A QUESTÃO DO ÍNDIO NO BRASIL O Descobrimento do Brasil ocorreu no dia 22 de abril de 1500, nesta data as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, chegaram ao litoral sul do atual estado da Bahia. Era um local que havia um monte, que foi batizado de Monte Pascoal. No dia 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De acordo com os relatos da Carta de Pero Vaz de Caminha, foi um encontro pacífico e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre esses dois povos. Os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começaram a explorar pau-brasil das matas, começaram a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo, davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas, em troca de seu trabalho. O conto que se segue foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo a transmitir doenças a eles para dizimar tribos e tomar as terras. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequeno número de índios que temos hoje. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica, os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e coloca-los em seu serviço. Os povos indígenas do Brasil compreenderam um grande número de diferentes grupos étnicos que habitam o país desde milênios antes do início da colonização portuguesa, que principiou no século XVI, fazendo parte do grupo maior de povos ameríndios. Apesar de protegida por muitas leis, a população indígena foi amplamente exterminada pelos conquistadores diretamente e pelas doenças que eles trouxeram, caindo de uma população de milhões para cerca de 150 mil em meados do século XX, quando continuava caindo. Apenas na década de 1980 ela inverteu a tendência e passou a crescer em um ritmo sólido. Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América, havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro esse número chegava a 5 milhões de nativos, aproximadamente. Estes índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o troco linguístico ao qual pertenciam: Tupi-guarani (região do litoral), Macrojê ou Tapuia (região do Planalto Central), Aruaque (Amazônia) e Caraíba (Amazônia). Atualmente, calcula-se que apenas 40 mil índios ocupam o território brasileiro. A maioria da população indígena do Brasil vive da agricultura, mas a coleta, a caça e a pesca figuram também como importantes atividades de subsistência. A tecnologia é rudimentar; como fonte de energia utilizam apenas a força humana e o fogo, já que não empregam tração animal nem energia hidráulica. O cultivo intenso do solo em pouco tempo conduz a seu esgotamento, obrigando à migração das populações em busca de terras férteis. A divisão social do trabalho funda-se nos princípios básicos de sexo e idade, com tarefas bem definidas. Como em todas as culturas ágrafas, a estrutura social dos grupos indígenas do Brasil tem como referência o sistema de parentesco consensualmente aceito. A unidade básica de agrupamento social é a família nuclear, isto é, pais e filhos, formada pelo casamento, união sancionada entre um homem e uma mulher, de acordo com critérios preferenciais e/ou impeditivos, constantes das normas do grupo. O casamento pode ser monogâmico ou poligâmico. As línguas indígenas do Brasil são os idiomas falados pelos povos indígenas do Brasil, assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens, tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias linguísticas e estas por sua vez, fazem parte de grupos ainda maiores, os troncos linguísticos. Entre as línguas indígenas do Brasil, os troncos linguísticos com maior número de línguas são o tupi e o macrojê. Existem também povos que falam o português; no entanto, estes casos são considerados como perdas linguísticas ou identidades emergentes. O antigo SPI (Serviço de Proteção aos Índios) foi extinto e substituído pela FUNAI em 1967. O SPI foi um órgão governamental criado em 1910, o principal objetivo do SPI era proteger os indígenas dos ataques feitos por não indígenas com a sua fundação, a política indígena passou a ser de responsabilidade do Estado e não de instituições religiosas, como era realizado desde o período colonial. A fundação Nacional do Índio (FUNAI) é o órgão indigenista oficial do Estado Brasileiro, criado pela lei n° 5.371, de 5 de dezembro de 1967, vinculado ao Ministério da Justiça. Sua missão é coordenar e executar as políticas indigenistas do Governo Federal, protegendo e promovendo os direitos dos povos indígenas.
Please download to view
All materials on our website are shared by users. If you have any questions about copyright issues, please report us to resolve them. We are always happy to assist you.
...

A Questão Do Índio No Brasil

by lucyan-christyan

on

Report

Category:

Documents

Download: 0

Comment: 0

212

views

Comments

Description

A Questão Do Índio No Brasil
Download A Questão Do Índio No Brasil

Transcript

A QUESTÃO DO ÍNDIO NO BRASIL O Descobrimento do Brasil ocorreu no dia 22 de abril de 1500, nesta data as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, chegaram ao litoral sul do atual estado da Bahia. Era um local que havia um monte, que foi batizado de Monte Pascoal. No dia 24 de abril, dois dias após a chegada, ocorreu o primeiro contato entre os indígenas brasileiros que habitavam a região e os portugueses. De acordo com os relatos da Carta de Pero Vaz de Caminha, foi um encontro pacífico e de estranhamento, em função da grande diferença cultural entre esses dois povos. Os primeiros contatos foram de estranheza e de certa admiração e respeito. Caminha relata a troca de sinais, presentes e informações. Quando os portugueses começaram a explorar pau-brasil das matas, começaram a escravizar muitos indígenas ou a utilizar o escambo, davam espelhos, apitos, colares e chocalhos para os indígenas, em troca de seu trabalho. O conto que se segue foi muito prejudicial aos povos indígenas. Interessados nas terras, os portugueses usaram a violência contra os índios. Para tomar as terras, chegavam a matar os nativos ou até mesmo a transmitir doenças a eles para dizimar tribos e tomar as terras. Esse comportamento violento seguiu-se por séculos, resultando no pequeno número de índios que temos hoje. A visão que o europeu tinha a respeito dos índios era eurocêntrica, os portugueses achavam-se superiores aos indígenas e, portanto, deveriam dominá-los e coloca-los em seu serviço. Os povos indígenas do Brasil compreenderam um grande número de diferentes grupos étnicos que habitam o país desde milênios antes do início da colonização portuguesa, que principiou no século XVI, fazendo parte do grupo maior de povos ameríndios. Apesar de protegida por muitas leis, a população indígena foi amplamente exterminada pelos conquistadores diretamente e pelas doenças que eles trouxeram, caindo de uma população de milhões para cerca de 150 mil em meados do século XX, quando continuava caindo. Apenas na década de 1980 ela inverteu a tendência e passou a crescer em um ritmo sólido. Historiadores afirmam que antes da chegada dos europeus à América, havia aproximadamente 100 milhões de índios no continente. Só em território brasileiro esse número chegava a 5 milhões de nativos, aproximadamente. Estes índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o troco linguístico ao qual pertenciam: Tupi-guarani (região do litoral), Macrojê ou Tapuia (região do Planalto Central), Aruaque (Amazônia) e Caraíba (Amazônia). Atualmente, calcula-se que apenas 40 mil índios ocupam o território brasileiro. A maioria da população indígena do Brasil vive da agricultura, mas a coleta, a caça e a pesca figuram também como importantes atividades de subsistência. A tecnologia é rudimentar; como fonte de energia utilizam apenas a força humana e o fogo, já que não empregam tração animal nem energia hidráulica. O cultivo intenso do solo em pouco tempo conduz a seu esgotamento, obrigando à migração das populações em busca de terras férteis. A divisão social do trabalho funda-se nos princípios básicos de sexo e idade, com tarefas bem definidas. Como em todas as culturas ágrafas, a estrutura social dos grupos indígenas do Brasil tem como referência o sistema de parentesco consensualmente aceito. A unidade básica de agrupamento social é a família nuclear, isto é, pais e filhos, formada pelo casamento, união sancionada entre um homem e uma mulher, de acordo com critérios preferenciais e/ou impeditivos, constantes das normas do grupo. O casamento pode ser monogâmico ou poligâmico. As línguas indígenas do Brasil são os idiomas falados pelos povos indígenas do Brasil, assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens, tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias linguísticas e estas por sua vez, fazem parte de grupos ainda maiores, os troncos linguísticos. Entre as línguas indígenas do Brasil, os troncos linguísticos com maior número de línguas são o tupi e o macrojê. Existem também povos que falam o português; no entanto, estes casos são considerados como perdas linguísticas ou identidades emergentes. O antigo SPI (Serviço de Proteção aos Índios) foi extinto e substituído pela FUNAI em 1967. O SPI foi um órgão governamental criado em 1910, o principal objetivo do SPI era proteger os indígenas dos ataques feitos por não indígenas com a sua fundação, a política indígena passou a ser de responsabilidade do Estado e não de instituições religiosas, como era realizado desde o período colonial. A fundação Nacional do Índio (FUNAI) é o órgão indigenista oficial do Estado Brasileiro, criado pela lei n° 5.371, de 5 de dezembro de 1967, vinculado ao Ministério da Justiça. Sua missão é coordenar e executar as políticas indigenistas do Governo Federal, protegendo e promovendo os direitos dos povos indígenas.
Fly UP