• Ano 24 - Junho de 2016 2016 Balanço dos vestibulares Página 2 Os caminhos de uma boa nota Página 19 Quais fatores influenciam o bom de- sempenho dos candidatos nos vestibula- res? Este é um dos pontos analisados pelo prof. Edmilson Motta, coordenador geral do Etapa, em entrevista publicada nesta edição. Ele comenta também a influência mútua do Enem e dos exames das univer- sidades públicas paulistas, que hoje apre- sentam muitas semelhanças. E ressalta a importância dos simulados na preparação dos candidatos. As provas de 2016 da Fuvest, Uni-camp, Vunesp e Unifesp, e do último Enem, são avaliadas pelos pro- fessores do Etapa Vestibulares, que também selecionaram e comentam questões de cada um desses exames, suas exigências e características – das quais a mais evidente é a aproxima- ção em conceitos e formulação entre o Enem e os vestibulares das univer- sidades estaduais de São Paulo. Calendário dos exames de 2017 Escola pública na USP: 2001/2016 Páginas 3 a 18 As questões reproduzidas nesta edição foram selecionadas como referência ao conteúdo e à abordagem em cada vestibular. Todas as questões dos prin- cipais vestibulares de 2016, com as respostas, estão no Etapa Resolve. www.etapa.com.br/etaparesolve
  • PÁGINA 2 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 Um conjunto complexo de fatores influência nos resultados dos alunos nos vestibulares, entre eles conhecer muito bem as provas – o que se alinha com o conteúdo desta edição de Tendências do Vestibular, que avalia os últimos exames das universidades públicas do Estado de São Paulo, da Unifesp (federal) e do Enem. “Conhecer as provas permite que o candidato do- mine os temas mais recorrentes e consiga as notas de que precisa para entrar no curso que deseja”. O prof. Edmilson Motta ressalva que por mais que o candidato se dedique e alcance um conhecimento mais completo sempre haverá brechas em alguns pontos em que não atingirá a maestria que poderia ter. Para mini- mizar essas defasagens é preciso trabalhar muito. “O candidato precisa ter grande determinação. Cada exercício a mais que ele resolve, cada minuto a mais que dedica a uma leitura, a um entendimento melhor dos textos nas várias disciplinas pode ser justamente o que na hora "h" vai fazer a diferença no resultado, porque cada vez é mais verdade que um ponto pode decidir tudo”. Como exemplo, ele cita o curso de Medicina da Unifesp, onde a nota de corte e a nota do 1º lugar ficaram muito próximas. Nessa preparação, quais devem ser a iniciativas do candidato? "Em princípio, quem estuda e segue orientações já encaminha quase totalmente seu preparo, principal- mente para os cursos mais concorridos". “Notadamente em Medicina, o estudante não tem muita margem para deficiências em sua formação. O candidato que busca um curso com essa exigência deve ter um preparo realmente seguro para encarar qualquer tipo de exercício que possa aparecer nos exames. Tem que aproveitar toda oportunidade de formação, de treino em resolução de exercícios para conseguir um desempenho de alto nível. Em outros cursos também exigentes os erros não são tão impeditivos como na Medicina, mas eles seguem na mesma direção. Um bom preparo é cada vez mais decisivo para conseguir ingressar em Jornalismo, Economia, Engenharia, Di- reito e outros cursos". O que se pode esperar dos exames deste ano? "Este ano, como houve mudanças recentes nos vários vestibulares, não devemos ter surpresas. As provas devem ser similares às dos últimos anos. Os materiais de vestibulares anteriores, os exercícios que os professores costumam preparar baseados em exames já aplicados são um preparo muito confiável para este ano". Similaridade do Enem com os vestibulares tradicionais "Os exames de 30 anos atrás eram muito focados no conhecimento específico de cada disciplina. As questões tinham enunciados curtos, com perguntas bem diretas – o que é isto, calcule, resolva isto. Algu- mas pessoas identificavam o vestibular com decoreba. Saber a fórmula. Isso não é exatamente verdade. Mas os exames eram realmente mais simples. Aí a Vunesp, antes do Enem, começou a se preocupar com a chama- da contextualização, que é colocar as perguntas dentro de um contexto de relevância, cobrando do candidato um entendimento melhor de como aplicar os conceitos que aprendeu. Em vez de formular a questão de ma- neira mais seca, colocá-la dentro de um contexto. Isso se vê em várias perguntas que estão exemplificadas nesta edição nos textos relativos a cada disciplina dos exames analisados. Entra uma historinha antes das perguntas. Depois veio o Enem com essa orientação também e com a preocupação da interdisciplinaridade. Inicialmente, o Enem não tinha divisão por disciplina nem se preocupava com conteúdo, não era essa sua intenção. Mas ele misturava disciplinas. Essa ideia foi trazida para os vestibulares da Fuvest e da Unicamp – principalmente da Fuvest, que tem até uma prova que envolve todas as disciplinas, no segundo dia da 2ª fase. É uma prova escrita, podendo explorar os assuntos com maior profundidade e intensidade. "Se olharmos uma questão de 30 anos atrás e uma questão de hoje, esta vai parecer mais interessante, vai ter um enunciado maior e deve ser mais difícil de resol- ver. Com a contextualização e a interdisciplinaridade o enunciado passou a ser muito decisivo também. Não basta usar o conhecimento teórico, tem de encaixá-lo com a informação oferecida pelo enunciado. "O Enem foi decisivo na exigência de domínio da interpretação de diversas linguagens. É texto, é gráfico, é tabela, é uma pintura, é um quadrinho, é uma charge. A capacidade de tirar informação de diversas fontes, de diversas maneiras, tornou-se imprescindível para se fazer bem uma prova. Nesse sentido, pode-se dizer que os vestibulares se tornaram mais complexos e de certa maneira avaliam melhor as capacidades que o candidato precisa ter para entrar no Ensino Superior. Não é simplesmente conhecer o conceito, mas também entender como o domínio conceitual se encaixa nas aplicações mais relevantes, considerando a área em que ele vai se especializar. Exames tradicionais mantêm-se como referência segura O Enem, de 2008 para 2009, passou a ter um pro- grama e eliminou quase totalmente os vestibulares das universidades federais. Com isso os vestibulares mais estabelecidos em avaliação do domínio progra- mático naturalmente servem como referência. Os exames das estaduais de São Paulo são muito respei- tados nesse sentido e são o que ficou como influên- cia. Existem estaduais boas no Brasil inteiro, mas as estaduais paulistas são as que têm mais alunos e são famosas pela qualidade de seu ensino. "Fuvest, Unicamp e Vunesp são uma referência muito segura sobre como cobrar bem o programa das disciplinas. E percebe-se que no Enem isso ocorre. No conjunto de questões, de muitas não se sabe dizer se são do Enem ou dos vestibulares de uma estadual de São Paulo. Essa influência foi tão grande que às vezes chegam a ser questões idênticas, mesmo tipo de per- gunta, com o mesmo contexto, só mudam os números. Há uma grande convergência, que considero muito positiva porque traz equilíbrio entre cobrança de con- teúdo e exigência de entender o contexto, de aproveitar a informação do enunciado com o conhecimento de diversas linguagens. Os caminhos de uma boa nota E N T R E V I S T A O prof. Edmilson Motta, coordenador geral do Etapa, analisa os fatores que influenciam no bom desempenho dos candidatos nos vestibulares, diz que não se deve esperar mudanças significativas nos exames deste ano, avalia a influência entre o Enem e os vestibulares das universidades estaduais de São Paulo e ressalta a importância dos simulados no preparo dos alunos para enfrentar as provas de seleção para o Ensino Superior. Publicação da Gráfica Editora Guteplan Redação: Rua Vergueiro, 1987 Tel.: (011) 2187.1000 Apoio Editorial Equipe Pedagógica do ETAPA Educacional Editor Responsável Henrique Nunes MTb 9573 Editor de Arte Adriano Emanuel Rodrigues Simulados são fundamentais para ir bem nas provas "Fazer os simulados é ter uma oportunidade única de, além de enfrentar condições similares às da prova, permitir que o estudante sinta todas as dificuldades do exame e saiba lidar com as mais diversas situações", orienta o prof. Edmilson Motta. "Os simulados exigem um alto nível no desempenho. O can- didato pode ter uma formação muito boa, com domínio do conteúdo das disciplinas, só que para dar o salto para um nível de excelência vai precisar conhecer certos detalhes, certas nuances sobre como é a prova e sobre como deve se organizar para ter um desempenho ótimo, que só atinge enfrentando várias vezes uma situação similar à real. É preciso fazer muitos simulados para conseguir isso". Ele informa que os simulados apresentam um nível de exigência equivalente ao das provas e muitas vezes são mais puxados do que a Fuvest – principalmente os simulados finais. "Isso acaba sendo muito positivo porque nos simulados o aluno não tem a pressão de uma prova real, mas tem a pressão de uma prova mais difícil, ainda que próxima da situação que ele vai enfrentar no exame para valer".
  • PÁGINA 3TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem Questão 180 Questão 3 Questão 1 MATEMÁTICA – Semelhanças dos exames V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6 As provas de Matemática mais recentes do Enem têm mantido sua principal característica de abordar questões contextualizadas, ou seja, situações do cotidia- no em que se pode aplicar conhecimentos matemáticos do Ensino Fundamental e/ou Ensino Médio para avaliar ou solucionar um problema. Algumas dessas questões são formuladas em cima de notícias veiculadas em jornais, periódicos ou sites de notícias. Outro ponto de destaque é que, gradativamente, es- sas questões vêm se tornando cada vez mais próximas dos principais vestibulares de São Paulo, tanto nos as- suntos abordados quanto na complexidade, ocasionando o surgimento de tópicos mais técnicos como Trigonometria e Geometria analítica, que há cerca de cinco anos eram praticamente ausentes no Enem. Os temas mais tradicionalmente presentes devem se manter. São eles: Porcentagens (incluindo análise de gráficos / tabelas), Probabilidade e Estatística, Geo- metria (plana / espacial) e Funções. Como se trata de uma prova com 45 testes, pode variar bastante a forma como tais assuntos são abordados. Professor Alexandre Borges O exame da Fuvest tem um formato menos contextualizado que as provas do Enem, com poucas questões com essa característica, tanto na 1ª quanto na 2ª fase. Nas provas de Matemática predominam questões mais diretas e com enunciados mais curtos. Os assuntos tradicionais, como Geometria plana / espacial, Ex- ponenciais e Logaritmos, Sequências e Progressões, Combinatória / Probabilidade e Funções, marcam as provas em todas as fases. Na 2ª fase, enquanto a prova do segundo dia tem um caráter interdisci- plinar, envolvendo questões que muitas vezes exigem algum conhecimento de outras disciplinas, a prova do terceiro dia tem um caráter mais técnico, com questões bem mais exigentes e em maior número. Fuvest 2016 – 1ª Fase – Questão interdisciplinar com Física, atualmente frequente nas provas de Matemática eneM 2015 – trigonometria, questão que evidencia uma aproximação do enem aos vestibulares das estaduais palistas. Fuvest 2016 – 2ª Fase – Conhecimentos específicos, mais exigência dos candidatos
  • PÁGINA 4 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 vunesp unicamp Os exames da Unicamp são semelhantes aos da Fuvest nos assuntos predominantemente abordados e grau de exigência, mudando apenas o formato dessas provas e com um pouco mais de contextualização tanto na 1ª como na 2ª fase. Vale ressaltar que nas provas mais recentes da 1ª fase da Unicamp tem sido incluída uma questão sobre deslocamento de gráficos de função, pouco exigida em outros exames. Das universidades estaduais paulistas, o exame de Matemática da Vunesp é o que mais contextualiza suas questões e faz isso de uma maneira simples e de fácil compreensão. Suas provas de 1ª fase mostram preferência por Geometria (plana/espacial) e questões en- volvendo análise de gráficos e diagramas. As provas da 2ª fase envolvem apenas três questões dissertativas, de baixa a média complexidade e que normalmente permeiam pelos tópicos Geometria, Trigonometria e Combinatória /Probabilidade, entre outros. unifesp A prova de conhecimentos específicos da Unifesp conta com cinco questões dissertativas de Matemática, na maioria das vezes contextualizadas e que, em geral, apesar do número re- duzido de questões, consegue ser abrangente, pois aborda os prin- cipais tópicos do Ensino Médio: Geometria, Geometria analítica, Trigonometria, Combinatória/ Probabilidades, Exponenciais/ Logaritmos e Funções. Geral- mente são questões de média complexidade,que cumprem o papel de selecionar os candidatos mais preparados. uniCaMp 2016 – 1ª Fase – Questão envolvendo deslocamento gráfico, presente em outras edições do exame. vunesp 2016 – 2ª Fase – Questões contextualizadas envolvendo atualidades existe uma razoável tendência a abordar temas de atualidades nas questões contextualizadas em quase todos os exames citados. assuntos como doenças causadas pelo aedes egypt, evasão popu- lacional na síria etc. podem ser cobrados mesmo nas provas de Matemática, juntamente ou não com outras disciplinas. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 5TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem FíSICA – Exige conceitos e cálculos As 15 questões de Física do Enem 2015, de forma geral, tiveram um grau de dificuldade médio, sendo que duas delas foram consideradas de alta complexidade. Nenhuma questão apresentou qualquer tipo de problema em seu enunciado e todas exigiram um conhecimento de conceitos que, sem eles, tornava-se impossível resolvê-las corretamen- te. Foram cobrados assuntos das principais partes do programa, como Mecânica, Termologia, Óptica, Ondulatória e Eletricidade. Manteve- se a tradição de questões contextualizadas, porém formuladas com enunciados mais curtos e sem exageros em detalhes secundários. Um fator positivo foi um maior equilíbrio entre questões puramente con- ceituais e outras que exigiam também cálculos aritméticos, equilíbrio esse inexistente em anos anteriores. Em apenas um aspecto a prova de Física do Enem ainda está bem diferente dos vestibulares tradicionais: a distribuição clássica dos assuntos, respeitando a proporção de cada parte do programa da matéria, distribuída durante os anos do Ensino Médio. Como exemplo, no Enem 2015 apenas uma questão exigiu conceitos de Eletricidade, assunto que corresponde aproximadamente a 30% do programa de Física estabelecido pelo próprio Enem. Por outro lado, tivemos muitas questões envolvendo Óptica e Ondulatória e poucas envolvendo Mecânica, evidenciando um grande desequilíbrio na distribuição tradicional das partes da Física. Pela maneira que a participação da Física no Enem vem evoluindo, é muito provável que as questões dessa matéria no exame de 2016 sejam bem abrangentes no conteúdo, exijam conhecimento dos princi- pais conceitos e também uma boa habilidade nos cálculos aritméticos, além de apresentarem uma contextualização mais direta. Espera-se que mais um passo seja dado nessa evolução, com distribuição mais equilibrada de assuntos, respeitando melhor a proporcionalidade com o programa de Física de todo o Ensino Médio. Professor Alexandre l. Moreno As questões de Física na Fuvest 2016 não apresentaram muitas surpresas, tanto na 1ª como na 2ª fase. A contextualização foi bastante direta e em algumas questões nem foi usada. A interdisciplinaridade apareceu de forma diluída, sem grandes dificuldades. A distribuição de assuntos ficou dentro da média dos últimos anos, com Mecânica e Eletricidade ocupando 65% da prova, apro- ximadamente. Novamente o assunto Física Moderna foi cobrado de forma interpretativa, já que os conceitos fundamentais foram forne- cidos pelo próprio enunciado da questão, com o Note e Adote. Em relação ao formato, na 1ª fase manteve-se o esquema tradicional, com equilíbrio entre questões conceituais e outras que exigiam também cálculos aritméticos. Na 2ª fase, todas as questões exigiram conceitos e cálculos aritméticos. É importante destacar que a prova de Física da Fuvest 2016 foi bastante exigente nos cálculos, tanto na quantidade como na dificuldade dessas operações. Um candidato com boa habilidade aritmética foi bastante beneficiado. eneM 2015 – Maior grau de complexidade – esta questão do último exame envolve conceitos de óptica considerados de maior complexidade e com pouca presença em vestibulares de conhecimentos gerais. Questão 46 Fuvest 2016 – 1ª Fase – interdisciplinaridade – Questão explora conceitos de Física e Geografia. É um formato de questão com presença consolidada na 1ª fase da Fuvest. Questão 35 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 6 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp vunesp De todos os vestibulares paulistas, a prova de Física da Vunesp, tanto a de conhe- cimentos gerais como a de conhecimentos específicos, é aquela com menor grau de dificuldade. A distribuição de assuntos é tradicional, com Mecânica e Eletricidade como tópicos principais. As questões são clássicas, cobrando conceitos bem conhecidos e poucos cálculos. A presença da contextualização é recente e apresentada de forma direta. Tanto na Vunesp 2016 como em anos anteriores, a prova de Física foi simples, de forma geral. Nas duas últimas provas de 1ª fase da Unicamp, desde que esta foi alterada, as questões de Física não apresentaram grandes dificuldades. Com contextualização direta e cálculos simples, os conceitos físicos envolvidos estão entre os mais tradi- cionais do programa do Ensino Médio. A distribuição de assuntos ainda não atingiu uma estabilidade, como a de outros vestibulares. Na 1ª fase da Unicamp 2016, por exemplo, tivemos uma forte presença de Cinemática representando mais de 30% da prova, número muito acima da média correspondente a esse capítulo da Mecânica. Esse desequilíbrio já havia ocorrido com o assunto Gravitação no exame anterior. Já as questões de Física na 2ª fase apresentaram características bem parecidas nos últimos anos, com um grau de dificuldade muitas vezes superior ao da Fuvest, com questões exigentes e cálculos trabalhosos. uniCaMp 2016 – 2ª Fase (contextualização) – a prova de Física da unicamp foi pioneira na utilização de questões contextualizadas. As cinco questões escritas de Física da Unifesp 2016 foram muito bem feitas, não apre- sentando nenhum problema nos enunciados. Esse detalhe é importante, já que em provas anteriores ocorreram alguns erros na formulação das questões. A distribuição de assuntos foi muito equilibrada, com duas questões de Mecânica, uma de Termologia, uma de Eletricidade e uma de Óptica Geométrica. Apesar de cobrar conceitos clássicos em questões de nível médio, a prova exigiu uma habilidade razoável em cálculos aritméticos. vunesp 2016 – Conhecimentos específicos – a prova de Física da vunesp é aquela que apre- senta questões mais clássicas, sem muita pre- ocupação com a contextualização, explorando conceitos físicos de forma direta. unifesp Questão 10 Questão 180 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 7TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 enem fuvest BIOlOGIA - Conteúdo abrangente Professor Roberto Biasoli A prova de Biologia do Enem 2015 apresentou 14 testes de temas importantes, como Citologia, Zoofisiologia, Genética, Ecologia e Evolução. Alguns testes foram ilustrados com gráficos e todos exigiram dos candidatos um bom conhecimento técnico nos temas citados anteriormente. Um dos testes abordou o as- sunto de primeiros socorros (queimadura da pele). eneM 2015 – procedimentos de primeiros socorros serviram de contexto para uma abordagem não convencional sobre o corpo humano. Fuvest 2016 – 1º Fase – Questão interdisciplinar com Física e Química, exigindo dos candidatos análise de gráfico e conhecimentos de botânica. Os 11 testes apresentados na 1ª fase da Fuvest 2016 aborda- ram temas de Zoofisiologia, Ecologia, Genética, Botânica e Cito- logia. Foi uma prova mais exigente que a dos anos anteriores. O teste interdisciplinar exigiu conhecimentos de Física, Química e Biologia. Um dos testes de Botânica foi anulado pela banca examinadora devido a uma imprecisão conceitual. No 2º dia da 2ª fase entrou de Biologia apenas um dos itens de uma questão escrita sobre Zoofisiologia, interdisciplinar com Literatura (poema "Madrigal Lúgubre", da obra Sentimentos do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, que era leitura obrigatória da Fuvest). O 3º dia da 2ª fase apresentou seis questões de temas como eco- logia, citologia, botânica e com um predomínio de zoofisiologia. A prova foi mais complexa que a do ano anterior e constou de ques- tões que exigiram dos candidatos uma interpretação cuidadosa dos gráficos e até de a elaboração de um experimento sobre enzimas da digestão. Questão 66 Questão 34 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 8 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp fuvest Os 11 testes da 1ª fase versaram sobre os temas de Evolução, Ecolo- gia, Botânica, Zoofisiologia e Genética. A prova foi bem mais exigente do que nos anos anteriores, desafiando os candidatos com análise de gráficos, esquemas e até mesmo noções de Microscopia. As seis questões do terceiro dia da 2ª fase abordaram temas de Botânica, Zoofisiologia, Citologia, Genética e Ecologia. Além da boa distribuição pelos temas da disciplina, os candidatos tiveram que dominar assuntos atuais. Por exemplo, o candidato tinha que descrever uma técnica para produzir mosquitos Aedes aegypti transgênicos e fazer o desenho de uma célula vegetal indicando estruturas que desempenham determinadas funções. Foi uma ava- liação adequada para candidatos bem preparados. uniCaMp – 1º Fase – assuntos tradicionais abordados de forma criativa. são exigidos conhecimentos básicos de botânica e de genética. uniCaMp – 2º Fase – Questão conceitualmente simples. O aluno deveria saber repre- sentar uma célula vegetal e não somente identificar estruturas em um desenho já pronto. As cinco questões escritas propostas pelos examinadores constaram de temas de Ecologia, Botânica, Genética e de partes combinadas (Evolução/Citologia). A prova foi bem elaborada, com assuntos atuais e contextualizada. Os sete testes da 1ª fase aborda- ram temas de Botânica, Zoofisiolo- gia, Ecologia, Genética e Citologia, ilustrados com gráfico, esquema e figura. As questões apresentaram um certo grau de contextualização. Um teste de Dcologia admitiu duas alternativas corretas. A 2ª fase constou de três questões bem elaboradas, de temas de Zoo- fisiologia e Botânica. As questões tiveram uma abordagem criativa e contextualizada, exigindo dos candi- datos grande capacidade analítico- expositiva. As células apresentam estruturas e funções diferenciadas de acordo com o orga- nismo ou tecido em que se encontram. a) desenhe uma célula que contenha as organelas responsáveis pela respiração celular, pela fotossíntese, pela transcrição do RNA e pela síntese de proteínas. b) Descreva a morfologia e indique as funções das estruturas que delimitam a célula desenhada. unifesp vunesp Questão 15 Questão 15 Fuvest – 2º Fase – Questão exigente, na qual o candidato deveria relacionar as informações apresentadas em três gráficos diferentes sobre relações ecológicas. Questão 1 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 9TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem unifesp vunesp QuíMICA – Vestibulares se alinham Há alguns anos começou a haver um alinha- mento entre os vestibulares das principais universi- dades paulistas (Fuvest, Unicamp e Vunesp) com o Enem no tocante ao tipo de enunciado e ao conteúdo das questões de Química. Em 2015, isso tornou-se notório, não havendo muita distinção entre as ques- tões da 1ª fase da Fuvest e as do Enem. De modo geral, os testes de múltipla escolha de Química das primeiras fases da Fuvest, da Unicamp e da Vunesp, bem como do Enem, são contextua- lizados, com textos diretos e claros. Como esses exames são longos, exigem do aluno rapidez na interpretação dos textos e na execução dos cálculos matemáticos,quando necessário. Já as questões dissertativas da Fuvest, Unicamp, Vunesp e Unifesp têm enunciados mais longos, muitas vezes apresentando infográficos e esquemas de reações químicas que exigem dos alunos, além de bom conhecimento dos conceitos fundamentais da Química, a capacidade de relacionar tais esque- mas a fim de elaborar a resposta mais adequada à questão proposta. Analisando esses cinco exames como um todo, percebe-se que há um predomínio claro de questões envolvendo Físico-Química e Química Geral. Mais de dois terços de todas as questões desses vestibu- lares envolveram esses dois assuntos, sendo isso uma tendência que ocorre já há algum tempo. Outro aspecto interessante é o uso da Química Orgânica como “pano de fundo” nas questões, ou seja, o texto fala sobre algum tema de Orgânica, mas, na verdade, a questão cobra conhecimentos de Química Geral, Físico-Química ou Estrutura da Matéria. Professor João Pitoscio Filho 1ª Fase - Em 2016 as questões não tiveram o mesmo teor inter- disciplinar do ano anterior. Foi uma prova exigente, bem elaborada, abordando os principais tópicos da Química. Menos da metade das questões cobrou cálculos matemáticos, mas elas exigiram dos candidatos uma boa dose de interpretação de textos. 2ª Fase - 2º dia - A prova do segundo dia privilegiou os temas interdisciplinares, contando com questões bem escritas, de forma clara e direta. O foco foi em Química Geral, o que é bem apropriado ao público-alvo, candidatos de todas as áreas. Conceitos de Geometria, Geografia, Biologia e Física foram ne- cessários para a resolução de algumas questões. 3º dia - Com aproximadamente 67% das questões versando sobre Físico-Química, a prova do terceiro dia exigiu bons conhe- cimentos de Soluções, Oxidorredução e Cinética Química. Nas duas provas da 2ª fase foram cobradas questões de Estrutura da Matéria, algo que não acontecia há muito tempo. Dentre todos os exames analisados, o vestibular da Unifesp é o único que tem seguido uma fórmula bem definida já há algum tempo. A prova contém cinco ques- tões, duas das quais de Físico-Química e uma de cada um dos outros grandes temas da Química (Estrutura da Matéria, Química Geral e Química Orgânica), sen- do que, muitas vezes, temas da área de saúde servem de contexto para a elabo- ração das questões. É um exame exigente que afere bem o nível de conhecimento dos candidatos. 1ª Fase Com boa distribuição entre os principais tópicos da matéria, a prova contou com ques- tões diretas e claras, porém abordou temas distantes do cotidiano dos estudantes. 2ª Fase A Vunesp mostra a importância que a Físico-Química e a Química Geral têm nos grandes vestibulares. A prova foi centrada nesses dois temas,com questões envolvendo Eletroquímica, Soluções e Estequiometria. esta é uma questão de Físico-Química envolvendo todos os aspectos do preparo de uma solução e sua Diluição. este tipo de questão era inimaginável no enem há alguns anos atrás, ela tem muito “a cara” da Fuvest, fato que enfatiza o alinhamento entre esses dois exames. a questão aborda o mesmo tema/assunto cobrado no teste 69 do enem, a única diferença é que o aluno necessita de conhecimentos sobre equilíbrios iônicos – Ácidos e Bases para poder resolvê-la. Questão 69 Questão 11 - 1ª fase Mantendo a tendência do ano anterior, a prova apresentou enunciados diretos com predominância em Físico-Química. Neste ano, a temática ambiental não foi tão explorada e, em algumas questões, não houve a tradicional preocupação em abordar temas do cotidiano. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 10 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest unicamp Questão de estequiometria envolvendo a pureza de um dos reagentes (Química Geral). a questão tem um viés interdisciplinar com Matemática, exigindo domínio de conceitos básico de Geometria plana. Questão 7 - 2ª fase - segundo dia 1ª Fase - Investindo em um formato que privilegiou a análise e interpretação de textos e sem exigência de cál- culos matemáticos, a prova cobrou os principais temas da Química,com ênfase em Química Geral, o que a tornou bem mais equilibrada do que no ano anterior, no qual 90% das questões foram de Físico-Química. 2ª Fase - Novamente a dupla Química Geral e Físico- Química está presente nessa fase do vestibular da Unicamp, com questões contextualizadas. Temas como o tingimento de couro, alucinógenos, meio ambiente e poluição, assim como a interpretação de gráficos e figuras e a construção de um gráfico de decaimento, moldaram a prova. Outra questão de Química Geral, desta vez abordando o tema/assunto Fundamentos da Química. O diferencial dessa questão, realmente diferente e desafiadora, é como o assunto foi abordado. a partir da análise de um infográfico o candidato precisava correlacionar o desempenho aeróbico de homens e mulheres de diferentes idades e depois retirar informações do gráfico para realizar os cálculos pedidos. Questão 2 Como pode-se perceber, a escolha das questões respeita dois aspectos básicos: 1. O alinhamento entre os grandes vestibulares paulistas, em especial a Fuvest, com o enem. 2. a abordagem de dois temas/assuntos que na maioria dos casos perfazem mais de 70% das provas: Físico-Química e Química Geral. ANÁLISE GERAL V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 11TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp enem GEOGRAFIA - Diversidade de assuntos Apesar das diversas tendências e variações de forma e conteúdo entre os exames seleciona- dos, podemos constatar algumas características comuns nas provas de Geografia, como: Grande abrangência do programa, pressupondo conhecimento do conteúdo referente à matéria do Ensino Fundamental e do Ensino Médio; Marcante diversidade de assuntos a que se presta a disciplina, que trata de aspectos naturais, humanos, econômicos, socioculturais, geopolíticos e ambientais. Enfim, um típico exame de conhe- cimentos gerais, com a tradicional divisão entre questões de Geografia do Brasil, Geografia Geral e Geografia Regional do Mundo. – Geografia do Brasil: problemas sociais e urbanos, ambientais, econômicos – agropecu- ária, indústria, transporte e recursos naturais [fontes de energia e minérios], desequilíbrios regionais, além de domínios naturais. – Geografia Geral: geopolítica [mundo con- temporâneo], cartografia, pedologia, geomorfo- logia, climatologia, geopolítica dos mares e oce- anos, problemas ambientais, economia mundial [agropecuária, indústria, transportes e recursos naturais – fontes de energia e minérios), além problemas populacionais (urbanos e sociais]. – Geografia Regional do Mundo: Estados Unidos, União Europeia, Rússia, China, Japão, Índia, Tigres Asiáticos, América Latina, África Subsaariana, Mundo Muçulmano (África Me- diterrânea e Oriente Médio). As provas, em sua maioria, apresentam o predomínio de questões de Geografia do Brasil (50%), seguidas de Geografia Geral (30%) e Ge- ografia Regional do Mundo (20%). As questões de atualidade supõem a infor- mação sobre eventos e fatos recentes (inclusive nos meses imediatamente anteriores à prova) de âmbito nacional e internacional, tanto na política quanto na economia, sociedade e meio ambiente. Muitas questões exigem do candidato a capacidade de compreensão e análise de textos, tabelas, gráficos e mapas. As questões nos vestibulares vêm privilegiando a interdisciplinaridade e temas que possam ser contextualizados. Dessa forma, mesmo temas tradicionais acabam tendo uma abordagem mais atual. Professor Omar Fadil Bumirgh GRAu DE COMPlEXIDADE DAS PROVAS 1ª fASE Enem, Vunesp, Unicamp e fuvest questões de baixa a média complexidade 2ª fASE Vunesp fuvest e Unicamp questões de média a elevada complexidade atualidades Questão clássica atualidades Prova com questões contextualizadas e interdisciplinares, apresentando baixo grau de complexidade. A prova da Unicamp, mesclando ques- tões clássicas e atuais, foi a mais bem ela- borada por exigir capacidade de análise, interpretação e domínio de conteúdo. Questão 13 Questão 16 Questão 103 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 12 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 vunesp fuvest atualidades e interdisciplinaridade Clássica com enfoque atual Dos exames, foi o que apresentou maior grau de complexidade, mesclando temas atuais aos clássicos, que exigem maior preparo por parte dos alunos. Fugindo de sua tradição, a Vunesp elaborou este ano uma prova mais complexa e eficiente na avaliação dos candidatos. Também apresentou questões interdisciplinares e contextualizadas. Questão 8 Questão 66 atualidades Questão 2 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 13TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem A prova de História do Enem costuma trazer um nú- mero grande de questões (15 no último exame) permitindo perguntas sobre diversas partes do programa. Predomi- nam, no entanto, questões de História do Brasil (em 2015 foram 10) e chama atenção a importância crescente de questões sobre África. Dessa forma, o aluno deve ficar atento ao longo das aulas de História e Geografia sempre que aparecerem referências ao continente africano. Às vésperas de uma prova, se o aluno quiser fazer uma breve revisão, recomendamos atenção especial aos temas de História do Brasil, principalmente aspectos da formação da sociedade e do Estado nacional. As questões de História têm sido cada vez mais exigen- tes, procurando selecionar alunos capacitados em leitura e interpretação de textos, análise de imagens, além do do- mínio de ferramentas fundamentais no estudo da história como cronologia e contextualização. No caso de Filosofia tem aparecido um número razo- ável de questões (em 2015 foram 6), geralmente exigindo prática com interpretação de textos e um conhecimento mais elementar acerca dos principais pensadores. No último ano predominaram questões sobre política. Já no caso de Sociologia o aluno deve se concentrar na leitura dos textos e enunciados. No ano passado predo- minaram perguntas envolvendo o tema da identidade, ou seja, os processos diversos de constituição do “eu” e suas relações com a vida em sociedade e em grupo. HISTóRIA - Valorização da leitura Professor Thomas Wisiak A parte de História na 1ª fase da Fuvest trouxe um grande número de questões (11), permitindo uma boa distribuição das perguntas ao longo do programa, sempre lembrando a importância da história da América. É uma prova que seleciona o aluno experiente em leitura e interpreta- ção de textos e enunciados, além da análise de imagens e gráficos. Tem seguido a tendência observada nos grandes vestibulares nos últimos anos de cobrar um maior número de questões sobre a história mais recente, tanto de Brasil quanto de Geral. Dessa forma, se o aluno tiver interesse em fazer uma breve revisão antes da prova, vale a pena focar na parte de História do Brasil repu- blicano e na parte de História Geral Contemporânea. Na 2ª fase a prova de História do segundo dia costuma trazer questões interdisciplinares, ou seja, tentativas de relacionar conteúdos, métodos e abordagens de diversas disciplinas. Para se preparar para questões in- terdisciplinares, recomenda-se que o aluno fique atento às relações que os professores costumam fazer na sala de aula, especialmente considerando as disciplinas mais próximas, como – no caso de História – Filosofia, So- ciologia, Geografia e Artes. No terceiro dia da prova de 2ª fase temos também uma lista grande de questões, exigindo experiência com textos, imagens e também aná- lise de dados e informações, ou seja, conhecimento de técnicas de inter- pretação e elaboração de gráficos. Vale lembrar que a Fuvest costu- ma trazer questões, testes e escritas, exigindo conhecimento de temas da atualidade, procurando o domínio não só de informações sobre o pro- blema em questão, mas também suas possíveis relações com o passado. a análise das imagens, combinada com o domínio da cronologia, permite chegar à resposta correta para lidar com questões de História que envolvem interdis- ciplinaridade, fique atento às áreas de conhecimento mais próximas, como artes, Literatura, Geografia, sociologia e Filosofia. a questão abaixo é interdisciplinar com Física. Questão 21 Questão 13 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 14 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp fuvest A prova de História na 1ª fase da Uni- camp traz uma lista razoável de questões, permitindo uma boa distribuição das perguntas ao longo do programa. Cabe destacar, também, a importância da parte de História da América. Essa prova costuma ser bastante exi- gente na interpretação de textos e contextu- alização dos assuntos, além de tentar uma interface com outras disciplinas – situação geralmente conhecida como interdiscipli- naridade. A 1ª fase pode trazer questões de Filoso- fia (em 2016 foram duas) e também Socio- logia, geralmente apoiadas na interpretação de textos e no conhecimento elementar dos grandes pensadores. A 2ª fase da Unicamp também traz um grande número de perguntas em que há uma certa tradição de exigir no item “a” uma boa compreensão do texto e no item “b” um domínio aprofundado do conteúdo de história. Na prova de História da Unicamp há uma certa tendência de trazer temas ligados aos direitos humanos e movimentos so- ciais, como, por exemplo, o abolicionismo no Brasil do século XIX ou a questão dos negros na sociedade brasileira. A prova de História da Vunesp na 1ª fase traz um grande número de questões (12), exigindo portanto o domínio de todas as partes do programa da disciplina. Mas a prova segue a tendência de cobrar um número um pouco maior de questões sobre a história mais recente. Dessa forma, se o aluno pretende fazer uma revisão antes da prova, uma sugestão é privilegiar a parte de História Geral Contempo- rânea e também do Brasil republicano. As questões da 1ª fase da Vunesp podem muitas vezes trazer temas clássicos do programa, como as relações de suserania e vassalagem na sociedade feudal ou a plantation na história da colonização europeia da América, mas podem apre- sentar dificuldades nos enunciados e textos empregados. Portanto, o aluno deve ter muito cuidado com a leitura durante a prova para identificar a intenção do exercício. O domínio de temas de atualidades também é importante. Na parte de Filosofia tem aparecido um número grande de questões, mas em geral são questões relativamente fáceis de responder, apoiando-se na interpreta- ção de textos. Em 2016 predominaram perguntas sobre ética e a prova aproveitou principalmente textos de jornais e revistas. Na 2ª fase da Vunesp não há um número grande de questões, mas são bas- tante exigentes, pois apesar de muitas vezes abordarem algum assunto clássico, esperam que o estudante tenha um domínio aprofundado do assunto. No prova de 2016 entrou uma questão sobre o Regime Militar no Brasil (1964-85), que é considerado um assunto clássico, mas a pergunta era sobre a cultura na época. Uma sugestão para o aluno que deseja fazer uma breve revisão antes da prova é se dedicar aos diversos temas de História Contemporânea do século XX, espe- cialmente o período conhecido como Guerra Fria. Em relação a Filosofia, o conhecimento do pensamento de grandes filóso- fos e seu contexto são fundamentais e para tanto o programa de História pode ajudar muito. Vale destacar a importância do treinamento com redação para que o aluno organize muito bem suas ideias ao responder questões de História e Filosofia. O domínio da cronologia ajuda a identificar o período histórico e, consequentemente, as principais características da época vunesp Questão 82 Questão 4 as atualidades podem aparecer exigin- do informações bastante recentes, mas também estabelecendo comparações com outras épocas ou períodos históricos V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 15TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem INGlêS - Interpretação de textos Os grandes exames de Inglês cobram, atualmente de modo quase exclusivo, questões de interpretação de texto. A intenção das bancas organizadoras é avaliar a ca- pacidade do candidato de localizar, entender e reproduzir em língua portuguesa informações relevantes de textos em inglês. Esses textos pertencem a diversos gêneros (jornalístico, charges e tirinhas, letras de música, poesia e literatura, publicidade e reproduções de conversas e textos de redes sociais são os mais comuns) e a diferentes graus de formalidade e respeito à norma culta. Com relação às perguntas feitas, elas trazem em geral alternativas em Português (outra vez, para aferir a compreensão da informação pedida) e que são, no mais das vezes, traduções quase literais de trechos breves dos textos. Nos casos mais raros em que há alternativas em inglês (Vunesp e Unifesp), elas são em geral paráfrases de trechos do texto e tendem a ser de nível mais elevado pois exigem do candidato um maior domínio de vocabulário e sinônimos no idioma inglês. No que diz respeito aos assuntos abordados nos tex- tos, os jornalísticos costumam tratar de assuntos atuais (muitas vezes a respeito do Brasil) e que sejam de interes- se geral (os grandes fatos que ocorrem no mundo no ano de aplicação do exame. Ex: grandes eventos esportivos, grandes tragédias humanas e naturais, decisões políticas de impacto global etc.). Algumas exceções merecem destaque: nos últimos anos, a prova da Vunesp tem sido temática, ou seja, todos os textos tratam de um mesmo assunto (greenwashing – a ideia de uma empresa tentar se vender como ecologicamente correta, sem o ser de fato –, concentração de riqueza, a importância da leitura etc.) e a prova de 2ª fase da Unifesp, por ser aplicada a candidatos de alguns cursos da área de saúde, tende a privilegiar textos dessa mesma área. Não são textos técnicos, mas textos para um público geral. As questões dissertativas da Fuvest e da Vunesp seguem esse mesmo padrão de escolha de textos com perguntas e respostas em língua portuguesa. A seguir, algumas características de cada exame. Professor Tadeu Okubaro About half of the world’s population is at risk of contracting dengue, according to the World Health Organization. The mosquito is found in tropical and subtropical climates around the world; however, dengue does not naturally occur in these creatures: the mosquitoes get dengue from us. The mechanism of dengue infection is simple. Female mos- quitoes bite humans because they need the protein found in our blood to produce eggs. (Male mosquitoes do not bite.) If the mosquito bites someone with dengue – and then, after the virus’s roughly eight- to 12-day replication period, bites someone else – it passes dengue into its next victim’s bloodstream. There is no vaccine against dengue, but infecting mosquitoes with a natural bacterium called Wolbachia blocks the insects’ ability to pass the disease to humans. The microbe spreads among both male and female mosquitoes: infected females lay eggs that harbor the bacterium, and when Wolbachia✄free females mate with infected males, their eggs simply do not hatch. Researchers are now releasing Wolbachia-infected females into the wild in Australia, Vietnam, Indonesia and Brazil. Scientific American, June 2015. Adaptado. Segundo o texto, a bactéria Wolbachia, se inoculada nos mosquitos, bloqueia a transmissão da dengue porque a) torna os machos estéreis. b) interfere no período de acasalamento dos mosquitos. c) impede a multiplicação do vírus nas fêmeas. d) impede a eclosão dos ovos que contêm o vírus. e) diminui a quantidade de ovos depositados pelas fêmeas Worrying: A Literary and Cultural History. By Francis O’Gorman. Bloomsbury; 173 pages. When he is not teaching Victorian literature at the University of Leeds or writing books, Francis O’Gorman admits to doing a lot of unnecessary brooding. “Worrying: A Literary and Cultural History” is his affectionate tribute to low-level fretting – what the author calls “the hidden histories of ordinary pain” – in everyone’s life. Humanity’s sense of anxiety has deep roots. Contemporary angst is inextricably tied up with living in an advanced, hypermodern society, and yet, when worrying takes hold, it often does so in ways that appear altogether premodern, even pre-Enlightenment. If there is a message in the book, it addresses the everexpanding cottage industry around happiness and wellbeing. The latest edition of the American Psychiatric Association’s “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder, DSM-5”, has broadened psychiatry’s reach into everyday life, medicalising and stigmatising an ever greater number of quirks and foibles. Against this backdrop, Mr O’Gorman’s celebration of the wonderful eccentricity of human nature is both refreshing and necessary. He believes that “being a modern worrier is just... the moth-eaten sign of being hu- man” and playfully suggests that people should refine Descartes’s famous dictum to: “I worry, therefore I am.” The Economist, August 1st-7th 2015. Adaptado. Levando-se em conta que o texto é parte de uma resenha de um livro, responda, em português, às seguintes perguntas: a) Qual é o objetivo do autor do livro? b) De que forma o propósito do livro de O’Gorman se opõe ao que é proposto pela Associação Americana de Psiquiatria? c) Qual é a sugestão do autor do livro para modificar a famosa frase de René Descartes “Penso, logo existo”? My brother the star, my mother the earth my father the sun, my sister the moon, to my life give beauty, to my body give strength, to my corn give goodness, to my house give peace, to my spirit give truth, to my elders give wisdom. Disponível em: www.blackhawkproductions.com. Acesso em: 8 ago. 2012. Produções artístico-culturais revelam visões de mundo próprias de um grupo social. Esse poema demonstra a estreita relação entre a tradição oral da cultura indígena norte-americana e a a) transmissão de hábitos alimentares entre gerações. b) dependência da sabedoria de seus ancestrais. c) representação do corpo em seus rituais. d) importância dos elementos da natureza. e) preservação da estrutura familiar. Enem: cinco testes com alter- nativas em português baseados em cinco textos diferentes. As questões do Enem, em geral, privilegiam a compreensão global do texto, sua informação mais relevante, e rara- mente se detêm em pontos específi- cos ou marginais dos textos. Questão que pede a informação mais global do texto. a alternativa correta, D, faz uma leitura da principal informação transmitida pelo poema. Questão que busca uma informação específica do texto. a alternativa correta, D, é uma tradução quase literal de um trecho do texto: "when Wolbachia-free females mate with infected males, their eggs simply do not hatch" Questão escrita com crescente complexidade da informação pedida. Fuvest: 1ª fase com cinco testes com alternativas em português geralmente baseadas em dois textos que tendem a ser jornalísticos. Na 2ª fase, duas questões dissertativas com itens "a" e "b" baseadas em textos que também tendem a ser jornalísticos. Normalmente o item "a" pede uma informação mais genérica e fa- cilmente localizável (por meio de palavras-chave) e o item "b" costuma ser um pouco mais complexo: pede uma informação não tão óbvia ou que demande uma enem 2015 1ª fase 2ª fase leitura e interpretação mais aprofundadas do texto. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 16 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp unifesp Nobel winner Malala opens school for Syrian refugees Sylvia Westall July 13, 2015 Bekaa Valley, Lebanon nobel peace prize laureate Malala Yousafzai gestures inside a classroom at a school for syrian refu- gee girls, July 12, 2015. (Reuters/Jamal saidi) Malala Yousafzai, the youngest winner of the Nobel Peace Prize, celebrated her 18th birthday in Lebanon on Sunday by opening a school for Syrian refugee girls and called on world leaders to invest in “books not bullets”. Malala became a symbol of defiance after she was shot on a school bus in Pakistan in 2012 by the Taliban for advocating girls’ rights to education. She continued campaigning and won the Nobel in 2014. “I decided to be in Lebanon because I belie- ve that the voices of the Syrian refugees need to be heard and they have been ignored for so long,” Malala told Reuters in a schoolroom decorated with drawings of butterflies. The Malala Fund, a non-profit organization that supports local education projects, provided most of the funding for the school, set up by Lebanon’s Kayany Foundation in the Bekaa Valley, close to the Syrian border. The Kayany Foundation, established by Syrian Nora Joum- blatt in response to Syria’s refugee crisis, has already completed three other new schools to give free education to Syrian children in Lebanon. The Malala school can welcome up to 200 girls aged 14 to 18. “Today on my first day as an adult, on behalf of the world’s children, I demand of leaders we must invest in books instead of bullets,” Malala said in a speech. Lebanon is home to at least 1.2 million of the 4 million refugees that have fled Syria’s war to neighboring countries. There are about 500,000 Syrian school-age children in Lebanon, but only a fifth are in formal education. “We are in danger of losing generations of young Syrian girls due to the lack of education,” Joumblatt said in a speech at the opening of the school. “Desperate and displaced Syrians are increasingly seeing early marriage as a way to secure the social and financial future of their daughters. We need to provide an alternative: Keep young girls in school instead of being pressured into wedlock.” Lebanon, which allows informal settlements on land rented by refugees, says it can no lon- ger cope with the influx from Syria’s four-year conflict. More than one in four people living in Lebanon is a refugee. The United Nations says the number of Syrian refugees in neighboring countries is expected to reach 4.27 million by the end of the year. “In Lebanon as well as in Jordan, an increasing number of refugees are being turned back at the border,” Malala said. “This is inhuman and this is shameful.” Her father Ziauddin said he was proud she was carrying on her activism into adulthood. “This is the mission we have taken for the last 8-9 years. A small moment for the education of girls in Swat Valley: it is spreading now all over the world,” he said. (www.reuters.com. Adaptado.) Questão 34 Questão com alternativas em inglês em que resposta correta, e, é uma paráfrase de um trecho do texto: "Malala Yousafzai, the youngest winner of the nobel peace prize, celebrated her 18th birthday in Lebanon on sunday by opening a school for syrian refugee girls and called on world leaders to invest in “books not bullets”." On her 18th birthday, Malala (A) decided to live in Lebanon to help refugees establish schools. (B) talked to 200 welcoming girls aged 14 to 18. (C) celebrated in a school drawing butterflies with other girls. (D) visited three schools for refugees in Syria. (E) urged world leaders to invest in education and not in weapons. Analise o trecho do terceiro parágrafo “I demand of leaders we must invest in books instead of bullets”, para responder às questões 35 e 36. Questão 35 Questão de vocabulário em que o conhecimento de um conectivo lógico, instead of (em vez de), é cobrado explicitamente. A expressão “instead of” indica uma ideia de (A) simultaneidade. (B) paralelismo. (C) comparação. (D) substituição. (E) ênfase. Unicamp: 1ª fase com seis testes com quatro alternativas em Português, e uma questão interdisciplinar. Textos de gê- neros variados e de graus de formalidade e respeito à norma culta também diversos. Não possui prova dissertativa. Unifesp: Prova de 2ª fase para alguns cursos com 15 testes com al- ternativas em Português e Inglês e com textos usualmente sobre a área de saúde e comportamento. O exame também cobra questões mais espe- cíficas de vocabulário, como o conhecimento de sinônimos e traduções de conectivos lógicos e a capacidade de entender as relações semânticas estabelecidas por esses mesmos conectivos. Advice for new students from those who know (old students) The first day of college I was a ball of nerves. I remember walking into my first class and running to the first seat I found, thinking everyone would be staring at me. But nobody seemed to notice and then it hit me: The fact that nobody knew me meant nobody would judge, which, upon reflection, was what I was scared of the most. I told myself to let go. All along the year, I forced myself into situations that were uncomfortable for me – for example, auditioning for a dance piece. Believe it or not, that performance was a highlight of my freshman year. My advice: challenge yourself to try something new, something you couldn’t have done in high school. – Ria Jagasia, Vanderbilt University, ’18. (Adaptado de http://www.nytimes.com/2015/08/02/ education/edlife/ advice-for-new-students-from-those- who-know-old-students.html?ref= edlife.) No primeiro dia de faculdade, Ria ficou muito nervosa a) por não conhecer ninguém. b) por achar que seria julgada pelos colegas. c) porque ninguém olhou para ela. d) porque não sabia dançar. Questão que busca uma informação precisa no texto. a causa do nervosismo da aluna. a alternativa correta, B, não está explicitamente no texto, mas pode ser localizada pela argumentação da autora: "the fact that nobody knew me meant nobody would judge, which, upon reflection, was what i was scared of the most." Vunesp: primeira fase com 10 testes com alternativas em inglês ou português e geralmente, nos últimos anos, temática e que privilegia diversos gêneros textuais (tirinhas são comuns). Nas (cada vez mais) raras ocasiões em que se cobra gramática, as questões são contextualizadas e retiradas dos textos de apoio. Segunda fase com quatro questões escritas baseadas em um ou dois textos, de graus de dificuldade que variam de muito simples a difíceis. vunesp V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 17TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvestenem Os exames de Língua Portuguesa têm cobrado a capacidade de o candidato ler, compreender e interpretar criticamente textos de toda natureza – literários e não literários, assim como a capacidade de se valer de conhecimentos linguísticos na pro- dução de textos que atendam aos requisitos de ade- quação, correção, coesão e coerência. Desta forma, pressupõe-se o domínio da norma culta da língua escrita, o reconhecimento de outras variedades linguísticas e a posse de uma bagagem de leituras de textos literários. No que diz respeito ao formato, a tendência dos exames é algo próximo ao que, hoje, definiu-se como um “modelo Enem”. Isto é, pequenos trechos, para uma única questão e enunciados que contenham uma breve contextualização do assunto cobrado. Normalmente são textos aos quais o candidato está exposto no seu cotidiano de leitor de jornais, revistas, propaganda, sites etc. Os exercícios cobram não apenas o conhecimento formal, mas também a capacidade de, a partir de situações comuns, se estabelecerem relações entre elas. Isto aliado à ca- pacidade de observação e de abstração. Em Literatura espera-se o conhecimento de obras representativas de diferentes períodos, bem como a capacidade de analisar e interpretar textos, reconhecendo seus diferentes gêneros e modali- dades e seus elementos de composição. Pede-se também que se relacione o texto com o conjunto da obra em que se insere e com seu contexto histórico e cultural. A prova de Redação é um teste para verificar a capacidade que o candidato tem de opinar, refletir, formular hipóteses voltadas à interpretação de si- tuações e de fatos. O texto produzido deve estar de acordo com a norma padrão e com a argumentação bem colocada e bem fundamentada. Assim, poderíamos pensar os grandes exames atuais nas formas apresentadas nos textos seguintes. PORTuGuêS - ler e compreender Professor Héric Jose Palos Enem: é uma prova extensa, cansativa e que exige grande capacidade de concentração. É preciso estar ciente do que se vai encontrar: textos co- muns, que alimentam questões, as quais supõem, muitas vezes, domínio de conteúdos fundamentais adquiridos ao longo do Ensino Médio. Ulti- mamente têm sido frequentes exercícios que envolvem modalidades de linguagem, domínio vocabular, questões de lieratura, tornando o exame próximo das provas de vestibulares mais tradicionais, como Fuvest, Uni- camp e Vunesp@!. Fuvest: prova bem elaborada, interessante e que, normalmen- te, procura estabelecer relações de conteúdos. Os últimos exames apontam na direção de textos verbais e não verbais, domínio e uso de linguagem, leitura e compreensão das obras obrigatórias, bem como relações que possam ser estabelecidas entre elas. Cabe ressaltar que nos exames mais recentes as questões de literatura têm apresentado um alto grau de complexidade. eneM 2015 – Relação entre texto verbal e não verbal, modelo bastante frequente nos exames atuais. Fuvest - 1ª Fase – entendimento de texto Fuvest - 2ª Fase – avaliação de entendimento e enredo, nas Leituras Obrigatórias Questão 96 Questão 51 - 1ª fase Questão fuvest - 2ª fase enem - proposta de redação V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 18 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicampfuvest vunesp Vunesp e Unifesp: os exames mais tra- dicionais do estado de São Paulo, ou seja, o modelo que menos sofreu modificações nos últimos anos. É uma prova que cobra con- teúdo de Ensino Médio e espera respostas condizentes com o aprendizado do Ensino Médio. Ambos não têm listas de leituras obrigatórias , assim os textos que compõem a prova de literatura são tradicionais dos vários períodos artísticos. Por se tratar de provas mais simples, um erro pode custar uma boa classificação. Cabe ressaltar que a prova da Unifesp é extensa e exige bastante concentração. Unicamp: há pouco tempo que o modelo da prova atual foi definido. Dessa forma, é um tanto precoce tentar estabelecer um padrão. Usualmente, o exame pode ser pensado em duas partes. A primeira, versando sobre lín- gua e linguagem – suas relações sintáticas e semânticas; a segunda, literatura. A lista de obras obrigatórias é vasta e, portanto, não há como se cobrar tudo o que se pede. Não há como fazer um exercício de adivinhação, é fundamental a leitura e a compreensão das obras, até porque, também aqui, as questões de literatura têm se notabilizado por um alto grau de sofisticação. uniCaMp - 1ª Fase – análise e entendimento de texto uniCaMp - 2ª Fase – a partir de texto, conhecimento estrutural da língua e vocabular vunesp - 2ª Fase – Questão que exige conhecimento básico para apreensão de conteúdo relacionado a período composto) As questões 29 e 30 tomam por bas o "Soneto LXVII" ("Considera a vantagem que os brutos fazem aos homens em obedecer a Deus"), de Dom Francisco Manuel de Melo (1608-1666). típica redação argumentativa, com tendências subjetivas unifesp proposta de redação Questão 77 - 1ª fase Questão 1 - 2ª fase redação 1 redação 2 Questão 30 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 19TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 UNIcAmp 2017 Inscrições 1º/agosto a 1º/setembro prova da 1ª fase 20/novembro provas da 2ª fase 15, 16 e 17/janeiro/2017 primeira chamada 13/fevereiro/2017 VUNESp 2017 Inscrições 12/setembro a 10/outubro prova da 1ª fase 13/novembro provas da 2ª fase 18 e 19/dezembro primeira chamada 3/fevereiro/2017FUVESt 2017 Inscrições 19/agosto a 8/setembro prova da 1ª fase 27/novembro provas da 2ª fase 8 a 10/janeiro/2017 UNIFESp 2017 Inscrições 19/setembro a 21/outubro 1ª fase (prova do Enem) 5 e 6/novembro provas da 2ª fase 15 e 16/dezembro primeira chamada 30/janeiro/2017 ItA 2017 Inscrições 1º/agosto a 15/setembro provas 13 a 16/dezembro Escola pública recua na uSP Calendário dos vestibulares 2017 Os vestibulares de 2017 começam em 5 e 6 de novembro com o Enem – Exa- me Nacional do Ensino Médio, que em São Paulo vale como prova da 1ª fase da Unifesp e parte das vagas da USP. Nas universidades estaduais paulistas a Vunesp inicia a seleção de candidatos em 13 de novembro, a Unicamp fará a 1ª fase em 20 de novembro e a Fuvest aplicará sua prova inicial em 27 de novembro. As provas da 2ª fase da Vunesp e da Unifesp serão em dezembro, assim como o vestibular do ITA, em fase única. A 2ª fase da Fuvest e da Unicamp serão em janeiro de 2017. O ingresso de alunos de escolas públicas na USP re- cuou este ano para 34,6% dos aprovados na Fuvest e pelo Enem. No ano anterior, sem Enem, tinha atingido o recorde de 35,1%. A meta para 2016 era 39% e para 2018 é de 50% dos ingressantes. Para isso, no último vestibular a univer- sidade separou 13,5% de suas vagas (1489) para serem preenchidas pelo SiSU – Sistema de Seleção Unificada, com as notas do Enem. Diversos cursos, entre eles Medi- cina Pinheiros, não aderiram ao SiSU e outros colocaram elevadas notas de corte. O resultado é que mais de 40% dessas vagas separadas não foram ocupadas, retornando para candidatos aprovados na Fuvest. No momento, a USP estuda o que fazer para cumprir a meta de 2018. Livros indicados pela Fuvest 2017 Vidas secas – Graciliano Ramos A cidade e as serras – Eça de Queirós O cortiço – Aluísio Azevedo Iracema – José de Alencar Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade Sagarana – João Guimarães Rosa Capitães da areia – Jorge Amado Mayombe – Pepetela A escola pública em 16 anos de Fuvest 25,8 28 28,5 32,3 35,1 34,6 Número de aluNos de escola pública que iNgressaram Na usp (%) - 2001 a 2016 A Fuvest fez quatro mudanças na lista de livros de leitura obrigatória para o vestibular de 2017. Os novos livros são: Iracema, de José de Alencar; Claro enigma, de Carlos Drummond de Andrade; Sagarana, de João Guimarães Rosa; Mayombe, de Pepetela (pseudônimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, escritor angolano). Professores do Etapa apresentam as características, o enredo e os personagens das obras indi- cadas pela Fuvest. Acesse http://www.etapa.com.br/leituraobrigatoria/. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
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  • Ano 24 - Junho de 2016 2016 Balanço dos vestibulares Página 2 Os caminhos de uma boa nota Página 19 Quais fatores influenciam o bom de- sempenho dos candidatos nos vestibula- res? Este é um dos pontos analisados pelo prof. Edmilson Motta, coordenador geral do Etapa, em entrevista publicada nesta edição. Ele comenta também a influência mútua do Enem e dos exames das univer- sidades públicas paulistas, que hoje apre- sentam muitas semelhanças. E ressalta a importância dos simulados na preparação dos candidatos. As provas de 2016 da Fuvest, Uni-camp, Vunesp e Unifesp, e do último Enem, são avaliadas pelos pro- fessores do Etapa Vestibulares, que também selecionaram e comentam questões de cada um desses exames, suas exigências e características – das quais a mais evidente é a aproxima- ção em conceitos e formulação entre o Enem e os vestibulares das univer- sidades estaduais de São Paulo. Calendário dos exames de 2017 Escola pública na USP: 2001/2016 Páginas 3 a 18 As questões reproduzidas nesta edição foram selecionadas como referência ao conteúdo e à abordagem em cada vestibular. Todas as questões dos prin- cipais vestibulares de 2016, com as respostas, estão no Etapa Resolve. www.etapa.com.br/etaparesolve
  • PÁGINA 2 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 Um conjunto complexo de fatores influência nos resultados dos alunos nos vestibulares, entre eles conhecer muito bem as provas – o que se alinha com o conteúdo desta edição de Tendências do Vestibular, que avalia os últimos exames das universidades públicas do Estado de São Paulo, da Unifesp (federal) e do Enem. “Conhecer as provas permite que o candidato do- mine os temas mais recorrentes e consiga as notas de que precisa para entrar no curso que deseja”. O prof. Edmilson Motta ressalva que por mais que o candidato se dedique e alcance um conhecimento mais completo sempre haverá brechas em alguns pontos em que não atingirá a maestria que poderia ter. Para mini- mizar essas defasagens é preciso trabalhar muito. “O candidato precisa ter grande determinação. Cada exercício a mais que ele resolve, cada minuto a mais que dedica a uma leitura, a um entendimento melhor dos textos nas várias disciplinas pode ser justamente o que na hora "h" vai fazer a diferença no resultado, porque cada vez é mais verdade que um ponto pode decidir tudo”. Como exemplo, ele cita o curso de Medicina da Unifesp, onde a nota de corte e a nota do 1º lugar ficaram muito próximas. Nessa preparação, quais devem ser a iniciativas do candidato? "Em princípio, quem estuda e segue orientações já encaminha quase totalmente seu preparo, principal- mente para os cursos mais concorridos". “Notadamente em Medicina, o estudante não tem muita margem para deficiências em sua formação. O candidato que busca um curso com essa exigência deve ter um preparo realmente seguro para encarar qualquer tipo de exercício que possa aparecer nos exames. Tem que aproveitar toda oportunidade de formação, de treino em resolução de exercícios para conseguir um desempenho de alto nível. Em outros cursos também exigentes os erros não são tão impeditivos como na Medicina, mas eles seguem na mesma direção. Um bom preparo é cada vez mais decisivo para conseguir ingressar em Jornalismo, Economia, Engenharia, Di- reito e outros cursos". O que se pode esperar dos exames deste ano? "Este ano, como houve mudanças recentes nos vários vestibulares, não devemos ter surpresas. As provas devem ser similares às dos últimos anos. Os materiais de vestibulares anteriores, os exercícios que os professores costumam preparar baseados em exames já aplicados são um preparo muito confiável para este ano". Similaridade do Enem com os vestibulares tradicionais "Os exames de 30 anos atrás eram muito focados no conhecimento específico de cada disciplina. As questões tinham enunciados curtos, com perguntas bem diretas – o que é isto, calcule, resolva isto. Algu- mas pessoas identificavam o vestibular com decoreba. Saber a fórmula. Isso não é exatamente verdade. Mas os exames eram realmente mais simples. Aí a Vunesp, antes do Enem, começou a se preocupar com a chama- da contextualização, que é colocar as perguntas dentro de um contexto de relevância, cobrando do candidato um entendimento melhor de como aplicar os conceitos que aprendeu. Em vez de formular a questão de ma- neira mais seca, colocá-la dentro de um contexto. Isso se vê em várias perguntas que estão exemplificadas nesta edição nos textos relativos a cada disciplina dos exames analisados. Entra uma historinha antes das perguntas. Depois veio o Enem com essa orientação também e com a preocupação da interdisciplinaridade. Inicialmente, o Enem não tinha divisão por disciplina nem se preocupava com conteúdo, não era essa sua intenção. Mas ele misturava disciplinas. Essa ideia foi trazida para os vestibulares da Fuvest e da Unicamp – principalmente da Fuvest, que tem até uma prova que envolve todas as disciplinas, no segundo dia da 2ª fase. É uma prova escrita, podendo explorar os assuntos com maior profundidade e intensidade. "Se olharmos uma questão de 30 anos atrás e uma questão de hoje, esta vai parecer mais interessante, vai ter um enunciado maior e deve ser mais difícil de resol- ver. Com a contextualização e a interdisciplinaridade o enunciado passou a ser muito decisivo também. Não basta usar o conhecimento teórico, tem de encaixá-lo com a informação oferecida pelo enunciado. "O Enem foi decisivo na exigência de domínio da interpretação de diversas linguagens. É texto, é gráfico, é tabela, é uma pintura, é um quadrinho, é uma charge. A capacidade de tirar informação de diversas fontes, de diversas maneiras, tornou-se imprescindível para se fazer bem uma prova. Nesse sentido, pode-se dizer que os vestibulares se tornaram mais complexos e de certa maneira avaliam melhor as capacidades que o candidato precisa ter para entrar no Ensino Superior. Não é simplesmente conhecer o conceito, mas também entender como o domínio conceitual se encaixa nas aplicações mais relevantes, considerando a área em que ele vai se especializar. Exames tradicionais mantêm-se como referência segura O Enem, de 2008 para 2009, passou a ter um pro- grama e eliminou quase totalmente os vestibulares das universidades federais. Com isso os vestibulares mais estabelecidos em avaliação do domínio progra- mático naturalmente servem como referência. Os exames das estaduais de São Paulo são muito respei- tados nesse sentido e são o que ficou como influên- cia. Existem estaduais boas no Brasil inteiro, mas as estaduais paulistas são as que têm mais alunos e são famosas pela qualidade de seu ensino. "Fuvest, Unicamp e Vunesp são uma referência muito segura sobre como cobrar bem o programa das disciplinas. E percebe-se que no Enem isso ocorre. No conjunto de questões, de muitas não se sabe dizer se são do Enem ou dos vestibulares de uma estadual de São Paulo. Essa influência foi tão grande que às vezes chegam a ser questões idênticas, mesmo tipo de per- gunta, com o mesmo contexto, só mudam os números. Há uma grande convergência, que considero muito positiva porque traz equilíbrio entre cobrança de con- teúdo e exigência de entender o contexto, de aproveitar a informação do enunciado com o conhecimento de diversas linguagens. Os caminhos de uma boa nota E N T R E V I S T A O prof. Edmilson Motta, coordenador geral do Etapa, analisa os fatores que influenciam no bom desempenho dos candidatos nos vestibulares, diz que não se deve esperar mudanças significativas nos exames deste ano, avalia a influência entre o Enem e os vestibulares das universidades estaduais de São Paulo e ressalta a importância dos simulados no preparo dos alunos para enfrentar as provas de seleção para o Ensino Superior. Publicação da Gráfica Editora Guteplan Redação: Rua Vergueiro, 1987 Tel.: (011) 2187.1000 Apoio Editorial Equipe Pedagógica do ETAPA Educacional Editor Responsável Henrique Nunes MTb 9573 Editor de Arte Adriano Emanuel Rodrigues Simulados são fundamentais para ir bem nas provas "Fazer os simulados é ter uma oportunidade única de, além de enfrentar condições similares às da prova, permitir que o estudante sinta todas as dificuldades do exame e saiba lidar com as mais diversas situações", orienta o prof. Edmilson Motta. "Os simulados exigem um alto nível no desempenho. O can- didato pode ter uma formação muito boa, com domínio do conteúdo das disciplinas, só que para dar o salto para um nível de excelência vai precisar conhecer certos detalhes, certas nuances sobre como é a prova e sobre como deve se organizar para ter um desempenho ótimo, que só atinge enfrentando várias vezes uma situação similar à real. É preciso fazer muitos simulados para conseguir isso". Ele informa que os simulados apresentam um nível de exigência equivalente ao das provas e muitas vezes são mais puxados do que a Fuvest – principalmente os simulados finais. "Isso acaba sendo muito positivo porque nos simulados o aluno não tem a pressão de uma prova real, mas tem a pressão de uma prova mais difícil, ainda que próxima da situação que ele vai enfrentar no exame para valer".
  • PÁGINA 3TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem Questão 180 Questão 3 Questão 1 MATEMÁTICA – Semelhanças dos exames V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6 As provas de Matemática mais recentes do Enem têm mantido sua principal característica de abordar questões contextualizadas, ou seja, situações do cotidia- no em que se pode aplicar conhecimentos matemáticos do Ensino Fundamental e/ou Ensino Médio para avaliar ou solucionar um problema. Algumas dessas questões são formuladas em cima de notícias veiculadas em jornais, periódicos ou sites de notícias. Outro ponto de destaque é que, gradativamente, es- sas questões vêm se tornando cada vez mais próximas dos principais vestibulares de São Paulo, tanto nos as- suntos abordados quanto na complexidade, ocasionando o surgimento de tópicos mais técnicos como Trigonometria e Geometria analítica, que há cerca de cinco anos eram praticamente ausentes no Enem. Os temas mais tradicionalmente presentes devem se manter. São eles: Porcentagens (incluindo análise de gráficos / tabelas), Probabilidade e Estatística, Geo- metria (plana / espacial) e Funções. Como se trata de uma prova com 45 testes, pode variar bastante a forma como tais assuntos são abordados. Professor Alexandre Borges O exame da Fuvest tem um formato menos contextualizado que as provas do Enem, com poucas questões com essa característica, tanto na 1ª quanto na 2ª fase. Nas provas de Matemática predominam questões mais diretas e com enunciados mais curtos. Os assuntos tradicionais, como Geometria plana / espacial, Ex- ponenciais e Logaritmos, Sequências e Progressões, Combinatória / Probabilidade e Funções, marcam as provas em todas as fases. Na 2ª fase, enquanto a prova do segundo dia tem um caráter interdisci- plinar, envolvendo questões que muitas vezes exigem algum conhecimento de outras disciplinas, a prova do terceiro dia tem um caráter mais técnico, com questões bem mais exigentes e em maior número. Fuvest 2016 – 1ª Fase – Questão interdisciplinar com Física, atualmente frequente nas provas de Matemática eneM 2015 – trigonometria, questão que evidencia uma aproximação do enem aos vestibulares das estaduais palistas. Fuvest 2016 – 2ª Fase – Conhecimentos específicos, mais exigência dos candidatos
  • PÁGINA 4 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 vunesp unicamp Os exames da Unicamp são semelhantes aos da Fuvest nos assuntos predominantemente abordados e grau de exigência, mudando apenas o formato dessas provas e com um pouco mais de contextualização tanto na 1ª como na 2ª fase. Vale ressaltar que nas provas mais recentes da 1ª fase da Unicamp tem sido incluída uma questão sobre deslocamento de gráficos de função, pouco exigida em outros exames. Das universidades estaduais paulistas, o exame de Matemática da Vunesp é o que mais contextualiza suas questões e faz isso de uma maneira simples e de fácil compreensão. Suas provas de 1ª fase mostram preferência por Geometria (plana/espacial) e questões en- volvendo análise de gráficos e diagramas. As provas da 2ª fase envolvem apenas três questões dissertativas, de baixa a média complexidade e que normalmente permeiam pelos tópicos Geometria, Trigonometria e Combinatória /Probabilidade, entre outros. unifesp A prova de conhecimentos específicos da Unifesp conta com cinco questões dissertativas de Matemática, na maioria das vezes contextualizadas e que, em geral, apesar do número re- duzido de questões, consegue ser abrangente, pois aborda os prin- cipais tópicos do Ensino Médio: Geometria, Geometria analítica, Trigonometria, Combinatória/ Probabilidades, Exponenciais/ Logaritmos e Funções. Geral- mente são questões de média complexidade,que cumprem o papel de selecionar os candidatos mais preparados. uniCaMp 2016 – 1ª Fase – Questão envolvendo deslocamento gráfico, presente em outras edições do exame. vunesp 2016 – 2ª Fase – Questões contextualizadas envolvendo atualidades existe uma razoável tendência a abordar temas de atualidades nas questões contextualizadas em quase todos os exames citados. assuntos como doenças causadas pelo aedes egypt, evasão popu- lacional na síria etc. podem ser cobrados mesmo nas provas de Matemática, juntamente ou não com outras disciplinas. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 5TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem FíSICA – Exige conceitos e cálculos As 15 questões de Física do Enem 2015, de forma geral, tiveram um grau de dificuldade médio, sendo que duas delas foram consideradas de alta complexidade. Nenhuma questão apresentou qualquer tipo de problema em seu enunciado e todas exigiram um conhecimento de conceitos que, sem eles, tornava-se impossível resolvê-las corretamen- te. Foram cobrados assuntos das principais partes do programa, como Mecânica, Termologia, Óptica, Ondulatória e Eletricidade. Manteve- se a tradição de questões contextualizadas, porém formuladas com enunciados mais curtos e sem exageros em detalhes secundários. Um fator positivo foi um maior equilíbrio entre questões puramente con- ceituais e outras que exigiam também cálculos aritméticos, equilíbrio esse inexistente em anos anteriores. Em apenas um aspecto a prova de Física do Enem ainda está bem diferente dos vestibulares tradicionais: a distribuição clássica dos assuntos, respeitando a proporção de cada parte do programa da matéria, distribuída durante os anos do Ensino Médio. Como exemplo, no Enem 2015 apenas uma questão exigiu conceitos de Eletricidade, assunto que corresponde aproximadamente a 30% do programa de Física estabelecido pelo próprio Enem. Por outro lado, tivemos muitas questões envolvendo Óptica e Ondulatória e poucas envolvendo Mecânica, evidenciando um grande desequilíbrio na distribuição tradicional das partes da Física. Pela maneira que a participação da Física no Enem vem evoluindo, é muito provável que as questões dessa matéria no exame de 2016 sejam bem abrangentes no conteúdo, exijam conhecimento dos princi- pais conceitos e também uma boa habilidade nos cálculos aritméticos, além de apresentarem uma contextualização mais direta. Espera-se que mais um passo seja dado nessa evolução, com distribuição mais equilibrada de assuntos, respeitando melhor a proporcionalidade com o programa de Física de todo o Ensino Médio. Professor Alexandre l. Moreno As questões de Física na Fuvest 2016 não apresentaram muitas surpresas, tanto na 1ª como na 2ª fase. A contextualização foi bastante direta e em algumas questões nem foi usada. A interdisciplinaridade apareceu de forma diluída, sem grandes dificuldades. A distribuição de assuntos ficou dentro da média dos últimos anos, com Mecânica e Eletricidade ocupando 65% da prova, apro- ximadamente. Novamente o assunto Física Moderna foi cobrado de forma interpretativa, já que os conceitos fundamentais foram forne- cidos pelo próprio enunciado da questão, com o Note e Adote. Em relação ao formato, na 1ª fase manteve-se o esquema tradicional, com equilíbrio entre questões conceituais e outras que exigiam também cálculos aritméticos. Na 2ª fase, todas as questões exigiram conceitos e cálculos aritméticos. É importante destacar que a prova de Física da Fuvest 2016 foi bastante exigente nos cálculos, tanto na quantidade como na dificuldade dessas operações. Um candidato com boa habilidade aritmética foi bastante beneficiado. eneM 2015 – Maior grau de complexidade – esta questão do último exame envolve conceitos de óptica considerados de maior complexidade e com pouca presença em vestibulares de conhecimentos gerais. Questão 46 Fuvest 2016 – 1ª Fase – interdisciplinaridade – Questão explora conceitos de Física e Geografia. É um formato de questão com presença consolidada na 1ª fase da Fuvest. Questão 35 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 6 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp vunesp De todos os vestibulares paulistas, a prova de Física da Vunesp, tanto a de conhe- cimentos gerais como a de conhecimentos específicos, é aquela com menor grau de dificuldade. A distribuição de assuntos é tradicional, com Mecânica e Eletricidade como tópicos principais. As questões são clássicas, cobrando conceitos bem conhecidos e poucos cálculos. A presença da contextualização é recente e apresentada de forma direta. Tanto na Vunesp 2016 como em anos anteriores, a prova de Física foi simples, de forma geral. Nas duas últimas provas de 1ª fase da Unicamp, desde que esta foi alterada, as questões de Física não apresentaram grandes dificuldades. Com contextualização direta e cálculos simples, os conceitos físicos envolvidos estão entre os mais tradi- cionais do programa do Ensino Médio. A distribuição de assuntos ainda não atingiu uma estabilidade, como a de outros vestibulares. Na 1ª fase da Unicamp 2016, por exemplo, tivemos uma forte presença de Cinemática representando mais de 30% da prova, número muito acima da média correspondente a esse capítulo da Mecânica. Esse desequilíbrio já havia ocorrido com o assunto Gravitação no exame anterior. Já as questões de Física na 2ª fase apresentaram características bem parecidas nos últimos anos, com um grau de dificuldade muitas vezes superior ao da Fuvest, com questões exigentes e cálculos trabalhosos. uniCaMp 2016 – 2ª Fase (contextualização) – a prova de Física da unicamp foi pioneira na utilização de questões contextualizadas. As cinco questões escritas de Física da Unifesp 2016 foram muito bem feitas, não apre- sentando nenhum problema nos enunciados. Esse detalhe é importante, já que em provas anteriores ocorreram alguns erros na formulação das questões. A distribuição de assuntos foi muito equilibrada, com duas questões de Mecânica, uma de Termologia, uma de Eletricidade e uma de Óptica Geométrica. Apesar de cobrar conceitos clássicos em questões de nível médio, a prova exigiu uma habilidade razoável em cálculos aritméticos. vunesp 2016 – Conhecimentos específicos – a prova de Física da vunesp é aquela que apre- senta questões mais clássicas, sem muita pre- ocupação com a contextualização, explorando conceitos físicos de forma direta. unifesp Questão 10 Questão 180 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 7TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 enem fuvest BIOlOGIA - Conteúdo abrangente Professor Roberto Biasoli A prova de Biologia do Enem 2015 apresentou 14 testes de temas importantes, como Citologia, Zoofisiologia, Genética, Ecologia e Evolução. Alguns testes foram ilustrados com gráficos e todos exigiram dos candidatos um bom conhecimento técnico nos temas citados anteriormente. Um dos testes abordou o as- sunto de primeiros socorros (queimadura da pele). eneM 2015 – procedimentos de primeiros socorros serviram de contexto para uma abordagem não convencional sobre o corpo humano. Fuvest 2016 – 1º Fase – Questão interdisciplinar com Física e Química, exigindo dos candidatos análise de gráfico e conhecimentos de botânica. Os 11 testes apresentados na 1ª fase da Fuvest 2016 aborda- ram temas de Zoofisiologia, Ecologia, Genética, Botânica e Cito- logia. Foi uma prova mais exigente que a dos anos anteriores. O teste interdisciplinar exigiu conhecimentos de Física, Química e Biologia. Um dos testes de Botânica foi anulado pela banca examinadora devido a uma imprecisão conceitual. No 2º dia da 2ª fase entrou de Biologia apenas um dos itens de uma questão escrita sobre Zoofisiologia, interdisciplinar com Literatura (poema "Madrigal Lúgubre", da obra Sentimentos do mundo, de Carlos Drummond de Andrade, que era leitura obrigatória da Fuvest). O 3º dia da 2ª fase apresentou seis questões de temas como eco- logia, citologia, botânica e com um predomínio de zoofisiologia. A prova foi mais complexa que a do ano anterior e constou de ques- tões que exigiram dos candidatos uma interpretação cuidadosa dos gráficos e até de a elaboração de um experimento sobre enzimas da digestão. Questão 66 Questão 34 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 8 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp fuvest Os 11 testes da 1ª fase versaram sobre os temas de Evolução, Ecolo- gia, Botânica, Zoofisiologia e Genética. A prova foi bem mais exigente do que nos anos anteriores, desafiando os candidatos com análise de gráficos, esquemas e até mesmo noções de Microscopia. As seis questões do terceiro dia da 2ª fase abordaram temas de Botânica, Zoofisiologia, Citologia, Genética e Ecologia. Além da boa distribuição pelos temas da disciplina, os candidatos tiveram que dominar assuntos atuais. Por exemplo, o candidato tinha que descrever uma técnica para produzir mosquitos Aedes aegypti transgênicos e fazer o desenho de uma célula vegetal indicando estruturas que desempenham determinadas funções. Foi uma ava- liação adequada para candidatos bem preparados. uniCaMp – 1º Fase – assuntos tradicionais abordados de forma criativa. são exigidos conhecimentos básicos de botânica e de genética. uniCaMp – 2º Fase – Questão conceitualmente simples. O aluno deveria saber repre- sentar uma célula vegetal e não somente identificar estruturas em um desenho já pronto. As cinco questões escritas propostas pelos examinadores constaram de temas de Ecologia, Botânica, Genética e de partes combinadas (Evolução/Citologia). A prova foi bem elaborada, com assuntos atuais e contextualizada. Os sete testes da 1ª fase aborda- ram temas de Botânica, Zoofisiolo- gia, Ecologia, Genética e Citologia, ilustrados com gráfico, esquema e figura. As questões apresentaram um certo grau de contextualização. Um teste de Dcologia admitiu duas alternativas corretas. A 2ª fase constou de três questões bem elaboradas, de temas de Zoo- fisiologia e Botânica. As questões tiveram uma abordagem criativa e contextualizada, exigindo dos candi- datos grande capacidade analítico- expositiva. As células apresentam estruturas e funções diferenciadas de acordo com o orga- nismo ou tecido em que se encontram. a) desenhe uma célula que contenha as organelas responsáveis pela respiração celular, pela fotossíntese, pela transcrição do RNA e pela síntese de proteínas. b) Descreva a morfologia e indique as funções das estruturas que delimitam a célula desenhada. unifesp vunesp Questão 15 Questão 15 Fuvest – 2º Fase – Questão exigente, na qual o candidato deveria relacionar as informações apresentadas em três gráficos diferentes sobre relações ecológicas. Questão 1 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 9TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem unifesp vunesp QuíMICA – Vestibulares se alinham Há alguns anos começou a haver um alinha- mento entre os vestibulares das principais universi- dades paulistas (Fuvest, Unicamp e Vunesp) com o Enem no tocante ao tipo de enunciado e ao conteúdo das questões de Química. Em 2015, isso tornou-se notório, não havendo muita distinção entre as ques- tões da 1ª fase da Fuvest e as do Enem. De modo geral, os testes de múltipla escolha de Química das primeiras fases da Fuvest, da Unicamp e da Vunesp, bem como do Enem, são contextua- lizados, com textos diretos e claros. Como esses exames são longos, exigem do aluno rapidez na interpretação dos textos e na execução dos cálculos matemáticos,quando necessário. Já as questões dissertativas da Fuvest, Unicamp, Vunesp e Unifesp têm enunciados mais longos, muitas vezes apresentando infográficos e esquemas de reações químicas que exigem dos alunos, além de bom conhecimento dos conceitos fundamentais da Química, a capacidade de relacionar tais esque- mas a fim de elaborar a resposta mais adequada à questão proposta. Analisando esses cinco exames como um todo, percebe-se que há um predomínio claro de questões envolvendo Físico-Química e Química Geral. Mais de dois terços de todas as questões desses vestibu- lares envolveram esses dois assuntos, sendo isso uma tendência que ocorre já há algum tempo. Outro aspecto interessante é o uso da Química Orgânica como “pano de fundo” nas questões, ou seja, o texto fala sobre algum tema de Orgânica, mas, na verdade, a questão cobra conhecimentos de Química Geral, Físico-Química ou Estrutura da Matéria. Professor João Pitoscio Filho 1ª Fase - Em 2016 as questões não tiveram o mesmo teor inter- disciplinar do ano anterior. Foi uma prova exigente, bem elaborada, abordando os principais tópicos da Química. Menos da metade das questões cobrou cálculos matemáticos, mas elas exigiram dos candidatos uma boa dose de interpretação de textos. 2ª Fase - 2º dia - A prova do segundo dia privilegiou os temas interdisciplinares, contando com questões bem escritas, de forma clara e direta. O foco foi em Química Geral, o que é bem apropriado ao público-alvo, candidatos de todas as áreas. Conceitos de Geometria, Geografia, Biologia e Física foram ne- cessários para a resolução de algumas questões. 3º dia - Com aproximadamente 67% das questões versando sobre Físico-Química, a prova do terceiro dia exigiu bons conhe- cimentos de Soluções, Oxidorredução e Cinética Química. Nas duas provas da 2ª fase foram cobradas questões de Estrutura da Matéria, algo que não acontecia há muito tempo. Dentre todos os exames analisados, o vestibular da Unifesp é o único que tem seguido uma fórmula bem definida já há algum tempo. A prova contém cinco ques- tões, duas das quais de Físico-Química e uma de cada um dos outros grandes temas da Química (Estrutura da Matéria, Química Geral e Química Orgânica), sen- do que, muitas vezes, temas da área de saúde servem de contexto para a elabo- ração das questões. É um exame exigente que afere bem o nível de conhecimento dos candidatos. 1ª Fase Com boa distribuição entre os principais tópicos da matéria, a prova contou com ques- tões diretas e claras, porém abordou temas distantes do cotidiano dos estudantes. 2ª Fase A Vunesp mostra a importância que a Físico-Química e a Química Geral têm nos grandes vestibulares. A prova foi centrada nesses dois temas,com questões envolvendo Eletroquímica, Soluções e Estequiometria. esta é uma questão de Físico-Química envolvendo todos os aspectos do preparo de uma solução e sua Diluição. este tipo de questão era inimaginável no enem há alguns anos atrás, ela tem muito “a cara” da Fuvest, fato que enfatiza o alinhamento entre esses dois exames. a questão aborda o mesmo tema/assunto cobrado no teste 69 do enem, a única diferença é que o aluno necessita de conhecimentos sobre equilíbrios iônicos – Ácidos e Bases para poder resolvê-la. Questão 69 Questão 11 - 1ª fase Mantendo a tendência do ano anterior, a prova apresentou enunciados diretos com predominância em Físico-Química. Neste ano, a temática ambiental não foi tão explorada e, em algumas questões, não houve a tradicional preocupação em abordar temas do cotidiano. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 10 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest unicamp Questão de estequiometria envolvendo a pureza de um dos reagentes (Química Geral). a questão tem um viés interdisciplinar com Matemática, exigindo domínio de conceitos básico de Geometria plana. Questão 7 - 2ª fase - segundo dia 1ª Fase - Investindo em um formato que privilegiou a análise e interpretação de textos e sem exigência de cál- culos matemáticos, a prova cobrou os principais temas da Química,com ênfase em Química Geral, o que a tornou bem mais equilibrada do que no ano anterior, no qual 90% das questões foram de Físico-Química. 2ª Fase - Novamente a dupla Química Geral e Físico- Química está presente nessa fase do vestibular da Unicamp, com questões contextualizadas. Temas como o tingimento de couro, alucinógenos, meio ambiente e poluição, assim como a interpretação de gráficos e figuras e a construção de um gráfico de decaimento, moldaram a prova. Outra questão de Química Geral, desta vez abordando o tema/assunto Fundamentos da Química. O diferencial dessa questão, realmente diferente e desafiadora, é como o assunto foi abordado. a partir da análise de um infográfico o candidato precisava correlacionar o desempenho aeróbico de homens e mulheres de diferentes idades e depois retirar informações do gráfico para realizar os cálculos pedidos. Questão 2 Como pode-se perceber, a escolha das questões respeita dois aspectos básicos: 1. O alinhamento entre os grandes vestibulares paulistas, em especial a Fuvest, com o enem. 2. a abordagem de dois temas/assuntos que na maioria dos casos perfazem mais de 70% das provas: Físico-Química e Química Geral. ANÁLISE GERAL V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 11TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp enem GEOGRAFIA - Diversidade de assuntos Apesar das diversas tendências e variações de forma e conteúdo entre os exames seleciona- dos, podemos constatar algumas características comuns nas provas de Geografia, como: Grande abrangência do programa, pressupondo conhecimento do conteúdo referente à matéria do Ensino Fundamental e do Ensino Médio; Marcante diversidade de assuntos a que se presta a disciplina, que trata de aspectos naturais, humanos, econômicos, socioculturais, geopolíticos e ambientais. Enfim, um típico exame de conhe- cimentos gerais, com a tradicional divisão entre questões de Geografia do Brasil, Geografia Geral e Geografia Regional do Mundo. – Geografia do Brasil: problemas sociais e urbanos, ambientais, econômicos – agropecu- ária, indústria, transporte e recursos naturais [fontes de energia e minérios], desequilíbrios regionais, além de domínios naturais. – Geografia Geral: geopolítica [mundo con- temporâneo], cartografia, pedologia, geomorfo- logia, climatologia, geopolítica dos mares e oce- anos, problemas ambientais, economia mundial [agropecuária, indústria, transportes e recursos naturais – fontes de energia e minérios), além problemas populacionais (urbanos e sociais]. – Geografia Regional do Mundo: Estados Unidos, União Europeia, Rússia, China, Japão, Índia, Tigres Asiáticos, América Latina, África Subsaariana, Mundo Muçulmano (África Me- diterrânea e Oriente Médio). As provas, em sua maioria, apresentam o predomínio de questões de Geografia do Brasil (50%), seguidas de Geografia Geral (30%) e Ge- ografia Regional do Mundo (20%). As questões de atualidade supõem a infor- mação sobre eventos e fatos recentes (inclusive nos meses imediatamente anteriores à prova) de âmbito nacional e internacional, tanto na política quanto na economia, sociedade e meio ambiente. Muitas questões exigem do candidato a capacidade de compreensão e análise de textos, tabelas, gráficos e mapas. As questões nos vestibulares vêm privilegiando a interdisciplinaridade e temas que possam ser contextualizados. Dessa forma, mesmo temas tradicionais acabam tendo uma abordagem mais atual. Professor Omar Fadil Bumirgh GRAu DE COMPlEXIDADE DAS PROVAS 1ª fASE Enem, Vunesp, Unicamp e fuvest questões de baixa a média complexidade 2ª fASE Vunesp fuvest e Unicamp questões de média a elevada complexidade atualidades Questão clássica atualidades Prova com questões contextualizadas e interdisciplinares, apresentando baixo grau de complexidade. A prova da Unicamp, mesclando ques- tões clássicas e atuais, foi a mais bem ela- borada por exigir capacidade de análise, interpretação e domínio de conteúdo. Questão 13 Questão 16 Questão 103 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 12 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 vunesp fuvest atualidades e interdisciplinaridade Clássica com enfoque atual Dos exames, foi o que apresentou maior grau de complexidade, mesclando temas atuais aos clássicos, que exigem maior preparo por parte dos alunos. Fugindo de sua tradição, a Vunesp elaborou este ano uma prova mais complexa e eficiente na avaliação dos candidatos. Também apresentou questões interdisciplinares e contextualizadas. Questão 8 Questão 66 atualidades Questão 2 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 13TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem A prova de História do Enem costuma trazer um nú- mero grande de questões (15 no último exame) permitindo perguntas sobre diversas partes do programa. Predomi- nam, no entanto, questões de História do Brasil (em 2015 foram 10) e chama atenção a importância crescente de questões sobre África. Dessa forma, o aluno deve ficar atento ao longo das aulas de História e Geografia sempre que aparecerem referências ao continente africano. Às vésperas de uma prova, se o aluno quiser fazer uma breve revisão, recomendamos atenção especial aos temas de História do Brasil, principalmente aspectos da formação da sociedade e do Estado nacional. As questões de História têm sido cada vez mais exigen- tes, procurando selecionar alunos capacitados em leitura e interpretação de textos, análise de imagens, além do do- mínio de ferramentas fundamentais no estudo da história como cronologia e contextualização. No caso de Filosofia tem aparecido um número razo- ável de questões (em 2015 foram 6), geralmente exigindo prática com interpretação de textos e um conhecimento mais elementar acerca dos principais pensadores. No último ano predominaram questões sobre política. Já no caso de Sociologia o aluno deve se concentrar na leitura dos textos e enunciados. No ano passado predo- minaram perguntas envolvendo o tema da identidade, ou seja, os processos diversos de constituição do “eu” e suas relações com a vida em sociedade e em grupo. HISTóRIA - Valorização da leitura Professor Thomas Wisiak A parte de História na 1ª fase da Fuvest trouxe um grande número de questões (11), permitindo uma boa distribuição das perguntas ao longo do programa, sempre lembrando a importância da história da América. É uma prova que seleciona o aluno experiente em leitura e interpreta- ção de textos e enunciados, além da análise de imagens e gráficos. Tem seguido a tendência observada nos grandes vestibulares nos últimos anos de cobrar um maior número de questões sobre a história mais recente, tanto de Brasil quanto de Geral. Dessa forma, se o aluno tiver interesse em fazer uma breve revisão antes da prova, vale a pena focar na parte de História do Brasil repu- blicano e na parte de História Geral Contemporânea. Na 2ª fase a prova de História do segundo dia costuma trazer questões interdisciplinares, ou seja, tentativas de relacionar conteúdos, métodos e abordagens de diversas disciplinas. Para se preparar para questões in- terdisciplinares, recomenda-se que o aluno fique atento às relações que os professores costumam fazer na sala de aula, especialmente considerando as disciplinas mais próximas, como – no caso de História – Filosofia, So- ciologia, Geografia e Artes. No terceiro dia da prova de 2ª fase temos também uma lista grande de questões, exigindo experiência com textos, imagens e também aná- lise de dados e informações, ou seja, conhecimento de técnicas de inter- pretação e elaboração de gráficos. Vale lembrar que a Fuvest costu- ma trazer questões, testes e escritas, exigindo conhecimento de temas da atualidade, procurando o domínio não só de informações sobre o pro- blema em questão, mas também suas possíveis relações com o passado. a análise das imagens, combinada com o domínio da cronologia, permite chegar à resposta correta para lidar com questões de História que envolvem interdis- ciplinaridade, fique atento às áreas de conhecimento mais próximas, como artes, Literatura, Geografia, sociologia e Filosofia. a questão abaixo é interdisciplinar com Física. Questão 21 Questão 13 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 14 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp fuvest A prova de História na 1ª fase da Uni- camp traz uma lista razoável de questões, permitindo uma boa distribuição das perguntas ao longo do programa. Cabe destacar, também, a importância da parte de História da América. Essa prova costuma ser bastante exi- gente na interpretação de textos e contextu- alização dos assuntos, além de tentar uma interface com outras disciplinas – situação geralmente conhecida como interdiscipli- naridade. A 1ª fase pode trazer questões de Filoso- fia (em 2016 foram duas) e também Socio- logia, geralmente apoiadas na interpretação de textos e no conhecimento elementar dos grandes pensadores. A 2ª fase da Unicamp também traz um grande número de perguntas em que há uma certa tradição de exigir no item “a” uma boa compreensão do texto e no item “b” um domínio aprofundado do conteúdo de história. Na prova de História da Unicamp há uma certa tendência de trazer temas ligados aos direitos humanos e movimentos so- ciais, como, por exemplo, o abolicionismo no Brasil do século XIX ou a questão dos negros na sociedade brasileira. A prova de História da Vunesp na 1ª fase traz um grande número de questões (12), exigindo portanto o domínio de todas as partes do programa da disciplina. Mas a prova segue a tendência de cobrar um número um pouco maior de questões sobre a história mais recente. Dessa forma, se o aluno pretende fazer uma revisão antes da prova, uma sugestão é privilegiar a parte de História Geral Contempo- rânea e também do Brasil republicano. As questões da 1ª fase da Vunesp podem muitas vezes trazer temas clássicos do programa, como as relações de suserania e vassalagem na sociedade feudal ou a plantation na história da colonização europeia da América, mas podem apre- sentar dificuldades nos enunciados e textos empregados. Portanto, o aluno deve ter muito cuidado com a leitura durante a prova para identificar a intenção do exercício. O domínio de temas de atualidades também é importante. Na parte de Filosofia tem aparecido um número grande de questões, mas em geral são questões relativamente fáceis de responder, apoiando-se na interpreta- ção de textos. Em 2016 predominaram perguntas sobre ética e a prova aproveitou principalmente textos de jornais e revistas. Na 2ª fase da Vunesp não há um número grande de questões, mas são bas- tante exigentes, pois apesar de muitas vezes abordarem algum assunto clássico, esperam que o estudante tenha um domínio aprofundado do assunto. No prova de 2016 entrou uma questão sobre o Regime Militar no Brasil (1964-85), que é considerado um assunto clássico, mas a pergunta era sobre a cultura na época. Uma sugestão para o aluno que deseja fazer uma breve revisão antes da prova é se dedicar aos diversos temas de História Contemporânea do século XX, espe- cialmente o período conhecido como Guerra Fria. Em relação a Filosofia, o conhecimento do pensamento de grandes filóso- fos e seu contexto são fundamentais e para tanto o programa de História pode ajudar muito. Vale destacar a importância do treinamento com redação para que o aluno organize muito bem suas ideias ao responder questões de História e Filosofia. O domínio da cronologia ajuda a identificar o período histórico e, consequentemente, as principais características da época vunesp Questão 82 Questão 4 as atualidades podem aparecer exigin- do informações bastante recentes, mas também estabelecendo comparações com outras épocas ou períodos históricos V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 15TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvest enem INGlêS - Interpretação de textos Os grandes exames de Inglês cobram, atualmente de modo quase exclusivo, questões de interpretação de texto. A intenção das bancas organizadoras é avaliar a ca- pacidade do candidato de localizar, entender e reproduzir em língua portuguesa informações relevantes de textos em inglês. Esses textos pertencem a diversos gêneros (jornalístico, charges e tirinhas, letras de música, poesia e literatura, publicidade e reproduções de conversas e textos de redes sociais são os mais comuns) e a diferentes graus de formalidade e respeito à norma culta. Com relação às perguntas feitas, elas trazem em geral alternativas em Português (outra vez, para aferir a compreensão da informação pedida) e que são, no mais das vezes, traduções quase literais de trechos breves dos textos. Nos casos mais raros em que há alternativas em inglês (Vunesp e Unifesp), elas são em geral paráfrases de trechos do texto e tendem a ser de nível mais elevado pois exigem do candidato um maior domínio de vocabulário e sinônimos no idioma inglês. No que diz respeito aos assuntos abordados nos tex- tos, os jornalísticos costumam tratar de assuntos atuais (muitas vezes a respeito do Brasil) e que sejam de interes- se geral (os grandes fatos que ocorrem no mundo no ano de aplicação do exame. Ex: grandes eventos esportivos, grandes tragédias humanas e naturais, decisões políticas de impacto global etc.). Algumas exceções merecem destaque: nos últimos anos, a prova da Vunesp tem sido temática, ou seja, todos os textos tratam de um mesmo assunto (greenwashing – a ideia de uma empresa tentar se vender como ecologicamente correta, sem o ser de fato –, concentração de riqueza, a importância da leitura etc.) e a prova de 2ª fase da Unifesp, por ser aplicada a candidatos de alguns cursos da área de saúde, tende a privilegiar textos dessa mesma área. Não são textos técnicos, mas textos para um público geral. As questões dissertativas da Fuvest e da Vunesp seguem esse mesmo padrão de escolha de textos com perguntas e respostas em língua portuguesa. A seguir, algumas características de cada exame. Professor Tadeu Okubaro About half of the world’s population is at risk of contracting dengue, according to the World Health Organization. The mosquito is found in tropical and subtropical climates around the world; however, dengue does not naturally occur in these creatures: the mosquitoes get dengue from us. The mechanism of dengue infection is simple. Female mos- quitoes bite humans because they need the protein found in our blood to produce eggs. (Male mosquitoes do not bite.) If the mosquito bites someone with dengue – and then, after the virus’s roughly eight- to 12-day replication period, bites someone else – it passes dengue into its next victim’s bloodstream. There is no vaccine against dengue, but infecting mosquitoes with a natural bacterium called Wolbachia blocks the insects’ ability to pass the disease to humans. The microbe spreads among both male and female mosquitoes: infected females lay eggs that harbor the bacterium, and when Wolbachia✄free females mate with infected males, their eggs simply do not hatch. Researchers are now releasing Wolbachia-infected females into the wild in Australia, Vietnam, Indonesia and Brazil. Scientific American, June 2015. Adaptado. Segundo o texto, a bactéria Wolbachia, se inoculada nos mosquitos, bloqueia a transmissão da dengue porque a) torna os machos estéreis. b) interfere no período de acasalamento dos mosquitos. c) impede a multiplicação do vírus nas fêmeas. d) impede a eclosão dos ovos que contêm o vírus. e) diminui a quantidade de ovos depositados pelas fêmeas Worrying: A Literary and Cultural History. By Francis O’Gorman. Bloomsbury; 173 pages. When he is not teaching Victorian literature at the University of Leeds or writing books, Francis O’Gorman admits to doing a lot of unnecessary brooding. “Worrying: A Literary and Cultural History” is his affectionate tribute to low-level fretting – what the author calls “the hidden histories of ordinary pain” – in everyone’s life. Humanity’s sense of anxiety has deep roots. Contemporary angst is inextricably tied up with living in an advanced, hypermodern society, and yet, when worrying takes hold, it often does so in ways that appear altogether premodern, even pre-Enlightenment. If there is a message in the book, it addresses the everexpanding cottage industry around happiness and wellbeing. The latest edition of the American Psychiatric Association’s “Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorder, DSM-5”, has broadened psychiatry’s reach into everyday life, medicalising and stigmatising an ever greater number of quirks and foibles. Against this backdrop, Mr O’Gorman’s celebration of the wonderful eccentricity of human nature is both refreshing and necessary. He believes that “being a modern worrier is just... the moth-eaten sign of being hu- man” and playfully suggests that people should refine Descartes’s famous dictum to: “I worry, therefore I am.” The Economist, August 1st-7th 2015. Adaptado. Levando-se em conta que o texto é parte de uma resenha de um livro, responda, em português, às seguintes perguntas: a) Qual é o objetivo do autor do livro? b) De que forma o propósito do livro de O’Gorman se opõe ao que é proposto pela Associação Americana de Psiquiatria? c) Qual é a sugestão do autor do livro para modificar a famosa frase de René Descartes “Penso, logo existo”? My brother the star, my mother the earth my father the sun, my sister the moon, to my life give beauty, to my body give strength, to my corn give goodness, to my house give peace, to my spirit give truth, to my elders give wisdom. Disponível em: www.blackhawkproductions.com. Acesso em: 8 ago. 2012. Produções artístico-culturais revelam visões de mundo próprias de um grupo social. Esse poema demonstra a estreita relação entre a tradição oral da cultura indígena norte-americana e a a) transmissão de hábitos alimentares entre gerações. b) dependência da sabedoria de seus ancestrais. c) representação do corpo em seus rituais. d) importância dos elementos da natureza. e) preservação da estrutura familiar. Enem: cinco testes com alter- nativas em português baseados em cinco textos diferentes. As questões do Enem, em geral, privilegiam a compreensão global do texto, sua informação mais relevante, e rara- mente se detêm em pontos específi- cos ou marginais dos textos. Questão que pede a informação mais global do texto. a alternativa correta, D, faz uma leitura da principal informação transmitida pelo poema. Questão que busca uma informação específica do texto. a alternativa correta, D, é uma tradução quase literal de um trecho do texto: "when Wolbachia-free females mate with infected males, their eggs simply do not hatch" Questão escrita com crescente complexidade da informação pedida. Fuvest: 1ª fase com cinco testes com alternativas em português geralmente baseadas em dois textos que tendem a ser jornalísticos. Na 2ª fase, duas questões dissertativas com itens "a" e "b" baseadas em textos que também tendem a ser jornalísticos. Normalmente o item "a" pede uma informação mais genérica e fa- cilmente localizável (por meio de palavras-chave) e o item "b" costuma ser um pouco mais complexo: pede uma informação não tão óbvia ou que demande uma enem 2015 1ª fase 2ª fase leitura e interpretação mais aprofundadas do texto. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 16 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicamp unifesp Nobel winner Malala opens school for Syrian refugees Sylvia Westall July 13, 2015 Bekaa Valley, Lebanon nobel peace prize laureate Malala Yousafzai gestures inside a classroom at a school for syrian refu- gee girls, July 12, 2015. (Reuters/Jamal saidi) Malala Yousafzai, the youngest winner of the Nobel Peace Prize, celebrated her 18th birthday in Lebanon on Sunday by opening a school for Syrian refugee girls and called on world leaders to invest in “books not bullets”. Malala became a symbol of defiance after she was shot on a school bus in Pakistan in 2012 by the Taliban for advocating girls’ rights to education. She continued campaigning and won the Nobel in 2014. “I decided to be in Lebanon because I belie- ve that the voices of the Syrian refugees need to be heard and they have been ignored for so long,” Malala told Reuters in a schoolroom decorated with drawings of butterflies. The Malala Fund, a non-profit organization that supports local education projects, provided most of the funding for the school, set up by Lebanon’s Kayany Foundation in the Bekaa Valley, close to the Syrian border. The Kayany Foundation, established by Syrian Nora Joum- blatt in response to Syria’s refugee crisis, has already completed three other new schools to give free education to Syrian children in Lebanon. The Malala school can welcome up to 200 girls aged 14 to 18. “Today on my first day as an adult, on behalf of the world’s children, I demand of leaders we must invest in books instead of bullets,” Malala said in a speech. Lebanon is home to at least 1.2 million of the 4 million refugees that have fled Syria’s war to neighboring countries. There are about 500,000 Syrian school-age children in Lebanon, but only a fifth are in formal education. “We are in danger of losing generations of young Syrian girls due to the lack of education,” Joumblatt said in a speech at the opening of the school. “Desperate and displaced Syrians are increasingly seeing early marriage as a way to secure the social and financial future of their daughters. We need to provide an alternative: Keep young girls in school instead of being pressured into wedlock.” Lebanon, which allows informal settlements on land rented by refugees, says it can no lon- ger cope with the influx from Syria’s four-year conflict. More than one in four people living in Lebanon is a refugee. The United Nations says the number of Syrian refugees in neighboring countries is expected to reach 4.27 million by the end of the year. “In Lebanon as well as in Jordan, an increasing number of refugees are being turned back at the border,” Malala said. “This is inhuman and this is shameful.” Her father Ziauddin said he was proud she was carrying on her activism into adulthood. “This is the mission we have taken for the last 8-9 years. A small moment for the education of girls in Swat Valley: it is spreading now all over the world,” he said. (www.reuters.com. Adaptado.) Questão 34 Questão com alternativas em inglês em que resposta correta, e, é uma paráfrase de um trecho do texto: "Malala Yousafzai, the youngest winner of the nobel peace prize, celebrated her 18th birthday in Lebanon on sunday by opening a school for syrian refugee girls and called on world leaders to invest in “books not bullets”." On her 18th birthday, Malala (A) decided to live in Lebanon to help refugees establish schools. (B) talked to 200 welcoming girls aged 14 to 18. (C) celebrated in a school drawing butterflies with other girls. (D) visited three schools for refugees in Syria. (E) urged world leaders to invest in education and not in weapons. Analise o trecho do terceiro parágrafo “I demand of leaders we must invest in books instead of bullets”, para responder às questões 35 e 36. Questão 35 Questão de vocabulário em que o conhecimento de um conectivo lógico, instead of (em vez de), é cobrado explicitamente. A expressão “instead of” indica uma ideia de (A) simultaneidade. (B) paralelismo. (C) comparação. (D) substituição. (E) ênfase. Unicamp: 1ª fase com seis testes com quatro alternativas em Português, e uma questão interdisciplinar. Textos de gê- neros variados e de graus de formalidade e respeito à norma culta também diversos. Não possui prova dissertativa. Unifesp: Prova de 2ª fase para alguns cursos com 15 testes com al- ternativas em Português e Inglês e com textos usualmente sobre a área de saúde e comportamento. O exame também cobra questões mais espe- cíficas de vocabulário, como o conhecimento de sinônimos e traduções de conectivos lógicos e a capacidade de entender as relações semânticas estabelecidas por esses mesmos conectivos. Advice for new students from those who know (old students) The first day of college I was a ball of nerves. I remember walking into my first class and running to the first seat I found, thinking everyone would be staring at me. But nobody seemed to notice and then it hit me: The fact that nobody knew me meant nobody would judge, which, upon reflection, was what I was scared of the most. I told myself to let go. All along the year, I forced myself into situations that were uncomfortable for me – for example, auditioning for a dance piece. Believe it or not, that performance was a highlight of my freshman year. My advice: challenge yourself to try something new, something you couldn’t have done in high school. – Ria Jagasia, Vanderbilt University, ’18. (Adaptado de http://www.nytimes.com/2015/08/02/ education/edlife/ advice-for-new-students-from-those- who-know-old-students.html?ref= edlife.) No primeiro dia de faculdade, Ria ficou muito nervosa a) por não conhecer ninguém. b) por achar que seria julgada pelos colegas. c) porque ninguém olhou para ela. d) porque não sabia dançar. Questão que busca uma informação precisa no texto. a causa do nervosismo da aluna. a alternativa correta, B, não está explicitamente no texto, mas pode ser localizada pela argumentação da autora: "the fact that nobody knew me meant nobody would judge, which, upon reflection, was what i was scared of the most." Vunesp: primeira fase com 10 testes com alternativas em inglês ou português e geralmente, nos últimos anos, temática e que privilegia diversos gêneros textuais (tirinhas são comuns). Nas (cada vez mais) raras ocasiões em que se cobra gramática, as questões são contextualizadas e retiradas dos textos de apoio. Segunda fase com quatro questões escritas baseadas em um ou dois textos, de graus de dificuldade que variam de muito simples a difíceis. vunesp V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 17TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 fuvestenem Os exames de Língua Portuguesa têm cobrado a capacidade de o candidato ler, compreender e interpretar criticamente textos de toda natureza – literários e não literários, assim como a capacidade de se valer de conhecimentos linguísticos na pro- dução de textos que atendam aos requisitos de ade- quação, correção, coesão e coerência. Desta forma, pressupõe-se o domínio da norma culta da língua escrita, o reconhecimento de outras variedades linguísticas e a posse de uma bagagem de leituras de textos literários. No que diz respeito ao formato, a tendência dos exames é algo próximo ao que, hoje, definiu-se como um “modelo Enem”. Isto é, pequenos trechos, para uma única questão e enunciados que contenham uma breve contextualização do assunto cobrado. Normalmente são textos aos quais o candidato está exposto no seu cotidiano de leitor de jornais, revistas, propaganda, sites etc. Os exercícios cobram não apenas o conhecimento formal, mas também a capacidade de, a partir de situações comuns, se estabelecerem relações entre elas. Isto aliado à ca- pacidade de observação e de abstração. Em Literatura espera-se o conhecimento de obras representativas de diferentes períodos, bem como a capacidade de analisar e interpretar textos, reconhecendo seus diferentes gêneros e modali- dades e seus elementos de composição. Pede-se também que se relacione o texto com o conjunto da obra em que se insere e com seu contexto histórico e cultural. A prova de Redação é um teste para verificar a capacidade que o candidato tem de opinar, refletir, formular hipóteses voltadas à interpretação de si- tuações e de fatos. O texto produzido deve estar de acordo com a norma padrão e com a argumentação bem colocada e bem fundamentada. Assim, poderíamos pensar os grandes exames atuais nas formas apresentadas nos textos seguintes. PORTuGuêS - ler e compreender Professor Héric Jose Palos Enem: é uma prova extensa, cansativa e que exige grande capacidade de concentração. É preciso estar ciente do que se vai encontrar: textos co- muns, que alimentam questões, as quais supõem, muitas vezes, domínio de conteúdos fundamentais adquiridos ao longo do Ensino Médio. Ulti- mamente têm sido frequentes exercícios que envolvem modalidades de linguagem, domínio vocabular, questões de lieratura, tornando o exame próximo das provas de vestibulares mais tradicionais, como Fuvest, Uni- camp e Vunesp@!. Fuvest: prova bem elaborada, interessante e que, normalmen- te, procura estabelecer relações de conteúdos. Os últimos exames apontam na direção de textos verbais e não verbais, domínio e uso de linguagem, leitura e compreensão das obras obrigatórias, bem como relações que possam ser estabelecidas entre elas. Cabe ressaltar que nos exames mais recentes as questões de literatura têm apresentado um alto grau de complexidade. eneM 2015 – Relação entre texto verbal e não verbal, modelo bastante frequente nos exames atuais. Fuvest - 1ª Fase – entendimento de texto Fuvest - 2ª Fase – avaliação de entendimento e enredo, nas Leituras Obrigatórias Questão 96 Questão 51 - 1ª fase Questão fuvest - 2ª fase enem - proposta de redação V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 18 TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 unicampfuvest vunesp Vunesp e Unifesp: os exames mais tra- dicionais do estado de São Paulo, ou seja, o modelo que menos sofreu modificações nos últimos anos. É uma prova que cobra con- teúdo de Ensino Médio e espera respostas condizentes com o aprendizado do Ensino Médio. Ambos não têm listas de leituras obrigatórias , assim os textos que compõem a prova de literatura são tradicionais dos vários períodos artísticos. Por se tratar de provas mais simples, um erro pode custar uma boa classificação. Cabe ressaltar que a prova da Unifesp é extensa e exige bastante concentração. Unicamp: há pouco tempo que o modelo da prova atual foi definido. Dessa forma, é um tanto precoce tentar estabelecer um padrão. Usualmente, o exame pode ser pensado em duas partes. A primeira, versando sobre lín- gua e linguagem – suas relações sintáticas e semânticas; a segunda, literatura. A lista de obras obrigatórias é vasta e, portanto, não há como se cobrar tudo o que se pede. Não há como fazer um exercício de adivinhação, é fundamental a leitura e a compreensão das obras, até porque, também aqui, as questões de literatura têm se notabilizado por um alto grau de sofisticação. uniCaMp - 1ª Fase – análise e entendimento de texto uniCaMp - 2ª Fase – a partir de texto, conhecimento estrutural da língua e vocabular vunesp - 2ª Fase – Questão que exige conhecimento básico para apreensão de conteúdo relacionado a período composto) As questões 29 e 30 tomam por bas o "Soneto LXVII" ("Considera a vantagem que os brutos fazem aos homens em obedecer a Deus"), de Dom Francisco Manuel de Melo (1608-1666). típica redação argumentativa, com tendências subjetivas unifesp proposta de redação Questão 77 - 1ª fase Questão 1 - 2ª fase redação 1 redação 2 Questão 30 V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
  • PÁGINA 19TENDÊNCIAS DO VESTIBULAR - jUNhO DE 2016 UNIcAmp 2017 Inscrições 1º/agosto a 1º/setembro prova da 1ª fase 20/novembro provas da 2ª fase 15, 16 e 17/janeiro/2017 primeira chamada 13/fevereiro/2017 VUNESp 2017 Inscrições 12/setembro a 10/outubro prova da 1ª fase 13/novembro provas da 2ª fase 18 e 19/dezembro primeira chamada 3/fevereiro/2017FUVESt 2017 Inscrições 19/agosto a 8/setembro prova da 1ª fase 27/novembro provas da 2ª fase 8 a 10/janeiro/2017 UNIFESp 2017 Inscrições 19/setembro a 21/outubro 1ª fase (prova do Enem) 5 e 6/novembro provas da 2ª fase 15 e 16/dezembro primeira chamada 30/janeiro/2017 ItA 2017 Inscrições 1º/agosto a 15/setembro provas 13 a 16/dezembro Escola pública recua na uSP Calendário dos vestibulares 2017 Os vestibulares de 2017 começam em 5 e 6 de novembro com o Enem – Exa- me Nacional do Ensino Médio, que em São Paulo vale como prova da 1ª fase da Unifesp e parte das vagas da USP. Nas universidades estaduais paulistas a Vunesp inicia a seleção de candidatos em 13 de novembro, a Unicamp fará a 1ª fase em 20 de novembro e a Fuvest aplicará sua prova inicial em 27 de novembro. As provas da 2ª fase da Vunesp e da Unifesp serão em dezembro, assim como o vestibular do ITA, em fase única. A 2ª fase da Fuvest e da Unicamp serão em janeiro de 2017. O ingresso de alunos de escolas públicas na USP re- cuou este ano para 34,6% dos aprovados na Fuvest e pelo Enem. No ano anterior, sem Enem, tinha atingido o recorde de 35,1%. A meta para 2016 era 39% e para 2018 é de 50% dos ingressantes. Para isso, no último vestibular a univer- sidade separou 13,5% de suas vagas (1489) para serem preenchidas pelo SiSU – Sistema de Seleção Unificada, com as notas do Enem. Diversos cursos, entre eles Medi- cina Pinheiros, não aderiram ao SiSU e outros colocaram elevadas notas de corte. O resultado é que mais de 40% dessas vagas separadas não foram ocupadas, retornando para candidatos aprovados na Fuvest. No momento, a USP estuda o que fazer para cumprir a meta de 2018. Livros indicados pela Fuvest 2017 Vidas secas – Graciliano Ramos A cidade e as serras – Eça de Queirós O cortiço – Aluísio Azevedo Iracema – José de Alencar Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade Sagarana – João Guimarães Rosa Capitães da areia – Jorge Amado Mayombe – Pepetela A escola pública em 16 anos de Fuvest 25,8 28 28,5 32,3 35,1 34,6 Número de aluNos de escola pública que iNgressaram Na usp (%) - 2001 a 2016 A Fuvest fez quatro mudanças na lista de livros de leitura obrigatória para o vestibular de 2017. Os novos livros são: Iracema, de José de Alencar; Claro enigma, de Carlos Drummond de Andrade; Sagarana, de João Guimarães Rosa; Mayombe, de Pepetela (pseudônimo de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, escritor angolano). Professores do Etapa apresentam as características, o enredo e os personagens das obras indi- cadas pela Fuvest. Acesse http://www.etapa.com.br/leituraobrigatoria/. V E S T I B u l A R E S - 2 0 1 6
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