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Revista Galileu - Mal.com - Edição 201 - Abril 2008

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Receitas de bomba, blogs anoréxicos, fóruns racistas, manuais suicidas. Mergulhamos no lado sombrio da internet para entender por que esse conteúdo se dissemina e como as comunidades “do mal” são combatidas.
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  • 1. g ; ET°, §<; '°D; >ET§; ,§§§IEg A INCRÍVEL HISTÓRIA : no H0; ; Eii ou:consrauru Uíizk FAZENDA u'.n:“wo 1›o PASSADÔ 2 EN NovA YORK E VIVEU , irPEí-LÉS no ("UE NELA PLANTOU E CRIOU@amemwwmgalileuglobommIHIHHII_ 1.14.l Comunidades de risco ii Estou com medo. m. 4 a r - " v ABRILZODB IN° 201 R$9,90/ * v f , '' A , k “ CJ' f] *Í ÉLÊ C -EE "Jd.~: A.f, .*. .'f: ).. :.É_ ÊÓÊ 'É Ê - . z. f / D-ç- _n_ _~__7_q“- f_E/ w r_ m? , r- (X fa:,h . Í -i., . ,521 wr_-i.Cí.'u -KCl/ IJ CL_ u ' u *J "í. /_____ câ_/ anorexia,:QÍT. ALNÍT'AÍ~. Í.C'A17'~Épedoñ ia, A: : racismo,i; .:: <7': ~_ÍN_; §a- o neonazismo, í:ódio entre torcidas e"ÍLCÍC "tirjço cf: : criminosou
  • 2. ,'71 V,I l u n *ira inspirada e inspiradora ifontar histórias inspiradoras.Este é urn dos traços I'M-mais nobres da mídia.e talvez um dos menos valorizados.Um médico bem-sttcedido que dedica uma tarde por semana a Cuidar,gratuitamente,de crianças com câncer.Uma escritora que.todo sábado,ensina jovens pobres a ler e a escrever numa favela.Uma celebridade que entretém regularmente idosos em asilos.Um astro de futebol que mantém um centro de treinamento no qual orienta meninos sem recursos.Casos dessa natureza,quando publicados,¡Jotlein levar o leitor a fazer também ele algo pglos menos favorecidos.e ajudar assim a construir um país e um mundo melhores. No mundo moderno.dá-se a isso o nome de retribuição social.É uma causa a que cada vez mais pesscas se entregam - e também empresas.Para citar apenas um caso.o Google.para muitos a empresa mais inovadora do mundo,e com certeza uma das mais admiradas,dedica uma verba anual de l bilhão de dólares para causas sociais. Retribuição social é uma causa cara a nós também.É essa a essência da segunda edição do Projeto Generosidade.Todas as revistas da Editora Globo.ate o final do ano,publicarão,cada qual de seu jeito e no seu universo,relatos de pessoas que retribuem à sociedade parte do que receberam. De gente que faz,socialmente.diferença,nas mais variadas areas.Mulheres e homens inspirados e inspiradores. Nossos _íornalistas,em todas as redações,estão empenhados em buscar e mostrar casos exemplares.No site wwweditoraglobocom. br/ generosidade você terá Lim espaço para contar alguma ou algumas histórias.Para conhecer e compartilhar experiências Participe conosco da jornada fascinante por um mundo de mãos estendidas para ajudar os menos favorecidos. 'Temos a esperança de que o Projeto Generosidade seja tão inspirador quanto as pessoas.as idéias e as ações que aparecerão nele. Paulo Nogueira Diretor Editorial. . DIRETOR GERAL Frederic Zoghaih Kathar i ¡/DIRETOR EDITORIAL Paulo NogueiraDlREYDR os MERCADO ANUNCIANTE Gi berro CaianaE ¡ ou DIRETOR DEASSINATURAS Slavros Frzngoiilitiis Nelii &ôso DIRETORA DE MARKEnNa Yara GYDHCY]DrREmRA : DrroRiAL ADJUNTA Cynthia de Almeida DIREYOR u:CRIAÇAO Saulo RibasDIRETOR OE REDAÇÃO:Hélio Gomes , ngan»›; .-. m., ~i. . iram Íll REDATOR-CHEFE:Edson FrancoEonORAssLsTENTE:Emiliano UroimREPÓRTERES:Fernanda Culavitu.Juliana Tiraboschl.Luiz Francisco A.Senne.Pablo Nogueira: nrroRA n:ARTE. - Luiircies R.Alves Salema DIAGRAMADDRES:Daniel das Neves e Fábio DiasOoLAnoRADoREs:Alexandre Rodrigues.Alice K.(revisão),Arthur Veríssimo.Carmen Kawano,Flávia Pegoiin.Leandro A.Ferreira.Marcelo Gleiser.Mariana Romão.Mark Lund.Reinaldo José Lopes.Ricardo Bonalume Neto,Tales TorragacARns A REDAcAo:lalves@edglobo. coni. brASSISTENTES DE REDAÇÃO:Samanta Suellen e ? tatiana da Silva Miranda PUBUCIDADEnlREtaRIA DE PuBucIOAnE canmAuzAoA:Eduardo Leite.Mauricio Arbex e Tica CunhaExcclnwos DE NEG6clcs: Arlete Sonnomlya.Edtardn Nogueira.LUIlSergio Siqueira,Marcelo Augusto Barbieri.Marcelo Henrique Doria.Megli Bertirrelli.Renato Frioli.Roberta K.Fairbanks Barbosa.Sandra Maciel.Simone Oilandl,Thais de Barros Elxili.Vlamir AderaldoOiREroRA DE PuauctDAnE DE SAO muto:Dilu Frevo HuthGEREHTES DE PUBLICIDADE DESAD PAULO:Alessandra Miguel I' Raquel EzequielDKECUTIVOS DE NEDOcIOs DE SAO PAULO:Carta Miranda Bove.Claudete Aznak.Cristiana Galloli.Eduardo Felix Racy,Marcia Marcarl..Marisa R.de Souza.Mauricio Amaral Einanuelli.Patricia Leal.Rosangela Fernandes e Wagner Jose' dos Santosatzcurwos DE NEGÓCIOS ONLINE:Fernando Monta.Maura vandromet e Ingrid VeroiieslDIRETOR DE ESCRITÓRIOS REGIONAIS:Marcelo Augisto BarbieriRio DEIANEIRO:Femanoa santa Hola ¡›; ›'F'll9l,Alessandra de Souza,Débora Rocha,Gabriel Souto,Fernando lapa e Vera Belni vt'lr*í. ttil. 'ir› m- nlwjikoál BRASILIA:Marcelo Novaesi -v BELO HORIZONTE:Juliane Silv : v DIRETOR DE PROJETOS ESPECIAIS.eginaldo AndradecooRoENAçAo DE PuaucIDADE:Jose' SoaresASSINATURASDIRETOR DE AssrNAruRA:Renata Barbosa Silva FilhoGERENTE DE ASSINAWRA VENDAS PESSOAIS:Rogerio Lopes e Rosemary Brito GERENTE DE TELEvENDAs Ativo:Eduardo CanovascooRDEuAçAo n:RsNovAcAa:Jussara TozakiCOORDENADOR DE VENDAS ONUNE:Gustavo GuissiGERENTE OE PROJETOS CORPDRATWOS:Milena de ! Anna MutaielllGERENTE DE ATENDIMENTO:Arlete Medina GrêãílíhMARKETYNGDIRETORA DE VENDAS AVULSAS E MARKETING LEITOR:Regina BLICCU cooRDENADORAs DE MARKETING:Maristela Foggi.Lígia Azenha. Elizangela Rodrigues de Souza e Katia HonorioDIRETORA DE EVENYOG E MARKETING PUBUCHARID:Isabel Porvinell OOORDENADORAS DE EVENTOS E MARKETING FIJBIJCUARIO:Bemaúete Machado e Paola MassaricooROENADoRA DE PESQUISA DE MERCADO:Dina oe Oliveira , na iipf* lí;r. ... ... .i, s. . .._. _.61mm O IIHI publlcoçia Initial Il¡ EDNORA 1.350 SA.- A Joanna'.1.585. Sin Plin(SPL DEF' - YUI.1.1 3767-7000. Cl - iptu A *mirim-nào G : voo . i '^ h:lomlttfn RuuJt-¡Ana Fort- Sioiam R0 O00, C| SVHVD lndustriul.»HumDisponivel oe segunda a sextaleira,das 8 às 20 horas,c:sabado,nas 9 às 15 horas.f › lntemet:wwwadIIoragIomcormDr/ &ileconosoo v São Paulo:11 3362-2000 - Demais localidades:4003-9393' › Fax::u 3766-3755 ' Custo de ligação local.Serviço nàonisponivel em tonto o Brasil Para saber da disponibilidade dci serviço em su;Clüdde.Consulte sua operadora local P IlJ _triuricz it lliíui : SF:11 376777700/3767-7500 RJ:21 338075924. email:putiilaaliloueodgooasmrtbr Para si.ííllflnktifrllíi* r com a RCÚJCAHZ Ends-recai cartas ao Diretor (leRedaçao,GALILEU.Caixa postal 66011. CEP 05315-999 e Sair Paulo.SP.Fax' 11 37677707 › MnallzgallleuétodnobosumbrAs Cartas devam ser encaminhadas com assinaruras,isncterecos e telefone oo ieiiiuteiitc.Galileu Iebbltkthe u ttireitu ue hcleiilonñrín§ e resumi-Ias para publicacao. Edições i-iiiiiiuies:0 pedido sora' atendido por ineio dolomalniro ao preço da edicao atual.desde que nara disponibilidade de estoque. Faca seu pedido na banca mai5 próxima.
  • 3. [a;1 INTERNETD0_i-: i¡; -.L. COi-. .›. Mergulhamos no lado mais sombrio da internet.Saiba como incentivos a anorexia,pornografia infantil,incitação à violência e à discriminação,manuais para criminosos e até estímulos ao suicídio são facilmente encontrados na redeF:Hp _fil 2- ANTROPOLOGIADIAS DE INDIONosso repórter passa uma.semana no interior do Maranhão ,*v com os índios guajás,os últimos "I _ ç e nômades do Brasil.i I i Descubra a história«_ ç desse povo,sua ¡ ›. “ “ l organização em I “ sociedade,seumodo de vida atual,como seus costumes estão sendo influenciadospelo contatocom o homem branco e comoeles ainda resistem a essas mudançasPaculm e sua fllha:a última geraçãode nômades do Brasil tenta se adaptarà agriculturamlz rl ; i8i4 24 ,26VIDA POR DENTRO 3 MUNDOS CIÊNCIA Cientistas ' Uma pesquisa A dança,Desvendamos usam a Teoria l canadense presenteem as verdades e da Evolução mostra como praticamente os mitos sobre para explicar os ingredientes todas as culturas,os adoçantes.por que a fé c o fazem do Big pode ser arte,Cientistas religião podem Mac uma das ritual religioso questionam o ser produtos da receitas mais ou uma fem-Ia i aquecimento biologia humana globalizadas de sedução ~ global Crítico gastronômico transforma seu quintal nova- iorquino em sítio e tenta sobreviver do que fo¡ criado e plantado por lá.Será que ele conseguiu? , rt-T''- r:,_ ,.g.- m Í u (Í u GEOLOGIA a i PANGEIA, ; J Como resolver o problema j i _ _ _l -de um bilhão de pessoas no Daql-"ã 250 m| ll1°95 de ~!,_ mundo que não têm acesso " BHD-S n°550 Planeta PQÚEa água potável?O livro /_Voltar 8 ter UI?ÚTHCO l* ,"Blue Planet Run" › *th* SUPEFCONUNEME- "E aponta caminhos ,Í I 5 ' Saiba como esse i_. ›_ ~processo já está bãá-ff» ^ acontecendo ç i nos dias de hoje AUMENT AÇÃO' ELA VIROU A ivuESAConheça a economista Luciana Quintão,que busca comida onde está sobrando e a distribui para quem precisa.A ONG Banco de Alimentos recolhe 44 toneladas de alimentos por mês8u. .. t1. ãhlilâlf_ _ _ ?I'M? l¡n kh li* ¡nuli-i¡nnnlhnhmynuuam-nun¡umu¡qnuiunnnuinuungnulnuIünniiuiuuinuuununnnun¡? mais iíirianludulnunwiulnllin, lannmmru,u : mil'à i3** 35 .Io MAIS SEM DUVIDA HORIZONTE-S (ou 05 momentos Sama como Marcelo Gleiser D livro '_'Creta" conta marcantes de i fundona o defende o usO de a historia de uma das Fuel Castro HE¡ a ardho cobaias em testes batalhas mais Infames C d 'H fp d S _ mama] queahumanídade cman ante ona or.era Presidíário Vira já V. ” se¡ travada |b d d' ~ ~ › -_ ,_F ,e CON SUMO Nosso viajante decifra demmll' 56° Smumellms Chocolate não Os mistérios do templo ÍEmPO dirá hümõñüs?é só para comer Abu Simbel,no EgitojtDcmc-mro pUQllEít', Am¡ Ecirii
  • 4. ' ; a “leste nosso oficio,nada se compara ao prazer de parirgrandes reportagens.Claroque uma bela capa ou umaboa sacada de edição (uma seção gostosa de ler do início ao ñm,por exemplo) trazem altas doses de satisfação.Mas não há sensação melhor do que bolar,apurar e contar uma história que apenas os cérebros mais sagazes seriann capazes _ de depurar.E não estou falando -“' ' - apenas de texto.Grandes reportagens só alcançam tal _ patamar se o seu visual r» i ' 3 - ' também superar expectativas._ ~ Veja só um pouco do queentregamos nesta edição. De Lim lado,a experiência inloco de Pablo Nogueira e do fotógrafo Domenico Pugliese.Dona de um faro jornalístico privilegiado,a dupla passou li l . i tIn loco:o antropólogo Uirá Felippe Garcia,Pablo Nogueira e Domenico PuglieseOnllne:Juliana e Emiliano v.~i uma semana na aldeia dos últimos indios nômades mergulham .. . , , . .ll' ' 3' do Brasil,os guaias,no Maranhao.Seu relato emocionante “a fede , uuuum Ja' achou os sumdas?(A . e revelador é um dos raros na imprensa brasileira sobre '.o que temos de mais genuíno em nosso País.Confesso que J 'l sempre Fico com um gosto amargo na boca ao ler algo sobre nossos indios em publicações gringas.Agora,estou certo de que isso não mais irá acontecer.Cumprimos nosso papel.Do outro,o mergulho virtual da dupla Juliana i.'Firaboschi e Entiliano Urbim,autora e editor da nossa matéria de capa.De certa forma,sua história sobre o lado sombrio cias redes de relacionamento na internet foi feita ¡“'*l' 'v tão “ao vivo" quanto à dos gua~ Que depre” jás.Corra até a página 41, leia o _,, , A ' l “j ' _ inicio do texto e entenda o que- " ' E bem assustador' Eles dlscutem_ na maior naturalidade.Mas vc ro dizer.Tudo a alguns poucos entende,né. .. são pessoas cheias cliques de distância. Achei,achei um fórum de discussão sobre métodos de suicídio. E tu entrou na conversa?=OPerguntei o melhor método.Já me deram "dicas".Sinistro. .. í de problemas,deprimidas etc.O sangue que _jorra em nossas w ' - › ' "i" l . : .veias está deñnitivantente 3*' '-1 I P_ Pic" T9 Wma' 9m** Nã° Va¡ 9"” contaminado pelo poderoso m? " * I ull r vinis da reportagem.Ainda bem y E” sei' e” Sei' Tá “'a"°°"°* que não há antídoto para ele.l _ _ j_ _ g n'Gomes BLZ.Nos falamos : -| l¡ . _¡ valeu e um abraço' Diretor de Redação "un-War Mam. . ma» .. l - hgomes@edglobo. com. bri? ) Domenico Pugíese
  • 5. l O E-MAlL:GALILEU@EDGLOBO. ÇOM. BR;ENDEREÇO:AVENIDA JAGUARÉ,1.485, 49 ANDAR,05346-902, SAO PAULO,SP;FAX (ll) 3767-7707 l I -Hvcig Á hs si' "ÊÍJÃUEIHDBHE “ll l DECIFRA-MComprei GAULEU pela primeira vez por causa da capa que promete decifrar os mistérios da série "Lost" [edição 200).Minha decepção não podia ter sido maior!Na minha opi- nião,nenhum mistériofoi deciirado.Absolutamente nada!Até no inicio da matéria,onde está escrito que ela contém revelações sobre a quarta temporada,eu nãoconsegui ver revelação alguma.l-“iquei totalmente decepcionada com a reportagem e achei que a capa foi somente para induzir as pessoas que gostam da série a comprar a revista. Helena Kramer,poreema/ lMuito boa a edição sobre "Lost".Vocês explicaram alguns dos fenô- menos da forma como eu acho que vão realmente ser explorados na série da TVque eu tanto gosto.Adorei a matéria.Continuem fazendo mais desse estilo.Valeu. Jorge de Lima,São Paulo,5PCapinha caça-níquelessa,hein?A reportagem foi decepcionante,mas,como eu não sou umleitor pseudo- CI íiico-i I idld'Ll ialu-pé-ritrsaco,eu vou continuar comprando a revista porque ela é simplesmente a melhor.Thiago C outinho Da Silva,por e-mail _, . ,¡qlNA VEIAAchei muito interessa nte a matéria da Edição 200, página 38, na seção "Sem Resposta".Torço para qi ie ns cientistas encontrem algum compos- to quimico ou substância que cumpra todas as devidas funções do nosso sangue.Mas,enquantoesse dia não chega,nós não temos o direito de ficar parados,contandoapenas com a genialidade de alguns de nossos cientistas.Devemos pensar em ser mais solidáriose doar sangue pelo menos uma vez por ano.Com esse gesto,podemos até salvar uma vida.Roberto Oliveira RooliguesRíac/ e Janeiro,RJMERECEM RESPEITO0 cinema não raramente tem uma visão estereotipada e preconceituosa sobre a ciência e os cientistas,como mostrou Emiliano Urbim na matéria “Cientistas malucos no cinema" [edição 200).Curiosamente,a sétima arte apresenta os artistas como "normais",apesar de seus estilos pomposos,visivelmentefora da realidade.Eles são crentesde que basta inspiração para atingir objetivos práticos na vida,ignora ndo a necessária transpiração de toda atividade laboral,inclusive aquela do "engenho e da arte".Os cientistas,por sua vez,suam a camisa, mas costumamser tratadoscomo luná-ticos pelos V cineastas.isso não é justo.Adilson Roberto Gonçalves,Lorena,SPâ.Í¡yDoctor Evil:seria injusta a visão que o cinema passados cientistas? R0 CK'N'ROLLOlá,muito legal a matéria sobreos 200 motivos que tornam a vida melhor hoje [edição 200].Só não goste¡ do motivo H9, achei que foi um descaso com os fãs das bandas de rock nacional Capital inicial e Biquini Cavadão.0 Capital Inicial não apenas "circula por ai' como vocês disseram,mas sim conquista gerações,como pode ser visto em suas apresenta- ções.Será que o rock errou mesmo?Raquel Vicente,por emailAdorei a reportagem sobre os 200 motivos que tomam a vida melhor hoje.Faz a gente realmente pensar sobre a época em que vivemos e como nossos pais e avós não pos- suiam essas facilidades e beneficios que temos nos dias de hoje.Foi uma ótima idéia.Parabénsa todos.Regina Valverde,C uritíbaALTAVOLTAGEMAchei interessantea matéria "Energiapelo ar",publica-da no número .. 700 ria revista. Entretanto, algumas idéias foram transmiti-das com os conceitos errados:na explicação sobre o experimento,vocês escreveram que "um circuito [A] preso à tomada da parede con- verte a corrente ce 60 hertz para i0 megaheriz e a alimenta até a bobina transmissora (B).A corrente osci- lante dentro da bobina transmissora faz com que esta emita um campo magnético de l rregahertz". Isso está errado.Corrente elétrica não se mede em Hz (hertz,ou ciclos por segundo).A unidade de corrente elétrica é o ampêre (A).Ds 60 Hz- convertidos para i0 megahertz - a que se refereo experimento éa freqüência de oscilação do campo magnético.A unidade de medidade campo elétrico no SI (Sistema Internacional) é oTesIa (T). Por falar em Tesla (Nikola Tesla 08564943),fisico croata radicado nos EUA),ele bem pode ser chamado de "pai" dessa tecnologia do MIT,que de nova não tem nada:em sua época,Teslajá se preocupava em transmitir energia pelo ar.Há relatos de experiências suas nas quais ele chegou a transmitir eletricidade adistâncias da ordem de centenas de metros - bem mais do que os 2 metros conseguidos pela equipe de André Kurs.Carlos Leoncia Campos Moreira,pare-mail llil00001
  • 6. Caro Carlos,Muito obrigado pe/ asinformações.Veja a seção "Erramos" nesta pág. Olá,pessoal,sou assinante darevista e gostaria de destacar sobrea matéria no "Energia pelo ar" que esse tipo de energiajá foi inventado em 1891 pelo gênio Nikola Tesla.A única coisa que o MIT deve ter feitoé adaptado esse sistema para um aparelho que permita cobrar pelo fornecimento de energia.O intuito de Tesla era gerar energia gratuita para todos,mas hoje isso é impossível,devido à ganância contemporânea.Aliás,recomendo uma matéria sobre esse gênio pouco conhecido de todos,e que revolucionou a energia elétrica,criando os circuitos trifásicos,a cor- rente alternada,o motor de corrente alternada,entre outros. . leffersonA.Ta vares,Sorocaba,SPLendo a última edição de GAULEU,deparei-me com o artigo "Energia pelo ar".Gostaria imensamente que o nome de Nikola Tesla fosse asso- ciado aofato.No milênio passado ele havia feito isso,e não apenas a uns poucos metros.Desculpem a ou- sadia,mas contemplem a memória desse grande inventor. Broetto Roberto,por e-mailCaras, Em dezembro de2006, na edição 185, a vida ea obra de Nikola Tesla fo¡ o tema da nossa seção "Eureca". NAS MAOS DO TERROR Achei muito boa a reportagem sobre as Farc ["Vivemos como mortos",edição 200],esse grupo terrorista que inferniza a vida dos colombianos.Apesar disso,senti um quê de apo- logia.Vocês da redação concordam corn a posição das Farc e com tudoo que eles têm feito?Ah,eu posso ter entendido errado a reportagem,mas,não sei,achei estranha a forma como vocês colocaram os fatos.De qualquer forma,parabéns. Paulino de Freitas,por e-maíl30W qaçãoFÉ soa MeninaQuero elogiar a matéria sobre igrejas evangélicas customizadas,publicada na edição 199. Apenas acho que a palavra "transe" poderia ter sido substituída por "adoração".Na minha opinião,transe ficaria bem em uma sessão espírita,não? Costaria ainda de sugerir uma matéria sobre divisão nas igrejas evangélicas Assembléia de Deus no Brasil,causada pelo auto-intitulado "bispo" deputado federal Manoel Ferreira.É verdade que ele é maçom?Adilson S.Souza,Brasi/ ia,DFSurfistas,rappers,góticas,integran- tes do Bope!Tradicionais ou não! O que importa para Deus:o estilo ou a essência? Adorei a matéria! JoelmaSão Luís,MABUSCA DE RESPOSTAS Li a matéria sobre o Deus de Einstein (edição 196).Nela,um tema e uma frase despertaram a minha atenção.O tema é a definição do conceito de Deus como substância imanente.A frase veio do físico Marcelo Gleiser ao afirmar que,"quanto maisa ciência avança,maisa religião recua".Ele tem razão no que diz respeito à religião,porque qualquer iniciante em qualquer área que envolve ciências humanas percebe que a religião,sobretudoo catolicismo romano,tem pavor de tudo o que é moderno.Se a intenção de Gleiser foi limitar o raciocínioà religião,concordo.Mas,se a tese atingir o relato biblico,tenho outro ponto de vista.Em primeiro lugar,a Biblia não tem culpa se o homem se tornou corrupto ao esconder sua verdade para obter benefícios.Em segundo lugar,ela é cientificamente exata,com informações muito à frentedo seu tempo.Enquanto cientistas dos tempos de Galileu formulavam teorias para explicar o fomato da Terra,o relato biblicojá afirmava que o planeta era esferóide.Mesmoantes de Darwin nascer,o homemjá vinha CANTO DO ORKUTO pessoal viajou para responder:Por que o céu é azul? Anônimo:O que vale aqui é a resposta mais absurda,a teoria mais "sem-pé- nem-cabeça".Começo por mim:o céu éazul porque ele reflete as águas dos oceanos. Maritza:Porque vermelho iria destoar,e as fotos tiradas do espaço nunca ficariam boas.UólMortificatíon : Na estratosfera,existe a camada de ozônio,onde começa a difusão da luz solar [que origina o azul do céu). Jonatas:Não sei,só sei que é assim.Donizeti:Se o céu fosse de outra cor,por exemplo,vermelho ou amarelo,não seria tão lindo como é,seria muito feio.Pense nissollllAnônimo:O céu é azul por causa da cor que se chama azul-celeste.Podem conferir que não existe amarelo-celeste ou verde-celeste.A mesma teoriafoi levantada quando os portugueses quiseram fazer azulejos que não eram azuis.A discussão foi tanta que resultou na fuga da familia real para o Brasil,pois aqui poderiam ser feitos azulejos de qualquer cor.(Aqui pode tudo. ) Putz,exagerei na dose. Hermess:Ora,o céu é feito de Smurfs em HDTV! Anna:Qua ndo pensamos,respira mos e falamos,são ativados neurôniosdo nosso cérebro que têm a cor azul.isso é passado pelo Cosmo em um meca- nismo de osmose. Daniel Chico:Por que verde,grená e brancoja têm no hino do Fluminense.Lady Carol:O céu é azul porque Deus é homem!Se fosse mulher,o céu seria coroerosa! O mundo não necessita de ajuda:O céu é azul porque,há muito tempo,em um reino muito,muito distante,havia um rei.(É claro que,se era um reino,havia um rei. ) Nessa época,predominava no céu uma cor abominavelmente assustadora.Até que,certo dia,tal rei,insatisfeito com a beleza naturaldo planeta,ordenou que se ñzesse imediatamente uma nova pintura no horizonte.O manto cinzento que até então cobrira a cabeça de seu reinado estava com os dias contados.Muitos se perguntaram o porquê.Muitos foram mortos para que esse luxo do rei pudesse ser saciado.Após todo otrabalho concluido,o rei,admirado com tamanha beleza,esboçou alegria e satisfação;encontrava-se tão entusiasmado com a idéia (NOTA DA REDAÇÃO:essa história não chegou nem à metade! )tentando decifrar a origem da vida, porém o registro fóssil e o códigogenéticotêm comprovadoorelato ' Diferentemente do pu- das leis da genética registrado no “W340 “a ¡Tlütéríã "Energia primeiro Livro de Gênesis ["cada um P910 a7" da edlçãf* *m* f* Segunda a sua espédeul por “m,o correnteelét ? ICE-É medida relato astronômico da Bfolia éexato,el:Ílrâíírfiheeifãjrxolãrtz' como leglstrado polexemplnno conexão do LNA com a Rede Livrode Jó,no qual constelações são Ipê é de 34 Mbps pqiscñto descritas com exatidão. nas estrelas",edição zoo) Bruno/ lives Villar,por e-mai/
  • 7. '-. l.«. l.ll1líi. ~l. '.l. ~'là. : Illll. )rumouwww. galileu. globo. comE: , l,*ll III I I, '_. EM SEXPEDIA,NOVO BLOG DE FERNANDA COLAVlTTI FALA SOBRE SEXO MISTURANDO DIVULGAÇAO ClENTlFlCA E CURIOSIDADE JORHALISTICA, ,.l r iÍ l “à .l v,I _ I . a l,l. í_ l l lcALiLEuAREPORrERGalileu além da revista»ÍIl -r lVocê acha que deve haver censura nas redes de relacionamento online? Esta' no ar mais um blog com o selo Galileu de qualidade: Sexpedia,no qual a repórter Fernanda Colavíttí explica,discute.analisa e joga conversa fora sobre sexo - seu assunto predileto.Aliás,o Sexpedia surgiu justamenteporque arevista era pequena demais (ui! ) para tantoassunto."Não sou sexóloga,nemtenho qualquer tipo de especializaçãoacadêmica no assunto,mas,como temas relacionados ao sexo estão presentes na maioria das minhas sugestões de pauta (não sou nenhuma maníaco,juro,é curiosidadejornalístico-científica pura),o pessoal da redação me incentivou a criar um lblog para trocar idéias. "Fernanda também vai interagir (pore-mail,espertinho) com os leitores,buscando respostas para as dúvidas de todos os interessados em melhorar avida sexual.Vai dispensar essa consulta particular?Acesse:sexpediaglobQlggxonLbriu l UMA EXTENSÃO DA REVISTACONFIRA CONTEÚDO_ EXTRA EDEGUSTAÇAO i DE MATÉRIASll NO nosso site você encontra links relacionados a todas as matérias ll ' com comentários,galerias de fotos' (este mês,a aventura de Pablo' Nogueira com os indios guajás),além do arquivo com edições anteriores,enquetes e fóruns. ' E,para quem não e assinante,uma boa noticia:toda semana liberamos urna matéria da edição que está nas bancas para os internautas. j I lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll. É,_llllir“lllllllljlililllllll, flllj]lll, llll, fillilllllllllilllll*IlllllllIIllllí*lllillllljlljjjllljlll;i; . ljjlQIs: CURIOSIDADES E HISTÓRIAASSINE OS SERVIÇOS DE NOTICIAS SMS DA GALILEUDivirta-se com o Galileu Diz e visite o passado no Hoje na História.Como assinar Hoje na História:envie ASS GHIS para 88435 Como assinar Galileu Diz: envie ASS GAL para 88435 Custo:para cada serviço assinado,você recebe uma noticia por dia [RS O, lD por torpedo recebido) Mais informações:editoraglobog| obo. com/ celulariÍIlJIlgH¡o til A O n um q. ;s” l iMell*llfíiel Í- " ' e E] SIM E] NÃOResponda pelo nosso site [www. galileu. globo. com] Rcsultado anterior: Você é um procrastinador,atrasa de propósito a conclusãode suas tarefas? Sim:43% Não:57% À esquerda,a tela "caliente" do Sexpedia;acima,uma tabela de posições sexuais publicada no blogill'lifílfllilllíflllif, l I alguns'BASTIDORES E REPORTAGENSCONFIRA VIDEOS ExcLuSIvOS EM NOSSO SITEAgora o site de GAuLEu vai ter uma programação fixa de videos.Além de reportagens de video [dê uma passada para ver a repórter Juliana Tiraboschi alimentando os animais no zoológico),a gente mostra os bastidores da edição,apresentando nossa equipe e contando como foi fazer as principais reportagens.Fique ligado no blog da redação e no site de GAULEU. lilI. rllll. llvLl-lli 'i'll: I: MIL'UNIVERSO EM EXPANSAOEM NOSSOS BLOGS,UMA COBERTURA DIARIA E PESSOALEsses são os blogs de GALILEU,e já temos pelo menos o dobro disso lplanejado para entrar no ar I iaté o final do ano.redacaogalileu. globolog. com. br » Diários de navegação da redação sexpedía. globolog. com. br» Tudo sobre sexo blogdaclementinaglobolog.com. br » Diário de uma cadelinha,pelo ghost-writer Edson Franco9illÍllílllflílÍ;lllllilllllllElllIllllíllllllllllilllllllllIlllIllliíllllllliÍlllllllllll, lllllllllllllllllllllllllllillllilll'llllllIll7lilllllllÍlllllllllllllllllllllllillll'llllllllllllllllllll"lll“'l .
  • 8. 1:'i ã" T nlENTERVIDADIRETO DO Glm!ln:l› BIÓLOGOS QUEREM USAR A TEORIA DA EVOLUÇÃO PARA EXPLICAR POR QUE TER FE É UMA CARACTERISTICA PRATICAMENTE INEVITÁVEL DO CEREBRO HUMANOç que o DNA humano e o livro bíblicol' do Apocalipse têm em comum?0K,a pergunta beira a maluquice.mas o fato é que ambos apresentam um controle de erros mais rigido que a ma ha fina do Imposto de Renda.Falhas na cópia do DNA podem levar uma cé- lula a se autodestruir para não correr o risco de passar adiante o material genético "cor- rompido".Quanto ao Apocalipse,sugiro que você abra a Bñnlia no fim do capitulo 22: "E,se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia,Deus tirará a sua parte da árvore da vida".Ou seja,a¡ de quem mexer no texto. Para um nú-nero crescente de cientistas,esse tipo de semelhança nãoé mera coincidên- cia.Afinal de contas,raciocinam eles,a religião também pode ser considerada um produto da biologia humana,tal como a linguagem,a arte ou o uso de drogas.E,se isso for verdade,não há nada de absurdo em utilizar o que sabemos sobre nossa evolução para entender por que a fé surgiu e po' que ela é tão natural para a maioria de nós. Os pesquisadores que estão apostandoMobilização:para . ' especialistas,a precisão de rituais como a tawaf,em Meca;segue a lógica da transmissão do DNAnessa abordagem para explicar a religião não estão interessados em provar a existência ou a inexistência de Deus - embora muitos sejam ateus,há cristãos devotos e outros religiosos entre eles.A proposta é ver a fé como "fenô- meno natural",na definição do filósofo ameri- cano Daniel Dennett,da Universidade Tufts. Segundo essa visão,Deus pode muito bem ouvir e responder às suas orações,mas não dá para negar que,para sentir o êxtase religioso,o seu cérebro precisa ser estimulado de uma determinada maneira,e não de outra.Além do mais,a arqueologia scgere que só começamos a enterrar nossos mc-rtos e ter uma idéia de seres "sagrados" [animais,por exemplo] há poucas dezenas de milhares de anos.Por que,de repente,a nossa espécie "acordou" para o lado sobrenatural das coisas? Dá para dividir os biólogos da religião em dois grupos principais:os defensores da "van- tagem adaptativa" e os do "efeito colateral".Para os primeiros,o ato de crer em si é que foi vantajoso para osantigoshumanos-tão van- tajoso que os que "desenvolveram" a fé deixa-ram mais descendentes e passaram o traço adiante.A principal vantagem de desenvolver o instinto religioso seria a coesão social que ele traz:se toda a tribo está unida na devoção ao seu deus,ela se torna mais trabalhadora e mais corajosa na guerra,entre outras coisas.Já o outro grupo aposta queas vantagens para a sobrevivência vinham de caracteristicas da nossa mente que não têm nenhum elo direto com a religião.No entanto,o resultado aciden- tal dessas propriedades mentais foi estimular o surgimento da fé. DETECT OR HIPERATIVOOs defensores da religião como efeito colate- ral têm alguns argumentos intrigantes a seu favor.Estudando animais,os pesquisadores notaram que todos os bichos precisam de al- guma espécie de "detector de agente" - um sistema que os ajuda a distinguir uma pedra ou um pedaço de madeira [seres inanimados] de outros animais,que podem querer brigar com eles,acasalar com eles ou comê-los.No caso de humanos [e talvez de grandes ma-
  • 9. cacos,golfinhos e elefantes),o "detector de agente" ficou ainda mais sofisticado e se transformou na chamada "teoria da mente".A teoria da mente é o que nos permite ima- ginar que outros seres além de nós possuem desejos,pensamentos e intenções.Sem ela,nunca entenderiamos frases como "o que sera' que ela acha que eu estou pensando do com- portamento dela? ".Acontece que,na natureza,seguro mor- reu de velho.Por via das dúvidas,às vezes é melhor exagerar um pouco e usar a teoria da mente mesmo quando não dá para ter certeza que a coisa em questão tem mesmo uma mente.O resul- tado,diz Justin Barrett,psicólogo da Universidade de Oxford [Reino Unido),é que os seres humanos [ou muitos deles,pelo menos] desenvolveram o chamado HADD - sigla inglesa de "apare- lho hiperativo de detecção de agente".Assim,a capacidade extremamente útil de prever ações e intenções de outras criaturas tem como efeito colateral a mania de ver intencio- nalidade onde não há - nas nuvens,na chuva,nas estrelas.E a distância entre isso e a idéia de "deuses" por trás das nuvens,da chuva e das estrelas não seria muito grande. A teoria da mente também poderia estar por trás de outra idéia comum em religiõesdo mundo todo:a da vida após a morte.É o que revelou um experimento feito pelos psi- cólogos Jesse Bering e David Bjorklund.Eles contaram uma historinha infantil a crianças com idade entre 4 e l2 anos.No conto,o pobre Camundongo Marrom se perde e acaba sendo devorado por um crocodilo.Os pesquisadores,então,faziam uma série de perguntas sobre o roedor:"Ainda estava com fome? ", "Ainda queria ir para casa? ". A maioria das criançasA PRINCIPAL VANTAGEM DE DESENVOLVER O SENTIDO RELIGIOSO É A COESAO SOCIAL QUE ELE TRAZ:SE A TRIBO ESTÁ UNIDANA DEVOÇÃO AO SEU DEUS,ELA SE TORNA MAIS TRABALHADORA E CORAJOSArespondeu que o bichinho não sentia mais fome ou sede,mas ainda era capaz de pensar e ainda amava sua mãe.Para a dupla de pes- quisadores,isso mostra a força da teoria da mente - como as crianças não eram capazes de conceber a si mesmas como mortas,acaba- ram projetando essa incapacidade na imagem do camundongo morto e pensante. ALTA FIDELIDADEUma vez estruturada,a religião [assim como acontece com outros aspectos da cultura hu-Em Provldence a (Rhode Island., x EUALécontra k ' a lei pular de uma pontemana] teria assumido algumas das caracte- risticas dos seres vivos.O caso do Apocalipse seria um exemplo das várias técnicas para assegurar a transmissão de textos sagra- dos,músicas,rituais e outros elementos com alto grau de fidelidade,tal como o DNA faz.Não é à toa,por exemplo,que as cerimônias religiosas quase sempre envolvem palavras ou movimentos repetitivos e multidões,diz Daniel Dennett:a responsabilidade de "acer- tar" o ritual fica distribuída entre muitas pessoas,e isso,em geral,aumenta a precisão com que ele é reproduzidos-transmitido. Finalmente,argumenta Den- nett,as religiões também passa- riam por uma espécie de "seleção natural",tendo seus dogmas e cerimônias constantemente ajeitados e atualizados para conquistar mais adeptos,dando origem a religiões "filhas" e,muitas vezes,morrendo. É claro que essas idéias são só as primeiras engatinhadas rumo ao entendimento do fe- nômeno religioso.A julgar pelas outras áreas da biologia evolutiva,no entanto,é de esperar que a abordagem ajude a abrir de vez a caixa- preta da fé.[REINALDO Jose LOPES)G] 'Conteúdo fornecido pelo Gl,o portal de noticias da Globo [www. gl. com. br) v
  • 10. i5; L-'. l'c'l. =ÍL! .: VIDA45. GALILEU DIZ, ' 3 milhões de tabuleiros de xadrez são vendidos todos os anos nos EUA *APREZ "w enxadrlsta norte-americano Bobby Fischer morreu em janei- ro,aos 64 anos - mesmo número de casas do tabuleiro.Apesar de teratua: lo somente dez anos no mais alto nivel do esporte-ciência,ninguém,em toda a História,fez tanto pelojogo quanto ele.Vitorioso e paranóico,genial e controverso,prodígio e arrogante,Fischer deixou um legado de diversas contribuições ao xadrez -das aberturas às teorias de finais,da invenção de uma nova modalidade a um diferente tipo de marcação de tempo - e uma rica biografia.[TALES TORRAGA]A GENTE SABE QUE A MORTE DE BOBBY _ FISCHER JA DEU UMA ESFRIADA,MAS NAO DA PARA DEIXAR PASSAR EM BRANCO O LEGADO [E AS DOIDEIRAS] DO ENXADRISTA _r - .. . i7-_ 'lay. .yl]í&Í| Ell| Il| l': | › . r. riitlililtl 'l: _¡; ¡¡. .'.1=lr. i¡rii.1:. i- A .f.' f 'iW-TPVJ' "' '" ' ' 1. ¡dnlii-. wllil x - ericano A _.._ 'l' FoicamP93°am “um i' g . :›.. arihanil°°"" “A “ms” aostlldlrllternatlüllal' " seu leste deQtl liliel89 r f Íçnn- de mreessuosta:"Poderiam râ ciadaimílcgkjgo " «mu» -r Srlrleaaarroquoaeqrandt,ala 095¡ ¡nmi in H _H . ..au . r - setlllm LaelstTerman.995m3¡ . l 'rs-TU ' 'm' lr l .mestre . Elmrlberlouamãee ' 'W il . .-: -I¡l'¡l"' ew e a znllrlquçu . ,, 5 A an q, ...n l ' ¡jeradãi!. . ..qn-l aosl .s ~ ode ser conSl . . um” aosl53ll° ppartir elliD r.IUIllIE-“l l osestudos Desprezavao ¡mui-r!- maseilã Juntou-Sea" _ _ ..iu . . aranaO .:r-¡-r-| r“lll; _': L_ 6 fellglmaããgdetomeios rluuiihtif ' disputarpalt' eus i-FI| l'rl-~'l'l¡*1lll:l. -- aoñábadosedeltaltãoã .. t_ _ríjihnruilkiun- › eísáñcemalã E ljmirllwahv. Asma-nl* asdf:ueiaaosalãooràd:uu ' l hkçhly¡ _ an¡ a _“_Kânp| i-Í| l-¡<::IQ-NFL- aconteciamradsoiêninó . url-mw "H 'P¡| *. l'ñwtÍ Palmdoga _¡¡, ¡.gr. ur~<rIr| r. .1 l | r“_1|¡¡: |lI T 'E' l I a 1. r eio . ai NNW" * Dülanleuíiltallcrladeira . JfllLÍIl| |l¡bÍ| |Il"'ll-Jll - r e _ -gqn- ,ellgluqu luvàdadoã A . a-. iH--'“l"*"l" dIU' “um . mirvrLAFll
  • 11. ü ÍEUDUDWMHISTÓRIASangue latinoCONFLITO ENTRE COLOMBIA,VENEZUELA E EQUADOR REVIVE O PASSADO DE RUSGAS ENTRE IRMAOS E HERMANOS NO SUBCONTINENTEuerra na América do Sul é coisa rara nos dias atuais.Mas,durante o periodo colonial,o subcontinente teve conflitos por conta das rivalidades entre os colonizadores europeus e seus inimigos. Feitas as independências no começo do século 19, algumas das disputaspermaneceram entre os novos paises - o caso mais óbvio foram os conflitos entre o Brasil "português" e seus vizinhos "espanhóis". wenn¡ na TRIPLICE ALIANÇA (1864-1870)Paraguai x Brasil,Uruguai e ArgentinaO maior conflito sul-americano,mais conhecidono Brasil como Guerra doParaguai,foi resultadodas disputas politicas naregião do rio da Prata, principalmente o desejo do ditador paraguaio SolanoLópez de ser lider regional. O pretexto para a guerra foiuma intervenção brasileirano Uruguai.López deuum ultimato ao império brasileiro,e suas tropasinvadiram o então Mato Grosso.Em abril de l865,os paraguaios entraram também na Argentina. Mas logo as ofensivas paraguaias são derrotadas.Com a queda de sua marinha na batalha de Riachuelo, em ll dejunho de l865, o pais fica isoladoTomadaa fortaleza de Humaitá em l868, as tropas aliadas,sob o comando do marques,futuro duque de Caxias,Luis Alves de Lima e Silva,avançam.Caxias vence quatro batalhas em dezembro de 1868. Em janeiro de l869, a capital Assunção é ocupada.Mas a guerra só termina com a morte de López no Cerro Corá em l de março de l87O GUERRA DAS FALKLANOSI MALVINAS [1982] Argentina x Reino Unido Nenhum argentino morava ali,mas cerca de 1.800 britânicos viviam nas llhas Falklandsem 1982. lsso não impediu a ditadura militar argentina de invadir a colônia que estava de posse do Reino Unido desde 1833. Argumentava que o arquipélago que eles chamavam de Malvinas tinha antes pertencldo à Espanha.Governos britânicos pré-l982 até queriam se livrar da colônia,mas uma invasão militar,ainda por cima vinda de um governo semifascísta,era demais.A primeira- rninistra Margaret Thatcher,que governou de 1979 a l990, enviou uma esquadra para retomar as ilhas. Não foi fácil,pois os britânicos estavam mais equipados e treinados para seu papel na Otan durante a Guerra Friado que para uma exótica guerra como essa.Ataques aéreos argentinos afundaram e danificaram vários navios britânicos.Mas a mais bem treinada infantaria britânica derrotou a improvisada guarnição argentina,e as ilhas continuam hoje administradas de acordo com o desejo de seus habitantes As ex-colônias espanholas também brigaram muito entre si.Fron- teiras mal definidas e ambições de politicos alimentaram conflitos.Além deles,o continente teve e tem conflitos internos,guerras de guerrilhas que podem se alastrar internacionalmente.Como mostrou o ataque colombiano a terroristas das Farc vivendo no Equador com a simpatia do venezuelano Hugo Chávez.(RICARDO BONALUME NETO]GUERRA CONTRA ORIBE E ROSAS (1851-1852)Brasil,rebeldes uruguaios e argentinos x Uruguai e ArgentinaO império do Brasil decide apoiar seus aliados na região platina contra dois caudillios:Manuel Oribe [l792-l857),do Uruguai,e Juan Manuel Rosas (1795-1877),da Argentina - que governou o pais de 1829 a 1852.Em uma breve escaramuça em Cerro Largo,Oribe éderrotado.O ditadorRosas exigiu mais esforço.Transportados em navios brasileiros,os aliados vencem Rosas na batalhade Monte Caseros,em 3 de fevereiro de 1852. Rosas se exila na (Sra-Bretanha l GUERRA DA CONFEDERAÇÃO (1836-1839)Peru e Bolivia x Chile,Argentina e norte do PeruA Confederação entre Peru e Bolivia,criada em l836 pelo marechal Andrés de Santa Cruz,gerou inimigos nos paises vizinhos.Os DOIlÍICOS das ex-colônias espanholas ajudavam conspirador es contra seus rivais.Por isso Chile e Argentina,apesar de também não viverem boas relações mútuas,declararam guerra à Confederação. Depois de combates no mar e em terra entre forças relativamente pequenas,os confederados peruano-bolivianos são derrotados em 20 dejaneiro de l839 na batalha de Yungay,ao norte de Lima (capital do Peru),por rebeldes peruanos e forças chilenas sob comando do general Manuel Bulnes Prieto (17994866),que,aproveitando os louros da vitória,tornou-se presidente do Chile de l84l a l85lGUERRAS PERU- EQUADOR 0859-1860: 1941-1942; 1981: 1995] Peru x EquadorMais de um conflito derivou de fronteiras imprecisasna Amazônia.Esse tipo de disputa veio da era coloniale passou para os paises independentes.Um desses incidentes ocorreu durante sete semanas no meio da Segunda Guerra Mundial,quando o Peru conquistou parte do território emlitígio.Mais escaramuças aconteceram em l98l. O último embate entre os paises,a Guerra de Cenepa,foi em l995. O conflito gerou um acordo de paz três anos depois,mediado por vários paises,entre eles o Brasil
  • 12. Chile x Peru e Bolívia Chile e Bolívia disputavam o acesso a um deserto com valiosasjazidas de salitre.A disputa virou guerra,e os peruanos entraram ao lado dos bolivianos. Os chilenos estavam mais bem preparados,mas tiveram que combater o almirante peruano Miguel Grau,armado com um couraçado pequeno mas poderoso,o Huascar. Os chilenos conseguem capturar o navio,a bordo do qual Grau morre.A Bolívia ficou sem seu litoral e o Peru perdeu parte de seu território para o Chile iBrasil x ArgentinaO primeiro grande conflito pós-colonial foi uma espécie de repetição do que acontecia antes - a luta entre portugueses e espanhóis,transformada em luta entre brasileiros e argentinos.O resultado foi que um dos territórios da disputa tornou-se um pais independente,o Uruguai.Em terra,os brasileiros perdem a batalha de Ituzaingó.No mar,os brasileiros começam perdendo,mas depois a marinha brasileira derrota o inimigo na batalha de Monte Santiago,em 1827. Esgotados,Brasile Argentina aceitam a mediação pela paz Paraguai x BoliviaFoi o mais devastador conflito internacional da América Latina no século 20.0 petróleo foi usado como desculpa por alguns para justificar a matança,mas ele não foi encontrado.Em três anos de lutapor essa região pouco atraente morreram 60mil bolivianos e 31,5 mil paraguaios.A Bolívia tinha três vezes mais habitantes (3 milhões),uma economia três vezes mais rica,armas modernas e até um general alemão,Hans Kundt (1869-1939),mas perdeu mesmo assim. Além de tropas mais aguerridas e a maior proximidade do campode batalha,a vantagem paraguaia era seu comandante - o general José Félix Estigarribia lnsaurralde (1888-1940).Ele ganhou batalhas importantes,corno Boquerón e Campo Vía--_-~. 2_ 'J e:24':o;nà:2à<”«': u§§"'v_~g¡ s. ; -c-_~_-, ...- u| l9“"¡¡i. ... -.¡ "twin. ': ~iiiw. .:~ nímlu.i "imune. . iui| :,; ,.. :iaI na_. ,Il. ,.', :«. É v . ft 1)'. .CHI.Hlllllll-"IlllalltliáiroumuziInch-Amam.«unir-reflita lr_ cintura-imãWniniaiiann.1» *xiiiautarca@manager-hu 'Í| I¡! |s1§. ~“f°| 'ú. 'l ¡il *li 'L : :lDcnLu711.2,¡. ni! semraiiiznauriiñimei-tñauIiR-msz. ibilftiiàiéhyis¡ iii¡*lir-_IÍÍ âllÉttgtánbíáVíkÍ em! . jgumumrítiei Jzironiilnroiitq-L- nuicntitqncizrqtlrçil: :itaim HUYQIKYêLQFIIIHSFYÍFlIIP'afwinnirraiieiugriaauvnrur 7191;. .llüll, llillll›'i! lê3tltí Ílr-Wftnl¡
  • 13. ¡ ,.w y t. GALILEU DIZ Estudosmostram que, durante a ovula- ção,as mulheres mentem maisCOISAS oLiEvocE TALVEZ NAO SAIBA SOBRE SAO JORGE_llllllllllllllllllllllllllllllllllllllilllllllllll'Illllllllllll li l illlllllllllll, illllliilllllllillllllilllllllllllilllllílllllilllllllI.No mesmo dia em que morreu São Jorge,23 de abril,também faleceram os escritores Miguel de Cervantes e WilliamShakespeare.Na Espanha e na Inglaterra, Thflner¡ 9l95 n Dia rle São Jorge é também o do Livroi/ Ài saolguaizinhos __ _' àgente,só não /têm consciência2. O santo foi citado na letra de "Flash of the Blade" [1984],da banda inglesa lron FILOSOFIASomos zumbis? CLTNHEJÇA ATEORIA QUE VIROU TEMA DE DEBATES ACALORADOS ENTRE PSICOLOGOS E FILOSOFQS E QUE BUSCA ESCLARECER A ORlGFlvl DA CONSCIENCIA E A PROPRIA NOCAO DE HUMANIDADENo Haiti,eles são parte do folclore.Em Hollywood,ficaram famosos emcomédias de humor negro pelo grito "Miooolosl".Ha',no entanto,cientistas que os levam a sério:psicólogos @filósofos discutem se e' possivelum humano ser um zumbi.A "teoria zumbi" éuni inusitado tema de debates apaixonados entre estudiosos da consciência humana.Mas o morto-vivo filosof co ("pliilosofical zombie" ou "p-zomhie") é diferente clos esfarrapados perso- nagens dos filmes de George Romero.Trata-se de uma criatura hipotética,iguala um ser humano,exceto pela consciência.Se existisse,ao tropeçar numa pedia,por exemplo,não sentiria rlnr Para senti-la,o iérehro humano,como uma máquina,precisa primeiro da informação do que é a dor.E essa informação depende da consciência. O piecui sor na área é o Inglês Robert Kirk.Em 1974, no artigo "Zumbis x Materialistas",ele pro- pôs uma versão de "As Aventuras de Gulliver",de Jonathan Swift,em que os habitantes de Liliput ilorriiiian l a mente do visitante e o transformam em Zullivei,um iriorto~vivo com a mesma aparên- cia e funções corporais,mas suas sensações e emoções agora dependem das ordens das minús- culas cI iatui as em sua cabeça.Ainda poderia ser considerado humano? David Chalmers.vai além no livro "The Cons- cious Mind" (não traduzido no Brasil),de 1996, noqual descreve um mundo onde todos são zumbis.Desde então,defensores e críticos da hipótese discutem se tais criaturas seriam ou não possíveis.Ostitulos de alguns trabalhos dão a medida da polêmica."Conversas com Zumbis","Sim,Nós Somos Zumbis" e "O AtaqueZumbi". Parece perda de tempo discutir mortos-vivos a sério,masas implicaçõesjustificam o debate."Se eles não são possiveis,então a mente é o cérebro e nada mais.lssoabre a possibilidade para a noção de que um computador pode ter Lima mente",diz Gustavo Leal Toledo,da PUC-RJ,autor de trabalhos sobre zumbis filosóficos.Um Iobôou andróide a principio seria um morto- vivo."Mas,se criarmos up robôcomplexo,ele tera consciência em algum momento",diz João Teixeira,professor de ciência cognitiva da Univer- sidade Federal de São Carlos.Além de inteligência artificial,as especulações envolvem clonagem e - caso a teoria esteja errada [e a consciência for mesmo parte do cérebro) - a possibilidade de a psicologia ser substituída por uma neurociência capaz de criar remédios ou cirurgias que mudem o modo como as pessoas percebem o mundo. No fundo,discute-se a noção de humanidade.Se somos únicos ou se nofuturo poderemos ser reproduzidos numa máquina.Mesmo que em algum momento,de brincadeira,ela seja capaz de dizer "Miooolos".(ALEXANDRE RODRIGUES]Maiden,como uma apologia à força e à luta contra o mal3. A cruz presente na bandeira da Inglaterra é uma referência à Cruz de São Jorge,o Santo Padroeiro do pais.Mas,desde 1893, esse titulo pertence oficialmente a São Pedro4. O Vaticano chegou a retirar o Dia de São Jorge do calendário da Igreja.Alguns dizem que a medida foi tomada depois que o santo passou a ser reverenciado nos rituais de religiões africanas.Na umbanda,ele é Ogum,e no Candomblé,Clxossi5. Uma das "regras" dojogo do bicho,proibido no Brasil desde a década de 1940, é não aceitar apostas no cavalo no dia do santo.lsso teria surgido depois que a filha de um bicheiro foi assassinada na véspera de um 22 de abril,no apartamento 44, uma das dezenas do cavalo.No dia seguinte,"deu" cavalo na cabeça.Os bicheiros quebraram por conta de tantas apostas vencedoras [MARIANA RoMÀoJWF* 7; i LixresuL-. i-rriñiilu i›i~rZriiwl Anime,
  • 14. iwjfigrujvioii22 '_ ã ElUÊl-'rf Ll7l'lAl›-' 'í- › N.*i ClE': lV[E°: Â~v'^1:; '^^l-Ç ilv V' ui Il “iai r . .i l* ar ,l _ r -o _ ! w v a_ .. 'à' l..Ji 3'. ; 'ru* AK¡ k *T " r 4"# i4 f r 'a E "l p 'lv' a Ni* 'na-' .' ,.A r ' " Cela: Julianalimpajaulade , g porquinhos-da-fndia antes 'j"" l ' m dos aspectos mals bacanas ' de serjornalista é ter acesso a lugares geralmente restritos ao público.Tive uma experiência dessas no último mês,quando trabalhei no setor de alimentação do Jardim Zoológico de São Paulo. Cheguei ao zôo às 7h de uma sexta-feira e vesti o uniforme - camisa e calça cáqui e pesadas botas de borracha.A bióloga Patricia Alexandrini,responsável pelo setor,me ex- plicou como se dividem as bancadas onde são preparadas as bandejas de comida.Há uma para carnivoros,uma para herbivoros,uma para grandes primatas,uma para os répteis e onivoros (aqueles que comem proteina de origem animal ou vegetal,como os ursos),e uma para os de dieta especial,geralmente filhotes e bichos ameaçados de extinção,como micos e algumas espécies de araras. O setor conta ainda com uma fábrica,onclenuruunauñana: :de eles virarem lan chesão preparadas cerca de 40 toneladas de ração à base de milho por mês. Trabalhei um pouco em cada bancada,sempre trocando as luvas para evitar contami- nações,e aprendi que a precisão é importante.Frutas,verduras e carnes devem ser cortadas de acordo com o tamanho dos animais,para facilitar a mastigação.Tabelas mostram quais as quantidades exatas de cada item que devem ser colocadas nas bandejas.Boa parte dos ali- mentos vem de uma fazenda mantida pelo zôo,próxima a Sorocaba (SP).Lá são produzidos cerca de 20 tipos de hortaliças,frutas,plantas e grãos,totalizando 1.200 toneladas ao ano. Missão cumprida nas bancadas,fui conhe- cer o biotérío,onde são criados e mantidos ani- mais que serão usados como alimentação de aves de rapina,serpentes e outros carnivoros.Ratos,camundongos,porquinhos-da-india e pintinhos fazem parte do cardápio.Lá,varri2:. :l l l il i*ll à* l llllf:'r. tÍa Í' : M › t-“K à 4 , ' “* ,.' . rj-Cvo recinto dos porquinhos e passei "vassoura de fogo" nas paredes e chão de uma sala que abriga parte dos seis mil pintinhos que o zôo recebe toda semana de uma granja.Esse método de higienização usa uma espécie de maçarico para matar germes.Insetos como larvas de tenébrios [um tipo de besouro),gri- los e baratas também são criados no biotério e viram "petiscos" para vários animais. Depois disso,fui acompanhar a alimenta- ção dos ursos-de-óculos,mas não pude me aproximar por segurança.Só os tratadores po- dem entrar no recinto.Nem eles chegam muito perto dos bichos.Enquanto trabalham,"Bob" e "Marley" ficam contidos em um espaço chamado área de cambiamento.Os funcioná- rios espalham folhas secas,espetam galhos no chão e colocam a comida dentro de recipientes redondos,amarrados a troncos.Tudo isso faz parte do chamado "enriquecimento animal",
  • 15. que consiste em acrescentar objetos ao recinto que façam com que os animais se movimen- tem,farejem,brinquem e vão atrás da comida,estimulando o exercicio fisico. Minha próxima tarefa foi alimentar os jabutitingas,dessa vez dentro do recinto. Está certo que eles dividem o espaço com jacarés-do-papo-amarelo,e isso me causou um certo temor.Mas estes mais pareciam troncos,dormindo imóveis dentro do lago.Sabe quando sua mãe dizia para você comer "um pouco de tudo"?Com os animais é igual:tive de misturar bem as frutas e legumes para que os quelônios comessem todos os tipos. De lá,fui ver a entrega de alimentos aos macacos nas ilhas do lago do zôo.Acompanhei os tratadores num barquinho somente até uma das ilhas.Depois,eles me deixaram em terra firme e continuaram seu trabalho.É que alguns macacos são mais agressivos e podem[lavrei Arantes'l - A repórter lida com uma "simpática" cobra-do-milho 2 - A vontade era grande,mas não deu para chegar perto do urso-de-óculos3 - É preciso muito critério na hora de misturar as frutas e legumes para os bichos4 - Bancando a açougueira 5 - Morrendo de nojo com uma bacia de larvas6 - Osjabutis foram dos poucos bichos que puderam ser alimentados na bocapular dentro do barco.Com os tratadores,não costuma haver problemas,mas eles poderiam não ir com a minha cara. Por último,fui conhecer o recinto das su- curis,que matam suas presas por constrição e podem chegar a 9 metros de comprimento.Foi apenas uma "visita socia| ",já que elas não seriam alimentadas naquele dia - as cobras comem somente a cada quinzena.Depois de chegar bem perto das quatro sucuris do zôo,achei que bastava de aventura e fui examinar uma cobra-do-milho,simpática e inofensiva. Assim terminou meu "expediente".Uma pena,pois ainda restavam muitos animais para ver.Infelizmente é impossivel conhecer todo o zoológico em uma manhã,mas pelo menos consegui ver um pouco da infra-estru- tura necessária para manter em boa saúde os quase quatro mil bichos que vivem lá.Quem sabe não volto uma próxima vez?ls¡GALILEU DlZo§ j Com 35 an.a lín- r : L gia da marlposa é l ' k proponimalnnen- V n te a maior entreq ^ os animais . a l- , 4:/N 2 l l _, ln*'à z' ' 'J o' 7773mb: -PARA NAVEGAR- Veja a versão em vídeo desta reportagem em www. galileu. globo. com
  • 16. m umuEucmca mu mtcwvcma ME:mÉxm mac musa : _:_u: ou ouãmm Omeu_ “mamã . Emscoucm mm mau Em amam_ m:mmõummmcuo_ mamm Emzcmmcoo. l muícocuz mmucmssmm.mo _mãccg mccmtmcou m ES_ocmFaz o Emma musa mms_ . ..oñazmummu mucma E:mu mmÉE. amas_ ocmronazcmea_ . .oumãm Bmom o.E22 mmgmcm_ mamm ea om. . mamy_ mmmmm mono..n53 m. . EmnEmh oucmtonmcmz mcmõzma m mamã oES_ 293m:momuãm._Emma mem_ m mm . ma.mgmmmm_ mmcmumcmm mõummcscmma 4 . ..o__: _;m: m_ omÊ_ E:Em cuca. : o 82 mu mama_ cucãoa . musmm m_m msn . .mm muon 3m . o:u. _›_u: _ ou cum_ 2mm_ oucmmzmn. . mmm_8 8p l me:m mmõnmm mu oümãmnon. . mmmm mm . _moEm> uu . ..mamã mamm 3B Em mmbwamm oo_ m cm mzcm Em: : mwumnmucm mmEamimau moÊEnEm_ mm mEmE_mn_m: _._n . m~: m:o_mmm_nE_ m cmm. ..? snsc _as . moêaã .. . mzysncmm oEmmE o:mÊmam. , mu mina me:o.E . GBSS E__mm_mm m. . m_mE cum . mBE m. . onmzcâeomm _m2 Em mm_nE_m E:mumnoaau 3:32_ ! riu . Eacsb . ..n98 "uma amam o:| onoE mmmmn EmES ouzmâ omgmt_ . meu mE: .Em mmumamm mu mcmumcms mucmõ EmUmmE mocmEzc mmummmo mas . m. . mmumzcmü mu mascm mu oñEmEm _zmasomm<n<N3<no4u : um . _moEm> meu. . m. . ommatxom < . m_. n.. »+m oncaE nã_ _mm_ ou: uno. . : com km3_ < mmoammm_ mm : oummgu wumcmu . .no.3 mu mumzmumz: : . .E55 mn 044553 E:u .m:mmuoummacmmu _on_ SÉ ouãmm 2:88 E:_mm-mu__nxu . mmpzmzzzou mo mono» _esmas_ ouEÊ ou Em› mm . matam mu me mwhzmãñauz_ : Du .. . .Eua |22:_ ouEÊ o:ouñcms 23 mu m màmcoomã., ., /z .Emtmm mn atira_ _É o m_on_ . Euâmc 0:32 . ouÊmEomm,. 2: .. s . ._ouüñc_ Em ao. ; . uma : mm m: : mEmmmCaEo . r 1... .0_ .. .. awumumz Emoiocn oceania.Ear - - l e _ .:: o . ..a amam._mmmq a_ . aç .i .e,.Hzmzêãaam oãzmxm mon__ r .._ .. .ma. .. Em on Emma 4 _oazssÉ o ooo» mo mmmzmamauz_ ogzãmmã . ma- _o_u. ..__am: ._, __ . .,213 mo cam ooobmí mn_ momzmzí mao _sdzom ogEmm E: : Saias:. . mães _ R_ a w 23o. _ O _.NE : mesmo tl. oEzmo aos 3 m. . DE m. .
  • 17. naõ . .EE . Eomscoê _zvznEzu um SS ou . .EEE Q ... x , x e . .x .x.. a ma, ...nazis: : mzãu muãES SmEB nnasuunu _ 1 mnoSu : :.25 ? EEE mam mmmucã BEE "masit.nehum_mas_ nã . asas 35.53 "uâuuw m; _mE. _u>.2:uE_a aan: : ocawn ,E 2:53; _mm_c: .a mnÊmoE . mogxwãu sã. :ñmâmõnmu _om: m:m: _uw§_o. =m "mais..Mayana/ u wumwuam_ omcmum 2.592 "S. m.. .._ofnu « : :tem< : Êüxauu,(A .“aq-Ficam nua-Eau".53 ! àrea? cima mam . mmucmExx w "usina u. . matei”. .. ., "marciama. : Ventosa mn mucoãwm n _ . _o__àz_o____e no52:::m spam. ..” . momcmzmznuã _ommmã ..cucmmuou _Baum 330 .m:"Joana x nzãouwn 55d_ . mmãcãc um. : mmzao mu oÊmEEmn Em. muüwamm matou Em mumzzmucou ogaE _mnoñ Bau m _n53musa I cedeu Em Enya;m: : . mm: wm. _u: _ moàn ã moumm: mo oES I m_m: o_mm.moãuoa 8:8 5a oõamwu oowcüaxnmã 33:4 V . ..m5 . moummmãmacm mommo:mau mÊmmE,uu mon:mmE moEmEou &o;.Bcuãñcoüzunokm . .auczE owumucwE= m
  • 18. 3 MUNDOS3 LUGARES,3 POVOS E 3 MANEIRA DIFERENTES DE FAZER A MESMA CWOISAO vaivém dos quadrisPanuiação:127.433.494Área;377.835 km3Taxa de analfabetismo:1%Mortalidade infantil:2,8 a cada 1.000 nascidos vivos Expectativa de vida:78,67 anos [homens] e85,56 (mulheres)Religião:xintoístase budistas (84°/ o],outros (16%) Galileu diz:uma apresentação da tradicional dança japonesa nô pode durar até oito horasFpnTes:CÍÀ WímTns' Booiçepidierfnrcfnet,Saburo Teshigawara Karas Production POUCO IMPORTA se E UMA FORMA DE ARTE,DE CULTO RELIGIOSO oupe RITUAL DE ACASALAMENTO.o CERTO E QUE,, INDEPENDENTEMENTE DA CULTURA,DIFJCIL E ENCONTRAR UM POVO QUE ABRA MAO DA DANÇA NA HORA DE se EXPRESSARNão espere nada de tradicional quando o responsável pela coreografia é ojaponês Saburo Teshígawara,que aparece à direita na imagem acima,ao lado do JailarinoRihoto Sato.Eles ensaiam o espetáculo "Glass Toth",que está em cartaz no teatro Chaillot,em Paris.Teshigawara até acha graça em manifestações ancestais de seupaís,como a dança nó,mas o negócio dele é dominar o movimento e,por meio disso,promover a harmonia entre música e espaço.Tanto desapego à tradição lez com quesua arte encontrasse mais espaço na Europa,onde é cultuado como um dos papas da dança moderna.Quando pedem a ele que defina seu trabalho,ele dá declarações como esta:"Dança é uma escultura feita de ar,espaço e tempo.Eu danço para fazer o tempo sumir,eu danço para criar o tempo".Não entendeu?Então dê uma passeada pelo blog da redação [httpz/ /edacaogalileu. g|obolog. com. br],assista ao vídeo de uma performance do coreógrafo e veja como esse conceito se traduz na prática.
  • 19. EDSON FRANCO efranco@edglobo. com. brmini;. uu População:108.700.891 ; Ãrc-ti:1.972.550 km3Tax. : riu . rrrrrlinlaerisirroz 9%Mnrtalirl. irlr› ir : fa i rt il:19,63 a cada 1.000 nascidos vivos Expec Latim de vida 72,84 anos [homens] e 78,56 (mulheres)R e-l ig¡ : io:católicos 06.5110),protestantes (61,3%),outros (05%),não-especificado (13,8%),nenhuma 5,1%)Ggrlrlcu diz:um estudo feito no pais indica que,em média,os garotos mexicanos se iniciam sexualmente aos 14 anos,as meninas,aos 15Fontes:ClA World FactsBooloBÉC,Jornal "Mrlenio"Em fevereiro,a llbldn andou solta pela Cidade do México,que abrigou a edição 2008 da Ex- posição Sexo e Entretenimento.Dançarinas [como a da foto abaixo),atrizes pornô,produtores de filmes e fornecedores de brinquedos para atiçar o fogo de casais [ou grupos) mantiveram entretidas 105 mil pessoas durante três dias.Apesar do bom público,os organizadores reclamaram que os visitantes se recusaram a enfiara mão nos bolsos - pelo menos nos das próprias calças.Consumiram apenas 80 mil cervejas e compraram poucos artefatos.Preferiram dispararar incessantemente as câmeras de seus celulares e se esbaldar com as cabines das dançari- nas.Cercados de v dro,esses cubiculos tinham dois orifícios nos quais o visitante podia enfiar os braços e fazer uma leitura em braile das moças. il' _Of ' -l, l_ l 't l“ _.. l .p ' 1.iu Japão e El Salvador,AFP;México,AP V . i,. l i t._l -Í ,Q f|l l 1 f ,r í l ' l : . l ,t_. . . _ .t¡ ~, l Em ii-ic-r. _j'f'c. rl. "l. '.llã. :PDDLilrÉÇrãOZ 6.948.073 e 75,57 (mulheres)Area:21.040 km?Religião:católicos (83%),outros (17%) Taxa clc- arrnliabetismo:19,8% Galileu diz:a dança LOS Historiantes foi Mortalidaclw ntantii:22,9 a cada 1.000 utilizada pelos colonizadores espanhóis nascidos vivos para converter os nativos ac cristianismoBPECÍÔÚV” di” Vllla¡ 58:18 3005 EhOmÊÚS) FontesrClA World Facts Book,histonantesblogsponcorrrDançarina representa um rel durante Los Historiantes,festa tradicional que acontece em vários pontos do país.Muitos dos dançarinos são jovens arregi- mentados pelo escultor Célio Lopez,o último dos produtores de máscaras de ElSalvador.Ele mantém a tradição viva ensinando tanto a dança quanto a confecção das fantasias.Trazida pelos colonos espanhóis há meio milênio,a celebração dramatiza os embates entre cristãos e mouros,ocorridos há oito sécclos.
  • 20. ADOÇANTE ' V'| " ' h 7 I a0 Ou HÍOCIIÍ O.NOVA PESQUÍSA MOSTRA QUE SÁCÀRINÀ PODE ENGORDÀR MAIS QUE ÀÇÚCÀROs adoçantes.¡crllmcntl sem ulnrlns,cairam no gosto popular por necessidade,desejo de emagrecer ou preferência de paladar.Porém muita gente não sabe muito bem qual é a maneira correta de utiIizá-los.Veja as r espostas para as dúvidas mais comuns.(JULIANA TlRABOSCl-li]Adoçante causa câncer?Alguns paises proíbem o uso do ciclamato,O abuso,ao longo de anos,poce sobrecarregar Alguns estudos do final dos anos 1970 mos- mas no Brasil ele é permitido."Os adoçantes órgãos como rins e intestinos e favorecer o tram uma associação entre o adoçante cicla- são seguros se usados na dose recomendada desenvolvimento de problemas como alergias mato de sódio e o aparecimento de tumores na pelo nutricionista ou médico,baseada nas e tumores."Mas não é possivel afirmar que obexiga."Essas pesquisas foram realizadas em orientações dos órgãos fiscalizadores",diz a individuo tera' câncer por isso",diz Marlene.ratos e com doses muito altas,bem superiores nutricionista.Eles são um risco somente paraàs máximas diárias",afirma Marlene Merino quem não controla a quantidade ingerida,Adoçante engorda?Alvarez,coordenadora do departamento de inclusive de outros produtos que possuem altas Uma pesquisa da Universidadede Purdue nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes.doses da substância,como refrigerantes diet.(EUA) mostrou que,em ratos,a sacarina pode 30 u .i a. ... ___. .s_, ,,. . ROTULOUMASENTENÇA 35gCONHEÇA AS CARACTERÍSTICAS a m_ à DOS ADOÇANTES ESTÉ M MAIS ENCONTRADOS Dmvzja r ~-- NO MERCADO . . . ' ' .da phnta 20 Alguns estudos da década _ demesmü "“"”"*-' de 1970 apontaram - nome já efetosc rcinogêncos ' - -' ' ACESULFAME no lciclanarato de sóldio - erealãlstllílâãg:, DE POTÁSS") l em ratos.Por isso,eleé .tulljjyguaranü_ É ' PESSOõSQUE ilegal nos EUA,Inglaterra,En,em¡ é ______» necessitamlimitara FrançaeJapão.Em mais =assfdadáa 15 [EÉÃQÊÍBO de P°t355'°_ de 50 paises,incluindo Outros adoçantes _ 5° del/ em C°“5“”1" oBrasrl,seu usoe e “S50 dem Io após consulta médlcã- autorizado.Costuma ser d m0» ' ¡ii H-Gefalmmte é 355959110 combinado com a sacarina DEU: : &Elgg;5a, : “r . com SaCallna.e.“ml” de ¡fmsumm assegurar o seu usocrclamato de SOClIO 7 mg/ dm/ kg u n d _ Llmlte de consumo:uma¡ Zemca¡ m5 É nÊ/ 'ãg/ Ízmll' -s- s ' r L "o ulhgâlflsasüíãk) Marcas:atevita (pura) e e Doce Menor G°°d Llght FqrtESndedade Brasileirade Diabetes e FDA -' - _r 'r . _ 'sí-f " =Ig . _ 28 çALrLcu r pariu,'' m*
  • 21. :ñ znxwyv: vcs: engordar mais do que o açúcar de cana.O alto poder edulcorante do adoçante,ou seja,a ca- pacidade de conferirsabor doce,estimularia o sistema digestivo a se preparar para a ingestão de uma grande quantidade de calorias,desre- gulando o organismo e favorecendo o ganho de peso.Alguns cientistas acreditam que o estudo explica,em parte,por que os maiores consumi- dores de adoçantes são os obesos. "A discussão atual e se o adoçante levaria a uma resposta exacerbada do organismo e não forneceria o substrato esperado,a glicose",diz Marlene."lsso promoveria poupança de ener- gia e busca de mais alimento,acumulando mais gordura. " Mas essa hipótese ainda precisa ser investigada em humanos,já que a obesidade é resultado de diversos fatores.Por enquanto,o adoçante continua firme como coadjuvante no controle do peso."Nas doses recomendadas e em um plano alimentar com controle de calo- rias,esse possivel efeito colateral do adoçante seria neutralizado",diz a nutricionista. Grávidas podem consumir?Segundo Marlene,sobretLdo no primeiro trimestre da gestação,deve-se ter cautela com o uso de adoçantes pela possibilidade de efeitos responsáveis por malformações.Há exceções.Desde que respeitados os limites de consumo diário,o FDA [órgão de controle de alimentos e remédios nos EUA] não restringe o consumo de cinco substâncias:sucralose,acesulfamede potássio,sacarina,aspartame e neotame (pouco usado no Brasil)."Mas a orientação deve ser feita caso a caso",diz Marlene. E as crianças? Podem usar adoçante quando recomendado pelo nutricionista ou médico.Como não exis- tem diretrizes especificas para elas,o consumo . ç, GALILEU DL,Todos os anos,acidemesem máquina-s para dest-os matam. ' ~"-.ZSOOcanImonS_ também deve se basear no peso."Vale lembrar que existem diversas estratégias para o con- trole de peso na infância,e muitas vezes nãoé necessário substituir açúcar por adoçante",afirma Marlene.Atenção para o consumo abusivo de refrigerantes diet. Somente produtos dietcontêm adoçantes? Não.Os de baixa caloria podem conte-los.Pro- duto dietético é aquele que teve algum nutrien- te eliminado para atender a uma necessidade,"como a retirada do açúcar para diabéticos,do sódio para hipertensos ou da gordura para por- tadores de hipercolesterolemia".diz Marlene.Já os produtos light devem ter menos que 25% de calorias que o original.Isso pode ser feito por supressão ou redução de nutrientes como o açúcar,freqüentemente substituídopelo adoçante. --- =~ -- «v» -3o l i l l lbl_ -1 m) r~ l,r rlllllll *_- A __: Â- W -unt-: :uaa- : j:w r-c í-_í-_QÊT SACARlNA -"-' ' a Geralmente 7 "- SUCRALDSE l:'í associada ao _ã Aspgnrgm¡ Éo únko que __ _ _A ciclamato,tem __ Feito com proteínasderiva da cana' ' _l poder EÓUlCOFBHÍE natura¡ possui ,Extraída _____ po¡ ¡SSO tem um M___M;200 a 700 vezes __ 2o sabor mas de frutas e Sabo¡ consmemdo ¡ maior do que a semdhante ao mel,possui É_ mas próxmo ao , j sacarose,presente no ___ do açúçanem algumas calorias,do açúcar reñnado_ l açúcar.Foi descoberta comparação T diferentemente -pode ser consumwn ' em 1879 e era utilizada _ mm sacarina de outros tipos de com Segurança po¡ inicialmente como anti- e çidamato,-~ a_ adoçante.Espãcialistas m' dhbéücos' gestantes e i õéptijco e crtnnsferiçantcie.- Germmgnteé FIÊO IECOITIEYI am SEU r ¡ Sã OÇBH ES El OS E agsoçiadg ao í" uso por diabéticos plíaflsãggã: : ggããger *à ciclamato e sacarina têm "" 'i5 sgrbítol exçramo porque favorece f¡s¡o¡óg¡co -_ gosto amargo,mas são __ das frutas a elevação do ¡Jum!de cnnsumo¡ ' os mais baratos uma. ; de colesterol 15 mgmmkg _x_ Llmlte de consumo:_ çonsumn:LÍMÍIE ¡Í!Marc. : uma [com 5 mg/ :lia/ kg 40 mEl/ dlã/ kg í~ '°"5"m°=acesulfame-K) _- Mam" _ Marcas:não estabelecido ZeroCaI FinngcoldMarcas:.. .na E:.. -10 _ Doce Menor e _ Lowçucar › ” jr , r _m : Vv e .l___ 7 A; ~_____ ,›. _-._ __. .._'. ..“. -'. L_- * 'a-F? " ° "o lvan Carneiro;montagem Fan» Duas
  • 22. l_§Í[: _j'_'| _:Z| _;_; ClÊNClAx i' . .___.:t_ ' i' ” 7 l '1”ñ p k W t k_ 'v ”“ 'í' “ 'D c' i ' 4" v _J x1 x x' ; Dçâkí -e AWglÇl e_ _ ›, " /z 4 ,›,-q.sd -p g: - -»: : F3¡ ' K - N x x _ W “ x «mn~_«s~ r o -t ~^ . xamp- ' t Nl¡ * j _ L ç ;* l L:k ¡ l-x ' H _ 'i l »exÍx ' V N¡ Í_ ,Í l t ln* . N x-*~ . I x - o ~ _ t i xl p “Í C.L x lL *Q .t* ÍL " : i- u »r ç 1 v.Lv- e ~ 4“ * . Á __l s __ W _a_ . i _J . *í1': i N_ r t¡ f¡»-¡1»_il ' l _ 1_ “W l 'w * .k ~jwl _ ,_ 4. GENÉTICA _ ,s o acompanhamento psicológico dos casos",diz Gilka.Ao chegar a uma delegacia para fazer30 T_ECi*IOLOGlA E ACONIPAFIHAIVÊEFSTO PSICOLÓGICO SAO AS PEÇAS-CHAVE DE UM PROGRAMA PARA ENCONTRAR CRIANÇAS DESAPARECIDAS E RElNTEGRA-LAS A FAMlLIAí l" uma sala na 25 Delegacia de Pessoas.Desaparecidas,em São Paulo,psicólo- gos atendem familias em busca de crianças e adolescentes dos quais não se tem noticia há tempos.Ali,passam o dia interrogando pais para levantar o perfil da família e descobrir em que situações o desaparecido vivia.Um trabalho complicado.A cada ano,cerca de oito mil crianças e jovens somem da vista de seus familiares no estado de São Paulo.No Brasil,o número chega a 40 mil. Por conta do crescente número de desaparecidos,a Faculdade de Medicina da USP criou o projeto Caminho de Volta.A sala que funciona na delegacia é só uma parte desse programa,que hoje tem 600 famílias cadastradas à procura de ajuda.A outra engrenagem do projeto é um banco de DNA,no qual fica armazenado o material biológico dos pais.Quando uma criança é encontrada, técnicos cruzam o material dela com o dos pais cadastrados."O programa nasceu pelo banco.Há muitos anosjá estamos fazendo teste de paternidade,e resolvemos estender a ciência também para casos de desaparecimento",afirma Gilka Gattas,geneticista e coordenado- ra do Caminho de Volta. Para ela e os profissionais envolvidos no programa [geneticistas,matemáticos,assis- tentes sociais e psicólogos),a análise do DNA é importante porque a pessoa pode desapa- recer quando criança e só vir a ser encontrada bem mais velha,quando fica dificil identifica-Ia apenas por caracteristicas fisicas. Mas só a ciência não bastou para resolver o problema.Uma análise dos casos resolvidos mostrou que grande parte desses desapare- cimentos são crianças ou jovens fugindo de lares violentos."Vimos que só o banco seria pouco e pensamos em alternativas.Dar' surgiuo boletim de ocorrência,os pais são apresen- tados ao programa.Caso aceitem participar,preenchem um questionário com dezenas de informações sobre a organização familiar eo perfil da criança,cedem uma amostra de sangue e conversam com um psicólogo. Segundo Gilka,mesmo quando o banco de DNA não participou do encontro da crian- ça,a familia passa pelas entrevistas com o psicólogo."É uma maneira de reintegrar essas pessoas e evitar novas fugas,quando esse tiver sido o motivo. "Até agora,o acompanhamento tem sido mais aproveitado do que o banco.A estima- tiva é de que 65% das famílias cadastradas estejam passando pelas entrevistas com os psicólogos.O banco de DNA,que por enquanto só identificou duas crianças mortas,deve ter mais eficácia a longo prazo."Assim que ele for estendido ao Brasil todo,acredito que vai poder ajudar mais",diz a coordenado- ra."Sabemos que muitos desaparecidos são levados para outros estados,e poder cruzar dados interestaduais vai evitar que a familia viaje para o reconhecimento físico ou para ir ao IML identificar o corpo. ” [MARIANA ROMÂO]
  • 23. »SlNTESE POUCASLINHAS,ç É lvlUIT/ &INFORMAÇAOf » ASTRÔNOMO AMADOR 5 Xtar:r:por falta de telescópio que a ›.rn de flCü' sem ver o Cosmo.l d-: tiãtl-_Ê (iilter rormente como umaparte cio Goo-ele Earth,a lerrarrrentaGoogle Sky foi reoagirmda e se tornouma s acessivel.Agora basta digitarwww. google. com/ sky para terEiiÂ-“SSLJ afotos dosntcrlrtecjur) repre-sentam todo a cel¡ noturno visivel em"nosso tllcTlTEÍEI,inzn rmceção dos pólos. E NilslfiiltjblláESlãUlEglSllBdaSliílClãlmenos qirelODrnillroes de estrelasO f sistema de busca permite identifica-:de olanotascconstelaçóes. orln 'í-rmu. ílWClSÍiU garantida.;» MAGNETISMO PESSOALr . alriazarro e' o novo idoio dosa» th;lirrlrland,ililPllDí do “J dri- tloirn York.O qnroto de/,anna tram os ro-arotitadoes de su. : mr rlr,ripiirrrrrte-rrrente cjraçasà ::lili r.rlnríw vstgitira em seu corpo.A . nau lo» uma pulse-na antrestátl-: o =te,rrias em caso ma.lrcor 'onge do videogame.'rlisioá em prolilerrnrs elétricos e ostétri tre já vxnrnrrraranr o garoto, em de seus "poderes" na rem* uil nrrster io.» MORTE NA FARMÁCIAdo ; r ASSOUJÇÕU Brasileira clas . .i, ~,t'r. i~, l líllllcit ihitlr as [Àbifawnal, ljwsíívil ; rriorrerrranualmenterrtoxrv ração,:: roer spnsríirlrdade?ou; r nrsrrórlros ctrmo : analgésicos É Ot1!l. ',~ll'~lJ*n. lVltÉLlHUSÍlDliislilLllOllê Í blllrl'É : ols Ocular os cltl tam:riem3-' lubrificantes,que produzem É menos efeitos colaterozs,devem serSl Nelson Provazi;2 AP AMBIENTEUMA T TT rINCONVENIENTE? REUNlDOS EM NOVA YORK,CIENTISTAS CONCLUEM QUE MUITO DO QUE SE DlZ SOBRE AüUECliuiEírlTO GLOBALE BALELA E DEFENDEM A INOCENCIA 'DO HOíui if.NESSA HISTORIAa GALILEU mz.Ate 1752, a noite l.5' de Ano Novo era l ' i celebrada eml 25 de março na , I Inglaterra e EUA l' «im L x "se mm;-a 1_' u aii":k' . _muralr i omos culpados de vários crimes ambientais.Mas há agora um time de genter gabaritada disposto a livrar a nossa cara em pelo menos um deles:o de agentes do aquecimento global.No inicio de março,cientistas "céticos" se encontraram na "2008 International Conference on Climate Change",em Nova York,parajuntar estudos que sugerem que o atual aquecimento nem é motivo de tanto alarde.Será?Conheça os argumentos dos caras.[MARK LUND,DE NOVA YORK]DISCÕRDIA:o : ecc [Painel Intergovernamental para a Mudança Climática,na sigla em inglês) e o ex-vice-presidente americano Al Gore defendem que há um consenso entre os cientistas:o aquecimento global é antropogênico.Segundo o grupo de Nova York,o argumento é falso.A própria conferência seria a prova mais concreta de que não existe consenso.Foram reunidos pela primeira vez Ph. Ds de instituições respeitadas do mundo inteiro,todos especialistas em suas áreas. A VAPOR:Somos alertados que a humanidade vem despejando aproximadamente 6,5 toneladas de CO2 na atmosfera todo ano.Pouco se ouve falar,segundo os "céticos",que a natureza por si só despeja mais uns l50 a 200 bilhões oriundos de processos naturais dos mares e da Terra.Ou seja,o homem participa num ciclo de carbono natural terrestre com apenas 3% de contribuição.O que também recebe pouca ênfase nos noticiários é que o gás que mais contribui para o "efeito estufa"não é o CO2, mas,sim,o vapor de água.Disseram os cientistas que,enquanto os "alarmistas" apontam para o CO2 como sendo o vilão da história, esquecem de nos lembrar que o vapor é o gás responsável por quase 98% do "efeito estufa".CO2 é um figurante,pois é responsável por menos do que 2% do fenômeno. TERMOMETRO:Com o estudo dos "icecores" (núcleos de gelo),sabemos que,em eras interglaciais anteriores à nossa,o calor em várias ocasiões foi maior do que hoje,sem ameaçar a vida.Analisando especificamente a nossa era inter- glacial,o Holoceno,vemos que os ursos-polares resistiram a temperaturas mais altas que as de hoje.Outro periodo de aquecimento ainda mais recente foi o "Alta Medieval",durante o qual a Groenlândia recebeu o seu nome. O verde da Greenland [terra verde,em inglês) eos vikings sumiram do mapa quando chegou a "Pequena Era do Gelo" [l350-l840) e cobriu a Groenlândia com gelo novamente.Isso sim foi uma mudança climática drástica.Aliás,diz Bob Carter,da James Cook University (Austrália),a perspectiva histórica indica que a instabilidade climática atual é mais sintomática da vinda de uma nova era glacial do que uma febre global.
  • 24. e**ENTER CADEIA AO[l INSURGENTE ' 1 'l 1953 - Em 26 de julho,u.. .advogado recém-formado ' de 27 anos chamado Fidel Alejandro Castro Ruzlidera ataques contra os quartéis de Moncada e Carlos Manuel de Céspedes.O ato foi o primeiro de umarebelião contra a ditadura de Fulgêncio Batista.A empreitada fracassou,Fidel foi preso e condenado a l5 anos de cadela,mas a lnsurgência continuaria latenteCAUSA PROPRIA1955 o A rebelião de l953 serviu como pedra fundamental do é;_7 _ ."Movimento Revolucionário 26 de Julho" - e rendeu a Castro dois A _ P*) anos em diferentes penitenciáriascubanas.Em seu julgamento,;ele decide fazerapropria defesa. Comumdiscurso l- 'i pu ngente (marca registrada] em que defendia o direito popular de combater a tirania,ele torna célebre a frase "a História me absolverá".Graças a um grande apelo popular,Fidel é anistiadoeexilado no México,onde turbina omovimento contra Batista1956 I Se há um adjetivo que cai como uma luva para FidelCastro é "obstinado".Liberado da prisão,ele não demorou a reunircom 8l guerrilheiros para desembarcar em Cuba.Ele vinha dos EstadosUnidos,onde havia passado meses discursando e pedindo apoio de cubanosexpatríados (quem diria. ..).A bordo do iate Granma,atracou e rumou para a Sierra Maestra,região isolada da ilha.Mas o grupo foi surpreendido pelo exército de _ Fetsênsíe? atíãteftesaeàlêhemenáçiiesêrem@destes ____
  • 25. TOMADA DE HAVANA1959 I Por mars de dois anos Fidel Castro permanece na Sierra Maestra organizando seu Exército Rebelde Cubano.Usando apoio norte- americano,planejava a tomada da capital.Deu certo:em 19 de janeiro,Batista foge para a Flórida,e uma semana depois o orgulhoso Fidel Castro lidera uma marcha de entrada em Havana.E seupoderjá começou amplificado:foi logo declarado "Comandante em Chefe de todas as forçasar madas,terrestres,aereas e maritlmas" e,em meados de fevereiro,priIneIrD-mrnistroREA Ao vAN EE1961 I Nos seus primeiros anos de governo,Castro naclonallza empresas estrangeiras,recebe subsídios da União Soviética e declara um regime socialista.A melhoria das condições de vida para os menos favorecidos é qrltante.Contrárros ao avanço do comunismo,os americanos rompem relações com Cuba após um ataque malsucedido na Baia dos Porcos,em i5 de abril.Cerca de 1.400 antlcastrlstas treinados pela ClA tentaram invadir o pais,mas foram derrotados em três diasGUERREIRO 7 APOSENTADO I2008 o Depois de passar um ano e rrleio afastado da presidência por ncia aos se iscar oern 19 de ç fevereiro em favor do lilTlc , Raul Foram 4D anos de regimeproblemas de saude,Fidel Castro e FLÁVIA PEGORIN galileu@edglobo. com. brSUPERPOTÊNCIAS PREsmoNADAs1962 I Provocar os norte-americanos é tarefa fácil para um lider que nunca temeu crises internacionais.Em outubro Fidel Castro pede à URSS a instalação de mísseis soviéticos no território cubano.Desafiaclo,o presidente John Kennedy decide decretar um embargo econômico e bloqueio naval à ilha - embargo que persiste até os dias de hoje e estrangulaa economia cubana.A chamada "Crise dos Mísseis" quase descongelaa Guerra FriaCOMANDANTE EM CHEFE1965 o Castro funda o novo Partido Comunista de Cuba e se torna primeirosecretário.O companheiro Che Guevara,então escaladocomo um propagador do socialismo,parte para liderar revoluções em outras partes do mundo.Fidel decide ler' a carta de despedida de Che em público para tentar abafar os boatos de que a relação entre os dois era terrívelÊxooo ,ESPONTANEO1980 I Em abril,primeiro um ônibus e depois 10 mil pessoas invadem a embaixada do Peru em Havana - eles queriam asio politico.Indignado com a falta de patriotismo,Castro proclamou que o porto de Mariel estava aberto para as pessoas que quisessem deixar a ilha e tivcssom "carona",pois a revolução não precisava delas.Foi um fiasco:nos seis meses em que D porto esteve aberto,125 mil cubanos deixaram o paisque eledeixou para trás alegando Irão ter mars condições fisicas de se doar ao país.Mas mantém o cargo de prrmelro-secretár ro do Partido Comunista de Cuba. GALlLEU DlZA ave-simbolo deCuba é o tocaram.Ele é azul.branco e vermelho,como a bandeiraO FIM DE UMA ERA1991- Uma mudança de rumo do outro lado do globo causa forte impacto em Cuba.A queda do Muro de Berlim e ofim dos regimes socialistas no Leste Europeu levam à dissolução da União Soviética.Ou seja,Fidel perde seu maior aliado em subsídios econômicos - o pais recebia Lima espécie de "mesada" da URSS.O estado cubano,que já estava em situação complicada,passou a sentir todo o isolamento do bloqueio imposto pelo vencedor da Guerra Fria,os EUA.Recentemente,ao receber a visita do amigo Lula,Fidel disse sentir saudades da URSS."É como se o sol não nascesse mais",disse ao presidente brasileiro
  • 26. ÊÍÍZEBEBSEM DÚV| DAliFONOAUDIOLOGIACOMO FUNCIONA O APARELHO FONADOR.MARIANA LEMOS.SÃO PAULO,SPGraças às cordas vocais,podemos falar,cantar,chorar e dar aqueles berros genuinos e fez uma espécie de permuta com os sistemas respiratório e digestivo em momentos de fúria.Se tomarmos como base a dimensão pequena do nosso do corpo para conseguir seformar.Até pouco tempo,cientistas não sabiam ex- sistema vocal,jamais poderiamos mensurar a enorme potência que tem.Ele é plicar como a voz de um cantor poderia ser tão potente e versátil quanto o som deformado apenas pela laringe e seus componentes,entre eles as cordas vocais,fa- um instrumento milimetricamente construido pelo homem.Mas,usando fibra ringe e cavidades oral e nasal.Se fosse colocado numa orquestra,ele certamente ótica,os pesquisadores conseguiram "entrar" na laringe e identificarestar ia posicionado lado a lado com os instrumentos mecanicamente mais elementos presentes no sistema vocal com funções semelhantes simples.Nosso aparelho fonador,onde fica o sistema vocal,não possui órgãos aos de aparelhos de som.rcouieorzou:MARIANA ROMÃO] NÓS e os INSTRUMENTOSAssim como a voz humana,a maioria dos instrumentos musicais contam com três elementos básicos: o Uma fonte de som que vibra no ar e cria uma freqüência fundamental e outras harmônicasrelacionadas e que definem o timbre [a "cor" do som)w .9 Um aparelho que reforça ' r . N ou amplificaafreqüência 'l fundamental e suas harmonias ' eUm irradiador de som quetransfere o som para um espaço livre de ar e para os ouvidosE Fonte de som Irradiador de (Coma) oK K o som (bOcaJ Amplificador de som [tampo superior] elrradiador de e Cavidade oral som ("f hole")Amplificador de som e (vias aéreas]Fonte de som [cordas vocais da laringe]
  • 27. ç¡ GALILEU DlZ ~,Neste exatoc' : i momento,0,7% l ' l_ da população V» mundial deve ç ' -,estar bêbada 7 A MECANICA DAS i CORDAS VOCAIS' LAR| NGE vlsTA Diferentemente das cordas de um violino,'Ç K ~ PELA BOCA as nossas têm uma estrutura _formada por “ _í três partes,que permitemadiversidade _ ' t Huxo de ar de freqüências que um cantoré capaz de ' . ___ alcançar.Em cada corda há uma espécie l '* “ t de ligamento,onde estão os músculos ) contrativos,cobertos por uma membrana mucosa.Músculos que cobrem a cartilagem ' anexa às cordas alongam Ligamento os ligamentose ajudam a produzir freqüências mais T_ 4 o? , Músculo altas.Quando se contrai,. esse musculo aumenta a l °-« Membrana tensão da corda, oque gera l mucosa uma variedade ainda maior Cordas vocais ›- l « de freqüência.Quandooar dos ESTRUTURA pulmões passa pela membrana,ela CME DA (Num oscilaetroca energia vibracional com 7 essa corrente,criando ondas de som.SOM NA CAIXA 0 som produzido na laringe seria inaudivel se não Conforme o movimento das colunas de ar,as cordas voltam l ¡ fosse amplificada.A estratégia que ocorpo usa para a se fechar e cortam a corrente de ar que sobe dos pulmões w ' intensifica-lo é a seguinte:uma ação "empurra-puxa" C3).Essas ações do organismo ocorrem rapidamente e criam Ç K ~ do ar na laringe aumenta o balanço das cordas vocais.um vácuo na glote,que age para que as cordas vocais se “ ; y Quando as cordas começam a se separar,o ar dos batam com força,criando ressonância.Numa criança,o ciclo K ' ~_ pulmões sobe e faz pressão contra o ar que está vibratório se repete mais de 250 vezes por segundo,fazendo “ i _A parado no vestibulo da laringe CI).A inércia desse com que a vibração do ar seja grande e gerando sons maisar estacionário aumenta a pressão na abertura entre agudos.Nas mulheres,as cordas se movimentam até 220 /as cordas [a glote] e as deixa mais separadas (2).vezes por segundo,e nos homens,cerca deilO vezes.ABERTURA DA GLOTE FECHAMENTO DA GLOTE Coluna de ar A. . estacionáno , _____4 Pressão subindo .* Í i Í Pressão descendo ' Í Í ' Í Vestibulo da laringe Glote .Corda vocal - Abertura da “da Fechamento da corda _ -. . _ Ar dos pulmões Ardos pulmões . Alta pressão ,, '. Ssnuroíaisetii
  • 28. li'rT SEM RESPOSTAQUANDO TEREMOS ROBÔS SUBSTITUINDO os HUMANOS? Algumas tarefas que eram executadas exclusivamente por humanosjá são feitas por máquinas.Há andróides que arrumam a casa,vigiam a vizinhança e até realizamcirurgias Mas,quando o assunto é fazer companhia ou ter uma capacidade de processamento próxima à do cérebro humano,aindaestálongeodiaemqueosrobEispodeiãorIossubstituiMÇmAmmwLEmDRDkFERREIRA) -“l &Ls-É;Lz: ..: íf ell MEDlClNA.... ' SEGURANÇA Alguns l°b°sla @dem se' "Sms ~- Não é só no Brasil que a preocupação substituindo humanos em funções com Segurança é a bob da m_ üenüs_ muito importantes.Exemplo dissoé oSensei Robotic Caheter,robô cirurgião cardíaco que vem sendo utilizado pelo hospital britânico St.Mary. l Mais de 20 pacientesjá foram operados por ele, que é equipado com uma mão robótica controladaàdistância por um médico.Aatuação da máquinadeixa a cirgurgia mais segura devido ao fatode ela possuir predsão milimétrica e não terproblemas como temores em um momentodecisivo para a vida do pacientetas da Universidade de Aviação Civil da China criaram um robô que consegue patrulhar áreas residenciais,comerciais e espaços públicos,independentemente das suas superfícies.Caso o dono não programe sua rota,o robô "decide" sozinho.O andróide é capaz de escanear várias faces simultaneamente e re- - conhecer um foragido na multidão,desde .. que o rosto já tenha sido cadastrado em - seu sistema pela policia.O pequeno vigilante chega às ruas do Japão em 3 ou 4 meses FAZ-TUDO cenenno Aempresajaponesa Sony Omaior desafio nesse rampné impressionouomundo ,reproduziracapacidade de processa- f comseu humanóide «_.mento do cérebro humano.SDR-fix (ao lado).O robô A empresa Artificial Development ceu um passo .mede apenas 60 centimetros de altura e nessa direção.Criou o CCortex,programa quepesa 7 quilos.Para executar tarefas como recolher objetos que encontra pelo caminho e reconhecer e interagir com pessoas,a máquina é equipada com duas câmeras digitais que fornecem uma visão tridimensional.Achou pouco?Pois saiba que o baixinho anda sobre diversas superfícies,senta e realiza mais de36 movimentos diferentes.Tudo isso faz dele.um dos robôs maiscomentados dos últimos temposrepresenta o padrão de funcionamento do córtexhumano.Para tanto,utiliza 1.000 processadores, l terabyte de memória RAM e 200 terabytes dedisco.É mais de 10.000 vezes mais potente doque qualquer tentativa anterior de replicar as caracteristicas da inteligência humana,mas ainda não chegou láFMEBBIJTSÍÉÊÃDQQF " 'lnã¡ Q' o C E-mail:sernduvida@edglobo. com. br - Fax (11)3767-7707 Endereço:Avenida Jaguaré,1.485, 49 andar,05346-902, São Paulo,SP(O Cellus
  • 29. MEME! !O fim justifica os meiosMARCELO GLEISERAPESAR DOS AVANÇOS NAS SIMULAÇÕESPOR COMPUTADORES,A MEDICINA E A BIOLOGIA AINDA NAO PODEM ABRIR MAO DOS TESTES FEITOS COM ANIMAIS cmo é feita a ciên- isso não ocorre apenas nasda?Como os cientistas ciências fisicas.Na biologia e chegam às suas conclusões na medicina éa mesma coisa.sobre os mecanismos e Se queremos obter um novo propriedades do mundo remédio,várias possibilida- natural,da vida e do corpo des têm de ser testadas até humano?Essa questão vai que se tenha sucesso.No ao coração do que constitui caso da medicina,o dilema ciência e verdade científica.envolve a natureza dos Muita gente acredita que testes.Como testar uma ciência é sinônimo de ver- droga experimental num ser dade,que as afirmações dos humano,se não sabemos se cientistas são uma certeza vai ou não funcionar?Se,em absoluta.A coisa não é assim alguns casos,ela pode até tão simples.lsso porque o matar o individuo?próprio conceito do que é Aqui entram várias verdade evolui,muda com o considerações éticas que tempo.O que era verdade na não aparecem nos testesépoca de Cabral,um Cosmofechado com a Terra imóvel no centro,não é mais verdade.Por outro lado,sabemos que,se alguém cair de um telhado,vai se espatifar no chão com uma velocidade calculável usando a lei da queda livre de Galileu,aprimorada nas leis de movimento de Newton.Essas leis não falham.Serão,então,uma verdade absoluta? Tudo depende da natureza do fenômeno.Se a teoria cientifica e' baseada em medidas,ela tem de oferecer uma des- crição precisa do que está sendo medido.Por exemplo,no caso da queda,Galileu mostrou que todos os corpos,indepen- dentemente de suas massas,caem com a mesma aceleração.Essa aceleração,mostrou Newton mais tarde,depende da massa e do raio da Terra.Ou seja,em outro planeta,a lei de Galileu também funciona,mas os corpos cairiam com uma aceleração diferente.Fenômeno descrito,assunto encerrado,certo?Errado! Teorias cientificas estão sempre sendo testadas.E se o corpo cair muito rápido?E se a massa do planeta,ou melhor,de umaE) Montagem ,Pepe Casalsestrela,for muito grande?Será que as leis de Galileu e Newton ainda funcionam?A ciência avançajustamente quando teorias são expostas ao seu limite de validade.De certa forma,cientistas são como crianças tentando quebrar seus brinquedos,testando até onde eles agüentam os seus abusos.São das falhas de uma teoria que nascem novas teorias.No caso da queda dos corpos e da gravidade,Einstein mos- trou que as leis de Newton têm,sim,limi- tes.Por exemplo,elas não explicam com alta precisão a órbita de Mercúrio.Nasceu assim uma nova teoria da gravidade,a teoria da relatividade geral,da qual a teoria de Newton e' um caso limite,funcionando quando os objetos têm massas pequenas comparadasà uma estrela como o Sol ou estão bem distantes dela. Portanto,a ciência não é sinônimo de verdade,mas da constante busca por ela.Cientistas sabem que a noção de verdade é algo elusivo,que quando achamos que chegamos perto ela escapa por entre os nossos dedos.Por isso é necessário testar sempre hipóteses e teorias cientificas.E(Iontlstns interessados em salvar vidas (humanas) não têm muitas alternativas aos testes com animais.Que os façam do modo mais humanoda relatividade geral.Emmuitos casos,drogas e tratamentos (e cosméticos] são aplicados em animais antes de serem testados em humanos.lsso significa que pomos um valormaior na vida humana do que na de um camundongo ou chimpanzé.Imagino que ninguém goste disso.Por essa razão,vários laboratórios,especialmente de cosméticos,declaram não fazer testes em animais.Na medicina e na biologia,a coisa é mais complicada.Para combater as doenças,precisamos de remédios.Apesar de não exisitir uma solução óbvia,simulações em computadores cadavez mais avançados tendem a aliviar ao menos um pouco esse dilema.No meio tempo,cientistas interessados em salvar vidas (humanas) não têm outra opção.Espero que o façam do modo mais humano possível.Afinal,nós não gosta- ríamos de ser cobaias de outra espécie. MARCELO GLElSER,de 49 anos, é professor do Dartmouth College,nos Estados Unidos,e autor de cinco livros sobre ciência e conhecimento
  • 30. I o › i .iitkfa: : i ou:› t s l ls» irêiiiii* l __ .**** *a c' 'l 3.3"” Ou - " ÍHKIEI'EIIIEWW a I ilj W _ _I l1 e_l l- * If_ _rI;¡ ›. -IIIL. IAILVA“= ."II f-I 4. : :I "amam 'Jum
  • 31. IIXICENTIVO A0 SUICÍDIO llllllll ¡IIIIIIIIIIII? i g as últimas semanas,fui uma l__jovem deprimida à beira do 'suicídio.Também fui um pe- E I" dóñlo buscando pornografia_ j¡ infantil,uma menina ingênua Pá¡ assediada por homens mais velhos em chats e uma garota anoréxica procurando dicas para emagrecer.Não,lei- tor,não estou sofrendo de múltipla perso- nalidade.Esses personagens fictícios me acompanharam durante uma investigação sobre o que acontece de pior nas redes derelacionamento da internet. '- il~âll RECEITAS OE BOMBA,BLOGS ANORE'xIcOS,FÓRUNS RAcISTAS,MANUAIS SUIcIOAS.MERGULHAMOS NO LADO SOMBRIO DAINTERNET PARA ENTENDER POR QUE ESSE CONTEÚDO SE OISSEMINAEcOMO As COMUNIDADES "DO MAL" SÃO COMBATIDASIllIlIlIlIIllllllllllllllllll llllll llNinguém nega que sites como Orkut,Myspace e Facebook,além de fóruns e lis- tas de discussão,são ferramentas sensa- cionais de comunicação.Mas há quem use esses sites para aprender a construir bom- bas e violar mercadorias.Para disseminar intolerância e violência.Ou incentivar comportamentos perigosos como anorexia e suicídio.A facilidade para discutir em grupo coisas sombrias levanta uma ques- tão:onde termina a liberdade de expressão e onde começa o crime?Além da lei,outra questão:o que fazer?»41
  • 32. Q. 'E FAZENDO PASSAR POR SUICIDA1s; ovo*SUICÍDIO» O CASO QUE' MAIS CHAMOU ATENÇÃO no Brasil para o lado negro das comunidades virtuais foi o do gaúcho Vinícius Marques,que cometeu sui- cidio em 2006, aos 16 anos.Conversas arquivadas no serviço Google Groups mostram que Yoñlu (per- sonalidade virtual de Vinícius) obteve orientação e incentivo da comunidade para morrer inalando mo- nóxido de carbono.Em Ponta Grossa (PR),o jovem Thiago Arruda se matou de forma semelhante em 2oo7, depois que ofensas homofóbicas no Orkut ex- trapolaram para a vida real.Nos EUA,Megan Meier,13 anos,se enforcou por causa de mensagens que trocava com um certo John Evans,16 - um perso- nagem criado pela mãe de uma ex-amiga.Em Brid- gend,no País de Gales,17 jovens se enforcaram des- de janeiro de 2oo7. A policia acredita haver conexões entre eles no site Bebo,um Orkut britânico. Para tentar entender histórias como essas,en- trei em uma lista de discussão cujo tema é "tirar a própria vida?Me fazendo passar por suicida,escre- vi:"Decidi me matar e quero saber qual o método menos doloroso".Em pouco tempo obtive respos- tas."Procure os arquivos sobre os coquetéis (. ..) ou (. ..).São os métodos mais letais e menos dolorosos para ír embora?disse um internauta.“Uma overdo- se de um barbitúrico de ação rápida como o (. ..) ou o (. ..) e considerada a melhor maneira pelos grupos de eutanásia”,ensina outro."Se fizer do jeito certo,o enforcamento não é tão doloroso,além de ser barato e fácil.Só precisa uma cordaí disse alguém."Explo- sivos não são tão difíceis de conseguir.Uns 2o litros de diesel e um pacote de fertilizante devem produzir uma explosão suficiente para te incinerar instanta- neamente.Mas,para ter certeza,dobre ou triplique a quantidade?afirma o último.~ y ESCREVII “DECIDI ME MATAR “4É E QUERO SABER QUAL O MÉTODO MENOS DOLOROSO"- EM POUCOÉ ,E TEMPO oarrvs VÁRIAS RESPOSTASFiquei chocada com a objetividade das respostas.Ninguém se mostrou perturbado,e apenas um dos meus interlocutores perguntou qual o motivo da minha decisão.Depois,entendi que aquelas pessoas estavam habituadas a discutir métodos de suicídio e dividir experiências traumáticas,como desempre- go,ñns de relacionamento,abuso sexual,vicio em drogas e doenças terminais.Há inclusive quem tenta dissuadir os suicidas."Eu imploro,não escolha uma solução tão drástica.Você tem (diferentemente de mim),toda sua vida pela frenteí escreveu um par- ticipante para um garoto de 18 anos que pretendia tirar a vida.“Pode soar hipócrita para alguém que planeja se matar ainda neste mês (. ..) Sou a favor do direito de alguém acabar com a própria vida,apenas certifique-se de que a possibilidade de felicidade re- almente não existe?aconselhou. Mas,para cada pessoa que envia mensagens como essas acima,há muitas outras dando força.O que leva a essa atitude?“Quem faz isso pode estar sendo irô- nico,pode não levar a sério a ameaça de morte ou até estar testando teoriasí diz Luciana Ruffo,psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC de São Paulo.Também podem ser suicidas potenciais que pensam estar ajudando pessoas com o mesmo problema."Mas com certeza são pessoas que precisam de ajuda,precisam se conhecer.Não estão adaptadas ao meio em que vivem. ""Eu acredito que para o Vinícius foi absolutamente decisivo o fato de alguém cortar essa teia que o pren- dia à vida?disse o psicanalista Mário Corso,tera- peuta do garoto,em entrevista à revista “Época”."Ele brincava com a idéia de morrer como uma saída para as crises de angústia e desespero.Mas tinha laços fortes com a vida que podiam resgata-lo.Sem aquele último estímulo ele não teria tido coragem para se matar,como não teve das outras vezes?afirma Cor- so,que só tomou a atitude de se expor por acreditar que o que aconteceu com Vinícius foi criminoso.In- centivar alguém a cometer suicídio ou prestar auxílio para que o faça é crime previsto no código penal (veja quadro "Chat e Castigo")
  • 33. “Pesquisas mostram que potenciais suicidas têm muito medo de sentir dor.de não escolherem o mé- todo adequado ou executa-lo mal e sobreviverem com seqüelas graves a uma tentativa malsucedida”,diz David Phillips,professor de sociologia da Uni- versidade da Califlãrniz¡ e um dos maiores pesquisa- dores do mundo de casos de imitação em suicídios.“Acredito que ter alguém te ensinando como fazer é um fator de risco”.afirma.“Além disso,experimen- tos de psicologia social mostram que muitas pessoas só tomam coragem para tomar atitudes que violam nonnas quando vêem outras fazendo o mesmo.É como se ganhassem permissão. " Esse principio da imitação vale para todos os comportamentos “des- viantesí mais evidentes na internet. Não se trata de demonizar a rede:ela apenas fa- cilita a conexão entre as pessoas,sejam amantes de bolo de cenoura ou suicidas potenciais."Esses sites permitem que pessoas passando pelas mesmas ex- periências se encontrem mais facilmente”,diz Will Reader.professor de psicologia da Universidade de Sheffield Halam.no Reino Unido."Antes da internet era mais dificil para suicidas potenciais encontrarem uns ; nos outros,!nais tlifícil ainda para individuos desenvolverem 'culturas suicidas' nas quais uns en- corajam os outros a se matarem. " LJ Arquwo nessonl;url” APMás companhias: Vinícius Marques (à dir. ) foi incentivado por amigos virtuais a cometer suicídio.Seus desenhos [à esq. ) estão no encarte de seu CD póstumo.Abaixo,Megan Meier,13 anos,que se enforcou após receber ofensas deum pretendente fictícioINTOLERÂNCIAAS COMUNIDADES virtuais também são um meio ráipido,eficiente e zibrzmgente de (livulgar con- ceitos e preconceitos."Ocorre nesses sites o que acontece com qualquer forma de interação social,seja ela mediada por tecnologia ou não”,afirma o psi- quiatra Benilton Bezerra Júnior,professor da UERJ.Exemplos de intolerância de todos os tipos são far- tos no Orkut,em comunidades como “Fraveco e na Facada" ou "Animais eu mato e na facada".Um dos tópicos da comunidade “Foda-se vizinho de merda" (liscutia o que era pior,ter um vizinho crente ou fã de funk (íarioca.“Os funkeiros da frente,que (guando ligam o som : aparece tanto preto que a minha em- pregada até recolhe a roupa do Varal,pois zicha que é arrastão! ? escreveu um dos membros.“Agora tem um preto safado,lllilCilCo fedorento. .. ¡aedreiroll!Pre- sidiário. .. fugitivo?escreveu uma usuária sobre ou- tro membro participante de um fórum. Ninguem se intimida.A ; intropóloga Adria- na Dias,por exemplo,não teve dificuldades em
  • 34. 'U DISSE QUE TINHA IE ANOS1MASÍl ELE NÃO SE INTIMIDOU- “CURTE» enconítranquasernil sites com conteúdo na- zistaie revisionistzi (negadores do Holocausto),para seu mestrado na Unicamp.Geralmente,muitos* participantes se dizem alemães e arianos,mas qua- se ninguém prova ser descendente."Essas pessoas construíram,socialmente,uma paranóia?afirma Adriana.“Dizem que os judeus representam uma ameaça econômica,que homens negros que apare- cem na televisão mexem com a libido das mulheres e que a adoção de crianças negras e o casamento inter- racial estão levando ao genocídio da raça humana. " Segundo Adriana,o fator coletivo é fundamental em tanto ódio:"Eles vão discutindo entre si e vão sendo convencidos paulatinamente que os negros e judeus querem tomar seu lugar na sociedadef diz.P#lIW@nur-aumnugieliiitseiéiria¡Ammamr¡*“ FALAR DE SEXO? " NÃO HÃ QUALQUER j* E _” CONTROLE¡ CRIANÇAS DE QUALQUER 'Ii *U /IDADE PODERIAM TER ESSA CONVERSA 'ov Harum.9.* Fmll? ?fg' F__amjamw gn¡ Iran:a5;_ _glÍÊ: :thin ' '›-= ~?-i-r"'~ Ulyrsza l . k.5.a«r_onrir'r' n¡ 'tmn- um r-. iun-: ts-! Jitr-; iePara a psicanalista Fani Hisgail,da PUC de São Paulo,pessoas que se comportam dessa maneira e chegam a incitar a morte de outro grupo estão à margem do código social e da ética."Elas desejam criar conflitos,situações maléficas.São as misérias humanas?diz.Segundo Adriana Dias,elas são esti- muladas pelo anonimato da rede e não têm medo cle sofrer conseqüências legais."Dizem que têm direito à liberdade de expressão. " Sim,a Constituição brasi- leira garante esse direito.Mas proíbe o anonimato,justamente para responsabilizar quem abusa da li- berdade de expressão. Hospedeiras de comunidades virtuais como o Yahoo!e o Google (proprietário do Orkut) preferem remediar do que prevenir,atendendo a denúncias dos usuários e solicitações judiciais.Segundo o diretor de comunicação para assuntos públicos do Google no Brasil,Félix Ximenez,das 2o mil denúncias se- manais,950/0 são infundadas,geralmente motivadas por desafetos.Ele cita como exemplo uma denúncia contra uma comunidade sobre nazismo."Mas era um grupo que debatia o tema,havia mais opiniões negativas em relação ao nazismo do que positivas. "A comunidade foi mantida. Vírus 27 é um membro dos Careca;do Subúrbio,grupo da Grande São Paulo que usa a internet para divulgar as suas idéias homofóbicas
  • 35. PEDOFILIAPRQSSEGUINDO MINHAS pesquisas pelo lado sombrio da rede,entrei em uma sala de bate-papo de um grande portal brasileiro,em um grupo para usuá- rios de i5 a 20 anos.Logo de cara se percebe que sexo é o tema predominante.Fui chamada várias vezes e comecei a conversar com um usuário que se dizia um homem de 22 anos."Ei,gatinha,vamos pro MSN agora,curtir algo mais quente pela webcam.Que tai,você topa? '§ perguntou.Eu disse que tinha 12 anos,mas meu interlocutor não se intirnidou."Curte fa- lar de sexo? 'Ç continuou."Sou tímida",recuei."já fez sexo? 'Ç ele insistiu.Respondi que não e perguntei se não me achava muito nova,mas ele insiste."Só pra gente brincar,só matar a curiosidade.Você não tem webcam mesmo?Você me mostra algumas coisinhas,eu te mostro tudinho que você tem vontade. ” Não há nenhum tipo de controle:crianças de qualquer idade poderiam estar participando dessa conversa. “O abuso não é só penetração.Um olhar lascívo pode ter um efeito devastador sobre uma criança?diz a psicanalista Fani Hasgail.“A pessoa que tem esse problema deve procurar ajuda,saber recuar frente a seu objeto de desejo. " A ajuda pode inclusive surgir nas próprias redes de relacionamento.Como na co- munidade "Pedofilia - Ajuda ao Pedófilo" do Orkut,moderada pela auxiliar de enfermagem e psicóloga Lidia Mara (“Brisa" no mundo virtual)."Eles se aju- dam a controlar seus impulsos,pois sabem os da- nos físicos e psíquicos que um abuso causa em uma criança.Inclusive alguns sofreram isso na infância?disse Lidia,que ressalta que,apesar de sua forma- ção,não atua como profissional,mas como amiga.“A comunidade é criticada abertamente por pseudo- justiceiros a fim de 5 minutos de fama.Mas em que outro local pedóñlos trocam informações para não abusarein de crianças sem divulgar materiais porno- gráficos ou fazer apologia à pedofilia,com a seguran- ça do anonimato e de sua integridade física? ”" zostar sexualmente de crianças afeta drástica e permanentemente a sua relação social?me con- ñdenciou “Johnnieí 23 anos.Ele diz ter começado a perceber que gostava de meninos mais novos aos 14 anos,quando arrumou a primeira namorada.Mas enfatiza que o sentimento é platônico.“As comuni- dades fazem um papel importante no combate.Uma vez que um pedófilo faz um amigo igual,ele passa menos tempo pensando na criança.Ninguém me- lhor que um pedófilo para agüentar as desilusões »imundo Diriasu,Folha iviiagwiriCHAT E CASTIGOSeus atos na internet podem infringir a leiEXEMPLO CRIMEDizer que alguém Calúnia cometeu algum crime:Artigo 138 do Código "Ele é um ladrão" Penal [CP]Espalhar um boato Difamaçãopara uma ou mais Art.139 do CP pessoas Ofender a honra,injúriadignidade ou decoro:Art.140 do CP chamar a pessoade "gorda","feia", "vaca" etc.Dizer que vai "pegar" Ameaça ou agredir alguém Art.147 do CP Divulgar informação Divulgação de considerada confi- segredo dencial,produzindo Art.153 do CP dano instigar alguém incitação ao a suicidar-se ou suicídio prestar auxilio para Art.122 do CP que o faça Dizer que odeia Pode recair em alguém,um grupo ou crime de calúnia,alguma organização difamação ou injúria - Arts.138, 139 e 140 do CP Zombar de religiões Escárnio por moti- vo de religião Art.208 do CP Acessar sites Favorecimento da pornográficos prostituição Art.228 do CP Ensinar como fazer Apologia de crime "um gato",como ou criminoso burlar mecanismos Art.287 do CP de segurança ou construirbombas Incitar violência a incitação ou pessoas,grupos apologia de étnicos,religiosos ou crime - Art.286 e de orientação sexual 287 do CP semelhante Dizer que alguém é Preconceito ou isso ou aquilo por sua discriminação cor de pele raça-cor-etnia - Art.20 da lei 7.716/89 Ver ou enviar pela Pornografia internet fotos de infantil crianças nuas Art.241 da lei 8.069/90 Fontec Patrícia Pack Pinheiro AdvogadosPENADetenção,de 6 me- ses a 2 anos,e multaDetenção,de 3 meses a1 ano,e multaDetenção,de 1 a 6 meses,ou multaDetenção,de l a 6 meses,ou multaDetenção,de 1 a 6 meses,ou multaDetenção,de l a 3 anosDetenção,de 6 me- ses a 2 anos,e multaDetenção,del mês a 1 ano,ou multaDetenção,de 2 a 5 anosDetenção,de 3 a 6 meses,ou multaDetenção,de 3 a 6 meses,ou multaReclusão de 1 a 3 anos e multaMulta de 3 a 20 salários,aplicando-se o dobro em caso de reincidência
  • 36. INTERNET» zmlioroszis de (outro.quando isso acontece.De outra' forma.quando~se unenrpedófilos abusadores.vocêterá o encorajamento das perversidades. "Johnnie está certo.Se ; andem servir como terapia em grupo.as 'redes também são um espaço amplo para' os iuornógrzifos.que costumam usar gírias como "pthc" (pre-teen hardcore,algo como "pre-adoles- cente harra-pesadaÍ que indica fotos e videos de conteudo sexual explícito) ou "litlssvfaii" para des- pistar.Normalmente fazem contato oferecendo troca de material e fornecendo algum endereco de e-mail para conversas mais privadas no MSN ou programas semelhantes.Sites de compartilhamento de arqui- vos também são ferramentas muito usadas.Minha persona "pedólila" só fez um contato.com um sujeito que numa COHILIHÍÓEIÓL* disse ter fotos "pthcÍ mas por eemail afirmou que "era só zoacãtfíAPOLOGIA A0 CRIMENEM SEMPRE HÁ INTENÇÕES NOCIVAS por tras dos delitos virtuais.Aparentes piadas.como criar no Orkut uma comunidade para celebrar li- gações clandestinas de televisão a cabo,podem dar czideia.Foi o que aconteceu com Michele de Araújo Nogueira,23 amos.criadora da “GatonetÍ que reunia 222. ¡nembros quando foi tirada do ar.Tratavzi-se de erpologiai ao crime.um dos delitos mais comuns nas redes sociais.C delegadojose' Mariano de Araújo Fi- lho,da delegacia especializada em delitos ¡Jraticados por meios eletrônicos do Departamento de Inves- tigações sobre Crime Organizado (DEIC) da Policia Cívil de São Paulo.conta que normalmente são in- vestigados os responsáveis pelos fóruns. Vale desde incentivo E¡ “gambiarrif na TV a Cabo até a exaltação de comportamentos criminosos." U ma vez ¡iegamos uma Comunidade de um time deEXM MEMBRO DA COMUNIDADE ALERTA:?DEPOIS DE ACENDER1 CORRE MESMOn PORQUE A EXPLOSÃO É BRUTAL! "1 ANTES DE ENSINAR COMO CONSTRUIR UMA BOMBA CASEIRAfutebol chamada 'AJ-Qaeda'.Eles postaram fotos de montes de cocaína.gente com arma na mão e frases como 'se nos dermos as mãos,quem vai empunhar as armas? "l conta o delegado Mariano.Os torcedo- res podem nunca ter pego em uma arma,mas fazer apologia ao crime publicamente é ilegal. ¡Vlas muita gente parece não saber disso."Alguém ai sabe alguma maneira de burlar o detector de lacres (nessas lojas como Renner.C&A etc. )?'i pergunta uma pessoa no fórum da comunidade orkutiana “Eu já roubei" ."Diz a lenda que um imã potente resolve o negócio:responde um anônimo,ensinando como retirar as etiquetas eletrônicas utilizadas por lojas para evitar furtos.As empresas agradecem pelas di- cas sobre falhas de segurança. Seja por ingenuidade ou para ver o circo pegar fogo.exemplos de incitação a ccnnpcwrtztmentos pe- rigosos são infinitos."Depois de acender corre mes- mo,¡Jorque a explosão é brutall",alerta um membro (la comunidade “Operações com exposívosÊ antes de ensinar como construir uma bomba caseira com ingredientes fáceis de obter.Ele deu a receita mesmo após protestos de outros membros do grupo.voltado para profissionais que lidam com explosões.“Algu- mas pessoas não têm muita IIOÇÂO de seriedade nem consciência e transmitem opiniões irresponsáveisÍ ziñrma a psicologia Luciana Ruffo. O que vai determinar se um comportamento ir-AS ETIQUETAS ELETRÕNICAS DA CKA E DA LEADER MAGAZINE FORAM AS MAIS FÃCEIS DE TIRAR:Só PUXEI COM CERTA ENSIDADE E SAIU- A RENNERDE PA AB?SAR COM E LETE PARA TIRARTINHA UM ÍMÃ DA MINHA TV E PASSEI NO LACRE DE UM BONÉ NA CBA E SO TOU MOLE MOLEComentários postados em comunidade do Orkut N31 POIS TIVE DE, , ' I
  • 37. Í2 A; Tragédia evitada:torcedores do Flamengo buscam os do Vasco em l7 de fevereiro,dia de clássico;o confronto,marcado no Orkut,foi impedido pela políciaresponsfnrel pode ser caracterizado como crime ou Iião (lepende da legislação do pais onde a pessoa estae as palaxrras usadas.“Meus tlireitos constitucionais me permitem postar informaçoes na Ininha página do l”l_~'. '| )ílt't* sobre como construir Lima bomba",diz Angela Bell.porta-voz do escritorio de relações pú- blicas do l'l)›l.o (lemrtanieiito de investigações fede- rais dos listados L. ll1i(los. “l~'las o l-'BI pode me inves- tigar se eu encorajar os visitantes a usar esses dados para znneaçar ou machucar zilguc-m.Seria percebido como ato potencial de terrorismo. "Não raro.conflitos rirtuais ¡nigrzim para a vida real.como tliscussões entre torcidas organizadas de futebol.que começam na internet e são resolvidas na rua.lim setembro de zooo,uma briga entre torcedo- res do lãotzrfogt) e do Fluminense antes de um jogo pela ("opa SLll-/ l11t'l'l('ül1<'1 deixou um morto e dois feridos.Integrantes da torcida Fúria jovem do Bota- fogo Sl¡T])I't*('I1(lUl'é. tI1i os rivais da (irganizadzt Young l'lu LlLIHIKlU estes (leixzivam a sua sede.Na Epoca a ¡aolicizl investigou comunidades do Orkut,já que uma mensagem no site falava em “invadir o Meier”,bairro da Young Flu.Dias depois.mensagens mar- cando revanche ; ipareciznn na comunidade “Brigas de 'forcidas Organizadas",ja tirada do ar. Os orkuteiros membros de organizadas tem outra rersão da historia.“rt-'visi(›1iistai".“Confrontos entre organizadas em sites de relacionamentos não pas~ sam de ltaitlznsl".disse uni.“Quando tem algo assim,e coisa de moleques.crianças e fakes (perfis falsosl",tlisst- outro.Para completar,não podia faltar intimi- dação:"l-Ístamos espalhados por todo o Pais!Jamais ; icabarão conosco,imprensa maldital".Fiz o favor de: Mv-ar tíwt Am m r -'4:4.tl¡_. ¡riã. ›.» corrigir os erros de ortografia dos torcedores. Ate comunidades do tipo “Eu odeio o fulanoÍ na (lual todo mundo ¡Josta por brincadeira,podem es- barrar na ilegalidade.“Dependcendo do contexto,pode recair em crime de calúnia.difamação ou injúria",diz Patricia Peck.zidvogzida especialista em direito digitail.E alerta:mesmo quem não comenta na comunidade.mas e membro (lClEl.pode ser responsabilizado por eventuais atos ilícitos.“É o principio do “cjuem cala consente”.diz Patricia. DISTÚRBIOS ALIMENTARESAPOLOGIA Â ANOREXIA E BULIMIA pode não ser contra a lei.Mas,(liferentemente do que defendem suas zideptas,tjuase nunca e apenas a defesa de um estilo de vida.Segundo um estu- do da ONG Seu Abrigo.dirigida pClél psicóloga Ana l-lelena Soares,da FLIIKléIÇÍIO Fiocruz.sites sobre distúrbios podem estimulados.Os auto- res dessas páginzis (66% são meninas entre i3 e i7 anos) ensinam dietas e tãticzis e dão dicas de COITIO disfarçar a doença para a familia e amigos."Os espaços contêm materiais que personificam,glorificam e endeusam a doença.incluindo cartas,orações e credos.Essas estratégias de eibsorção
  • 38. do grupo geram um_ trfeitc) de desresponszibilizzn- ' ção do doentt '-'.alirma o tlotrumento. Não e dificil entender por que a apologia a esses ' tlistúltliios ztlimentares pode influenciar meninas suscetíveis.lim Lima comunidade do Orkut dedica- da ; io tema.a moderadora lista os "mandamentos de uma ama"t"aita"e"iiiia" são apelidos carinhosos para ; inorexiel e bulimia):"Olhe no espelho e diga a você mesma que está gorda.foce nunca osstarei magra de- mais.Fique de L)ll10l1EiS calorias.Se puder,nem coma.so tjuanrlt) estvei' fraca demais e zrchar que não vai agüentar.Nlas lembrevse:comer e para os fracos".Os eleitos rlessas frases sobre uma jovem com proble- mas de aut:vestima ou tendencias a contportzirnerrtos tlestrutivos podem ser devastadores. "SUCESSO"S MENINAS FREQUENTAM OS BLOGS UMAS DAS OUTRAS E DEIXAM COMENTÁRIOS DE INCENTIVO1 CONGRATULANDO A AMIGA PELODE NÂO COMER ____________________________. Muitos rlesses blogs viram uma espécie de terapia coletiva.As meninas freqüentam os sites umas das outras e deixam comentários de incentivo.as vezes congratulantlo a amiga no “sucessrf” em não comer.Algumas poucas ztconselhzim a proctrar tratamen- to.As autoras alternam "posts" ora triunfantes com a resistênciacomida,ora em tom ce desespero e alerta."Eu não posso mais continuar assim.imagino alguem me mcontrando numa poça de sangue e vô- mito. .. morta.lvlínhas pernas estão fracas e e possivel escutar o tleec dos ossos.Preciso parar de vomitar.essa ruutilzitjão precisa zrcabar.Espero que isso ajude cjuem vem aqui a não cometer o mesmo erro que eu cometi. .."í escreveu a blogueira chamada Aninha. "lvleniners,me ajudem,não consigo ernagreccw”,escrevi no site de discussão Inforum.Varias mensa- gens de outras meninas seguiram-se a minha.com o mesmo teor.“Parem de vomitar,vocês estão acaban- do com a vida de vocês com esse negocio de querer licar magraÍ alertou outra. Vanessa Costa.21 amos.o uma das poucas meninas a se identificar.Ela,que sofre transtornos alimentares desde os 13. criou seu blog ha (terca de um ano,ins- pirarlzi por outras blogt1eiras. "Não conlieço nenhuma delas pessoalmente nem mesmo seus “1011105 verda- deiros.Elas se escondem.Eu não me *sscondrfl diz.Hoje,grzivida de tres meses.Vanessa esiíi em ¡wrntrtw- so de recuperação.seguindo uma dieta balancearla.lj prefere falar sobre outros assuntos em sua jnziginzi. "Venho medo do que algumas meninas escrevem e não vejo saída pra algumas delas senão morrer turma maca de hospital.Algumas deixam comentarios fa- lando que cjuerem perder dois cjuihis pra uma festa e perguntam como fazem pra ter anorexia.Elas não têm noção da triste realidade que nós ia passamosÊ afirma Vanessa.'íAcreditcr que esses blogs deviam ser censurados.Essas meninas nunca irão se curar se ti- verem apoio de outras. "Fome anônima: na internet,garotas com distúrbios alimentares encontram incentivo de outras que passam pelo mesmo problema - geralmente para mantê-lo
  • 39. E¡ n novembro do ano passado,a Microsoft retirou do ar quatro blogs espanhóis hospedados no serviço Windows Live Spaces que faziam apologia a trans- tornos alimentares,mesmo sem uma ordem judicial,atitude rara.Algumas ¡Jessoas podem encarar isso como censura.mas,na época,o responsável pelos serviços Hotmail,Messenger e Spaces da Microsoft na Espanha,Jaime Esteban,declarou que os blogs ín- fringiam as normas de uso dos serviços. FIM DE PAPOAS CAUSAS PARA A DISSEMINAÇÃO de con- teúdo"do mal" são claras:anonimato,facilidade para encontrar semelhantes e potencialização da intera- ção social.Já as saídas para esse problema variam de acordo com c especialista."O combate ao racismo,por exemplo,deve envolver leis,educação,políticas públicas e ação da polícizrí diz a antropóloga Adriana Dias.Para Félix Ximenez,do Google,a solução passa pelo incentivo ã denúncia de abusos.O aprimora- mento do trabalho policial é o caminho apontado pelo delegado José Mariano de Araújo Filho:"Não hà crime que não possa ser rastreado pela rede”,diz."Contamos com programas para recuperação de da- dos deletadosñ afirma Sérgio Kobayashi,diretor do Núcleo de Informática do Instituto de Criminalística de São Paulo.O órgão,que recebe cerca de 30o casos de exames periciais por mês,analisa conteúdo de si- tes,de discos rígidos de computadores e mensagens."Em todas as ocasiões,esses laudos são peças fun- damentais na comprovação do crime cometido",diz. "Creio que é preciso estar atento ao que se passa nas redesü diz o psiquiatra Benílton Bezerra Junior."Para a maioria dos usuários,a internet dá acesso não controlado a um Lmiverso que ê muito mais arn- plo.complexo e intrigante do que eles são capazes de avaliar.Atunentam exponencialmente os efeitos benéficos dessas redes.mas em compensação explo- dem os usos condenáveisñ afirma.Cabe aos respon- sáveis acompanhar o que se passa nesse universo.“A internet não é um quintal ou a rua em frente de casa.Pode ser perigosa para quem ainda não tem maturi- dade para avaliar seus atrativos e riscos. ""Há um grande debate em torno da censura",diz o psicólogo Will Reader."Alguns membros do par- lamento britânico sugeriram proibir sites corno os de apologia a anorexia.Mas isso envolve liberdade de expressão:quem decide quais sites devem ser banidosí”,questiona.Reader concorda que o mo- nitoramento dos pais é fundamental."Fazemos a»C Cem¡ ! mam-s_Jmesma coisa no mundo real,restringindo os locais onde as crianças podem ir",diz. Para o psiquiatra Benilton Junior,as interações sociais inediadas pelo computador se tornam mais complexas com as crescentes possibilidades de pro- dução e distribuição de conteúdo,que já está deixan- do os computadores e chegando a celulares e TVs."Isso terá um impacto enorme no nosso cotidiano - para o bem e para o mal. " Se é que já não está tendo.(colaborou Emiliano Urbim) Elllllllllllllllllllllllllll ENQUETEVocê acha que deve haver censura a algunsFÓRUM llllllllllllll| ll| ll| |ll| |l| ||ll| O que votêjá viu em comunidades virtuais e acha que deveria se' proibido?Conte sua hlstiria e debata a questão com outros lEliDrES. temas nas redes de relacionamento onhne? Responda pelo nosso site:galllemgloboxom»lPARA LER lo "Psicologia e Informática - O Ser Humano Diante das Novas Tecnologias",Rosa Maria Farah (org. ). Oficina do Livro.2004 l o "Relacionamentos na Era Digital",lvelise Fortim e Rosa Maria Farah (org. ) Giz Editorial.2007 l I "Against the Machine:Being Human in the Age of the l Electronic Mob",Lee Siegel.Spiegel & Grau.2008 lPARA DENUNCIARSe você foi vitima ou presenciou algum crime praticado pela internet ou deseja mais informações sobre possíveis delitos,l entre em contato com uma dessas entidades:. o Orkut l Abusos e conteúdo ilegal podem ser denunciados pelo site:help. orkut. com/ bin/ request. py? contact_type= main_abuse o Safernet Formulário para denúncia:www.5afernet. org. br e-mail:contato@safernet. org. br O Centro de Reclamações de Crimes de lntemet do FBI l Formulário para denúncia:www. ic3.gov/ comp| aint DELEGACIAS t São Paulo - Tel.[011] 6221-7011, ramais 208 e 209 e-mail:dig4@po| icia-civ. sp. gov. br i I Rio de Janeiro - Tel.(21)3399-3202 l e-mail:drci@policiacivil. rj. gov. br I Belo Horizonte - Tel.(31) 3429-6024 e-mail:dercifelab. di@pc. mg. gov. br I Curitiba - Tel.(41) 3883-8100 l e-mail: cibercrimes@pc. pr. gov. br 1 o Brasília - Tel.(61) 3361 - 9589 l e-mail: dicat@pcdf. df. gov. br o Vitória - Tel.[27] 3137-9078 e-mail:nureccel@pc. es. gov. brPARA NAVEGAR' o Conteúdo extra em www. galileu. globo. com 419
  • 40. p V ! n u : s z 1 - t' E l P l B l ^ f¡ =,muzígmu ~ ' ,Ç',w¡ ' l,, l' a a9' s -~ ,^ V , l 'p. - N W.a _ f . V, v¡ .x* ' - , l w,p' z 'lx4' /. kl |wir* . . ' _ 4,_ H u' _ _a _Í - _ I__ ,' rn -à ' x i1 r N,_ ,r _. ._ ,e . . .* tw x:ma* m mí '41 _ aí l i r , - v1 ' ' y « 3 7:.T;,» ”_ 1 _x3 ¡¡l. ' " L x 1' ' ,, (1: - ,E ' 7'.. x w' x› _ .x . ' k j*__,.p f_' . ~a-- N I a or. : "f" A y a A A “i n7*" .[itPlnglLwllimammgrg,o" »L ~ orige- â íúi¡ high);,quis _mim dixggjnsxguutmü' _ j. , gin-gL-Jtblíülglhlixou. "“b, 3mm sum-mm Íriôjpütlíhl-Pínhlíip*. aíjhwai , um p* 'açqlíhnlgillnfiñwinfinita» , nuwggjítúzx iikgglpila ils:"rar lgmwnxito» gr!_LL3 ¡ ! VLRQJIHI bmw éüuihlíim _uniu brand¡ dia . nina . v e 'n,1,¡_¡¡a, ún'›; ~¡koiíúfainuulhato,. .~ ¡anui- ihw ñliíljlhbv-flíjgíímãlâ-iií?«ainda nuíke añuihx : um x 'oiii 'uiiíw 'Ii¡í-(ã'íx"(§'fo« íuyntmiúml _pnushíiiutagiis _pru- - . ç. 7 ñúnihtíhu.Etna_u. ¡.u§,1g(aiw~&gargantas-st; .roibnqtzmbx. iluvxquw ** /f¡ mi"'h*ñ'""-"Í“W",ítaílvmvtaixap iíueifçaumygilkçHisrgyuanunoa¡_¡. _n¡¡g. ,_ug¡n.A- pldhudtm¡_uwomívfõctüfqn ,' 4 v ... .. ,.,z ~ _¡¡_¡¡¡w_m¡¡¡_"”n"_n¡p ditas-tatu--uitniíbauaiuxvlhu fíhíhtikouiwanvmoi.iymuurimiuro« . ... ..¡. .,; ¡., ¡., ,,_, ¡,, _.. ,,, , ? e 0H. I,¡. uí¡! ¡i(0). _u4('-i'(% t gnbàllàhliké:;i'miúihúkü* #um “ijfmcé l cmataalmmuaeugxqjdmqi 15km N: : oi. üi. liíu› until-isa.igríxxàiu,:w Ioxtnutíhc knmugm- «g»›~v~u'u---~l¡«j'ítcA : um . ..arm-ma ííliíiíã.uímiuiíkõ¡ 'guitar púoqxüílú;um.um? 5mÍ"*7-§5'1"'¡""7', '7?"""'*_ . Julian 'ima ? Witt wálültlêb.7 A1,_ * t' oguzzgmp' lliiàctbibli?po: :rtdguiii¡ Vrum_ , mama di: : 311ml? .,_. .., ¡'-. ¡., ¡.. ¡“¡. _., _¡', ,r, ,,, ,, licnrxdhréíü'“hR-nnrul¡ íhxíjjlíüoh ri ""ÍQJÍÍU›OISFÍÍELYIÇKQ'AI: J ' . xaúgnmnn Ituntühu «naum '*: ¡nímu¡o›, nju, ;q›; "“ ; im 'o' “im 'gnÍÊLÍÍÍMKQítU- ¡ãtliíhtãl ""“À¡Ím*”“"”""“d“' 9h* 4›5t-$'í¡üm'nI 191mm (Íítaàrâiuawstsijujhiiiuitmí'.,Hi4 . num
  • 41. !far 'iluliizr »wifi 1 Figura?album¡ -; ¡t. r-~il'a›. ~tdts~yurçríí-ãvssíilusgiqrwo-ñ _rm-r #incutir (anima n Em# gut? - 'l1'1=ur_r'“auo_r iiifiklãlhilã' mu» QV#Lílllinjlolulül. ,pldüümuaulllüiltrl"" aqlítowrdkuílbnur uíuauliouroiogr : r , lllxfüfll ; ícldiâlíhlíylü êrtcu_uíl. 'tzlqt(sigiüa Juli;alquimia énniàtiuilelümbí,,tastâuimrgxuiktiatilçu Kumar eu ' ,"Íaüalrr a r J ¡praguiugqum v _pomar-van ._ . . 'mhriñmiüsílçibnll 7 lñtwlbil, uuíü _úilêñiôr brito::irragçútasihunr 'ârtwutilhlcr . añti- : u: Q11;9'1)_| |_r diluir _ofãto-tíuihv~'x.;Hier qcn. u.l~río). uiu_tà›. nsr ill-comi¡ . iíamr digitar-L 'fm- _tuuuatgii-r ; ousar íhr @mm luihsaiirn a» ! Llkiluilg- g- íbvaanpi..iÍMat-(Iluilghlslinlil e ; Liuureiçnugnúorxitrr, annual: Ç . rimlteaiauika-ñs_ úllfçllumlmutñ!amanita-estragam:ilgliiénlrrrílôí51131318150!lilqbi-&htiflehlviijttf ? unqrihinsxsrtxíur 'Eiioiiiauulimx . .ãíniíàiçu ih'-«culmin-uma¡um4oid1uihriks*"í›raurtraf'1_ilo)r' , mula ãigiiiaiililo- gplsvraaíhr (Milo v' -rr : griipíslktgííêr butmiliíimr ilámnr,;buf . ll,"ñühnur (atuar [áínnulilãía air numas.-tn1iusvitvaxríko› ihr «citam its fijíqiio» »ilivalaiirue a ihr mmsnñmv ; nlbíhrur ; iram “Kogut uulbroiur or giilikmç» ; ram . uam ; rexàlnnúanir arauünvmr 5191,01 its,:Hwnlljâh : India:*lcxxwc vraprrfts~teii parem: : 'Him mnilllfuts amfzve c» gãlltjlík.o: : 'l'z¡t¡§: ;lfruc, : xí'. **1âr. : 'rzñftfuuíle il;W111i:4km fnrríbrilirtr áhr , iiníciü iuâlir its 1h$H9JJÉHlox ; na 1a, -çralviu.s( *fiat áur aíhtilêfn-Çkõw -. _r 'agir' ¡dia!:r gíhutiiatg,pi¡tlúpnlluülúiêí*Ultilnlíhliitliharííítlu¡Bãljilliiíõütlcxir call» "lo-ih Íusíiuaíuirsw-. hr : Insira'Etniamu¡iu-iüargrruonnsuànúalhuuuà-ááiatílííâítb-ilàiiivir , units-its 'ditar lnwtaatilçk-'nnnmngmwa , mr qoltairrgnuíurrçxqiirçi.uaitxithr 3 dailf-ulmilgi.5 nur line* ; prum-m muühtb entar aulíxsauitaa -. r bnzimij- ib- ctkuiikmgçñb.rito um q;.i ' «lintáhff oiii' _ "áílílipmiliír : r aipim# . .iam x angústia ¡aur _grin Em) : gq-r , um ziuiler-ilíühtílq:«r tlgúillliiiur , ensaiar ¡líwlglil; ur . usufrui-rev , cliquem ítaca. . o» ma _ 7 'Jjliéilljoà "i-ij suar 9~ anugíuuauuxc ter uaítullliltur gpr- or pigxqggmxor-¡tuagyuiitoitgrilor-ils Ísílflgtnr íkr _Éjíáíôíhr . xa its» éum-ruim: : §; f-Ij's't? -': Ío191_l. Ífóütileiülír iii-restar . umíknçgar uhriauyrr- m,:: ilumina-ruítdiuuoiçittertgítõ-ikmunnanuncia-reta» . iíiíoiitear qHUJxiÍ-r.nur : nilhr ÍÍEJÃIHIÍÉLÍHÂ* dia 01h19»:_umi- , itõiãhíç sàirdilôgfcoa-'eràuqlior : Ju Á. .àiiJ-; p1Í%lU »áetítqlllm Q; ,an¡¡Qçgxoivronrâlsfíliütlilo¡uúrsâliíuim_lünblm-fiílâílnugniékivhr _gr-xrwresnr»aventurar'bnpirsilgiflgr › S.a u¡ _-. v. umulrjlr r ¡guçjlr mm: --'I.
  • 42. ANTROPOLOGIAa hora me perguntei como estariam passando por tudo isso.Na busca de alguém que soubesse a res- posta,descobri o antropólogo Uirá Felippe Garcia,que está estudando o grupo como parte de seL1 dou- torado na USP.Ele me recebeu em sua casa.Sim- pátíco,mostrou dezenas de fotos tiradas durante os 82 dias que passou entre eles em 2007. Contou que muitos estudiosos acreditam que os guajás no passado foram agrícolas e sedentários e que,por alguma razão,teriam perdido esses conhecimentos.Ponderou que,mesmo que seja verdade,os gua- jãs não têm a menor noção disso e vivem como se sempre tivessem dependido da caça para subsistir:ainda nos anos 199o houve o caso de um determi- nado guajá que,quando viu farinha de mandioca após ter sido contatado pela primeira vez,achou que estavam lhe oferecendo terra para comer.Para quem trabalha com os guajás,reforçou Garcia,não há dúvida de que a transição está ocorrendo. Perguntei como estavam vivendo a mudança.Ele respondeu na lata:"O que eu vejo é qL1e há um esforço da Funai,com a melhor das intenções,em introduzir esses novos elementos:a vida em casas,a aldeia,a lavoura.Mas os índios preferem priorizar suas atividades tradicionais.Continuam indo para o mato direto e caçando".E as mudanças culturais que a agricultura gera?"Olha,acho que eles conti- nuam basicamente com a mesma visão de mundo que tinham quando eram nômades. " perguntei se pode-ria Ver isso com meus próprios olhos,na próxima vez em que ele fosse a campo.Seis meses depois,estávamos naquele barquinho,juntamente com oEstilo raiz_ Talcwurintiá.'não sc adaptar¡à vida na« - (Ildeiu e moranuma casa trt( licionale Pista dupla›-»-o- Ferrovia r-o- Precária fotógrafo Domenico Pugliese,a caminho do posto Juríti,na terra indígena Awá.Para passar o tempo,Uirá nos ensinou algumas palavras na lingua deles."Eles chamam a si mesmos de awás.Caçar é watá.Casa é rapianã”."Como se diz bom dia? ""Catu. ""E por favor? " "CatufmE obrigado? ""Catu também. "I I OSoriginalmente vagavam na regiãodo rio Tocantins,no Pará,em comunidades que va- riavam entre cinco e,no máximo dos máximos,3o pessoas.Em algum momento,a partir do século 19, foram para o Maranhão,fugindo do homem bran- co e do confronto com tribos mais fortes.Um dia,não houve mais como fugir.Em 197o,a Companhia Vale do Rio Doce começou a planejar a construção de uma grande ferrovia pelo território.Três anos depois,a Funai deu início aos primeiros contatos.Construiram um posto onde hoje fica a reserva do Alto Turiaçu e depois criaram as frentes de atração.Elas eram formadas por mateiros e indígenas,que se embrenhavam na mata atrás dos grupos isolados e tentavam trazê-los para as proximidades dos pos- tos,onde passariam a residir definitivamente. O contato foi mal organizado e,Inuitas vezes,fatal.Em 1976, havia 91 indivíduos vivendo no Turiaçu.Quatro anos depois,67 deles estavam mortos,vitimados por gripe e malária.A ferrovia de Carajás foi inaugurada em 1985, e os contatos seguiram pelas décadas de 198o e 199o.A fase de alta mortalidade foi superada.Hoje cerca de 30o deles vivem entre três reservas.Os contatos mais recentes ocorreram em 1997. Ainda hoje existem guajás isolados no sul do estado. Atracamos num pequeno cais,descarregamos o
  • 43. barco e LlClXEIHlUS nossas coisas no posto da l'un; tí.que tica ; I too metros (la aldeia e que,por uma se- mana,foi nosso porto seguro para (lormir e fazer rehñtjoes.Assim que jiusentos o pe para fora do posto.fomos cercados por dez criancas que.mis- turando portugues e guaja.sztttdavam Garcia.Com esse contite d:recepção,fontos it ztldeia.Tomei um susto:cade todo mundo?líxceto por tres ou quatro mulheres ; tbsortas em setts ettazeres e uma profusão de zmintais 4 macacos PTCÍOS e brancos.cachorros,jahLtis e uma ¡nultitlara de galinhas ~.o lugar estava tleserto. "Agora estão todos na floresta".disse Uirzi. "1'l. tis no ñm da tarde o pessoal começa a chegar. " Foltztntos (lt-pois e ¡iudemos ver a ; tldeiai com mais gen: e. Homens e ntulheres retornavam da lloresta trazenrlo caças.coxinhavztnt comida em fogões indígenas e | )I'Cpétt'it'ilt]t-SC para jantar.lira o inverno ; unazônicti e fazia um pouco de frio.Os homens estavam de calção,e as mulheres,com saias.Percorremtvs : ts casas.e (larcizt foi nos ; ipre- sentando Eis pessoas que encontravztmos dizendo “Pablo e Donienictt rapiarzt (.1;-t1'cia".que significa “llahlo e Domenico são ; amigos de Llira".Nos fa- zíamos um gesto de positivo e diziztmos "catuPÍ I lomens e mulheres.jovens.relhos e L'1'Íat1(_"$t'L*S^ ¡iondiam l3i1Sl('2l1llL'l1Ít* da mesnta torma:sorriam e tliziam "czttttl".Nunca me senti tão bem recebido ntnn lugar.tlontenictv e sua harhat loira de europeu (ele e italiano) chamavant a atenção.As criancas nunca se cztnsetretm de ; ipalpztr seu rosto. DE os 37 ntoranlores(la itldclét se irostrztvttm receptixros e,às vezes,ate afetivos.mas somente meia duzia possuia um por~ tugues entre IIr/ ,oitvel e | ›oi11.()s (lemais conheciam apenas algumas jialavras.ou simplesmente nao falavtnn nada.'lk-ntei fazer (luas entreviutarn ntas,apesar da boa vontade dos mens entrexristados.nào conseguintt›s jmssar' da primeira pergunta.Resol- vi tnudar' de tstrategia.Printeirt) conversava com Garcia e depois tentava enxergetr.no cotidiano dos guajas.evidências de que eles continuztttt p( 'suín- do espiritos nômades.embora seus corpos ; tgora vivam presos . t um LlHlCO ¡iedaeo de chão. Reparei que na tlltlClíl não ltavizi,a vista.ne~ nhuma obra t' e cerâmica.artesanato ou cestariet.A arquitetura de ntetade das casas lembrava as habitaçoes dos caboclos.com cobertura de pa' lha e paredes de lvarro.As demais consistiam de coberturas de palha,sem paredes.e abrígzt- vam em seu , nterior poucos objetos:redes,la- coes.Ditttclitx.uma ou outra peca de mupzr_De dia,a aldeia fica quase deserta;os guajas estao na mataBoa vida:o menino Makai-aí e seu lII(l('(lqllÍl1l1()('(' estimrrçãr) fazem nm lunch de tarde.BUSÍCGHICHÍCcrianças pequenas e mulheresw 3- ficam na rtlrleia rlurrrnte- o dia.enquanto os 'A - (Iemaís cuçum e colhem frutos
  • 44. ^ N l- I' . " l I l arírLF Imêtuuit-r nfàwhxvlúhitutk uufbnrcnvcíg' «onm-í-íllizo-afts - . d, . ãmtrtnprltlün ' punhntucmn ¡lumatnqrama- ic' llmssíic¡ t,» A exceção ficava por duas casas construídas nos moldes tradicionais,com folhas de palmeira amarra- das ao redor de árvores.Garcia ressaltou o fato de que a maior parte da cultura material que compõe a aldeia foi dada a eles por nós.Com o passar dos dias,foi se consolidando em ¡nínha mente a idéia de que a aldeia guajá era,na verdade,uma aldeia que os brancos cria- ram para os guajás habitarem.sua verdadeira cultura material, acompanhando uma expedição de caça e coleta.A re- lação dos guajás com a natureza nada tem de contem- plativa.Durante todo o tempo eles desfolham moitas,arrancam cipós,derrubam árvores,abrem picadas etc.Sempre com o objetivo de resolver problemas práti- cos.Se surge a necessidade de uma corda para amarrar algo,em dois tempos um grande cipó é descascado e repartido em tiras que,uma vez trançadas,fornecem uma corda forte.É preciso beber água?Uma folha cor- retamente dobrada torna-se um copo.Os mosquitos estão atacando?É só colher a resina da massaranduba,tacar fogo e pronto,criou-se um espanta-mosquitos.É preciso preparar a caça para o consumo?Cortam-se quatro árvores finas e surge um fogão chamado mo-quém,que permite cozinhar a carne com a fumaça,e não com a brasa.Se e' preciso escalar uma árvore em busca do mel de uma colméia,um tipo cle cipó é cole- tado e amarrado em formato circular.Com o artefato preso no pé,o índio escala árvores de dez,doze metros de altura.Várias folhas trançadas de babaçu formam uma mochila que eles chamam de maraquá.Dentro dela pode-se levar à aldeia alimentos,caça,plantas.Fi- quei particularmente fã dessa folha de babaçu.Em cer- to momento eu estava caminhando na mata com uma família quando uma tempestade amazônica desabou.Um dos membros do grupo era uma mãe carregando um bebê que não devia ter mais de seis meses.Rapi- damente,um jovem cortou quatro folhas de babaçu e segurou-as sobrepostas sobre nossa cabeça.Fiquei pasmo de ver que permanecemos secos em meio ao dilúvio.E o bebê ainda parecia estar se divertindo.Garcia cunhou a expressão “artefatos invisíveis" para nomear o rico instrumental que os guajás usam para interagir com a floresta.O nome se refere ao fato de que esses objetos não têm permanência,diferen- temente do que acontece,por exemplo,com uma peça de cerâmica ou eestaría.O que fica claro é que esse é o tipo de recurso perfeito para alguém que vive em
  • 45. movimento.Não há por que construir um único ces- to,por exemplo,e viver carregando-o por aí se você pode montar uma mochila de folhas para transportar objetos sempre que precisar. Procurei evidências também no estilo de vida.Os guajás atribuem à carne um valor nutricional incom- parável,por isso é obrigação dos pais garantir o abas- tecimento dos filhos.Assim,watá,a caça,é a atividade na qual investem mais tempo e energia.Os preparati- vos das incursões começam ainda à noite,quando os homens se reúnem e combinam o que vão fazer no dia seguinte.Não há uma regra determinando quem deve acompanhar quem.Um homem pode sair num dia num grupo masculino,no outro,com sua mulher e filhos,e no outro,sozinho.As mulheres acompanham e,embora não usem armas,ajudam a localizar os ani- mais e apóiam os maridos.É comum duplas de mulhe- res irem à mata para fazer coleta de mel ou de frutos e,no trajeto,abaterem um pequeno animal.Os mais jovens preferem espingardas,que disparam cartuchos que combinam chumbo,pólvora,cera de abelha e palha de ticum.Os mais velhos são fiéis ao arco-e-flecha. Às 6h30, as pessoas já estão se ali-mentando com sobras da caça de ontem e deixando a aldeia.Cada incursão,na verdade,é resultado direto da anterior.A caminho da toca de um tatu,por exemplo,é possível ver sinais da passagem de outro bicho e voltar no dia seguinte para rastreá-lo.Às vezes nem é preciso ver diretamente o rastro do animal.A maior parte do conhecimento botânico deles está ligado à caça.Sabem que o porco-do-mato gosta do fruto do marajá e que o veado gosta da copaíba.Então,se enxergam algumas dessas árvores Ílorando,podem montar nas proximi- dades uma takaia,que é um abrigo feito de folhas de palmeira,e ficar escondidos lá dentro esperando o ani- mal chegar.Ou seja,uma incursão de caça pode levar muitas,muitas horas. Em geral,os caçadores retornam àaldeia no ñm da tarde ou no começo da noite,trazendo debaixo do braço uma variada gama de presas que pode incluir veados,porcos-do-mato,tatus,antas,pacas,cotias,tartarugas e diferentes tipos de macacos.Nas conversas noturnas durante as refeições,e comum que os caçadores contem para a aldeia suas proezas de caça daquele dia.Daí começam a conversar sobre o que irão caçar no dia seguinte,e o ciclo recomeça. Enquanto participam das incursões na mata,as pes- soas riem,fazem piadas,conversam,contam histórias.A passagem por determinada clareira pode levar o ín- dio a recordar-se de uma perseguição a uma grande»r llllllli fiflililllhl* 'llildlldítlluli-'l i 15 _ * * V ült-llhl-(IL-*Ii-'ñ-_TOIlilllihlil-Lí_ ? lllhluif-lllhl-Ílgl-'iwíiülhlilll:, 1.- , L l_ ç ' (olulI-Íllllolr. . dit-Jr¡izmillrhlnluhltehlllzll: : x,x : Ê 3 f:=ÍLNg| IhIFl›'%›-'ElI~(tilllldúlillifmklulilâlcnplàlll-íãlhldllll Iulallíl-! Lllàvàlíftn _ . «'_' l /l l ii: :luciana-iuunnien-iumuurmu-Lailua-iílumueto.'Ioi-'lz--aunu-, ui-rvtlrilim : im Í” V/ v' . N inlinr iâiugiuir*vrñn-L-suunimiq-rnnuunr, -quiz-cmon-'iíucmoniiaasiurw 1'_ l :~ * M015¡llEbÍFI= J=lÍ= 'I= II| I›1=IH| IQ= t' .. . . , . ., 'v'”°5 .-lÍ¡IníluhlhInIlu-*látuIlllaialuiübfãijgiâullak-lu' 'iBlrllhlulrltnsfiíaílnlãllúr. Ri: nnluaqrauanr. :uráhtdílnuliilmh llilaiai-*Agilhmvunmuhmloinndnnrlo* l l 'l Í k _ ° au: iii-uuunwioiumuiia»nmitacnrlihula : llv-lãlphlfâli nua-er.'Hamas' omitir» '_ _/'É . l ,V* v ¡Iimiuuors-. irnnunnupuõznui-Luiio-uianucomia.«cultiva upmn-: ii-«m 'imum- , lmtmlñklàlãk ("l Vi_ M 'mm. .ilwmuuním-Iiio-mir-umismuuariaivnuu¡ iJl -l'-_ldíãlilli= lqll. l=l$'›í= * _, ,¡¡"A¡_, ,,, ¡_¡_4, .“ii L 4 « ~_ lâllílñ"= llllilâr= li$í~tlli= lW: Il#iíllllhlilàlihlllnllllu¡~¡Onmllliliiñlulñllstlitzr uqiqihnugu¡ ',~ l : Julia ! anuncio-turminhauiaaiciummnn-ir'uuml-snigita-rsànvc..pmfâuuiaIi--i irühltw-Lla 'J aiavrailvn-'r-»E-uarzim : :ras-. uráhtñi--uuiuihi runasos; uuma: ¡q-L--i-iuiíniuanuwg» "m"-'“'"* ? llllllâlllhkñllrkvlllilkr-Élllf-: UFIÍM &Huilm-t: m:l! l-kmñíiâlulrllílrãlllldllia Í_ iniciei-ii: :girovntviáieuiuamami-ni-nuunliginuIiu-ilkIi-Il illiiniacicnuizsei:;¡¡'", u_¡___, mn¡__ l i , I ¡omnIu-'iupiniinpiíiucilgnli As: Iulir-ipiñluxggm¡ruilltug II-noLmIInJEIàIãuI-, Inr fonnuacjls amiünmrliuil: :pinxílulliltlilu(Ilulluillhilnlmu-H. .=Iglcnlicriluarbátuutñ liraltlllll-ilghilállhlílln 'r-_llltcv : inverteu-romana 11-'4' 'nni-. wnoiuuiwucan,inmr---iumuniniItauna-ainsi; . 'ir-igo-nIliImIhm-ni-um¡n-uu-auii-mlbinur , uniu-miu-ltgianrzwiinãirasiliramnlfiuwt» hiñmluilb» t! ! muliiu
  • 46. ai', grana-o m,.M,4 'ÊlÊlJIÍll-l: : l_gsmlillcílíuàiil t ; youítucapiwnings g , e '_. '*filn_niiñf«iiL-1A~ s' › f2 lülllllíllítí( l l "A ¡' «digitar __ = -.:V li' ll:' ça,aii. . l M,/ ) NH' * .,r - ,= 4 xf*l lx' ll l 'V '.7 À.í _ ._ /Í . h f,a_ -7 : :m s' - . › - ' 17/' - q,, ,e ,_,* _I . l 7 n ' k : lliunxiirli-r A 'llFull. ”I l 'fugiu- faia» ^| g|: uf: |"'il-. ~'(q '^:1'li[os¡[¡1¡¡| n]lnup[il: , -..c lord” -l t, ,¡'Í'“~I'g¡"°~m'“ FLY-l-"h. 'WñI-(Ililllillhlüláhlllàãliivtkilllàk» aça ra cona:^ mama( : Luc-quam _ ,__ _ _ __ _perñía dosjovens _mu_ m_ "Q¡*í. w N Algum oi -ianniii-ltgiair: : *hmm : Ruim-ilumin- no arco_e_necha 1 _ i-L-mihrau:IL',:niiih-iríuialtniii-L- 'naun -ultqgizli já foi reconhecida ¡/' ni-. arii-. ngiui lê..Ilan'nuuuuuuuállnwll? na: in-azeitona:9'" COMPÉÍKVÉS " ç t_ it: nueiuvnuaniunta-liniiirmlíivliihiilzmiluailwniiloliu»ã gmiiuniulinuilti..tznc-umi-nurznilraiñ : iludir-numv u ~ A,fl - L ihwgi-. inutzvigilinua. :uazqinifin~liqgr= lv~ «um-lano,- .. _z - ' "IIIFÍI: LililthletllkIL*(IllIlI¡CHF! Íülllhlulllàñllhlülil'*. ' ' 'v /lx _t4 dllurlliiai-iir-ira.dariam.!uiii-insní-: iu: mountain ç , .NA) “Y ' 5 › ~ : Ligiuini-itmiuiuill;:ntâlhtÕlh-: irlii:iii-lisirz-a-Ilnuiu:Í .Ang¡ ' um.#uma sT-'Ijlit' uuwanltuiihiiuailiu ranllli: xu-iiimxul-r.inn:hi-lnic.Iran-i:Xllllí--r ; nameí. illlllillíhllllglllâlllllllz.lol-iii' . :Iiiu1:~i'il= Iil: ilr= . IP= IÚ~JIHI~ t:'Em 346mm* I'll Witrlnliliñlt,:Lumi:=:Illilãill' ul:ilaeninunsftu,.gili-_nvntir-iilm ^-L~I1-1l-iii-i›1ql= u. : enfia , umnaiitzmta-uiloiw(vil-mor.pm : inn-visit , niláitzitzmn carla-mc-ihñuanilntunnniii-lbiaim , Iunuiiicuvllíhn Itauna¡ -ninrhznmtamgion-qiummaunn JÇIt-'lüfíf mui» i: milha: IiIII: Muil: IIl-IntünmulmunlarlHill¡-uqtliulvâ l= 'in1¡-. iq-. i~ain5¡ir: m1-,
  • 47. u- l Memória:deitada nÊina rede'tradicioiigllfeita de fibra de tuçiim,"“ 'MereketrêÍ a 'anciã aldeianrêmacaco brincando.Elos com o ' _ passado ainda estão fortes"i . -._Janta que lex al¡ inc-smo.quando seu Filho ziiiida era pequeno.IL dai vein a historia toda.As criancas percor- rem sozinhas ; is trilhas mais proximas.e a l)l'lllL'Zi(lt*lI'il favorita dos meninos com mais de ciuatro anos e tiro ao passziriiiliti mm estilingue.Sua pontaria já impres- siona.Quando rão ii floresta acompanhadas dos pais.en;criancas'.repetem os nomes de todas as plantas que vêem pela frenie e ; iuxilizim na icieiitiiicéição das trilhas de êllillllillS.líssai.sim,e uma escola guajzi.pira adultos. Casais sozinhos costumam forrar o chão com uma fo- lha de palmeira e curtir a intimidade para catar piolhos.conversar.lazer carinhos e sexo.Aliás.a capacidade da llorestzi em conferir pflvílCltléKlt' aos ziniantes Ficou eviileiiciaila em ioo7. ciuando chegou ao juriti uma ianiiliei _uuzijii que fora contatada no sul do Nlilrílllllão.Fazia parte (lo grupo uma mulher jovem.hela e casada com um homem pelo menos 2o ; mos mais velhci.Uni dosjoxicns solteiros da ; ildeizi não se conteve.Rziptou a rccóiii-cliegarla e fugiu para ; i mata.O marido Liltrajzi- do vziroii o terreno.mas não conseguiu locali/ .ãi-los.Aziventura terminou alguns dias (lepois.quando o fugi- tivo e a mulher voltaram da mata.O marido isolou-sc coiíi a familia numa casa tradicional a zilgumzis cente- nas de metros da zildeia,onde vai o menos ¡iossivei Em certo momento.Domenico perdeu-se na mata e.quando viu.deu de cara com o grupo.Achou que eram “mais 'primitivos' do qua* ns outros".O marido ore- celteii com surpresa.Falando zipenas a ¡ialrivra "caiu".a unica de que se lembrava.Domenico convenceu o ereniita e sua familia a posareni para uma foto.faltava¡ conhecer o outro lado da historia.isto o.a ílgFlCLlllLlfEl.A lavoura consiste em 4 hectares de man- dioca,plantados em regime de rotação.que constituem ; i hase da EllÍIHCIIÍHÇÕO dos indios.Hz¡ também culti- vos menores de arroz.feijão.milho.alem de pomares.'l'ii; lo isso para civitar que a tribo passe fome.A popu- laridade da farinha de mandioca crzi atestada por seu cheiro forte e ; ihsolutamente onipresente.Às rczes eu encontrava ; niguem trabalhando numa casa ¡iroxiina ii zilcleizi onde havia Lim forno para a produção do zilinien- to.Tambem volta e meia via alguns homens colhendo mandioca.Nias.como não estzivamos na época do ciclof” s* *
  • 48. “UFU Il é. .de plantio,provavelmente esse seria o máximo de ati- vidade agricola que se poderia ver nesta época do ano.Resolvi então conversar com Patriolino Viana,o chefe do posto,que é o responsável pela roça. Oadministradoré honesto sobrea relação dos guajás com a agricultura:"A adaptação é muito difícil.No começo,não queriam participar da lavoura.Os filhos é que começaram a nos acompanhar e foram aprendendo.Estamos ensinando os jovens dessa segunda geração a plantar.Mesmo assim,vão forçados.Se deixarmos só por conta deles,trabalham um dia e depois passam outros dez caçando,não dão continuidade.Não sabem qual é a época certa para limpar o terreno ou iniciar o plantio nem o tamanho de roça adequado.Por isso ainda temos que orien- tá-los.Às vezes levamos um grupo,enquanto outro sai para caçar.Depois invertemos.Se não for assim,perde-se todo o esforço deles". Patriolino trabalha com os guajás há 24 anos e par- ticipou de várias frentes de atração."Eles tinham medo dos brancos.Nós levávamos outros guajás como intér- pretes,c eles é que os convenciam de que não iamos fazer mal. " Ele diz que recebeu criticas de antropólo- gos por introduzir a agricultura no modo de vida da tribo,mas diz que isso é irreversível,até por questões ambientais."Há dias em que quase não há caça.E hoje eles estão adaptados à farinha de mandioca.Não se sustentariam só com caça,pesca e frutas. "Precisava checar aquilo com os guajás.Com a ajuda de Garcia entrevistei Irohó,3o,que viveu sua infância antes do contato.Sem demonstrar nostalgia,ele não elogiou a agricultura,mas disse que gosta da farinha e que acha mais confortável estar numa casa do que na floresta,pelo menos na época das chuvas.Disse que Luna vez por ano reúne a família e vai para o mato,onde ficam dias vivendo e caçando.Quantos dias? , perguntei.Ele mostrou quatro dedos como resposta.A palavra guajá equivalente ao número quatro significa,literalmente,"muitos".Acho que foi isso que ele quis dizer."Dai no mato o menino procura a farinha.Não tem mais.Aí é hora de voltar para a aldeia. "Irohó parece não se darconta de queestá vivendo entre dois mundos e que sua geração,de homens e mulheres do grupo com idades entre 2o e 35 anos,está dando um salto que pode mudar sua cultu- ra para sempre.Esses jovens ainda dominam todos os conhecimentos necessários para viver tanto tempo no mato quanto queiram.Muitos deles têm memórias da vida antes do contato (veja quadro acima).Ao mesmo tempo,estão cada vez mais habilidosos no processoUÊllÂl-D llilillflili ^ "lÊlhll 'j'Int-ii¡íut-iuiiur-Lw-n¡¡Ramm-uunLrIanm-ti-ini-II;Ennio-guruimzmui-L-Inianíunimli-t-nni-; umHinn"ÍllhmilIIumrívnlillciaulvlunlil,IIILS-#ItLtI-: Jnuiulullols ! ouIm¡uni-nmmumirnuoiunni-Jlirzig . Ilhlnãlñlllllia bjim¡ n _zuslqiiluiñlvhk-úttzl¡ “ÉVFIHIIIÍÉHFV ; Iihuphltailia vnvthuiluaiunlhiilc. .Limit¡lahL-Ianungiaquraurse. ..euianliunnuíhz v giouqngbiiunmnvnn Irazvnuuqunum-. .A lziu-. Lgçvn : :uupuaioullnl-laño» 'Ílilihuauclpil ! Iuhlimlilúlf , llr-llluhlm il-. .Elnlcmmpr-upivm. ^umuitamiçuniuiiqpunnuuinihivnuukm:Imrznmmuioivm. Fx-rayxcnnlruhcniia. .uilagxnrl-I-iiiin. .l-ihw::: migrar-nani iulo-Iiuur--msmuui-ivn. ..Willulírnnnmu-(nnimvr um:-wgimjbjbn-: L [pllvltñllliltglaiñIlhllagfñltlhnlhihvhlllm¡Illllillr arrume,mui¡ «cumulo» lia: :llmvniuugiuxqnnmu : ngm::tdirzvr-nnnzllc.-lhlilcxutlrzjf-'Lx. !mundihulhli-HIIIIHIL) "PJ ¡uiumgurjtivgnpjãi-íLamumuwnllilúniilllluhlllíklltçlvãln* ; mmIniln-: nllradimnnn-: lim114mmiiudinmnnnnlir: ..iram-nc Iul! !liláücluql¡: alladihlmunáhlhluililâvii. .llqgi-IL-nlluih»'hlnncritlilsllk' : Il-Ma iWdllñlllr-VBIIIIIWiáulilâralllüiltgmvuului-: llgtaunllz: ,eliminar 'lmmiíalnaunguum 51min: :-? lí-i'llIlimar¡unmmunuwutia " nllzllllglãluhuilnty¡. illiil, @Bram-il-nuranizvmvça-¡ífgn--ilaqm¡m¡'r, ¡¡¡r_u¡q¡u: ._Áuwzuaennnvn -Lnniltagmr-Lsnuuuuniin: nvunsi-Lsávulíx-¡no. .#invista-nugmnimiunuumvnnnuiraanm: : L-. ñluoltubsz-*ífnvnnihl-*ibuli (alulgl-Nuiwnllátiniltnllumn 5:#10;¡lclnviñlnulílilñl¡ltlllgli-Lílugtlnjñl ÉWgBIIHIIÍQIMIlIIÍhIII): :atenta-iuqumniimvm . lirui-gnn-Lruuuntmmmr,:wall-lah:l ¡t-rwnu llñlllllãilñ Ilw _unmniiz~~dirziunvrzr-m-niim "Alarm. - l cnçnannmmuf' . .tmauliumu zivnnnuuii-nnlnnnliua: terminamIra_-unnx-iuaiqçvnnndhaivia¡. lkrhuianiuwumagnumvna “de preparação de farinha de mandioca,da qual não se imaginam mais abrindo mão.Será que Takwari,1o,o ñlho de Irohó que foi alimentado com farinha desde a barriga da mãe,vai continuar achando que uma ativi- dade tão desgastante quanto a caça vale todo o esforço?Se ele,quando adulto,priorizar a agricultura,capaz de trazer mais comida com menos esforço,o que fará com o tempo livre?Vai querer ir à escola? A certa altura mostrei a crianças e adultos um exem- plar de GALILEU.Ficaram fascinados com a foto de um leão.Disse que era um parente da onça.A reconsti- tuição de um dinossauro mereceu olhares espantados.Usei um mapa-mundi para indicar a posição do Ma- ranhão.Olhavam para o mapa e para mim,como se,si- multaneamente,o que eu dizia fosse verdade,mas não ñzesse sentido.Percebi que os guajás estão conscien- tes de que existe um mundo além da terra indígena.E que parece interessa-los bem mais do que a sociedade
  • 49. 52?":LInfância:criado no estilo de irida nômade até os nove anos,Irohó ouviu de suamãe relatos de massacres A difícil relação com a a ricultura é cultural.Os homens preferem ir a avoura um dra e caçar durante o resto da semanabranca que os circunda diretamente.na qual abundam pobreza.invas es de terra.roubo de madeira e plantio cle:mac(Era o pcníiltimc) dia de viagem,e eu j' estava com saudades.Dome-n também.Crítico da sociedade capitalista,ele havia .e impressionado com a simpli- cidade da vida dos guaj z Tambem chamou sua aten- ção o fato de que se podi deixar um objeto na aldeia e encontra-lo intocado.Houve uma única vez em que i so não aconteceu.Domenico levou uma lona para servir de fundo para as fotograñ 7. e todo dia escalava árvores e casas para monta-la.Certa vez,instalamos a lona e fomos ao posto almoçar.Nisso,desabou um temporal."Com essa chuva,a lona acabouí disse ele.Voltamos depois e descobrimos a lona guardada.O benfeitor nunca se apresentou para reivindicar nem sequer un1“obrigadc›”. "Eles respeitam muito as pesso- as.Nunca me senti tão seguro”,disse Domenico. .87;' ITlEQTUO flt-“HTTU (llílS TPSPTVFIH. Nas últimas horas que passei no Juri '.Patriolino contou uma tória que me fez sair de la bem.Em 2004 e 2005. os guajás competiram nos logos Indíge- nas.Ele acompanhou os três atletas nessas viagens a Tocantins e Bahia.Na Bahia conseguiram o segundo lugar em arco-e-flecha.Os guajás chamaram a ; itençãci de seus “parentesWe ; issim que os indígenas sc tratam),que se impressionaram com seus modos tradicionais.Na noite de abertura.num ginásio.o locutor lascou ao microfone:“E agora,com vocês,os primiti indios “ai” R* » a deixa para que o trio PARA NAVEGARse apresentasse em suas roupas de Caça o Veja a versão em vídeo desta reportagem em www. galileu. globo. comtradicionais - ou seja,nus.Foram ova- PARA LER ~- "Kinship with Monkeys",de Loretta C ier. Clonadoã pela galera Columbia University Press,Nova York,2003 nas arquibancadas.E m,,
  • 50. 60 O «JÊÉÍLÊÍÚE TRANSFORMAR UM Qllli-“Íã-_l_ NOVA-IORQUINO EM UM SlTl' DE 800 lc? ? E COMER SOMENTE O QUE NELE FOI PLANTADO E CRIADO. ,ALGUNS RESULTADOS:UMA COLHEITA DE B. *'; :'I'rÍ-_"ié$S i«: ¡li~›'I«'JSICÉJl. .LàS,UM @FEED EECEPMÊAO,UMA iG. *§-_l. ll*'_l-l: à_ 'l'lCl: l+_l3!§-_ EM SEUS PRÓPRIOS OVOS E UM CASAMENTO CONTAMINADO POR ERVAS DAN INHAS.E ROSE-illlíl.SAIR INTEIRO DE UM líxülíllillráiiílrlTü COMO ESSE? MANNY HOWARD galileu@edglobo. com. brm 8 de agosto de 2oo7, às 6h40 da ma- nhã,um tornado atingiu minha casa emNova York.Muita gente viu o fato como J _, - uma aberração da natureza.Eu não.De-pois de uma noite sem dormir,ouvindo o vento e a chuva se intensiñcarem,vi o céu ficar verde.Aí um pinheiro no jardim da casa ao lado foi partidol ,_em dois,uma goteira abriu-se no terceiro andar da , v minha casa e o telhado do que costumava ser nossa fgaragem,depois conhecida como "o celeiro",foi ar- rancado.Enquanto o vento aumentava,o tronco de um carvalho atingiu como um míssil o pedaço mais produtivo da minha horta,encobrindo a plantação de tomates,rachando uma ñgueíra,pulverizando os re- polhos frescos e despedaçando o telhado do meu ga- linheiro.Isso mesmo,meu galinheiro.Ele fica na mi- nha fazendinha com 80o m¡ de terra cultivável.Umtornado não atingia o Brooklyn desde 1889, quando Flatbush (pedaço do bairro nova-iorquino) era uma área agrícola.O tal tornado destruiu a fazenda que cultivei em meu quintal e que planejava contar como minha única fonte de comida por um mês inteiro.Comecei meu projeto em março de 2007. Em sua con- cepção original,ele era um teste extremo da idéia que fez florescer o movimento locavore (em inglês,contração de "local" e o sufixo "vordi ou "que se alimenta de") De acordo com seus fundamentos,todos deveríamos comer alimentos produzidos localmente,a uma distância de atéj 16o quilômetros (50 para alguns) de onde vivemos,para 1 assim salvar o planeta e redimir nossas almas empantur-radas.Agora que o rótulo "orgânico" tomou-se comum e essencialmente insignificante,os locavores estabelece- ram um código sagrado,que acalma nossas ansiedades em relação ao que há em nossos pratos.» D Andrew Eccles
  • 51. l.Nanny Howard:de crítico gastrônomico da prestigiada "New York" a lavrador_ metropolitano
  • 52. 62'EGUNDOOMOVIMENTO p E.0E. »'. :VCE2:E,DEVEMOS 5 COME atiaewros PRODUZIDOSAUMA DISTÂNCIA DEATEíãü m. ; DE CASA.RESOLVI LEVAR ESSA FILOSOFIA . a-_o ãíiíTtlfílaíiü» Os reis do movimento são Michael Pollan - autor de "O Dilema do Onivoro" (Editora Intrínseca,2007),um olhar saudável sobre como a produção da comida ficou des- provida de qualquer coisa natural ou normal - e Barbara Kingsolver,autora do autobiográfico 'AnimaL Vegetable,Miracle” (ainda inédito no Brasil),sobre o esforço de sua fa- mília em comer apenas produtos feitos localmente."Nosso maior objetivof escreveu Kingsolver,"era comprar tão perto de casa que conheceríamos o produtor. " Inspirada por ela,a revista "The New Yorker" publicou uma reportagem sobre dietas restritas a alimentos adquiridos em municípios pró- ximos da metrópole.O resultado foi um menu mais barato,sem pombas ou ratos.Logo depois,as quitandas de Nova York criaram uma indústria de fundo de quintal.Dentro dos limites da cidade,há gente criando galinhas,plantando alface e mantendo colméias,uma forma de lucrar e alimen- tar os puristas.Mas,até onde sei,ninguém tentou fazer isso tudo sozinho,em um pequeno quintal.Para avaliar o estilo de vida locavore,planejeí levar sua filosofia ao extremo.Enquanto a fazenda ganhava forma em minha cabeça,tive momentos ocasionais de lucidez.Percebi que há coisas que nunca poderia plantar.Perrniti,portanto,três exceções:sal,pimenta e grãos de café.Além disso,já era março,tarde demais para cultivar trigo,que cresce no invemo.Então tá,sem pão.E os laticínios?Ê ilegal criar vacas ou cabras em Nova York,mas escondi um caprino na garagem.Valeria o risco?Queijo seria bom,mas você já colocou leite de cabra em seu café?Havia também o óleo:não tinha espaço para as plantas necessárias para produzi-lo,então teria que me contentar com algum tipo de gordura animal.Um porco,talvez?Gordura de pato também era uma boa possibilidade - poderia conñtar (cozinhar na própria gordura) tudo.O que eu não poderia fazer,então?Preocupado com uma crise de abstinência de álcool,tentei destilar vodca de ba- tatas.Segundo a lenda,em cinco dias é possível fazer uma/ v . AIJ ,Az x/ _H/ WNÍJ w ; LJbebida razoável.Sonhava acordado com uma criação de ti- lápias,peixe de água doce que rivaliza com as baratas em adaptabilidade.As opções pareciam ilimitadas.Mas,en- quanto olhava o calendário,um sentido de urgência tomou conta de mim.Tinha de parar de sonhar e começar a agir. Moro em uma área onde as casas são bem grandes,mas os terrenos,nem tanto.Meu quintal tem 6 por 12 metros,tende a inundar com pouca chuva e não era próprio nem mesmo para um gramado.A única coisa meio viva ali era uma Cerejeira que foi cortada em meu primeiro dia como fazendeiro.Mandei amostras do solo para análise,e os re- sultados foram medonhos:nenhum nutriente e altos ní- veis de chumbo.Um terreno tóxico.Antes de despejar 5,5 toneladas de terra boa e fértil sobre ele,trazida de uma fazenda em Long Island,ainda tive que escavar um siste- ma de drenagem.Fiz um buraco enorme no meio do barro.Precisava chegar até a areia. No buracoComecei tudo como um projeto familiar de fim de semana.Meus filhos - Heather,de 5 anos,eJake,de 3 - entraram de cabeça na história.Secaram a testa do papai,levaram cerveja gelada para ele e correram pelo terreno como se fosse recreio.Ofegante e sofrendo como se estivesse nos primeiros estágios de um ataque cardíaco,usei o que ainda restava de forças para me arrastar até a geladeira e pegar uma garrafa de vinho. No dia seguinte,parado sobre o mesmo buraco,ago- ra com quase dois metros de profundidade e muito mais largo que uma lata grande de lixo,perguntei para Carlos - um salvadorenho mestre-de-obras de uma empresa de projetos paisagísticos - se havia alguma chance de achar areia.“Em meu país,ela sempre está depois do barro.Te- nho certeza que isso também acontece aqui. " Dei um sor- riso amarelo e continuei a cavar.O buraco tomou todo o fim de semana.Minha mulher,Lisa,que não tinha tarefas braçais em sua lista de programas para o período,parou de checar meu trabalho,e as crianças ficaram entediadas.Continuei cavando.Atingi a areia quase sete metros de- pois,joguei longe a ferramenta para abrir buracos e me sentei com as pernas cruzadas. Quando me arrastei para fora do buraco,minha vizinha,Jane Feder,me chamou."Você não precisa me contar se não quiser,mas o que você está fazendo aí? '§ disse do ou- tro lado da cerca.Quando respondi que estava construindo uma fazenda,ela disse:"Eu sabia.Falei para o Al [seu ma- rido] que você ia fazer isso".Jane estava empolgada,nem um pouco incomodada com a montanha crescente de lixo ou com a presença de escavadeiras na entrada da rua.D En( Slater e Manny Howard, Xi-W r'" it_, ariíí“^~rgl ltm_, rwtf“ml lc' LVJNJÂLWIWaíl
  • 53. Nem mesmo meus planos de colocar animais fedorentos a poucos metros da janela de sua cozinha a amedrontararn.Quando instalei armadilhas para esquilos para proteger minha plantação,ela ficou maravilhada ao vê-las funcio- nar bem.Ela até levou amigos ao seu quintal para exibir a fazenda de seu vizinho.Lisa estava preocupada.Pensou que nossos outros vizinhos achariam que eu era Richard Dreyfuss em "Contatos Imediatos do Terceiro Grau”!Na verdade,eles foram meus maiores incentivadores. Comecei a plantar em meu porão enquanto o quintal não ficava pronto.Para ter alguma credibilidade como um locavore,cheguei à conclusão de que teria de começar do zero.Comprei dúzias de sementes variadas,de abóboras a tomates,coloquei-as em pequenos montes sob a luz de lâmpadas especiais para estufas,instaladas no teto.O pla- no era transplantar tudo para o quintal assim que ficas- se mais quente.Logo elas começaram a crescer.Me senti como meu filho ao ver seu feijão brotando na escola. Nas semanas seguintes,tudo cresceu como erva dani- nha.A operação parecia fácil demais.Convidei meu primo Cabe,que conhece bem lâmpadas para estufas,para um tour em meu porão-estufaFElas estão no lugar erradoí disse ele.Logo depois,um diagnóstico de dar medo:“Essas mudas9;. 7 m' Mãos à obra: à esq. , 4 toneladas de terra lértil chegam ao Brooklyn;à dir. , Howard em busca de areia seca para criar o sistema de drenagem de sua fazenda;abaixo,o repórtera_ constrói uma gaiola à!de doisandares paraseus coelhossão muito delicadas para agüentar as condições lá fora".Respondi,na lata:"Bobagem,elas estão firmes aqui?Cabe:"Não tem vento aqui,tem? ? Não falei mais nada,enquanto absorvia outra lição.As plantinhas eram de fato muito deli- ¡ cadas.A maioria começou a morrer antes de deixar o porão.Como medida paliativa,coloquei-as em um solário.Ape- sar de meus esforços,encontrei o apocalipse numa manhã.Centenas de mudas estavam caídas e encharcadas. Em busca de mudasEstávamos em meados de abril.De repente,tarde demais para o cultivo.Com o calendário avançando em direção a agosto,quando teria de consumir apenas minha pro- dução,era necessário continuar com plantas novas,já no quintal.Mesmo nesse estágio inicial eu estava comple- tamente consciente do que os economistas chamam de "custo irrecuperável”.Eu não conseguiria de volta todo o trabalho,suor e dinheiro que havia investido em minhas sementes até o momento.Os locavores puristas iriam me evitar,mas que escolha eu tinha?Então saí para comprar mudas,o que não é fácil em Nova York.Ervas podem ser encontradas em qualquer lugar,mas você tem dificulda- des quando está atrás de milho.cenouras e batatas.De- pois de semanas,finalmente encontrei a C.Verdino Sc Sons,no Parque Ozone,onde enchi meu carrinho com mudas de favas,melões,beterrabas,berinjelas,pepinos,erva-doce,repolho e quatro tipos de pimentões.»
  • 54. :z Trabalhei como um doido para plantar tudo aquilo em meu quintal.Contei com a ajuda de Caleb,filho adoles- cente de uns amigos que não queria passar o último verão antes da faculdade trabalhando em um lugar fechado.Ele é um garoto legal,apesar de seu cabelo louco e experiência zero.Caleb nunca havia cozinhado uma refeição,imagi- ne plantá-la.Mas estava agradecido pela sua companhia.4 Fizemos um esforço extra com as batatas,colocando-as em uma caixa retangular,chamada de “arado”.Elas seriam l minha salvação contra a fome,assim como têm sido para r civilizações através dos séculos.Uma plantação difícil de destruir,capaz de sobreviver quando nada mais consegue. Ainda tinha de tomar a difícil decisão a respeito das carnes que criaria.As tilápias saíram de cena,pois o cara com quem tentava falar sobre elas nunca me ligou de volta.Já as galinhas foram cortadas por serem barulhentas,fedi- das,más,sujas e fujonas - algo nada bom para a relação com os vizinhos.Além disso,elas têm de ser depenadas.Calculei que precisaria de uma galinha por dia.lsso dá um montão de penas. Em comparação,coelhos soavam como música.O ideal é você comê-los bem jovens,quando sua carne é mais macia,e,como todos sabemos,a espécie se multiplica loucamen- te.Segundo estudos,Luna única fêmea pode produzir 1.000 vezes o peso de seu corpo em prole comestível a cada ano.A espécie também adapta-se bem a gaiolas pequenas.De- pois de uma pequena pesquisa,concluí que a raça perfeita é a flemish giant:os animais podem pesar mais de dez quilos e chegam ao ponto de abate em poucos meses.De um cria- dor em Lichtñeld (Connecticut),encomendei três fêmeas, “L “í AN ; Km lfl J ll , Fl [ln/ ld L/ Jcr-«Hjl Em»um coelhão adulto e outro ainda jovem que eu pretendiaEnfim,a colheita:a fazenda parto do final do ciclo de produção,ainda antes da chegada de um tornado devastador. J l¡ W n_ r r t, que ficasse como companheiro das crianças.Ainda peguei mais uma fêmea e um outro macho adulto em Nova Jersey,por segurança.Era junho,tinha bastante tempo para que eles servissem como minha principal fonte de proteína.Logo pintaram complicações.Os coelhos chutavam suas vasilhas de água em busca de refresco.A umidade convidou moscas a colocarem seus ovos nas gaiolas.Eles viraram lar-_ vas que,por sua vez,grudaram nas fêmeas.Resultado:perdiuma fêmea e o coelho das crianças graças a uma infestaçãorepugnante,a qual recuso-me a descrever.Enñei seus corpos em sacos de lixo,cobri tudo com uma pá dc cal c os deixei em latas à beira da calçada para serem levados embora. Coelhos nada coelhosAs fêmeas sobreviventes demonstraram interesse zero pelo coelho de Jersey,o que significava que todas as fichas foram apostadas no coelho cle Lichtfield,um Chinchila americano com a metade do tamanho delas.Assim descobri que mi- nha fazenda quebrou uma das leis invioláveis da natureza:meus coelhos não transavam como coelhos.Só de cuecas,no meio de uma noite qualquer,apostei que era a hora ideal para a farra dos orelhudos.Mas,incrédulo,vi a fêmea recu- sar os esforços do grande e avermelhado macho.Toda ma-nhã,por duas semanas,pegava meu café,ia para o celeiro e presenciava o mesmo "não-acontecimento". Levei as fêmeas de volta para Connecticut,e o criador as cruzou com seis de seus machos.A fêmea de Lichtñeld foi engravidada,mas a de Jersey não fez nada que salvasse sua vida."Sinto muito,é uma coelha velhañ disse o criador.No meu retorno ao Brooklyn,minha mulher e eu a aposentamosi” l
  • 55. "RIAR COELHOÊ FOI UM I TENTATIVAS DE 'EREJZ. ^3,¡«. ~¡Ei-'T*9, A UNICA irillê'i'lé. aül§t_ Ç QUE V| NGOU FOI DEV 0515.2133.:POR SUA PRDWQIA iéiitiíe a promovemos a bicho de estimação.As crianças adora- ram.Duas semanas depois,ela morreu de hipertermia. No meio de toda essa comoção,Calculei mal a data do parto da única fêmea prenha.Quando ela teve sua primei- ra ninhada,eu ainda não tinha construído a fundamental caixa na qual os coelhinhos seriam colocados e desma- mados.Os manuais de criação ensinam que a caixa deve ser apresentada à coelha uma semana antes do parto,para que ela tenha tempo de enchê-la de pêlos e construir um ninho.Depois de descobrir os recém-nascidos,me mexi para construir uma caixa apropriada e,na minha pressa,Calculei mal as medidas.O resultado foi desastroso.A cai- xa era muito pequena.Conseqüentemente,a fêmea não podia entrar para alimentar sua prole,forçando os coelhi- nhos a sair da caixa e andar em volta da gaiola.A logística de manter a atenção em sua primeira ninhada provou ser demais para a coelha e ela entrou em pânico.E,quando uma mamãe coelha entra em pânico,ela pode devorar seus coelhinhos.Já havia lido sobre esse comportamento e si- lenciosamente terrii por isso enquanto fazia uma nova cai- xa.Mas achei que era um fenômeno raro e fui negligente. Carnificina maternaQuando o fim de semana chegou,deixei a fazenda e fui com meu filho assistir a um desfile em Coney Island.Esperan- çosa por um momento de conexão entre mãe e ñlha na fa- zenda,Lisa levou Heath para visitar os coelhinhos.Apenas momentos antes de sua visita,a fêmea havia destruído o que restava dos filhotes,esmagando dois deles e arrancando a cabeça de um terceiro.Vendo a camificina,Lisa conseguiu segurar o vômito e empurrar Heath para longe da gaiola.Só percebi mais tarde,mas Lisa estava tentando colo- car panos quentes sobre seu ressentimento em relação à fazenda o tempo todo.Ela odiava a bagunça,tinha vergo- nha da pilha crescente de lixo na entrada de casa e estava enojada pelo cheiro de estrume que vinha do celeiro.O fato de eu estar sempre vestido com roupas sujas e de quase nunca deixar a propriedade também não ajudava.E também tinha o anel de sujeira que eu deixava em nossa banheira depois do banho todas as noites.Lisa não tinha planos de ser a esposa de um fazendeiro.Ela tem uma *L Amy EckeviâáisTRíí.DEPOIS DE MUITASprofissão exigente e tinha acabado de receber uma pro- moção quando eu comecei meu projeto.Lisa queria que nossa casa fosse um santuário,não o abatedouro no qual eu a transformei.Uma carreira e duas crianças já eram demais.Quando cheguei do desfile com Jake,a simpatia de Lisa por mim e minha aventura agrária havia acabado. Enquanto ela bufava,eu me consumia de preocupação.Os coelhos haviam sido um erro tático.Era quase julho,me- nos de um mês para agosto.Precisava de uma nova fonte de proteina.Fui até Agway,em Nova Jersey,e voltei com 26 galinhas pequenas e quatro patinhos.Lisa chegou em casa bem na hora em que eu e Caleb estávamos tirando os pássaros do carro,com os meus filhos dançando em volta.Sentindo-se acuada,Lisa pensou seriamente em pegar as crianças e ir para um hotel.Sua raiva transbordou quando Jake pisou em um dos patinhos,mutílando o animal de tal forma que tive de pegar uma pá e joga-lo fora antes que o garoto percebesse o que tinha acontecido.Menos de uma hora em casa e já com Lun pato a menos."Você vai transfor- mar as crianças em assassinos cruéis",disse Lisa. Aí veio o último golpe.Na tarde seguinte,Caleb e eu construímos a maior parte de um galinheiro.Iiispirados pela animação "A Fuga das Galinhas",decidimos faze-lo verticalmente,cheio de rampas,para que ocupasse o iní- nimo de espaço.Tudo ia bem.Lá pelas 17h30, Caleb juntou tudo,pegou sua bicicleta e foi para casa se aprontar para o curso de barman.Uma hora depois,lá estava eu dando os toques finais.Com uma serra elétrica em punho,cor- tava um pedaço de compensado para fazer uma rampa de entrada.De repente,a lâmina da serra pegou meu dedo mindinho direito e destruiu sua segunda falange.Partes dele ficaram na serra e no chão. Peguei meu celular com minha mão esquerda e liguei para Josh,um amigo de infância que agora é bombeiro e,melhor ainda,mora na esquina.Ele correu até minha casa e estancou o ferimento sob meu olhar assustado.Não tan- to pelo machucado,que não ia me matar,mas por Lisa,que provavelmente iria.Ela deveria chegar em casa com as crianças a qualquer momento.Depois de mais um longo dia no escritório,seria uma cena e tanto para ela ver. Decidido a não me levar a um pronto-socorro,onde ñcaríamos em uma fila,Josh ligou para um cirurgião »
  • 56. 66ALINHAS SÃO ANIMAISI¡a- siirrcais.o IÍEXÊERFQFQUE PRODUZIA pilas PASSOU~A CONSUMIR SUA @mananciais COMO UM VIICIÍÁtIÊ@ EM c . ra-rca» especialista em mãos,Danny Pong,que concordou em ver a mim e a meu mindinho imediatamente.Antes que chegássemos à porta de casa,Lisa apareceu com Heath e Jake.Tentei soar casual:“Querida,machuquei meu dedo e preciso ir ao médico"."Corno assim?Machucou muito? 'Ç ela perguntou."Não muitoñ menti.E ai' fui honesto:"Com a serra elétrica?Minha mulher deu um grito cheio de an- gústia e frustração.Lisa me xingou por minha idiotice,afinal,havia me mutilado.Mas não era só isso.Agora,ela ainda tinha que sentir pena. O pedaço mais verde do bairroPoucos dias depois do incidente do rriindinho,enquanto Caleb e eu estávamos limpando o cocô da gaiola do coelho,um grupo de senhoras do Jardim Botânico local se juntou na entrada da rua.Elas eram juradas de uma competição que julga o pedaço mais verde do Brooklyn.O grupo foi atraído pelas caixas de plantas que eu tinha em frente de casa,cheias de tomates,pimentões,pepinos e melões.Elas queriam nos cumprimentar por sermos um exemplo de como comida pode ser cultivada na cidade.Caleb e eu tro- camos iim olhar e as conduzimos ao quintal.A fazenda as deixou malucas. Seu entusiasmo me permitiu um novo olhar sobre meu jardim.O milho estava bem alto,em fileiras uniformes,e os feijões cresciam vigorosos.As borboletas deslizavam sobre os repolhos e os pepinos pendurados nas grades que havia construído para eles.As ervas estavam gloriosas,as flores da erva-doce com um forte gosto de anis,o grande arbusto de alecrim prometendo anos de serviço.Entre o verde,pequenos pedaços de cor brilhavam:uma abóbora amarela,uma berinjela branca,um tomate vermelho.As batatas ficaram tão altas e fortes que não tínhamos espa- ço para mais delas.As juradas do Jardim Botânico ficaram maravilhadas.Por um momento,eu também fiquei.Está- vamos a uma semana da chegada do tornado. A piada sem graça do dia 8 de agosto de 2007 arrasou o milho,a abóbora,metade das berinjelas,a maior parte dos feijões e a figueira.Quando a tempestade acalmou,parei na varanda por um momento,rindo para mim mesmo e pen- sando que a mãe natureza havia feito o que Lisa não tinha conseguido.O experimento estava terminado.Pelo menos havia uma ótima desculpa:um tornado.Quem poderia pre- ver?Vagando pelo estrago,percebi dois figos maduros joga- dos na sujeira.Limpei as frutas em minha calça e os comi.Depois,sem realmente pensar sobre o que estava fazendo,xinguei as galinhas que tinham escapado e colhi os legumes danificados.Peguei tomates,passei pelo processador e pus o molho no freezer.Salvei algumas folhas de uns repolhos esmagados,limpei-as e também coloquei no freezer.Logo percebi uma coisa:a fazenda sobreviveu. Você deve ter percebido,caro leitor,que perdi meu pra- zo original.Em 8 de agosto,dia do tornado,já deveria estar me alimentando de minha produção havia uma semana.Entretanto,isso não foi possível.No começo do mês,os tomates estavam verdes,e as galinhas,ainda abaixo do peso mínimo para o abate.Havia quatro berinjelas com ta- manho suficiente para serem comidas e apenas um pepino.Nada de beterrabas ou cenouras.O início do experimento havia sido alterado para i5 de agosto. Isso me deu tempo,entre outras coisas,para turbinar a produção de ovos.Eles não faziam parte do plano,mas se tomaram parte dele depois que um criador me empurrou uma galinha mutante.Era quase sem penas e tinha pernas e pés escabrosos.Para nossa surpresa,ela se mostrou uma boa galinha.E,depois de a colocarmos em uma dieta de ra- ção para gatos,ela produziu um ótimo ovo caipira.Foi um momento de alegria na fazenda. Ela pôs outro ovo no dia seguinte,mas comeu o maldito antes que eu pudesse colocar minhas mãos nele.Duvideí que ela transformaria esse ato nojento e Canibal em um hábito.Então esperei pelo terceiro dia,quando aconte- ceu de novo.Fiz uma pesquisa rápida e descobri que,para qualquer galinha,o gosto de seu próprio ovo tem o mesmo efeito que o crack tem em um viciado.O que se seguiu foi uma batalha por claras e gemas. A galinha vivia em uma gaiola com o chão inclinado,projetado para preservar seus ovos.Ela os colocava e eles rolavam para fora da gaiola.No início,ela não percebeu que o ovo estava lã.Mas depois de ficar com a boca cheia de sua própria gema,o animal aprendeu a girar,quebrar cada ovo com seu bico e engolir tudo o que podia antes que ele cais- se na bandeja embaixo da gaiola.Minha primeira reação foi aumentar o ângulo da gaiola e encapar o arame para que a casca não quebrasse quando o ovo rolasse rapidamente para longe da galinha.Consegui dois ovos.Ponto!Mas ela logo
  • 57. O Francisco [estaaprendeu a alongar seu pescoço através do mesmo buraco que permite a passagem do ovo.Perdi mais uma. Passei um arame na frente da gaiola,do chão ao teto.Consegui mais três ovos.Furiosa como todo viciado,a gali- nha aprendeu a se contorcer e suspender seu pescoço para fora da gaiola como antes.Troquei todo aquele arame por um pedaço de rede,o que deu a ela espaço suficiente para colocar ovos e criou um piso secundário,largo o suficiente para que ela não conseguisse alcançar além da parede frontal da gaiola.O início de minha dieta da fazenda se aproximava e já tinha quase uma dúzia de ovos na geladeira. As primeiras galinhas foram mortas cinco dias depois do tomado.Era o número possível,já que as outras vinte ainda estavam abaixo do peso.Segundo a técnica de abate que escolhi,as galinhas deveriam ser colocadas em um cone de aço inoxidável.Ele impede os animais de sair correndo sem sentido,batendo suas asas.Seus pescoços são entãoUM MÊS DE COMIDA EM UM QU| NTALO CAMPO,COM QUATRO HORTASl- Tomate,beterraba,aipo,berinjela efigueira 2- Repolho do tipo collard,pepino e callaloo [vegetal originário do Caribe)3- Repolho,berinjelajaponesa,berinjela-branca,ruibarbo,alho-porá,alho,cebola,erva-doce,alecrim,tomilho e hortelã4- Milho,feijão,manjericão e salsinhacortados com uma lâmina de quatro polegadas.Assim que acabam de sangrar,os bichos são colocados em um escalda- dor - um contãiner de fibra de vidro cheio de água aque- cida - para que sua penas sejam retiradas mais facilmente.Depois de depenadas,seus riiiúdos e pés são retirados,e os cadáveres são colocados em água fria.O processo leva horas e não estava preparado psicologicamente para ele.Matar as galinhas foi um trabalho tedioso e grotesco.Quando terini- nei,sentei na calçada com três garrafas de cerveja. Em 15 de agosto,primeiro dia da dieta,avaliei meu es- toque de galinhas,tomates,berinjelas,pepinos,outras coi- sinhas e alguns ovos.Uma coisa era certa:eu iria precisar das malditas batatas.Desisti de fazer um levantamento da plantação de batatas porque não queria interferir no que esperava ser sua maneira selvagem e abundante de cresci- mento.Meu pai,que plantava batatas na Inglaterra,sua terra natal,havia sido meu consultor nessa parte do » PLANTAÇOES oeQUATRO ESPÉClES Pepino,melões,pimenta e tomate s** REA DAS GALINHAS-“* Um galinheiro alto e com grande capacidade ÁREA nos PATOS Uma gaiola para as aves,uma piscina e dois abrigos t - ara coelhos rebeldesGARAGEM OU O “CELEIRO” Armário de ferramentas,rações para coelhos egalinhas,gaiola para seis coelhos,abatedouro,refrigerador e galinheiro com coletor de ovosllr-amxíMruIfMÍM-«paüwmf
  • 58. Cenário perfeito?Típica rua do Brooklyn nova-iorquino.Você imaginaria encontrar uma fazenda em um lugar como esse? » projeto.Seu envolvimento me dava confiança.Esperava colher 10o ou zoo batatas. Puxei a cerca de.compensado para longe da plantação.Ataquei o solo com um garfo para jardinagem.Atingi algo sólido e encontrei um bolo de sujeira.Repeti esse exerci- cio inútil até chegar a uns 3 metros abaixo do solo.Zero.Aprofundando-me ainda mais,como um garimpeiro em busca de ouro,encontrei sete das menores batatas que o mundo ja' viu.Liguei para meu pai.“A plantação de batatas não deu certoí disse."Não deu certo?Como não? ? ele bal- buciou."Consegui achar sete,e elas são tão grandes quan- to botões de camisa?repliquei.Talvez,as coisas tivessem sido diferentes depois de mais um mês na terra.Mas o fato é que minha dieta não teria batatas. A rimeira ceiaPEsperava compartilhar minha primeira refeição com Lisa e as crianças,mas ela estava ñrme em seu boicote contra todas as coisas da fazenda - especialmente o fazendeiro.Ela havia marcado um happy hour depois do trabalho e deixou Jake e Heath com minha mãe.Então convidei meu amigo Dan para juntar-se a mini.Nascido no Alaska,ele conhece bem a criação de aves domésticas.O sujeito não ñcou animado ao perceber que água era o único acompa- nhamento na mesa."Nada além de água por um mes? ? ele perguntou."Não plantei bebida alguma",respondi."Claro que não. ..'i disse Dan.Encerrei o assunto:"Sinta-se à von- tade para abrir uma garrafa de vinho". Preparei uma galinha em minha churrasqueira.dividi o bicho em duas partes e as coloquei sobre uma salada de fo- lhas.Cozinhei cebolas e alho na sua gordura.Como acom- panhamento,coloquei grossas fatias de tomate e temperei tudo com sal marinho,pimenta-do-reino e salsinha.Ficou lindo,bom até para um restaurante.O sabor era ainda me- lhor.A pele era grossa e crocante.A carne foi uma revela- ção,densa,mas não borrachuda,com um sabor concentra- do de doze galinhas de supermercado.Tinha sabor de algo que havia vivido de verdade,como peixe recém-pescado.Dan também curtiu,mas não me importava muito com o que ele achava.O cara estava lá para testemunhar a minha mais completa satisfação.Tanto que nem liguei para seus grandes goles de vinho branco. Quando Lisa chegou em casa com as crianças,pra- ticamente enxotei meu comparsa,insistindo para que minha família provasse um pouco do meu jantar.Lisa recusou de pronto.Jake olhou para a mãe,depois para a galinha,e disse:“Não pai,obrigado"."VerdadeP Não querem nem experimentar? , perguntei.“Estou bem",, t Shutterstock
  • 59. disse Lisa.Jake olhou para nós dois."Vamos lá, Jake,ex- l perimenta.E maravilhosol",insisti.Desesperado por um aliado,tentei dividir a família entre meninos e meninas."Não é como urna galinha comum”,apelei."Eu gosto de galinha comum",afirmou o garoto. No dia seguinte,preparei outro prato perfeito como o da noite anterior e servi para Caleb,meu escudeiro.Ele olhou para aquilo como se desejasse um pedaço de pizza e comentou,como quem não conhece do assunto:"Cheira ' um pouco como cuecas".Quando finalmente experimen- tou,ele teve de admitir que era delicioso.ÍNos quatro dias seguintes,não comi nada que não viesse da fazenda.Não havia muita variedade.Os ovos foram uma benção.Comia um deles toda manhã.Ficava em jejum até o jantar,que começava a preparar por volta das i6 horas.Comia tudo sozinho,mais ou menos uma hora depois.As refeições eram pequenas variações do meu primeiro prato,alternando galinha grelhada e enso- pado de galinha com tomates e cebolas.Tinha repolhos e tomates frescos como acompanhamento,e um pouco de berinjela a cada dois dias.Vez ou outra,devo admitir,trapaceei usando azeite para cozinhar as berinjelas.Elas ficavam horrorosas quando cozidas em água.Ram DEPOI , l NADA ALEM DO QUE VINHA DAíí~nilílulílífr. , ,PERDI! s : :igtin a* MEUS4. E_ Meu esquema foi ditado pelo fato de não haver real- mente nada para almoçar,pelo menos nada diferente do que tinha para jantar,e pelo fato de eu continuar sentando ã mesa com as crianças para sua refeição às io horas.Nunca antes havia salivado ao ver um peixe frito congelado,mas isso começou a acontecer.As imagens de sushis dançando em minha mente eram psícodélicas.O tempo começou a passar mais devagar.Tentei levar uma vida normal,mas deixar a fazenda me levou a ter contato com alimentos que não podia comer.E fiquei tentado por quase tudo que era inadmissível.Fui ao mercadinho para comprar leite para as crianças e quase irnplorei por um pacote de pipocas demicroondas,algo que geralmente odeio. No sexto dia,fiquei literalmente de joelhos.Culpa de um grande desarranjo intestinal.Vou deixar os detalhes de lado,mas quase desisti.Não sei se essa indisposi- ção foi causada pela comida da fazenda.Entretanto,ñco orgulhoso de dizer que estava apto a retornar à dieta após dois dias de sofrimento.A única exceção seria um bife suculento,um presente de aniversário dado pela minha mãe.Provavelmente por intervenção divina,in- felizmente queimei o belo pedaço de carne.Me mantive firme em meu experimento. Fechando a contaTrês semanas depois de comer nada além do que vinha da fazenda,perdi 14 quilos de meus 11o originais.Eis o lado bom de fazer apenas duas refeições por dia.O lado ruim é o custo.Sem contar meu próprio trabalho,gastei aproximadamente US$ ii mil (Rs 2o mil) com meu expe- rimento,e o resultado foi insuficiente para aLimentar um adulto por um mês.Mas aprendi algo:a menos que você realmente saiba o que está fazendo,esse é um trabalho torturante,capaz de destruir sua alma.Mas é claro que comer comida fresca é delicioso. Poucos locavores veriam minha experiência como algo relacionado ao que defendem:comer regionalmen- te e de forma sazonal,para salvar o planeta.Mas agora entendo melhor os seus slogans.Comer localmente é caro e consome tempo,e é exatamente por isso que esse movimento não irá atingir as massas.Sua prática requer disposição total para a abstinência de conveni- ências e muito desapego do mundo moderno.Nossa época é determinada pela divisão do trabalho:não cos- turamos nossas roupas,não construímos nossas casas e por aí vai.exatamente porque estamos ocupados em fazer algo para outras pessoas.Os locavores também pregam a valorização do tempo e da energia,além do cuidado que deve ser empregado na produção de nos- sos alimentos.Nesse ponto,estou com eles. E ainda havia Lisa.Em uma noite qualquer,quando me juntei a ela e as crianças para o seu jantar,Lisa comen- tou que,depois de ver o quanto eu tinha trabalhado duro para ter um simples frango na mesa,nunca mais iria fazer compras do mesmo jeito.Não era uma questão de com- prar regionalmente,sazonalmente ou organicamente.O importante era consumir com responsabilidade."Nunca mais desperdiçarei tanto",ela disse."jogamos mais co- mida fora do que comemos. " Pronto.Enfim tivemos nos- so momento mágico de entendimento.[5 "JD
  • 60. U2N¡. f 1 ' z¡ N. . 'l J.x" z',l / Í à* i_ o ai. . rñÊaxáí¡ 'V' , T' , V: x5 -Vy-#F Alá ' .¡ 1 ' _s ›*~¡'~': ~_, _.' Q . --'-; ¡j» /-“ 3'""SK.Itu? ” 'à l *Yi w na. , . - e “ V ' n Í v L .É 4 .u_ ~ |Â!
  • 61. :mucmm tcaoauomvmmãzo É. mucosa ow mmcmmca mm mmwcu muma _c>muca mswm uccccuow cw OmumZuoE m ECU MOON Ec mwmuuc . cEcc cEmcE cw OZO m5: . õa cwmuam_ : ummum os cmuzwmuu Ecc mwcum . owccÉ c muma muzwcm c _caumuca msw< ucuccuca muma m>cua < - _É muccmã cw mwuhcu_ . .w_uc» cut cu ucum» wcEEuQ cwmm cwu>cua cu cumm c. ? - com uccm_a cima cuz_ cw oàucunc o w I cccmc_m cccc:.r om c I c_c muma cmus_cc m:cnc umuumcE . caEcu oEmcE om . c mEcE,.ai. -cua cw cwzuucwmã m . õaxm . mwccucumw m mwcu uma cnc c w muw mwmc m ccmcuu cucEc:cmmc cnc c _czmuca mswm m cmmcum Ewu cm:m_ owãE c:mmcmmca cw cmuzun_ E:cw mcucu cnc cw omumEucuc_ m Eco . .cama cnc c . mucwm..Ewzmcuc cwmzv muma cwmwÉc:mumE w om:m_ . EC cm cwcmw -cao mumc . ccwu cnc cw . õua . c cuucc w mzwm cw cucccuuuasm cmmoc c: - ,l lu. ,I/ .qf.l tlr - JW i t# n x l 11W.1/ - U iv.i . l . _n. Eoc. ono_mwc©_uu_›m_oc./PÍ _C_><. _ou <az<zmcu 1,,1 muuzãucm 225mm m<z o . Lana 52.2.. .. manu. . 9.2._ xi oo mzcusz_ mm zãumos_ cao E . x. ..omuauom mu. . mm:.maca cuzão Samoa a.x mumuzn_ 0h25. 32.2 . mcummu w mmmamoma_ o ..se «eo < 5.35 omczaz o m_ nasua. : maum < ommuâ x» . . Em. .. omz «mzña oz mmommmn É amiga É:um «HE ê .
  • 62. 1'.s?_ Mesmo n_ ,em períodos ' Â de seca,a bomba- d'água leva o líquido ara 1 l;o vilarejo de Vuma,na frica , n 'l do Sul.A operação dura ' algumas horas e custa'[71 US$l4miLAidéia j,Í* foipremiada pelo y-çkBancoMundialg . ›_ fr'- K ? cv-r~ ' ol 1; -_.ff' - g /' , , - F ___ q » O documento expõe dois projetos.O.“I ' , f - ~ l _ '_/ ' '" _l I:primeiro é o resultado de uma captura (l »l/t5": IOHS:mundial de imagens e histórias que en-›, 'v E Ofatizam o lado humano dessa crise,que x' v ' ,V i e l ' h ' d '- Vi__ a guns so con ecem por meio e nuA' u_ _ l meros e estatísticas,e também algumas u ,soluções comprovadas para o problema._'; ;Ilj'M v( O trabalho também documenta a inicia-tiva de 2o pessoas,de i3 nacionalida-_ç * l des,que decidiram correr por 95 dias ao a( A Es!/ redor do mundo servindo como mensa- geiros da seriedade da crise mundial. F ÉÀGUd-À f”,- Hoje,a escassez de água potável afe- _ w , v _ J.:EN2 7'.l ~ ta uma em cada seis pessoas no mundo, » _ já¡ (Í. -_Ji-fIJ I,Divulgação/ Samantha Reíndevs;2. Eellus
  • 63. l'lilíírí liílrírrc ¡ÍiilliiírApenas 2,5% da água do planeta e potavelo ANTA ÁGUA H NA TERRA? O total de água existente no planeta é de: Da água potável do planeta: 69,5%) não está disponível [geleiras,neve e camada de terra congelada]3Ú, l% está em aquiferos profundos0,4% é água da atmosfera e superficie1,4 bilhão de quilômetros cúbicosda Terra [lagos,rios,solo,umidadedo ar,pãntanos,plantas e animais]9750/0 disso é composto de água sal adados oceanos,mares e lagos,Os outros 2, 0/0 são água potável [34 milhões de quilômetros cúbicos).Essa água não está disponível para bebermos ou para a irrigação.Sua dessalinização é muito cara. Se um balde de água contivesse toda a água do mundo,uma gota do tamanho do seu do seu dedo representariaApenas 8,6 mil quilômetros a quallÊldade dlsllmlvel cúbicos estão disponiveis para:Pa” "°5' 'S50 equwale abebe,0,Ú00l°/ o dototal' ' a ão ! mg Ç 8,6 milquilômetroscúbicosdescarga é igual a 1.323 metros cúbicos lavar lOUCB 9K- de água para cada pessoa da Terra,por anoATIVIDADES QUE ESVIAM O SUPRMENTO DE GUA: . áiÍPxGolfe › Baseado na média de uso de água dos campos de t¡ golfe dos Estados Unidos12.700 litros são usadospara regar a grama a cada rodadar Há lELlOO campos de olfe nos Estados Unidos,com uma média deÊÚ rodadas por dia,Isso aumenta para l8 bilhões de litros de água usados todos us diasPiscina _ I Há cerca de 7,4 milhoes de piscinas privadas na América,contendo uma médiade_68_mil litros de água cada.São 427 tnlhoes de litros› Cada piscina perde cerca de 29 mil litros por mês em evaporação,sendo necessário adicionar mais e mais água. N' Gramados* 30% a 50% de toda a água potável ' . n, » urbana é usada para regar gramados.500/O Edesperdiçada.Quase toda essa água pode.á* ser economizada por meio do uso de plantasnativas,que só necessitam da água da chuva V' , ; rALÉM nA sem¡A quantidade diária necessária de água para nos manter vivos é 2,3 litros (por meio de líquidos ou comida).Mas alguns de nós consomem mais do que outros.Nos EUA,a média de consumo diário é entre 380 e 660 litros por domicílio [o que inclui beber,tomar banho,cozinhar,lavar louça etc.Mas não inclui os 4900 litros usados pela agricultura e indústria para alimentar e vestir todas as pessoas]Consumo de água mineral por pessoa em 2005 [em litros] Itália 191,9 México 179,7 Espanha 147,1 França 139,1 Alemanha 128,4 Estados Unidos 99,2 Brasil 65,8 Indonésia 33,3 China 9,9 l lndia 5,5São necessários 5 litros de água para fazer l litro de água engarrafadaÁgua engarrafada custa mais que gás de cozinhai5 bilhões de dólares são gastos anualmente com água engarrafada nos Estados Unidos.24%éágua de torneira reempacotadaMais de 70% das arrafas plásticas de água não são recicladas;3 bl lhOES terminam em aterrosBEBER,COMER,LAVÀR O norte-americano em média usa,em casa,cerca de 380 a 660 galões de água por dia.E menos do que há 25 anos,mas não inclui a água usada para nos alimentar e vestirQuantidades de água necessária para produzir algumas refeições [em litros): 250 gramas de hambúrguer Um pedaço de carne de porco Um copo de leiteSaladaTaça de vinhoFatia de pão11 mll lltros 2 mll lltros 1.000 Iltros 492 litros 250 litrosi 151 lltrosXícara de café l i 140 Iltros (uma colher de açúcar- ll litros]E são necessários: 10.500 litros para produzir 500 gramas de café2.600 litros para produzir 500 gramas de arroz 1.670 litros para produzir 500 gramas de açúcar ' 1.000 litros para produzir 500 gramas leite 143 litros para produzir 500 gramas de trigol, l bilhão de pessoas não têm acesso a água potável.lsso equivale al/6 da população mundial_; _*: ._
  • 64. %? *%s;', ,t* NmAAwmn jg, '; SHELAKEREHRA M.AGUA DE poço EM $NDHIKALEGOAH, NA INDIA.COMO MUITAS MULHERES NO PAIS, ELA E A PRINCIPALCOLETORA DE AGUA DAç FAMÍLI Á ,411.4k.
  • 65. c as tluenças relacionadas à água de má nrualidadc* são anualmente a princi- pal causa cle mortes.Nos ftltimos dez zincis.mais crianças morreram cle diar- réia do que todas as pessoas envolvidas em «tonflitos zirntados (lescle a Segunda Guerra Mundial.Em muitos países,a crise (la agua c- a principal razão para a pobreza (la população.Estima-se que 25% dos habitantes de nações em de- senvolvimento compram água por pre~ ços muito altos.Em alguns casos ao custo de maiis de um quarto de seus or- çamentos (lOIHÓSÍÍCOS. Mas,de acordo com a Blue Planet Run.há esperança,e as soluções com- provadas já existem.Segundo a ONG,a saída para metade dessa população que scifre com a escassez cle água - _sou milhões (los habitantes das regiões mais pobres (lo mundo,sobretudo nas áreas rurais - pode ser obtida por um custo cle US$ 3o por pessoa.Nada de tecnologias caras e complicadas,apenas medidas pragmáticas e tecnicamen- te simples,como poços,periurações e melhor Litilização da água da chuva,se- riam metade do caminho para a tneta clefornecer água para todos.ls? :i_ Di lLlgüÇdài Atcl Lake;Z.Ji «ul ; ara J/ (Joari Eau Chao:3, Div ulgação/ Janez Jazrnan! D3_. -«_ _ › //4 MULHERREHRA f.AGUADEUMACENTRAL _ -e. -. *g5 §4m/” *r”' EM LAPORIYA,NA ÍNDIA l.' UMA CRIANÇA Desde 1991, os níveis de água dos li v VIETNAMITA _ poços aumentaram de 5 para _' ,l¡ Como Tran Quoc Xu [ao i 18 metros.O aumento se r' ~' lado] gasta boa parte l deve ao resgate da técnica r do dia em busca de água i ' de captura da água 1,/gratuita,caminhando¡ /da chuva / longas distâncias ~. ,'af
  • 66. GEÓLOGlA '"“7_% É'/ “"“7-ñ_,' . .-. ... .___-__ . .____. ,_ . _ ________, _,__ ________________ ____ p 7-” / F 7_ _. . __- . ._~. _..4____ -__I' V 1;' ' “' mimo CAN ADA * › ,É “m r;_- l'OR'¡'l; (2.-I.“mm 'unos UN4¡ -______-_. -,- ~'= !.'D›IJ_- emma_- 5 ' .AFRICANA (MNIARÔBÉZ _ 7 _ ___uam,F'^_'_, ' ,A RUA. ~'1›A~-,. ' m" ' REP mu. . -UUL- ,' JQUMBIA k. .. . .-. . _ _ .À í ,. .. ,. . NANIÍBIA Zxrhwâláí um Sl'. ›. . l u( GVAJi KUMÃHHwH-'m .x.
  • 67. ' ' l-EH - lmIlilll~.l ~<I1ll. -: aq( _ v.- _ _ “q, L ¡axe-Im-_ml aq _ › r'^ 'NWXÍÍÍ l NOVAGlJINÊ;g : as “Rt,' ! dg im¡ J¡ -av-o-Q-o-»uo- ^ ' 7 ú.Q ACIÊNCIA JÁ SABE: DAQUI A 25o 'MILHÕES DE ANOS,A CARA no FIOssO PLAMETA SERÁ BEM PARECIDA COMUMA FOTOGRAFIA DO PASSADO nIsTAFITE.BEM-VINDO AO PRÓXIMO SUPERCOErETIIrEEPETE , YyCAROLINE WILLIAMS ETED NIELD l' -' ga| IIeu@edg| oho. conI. lisIlustrações:BRUNO ALGARVET. -ll-. 'l)l (XMYIBOJA ' ocê embarcou em sua máquina do tempo.Para o futuro,250 mi- lhões de anos adiante.A Terra está viva e bem.Os humanos há muito pereceram,mas o planeta continua a ser o lar de formas de vida desconcertantes.Com exceção de alguns poucos fósseismisteriosos,não há nenhuma evidência de que um dia existimos.Para alguém que viveu no século 21, como eu e você,a Terra é quase irreco- nhecível.Os Continentes estão unidos em uma única e gigantesca massa cercada por um oceano global.A maior parte do solo seco é um deserto hostil,enquanto a costa é atacada por tempestades ferozes.Os oceanos são turbulentos na superfície,estagnados nas profundezas e constante- mente famintos por oxigênio e nutrientes.Doenças,guerras e colisões de asteróides levaram humanos e muitas outras espécies do passado à extinção.Pronto,voltemos ao presente. Esse supercontinente do futuro não é o primeiro e não será o último.Geõlogosísuspeitam que o movimento das massas de terra em nosso planeta é cíclico e que a cada 500 ou 7oo milhões de anos elas se juntam.Esse ciclo é três vezes mais longo do que o tempo gasto pelo nosso Sistema Solar para orbitar o centro da galáxia.Isto posto,resta saber o que rege esse fenômeno,e como a vida será na próxima vez que os continentes se encontrarem.»GALlLEL I ABPAL 2008 k '1IQIt-Q77 ¡
  • 68. '. - fi/4 7 L1_ ,1 q,DA EUROPA,a a . s . af: ":“n ; q l n .RT' m” l"' , '- _ 7.'., xA ff .. ' 30g .de ¡nzgtüãs f í ç.»N c.'I. p-«o-ncno-. a-c- . tç4.›4›, ›_›ruro-¡f-o-o-o~› . ;.. ... ..-. ... .~›. ›.o›. . _w -o-. s 78. -à~›-O~›~ I I Irluapas-muncli Há 250 milhões de anos,havia Pangéia,umsupercontinente que cobria o globo de norte a sul. Daqui a Outros 250 milhões de anos,os continentesse juntarão mais uma vez.Eis três hipóteses a respeito do futuro de nosso planeta.CALlLEU › AaRIi ; nos I , . F q. , #fr-'Raul-t » Os continentes se movem graças ã circulação do manto terrestre sob as sete grandes placas tectônicas.Quan- do elas se encontram,uma placa é for- çada a ficar sob a outra,em um pro- cesso chamado subducção.Ele separa a crosta do outro lado da placa,permi- tindo que novas camadas de magma cheguem à superfície para preencher a lacuna.Esse processo faz com que a crosta oceânica seja constantemente criada e destruída.Como os continen- tes são feitos de rocha menos densa do que aquela mais pesada e mais fina da crosta oceânica,que forma o chão marinho,eles passam acima do manto e escapam da subducção. Como resultado de tudo isso,os continentes mantêm sua forma por centenas de milhões de anos en- quanto deslizam vagarosamente pelo planeta.Entretanto,as massas de terra acima da água do mar colidem sempre.E,às vezes,juntam-se para formar um supercontinente. O mais recente ecêlebre deles,Pan- géia,foi formado há 30o milhões de anos e sucumbiu 1oo milhões de anos depois,quando os dinossauros surgi- ram.Cerca de 1,1 bilhão de anos atrás,outro supercontinente,Rodínia,for- mou-se e fragmentou-se 25o milhões de anos depois.Com toda certeza,eles- n_ . T,fnão foram os únicos - a lista inclui Pannotia,Columbia (ou Nuna),Kenor- land e Ur (veja "Passado e futuro dos supercontinente? ) O problema é que ninguém sabe ao certo quantos deles existiram porque a formação de um supercontinente tende a destruir evi- dências de seu antecessor.Se há um ponto sobre o qual todos concordam é que existiram dois deles contendo toda,ou quase isso,a terra do planeta:Pangéia e Rodínia. NO MEIO DO CAMINHONeste exato momento,vivemos a metade de um ciclo.O Oceano Pací- fico está gradualmente se fechando,a crosta oceânica afunda nas zonas de subducção do Pacífico Norte,um sulco do Atlântico Central está ali- mentando novo solo marinho e as Américas separam-se cada vez mais da Europa e da África.Por falar em África,o continente está se moven- do para o norte,em direção ao sul da Europa.A Oceania também caminha para o norte,rumo ao Sudeste Asiá- tico.Os continentes movem-se cerca de 15 milímetros por ano,velocidade similar ao crescimento das unhas de um ser humano. Adiante o relógio em algum _pon- to entre 5o e 1oo milhões de anos-›-O-›-0~-ll V 7 , _ 250 milhões de “ ,¡' anos nO futuro l,“ ,› lx (j:u _-¡l ê 4X :53 . _ ESTAMOS NA METADE DE UM CICLO.O CEEE -; .«'UO rar-Lírico ESTÁ #TAE-SEE: EEUÉROEJA-a.TUDO ISSO NA a. .
  • 69. SE FECHANDO,As A-. LLdÉRICAESSEP. ›;-. RAJ. ..~¡ CADA VEZ MAIS ál- “ MESMA VELOCIDADE DO CRESCIMENTO DAS SUAS UNHASr2f5ümilhõesdl ,, leeerhíersf. , T'uiñg, i E'.|e será fácil ter uma idéia básica de como tudo será.Se olharmos ainda mais para o futuro,descobriremos que as mudanças não se resumem ao movimento contínuo dos conti- nentes.Christopher Scotese,da Uni- versidade do Texas,em Arlington,compara o problema a dirigir em uma estrada."Você pode ter um palpite de onde estará em 5 ou 1o minutos,mas sempre há acidentes.As pessoas mudam de faixas ou a estrada pode ter um desvio inesperado.Se algo assim acontecer,você terá de fazer uma escolha. " Há duas maneiras de os continentes como os conhecemos se juntarem.Se o Oceano Atlântico continuar a se expandir,as Améri- cas em algum momento irão trom- bar com a Ásia.Por outro lado,uma zona de subducção pode se abrir no Atlântico e trazer o solo marinho de volta,forçando a Europa e a América a ficarem juntas novamente.Isso,es- sencialmente,recriaria a Pangéia.Em 1992, o geólogo Chris Hat- nady,da Universidade da Cidade do Cabo (África do Sul),aceitou o desafIo de projetar o próximo super- continente.Segundo ele,enquanto o Atlântico continua a aumentar,"as Américas seguem em sentido horá- rio,ao redor de um eixo a noroeste-v-o-›-›-0*A '^ "i, r V- ç ç: L_L,às# da Sibéria,parecendo destinadas a juntar-se com a margem leste do fu- turo supercontinente",0 qual é cha- mado de Amásía pelo geólogo Paul Hoffman,da Universidade de Har- vard (EUA).Nessa visão do futuro,a Oceania continuará seu caminho para o norte,e a África ficará mais ou menos no mesmo lugar.Enquan- to isso,a Antártica permanecerá no Pólo Sul.“Ela não está ligada a ne- nhuma zona de subducção.Portanto,não existe razão para qualquer mo- vimento",afirma Hoffman. Roy Livermore,da Universidade de Cambridge (Inglaterra),chegou a conclusão parecida.No hm dos anos 199o,ele criou sua própria versão de Amásía,um futuro supercontinente que chamou de Novopangéia."Tomei a liberdade de abrir uma nova fenda entre o Oceano Índico e o Atlântico Norte",diz."Sabemos que a Grande Fenda [complexo de falhas tectôni- cas na costa da África] é ativo,então o projetamos abrindo um pequeno oceano no futuro.A África oriental e a ilha de Madagáscar movem-se através do Oceano Índico para co- lidir com a Ásia.A Oceania já teria colidido com o su- deste da Ásia. " Além disso,uma cadeia »'i 'a 7*.i i¡íl-'$'7.~h: g|“ n( V., ' ' i *41m-3x_l§í1¡; l1l¡°à¡'| 'UHRHIl"““"= "'l= l:lllb : Er 'IVA y -. ... ... -. _: mui: U:á“-i'II| !l. ÍlI| .I);_*1il"'= "l'| ~tlnrtt- QE u 'ma›1il: ::_¡. ¡,, _.n¡¡ñ1_' T$UCIQ "-**J*i-ilâuw- _ng . ...4.. '.'_. .., ... , . .E . ... ,. . ... ... ... ... _.. ,.. ,=, ... ... 'i .x x_ A 'Í- X "K ã¡ i_ CALlLEU 1 ABRIL 200a 79 Xx.'t'
  • 70. GEOLOGIAA VIDA NO NOVO SUPERCONTINENTE SERÁ DURA.VERÕES MUITO QUENTES TERRITÓRIO SEJA HABITÁVEL.DE QUALQUER MANEIRA,A HUMANIDADE NÃOt'4 4o' a»de montanhas terá surgido no mar que seguirá junto à zona de subduc- ção ao sul da Índia. No futuro de Livermore,todos os continentes atuais estão unidos."Eu não acredito que a Antártica perma- necerá no Pólo",diz.Para tanto,ele supõe que uma nova zona de sub- ducção será aberta para levar tudo embora."A beleza disso é que nin- guém nunca poderá provar que estou errado”,añrma o geólogo. Isso pode ser verdade,mas ou- tros pesquisadores discordam.Sco- tese gastou muito de sua carreira reconstruindo o passado da Terra e agora aplica esse conhecimento para projetar os continentes no fu- turo.Ele não o vê como Hoffman e Livermore.Como eles,Scotese pre- vê que nos próximos 5o milhões de anos a África continuará indo para ,a norte,fechando o Mediterrâneo e 'mpulsionando uma cadeia monta- nhosa do tamanho do Himalaia ao sul da Europa.A Austrália irá girar e colidir com Bornéu e o sul da Chi- na.Mas,segundo ele,tudo irá mudar 20o milhões de anos mais tarde.A subducção começa do lado ociden- tal do Atlântico.A abertura pára e o Atlântico começa a encolher,unindo novamente a maior parte das grandes áreas de terra,enquanto a América do Norte tromba com o continen- te Euro-Africano.Originalmente,Scotese chamou o supercontinente resultante de Pangéia Última,mas recentemente o renomeou de Pan- géia Próxima."O nome Última me incomodava porque dá a idéia de ser,supercontinente derradeiro",diz cotese."Esse processo irá conti- nuar por outros bilhões de anos. " O geólogo diz que uma nova zona de subducção no Atlântico poderia ser aberta se uma pequena zona já Í Í J rexistente,como uma parte da Fossa de Porto R_ico (Caribe),se espalhar até a costa americana como resul- tado da mudança das tensões no planeta.Sob as condições certas,ele diz,a crosta poderia começar a quebrar ao longo de sua linha,si- nalizando o começo do ñm para a Dorsal Meso-Atlântica.Hoje ela fica no meio do caminho entre a Europa e as Américas;mas,"se estivésse- mos para começar a subducção no Atlântico ocidental ou no Atlântico oriental,a Dorsal seria forçada a se mover em direção à zona de sub- ducção",diz."Ela seria reduzida e teríamos um oceano com uma zona de subducção e sem a fenda.Isso signiñca que o Atlântico seria fe- chado rapidamente. "No momento,não há nada que mostre qual dos modelos está corre- to.Mas todos concordam que a vida em qualquer um deles será bem difí- cil."Supercontinentes criam extre- mos",diz Paul Valdes,climatologista da Universidade de Bristol (Inglater- ra).Podemos dizer como era o clima da Pangéia graças a evidências geo- lógicas como as posições dos depó- sitos sensíveis ao clima,entre eles os de carvão,originados em condições quentes e úmidas.Esse tipo de evi- dência pode ser usado para construir modelos de computador capazes de prever o clima do futuro.Os modelos resultantes sugerem que superconti- nentes estão propensos a mudanças violentas nas estações do ano. "Em Pangéia,as latitudes tropi- cais poderiam ser bem quentes,tal- vez acima de 44°C.Latitudes me- dianas teriam verões muito quentes e invernos muito frios,com tempe- raturas chegando a 20°C ou 30°C negativos,com muita neve",diz Valdes."Tudo derreteria nos verõesi i 1 i
  • 71. E INVERNOS MUITO FRIOS FARÃO COM QUE APENAS UMA PEQUENA PARTE DO ESTARÁ POR AQUI PARA SE ADAPTAR A ESSA REALIDADE EXTREMAIúna-seguintes,causando grandes inun- dações. " Apesar disso,vastas áreas no interior ficariam secas,porque as nuvens de chuva não teriam como avançar para terras mais internas.Em climas tão extremos,apenas uma pequena porção do supercontinente seria capaz de sustentar formas de vida.Em Pangéia,segundo Valdes,as terras com melhores condições ficavam em uma zona estreita logo depois dos trópicos.A vastidão do supercontinente futuro também provocará climas extremos.Mon- ções se formarão por causa das di- ferenças de temperatura entre terra e oceano.“Se você tem uma grande massa de terra,ela aquece e estimula uma megamonção",diz Valdes. DEVASTAÇÃO NO ARPior:se o supercontinente abrigar vulcões em atividade,teremos uma atmosfera rica em dióxido de car- bono e um planeta mais aquecido.Águas superficiais mais quentes poderiam formar furacões extre- mos.Com milhares de quilômetros de diâmetro e cerca de 50% mais fortes do que os mais destruidores furacões de hoje em dia,eles iriam devastar a paisagem com ventos de mais de 4oo km/ h.A vida também será difícil nos oceanos.O sistema global de con- dução das correntes,que atualmen- te mantém a oxigenação e o estoque de nutrientes,dependerá do tama- nho e do formato da bacia oceânica,além da posição dos continentes.Mova-os e esses condutores pode- rão desaparecer.O resultado será desastroso:as águas se tornarão es- tratiñcadas e com pouco oxigênio,e muito pouco da vida marinha será capaz de sobreviver. As costas cheias de recifes per-- v t l t iSe abrigar vulcões em atividade,O novo supercontinente será castigado por furacões extremosto do equador ainda serão férteis,mas a vida não será fácil mesmo ali.Quando os continentes se juntarem,haverá uma redução drástica da área de mares rasos.Muito provavelmen- te,essa diminuição levará à extinção em massa de espécies colocadas no mesmo ambiente e forçadas a com- petir.Algo parecido também aconte- cerá em terra.A formação de Pangéia é freqüentemente responsabilizada por uma das maiores mortandades de todos os tempos,a extinção Per- miana,em parte devido à redução de habitat disponível. Entretanto,a vida é pródiga ao tirar o melhor de novas situações.Há 29o milhões de anos,quando a Pangéia se formou e as calotas polares derreteram,surgiram alguns dos ecossistemas mais misteriosos até hoje.Florestas den- sas de árvores Glossopteris (do grego "glossa","língua",porque as suas fo- lhas tinham esse formato) cresceram a mais de 25 metros de altura na costa sul do Mar de Tétis (surgido com a se- paração de Pangéia) e avançaram para o interior a 2o graus do Pólo Sul. l i Í e Apesar de serem sustentadas por um verão de luz fraca,essas árvo- res eram capazes de sobreviver por meses na escuridão do inverno.Toda a vegetação próxima à costa era fustigada por monções podero- sas e chuvas barulhentas vindas do Mar de Tétis,com nuvens escuras obstruindo o já enfraquecido sol.Quando o inverno se aproximava,as folhas da Glossopteris caíam graças à falta de oxigênio.Não é surpresa que análises de anéis de crescimento fossilizados mostraram que a Glos- sopteris crescia freneticamente en- quanto podia. De qualquer maneira,os huma- nos não estarão aqui para ver esse futuro.O próximo supercontinente ainda não passa de um punhado de especulações,mas já tem lições va- liosas para nos passar.Até podemos ficar cada vez mais espertos,mas a Terra continuará sua jornada pelo Cosmos.Com ou sem a nossa pre-sença por aqui.ECopyright ÍÕOFNÃSCientistÍ Distribulcla por Tribune Media Services. .- -. .n---n»rá-hà ~
  • 72. l;/ LÉÍ' ç 7 K f 1.' . _ , ví I fx iJ . .à ç í I I j. ' . l S( f I __ _íJ 'a m- ¡ ›*A j r É __" v L : g-z- ,' ” I 'ANNA 'E ' ' ,›4' . . /I l í. *4* T 'x T ' * a,i iv . J/ v' l I I lI ~ Fome de mudança: Luciana Quintão,presidentedo Banco de Alimentos,nasededaONGÍ Ha dez anos, a economista Luciana Quintão A comanda a ONG Banco de Alimentos e segue uma regra simples:busca comida onde ela está sobrando e leva onde ela está em faltahistória a seguir não é sobre a realização de Lllll sonho,mas a de alguém que age de acordo com o que acredita.O discurso por um mundo melhor da economista Luciana Quintão pode parecer demagogo de cara.mas bastam alguns minutos de conversa para acreditar em sua convicção.O fruto dessa garra é oPROJETOBanco de Alimentos (bancodealimentosorgbr),ONG fundada em 1998 que trabalha para evitar o desperdi- cio de comida.A cada mês,o projeto recolhe 44 tone- ladas de alimentos entre comerciantes e indústrias do ramo alimentício e as distribui para 22 rnil pessoas em 52 instituições cadastradas na cidade de São Paulo. wGenero sidade I .2008FAZER o BEM E BOM
  • 73. “Fazemos a ponte entre , I o lugar em que sobra eo lugar em que falta", afirma Luciana,pre- ALGUNS DADOS sidente do Banco de PARA ENTENDERA ATUAÇAO DA ONGAlimentos."As pes- soas têm a idéia de que doamos resto de comida.Não é nada disso.Nosso pro- duto é basicamente excedente de comer- cialização,que está literalmente perfeito para o consumo. "Há dez anos,quando decidiu criar a ONG,Lucia- na era dona de uma editora e praticava suas convicções em pequenas ações do dia-a-dia."Funcionava ce uma forma muito pequenininha,numa sala da editora.Era um trabalho que custava cerca de Rs 6 mil,mas eu não tinha esse dinheiro para colocar lá",afirma ela.Assim,vendeu a editora,abriu mão de boa parte do seu patrimônio e se capitalizou para criar a ONG."Depois de cinco anos Inuito difíceis,o negócio começou a engrenar,receber ajuda e crescer",diz. Hoje são necessários Rs 4o mil por mês,entre des- pesas com a sede,os carros e os funcionários,para fazer a ONG operar.De segunda a sábado,quatro carros re- frigerados passam pelas mais de zoo empresas doado- ras e recolhem pães,massas,aveia,laticínios,legumes e verduras e levam até as entidades carentes cadastradas.O arroz e o feijão são doados em ações pontuais:pesso- as físicas que querem ajudar,empresas que não são do ramo alimentício e campanhas de arrecadação. Tudo fiscalizadoTanto os doadores quanto os beneficiados têm deveres.O primeiro grupo precisa provar que tem técnicas de pro- dução higiênicas e entregar para a ONG alimentos bem cuidados e armazenados."Não pegamos nada que esteja(OM O COAIPRUIIJEIIAIENICI (JE: e;uma# : mma A Iumú ›«-«: I'I›. ..: '¡ uHi: »<t: sas HA_BradescoiÍl DBFIIPI Avanlts * SOLID RIOS nã. O Banco de Alimentos entrega 44 toneladas de comida por mês para 22pessoasem 52 ÍIISÍÍÍHÍÇÕCS.Há 110 entidades na fila para serematendidas.São40 mil mensais de despesas com a sede,oscarros e funcionários.São 4 carros refrigerados que passam por mais de 200 empresas doadoras de comida_ __ _ no chãoí conta Luciana.g ' Já os beneficiados se i ' comprometem a parti- cipar de workshops e a abrir a entidade para estagiários de nutri- ção. Esses workshops,inclusive,fazem parte de uma outra frente de trabalho do Banco de Alimentos,que é educar comunidades carentes.A coordena- dora operacional e nu- tricionista Isabel Marçal,junto com uma equipe de nutricionistas,ensina como rmazenar e aproveitar os ali- mentos,receitas,técnicas de nutri- ção e realiza um trabalho de saúde pública e censo antropométrico (mapeamento de medidas dos biotipos presentes nos lares carentes). Segundo Luciana,não basta trabalhar apenas com quem passa necessidade."A gente também tenta le- var uma consciência para o Brasil rico.Para isso,fa- zemos palestras em escolas particulares e mostramos a realidade de outras pessoas",diz a economista.O objetivo é deixar crianças e jovens de famílias com boas condições com a pulga atrás da orelha."Falta o questionamento das pessoas,e pra isso você não pode ser preguiçoso.Você precisa saber o que está acontecendo no mundo e estar disposto a fazer sua parte",comenta Luciana. A partir de julho,o Banco de Alimentos começa a dar cursos e palestras na nova sede,cedida em comodato por três anos por um parceiro da ONG.Na casa vão funcionar uma cozinha experimental,uni auditório e um laboratório de ciências.Com esse projeto,Luciana pretende conseguir mais capital para expandir a assis- : ência e poder atender as 11o entidades carentes que ainda estão na ñla de espera para receber os alimentos coletados pela ONG.(Mariana Romão) EO7'! ?você pod:scr o que quiserBHEVIDLEI
  • 74. GRANDES CIENTISTAS E SUAS IDÉIAS GENIAIS _ _o _DRÉ WEIL,UM ERESIDIÁR| O _GASCINADO POR LiNGuAso ANTIGAS E POEMAS, -.; HINDUS,INVENTOU UMA “NOVA LINGUAGEM NA'MATEMÁTICAouve um tempo em que a produção dos presidiários ia muitoalém das bolas de futebol e das placas de _ .automóveis.Do presídio Bonne~Nouv2|Ie em Rouen,na ' França,saiu um trabalho matemático que seria considerado h dos mais brilhantes do século 20. V Ú autor da obra,Andre Weil (1905-1998),era um ' jovem detento que se dedicava à matemática e,ao mesmo tempo,estudou profundamente eiigumas línguas ancestrais,em especial,o sânscrito dos hindus antigos.Por conta disso,seu poema preíerido eia o épico "Bhagavad-Cita" [Canção do Senhor] que o acompa- nhou e o influenciou durante toda a vida.Com essa intimidade com os : emas hindus,Weii chegou a ser escolhido para o cai g0 de pi ofessoi em
  • 75. uma universidade da lndia,onde deveria ensinar cultura e civilização francesa.Mas isso não durou muito,pois logo descobriram o verdadeiro talento do professor,e ele foi remanejado para o departamento de matemática, Outro aspecto dessa aventura indiana influenciou o francês:ele conheceu Mahatma Gandhi e sua filosofia.Talvez daí tenha surg do a tendência do matemático de lutar pela paz.De volta à Europa,que entrava no clima daSegunda Guerra,tudo o que Weil não queria era participardos combates.Em vez disso,preferiu sair do pa is,indopara a Finlândia,de onde esperava seguir para os Estados Unidos.Mas,antes (isso,foi preso por suspeita de espio-nagem para os soviéticos e só se livrou da execução poracaso.Deportado,o matemático foi parar na prisão militarfrancesa,à espera deumjulgamento por deserção. Com muito tempo livre,Weil não teve dúvida.Só compapel,caneta e muita criatividade,ele resolveu atacar os problemas matemáticos na tranqüilidade de sua cela.Dopresídio,Weil enviou,pelo correio,uma correspondência aum periódico francês E a carta não foi para o lixo porque,antes de ser preso,o matemático já era conhecido como um dos grandesjoveris talentos da França.intrigado com o none do remetente,o diretor do periódico achou que valia a pena ver o que havia no envelope do presidiário. Weil havia dado inicio a uma nova iingua- l gem na matemática,que ajuda no entendi- mento das soluções de equações.Esse trabalho rendeu aojovem,em 1950, a Medalha Fields,premiação que,no nundo da matemática,equi- vale ao Nobel.A diferença é que o prêmio para os matemáticos é concedido a cada quatro anos e l para um felizardo que tiver feito algo importante l antes de seus 40 anos de idade. Em seus estudos,o francês conseguia ver um paralelo entre o desenvolvimento de idéiasmatemáticas e a evobção de novas formas de linguagem. O que mais tarde ficou conhecido como teorema de Weilé uma ferramenta que ajuda os matemáticos que buscamuma solução para a lipótese de Riemann,um dos sete problemas do milênio,que valem um milhão de dólares para quem conseguirresolver qualquer um deles. Perto do final da guerra,livre da prisão depois de nego- ciações e graças a un falso atestado médico,Weil passoudois anos no Brasil e seguiu para os Estados Unidos. Apesar de continuar com a matemática nas universidadesamericanas,ele nunca mais produziu algo tão surpreen- dente como seu trabalho concebido no cativeiro. c Alexandre tamanho LPARZINHOSOs bichinhos caminham ao encontro de seus pares sobre o tabuleiro,mas nunca cruzam o caminho um do outro,e ao todo,percorrem todas as casas.Que trajeto eles devem fazer para que isso seja possivel? 'LVERDADES E MENTIRASGerônimo,ode bigode,vai ter que lidar com essa família que se divide em dois grupos,A e B.Ele não é informado sobre quem pertence a qual grupo,mas sabe que os que pertencem ao A só falam a verdade,e quem pertence ao B só fala mentiras.Então Gerônimo pergunta ao jovem da esquerda se ele pertence ao grupo A ou B.O rapaz responde com uma palavra que só os da familia entendem.Gerônimo pede à senhora que explique o que o rapaz disse.A senhora responde que o rapaz disse que pertence ao grupo A.Mas a garota da direita diz que o rapaz disse que pertence ao grupo B.A que grupo pertence a senhora?E a garota? LUM RIO E DUAS TORAS Ju e Jo têm duas toras iguais de 3,9 m de comprimento e querem fazer uma ponte sobre um rio,com correnteza,de 4 m de largura.A distância do centro da ilha (árvore) à margem externa é de i4 m.Como usarão as duas toras?liíí “U5 l riíl.Eles devem : alocar umatora de ! armaa tocar,comsuas extremidades. I MBÍQEM extema ÚU HU,i1)curva,e a outra,a QC”,conforme o esquema ao lado.Pelo teorema de Pitágoras,a distância da metade ia rimeira tora até o centro!de d [MP 43.9121¡ =13.8% m.O que se ganha com asse posicionamento é i4 .13.Bõ4= 0,136.59 a largura dariaé 14 m.a segunda tou.colocada perpendicuiarmeritea primeira.sena suficiente para aicaruara margem interna,pois 3,9 r 0.136 I 4.0363. D rapaz só podem respondido que pertence ao grupo A e ele pode pertencer tanto ao A como ao E.Mas a senhora só pode pertencer ao gmpu A.e a garota,ao 8 ' PARA LER o "A Música dos Números,Primos ",DL Sautoy,Marcus.Jorge Zahar.2007B5
  • 76. ;cururu . . __Í l' R*iiimfi u i2 'É@IFECHE A BOCA E ABRA OS OLHOS.O DOCE DEIXOU DE SER APENAS ALGO OÊVÍESTIVEL E VIROU JOGO,IiñAPA,COSMETICO,J IA E ATE TAPA-SEIOf-Ístõmago.Esse é o destlno da fInaIIdade maIs comum - e apreciada - dol àchocolate.Mas,esfomeada,a indústria que usa o cacau como matéria-prima resolveu mostrar que comeré pouco e inventou várias outras formas e utilidades para o doce.Assim,hojejá é possivel desfilar por ai' ostentando umajóia feita com ele,ou receber uma pequena aula de geografia,ou exercitar o cérebro por meio de uma partida de xadrez,ou melhorar - em vez de piorar por intermédio dos quilinhos a mais - o aspecto visual.Tudo com base no chocolate.(COLABOROU:LEANDRO A.FERREIRA]i/. * i a~, r_ - l ..Y i _lv XEQUE-TvIÁTEIrEII-¡Fülwiã* , i- A A RAINHA NUNCA FOI TÃO DELICIOSA l “_ vi, a ; l ' r « Vl _ J/E quem disse que não dá para brincar com a comida?Otabuleiro de xadrez da loja 1 _j .É"" l.- Y i E - .g E y @l Crismel foi feito exatamente pra isso.Produzido com chocolate belga,o produto N : :N r 'a “ lN reproduz as peças do jogo.Assim,quando você comer a torre do adversário,pode , l i' _ ' _ i ' A' 'f' ' , glevá-la direto para a boca,em vez de deíxá-Ia repousando num canto da mesa.O , l 7 ljogo tem dois efeitos colaterais:a dúvida cruel de escolher quais peças você vai i'querercomereachaticedesaberquevaidarparajogarumapartidasó.,l ~'N -N NN__ N ai_'r R$80 www. galileu. globo. com i *› ,¡- SS - GE¡CACAU I'll-t CABEÇA 'j' 7' V .1¡ y : un A - “E TRATAMENTO COM COMIDA NO CABELO _Vi4'¡Sevocê ainda não ouviu falar,saiba que pode' DÚEE E USÂDÚ EM CLIENTES QUE r : ñ Tt* ser encontrada nos salõesa escova deQUEREM DAR FIM A0 ESTRESSE N' NN r 'N chocolate,da empresa Aroma do Campo. Vai dar vontade de lamber as costas.Devido 1,_ Ela difere das convencionais por não_ V ao seu aromaeconsistência,ochocolate vem utilizartormol,esim extrato del_ sendo usado em sessões de massagem que e._ i¡ ' cacau na sua composição. prometem relaxar completamente os clientes.' › g ' v''- Essa fórmula ajuda a tratar_ I r Quemjá provou diz que é sossego garantido.De f l- ' 1*:r l-N* ' os fios danificados.E,porN ii I “l N quebra,por ser rico em vitaminas BI e B2, o doceé ser um produto natural,N recomendado para peles muito castigadas pelo sol. não prejudicaoscabelos. @l1.''. ' R$180 www. galileu. globo. com@ www. galileu. globo. comCO l Divulgaçãml AP;Élvaníarneiro
  • 77. ;irãopescoçoCONFEITO QUE ENFEITANa dúvida entre presentear a parceira com uma caixa de chocolates ou umajóia?Pois agora é possível entregar osdois numa peça só.Em parceria com a loja lpurâm Design e o Grupo Matueté de Belém do Pará,a designer brasileira Cláudia Schneider desenvolveu uma linha dejóias que une a durabilidade dos metais com a textura e o aroma do doce.O resultado são brincos,pingentese anéis que equilibram brilho e sobriedade. O aspecto das peças é dejóia,mas os preços transitam nafaixa próxima à das bijuterias.Assim,dá para fazer o galanteio mesmo sem ter muito cacau na carteira. , gmça www. galileu. globo. comIIDEIA LUMINOSAVELAS MANDAM 0 DOCE PARA OS ARES Esqueça a citronela,a lavanda,ojasmim e a rosa.A idéia da empresa Topaz foi colocar de lado esses aromase misturar essência de chocolate com parafina.O resultado são velas que,ao mesmo tempo em que iluminam ambientes com suavidade,espalham o cheiro relaxante do doce pela casa.As peças são acondicionadas em copos de vidro escurecido,o que dá mais charme ao conjunto e,de quebra,oferece um brinde:depois de a vela queimar até o fim,o que sobraé ideal para comportar umas doses de uísque do tipo bourbon. @ www. galileu. globo. comc Íoi. n. GAIJLEU DIZ ' i N¡ : en:do chuveiro em _ 1 «y “Psicose”.o cineasta v_ Arma Hitchcock utllizoul xarope de chocolate v.' para ¡Imular sangue- AO LEITE COBERTURA FAZ AS vezes ne SUTIÃr j Se você quer ter uma noite com sabor ' especial,nada como usar etapa-seios "m 'Niot- dechocolate,produzido pela empresa ' ' 'NHot Flowers.Vendido emsex-shops,o produto utiliza um adesivo com manteiga de _Í amendoim,o que mantém a É , r coisa em seu devido lugar,mas aumenta o nivel calórico.Ainda bem _ que a atividade quea peça estimula queima “Í 300 calorias por hora,em média. 'r R$299,40 @ www. galileu. globo. comÍ' tr r r 77" r m*regerstill* 513g¡ suar; I I DOCE,leimS O PREÇO E SatLGL-. DO CHOCOLATE MAIS CARO DO MUNDO VEM DO JAPÃOOsjaponeses nunca param de inventar e só podia vir de lá o chocolate mais caro do mundo.Reproduzindo o mapa da África,a barra foi criada pelajoalheria Uchihara Group para celebrar o Dia dos Namorados,comemorado no dia i4 de fevereiro em todo o Hemisfério Norte.Batizado como “AS Birth",o doce representa o nascimento da África do Sul,local onde os diamantes são encontrados em profusão.A guloseima traz nacobertura nada menos do que 2.006 dessas pedras preciosas das mais puras.Juntas,elas chegam à soma de 504 quilates.Difícil de engolir! ,:p x,a iRSIOmillrões @ www.galileu. gloho. com @Z jllesignsedutor ç Inovador @Pechincha @Portátil 17° Prático _LRecursosurpreendente @Retrô @Valequantocusta ? Verde lgVersátilB7
  • 78. ?É88Illll '“” . --, I4llllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll| l|| lIlllllllllllllllllllllllllllllllll: IfililirllNO LIVRO "CRETA",HISTORIADDR BRlTÂíillCORESGATA UMA DAS MAIS TRAGICÁS E DESNECESSÁRIAS BATALHÀS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIALbatalha pela Ilha de Creta não..foi apenas uma das mais furiosas da Segunda Guerra Mundial.Foi também uma das mais desnecessárias e trágicas. O motivo fica claro no livro "Creta - Batalhae Resistência na Segunda Guerra Mundial,1941-1945",do historiador britânico Antony Beevor.Ex-oficial de cavalaria do exército britânico,ele é autor de vários best sellers de história militar.Exemplos disso são as obras sobre as batalhas de Stalingrado e de Berlim.Beevor consegue combinar com perfeição acontecimentos em vários níveis,de generais e estadistas traçando estratégias a soldados e marinheiros tentando sobreviver ao combate. Os alemães liderados por Adolf Hitler tiveram que fazer duas intervenções em 1941 para salvar do desastre as forças militares desua aliada incompetente,a Itália de Benito Mussolini.Os italianos haviam levado uma surra dos britânicos no norte da África e foram também vencidos pelos gregos em uma mal executada invasão. Os britânicos reforçaram os gregos,mas foram de novo expulsos do continente pelos alemães,como em 1940 na França.Mantiveram a ilha de Creta.O território era importante paraos britânicos protegerem sua navegação no Mediterrâneo.Para os alemães,seu valor estratégico era bem menor,mas isso não[naà “Il. _vv. 117v* É” lx - a»impediu que fizessem um feroz ataque compára-quedistas.Como são tropas pouco armadas,os pára-quedistas sofreram perdasterríveis.Creta foi uma vitória de Pirro para os alemães,um desastre evitável para os britânicos e uma tragédia para os cretenses,que se viram obrigados a suportar a ocupação nazista.[RICARDO BONALUME NETO)Creta,:le Antony Beevor,Editor a Record. 1462 pags.R5 55 l 'Illlllllllllllllllllllllllllllll| l|l| ll| ll| llIl| ll| llll| l|llll| lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllABSTRAÇÕES FÍSICAS PARA LEIGOS Michio Kaku é um dos grandes divulgadores da fisicaem atividade.Neste livro,ele toma para si a tarefa de apresentar ao leigo um dos mais abstratas e complexos campos de pesquisa,o que pondera sobre a existência de dimensões e universos paralelos ao nosso.Para introduzir essas idéias,conduz o leitor numa excursão por vários dos principais modelos e teorias adotados hoje.Sua formação como teórico lhe permite passear com desenvolturapelos conceitos fundamentais da mecânica quântica,inflação,Big Bang,teorias decordase poraí vai.Ao mesmo tempo,I especula sobre temas como o destino final do Universo,a possibilidade de vida alienígena eo debate sobre algum tipo deltttcítiinçv 'casamillllllllllÊpredeterminaçãonafomraçãodoCosmo.- *a í '› f» y¡ Só por sua abrangênciaeclareza,o livro já "Inf 7,.Lil¡ , - 4_ .-constitui uma ótima introdução à história da física.Leia e viaje.[PABLO NOGUEIRA]m_ Mundos Paralelos,de Michio Kaku.Editora Rocco.37.7. pàgs.R5 55: É|l| |ll| |llI| |l| l|ll| l|| llllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll| ||| lll| ll| llllllllllllllllllllDIAGNÓSTICO PRECISOAs estrelas das "séries de hospital” costumavam ser médicos e pacientes.Até que surgiu "House",em que as doenças são parte do show.Neste livro,ojomalista americano Andrew Holtz analisa as misteriosas patologias diagnosticadas pelo dr.Gregory House.Pelo jeito,os roteiristas estão fazendo o dever de casa,não deixando furos no conteúdo médico do seriado.Maso gênio rabugentojá estaria na rua há muito tempo:seus desvios éticose hierárquicos são incompatíveis com um hospital moderno.Aliás,Holtz fala tanto em dia-a-dia hospitalar que fica a impressão de __ que queria fazer um livro sobre isso e _ aproveitouoseriado como gancho.1h i 4 Ainda assim,tanto pacientes quanto 3 _ telespectadores encontrarão informações valiosas para eventuais consultas ou i .sessões de TV.CEMILIANOURBIM) m,'_à_: ti-1:ia'. 'l¡(oitr›A Ciência Médica de House,rle Andrew Holtz.Editora õestSeiler.284 pags.RS 29,90i v l x
  • 79. iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii AINDA DS CODIGOSNão tem nada a ver com a obra de Dan Brown.Em vez de explorar conspirações religiosas e sociedades secretas,a mostra "Os Segredos dos Códigos de Leonardo da Vinci" usa a tecnologia para tirar do papel as idéias que o gênio italiano desenvolveu entre 1478 e 1518, período considerado o mais fértil da sua atividade criativa.Dessa época vêmo "Código Atlântico" e o "Código do Vôo".No primeiro - com 1.750 desenhos em l. li9 folhas -,chama a atenção a variedade de temas:matemática,geometria,mecânica,hidráulica,engenharia,arte militar,astronomia,botânica,zoologia,arquitetura,anatomia e física.Já o segundo é mais modesto e,nas suas i8 folhas,registra as observações de Da Vinci a respeito do vôo dos pássaros e o seu sonho de construir uma máquina que nos permitisse voar.Tudo foi transformado em modelos 3D que permitem "entrar" nas criações.[EF] Outra dimensão:modelos em3D decifram o funcionamento de peças como essa máquina de guerra criada pelo gênioiiiiii: iiiii= iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ENTRE O AMOR E O BACONAs vezes,os bichos são surpreendentemente espertos.E é disso que se ocupa a mostrar boa parte do programa "Animais Geniais",que faz parte da série "A Ciência investigando a inteligência dos Animais". Por meio de testes e truques,a atração revela até que ponto pode ir a inteligência de algumas criaturas.OK,isso resolvido,a atração passa a investigar as relações afetivas entre os bichos e seus donos.E é aíque a coisa fica bem mais interessante.Mostrando o que há de fraterno e de bizarro nessa interação,o programa explica,por exemplo,o que o cara aí do lado está fazendo com um porco em pleno sofá da sala.(EF)'JlÀl: ›,!f~. i,ib-Li; oir, :i, .;_ [Animais Geniais. - ' *l . « LLIWCÇ . _.›, ›,: -;» , Nlwv _iiyzui liga,»i*iii 'Li '(É Livros,lvan Carneiro;demais,divulgação ILEIJ 011,7, O ¡to!Errol Flynn 0909-1959]foi enterrado cum seis garrafasde uísque Ubiqüidade:no tempo em que você lê esta legenda,HaydenChristensen vai dos EUA ao EgitoNÃO TÔ MAIS AQUI O ponto de partida do filme "Jumper" é o sonho de qualquermoleque.0 pai começou a encher o saco?Teletransporte-se parao Egito.A namoradinha anda entediada?Leve-a até Paris em menos de um segundo.Acabou a grana?Entre e saia do cofre de um banco sem abrir a porta.Nos primeiros i5 minutos de exibição,somos convidados a pirar com as possibilidades abertas por esse superpoder.Depois disso,o acovardamento domina os roteiristas,que passam a responsabilidade da ousadia para o pessoal de efeitos especiais.E tome os clichês hollywoodianos decorrentes daquela história de enquadrar um herói nas situações familiares.No final das contas,quem tem o lado moleque em dia acaba se divertindo,mas vai deixar a saia de cinema com a impressão de que poderiater pirado mais.Por paradoxal que possa parecer,o problema de "Jumper" é quando o filme coloca os pés no chão.(EDSON FRANCO)Jumper,de Doug t llHdíL Com Hayden Christensen,5ÕlT-llPlI, ..Iíl(l/ i(1i!eJairize Bell.Estreia nos poemas prevista para ZS de março Estimação:além de mostrar a inteligência de cães e porcos,programa da Nat Geo investiga amizades como essa abaixolv
  • 80. 90ueueuuguoNOSSO ANDARILHO DESCOBRE EM AgBU SIMBEL,NO EGITO,MISTÉRIOS QUE LEVAM FAS DE_Tli*! TIi'!E INDIANA JONES PARA OUTRA DIIvIEÍrISAOy ' y calor e a falta de vento casti- ' gavam nossos corpos.Havíamos desembarcado do vôo de Assuan a Abu Simbel,em uma viagem de 45 minutos.Viajar pelo Egito e não conhecer o santu- ário e templo de Abu Simbel seria como ir à Lua e não pisarem seu solo.Estava reali- zando o sonho de criança de finalmente conhecer uma dasjóias da coroa do Antigo Egito.Histórias,lendas e hipóteses levaram centenas de exploradores a essa região da Núbia,onde foi erguido esse simbolo de poder e marketing de Ramsés il,que reinou de 1279 a 1213 a. C. Imaginem a sensação do historiador e orientalista suíço Johann Ludwig Burckhardt,que redescobriu em 22 de março de 1813 o majestoso templo.Dis- farçado de turbante,ele foi levado por um guia para conhecer o templo de Hathor dedicadoa Nefertari [esposa de Ramsés ll),que faz parte do conjunto de Abu Simbel.A surpresa aconteceu quando,na subida de uma duna,encontrou algo com dimensões colossais sepultado na areia.Quatro anos mais tarde,o explorador italiano Giovanni Battista Belzoni cavou uma abertura na parte superior do portal onde se encontrava a entrada do santu- ário.Em seu diário,Belzoni escreveu:"À primeira vista,ficamos assombrados pela imensidão do lugar.Encontramos objetos de arte magníficos,pinturas,esculturas e figuras colossais".Assim,depois de séculos,alguém desvendava os mistérios da obra mais pessoal que ofaraó Ramsés ll havia encomendado aos seus arquitetos E,acredite,tudo se encontrava intacto. A partir de então arqueólogos e egiptólogos se dedicaram a decifrar os hieróglifos e revelar para o mu ndo o conteúdo da enigmática descoberta. Admirei o esplendor e a complexi- dade externa dos templos do deus Rá e da deusa Hathor,que foram arguidos para perpetuaro culto a Ramsés ll e a sua esposa Nefertari.Esculpido entre as rochas,o templo principal tem na fachada quatro estátuas de 30 metros de altura do faraó.Três delas continuam intactas.Ramsés ll governou o império durante 66 de seus 92 anos de vida.Suas conquistas e seu legado encontram-se espalhados por diversos sitios arqueológicos no Egito. No interior do templo principal,encontra-se registrada nas paredes uma farta documentação das façanhas milita- res de Ramsés Ii contra os núbios,hititas,libios. .. Na parede norte,você pode fazer sua leitura da batalha de Kadesh,em que o faraó destruiu as forças hititas.Dese- nhos,hieróglífos,esculturase muitas evidências de um povo sofisticado. O trabalho dos artistas e escultores evidencia que tudo o que observamos naquele complexo faz parte ta nto do presente como do passado.A sabedoria transborda das paredes e esculturas.Abu Simbel é um portal de navegação espiritual esplendoroso.Conexõesà parte,o problema é que a distância até Assuan é de 280 quilômetros,e o tempo de visita,curtíssimo.Grupos deturistas escandinavos,asiáticos e latinos se espre- mem na ante-sala do templo de Hathor,construído por Ramsés ll e dedicadoà sua mulher.Ele teve muitas esposas,amantes e mais de 90 filhos,porém sua consorte predileta chamava-se Nefertari. O segundo templo é fascinante,os traços e a delicadeza dos rostos e corpos das estátuas na entrada deixam os discípulos de Tintin e Indiana Jones em outra dimensão. 'aflAgito no Egito:Arthur confere as estátuasno santuário e constata que essa região do Egito é um portal de navegação espiritual Uma nova proeza faraônica para salvar Abu Simbel e outros templos foi realizada a partir de 1964, sob o patrocí- nio e a organização da Unesco.Devido à construção da nova barragem de Assuan,existia a possibilidade de a região ficar submersa com as águas do lago Nasser.Uma mega-operação desmontou o complexo em 1.112 blocos e reconstruiu-o 60 metros acima,em uma colina. A epopéia levou quatro anos,e as equipes conseguiram remontar os tem- plos quando as águasjá inundavam.O sucesso pode ser observado quando a luz do sol durante os equinócios - em feve- reiro e outubro - penetra a câmera [o sancta-sanctorum),iluminando as está- tuas de Hamiakis,Ramsés eAmon-Rá.Como há 3.000 anos,os raios aquecem os deuses,deixando apenas a estátua de Ptah [o deus criador] na penumbra.Ram- sés ll permanece esculpido na memória da humanidade,perpetuando a fascinante cultura dos faraós. ARTHUR VERÍSSIMO,repórter de 48anos,acumula milhas aéreas e histórias para contar sobre os lugares e as pessoas mais incriveis do mundo(ü Arquivo Pessoal
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