr para forados limites do ego corresponde a uma funo anal-expulsiva.Quando o depsito de um aspecto prprio num objeto externo se d num contexto oral-incorporativo, a sua finalidade incorporar o objeto externo ao prprio ego (na medida em que apaga a diferena ego-sujeito). A finalidade incorporativa, mas o mecanismo (depositar) anal expulsivo.2) Liberman e Grinberg afirmam: As identificaes projetivas podem ter contedos orais, uretrais, genitais, etc., que outorgaro modalidades especficas s relaes objetais. Os contedos que so evacuados atravs desta funo anal-expulsiva podem corresponder a diferentes n veis de evoluo libidinal: fantasias incorporativas, oral-sdicas, genitais, flicas, etc. (Pode-se projetar um seio que devore ou que morda, que enve nene, etc.) A predominrkcia de qualquer uma destas fantasias contidas na identificao projetiva condicionar as modalidades esquizides, melanc licas, fbicas, etc., dos vnculos com os objetos. Por exemplo, atravs da I.P. o ego se projeta no objeto para comer, chupar ou devorar no nvel oral, queimar com urina no uretral, destruir com excrementos ou gases no anal, etc.3) A finalidade para a qual o mecanismo utilizado varia na I.P. normal e na patolgica, e de um indivduo para outro dentro de um mes mo grau de patologia. Em termos gerais, as finalidades da I.P. so (seguin do H. Segal): 1) livrar-se de partes ms e atacar com elas o objeto externo; 2) livrar-se de partes ms e proteger, deste modo, o objeto interno; 3) evi tar a separao depositando partes boas. Conseguir a unio com o objeto metendo-se dentro do objeto; 4) manter a salvo uma parte boa; 5) ser urna forma de reparao primria do objeto.As identificaes projetivas atuam com particular violncia nas esqui zofrenias, em outras psicoses e na psicopatia.Por outro lado, ao longo da evoluo produz-se uma paulatina modi ficao da intensidade e da qualidade das I.P.No incio da etapa esquizo-paranide, pela fraca integrao egica, a identificao projetiva distorcionante em relao ao objeto, e as qualida des ou partes do ego projetadas so vividas como pertencentes ao deposit rio. Sua finalidade principal incorporar o objeto externo: quando o beb projeta um aspecto seu (sua boca, por exemplo) dentro do seio da me no somente para livrar-se desse aspecto, mas sim para recuperar a unio pr-natal, atravs de um duplo processo de unio: o seio da me dentro do beb e o beb, ou uma parte sua, dentro do seio.Se houver uma relao continente adequada com a me, diminui o sadismo, a ansiedade persecutria, e aumenta a capacidade integrativa do ego.rCom a entrada na situao depressiva, surgem mecanismos de contro le das projees que permitem a diferenciao entre mundo interno e mundo externo, entre ego e objeto interno, favorecendo a diferenciao entre os aspectos do ego e do objeto. A I.P., nesta etapa, tem como fina lidade Conseguir a empatia com o objeto, desenvolver as funes de comu Ucao e conhecimento do outro, tentando a reparao do objeto. A I.P. adquire agora um valor fundamental no processo de simbolizao212 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASDurante a evoluo, a I.P. funciona com particular violncia no est gio de desenvolvimento que P/Heimann denomina perverso-polimorfo. Neste momento, o beb experimenta, de forma descoordenada, excitaes de todas as zonas do corpo e deseja veementemente sua satisfao imedia ta. As fantasias provenientes da excitao de diferentes zonas corporais criam confuso, a qual, somada a um incremento de sadismo, intensifica as I.P. Este perodo est situado entre o oral e o anal-expulsivo: A ten dncia anal-expulsiva como reao defensiva alivia o ego da confuso ao permitir-lhe evacuar os objetos perseguidores internalizados, os conflitos e tenses equiparados com excrementos.As I.P. patolgicas, pela quantidade de sadismo e por seus contedos, correspondem a fixaes ou regresses a etapas primitivas cujo desenvolvi mento j teve caractersticas patolgicas. Nas I.P. que M. Klein descreve como tpicas da posio esquizo-paranide, as partes projetadas no sofrem maiores alteraes e seguem certas linhas demarcatrias. Mas, quando o excesso de sadismo, de inveja, as falhas da funo continente do objeto externo, alteram a evoluo, a tenso torna-se esmagadora para o beb e a I.P. adquire caractersticas macias e muito violentas, tendo como conse qncia a desintegrao do objeto (splitting) e do ego.Bion descreve uma forma de I.P. prpria de quadros patolgicos, em que a inveja, a hostilidade e a angstia so particularmente intensas: os aspectos projetados so dissociados e fragmentados projetando-se no obje to e desintegrando-o em partes mnimas. A realidade externa, percebida de forma to persecutria, gera um violento dio contra ela e tambm contra a realidade interna, O ego se fragmenta para se ver livre da percepo e, ao mesmo tempo, o aparelho perceptor atacado e destrudo. Os mltiplos fragmentos a que fica reduzido o objeto so chamados objetos bizarros, os quais, violentamente expulsos pela I.P. patolgica, criam uma realidade que se torna cada vez mais dolorosa e persecutria; frente a ela o ego reage com vivncias de vazio, despersonalizao, etc. Esta a I.P. com caracte rsticas psicticas.A I.P. prpria da psicopatia denominada I.P. indutora. A I.P. indu tora caracteriza-se por ser violenta, excessiva e ter como caracterstica bsica por parte do ego uma manipulao sbita e brusca, que tende a paralisar e a anular a capacidade de discriminao do objeto externo. Pro cura depositar o mau (fantasias correspondentes a qualquer nvel libidinal) no objeto externo mas, diferentemente da I.P. psictica, o ego mantm o c9ntrole do projetado para evitar a reintrojeo e para induzir o objeto a assumir ativamente as caractersticas projetadas. A intensidade e o sadismo correspondem a uma intensificao do perodo perverso-polimorfo.OS TESTES GRFICOS213Na I.P. normal, o ego mantm o controle daquilo que foi depositadono objeto a fim de manter os limites da identidade e se distinguir do obje to (no mais para evitar sua reintrojeo).Splitting e identificao projetiva excessiva nos desenhosOs mecanismos de spltting, inevitavelmente unidos a mecanismos de I.P. excessivos, tm como conseqncia a desorganizao do ego e do objeto e vivncias de esvaziamento e de despersonalizao.Isto se manifesta nos desenhos com as seguintes caractersticas:1) Fracasso na organizao gestltica: o objeto grfico desorgani zado, rompido, sujo, com falhas na organizao da forma. Falta organiza o, coerncia e movimento harmnico.2) O ataque s funes adaptativas e de ajuste realidade se expres sa nas caractersticas anteriores e nas seguintes alteraes lgicas: locali zao espacial noo de perspectiva noo de na frente e atrs, frente e perfil noo de tamanho adequado noo de inter-relao entre as partes do objeto em si (por exemplo, uma adequada conexo das partes do corpo) noo de perspectiva, volume, etc.3) A folha em branco, representante do mundo externo, tratadacomo depositria de objetos rompidos em pequenos pedaos, confusos epersecutrios (expresso dos processos evacuativos). Surgem, por exemplo,rnos desenhos livres, produes grficas nas quais a folha ocupada pordiversos objetos sem conexo entre si, sujos e rompidos, ou, pelo contrrio,objetos isolados, objetos materiais vazios de contedo.4) No h uma boa delimitao mundo interno-mundo externo: oslimites do desenho so vagos, fracos, com zonas abertas, expresso da indiferenciao ou, pelo contrrio, excessivamente rgidos e exacerbados,quando predominam mecanismos de controle obsessivos da desorganizao.5) As figuras humanas, a casa ou a rvore aparecem fragmentadas,em runas, sem relao entre suas partes.Figura humana: Aspecto desumanizado, vazio, inexpressivo, desperSonalizado, ou sinistro, persecutrio. Caractersticas grotescas, graves alteraes na relao de partes entre si, posicionamento de frente e perfil, etc.Alteraes de limite, tamanho exagerado, projeo de traos estranhos.A casa e a rvore apresentam o mesmo grau de alteraes quanto aseu aspecto e organizao (rompido, destrudo, cado, sujo) e falhas nainter-relao de partes. Projeo de objetos parciais que do caractersticasbizarras produo. So tpicas a casa-telhado e a casa-fachada, asarvores cadas, mortas, rvores com animais destrutivos, etc. (Exemplos:CQSO 1a3.)r214 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS215CASO N. 1: IDADE 5 ANOS E 5 MESES; SEXO, FEMININO.Casos n. 1 e 2: Menina de cinco anos e cinco meses e menino de dez anos. Do ponto de vista formal, podemos descrever as seguintes caracters ticas, correspondentes I.P. excessiva:1) Necessidade de encher indiscriminadamente a folha, que eviden cia no tanto a necessidade de comunicar fantasias, mas sim de evacuar objetos internos, fragmentados e mortos, que produzem confuso. Intensi ficao de mecanismos anal-expulsivos.2) Falta de organizao gestltica: o desenho total no est integra do por uma idia diretriz, mas so, outrossim, diferentes categorias de objetos e partes de objetos misturados. Evidencia-se falta de ordem e de coerncia na produo total.Quanto aos contedos projetados, so figuras fragmentadas, desagre gadas, nas quais predominam, especialmente, aspectos mortos e fetais (caso n. 1) ou detalhes mio centrais ou essenciais dos objetos (caso n. 2).O par do caso n. 1 mostra as conseqncias do excesso de I.P. atravs de suas caractersticas de esvaziamento e paralisia. Os traos anal-expulsivos aparecem no sombreado e borrado do cabelo. A cabea apresenta elemen tos estranhos, tipo chifres, como expresso da dificuldade de conterb) Teste das Duas PessoasE: Agora quero que voc lhes d nomes.S: Uma tia e uma mame.E: E como se chamam? (E quais so os seus nomes?)S: Uma tia e uma mame.E: E quantos anos tm?S: (Pensa um pouco): Muitos anos...E: Agora quero que voc invente uma histria com elas.S: No sei, . . . eu. . . (faz movimentos com o lpis, brinca com ele).E: Pense um pouco mais.S: No sei nenhuma historinha, eu no sei, no sei.. . no sei...E: Voc poderia dar um ttulo?S: No, eu no sei.. . no sei. . . no sei...pensamentos, sentimentos, afetos, e que correspondem a caractersticas bizarras da produo. As bocas abertas e interrompidas mostram a dificul dade de realizar introjees adequadas e a vivncia de que tal introjeo seria daninha e perigosa.A dificuldade de simbolizao, concomitante ao processo de LP. excessiva, aparece na impossibilidade de dar um nome aos objetos (uma mame, uma tia), e na impossibilidade de construir uma histria (bloqueio e inibio pelo esvaziamento projetivo).Par e famflia do caso n. 2: O aspecto ameaador, sinistro, e as carac tersticas simiescas dos corpos, as alteraes de limites e a desorganizao da gestalt corporal levam a pensar em caractersticas psicticas.Os mecanismos de I.P. excessiva evidenciam-se nas alteraes anterio res e na falta de pescoo, no vazio da parte central da figura, nas cabeas e nas estranhas aberturas na parte central inferior, expresso da impossibilida de de conter, com o conseqente predomnio de mecanismos evacuativos.a) Desenho Livre216O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVAS OS TESTES GRFICOS217c) TestedaFamzliaCaso n. 3: Menina de cinco anos e cinco meses. Observam-se as mes mas caractersticas dos casos anteriores. Chama a ateno, aqui, a constru o de objetos estranhos, homens-fetos-bichos. A perseverana mostra como o excesso de I.P. sobre o objeto anula a capacidade de discriminao e de diferenciao tanto do ego com o objeto, como dos objetos entre si..Identificao projetiva com caractersticas indutoras nos desenhosA I.P. com caractersticas indutoras pode se manifestar diretamente na produo grfica ou na verbalizao correspondente.As caractersticas gerais so:-s1) Desenhos geralmente grandes, expresso da necessidade de difundir a imagem corporal, o corpo, no continente objeto externo. A nfase, no desenho, est na musculatura dos braos e pernas e no trax. Isto seTCASO N. 2: IDADE, 10 ANOS, SEXO, MASCULINO.d) H.T.P.a) Desenho Livre218 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOSb) Teste das Duas Pessoasdeve exacerbao dos mecanismos de ao e necessidade de instru mentar o aparelho motor como meio expulsivo-expansivo de controle do objeto.2) O aspecto das figuras humanas pode ter caractersticas diferentes, de acordo com as fantasias e vnculos intolerveis especficos que o pacien te necessita projetar (ponto de fixao secundria): aspecto desafiante muscularmente (necessidade de evacuar situaes de pnico), ou exibicio nista perverso (horror a situaes incestuosas perversas). Pode ser uma caricatura se a inteno depositar vivncias de ridculo, fraude e estra nheza frente ao prprio corpo ou ao corpo do sexo oposto. So, ento, traos essenciais: a nfase no corpo, as caractersticas impulsivas do trao, o tamanho grande e a conservao da gestalt atravs da musculatura (no o de identidade mantida atravs do limite muscular e da ao).3) Se a I.P. indutora defensiva de situaes psicticas, o desenho tem as caractersticas psicticas descritas anteriormente. Podem acontecer casos em que haja somente algumas produes bizarras (caso n. 6). Dife rentemente da produo psictica, predomina a necessidade de causar impacto-depositar no observador (psiclogo), defendendo-se da desinte grao da prpria produo grfica.Os desenhos da casa e da rvore, por mostrarem aspectos mais laten tes da personalidade, adquirem formas distintas. Quando predominam aspectos indutores, as caractersticas so: excesso de tamanho, galhos com muita nodosidade e movimento projetados para fora (expresso da necessi dade de projeo no mundo externo e onipotncia); m conexo do tron co com os galhos; galhos em ponta, agressivos em sua terminao. Veja-se O Caso n. 20, homem de 26 anos.Casa: Caractersticas pretensiosas, onipotentes, tendncia a causar impacto e no mostrar (casas fechadas ou casas-fachada). Veja-se o Caso n. 20. (Exemplos: Casos n. 4 a 9.)219c) Teste da Famlia220 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS221CASO N. 3: IDADE, 5 ANOS E 5 MESES; SEXO, FEMININO.c) Teste da FamzliaCaso n. 4: Homem de 29 anos. A produo verbal do entrevistado evidencia a exacerbao de mecanismos de I.P. indutora, enquanto que os desenhos mostram caractersticas latentes de desorganizao. No teste das duas pessoas ainda mantm a gestalt, embora j aparea a expresso de assombro e pnico, como ndice de temor desorganizao. No H.T.P. mostra a desagregao, o fraquejar do ego, atravs de objetos vagos, sem limites, destrudos, indiferenciados do mundo externo e, fundamental mente, atravs do homem cado.Caso n. 5: Mulher de 26 anos. Este um exemplo tpico de I.P. indutora e mantm todas as caractersticas descritas anteriormente: nfase no controle motor e no aspecto ameaador, desafiante, frio e irnico. Mos tra um aspecto sujo, ameaador da integridade fsica do depositrio. O depositrio est projetado na mulher com as mos amarradas (cortadas, algemadas), merc de. A racionalizao verbal do desenho foi uma mulher segurando uma meada de l para tecer, o homem no sei o que faz, observa-a.d) H.T.P.Caso n. 6: Homem de 25 anos. Alm das caractersticas gerais, especfica a depreciao e a ridicularizao da figura feminina, grotesca e exibicionista. Necessita evacuar no psiclogo o horror frente a seus aspec tos femininos grotescos. Esta produo tem caractersticas homossexuais (ridculo da figura feminina, castraes, exagero do nariz) e traos psic ticos pelo aspecto grosseiro e inadequado do par.Caso n. 7: Homem de 22 anos. As caractersticas formais do dese nho so de controle, a organizao da gestalt boa; contudo, desenha um par ridculo, uma caricatura na qual o deprecia. Tal zombaria e deprecia o no so assumidas pelo entrevistado na verbalizao, sendo um con tedo depositado de modo latente no entrevistador. Atravs da produo verbal vemos que a angstia e o horror pela consumao de situaes incestuosas que so depositados, enquanto o entrevistado, por incapaci dade de cont-las, no faz aluso a sentimentos frente ao que narra.Caso n. 8: Homem de 25 anos. A produo grfica manifesta um Controle intelectual excessivo, rigidez de pensamento e tendncia ao ocul7222O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS223tamento. O ataque indutor ao objeto (psiclogo) manifesta-se na verbaliza Q: precisa depositar no entrevistador situaes de fracasso, impotncia e submetjmento a um objeto castrador, assumindo, o entrevistado, a atitude de distncia e zombaria.Caso n. 9: Homem de 24 anos. uma produo com caractersticasPSlCticas das quais se defende com condutas perversas. Necessita produzirprojetivamente, no psiclogo, confuso e perplexidade, tanto atravs dotema quanto dos termos. Necessita projetar confuso frente a suas fanta S1 perversas e de morte.CASO N. 4: IDADE, 29 ANOS; SEXO, MASCULINO.b) Teste das Duas Pessoasd) H.T.P.224O PROCESSO FSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOSCASO N. 5: IDADE, 26 ANOS; SEXO, FEMININO.225Mecanismos esquizidesCompreendem mecanismos de ciso do objeto, idealizao, negao, e controle onipotente. Tm por finalidade defender o ego de temores inten sos de aniquilao e morte. Constituem uma configurao inseparvel: a dissociao supe mecanismos de idealizao (tanto da bondade quanto da periculosidade dos objetos), mecanismos de negao onipotente (das caractersticas persecutrias do objeto idealizado e da impotncia), e mecanismos de controle onipotente (do objeto idealizado, aliado ao ego) do objeto persecutrio. Sero, no entanto, analisados separadamente, por razes didticas.d) H.TP.226 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E S TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS227CASO N. 6: IDADE, 25 ANOS; SEXO, MASCULINO.c com uma concomitante diviso do ego, estruturando-se, portanto, dois Vnculos simultneos entre um ego agressivo e um objeto idealizadamente persecutrio, e um ego cheio de amor e um objeto idealizadamente bom.Esta diviso do objeto e do ego corresponde a um mecanismo prim flo que implica, contudo, um certo grau de organizao da realidade catica, do comeo da vida, j que permite afastar e separar dois tipos de experin cias que se sucedem de forma alternada: experincias de unio, proteo e Satisfao, e experincias de abandono, dor e insatisfao.b) Teste das Duas PessoasMecanismo de dissociaoA dissociao o mecanismo pelo qual o ego e um objeto nico so dividi dos, fantasmaticamente, em dois. A diviso do objeto estabelecida em funo das caracteri idealizadas e persecutrias, e em correspondnb) Teste das Duas PessoasConfusoAos 18 anos, Juan, cavalheiro ingls, casou-se com uma camponesa de Plymouth; era tempo de guerra. Quando esta terminou, abandonou-a pressionado pela famlia. Da curta unio nasceu uma menina que Juan no chegou a conhecer. Pouco depois Juan contraa, em Londres, novo enlace com uma Marquesa da qual enviva aos quarenta anos, e com a qual tem filhos. Refaz sua vida casando-se com uma jovem universitria, colega de um de seus filhos, que no era outra seno a filha, que no chegara a conhe cer, de seu casamento de Plymouth. O desenho corresponde a esse casamento.Bomba de Gasolina sem Mangueira.Embora tenham cara de bomba de gasolina, so duas pessoinhas endiabradas que estobrincando. Um diz coisinhas [ e a outra acredita. Viveram juntos poucosSegundos e tambm sumiram. Alguns segundos depois de separados, o que contava asCOisinhas ir fazer a cara da que o ouvia, e vice-versa. At o dia seguinte quando outra Pessoinha um pouco mais adulta perguntou que recebia as coisinhas: Como foi? Ela lhe responder: Muito bem. E a coisinha da bomba de gasolina voltar a seu estado pri Iflitivo Para o ser adulto (o professor) tudo estava errado era ruimCo1o Cobrado228 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVAS CASO N. 7: IDADE, 22 ANOS; SEXO, MASCULINO.OS TESTES GRFICOS229CASO N. 8: IDADE, 25 ANOS; SEXO, MASCULINO.Lb) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas Pessoas230 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS231CASO N. 9: IDADE, 24 ANOS; SEXO, MASCULINO.A dissociao responde, no incio, a uma simples diviso do objeto e do ego, sendo que um dos pares dissociados alternativamente no conhecido, ignorado, isolado pelo ego. As dissociaes primrias do como resultado objetos parciais (seio-pnis) (ideal-perseguio). Du rante a evoluo normal, e na medida em que diminui a ansiedade perse cutria, a dissociao assume caractersticas menos rgidas quanto ao grau de distncia entre o idealizado e o persecutrio, aproximando-se paulatina- mente de uma diviso entre bom e mau, favorecendo a sntese depressiva.ChinoricjjculomorteEm Hong Kong fumadouro de pio a madame (porque tambm um bordel) Chay a Putamorte, agente de Chiang Kal-shek.Huy Wei-ping um jovem guarda vermelho de quarenta anos que vai gastar todo o dinheiro que o velho lhe deu.- Oh! Putamorte, que adiposa eternidade! Pode-se ir com a madame e se esbaldar? No vs, ridculo Huy Wei-ping, quem em mim entra sai convertido em sublime defecao. Tua literatura barata, Putamorte, barata de baratino de comerciante de bazar. Mas minha vulva gigantesca e nela se aloja o inferno, j que o roar em suas ttri cas paredes evoca a descida do Professor com seu sobrinho Axel na Viagem ao)a) Desenho Livreb) Teste das Duas Pessoas232 O PROCESSO PSICODIA GNS TICO E AS TCNICAS PROJETIVASCentro da Terra de Jlio Verne, entre vapores espessos, para definir um pouco a coisa. Oh, Putamorte, jamais recordars o que Axel escreveu ao copiar mal as instrues de seu tio. O qu? O qu? Tretas, canalhedniaoa!, blm. E o que quer dizer? Te adoro, minha encantadora Granten! Falso, faltam letras. E sers castigado com a morte.Dentro da teoria kleiniana, este mecanismo o precursor da repres so, que permite a clivagem entre o consciente e o inconsciente.Os mecanismos de dissociao podem fracassar durante a evoluo devido intensidade da inveja, da agresso e m relao continente com o mundo externo; em tal caso, so substitudos por mecanismos de splitting macios e de I.P. excessiva, os quais levam desintegrao do ego como medida defensiva. H. Segal diz: O ego se fragmenta e se cinde em pedaci nhos para evitar a experincia de ansiedade. A desintegrao a mais desesperada de todas as tentativas do ego para proteger-se dela. Para no sofr-la, o ego faz o que pode para no existir, tentativa que origina uma ansiedade aguda especfica: a de fazer-se em pedaos e ser pulverizado.Mesmo quando a dissociao conseguida, esta adquire caracters ticas patolgicas quando implica uma distncia rgida e excessiva entre as caractersticas idealizadas e persecutrias do ego e do objeto, j que isto dificulta a capacidade de sntese e de integrao depressiva.H. Segal: Em situaes de ansiedade, aumenta a dissociao, e a pro jeo e a introjeo so utilizadas para manter os objetos persecutrios to afastados quanto possvel dos objetos ideais, ao mesmo tempo que ambos so mantidos sob controle.A dissociao subjacente a todas as defesas neurticas, j que todas tm por finalidade a ciso do vnculo persecutrio com o objeto. D lugar, como mecanismo adaptativo, dissociao esquizide instrumental, capacidade de deixar de lado determinadas situaes afetivas, para obter um ajuste a diferentes exigncias da realidade.Dissociao nos testes grficosNa medida em que a dissociao a base dos mecanismos defensivos pos teriores, ela se manifesta com maior ou menor intensidade em toda a produo grfica. Interessa-nos, portanto, detectar: 1) qual seu grau de patologia (atravs do grau de distanciamento entre o idealizado e o perseOS TESTES GRFICOS235cutrio) e 2) quais so os aspectos do ego e do objeto que so mantidos separados.A dissociao, como parte da configurao de mecanismos esquizi des, uma defesa contra ansiedades persecutrias. Implica, portanto, por um lado, a existncia de objetos onipotentemente perseguidores e aspectos egicos com igual intensidade de agresso e, por outro, objetos idealizados, onipotentemente bons e poderosos, unidos a aspectos similares do ego. A dissociao se estabelece em funo da onipotncia destrutiva e da onipo tncia amorosa do ego e do objeto.Quanto aos traos formais, os desenhos se apresentam muito delimi tados, rgidos, duros.1) Os personagens humanos so revestidos com caracteres extra--humanos de poder (geralmente fsico, s vezes mental) idealmente bom (Batman, Super-homem, Deus, santos) ou idealmente persecutrio (Dr. cula, Lobisomem, Diabo).O desenho mostrar:a) um dos dois aspectos dissociados;b) ambos os aspectos vinculares dissociados numa mesma produo grfica (o exemplo extremo seria Deus-Diabo);c) podem se manifestar ambos os aspectos dissociados do ego: um aspecto impotente e paralisado e um aspecto agressivo-impulsivo;d) o vnculo desejado com o objeto idealizado: Batman-Robin.2) Nos personagens humanos estaria enfatizado no s o poder,como tambm a capacidade defensiva frente a possveis ataques do mundoexterior. (Personagens blindados, com formas humanas no sensveis einvulnerveis.)Estas caractersticas manifestam-se no desenho de casas como fortale zas, castelos, etc.Quando a dissociao faz parte das defesas manacas, costuma man ter o mesmo grau de rigidez ou de distncia, mas os pares de objetos disso ciados variam. A dissociao estabelecida entre o objeto idealizado (com caractersticas de objeto inteiro, rico em cntedos no agressivos, unido ao ego idealizado) e o objeto depreciado (despedaado, empobrecido, des trudo, unido ao ego agressivo). A idealizao ou a valorizao de aspectos ou funes do ego e do objeto e a depreciao de outros ficam evidentes em:1) Tratamento diferente de certas zonas corporais numa mesma figura (maior nfase em algumas, em detrimento de outras).2) Objetos que simbolizam, cada um deles, uma caracterstica oufuno pessoal (por exemplo, o moral e o corporal, o agressivo e o bom,mente-corpo, afeto-sexo, etc.). (Exemplos de dissociao: Casos de 10a 15.)236O PROCESSO PSICODIA GNS TICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 12: IDADE, 17 ANOS; SEXO, FEMININO.Caso n. 10: Menino de sete anos. Rob e Batman. (Objeto ideali zado-ego invulnervel.) Desenha o rob (a escolha do desenho coincide com a primeira escolha positiva do desiderativo). Em seguida, coloca o Batman protetor-persecutrio sobre a cabea do rob e, posteriormente, chama o rob de Batman.Caso n. 11: Menino de oito anos. Mostra atravs da produo dois aspectos do seu ego dissociados: os elementos passivos, despersonalizados e impotentes no teste das duas pessoas, e as caractersticas violentas, impul sivas, agressivas, no desenho livre.OS TESTES GRFICOSCASO N. 13: IDADE, 8 ANOS; SEXO, MASCULINO.237Caso n. 12: Adolescente, mulher, 17 anos. Dissociao entre um ego reparador, bom, idealizado, e um ego destrudo, pobre, necessitado. Esta dissociao caracterstica da situao depressiva e faz parte das ten tativas de reparao manaca.a) Desenho Livreb) Teste das Duas PessoasCASO N. 14: IDADE, 17 ANOS; SEXO, FEMININO.b) Teste das Duas PessoasCaso n. 13: Menino de oito anos. Dissociao dos aspectos agressi vos e amorosos frente ao objeto.Caso n. 14: Adolescente, mulher, 17 anos. Dissociao corpo-mente como expresso do incremento dos mecanismos de intelectualizao.Caso n. 15: Adolescente de 16 anos. Dissociao entre exibicionis mo e represso.recanismo de idealizaomecanismo de idealizao est inevitavelmente unido ao mecanismo de Sociao, e defende, inicialmente, de ansiedades persecutrias. A cresidealizao do objeto bom tem por finalidade afast-lo do persecut e torn-lo invulnervel Tal mecanismo vincula-se negao mgica?Otente: as caracteristicas indesejveis do objeto so negadas, enquanto Simultaneamente, recoberto de bondade (amor, invulnerabilidade,mgicos, poder onipotente de proteo, etc.). A intensidade da eahzao est diretamente relacionada com a intensidade da perseguio238 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 15: IDADE, 16 ANOS; SEXO, FEMININO.OS TESTES GRFICOS239CASO N. 16: IDADE, 36 ANOS; SEXO, MASCULINO.b) Teste das Duas Pessoasa) Desenho Livrefrente ao objeto, e uma defesa que resulta de ansiedades persecutrias (medo de ser atacado e destrudo pelo objeto).O mecanismo de idealizao tambm faz parte das defesas manacas na situao depressiva (mitigando, em tal caso, a ansiedade depressiva) atribuindo ao objeto, por outro lado, uma grande riqueza de contedo e uma grande capacidade reparat Ento, se o objeto perfeito e possUi tudo, no est destrudo, no pode atacar retaliativamente o ego (ansie dade persecutria), o ego no tem que penar por ele nem se preocupar em repar-lo (ansiedade depressiva).Dentro da teoria kleiniana, a idealizao precursora de boas rela es de objeto (na medida em que o objeto idealizado o precursor do objeto bom). Uma idealizao extrema, contudo, trava a relao com o objeto real, j que no existem objetos ideais e sim idealizados. Uma certa quantidade de idealizao mantm-se ao longo da vida adulta (namoro, ideais de vida, etc.).lecanismo de idealizao nos testes grficosidealizao, ) mecanismo esquizide, expressa-se nos desenhos de .zras humanas pela nfase do poder mgico e, basicamente, do poder efensivo frente a possveis ataques de morte. As figuras humanas so andes, com exaltao da capacidade mgica-onipotente de domnio e :ontrole (Deus-santos), de proteo dos fracos (Batman, Super-homem), C Comando (reis, polcia) ou de fora fsica (boxeadores, atletas).Na medida em que a idealizao supe dissociao, o par dissociado pode corresponder s caractersticas persecutrias ou idealizadas do objeto240 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 17: IDADE, ADULTO; SEXO, MASCULINO.OS TESTES GRFICOS241CASO N. 18: IDADE, 53 ANOS; SEXO, MASCULINO.a) Desenho Livreb) Teste das Duas PessoasOS TESTES GRFICOS243CASO N. 20: IDADE, 25 ANOS; SEXO, MASCULINO.(objetos desprotegidos, com um objeto idealmente protetor ou com um objeto persecutrio). Vejam-se os exemplos de dissociao. (Exemplos:Casos 16 a 20.)Caso n. 16: Adulto. Desenho livre. Idealizao da relao de casal (liberdade e beleza corporal, capacidade de criao). Os aspectos perse cutrios do vnculo manifestam-se: na aridez da paisagem, nas rvores em ponta, agressivas e pouco protetoras, no aspecto corporal ameaador do homem e no cabelo e pernas agressivas da mulher.Interessa-nos exemplificar dois casos de idealizao fracassada:Caso n. 1 7: Adulto, homem. Hindu e Gandhi: figura idealizada verbalmente, mas graficamente fraca, distante, no ar. No serve, portanto, Como figura protetora para um ego impotente, submetido e desesperanado.Caso n. 18: Personalidade psictica, homem de 53 anos. O fracassona tentativa de incluir uma figura materna idealizada e protetora (virgem)produz horror e pnico (fuga do homem, no desenho).Quando a idealizao corresponde a defesas manacas, aparecemobjetos grandes, bonitos, harmoniosos, nos quais so enfatizados enfeites,expresso feliz, posse de contedos no agressivos (flores, botes, enfeites,244O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASetc.). Pode haver gratificao do objeto idealizado (rainha, deuses, prince sas, castelos, crianas com bolas, etc.), ou pode aparecer o par antittico (objeto idealizado, reparado, inteiro, possuidor de riquezas, e o objeto depreciado, desvalorizado, destrudo, moribundo). (Ver exemplo de defe sas manacas e caso n. 12.)A idealizao integra todo quadro neurtico; o que varia a aprecia o dos aspectos que so idealizados e dos que so temidos ou depreciados, o que costuma ser expresso nas zonas corporais enfatizadas, por exemplo, cabea em detrimento do corpo (caso n. 19) ou musculatura em detri mento da capacidade intelectual (caso n. 16).No desenho da casa, observa-se marcada nfase no telhado, ou no corpo da casa, janelas, cristais, etc. Em termos gerais, segue as mesmas caractersticas descritas na dissociao.Caso n 20: Desenho da casa. Idealizao expressa no tamanho, tipo de construo escolhida, nfase na fora, indestrutibilidade e perma i no tempo. , contudo, apenas uma fachada defensiva frente aod) H.T.P.246O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 22: IDADE, 8 ANOS, SEXO, MASCULINO.b) Teste das Duas Pessoasmedo da destruio e da fraqueza corporal (impotncia, dvidas sobre sua masculinidade).No desenho da rvore manifesta-se a necessidade de reforar o poder atravs do tamanho (onipotncia) e da fora. Esto subjacentes sentimen tos de inadequao e de conflito (sombreado), confuso (copa) e necessi dade de manipular estas ansiedades com condutas impulsivas e indutoras (trao impulsivo, galhos expandidos para fora, abertos, expressando o mau controle dos impulsos e conflitos).Negao e controle onipotenteSo mecanismos primitivos que respondem impotncia do ego frente a seus impulsos destrutivos e a estes impulsos projetados no objeto. A nega o, como processo defensivo, tem por finalidade no ver os aspectos do ego e do objeto que aterrorizam, e responde fantasia de que aquilo que no visto no existe e, portanto, no implica perigo. Est ligada ao con trole onipotente, fantasia de possuir tanto o ego quanto o objeto ideali zado, capacidade de controle e de manipulao do objeto persecutrio.O grau de onipotncia do ego e do objeto idealizado proporcional ao grau de poder destrutivo do ego agressivo e do objeto mau.Durante a etapa depressiva, a negao e o controle onipotente fazem parte das defesas manacas frente perseguio e dor. A negao se proOS TESTES GRFICOSCASO N. 23247 -S: Desenho voc e San Martin. (Desenha primeiro a mulher e depois o homem.)S: Era uma vez uma m que tinha uma filhinha muito bonita; parecia com Maria e a m a chamou de ngela Maria. A menina brincava, comeu um pintinho, dormiu e chegou de noite, n lanchou, foi crescendo e acordou. Tomou uma semente e ficou com quinze anos. Foi visitar um castelo, voou, ficou pequena, cresceu e visitou o pal cio dos gigantes. Acordou e foi pelo tnel do Tempo, chegou at San Martin que lutou por ela e salvou-a.Quis voltar para o seu tempo.E: Que ano?S: 1961. Acordou, casou com um prncipe. Voc gostou da fantasia que eu contei?E: Sim, tua. Agora diga-me, que nome voc lhe daria?S: Angela e San Martin e Aventuras de Sonhos.a) Desenho Livre248O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASpe negar tanto a destruio do objeto quanto os sentimentos de dor, dependncia e necessidade do ego. Est ligada fantasia de controlar o objeto, negando o medo da separao e da dependncia e favorecendo as fantasias de reparao onipotente do objeto. Isto implica sempre uma privao para o ego, na medida em que limita sua capacidade de conhe cimento.Negao e controle onipotente nos desenhos1) Os mecanismos de negao evidenciam-se nos desenhos atravs de figu ras humanas pobres, de olhos fechados, sorriso estereotipado (tipo palha o), baixo contato com o meio e caractersticas infantis. A rvore e a casa tambm so infantis, fechadas, empobrecidas. (Exemplo: Caso n. 21.)2) As fantasias de controle onipotente frente perseguio esto diretamente ligadas aos mecanismos de idealizao do objeto protetor e do ego, quanto ao poder e invulnerabilidade (exemplos dados j na idealiza o e na dissociao). Veja-se, particularmente, o caso n. 10: ali, para proteger-se dos medos da desintegrao e da morte, cria o rob que expres sa a necessidade de possuir um ego invulnervel, forte, poderoso e insens vel. Contudo, esta fantasia no acalma a ansiedade persecutria e precisa recorrer ao Batman, objeto idealizado protetor e persecutrio, com o qual se identifica depois, assimilando seu poder (denomina o rob de Batman). (Exemplos: Casos n. 22 e 23.)3) Como parte das defesas manacas, e na medida em que esto diri gidas para negar a depresso, a dependncia, etc., e para controlar o objetoOS TESTES GRFICOS249)destrudo persecutrio, estas defesas manifestam-se atravs de movimeij riqueza de contedo, formas de controle mgico do objeto, ou capacidade onipotente de reparao (para este fim referimos aos exemplos correspon dentes s defesas manacas).Caso n. 22: Menino de oito anos. Expresso da necessidade de man ter-se armado e na defensiva para controlar os objetos persecutrios e a ansiedade de morte.Caso n. 23: A intensidade das ansiedades persecutrias, a vivncia de morte e de desintegrao aparecem claramente nos desenhos. ( inte ressante mostrar que o desenho livre refere-se ao 25 de maio, data de nascimento da entrevistada, que mostra como todo seu contato com o mundo externo est marcado de ameaas de morte.) A produo verbal uma tentativa patolgica de negao, na fantasia e no controle onipotente, de sua realidade persecutria.Defesas manacasA organizao de DM inclui mecanismos que j se manifestaram durante a etapa esquizo-paranide (mecanismo de dissociao e idealizao, negao e controle onipotente), mas que adquirem, durante a etapa depressiva, caractersticas especiais. No primeiro caso, estavam dirigidas para impedir um ataque aniquilador ao ego; agora tm por finalidade defender o objeto dos ataques ambivalentes do ego, e este das ansiedades e da culpa depres sivas.Na situao depressiva, o beb consegue uma nova relao com a realidade e descobre situaes importantes, a saber: 1) sua dependncia da me, que teme haver perdido devido sua agresso; 2) o valor que ela tem para ele; 3) sua ambivalncia, seus desejos agressivos, vorazes de destru-Ia, e seus sentimentos de necessidade e desejos de preserv-la. Surgem, em conseqncia, intensos sentimentos de culpa depressiva, medo de perder a me de que necessita, medo dej t-la destrudo, preocupao e necessida de de repar-la.As defesas manacas so uma tentativa de evitar o processo de intensa dor e sofrimento psquico que esto implicados nesta descoberta. A expe-. rincia depressiva vincula-se com o conhecimento da existncia de um mundo interno e da posse de um objeto valorizado, o qual necessita. Por isso, as DM levam a evitar e a negar este conhecimento, fugindo para o mundo exterior e negando, evitando ou invertendo a dependncia do obje to, a ambivalncia, a preocupao e a culpa.Um dos mecanismos defensivos especficos a onipotncia, acompa nhada de fantasias de controle e de dominio dos objetos Este mecanismo necessrio para: a) negar a dependncia do objeto, o medo de ser abanTeste das Duas PessoasOS TESTES GRFICOS251donado e a emergncia de agresso por este abandono, e b) satisfazer a fantasia de reparao total do objeto, mediante um ego que tem poderes mgicos de reconstruo. M. Klein afirma que o beb precisa sentir que domina os objetos internos e externos no s para que eles no o abando nem, como tambm para que no se destruam entre si.Os mecanismos de idealizao tendem a negar fantasia de destrui o do objeto, outorgando-lhe invulnerabilidade, riqueza de contedo, beleza. Um objeto assim, no execrado nem agonizante, evita tanto o medo da perseguio quanto o sofrimento psquico (luto).Os mecanismos de negao tendem a desconhecer a realidade psquica (o insight adquirido sobre a agresso, a valorizao do objeto, e o medo de atac-lo) e as partes da realidade externa que esto em harmonia com seus conflitos (negao do abandono, de situaes que produzem frustrao e tristeza, do medo do afastamento da me real, etc.).Os mecanismos de dissociao tendem a evitar a dor que produzidapela ambivalncia (amar e odiar um mesmo objeto).Uma caracterstica especial da defesa manaca a identificao do ego com o objeto idealizado: o ego se funde e se confunde com este objeto parcial, onipotente, cheio de vida, de poder, de alimento, se infla pela fantasia de ter devorado o objeto idealizado (a luz do objeto idealizado cai sobre o ego), j que as caractersticas sofredoras, desprotegidas, neces sitadas, dependentes do prprio ego, so depositadas nos objetos externos. A DM implica, ento, a utilizao de mecanismos de identificao proje tiva: as caractersticas projetadas so as de um necessitado e faminto, enquanto que as caractersticas assumidas pelo ego so as de um peito cheio, nutridor, que se auto-abastece.Numa relao manaca de objeto participa uma trade de sentimentos que tendem a negar os ganhos da situao depressiva. Esta trade consti tuda pelo controle, triunfo e desprezo que correspondem simetricamente aos sentimentos de valorizar o objeto, depender dele, temer perd-lo e sentir-se culpado.Segundo H. Segal: Controlar o objeto um modo de negar a depen dncia em relao a ele, mas, ao mesmo tempo, uma maneira de obrig-lo a satisfazer necessidades de dependncia, j que um objeto totalmente controlado , at certo ponto, um objeto com o qual se pode contar.O triunfo a negao de sentimentos depressivos ligados valoriza o e importncia afetiva outorgada ao objeto. Vincula-se com a onipo tncia e tem dois aspectos importantes. Um deles relaciona-se com um ataque primrio infligido ao objeto e o triunfo experimentado ao derrot-lo (especialmente quando est fortemente determinado pela inveja). Alm disso, o triunfo aumenta como parte das DM, porque serve para manterOS TESTES GRFICOSdentro dos limites os sentimentos depressivos que, de outra forma, surgiriam (tais como sentir saudade do objeto, estranh-lo e desprez-lo).Desprezo em relao ao objeto tambm negar o quanto ele valorizado; atua como defesa contra as experincias de perdas e culpa. Umobjeto desprezvel no merece que algum sinta culpa em relao a ele e odesprezo de semelhante objeto converte-se em justificao para que secontinue a atac-lo.Se analisamos o que foi exposto at o momento, vemos que a DMprocura negar a situao depressiva e o trabalho de luto, mas prepara ocaminho para um novo colapso depressivo, j que implica, em si, um novoataque sdico ao objeto que devorado, desprezado e despojado do poder,de que o ego se apropria para control-lo. O incremento dos sentimentos*de desprezo motivados pela inveja subjacente interfere no desenvolvimentonormal, na medida em que impede o processo de luto.Caractersticas das defesas manacas nos desenhos Nas figuras humanas: o tamanho enfatizado como expresso da inflao do ego. Diversamente dos mecanismos de identificao projetiva indutora, a nfase no est na musculatura, mas sim no limite corporal que aumen tado.A localizao geralmente e central e para cima (sentimentos de euforia).Ha uma grande preocupao em encher o desenho de conteudosque tendem a enriquecer e no tanto a dar poder (botes, enfeites, fio res). Evita-se, assim, o temor destruio interna do objeto e os prpriossentimentos de vazio e de carncia Outras vezes, esta vivncia de vaziose expressa abertamente atraves de figuras muito grandes e vazias (tipobolas).Nos desenhos infantis, a necessidade de negar o medo da perda do objeto expressa por figuras de crianas com bolas, em paisagens cheias de flores, com roupas muito enfeitadas, etc. Costumam desenhar rainhas, reis, princesas, personagens possuidores de grandes riquezas.Nos desenhos de adultos, as figuras humanas so, muitas vezes, infan tis, simpticas e alegres. caracterstica a expresso feliz ou triunfal, dada por um grande sorriso (boca de palhao), acompanhada, s vezes, de olhos fechados (negao).A casa e a rvore tambm so grandes, com localizao central, gran de quantidade de contedos (frutos e flores na rvore, caminhos, flores,animaizinhos na casa; geralmente incluem o Sol em todos os desenhos).Quando as defesas manacas so muito intensas, a casa est sobre uma254O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 26: IDADE, 5 ANOS; SEXO. FEMININO.lombada, em perspectiva, ou aparecem casas muito idealizadas, do tipo de castelos.Apesar de serem estes os traos comuns de expresso das defesas manacas, seu grau de patologia medido: 1) pela intensidade com que elas se manifestam, 2) pelo maior ou menor domnio de fantasias de des prezo e triunfo expressas no desenho (atravs de figuras desvalorizadas, atacadas pejorativamente com aspecto ridculo), 3) pelo grau de intea) Desenho LivreOS TESTES GRFICOS257grao e de adequao do desenho (ajuste s caractersticas reais do objeto, grau de integrao ou de estereotipia, movimento harmnico ou forado, etc.). (Exemplos: Casos n. 24 a 28.)Caso n. 24: Menina de sete anos. As defesas manacas evidenciam-se aqui na posse de objetos, na expresso sorridente, na negao da realidade atravs dos olhos que no vem, e na verbalizao, onde tenta manipular seus medos de perdas abandonando e recuperando o objeto (controle) e, por fim, adaptando-o atravs de reparaes manacas.Sua intensidade, contudo, no marcada, pois no dominam fanta sias de triunfo e de desprezo, e a defesa tende mais a negar a carncia e a dependncia, sem menosprezo do objeto. Manifestam-se, tambm, meca nismos de controle da agresso (formao reativa). Quanto ao grau de ade quao, a gestalt se mantm, as possibilidades de afastamento e controle do objeto so possveis para uma menina de sete anos, e existe certa neces sidade, ainda que ambivalente, de manter o amor do objeto.Caso n. 25: Menina de cinco anos. Euforia marcada atravs do movi mento, da localizao na folha e do sorriso. A me da menina estava grvi da de gmeos e ela desenha uma figura com um vestido grande, de duas pontas (dois ventres) e as duas mos com caractersticas de dois bebs; no obstante, define-a como uma menina. Neste desenho evidencia-se umad) H.TP.CASO N. 30maior indiferenciao com o objeto idealizado-persecutrio-invejado, que a me grvida. A gestalt permanece, harmoniosa e h movimento expansivo.Caso n. 26: Menina de cinco anos. Evidencia-se a inflao do ego, fantasias de posse do objeto necessitado (seio-bolsa). Neste caso h uma maior negao da realidade, da carncia, e uma maior desorganizao da imagem corporal (em relao ao caso anterior). Evidencia-se limitao em sua capacidade de receber e de simbolizar (falta de mos, cabea truncada).Como expresso claramente simblica de sua necessidade de transfor mar o que sente como atacado e despedaado em bonito e frtil (negao e transformao no contrrio), vemos a flor saindo da cabea truncada.A possibilidade de apelar para defesas manacas, neste caso, mais rgida e falha, j que apela para uma negao das inibies e das carnciasreais. Na medida em que o objeto de identificao do ego foi mais danifi cado e atacado, menos harmnico e integrado como figura grfica.Caso n. 27: Expresso da necessidade de fantasiar com um ego rico, cheio de contedos e posses (defesa diante de ansiedades de empobreci mento e de carncia: a). Figura materna poderosa, enriquecida, forte: b.Caso n. 28: As caractersticas fundamentais so: figuras grandes, enfeita das e cheias de contedos (o vasinho com flores e as flores que saem da porta) nas quais se evidenciam, no entanto, o vazio, isto , a inflao de um ego vazio. O detalhe da galinha cacarejando manifesta sua necessidade de mostrar capacidade de criao (e um deslocamento do medo da gra videz materna).258 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVAS CASO N. 29OS TESTES GRFICOS259b) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas PessoasH.T.P. infantis1260 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS261CASO N. 31CASO N. 32: SEXO, FEMININO.Exemplos de adolescentesCasos n. 29, 30, 31: Nos dois primeiros casos h euforia e negao da problemtica atual (corporal, por exemplo) atravs de cabeas infantis simpticas e marotas.O terceiro caso uma caricatura burlesca do par: predominam aqui mecanismos inconscientes de desprezo e triunfo frente a ele, atravs de seu aspecto ridculo, desvalori e empobrecido. As caractersticas deci didas, confiantes e felizes que deseja dar sua produo (o par caminhan do para frente, sorridente e com a presena do Sol), esto contrap com as caractersticas fracas, pobres e atacadas dos objetos que conseguecriar.Defesas de controle obsessivoSob a denominao de defesas obsessivas encontramos, entre outras, o isolamento, a anulao e a formao reativa, cujo mecanismo dominante o anal-retentivo. E importante diferenciar o chamado controle onipoten te (que corresponde a defesas obsessivas patolgicas presentes em quadros latentemente psicticos), do controle obsessivo adaptativo.Na evoluo infantil, a vivncia do dano infligido ao objeto e a culpa e a dor por hav-lo destrudo, inerentes situao depressiva, trazem como conseqncia a inibio e o controle da agresso. Tal controle tempor finalidade preservar o objeto da prpria agresso e o ego do sofrimen to que implica aceitar a ambivalncia. No comeo da situao depressiva, o objeto ainda no pode ser reparado porque a quantidade de dio conti nua sendo intensa; o dano ao objeto no pode ser negado maniacamente, de forma total, porque o ego j conseguiu integrao suficiente e percebeu o dano. Surge, ento, como possibilidade de proteo e de cuidado do objeto, a preservao contra novos ataques: os mecanismos controlam o vnculo hostil com o objeto, previamente dissociado.Na evoluo normal, os mecanismos anal-retentivos atuam modifican do os mecanismos prvios, anal-expulsivos, de identificao projetiva excessiva. Marcam a possibilidade de reter, conter os impulsos e os sentimentos, permitindo, portanto, estabelecer a noo dos limites do ego. Permitem a discriminao entre dentro e fora, ego e objeto externo, ego e objeto interno, e mantm conexo com os aspectos projetados. Favorecem,b) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas Pessoasportanto, a noo de identidade, a ordenao temporal e espacial e o desenvolvimento do sentido de juzo de realidade. Os mecanismos de con trole, neste sentido (ordem versus caos; diferenciao-noo de limite cor poral e psicolgico versus indiferenciao e processos expulsivos) marcam o ponto de passagem da psicose e psicopatias para a neurose e adaptao.O controle obsessivo pode adquirir, contudo, caractersticas patol gicas correspondentes ao controle onipotente. Tende, ento, a estereoti par-se com caractersticas rgidas e excessivas, mecanismos de isolamento e de anulao. A ordem se transforma em meticulosidade exagerada, o ajuste realidade adquire caractersticas rgidas, ritualistas. O ego perde possibilidades de sentir e se empobrece. A finalidade j no preservar o objeto, e sim evitar a desintegrao do ego, o splitting. Os mecanismos obsessivos atuam, ento, como conteno de situaes de desintegrao psictica, confuso e indiscriminao.Diferenas entre o controle adaptativo e ocontrole onipotente nos testes grficosO controle adaptativo permite a realizao de desenhos nos quais se mani festa um bom ajuste realidade, quanto ao tamanho, localizao no espa o, discriminao mundo interno-mundo externo, gestalt mantida, organi zao coerente das partes no todo, correspondncia entre o objeto grfico e o objeto real, e harmonia.A passagem para o controle onipotente manifesta-se no teste grfico atravs de desenhos excessivamente estticos, imveis, despersonalizados:1) Desenhos empobrecidos, esvaziados, pelo predomnio de meca nismos de isolamento e de anulao. (Exemplos: Casos n. 1 e 2.)2) Reforo excessivo dos limites, sombreados ou riscos excessivos que trazem como conseqncia figuras sujas ou figuras rgidas e imveis. (Nas figuras humanas, quanto mais nos aproximamos de situaes psic ticas, maior o predomnio de figuras rgidas e vazias, expresso da des personalizao.)O desenho da casa e da rvore pode ser desordenado ou precariamen te organizado (casas-telhado, casas-fachada); ou mostrar aumento do super detalhismo (telhas do telhado, pedras no caminho, folhas nas rvores, etc.).Esse controle, na medida em que no adaptativo, fracassa; as figuras adquirem caractersticas incomuns e h desorganizao dagestalt. As pro dues grficas seguintes mostram uma seqncia de controle obsessivo patolgico neurtico a controle psictico. (Exemplos: Casos n. 32 a 36.)Caso n. 32: Mulher. Gestalt mantida, aspecto confivel; ndices de rigidez, controle excessivo de afetos; empobrecimento.262 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVAS CASO N. 33: SEXO, FEMININO.OS TESTES GRFICOS263CASO N. 34: SEXO, FEMININO.b) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas PessoasCaso n. 33: Mulher. Maior rigidez e desvitalizao, detalhes inade quados: amputao de mos, braos longos, transparncia.Caso n. 34: Mulher. Domina a desvitalizao, as figuras tm aspecto de bonecos sem vida (despersonalizao), e h alteraes da gestalt (rup tura do corpo, amputaes).Caso n. 35: Homem de quarenta anos. Excesso de controle em folhas e frutos, parapeitos, telhas. ndices de desorganizao na figura humana.Caso n. 36: Homem de 36 anos. Precaridade da casa, apesar do excesso de controle que se evidencia: a) nos sombreados; b) no contedo:um policial controlando.Exemplos de crianasCaso n. 3 (ver p. 220): Casa-telhado empobrecida.Caso n. 37: Menina de onze anos. Construo bizarra do corpo. Indices psicticos.Caso n. 38: Menino de onze anos. Isolamento extremo.Formao reativaResponde necessidade de manter uma dissociao entre o vnculo de amor e o vnculo agressivo estabelecidos com o objeto, reforando o pri meiro e mantendo o segundo sob controle. Apesar de estar baseada em uma relao bivalente (dissociao), corresponde, evolutivamente, aos ganhos da etapa depressiva. Supe uma preocupao pelo dano causado ao objoto e medo de no poder repar-lo: o ego fantasia, como defesa, que o dano acontecer no futuro se o objeto for atacado. Negando o dano j causado ao objeto, fica bloqueada a possibilidade de uma autntica repa rao; existem, contudo, sentimentos prprios da situao depressiva (preocupao pelo objeto, empatia com o sofrimento do objeto e desejos de preserv-lo). A aceitao da necessidade, da dependncia e do valor do objeto maior que no isolamento.Na evoluo, favorece o reforo dos limites e a modificao dos mecanismos expulsivos de ataque. Contudo, esto subjacentes ansiedades persecutrias (medo de enlouquecer, ser enlouquecido, desorganizar e ser desorganizado), relacionadas com a fantasia de assumir a agresso dissocia da, parte da ambivalncia. As formaes reativas adaptativas permitem o264 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 35: IDADE, 40 ANOS; SEXO, MASCULINO.OS TESTES GRFICOS265CASO N. 36: IDADE, 36 ANOS; SEXO, MASCULINO.d) H.T.P.d) H.TP.i266 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS267CASO N. 37: IDADE, 11 ANOS; SEXO, FEMININO.ajuste a normas sociais (horrios, cerimoniais, trabalho) que, por se opo rem ao princpio de prazer, poderiam despertar agresso ou rebeldia.Como mecanismo dominante na personalidade, d, conduta, um grau de constncia mais ou menos exagerado: busca de ordem, meticulosi dade, amabilidade permanente que leva a diversos graus de rigidez, dureza, falta de espontaneidade e de afetividade. O controle da agresso nunca total e implica uma luta permanente por parte do ego para manter a agres so dentro dos limites, determinando um considervel gasto de energia psquica.Formao reativa nos testes grficosPredomina a preocupao em conseguir desenhos ordenados, completos e prolixos. A atitude dominante a de meticulosidade e detalhismo. O medo da perda de controle sobre o objeto grfico (sobre a prpria agres so) promove a necessidade de rever, acertar e refazer partes do desenho j realizado. Isto traz como conseqncia (e, ao mesmo tempo, expressa) a dificuldade de desprender-se da produo (reteno), ao mesmo tempo que determina zonas sujas pelo que foi refeito (fracasso do controle). H uma grande preocupao pela simetria.Quando esta defesa parte de uma personalidade integrada e adapta da, dar como resultado produes grficas ordenadas, com boa localiza-CASO N. 38: IDADE, 11 ANOS; SEXO, MASCULINO.o espacial, discriminao de mundo interno e externo e discriminao de partes internas. medida que nos aproximamos de situaes mais patolgicas, a ordem se transforma em excesso de detalhismo, excessiva marcao dos limites com o exterior, rigidez, diminuio do ritmo e ndices de fracasso do controle atravs de zonas sujas, aspectos confusos, traos impulsi Vos, etc.Caractersticas das figuras humanas: figuras no agressivas, cuidado com a roupa, que no ser sedutora mas sim formal (roupa fechada, terno, gravata, etc.). O movimento corporal no existe ou est coartado (rigidez e tenso corporal), mostrando o controle imposto aos impulsos. Preocupa o pelos limites da figura. Localizao e tamanho mdios.b) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas Pessoasc) Teste da FamliaNa casa encontramos as caractersticas gerais anteriormente descritas acerca da ordem, preocupao pelas propores, detalhismo, etc.O controle se manifesta, alm disso, em casas-clich (chal com caminhos, rvores simtricas, flores de ambos os lados do caminho, etc.), no fechamento e hermetismo da casa. medida em que surgem caractersticas mais patolgicas e maior temor ao fracasso da defesa, reaparecem os ndices mencion4dos (sujeira na produo, etc.) e o detalhismo expresso em portas e janelas, telhas no telhado, meticulosidade exagerada (por exemplo, caminhos com pedri nhas), presena de cercas, etc.Arvore: preocupao com as conexes formais, predomnio de ele mentos arredondados (copa, terminao dos galhos), limite ntido no nvel da terra.O fracasso da defesa se evidencia em rvores com caractersticas muito impulsivas, discordantes da produo grfica anterior ou, pelo contrrio, no excessivo detalhismo: sombreado meticuloso no tronco, desenho das folhas, caractersticas gerais pesadas e endurecidas. (Exemplos: Casos n. 39aExemplos de crianasCaso n. 39: Menina de dez anos, e caso n.o 40: Menino de doze anos. Observamos no desenho livre o controle da impulsividade que se manifes ta na ordem, na simetria, no predomnio de linhas retas e no hermetismo da casa. O fracasso no controle da agresso se manifesta na relva em ponta (primeiro caso), e nas caractersticas impulsivas dos galhos da rvore e na relva da direita (segundo caso).O excesso de controle determina, no caso n. 40, traos de rigidez e de empobrecimento (limitao da criatividade), que se manifestam na dureza e na desconexo das figuras do teste da famlia, na pobreza e na solido da casa e, mais claramente, no desenho da rvore (necessidade de isolamento).268 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVAS CASO N. 39: IDADE, 10 ANOS; SEXO, FEMININO.OS TESTES GRFICOS2694.d) H.TJ.272 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS273CASO N. 42: IDADE, 23 ANOS; SEXO, FEMININO.O excesso de cQntrole evidencia-se na figura humana, coartada, quie ta, com preocupao pelos detalhes da roupa. Os elementos agressivos expressam-se no cabelo em ponta e no aspecto ridculo que d figura paterna no desenho da famflia.Caso n. 42: Mulher de 23 axios. Tentativas de controle na casa (telhado) discordantes com o claro predomnio da impulsividade no dese nho da rvore (traado, tipo de sombreado).Caso n. 43: Mulher de 33 anos. Apesar das tentativas de controle expressas nos aspectos formais do desenho, as caractersticas agressivas e dominantes se impem na figura feminina (expresso facial e braos e sapatos em ponta).IsolamentoO mecanismo de isolamento consiste na dissociao primria entre vnculos de amor e vnculos agressivos. Tende a confirm-la e mant evitando que os pares dissociados se unam na fantasia ou na realidade, pois tal unio significaria a desorganizao do ego, fantasiada como caos ou loucura. Corresponde a um reforo dos mecanismos de dissociao esquizide, sejaporque a marcha para a situao depressiva parou, ou por regresso. Dado que a fantasia defensiva dominante evitar a unio (vivida como cats trofe persecutria), est bloqueada a possibilidade de sntese e, com ela, a integrao do ego e do objeto. O temor unio dos pares dissociados cria a necessidade de manter uma distncia extrema em relao ao mundo externo (para evitar ser mobilizado emocionalmente) e a anestesia afetiva correspondente ao bloqueio. A patologia do mecanismo depende de sua intensidade e de seu grau-de predomnio. Pode ser adaptativo se seu uso for instrumental (por exemplo, manter a angstia isolada durante uma situao de estresse, na qual necessria uma conduta ativa e eficaz). mais primrio que a formao reativa, implica um marcado afasta mento afetivo e esta unido a fantasias de controle magico onipotente do objeto Apresenta se como defesa extrema em quadros pre psicotlcos, como controle de mecanismos de identificao projetiva excessiva (prote4 gendo, no caso, do perigo da desorganizao)d) H.TP.274 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOSIsolamento nos testes grficosCaractersticas formais da produo grfica:Desenhos pobres, frios, com poucos contedos, geralmente pequenos, com limites muito definidos e vazios. Esto sozinhos dentro da folha e, em alguns casos, enquadrados. O desenho livre pobre, retilneo, desarticula do, frio. Desenham-se, geralmente, objetos materiais.Caractersticas das figuras humanas1) Figuras com expresso que no revelam afeto, geralmente reduzidas ao desenho da cabea (costuma-se ver a cabea demarcada, como num retra to). Sem movimento, com maior ou menor grau de despersonalizao. Acentuao paranide do olhar. A cabea sempre enfatizada (controle intelectual), e pode aparecer como cabea de tipo capacete ou rob.O aumento da patologia do mecanismo se manifesta na acentuao do fechamento das figuras e no aumento de traos correspondentes a senti mentos de despersonalizao.2) A necessidade de manter isolados os vnculos hostis e afetuosos dissociados expressa-se pela criao de personagens antitticos (como, por exemplo, polcia e ladro: vejam-se os desenhos de dissociao).Desenho da casa: Casa fechada, pobre, isolada; no h nada em volta, faltam caminhos de acesso, as portas e janelas no existem, esto fechadas ou colocadas muito no alto.CASO N. 43: IDADE, 33 ANOS; SEXO, FEMININO.CASO N. 44: IDADE, 8 ANOS; SEXO, MASCULINO.275b) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas PessoasOS TESTES GRFICOS277c) Teste da FamliaQuando domina o medo do fracasso do mecanismo, o controle intensificado: excessos de fechaduras nas portas e nas janelas, cercas com aspecto agressivo (em ponta), ou incluso de molduras (racionalizando a produo Como se fossem quadros).Quando o isolamento a defesa dominante, so caractersticas acasa-telhado, a casa cercada, o forte, etc.rvore: s, isolada, cercada. Sem contedos, pouca folhagem. Desco flexo do tronco com os galhos ou ausncia de galhos. Podem ser produzi das rvores isoladas sem copa, com o tronco e os galhos em ponta (agressi vas) voltados para fora. (Exemplos: Casos n. 3, 1, 44 a 49.)Caso n. 3: Menina de cinco anos e cinco meses. Desenho da casa. Pobreza de contedos, fechamento excessivo, solido, falta de coisas em volta, falta de acessos. O isolamento tem por finalidade, neste caso, man ter a unidade, por medo da desintegrao psictica. (Veja-se o desenho livre do mesmo caso na parte de identificao projetiva excessiva e de mecanismos de splitting.)Caso n. 1 (veja-se identificao projetiva): Menina de cinco anos e cinco meses. Mantm as mesmas caractersticas do caso anterior quanto pobreza de contedos, solido e falta de afetos; casa-telhado. Expressa, na rvore, a sua necessidade de manter uma atitude agressiva-defensiva frente ao mundo para evitar a introjeo desorganizadora.Caso n. 44: Menino de oito anos. Reaparecem na casa as caracters ticas mencionadas. As figuras humanas mostram-se paralisadas, vazias, comaspecto de bonecos (espantalhos).276 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 45: IDADE, 8 ANOS; SEXO, MASCULINO.L4!!1b) Teste das Duas Pessoas278 O PROCESS PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS279CASO N. 46: IDADE, 36 ANOS; SEXO, MASCULINO.Nos casos seguintes est expresso o isolamento atravs do enquadra mento das figuras humanas (retratos) ou das divises arbitrrias de zonas do desenho.Caso n. 45: Menino de oito anos. Casa fechada, noes inadequadas de perspectiva e de racionalizao do enquadramento (grave inadaptao realidade).Caso n. 46: Adulto, homem de 36 anos. Expressa-se aqui a necessi dade de manter isolados dois aspectos dissociados da personalidade, de forma rgida e infantil.Caso n. 47: Homem de 23 anos. Exemplifica dissociao e isola mento de dois aspectos da personalidade. (O controle paranide est enfa tizado e a produo apresenta, alm disso, caractersticas homossexuais.)Caso n. 48: Menino de oito anos e caso n. 49: Menina de nove anos, O isolamento se expressa pela criao de linhas divisrias rgidas que mantm os personagens separados entre si e do mundo externo.CASO N. 47: IDADE, 23 ANOS; SEXO, MASCULINO.AnulaoApia-se no mecanismo de dissociao e, como os outros mecanismos obsessivos, controla o vnculo agressivo com o objeto. Apela para fanta sias mgico-onipotentes muito intensas, cujo contedo que uma fantasia boa ou um ato bom podem apagar, anular, outra fantasia ou ato agressivo prvio. Ambos os vnculos esto simultaneamente presentes, ou podem se apresentar sucessivamente no tempo, no surgindo conflito graas fantasia onipotente de anulao, intensidade e rigidez dosb) Teste das Duas Pessoasb) Teste das Duas Pessoasmecanismos de dissociao e de isolamento. A anulao, na medida em que evita a integrao depressiva do objeto e refora a dissociao, ataca a capacidade de sntese. Corresponde a nveis primitivos, baseados na oni potncia e na magia do pensamento e da ao. Consome grande energia psquica, j que o aspecto perigoso do vnculo impe-se ao ego de forma constante.Numa personalidade adaptada costuma se apresentar sob a forma de pedido de perdo ou de desculpas. Como mecanismo dominante corres ponde a situaes muito patolgicas, personalidades pr-psicticas, neuro ses obsessivas graves ou psicopatias. Traz consigo um empobrecimento, tanto afetivo quanto intelectual. Significa uma tentativa de manter, rigida mente, os mecanismos de dissociao esquizide.Mecanismos de anulao nos testes grficosAnular implica apagar, tapar, e isto se expressa nos desenhos atravs de certas condutas concretas:1) Necessidade permanente de apagar o desenho j realizado ou algumas de suas partes.2) Borrar e sujar (racionalizando sombreado) partes ou zonas.3) Desenhar sobre um objeto grfico j realizado, ocultando-o.4) Riscar figuras.A tentativa de limpar, ordenar e polir o desenho geralmente no tem sucesso e aparecem desenhos sujos ou borrados.As evidncias grficas mais claras do fracasso das tentativas de anula o correspondem aos casos em que o objeto anulado somente riscado ou mal apagado, de maneira que permanece graficamente presente.280 O PROCESSO PSICODIAGNSTIcO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 48: IDADE, 8 ANOS;SEXO, MASCULINO.OS TESTES GRFICOS281CASO N. 49: IDADE, 9 ANOS; SEXO, FEMININO.a) Desenho Livreb) Teste das Duas Pessoas284 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASBonito amar, bonito querer, bonito que teus lbios se unam com os meus e trans borde de amor. puro como esse amor que sinto, bom como o pensamento de uma criana, suaves lbios de veludo. Amor, amor o que sinto.A anulao pode se dar entre o objeto grfico e a verbalizao corres pondente.Caso n. 50: Menina de dez anos, a) Apagamentos freqentes (uma cara oval esquerda da mulher, os braos desta e a cabea na figura pater na). b) O aspecto pouco protetor, retrado, sem afeto, distante, atribudo graficamente me, e os caracteres fracos e ausentes atribudos figura paterna se anulam na produo verbal, onde se destaca o aspecto bondoso e emptico dos pais.Caso n. 51: Mulher de trinta anos. A anulao manifesta-se de for ma semelhante ao caso anterior, tanto no aspecto grfico quanto na rela o das figuras (desorganizadas, paranides e infantis) com a verbalizao (figuras adultas, transbordantes de amor e de tentativas de unio).Caso n. 52: Anulao verbal da agressividade registrada grafica mente. Anulao com caractersticas psicticas, pelo grau de negao implicado.Mecanismo de regresso /A regresso a reatualizao de vnculos objetais correspondentes a mo mentos evolutivos j superados no desenvolvimento individual. O ego fraqueja frente a situaes atuais que no pode resolver e apela para moda lidades de-relao mais primitivas do ponto de vista evolutivo, que foram, em seu momento, eficazes para manter o equilbrio.A regresso pode implicar uma modificao estrutural da personali dade (que se reorganiza, ento, num nvel mais primrio), ou pode se limi tar a afetar determinados vnculos ou funes. (Por exemplo: reativao da dependncia limitada a figuras paternas, diferentemente de uma regres so total atitude oral-receptiva-passiva infantil.)Como mecanismo normal expressa-se cotidianamente no dormir e no sonhar; evolutivamente a regresso est unida necessidade de progresso, j que a evoluo nunca linear, mas se processa atravs de pequenas regresses ao estado intermedirio anterior.Tais processos se apresentam como conseqncia natural de situaes dolorosas, chegando a ser indispensveis para sua elaborao. (Por exem plo: em situaes de luto a reatualizao de atitudes oral-receptivas, a reativao da dependncia e o corte transitrio com o mundo externo implicam processos de regresso indispensveis para a consecuo de um bom desprendimento do objeto perdido.)OS TESTES GRFICOS CASO N. 52Este par estava namorando e no outro dia iam se casar.285Quando a regresso se coloca a servio do ego, torna possvel a cone xo com fantasias inconscientes que o favorecem e enriquecem, consti tuindo a base dos processos criativos.A regresso patolgica implica uma regresso estrutural, reversvel ou no, a pontos disposicionais perturbados no desenvolvimento. H. Sega!:Na doena psquica produz-se sempre uma regresso a fases do desenvo! vimento nas quais estavam presentes perturbaes patolgicas, que criaram bloqueios e constituram pontos de fixao.Na tarefa psicodiagnstica interessa-nos determinar quais as possibili dades de regresso, quais as possveis situaes tensionais desencadeantes e o nvel de organizao (neurtica ou psictica) a que essa regresso levar.b) Teste das Duas Pessoas286O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 53: IDADE, 28 ANOS; SEXO, MASCULINO.1) Atravs da anlise da seqncia de desenhos:a) Reativao de caractersticas mais regressivas e uma progressiva desorganizao na seqncia dos testes grficos (por exemplo, maior desor ganizao no H.T.P. que no par ou desorganizao progressiva na figura humana-casa-rvore).b) Incremento e exacerbao progressiva do controle obsessivo (reforo, superdetalhismo, etc.), unido a um maior empobrecimento e confuso do objeto conseguido.2) Atravs de elementos de um mesmo desenho (figura humana, por exemplo, ou asa):a) Presena de zonas rompidas, destrudas ou arbitrrias, raras. (Por exemplo, casas em runas, com rupturaS.)OS TESTES GRFICOSb) Teste das Duas Pessoas287b) Perdas de equilbrio: figura humana, casa ou rvore caindo ou em perigo de serem derrubadas.3) Pela direo do movimento das figuras (para a esquerda ou para baixo, pendente).(Exemplos: Casos n. 53 a 56. Veja-se novamente caso n. 4.)No caso n. 4, o par apresenta ndices de desorganizao nas zonas abertas, rigidez postura! e expresso de pnico. Contudo, as caractersticas humanas esto mantidas. No H.T.P. a figura do homem d claros indcios de regresso em relao anterior (dificuldade em dar-lhe um aspecto humano, confuso de traos, homem estirado, sem foras, morto, expressa a claudicao do ego).1a) Desenho LivreA regresso nos testes grficosOS TESTES GRFICOS289Caso n. 53: Homem de 28 anos. Desenho livre-teste das duas pes soas: o desenho livre expressa competio e necessidade de satisfazer ten dncias exibicionistas de poder e de masculinidade dentro de limites for mais adaptados. O par indica o fracasso do deslocamento e a necessidade de apelar ao exibicionismo sexual direto.Caso n. 54: Menino de oito anos. Na seqncia e num mesmo dese nho. Neste caso, existe a possibilidade de regresso a situaes psicticas:a) Na seqncia, a casa conserva as caractersticas formais, a rvore indica intenso isolamento e construes agressivas estranhas (parte supe rior) que culminam numa figura humana com caractersticas monstruosas, persecutrias e detalhes bizarros (cabelo, orelhas, detalhes dos dentes).b) Tomando o primeiro desenho da seqncia (a casa), os ndices de processos de desintegrao evidenciam-se nas rupturas das paredes, janelase portas e no crescimento de uma planta no telhado (detalhe psictico).a) Desenho Livre290 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNiCAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS291CASO N. 55: IDADE, 24 ANOS; SEXO, FEMININO.Caso n. 55: Mulher de 24 anos. Casa-fachada, perigo de desmoro namento da construo.Caso n. 56: Menino de doze anos. Casa em runas rupturas.DeslocamentoA necessidade de dissociar o vnculo agressivo do vnculo amoroso com o objeto subjacente a esse mecanismo. As caractersticas persecutrias atri budas ao objeto externo odiado so transferidas (deslocadas) para outroCASO N. 56: IDADE, 12 ANOS; SEXO, MASCULINO.ou outros objetos externos que passam a ser temidos e evitados enquanto depositrios de fantasias agressivas.Este o mecanismo latente das fobias. Freud estudou-o pela primei ra vez no caso do pequeno Hans; nele, as fantasias terrorficas a respeito da relao com o pai foram deslocadas para os cavalos. O deslocamento tem como finalidade proteger o vnculo externo necessitado, situando o temor (e, de modo latente, o dio) em outros, no to necessitados, que podem ser evitados e odiados e por cuja perda no se sofre. Isto alivia o ego do perigo e da dor, permitindo-lhe situar impulsos (de morder, afogar, invadir, etc.) e partes corporais (dentes, genitais, etc.) no objeto externo (identificao projetiva).Na evoluo normal o deslocamento est presente nos processos de generalizao e de formao de smbolos.Quando indica detalhes mnimos, um mecanismo tpico de tcnicas, obsessivas; a preocupao concentra-se em aspectos ou detalhes no essen ciais da realidade, mas sobre os quais foram deslocadas situaes vinculares emocionalmente carregadas.Tal o deslocamento de baixo para cima, que corresponde a uma necessidade de situar na parte superior do corpo conflitos relativos s fun es e aos rgos genitais. Este tipo de deslocamento pode estar presente em converses histericas (por exemplo, equao garganta vagina) ou em conflitos referidos ao rendimento intelectual (equao potncia intelectual com potncia sexual ou com posse de um pnis)d) H.TP.d) H.T.P.292 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 57: IDADE, 7 ANOS; SEXO, FEMININO.b) Teste das Duas PessoasDeslocamento nos testes grficosO que deslocado varia de um caso para o outro, sendo, em termos gerais, um vnculo conflitivo com o objeto necessitado no qual est con tida sempre uma funo, uma parte corporal, ou um impulso vivido como perigoso. Expressa-se graficamente na:1) Necessidade de adicionar um novo objeto depositrio e simboliza- dor do vnculo. (Exemplo: Caso n. 57.)2) Localizao da situao conflitiva em objetos acessrios do dese nho, no fundo ou na decorao do objeto grfico solicitado pela instruo. (Exemplo: Casos n. 58 e 59.)3) Figura humana. Localizao da situao conflitiva em zonas cor porais no conflitivas (por exemplo, preocupao pela potncia sexual deslocada no desenho para a gravata ou para o nariz) ou em detalhes da roupa. (Exemplo: Caso n. 60.)Caso n. 57: Menina de sete anos. a) A agresso com caractersticas cabalsticas est deslocada para a figura do cachorro com os dentes marca dos. As figuras humanas tm as bocas fechadas e sorridentes. b) A preo cupao e a necessidade de contato oral nutritivo com a me se expressa nos bolsos-seios do avental, e, em compensao, anula (no faz) os seios na figura feminina adulta.Caso n. 58: Menina de sete anos que apresenta sintomas de depres so durante a gravidez de sua me. Na figura feminina (uma me) est294 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TL PROJETIVASOS TESTES GRFICOS295remarcada a cintura pequena e a zona do ventre aparece riscada como tentativa de anulao e negao da situao de gravidez.O conhecimento da gravidez est simbolizado e deslocado:1) Fundamentalmente para o esquilinho do buraco da rvore.2) Na carteira, o desejo de fazer o beb cair.3) Deslocamento corporal de baixo para cima: elementos decorati vos adicionados (lao, anis, colar).Caso n. 59: Menino de sete anos. Fantasia de pnis dentro da vagina situada na rvore. Desenha primeiro uma ma com um cabinho e trans forma-a depois numa rvore. Junto com o mecanismo de deslocamento manifesta-se a anulao.Caso n. 60: Menina de nove anos. Desejo de crescer e de possuir um corpo capaz de ter filhos e formas femininas (seios). Aparece no desenho:a) Nas mangas volumosas (deslocamento para cima do desejo de ter seios).b) Na preocupao por seus genitais e por suas possibilidades pro criativas (simbolizadas e deslocadas no corao e nas flores do vestido).Veja-se caso n. 6 em Identificao Projetiva Indutora: evidencia-se preocupao pela impotncia sexual expressa na superacentuao do nariz e da gravata.RepressoManifesta-se, fenomenicamente, como lacunas no pensar, sentir ou ver balizar. o esquecimento no intencional de fatos, fantasias, ocorridos na realidade externa ou interna. Implica a necessidade de manter dissociados (esquecidos) aspectos do vnculo objetal vividos como conflituais ou perigosos.Est relacionado, em parte, com o mecanismo de negao (responde fantasia necessito no conhecer tal aspecto meu e do objeto; se no o conheo, no existe). Supe o mecanismo de dissociao, embora seja mais evoludo e adaptativo que a dissociao.Dentro da teoria kleiniana, na evoluo normal a represso herdeira do mecanismo de dissociao e torna-se possvel como resultado da elabo rao da etapa depressiva.A represso como mecanismo adaptativo marca a possibilidade de cli vagem entre as fantasias e entre a vida consciente e inconsciente. Tal cliva gem no se refere a uma diviso rgida e irreversvel, mas sim a uma mem brana permevel, porosa, que, embora possibilite a separao de ambos os aspectos da realidade psquica, permite ao ego conectar-se com fantasias ou recordaes funcionalmente reprimidas.CASO N. 59: IDADE, 7 ANOS; SEXO, FEMININO.CASO N. 60: IDADE, 9 ANOS; SEXO, FEMININO.d) H.T.P.a) Desenho Livre296 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS297Como mecanismo adaptativo, mantm operativamente dissociadas as fantasias inconscientes, que so mobilizadas frente a qualquer contato com os objetos e situaes externas; se fossem totalmente conscientes, impossibilitariam o contato com a realidade. Favorece o bom funciona mento psquico mediante o esquecimento do trivial, do acessrio e do secundrio.Como mecanismo neurtico, funciona como um dique de conten o, provocando empobrecimento e bloqueio. H. Segal se refere s causas de tal rigidez: Se a dissociao inicial foi excessiva, a represso posterior ser de excessiva rigidez neurtica. Quando a ciso inicial foi menos severa, a represso lesar menos o sujeito e o inconsciente estar em melhor comu nicao com a mente consciente.A represso empobrece o ego, na medida em que o limita em suas funes mnmicas e perceptivas (para evitar a recordao do vnculo temi do o sujeilo necessita no ver aqueles aspectos da realidade e dos obje tos externos que poderiam fazer recordar ou despertar os impulsos e as necessidades reprimidas). E um mecanismo mudo que se expressa mais pela falta de (recordaes, afetos, etc.), do que pelo reforo de determi nadas condutas. (Por exemplo: A formao reativa implica uma necessi dade permanente de reforar o vnculo amoroso para controlar o vnculo hostil na relao ambivalente com o objeto. Na represso, o conflito ambi valente resolve-se pela ausncia de afeto, indiferena.)A PraaA m de Lus, Maria, todas as tardes, depois de almoar, leva seu filho praa, para ele tomar um pouco de ar e sol.Seu filho, enquanto brinca, ela tricota para o prximo beb.s vezes, quando se cansa de costurar ou tricotar, ento os dois correm juntos pela praa com sua bola de vrias cores.A represso nos testes grficosDado o nvel avanado a que corresponde o mecanismo de represso, supe um grau de boa organizao da personalidade e, portanto, do esque ma corporal.As figuras humanas so completas e harmnicas, com localizao espacial e tamanho adequados. A gestalt est conservada. De acordo com a intensidade da represso, pode aparecer pobreza de contedos e aspecto rgido (falta de movimento ou movimento coartado). Figuras harmoniosas e agradveis com baixa sexualizao.A preocupao e a luta contra tendncias exibicionistas e erotismo corporal se evidenciam em:a) Figuras harmoniosas mas no sexuais, muito vestidas, tapadas (pouca preocupao pelos detalhes da roupa).b) Falta de traos sexuais secundrios, cortes marcados na cintura, corte da figura a nvel genital ou tronco solto. nfase na cabea, cabelo e olhos.CASO N. 61: IDADE, 17 ANOS; SEXO, FEMININO.b) Teste das Duas PessoasOS TESTES GRFICOS299O Destino a histria de duas irms que foram separadas quando eram pequenas, por causa da morte de sua me. Seu pai achou razovel a idia de mandar cada uma a uma tia e assim transcorreram os anos sem que voltassem a se ver.Virgnia fez arte cnica e, devido a seu grande talento, no tardou em converter-se em uma figura de fama mundial. Por seu lado, Maria Jos inclinou-se por advocacia, adqui rindo, rapidamente, grande renome por sua sagacidade e perspiccia, e, sobretudo, por sua honestidade.Certa vez, durante um de seus giros costumeiros, Virgnia se viu implicada acidental mente num assassinato; ento, ao ter que escolher um advogado de defesa, seu repre sentante artstico lhe aconselhou contratar uma jovem advogada cujo prestgio era reconhecido por todos.E assim, por capricho do destino, que as duas irms se encontram e, quando Maria Jos prova a inocncia de Virgnia, ambas iniciam uma nova vida juntas.c) Expresso dif eta do conflito atraves de figuras humanas antiteti cas quanto ao exibiciomsmo (bailarina, mulher sedutora, etc e figura vestida, tapada)d) A dissociao pode se manifestar entre a realizao grafica e a verbal Por exemplo figuras muito sedutoras e exibicionistas e escotomizao destas caracteristicas centrais na verbalizaoA intensidade ou grau da represso pode se manifestar em:a) Figuras rgidas. e coartadas em seus movimentos.b) Figuras pobres quanto a contedos.c) Distncia entre os pares dissociados quando estes aparecem dese nhados.No desenho da casa e da rvore, mantm-se como caractersticas gerais: boa organizao gestltica, relao de partes, tamanho e localizao espacial adequados, caractersticas harmnicas. Vazio e pobreza de con tedos variveis de acordo com o grau de rigidez e de controle da defesa.Na construo da casa predomina a preocupao com as janelas,ainda que o aspecto geral seja fechado.Caso n. 61: Adolescente, mulher, 17 anos; caso n. 62: Adolescen te, mulher, 16 anos; caso n. 63: Adulto, mulher, 36 anos; caso n. 64:Adolescente, mulher, 17 anos; caso n. 65: Adulto, mulher, 28 anos.Observa-se uma gradao na intensidade do mecanismo ao longo da seqncia dos casos. So figuras inteiras, harmoniosas, com certo grau de beleza, mas dureza de movimento nfase no contorno corporal, com pou cos detalhes na roupa e falta de traos sexuais secundarios300 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS301CASO N. 63: IDADE, 36 ANOS; SEXO, FEMININO.Respira com ansiedade. Ri e me diz que quando lhe dei a instruo pensou em fazer um desenho onde pudesse me enganar ao mximo, mas que vai fazer o que sair. Pergunta-me: Desenho qualquer sexo? Apesar de ser desenhista no vai sair bom por que sempre precisei de um modelo para desenhar.Faz primeiro o desenho da figura feminina, suspira com grande freqncia e faz um gesto de desgosto. Ao finalizar me diz: uma figura muito esttica, lhe faz falta agir.A rigidez e a pobreza de contedos torna-se mais evidente nos casos OS 63, 64 e 65. No caso 63 as cabeas esto cortadas e o homem com omovimento claramente coartado.No caso 64, embora a gestalt seja mantida, o vazio, a pobreza e a rigi dez so muito mais marcados. A figura pouco harmoniosa. Maior desper sonalizao e traos paranides.A verbalizao no caso 62 mostra claramente a dissociao entre os desejos exibicionistas culposos e os aspectos superegicos atribudos a duas pessoas, duas partes dissociadas da pessoa.Caso n. 66: Intensa necessidade de exibicionismo corporal, negada na verbalizao e deslocada para caractersticas femininas maternas.Conduta observada no teste de Machoverb) Teste das Duas Pessoas302 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASOS TESTES GRFICOS303CASO N. 64: IDADE, 17 ANOS; SEXO, FEMININO.Inibio ou restrio do egoManifesta-se como impotncia ou dficit de uma ou mais funes do ego. (No ver, no ouvir, no aprender, etc.) Diferentemente da converso, no apresenta sintomas, mas sim restrio ou ausncia de uma funo.b) Teste das Duas PessoasA funo ou conduta inibida torna-se perigosa por estar ligada reali zao de fantasias agressivas (equao simblica). Evita-se o perigo fanta siado, anulando ou restringindo a funo ligada a estas fantasias.A inibio surge como defesa frente a ansiedades paranides e depres sivas.OS TESTES GRFICOS305Diziam que ela era bruxa. Cobria-se com um manto negro, desde o pescoo at os ps. N se via sua cara, estava sempre coberta pelo seu cabelo. Um dia uma rajada de vento despojou-a de seu manto; seus cabelos eram mais longos ainda do que podia parecer e envolta neles levava uma criana. Seu corpo era gracioso. N era uma bruxa!Frente a ansiedades paranides expressa a necessidade de autocastra o, para evitar ataques retaliativos do objeto. (Por exemplo, se os ganhos intelectuais so vividos como triunfos sdicos sobre os pais, a capacidade intelectual se transforma em fonte de ansiedade e de conflito.) Inibir uma capacidade provoca sofrimento e impotncia, mas protege o ego de temo res mais primrios.A inibio se faz presente, da mesma forma, frente a ansiedadesdepressivas. As fantasias subjacentes so tambm de agresso ao objeto,CASO N. 66b) Teste das Duas Pessoas306O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASCASO N. 67: IDADE, 7 ANOS; SEXO, MASCULINO.mas acentuado o medo de danific-lo e a inibio tem a finalidade de proteg-lo.A inibio ou restrio do ego refere-se no s limitao de uma funo que potencialmente poderia se desenvolver, como tambm a um empobrecimento e uma diminuio geral do ritmo das funes egicas (percepo, motricidade, ritmo associativo, etc.), e costuma acompanhar os estados depressivos. Resulta de introjees patolgicas do objeto (intro jeo de objetos danificados, mortos ou agonizantes, com os quais o ego fica identificado).Sua manifestao nos testes grficosFiguras humanas. A vivncia de impotncia e inadequao expressa.se atra vs de: a) figuras pequenas e fracas; b) trao fraco; c) amputaes ou castraes das zonas corporais conflituais ou relacionadas com as funes conflitivas. Isto varia de acordo com o tipo de inibio. (Por exemplo, nas inibies intelectuais so caracteristicas a cabea quadrada, o cabelo tipo capacete, com aspecto de rob ou muito sombreado.)Caso n. 67: Menino de sete anos, com problemas de aprendizagem.Cabelo tipo bon, sombreado, e vivncia de castrao na amputao dasmos, sombreado da cala e reforo compensatrio da gravata.d) A inibio se expressa por reforo ou pelo tratamento especial de zonas ou, pelo contrrio, pela ausncia de zonas (mos, ps, por exemplo);c) Teste da Famz7ia308 O PROCESSO PSICODIAGNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASexpressa-se, tambm, por impotncias verbalizadas pelo sujeito durante a produo (no sabe, no pode realizar tal ou tal aspecto do desenho, ou no pode desenhar).e) A inibio, como mecanismo mais abrangente da personalidade, expressa atravs de figuras fracas, inseguras, pequenas, sem mos, ou figuras de pessoas encostadas ou sentadas, como expresso de baixa vitali dade e de fraqueza do ego. (Com exceo das pessoas com impedimento fsico real, aleijadas, em cujo caso ndice de boa aceitao de sua situa o. Ex.: Caso n. 68.)Na casa e na rvore predominam as caractersticas gerais de pequenez, pobreza de contedos; a casa rudimentar, solitria e pequena. A rvore pobre, com pouca folhagem, sem frutos, com desconexes de partes ou zonas importantes.As caractersticas dadas anteriormente correspondem expresso direta da inibio como defesa. Contudo, o material grfico pode registrar a fantasia onipotente agressiva de triunfo, que motiva, na conduta mani festa, a inibio como sintoma e defesa.SublimaoA sublimao, na teoria freudiana, a canalizao de impulsos instintivos para atividades criadoras, socialmente adaptadas, como resultado de um processo bem-sucedido de renncia a um fim instintivo.As abordagens da teoria kleiniana permitem vincular o conceito de sublimao s ansiedades e ganhos derivados da situao depressiva. A dor e o sofrimento pelos objetos queridos e valiosos, aos quais se teme haver destrudo, mobiliza impulsos reparatrios, de recriao dos objetos inter nos e externos, que constituem a base da criatividade e da sublimao. H. Sega! se refere a esse momento da situao depressiva: A nsia de recriar seus objetos perdidos impulsiona o beb a juntar o que despedaou, a reconstruir o destrudo, a recriar e a criar. Ao mesmo tempo, o desejo de proteger seus objetos leva-o a sublimar os impulsos que sente como destru tivos. Deste modo, a preocupao pelo objeto muda os fins instintivos e produz uma inibio dos impulsos instintivos. Referindo-se ao conceito de Freud de que a sublimao o resultado de uma renncia bem-sucedida a um fim instintivo, afirma: .. . s atravs de um processo de luto pode--se produzir uma renncia bem-sucedida. A renncia a um fim instintivo, ou a um objeto, uma repetio e, ao mesmo tempo, uma revivncia da renncia ao seio. Como nesta primeira situao, tem xito se o objeto a que deve renunciar pode ser assimilado pelo ego, graas a um processo de perda e de recuperao internas. Eu sugiro que um objeto assimilado deste modo converte-se num smbolo dentro do ego..OS TESTES GRFICOSA possibilidade de sublimar supe a capacidade de reparao, e est em relao direta com ela, na medida em que se prope a proteger o objeto de novos ataques hostis e a repar-lo pelos danos que j sofreu. A sublimao , em si mesma, um trabalho de reparao, que implica um vnculo de amor com um objeto total e se expressa atravs da criatividade, da capacidade de realizar e de se auto-reparar.Sublimao nos testes grficosA necessidade de desenhar aparece, evolutivamente, como uma tentativa de recriao e de reparao dos objetos. Assim como as primeiras palavras recriam o objeto interno e o tornam independente do externo, o desenho responde, da mesma forma, necessidade de recriao dos primeiro obje tos. Quando pedimos a um entrevistado que produza um desenho, estamos aproximando-o de uma tarefa de criao, ou de recriao, de um objeto, de uma tarefa reparatria. Sua produo mostrar-nos- tanto as ansiedades, as dificuldades ou as preocupaes que se mobilizam nele frente repara o, como o estado de seus objetos internos e de seu ego (inteiros, despe daados, parcializados, etc.).Na medida em que sublimao e reparao esto indissoluvelmente unidas, o grau de desenvolvimento da capacidade sublima tria se expressa ria: 1) na disposio, atitude e modalidade com que o entrevistado enfren ta a tarefa projetiva (ansiedades e defesas frente recriao), e 2) no aspecto inteiro, slido, harmonioso (reparado), ou, pelo contrrio, des trudo do objeto grfico.1) Referimo-nos s expectativas do sujeito quanto sua capacidade reparatria; neste sentido, poderamos diferenciar:a) Atitude depressiva adaptativa, preocupao em realizar a tarefa adequadamente, clima emocional de introspeco, capacidade de autocr tica, valorizao adequada.b) Diferentes tipos de condutas desajustadas, indicadoras de confli tos que interferem na consecuo de uma autntica reparao: referncias inabilidade e ao medo de realizar a tarefa, autocrtica exagerada (medo de no contar com recursos reparatrios); incapacidade de desprender-se do objeto grfico, que vivido como permanentemente incompleto, no terminado (tendncia reparatria em luta com impulsos hostis); necessi dade de sair da tarefa rapidamente, evitando todo contato afetivo depressivo (evitao de ansiedades depressivas); entusiasmo exagerado, diverso, brincadeira (negao manaca).2) Referimo-nos s caractersticas que o objeto grfico terminado possui e que evidenciam o grau de reparao que o entrevistado conseguiu em relao a seus objetos e a seu ego.309310 O PROCESSO PSICODIA GNSTICO E AS TCNICAS PROJETIVASQuanto mais destrudo, despedaado, desarmnico um objeto, maior ser a quantidade de destrutividade e menor a capacidade para con seguir uma sntese depressiva adequada e para desenvolver capacidades sublimatrias. Como a sublimao o resultado da elaborao parcial ou total da situao depressiva, ela se expressa nos desenhos pelo grau de aproximao a objetos inteiros, integrados, harmnicos, adequadamente relacionados com o que h em volta, receptivos e protetores, etc.Critriosa) Gestalt mantida: Objetos grficos completos, inteiros, slidos, opostos a objetos destrudos, atacados. Ataques a todo o objeto ou a zonas circuns critas do mesmo. Atitude do sujeito entrevistado frente a estas (preocupa o em endireit-las, negao, etc.).b) Objetos totais ou parcializados: O objeto grfico obtido registra todo o objeto real ou partes do mesmo, e, neste caso, importa saber que partes do objeto so desenhadas e se correspondem a zonas corporais diferenciveis (cara-tronco).c) Diferenciao e conexo mundo interno-mundo externo: Atravs dos limites do desenho e do tipo de tratamento dos rgos de recepo e das zonas de contato com o mundo externo.d) Integrao das diferentes reas da personalidade (pensamento--afeto-ao). Tratamento balanceado, superacentuaes, omisses.e) Plasticidade e ritmo. Movimento harmnico ou rigidez, estereo tipia e coartao.BibliografiaOS TESTES GRFICOS311Hammer, Tests proyectivos grficos. Buenos Aires, Paids.Isaacs, Susan, in: M. Klein e outros, Desarroilos en psicoanlisis.Kanner, Leo, Psiquiatria infantil. Buenos Aires, Paids.Klein, M. Desarroilos en psicoandlisis. Buenos Aires, Horm.Contribuciones ai psicoanlisis. Buenos Aires, Horm.El psicoandlisis de nifios. Buenos Aires, Horm.Nuevas direcciones en psicoaniisis. Buenos Aires, Horm.Rabm e Haworth, Tcnicas proyectivas para niflos. Buenos Aires, Paids.Rodrigu, E., El contexto dei proceso psicoanaltico. Buenos Aires, Paids.Sega!, H., Introduccin a ia obra de M Klein. Buenos Aires, Paids.Um enfoque psicoanaltico de la esttica. In: M. Klein e outros, Nuevas direcciones en psicoaniisis. Buenos Aires, Horm.Abt e Bellak, Psicologa proyectiva. Buenos Aires, Paids.Anderson e Anderson, Tcnicas proyectivas dei diagnstico psicolgico. 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